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CASO - CONSTRUÇÃO DA CASA DE EDUARDO E MÔNICA (1)

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CASO: CONSTRUÇÃO DA CASA DE EDUARDO E MÔNICA 
 
Quem um dia irá dizer 
Que existe razão 
Nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer 
Que não existe razão? 
Eduardo e Mônica 
Renato Russo 
Um dos usuários mais intensos em gerenciamento de projetos é, sem dúvida, o 
setor da construção civil. Por ser um setor cujo produto final é concreto, ou seja, de fácil 
entendimento, visualização inclusive, decidimos propor um caso que será referenciado 
em toda a segunda parte do livro. Trata-se da construção da casa de um interessante 
casal, conhecido em todo o Brasil: o Eduardo e a Mônica. 
 
Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografia, teatro e artesanato e foram viajar. 
A Mônica explicava pro Eduardo 
Coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar: 
Ele aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer 
E decidiu trabalhar; 
E ela se formou no mesmo mês em que ele passou no vestibular. E os dois 
comemoraram juntos 
E também brigaram juntos, muitas vezes depois. 
E todo mundo diz que ele completa ela e vice-versa, que nem feijão com arroz. 
Construíram uma casa uns dois anos atrás, mais ou menos quando os gêmeos vieram 
– Batalharam grana e seguraram legal 
A barra mais pesada que tiveram [...] 
Eduardo e Mônica 
Renato Russo 
 
Eduardo e Mônica moravam em um apartamento alugado de dois quartos, apertado, 
com uma vaga na garagem. Mônica tinha moto, mas não tinha onde guardar. Um dos 
quartos funcionava como oficina onde os quadros, fotografias e esculturas de 
artesanato ocupavam todo o lugar. 
 
 
Eduardo e Mônica, após procurarem por muito tempo um apartamento, mudaram 
de opinião e decidiram, então, construir uma casa, principalmente quando souberam 
da chegada dos gêmeos. Batalharam grana e seguraram legal as economias e, 
recentemente, adquiriram um terreno de 200 m2 em um bairro residencial. 
 
Agora vão se dedicar à construção da casa de seus sonhos. 
Começaram discutindo tudo aquilo que gostariam em uma casa, em função de suas 
atividades. Essas características estão descritas a seguir: 
 
♦Mônica, embora trabalhe fora, gosta de preparar pratos diferentes quando está 
em casa. Sua especialidade é uma rica e gostosa comida baiana. 
♦Mônica, apaixonada por jardinagem, tem sempre em seus vasinhos pequenas 
plantações de hortelã, manjericão, cravo, entre outras especiarias. Seu sonho é 
ter espaço para uma horta de verdade. 
♦Eduardo estuda violão e, se possível, ficaria horas em seu quarto estudando, 
mas Mônica, cá entre nós, não aprecia muito o estilo de suas músicas. 
♦Eduardo e Mônica se parecem no quesito guardar bugigangas. Não jogam fora 
nada. Seus espaços vivem entulhados. 
♦Eduardo acha que os filhos, mesmo gêmeos, devem ter quartos separados – 
não sabemos ainda se são do mesmo sexo. 
♦Mônica aprecia pintura e Eduardo gosta de fazer consertos e recuperar móveis 
antigos. 
♦Mônica, desde suas aulas de alemão, tinha viajado e sentido a preocupação 
desse povo com as questões ambientais e a legislação mais rígida daquele país. 
Agora que iria construir, queria uma casa sustentável! 
 
Estas características servirão de base para que o casal possa dar o pontapé inicial 
no gerenciamento do projeto: Casa de Eduardo e Mônica. 
Eduardo, recentemente, ingressou em um MBA em administração de projetos e 
convenceu Mônica a organizar todas as decisões e ações do projeto. Para isso, querem 
fazer tudo como mandam as boas práticas da disciplina Gerenciamento de Projetos 
 
 
 
Caso Eduardo e Mônica 
Mãos à obra! 
 
