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CAPÍTULO 5 – A LINGUAGEM
A importância da linguagem
	Aristóteles descreve que o homem é um ser social e patriótico, que diferente dos animais que possuem a voz o homem possui a palavra e a utiliza para diversas finalidades, através disso apenas ele pode ter uma vida social e política.
	Rousseau e Hjelmslev seguem o mesmo pensamento de Aristóteles, onde para o primeiro a linguagem diferencia os homens dos animais e para o outro ela é inseparável do homem e é a linguagem que modela os pensamentos e os atos do homem. Hjelmslev descreve também que ela é o refúgio do homem em seus momentos de solidão, pois ela está sempre ao nosso redor.
	Platão descreve a linguagem como sendo um pharmakon, que possui três sentidos: remédio, veneno e cosmético. Ou seja, ela pode ser um cosmético devido se pode ocultar algo através dela, também pode ser um remédio por causa que ao utilizá-la podemos constatar algo e se capacitar, do mesmo modo a linguagem pode ser veneno quando aceitamos determinadas decisões sem sabermos se elas são autênticas ou falsas.
A força da linguagem
	
	Através das religiões e dos mitos pode-se apurar a força da linguagem na vida do homem. O mito é uma narrativa que nasceu a partir da necessidade de explicação sobre a origem e a forma das coisas, tendo assim, cada sociedade, região, tempo (paradigma) e grupo o seu próprio mito, com isso o mito pode moldar e até mesmo controlar as pessoas. A força da linguagem também está presente nas religiões e pode ser visto nos rituais de orações, por exemplo, em um ritual de feitiçaria, onde o feiticeiro através de determinadas palavras as coisas acontecem. 
	Em certas religiões ou culturas não se pode pronunciar algumas palavras devido que elas podem trazer desgraças para a vida da pessoa ou daquele povo, foram se criados até mesmos certos tipos de regras para que as pessoas não pronunciem essas palavras, por exemplo, nos anos 60 era se proibido falar de sexo em lugares públicos e até mesmos em privados. 
	Houve uma época e talvez ainda hoje exista em que quando uma pessoa dava sua palavra, ou seja, ela concordava com certa decisão, era como se ela tinha dado sua vida, pois era uma questão de honra fazer o que havia combinado.
	Deste modo, percebe-se que a linguagem está presente em todos os tipos dos atos que o homem realiza e que ela tem um poder para que aconteçam.
A outra dimensão da linguagem
	Os gregos referiam-se a linguagem através das palavras mythos e logos, o logos é um discurso (fala/palavra), pensamento (pensamento/ideia) e realidade (realidade/ser), portanto, ele é a palavra racional do conhecimento do real. Através dessas duas palavras pode-se dialogar e examinar o mundo, por exemplo, através da palavra religiosa e científica. Por isso uma grande parte dos filósofos descrevem que quando um objeto que tem um esclarecimento mítico e passa a ter uma interpretação racional, o objeto se torna científico.
A origem da linguagem
	Como se originou a linguagem foi uma dúvida que durante anos a Filosofia tentou solucionar, porém mesmo com o passar dos anos e de novas descobertas, chegou-se a concluir que a linguagem é uma habilidade natural do homem e que há quatro teorias sobre a origem dessa capacidade de expressão do homem.
	A primeira teoria é que ela teve sua origem devido que ao escutar os sons da natureza o homem começou a imitá-los. Outra teoria é que foi através dos gestos e com o tempo começou a designar-se sons para esses gestos. A terceira hipótese é que o homem criou a linguagem devido à necessidade e assim foi criando-se determinados sons para certos tipos de necessidades. A última opção seria que ela nasce das emoções, Rousseau chega até concordar e descreve que a linguagem nasce das emoções e não das necessidades.
	Essas teorias não excluem uma a outra e isso é comprovado pelos estudos de Psicologia Genética que descreve que uma criança utiliza todos esses meios para se comunicar.
O que é linguagem?
	Pode se definir linguagem como sendo um sistema de signos que possa servir como meio de comunicação, portando uma estrutura intencional e que é o instrumento ideal da intencionalidade essencial do homem. Porém, mesmo com essa definição ela ainda oculta problemas em que os filósofos tentam resolver, por exemplo, como a linguagem pode exprimir ideias e coisas externas? E entre outras coisas.
Empiristas e intelectualistas diante da linguagem
	Os empiristas descrevem a linguagem como sendo um grupo de imagens corporais e mentais constituído por combinação e recorrência que formam figuras verbais.
	As corporais são elaboradas em motoras e sensoriais, onde as motoras são quando aprendemos a nos expressar (ler e escrever) devido aos mecanismos anatômicos e fisiológicos. Já as sensórias são por causa do sistema nervoso que compreendemos os sons e entendemos sua grafia. Por fim, as verbais são conhecidas devido a regularidade dos sinais externos que nos impulsiona e que a imagem verbal é um resumo das outras duas imagens que estão acondicionadas no cérebro. Houve essa opinião empirista devido aos estudos médicos que relataram que linguagem era um fenômeno físico que temos consciência.