O primeiro passo para preenchimento do project charter foi analisar as características 
das necessidades expressas pelo casal . Uma vez discutidos esses requisitos, Eduardo 
pegou seu notebook, buscou um modelo de project charter apresentado em seu MBA 
e começou a preenchê-lo. Assim, quando a Mônica retornasse do plantão poderiam 
discutir. Imediatamente veio a primeira dúvida: quem deve ser o gerente de projetos? 
Os professores de seu MBA dizem que cada projeto só pode ter um gerente! Em 
seguida, pensou: e o patrocinador? 
Bem, em geral, essas são questões que surgem no início dos projetos e que devem ser 
resolvidas o mais rápido possível. Os papéis dos envolvidos diretamente com o projeto 
têm de ser definidos para que não haja interferências negativas. Sabe-se que os 
patrocinadores são os investidores, diretores, supervisores da alta gerência, muitas 
vezes clientes internos, entre outros. Eles têm um interesse direto na resolução e busca 
dos resultados do projeto. Seu papel, muitas vezes, consiste em conseguir recursos e 
dar solução aos problemas que os gerentes de projetos precisam e não conseguem 
resolver. Já o gerente de projetos, tipicamente, deverá ser o executivo do projeto: ele 
faz acontecer o empreendimento! 
Eduardo não sabia, portanto, o que preencher no campo gerente de projeto e no campo 
patrocinador. 
Mesmo sem esperar a Mônica para discutir suas dúvidas, resolveu ir em frente e 
preencher o título do projeto: Casa Eduardo e Mônica. 
Em seguida, começou a escrever o objetivo do projeto. Tentou digitar vários, mas não 
ficou satisfeito com nenhum! Eis alguns: 
♦deixar de pagar aluguel; 
♦ter mais espaço, integrando ambientes; 
♦construir uma casa sustentável; 
♦constituir uma nova família em um espaço novo; e 
♦organizar as decisões durante a construção e tomar ações adequadas etc. 
Foi, então, que Eduardo começou a perceber a importância de ter um bom project 
charter, e mais: que esse documento precisa ser bem elaborado para que tenha uma 
função gerencial. Agora, Eduardo começou a perceber que ter um charter de projeto é 
mais do que saber sobre sua importância, seus benefícios, ou mesmo conhecer 
 
 
visualmente seus diversos modelos – sua visão de charter era, na realidade, muito 
acadêmica. Com a necessidade de preencher para poder utilizá-lo gerencialmente, a 
coisa mudou. 
Para se ter um bom project charter, pensou Eduardo, é preciso, muitas vezes, dispor 
de várias informações estratégicas que nem sempre estão à sua disposição 
imediatamente. No caso das empresas, pensou em quais informações seriam úteis – 
planejamento estratégico, análise do setor, tecnologia envolvida etc. 
Essa reflexão fez com que ele pensasse em informações sobre construção civil, 
prefeitura, escritórios de engenharia, entre outras, que poderiam servir como subsídios 
para a formação de seu charter. 
Quando Mônica voltou do plantão, Eduardo resolveu compartilhar com ela suas 
frustrações e dificuldades no preenchimento correto do documento. Após discutirem os 
requisitos de informação e fazerem algumas suposições, começaram a trabalhar no 
preenchimento do charter novamente. 
Ficou decidido que Eduardo seria o gerente do projeto e Mônica a patrocinadora – 
decisão talvez pouco convencional, como tudo neste casal. O título permaneceu o 
mesmo e o objetivo teve a seguinte declaração: construir uma casa (sobrado) de dois 
quartos em 15 meses com orçamento de R$ 300 mil. 
Decidiram também que, além dos cômodos tradicionais de uma casa com dois quartos, 
iriam construir uma pequena área de lazer com churrasqueira e forno, fora da casa, e 
um pequeno espaço para plantações das especiarias de Mônica. 
Lembraram que iriam precisar de alguém para cuidar da documentação da casa, bem 
como dos registros das plantas. 
Em seguida, começaram a pensar nas premissas, nas restrições e nos riscos 
envolvidos. Confusão geral! Entendiam que o documento prescindia de tais 
informações, mas preenchê-lo não era tarefa fácil. Não eram questões de escrita, e sim 
de conceitos desses termos. 
Após muitas horas de reflexão e pesquisas nos livros de Eduardo, chegou-se a um 
consenso de que: (a) premissa seria algo incerto que iriam tomar como certo, a qualquer 
custo; (b) restrição seria tudo que limitaria o projeto; e (c) risco seria algo relacionado 
com as incertezas. Ele lembrou também que sua professora falou que as restrições do 
projeto estão relacionadas com seu escopo,

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