	Diferente da concepção dos empiristas, os intelectualistas acreditam que a capacidade da linguagem está relacionada com o pensamento e que ela seria uma expressão (auditiva, oral, visível e gráfica) de nossa consciência e de nossos pensamentos. Os intelectuais utilizam o testemunho de Helen Keller, uma garota que aprendeu a falar sem ter ouvido e visto algum som, mas que aprendeu a falar. Com esse testemunho eles buscam comprovar que a linguagem é a expressão de pensamentos.
	Mesmo com suas divergências esses dois pontos de vistas têm duas coisas em comum: indicar algo e representar ideias. Mas, essas concordâncias fazem com que a linguagem seja algo perturbador para os estudiosos e devido a isso surge algumas correntes filosóficas que buscam purificar a linguagem.
Purificar a linguagem
	O positivismo lógico é uma dessas correntes que buscam purificar a linguagem e diferenciaram-na em duas, a primeira é natural que seria a que usamos no cotidiano, mas que é confusa. Já a segunda é uma linguagem formalizada, ou seja, lógica. Onde ela funcionava por meio de operações e regras lógicas que analisavam se afirmação era autêntica ou não, portanto, a linguagem formalizada era uma metalinguagem.
	Entretanto, com o tempo foi visto que não se podia utilizar esse modo devido que existia uma grande quantidade de formas de linguagem, também foi notado que há algumas expressões que não tinha denotação, e que havia algumas expressões linguísticas que eram verdadeiras mesmo não tendo valor denotativo nem representativo.
Crítica ao empirismo e ao intelectualismo
	Os empiristas e intelectualistas também foram criticados estudiosos da linguagem. Por exemplo, Goldstein e Gelb são dois psicólogos que realizaram críticas ao observarem que quando realizaram um teste com pessoas pedindo para que colocassem em certo lugar os objetos que possuíam cor azul, porém quando elas se depararam com objetos que tinha uma tonalidade fraca ou mais escura de azul, elas colocavam no mesmo lugar. Com isso, eles viram que a cor azul não estabelecia uma ideia geral.
	Portanto, os psicólogos mostraram que a linguagem não é um grupo de imagens verbais como afirmam os empiristas, porém, os resultados dos testes não confirmam o ponto de vista dos intelectualistas devido que não é possível pensar sem palavras e que elas rodeiam os pensamentos. Segundo Merleau-Ponty, a linguagem é a estrutura física do pensamento.
A linguística e a linguagem
	Durante muitos anos foi se estudado a origem da linguagem e seus efeitos. Ela era estudada de dois modos: filologia e da gramática comparada.
	A primeira era relacionada a parte histórica das palavras com o objetivo de chegar numa língua primária. A segunda buscava compreender as línguas que ainda existiam para tentar encontrar uma relação entre elas e encontrar a língua original.
	Essas pesquisas revelaram aos estudiosos problemas que eles não conseguiamapurar, por exemplo, um desses problemas é sobre as flexões, mostrando que as línguas mudavam por fatores internos e não externos. Com isso, cada povo possuía sua língua devido que ela manifestava a essência do povo.
	Houve um novo conceito sobre linguagem que surgiu no século XX, abaixo aparece os pontos principais:
	1. A linguagem é composta através da diferença de fala e língua. Em que a língua significa o sistema linguístico utilizado por uma determinada sociedade, ou seja, é um sistema supra individual de signos, graças aos quais os homens podem comunicar-se entre si, por exemplo, língua portuguesa. Já a fala é a forma concreta e individual assumida do sistema conforme o uso de uma determinada pessoa, de acordo com os significados pessoais, subjetivos, emotivos por ela desejados.
 2. Numa língua tem a diferença entre significante, significado e signo. O significante indica uma realidade como ela é denotada e estruturada pela linguagem, e significado indica o modo, sempre parcial e histórico, em que a língua falada atualiza o significante. Por fim, o signo é o componente verbal material da língua.
3. Mesmo tendo uma relação autoritária entre os signos e as coisas, quando essa relação uma vez formada a língua como grupo de relações entre significados, signos e significantes a relação com as coisas torna-se necessária.
4. A língua é um sistema formado por distinções internas ou por contestações pertinentes entre os signos. Ela pode ser considerada também como um código que se comunica nas mensagens trocadas entre emissor e receptor. A língua possui duas dimensões: a sincronia e a diacronia, a primeira significa o todo da língua no seu estado atual e a segunda é que a língua é observada de acordo com as mudanças. Portanto, a língua pode ser descrita pelo ambiente social, histórico e da cultura de determinada sociedade.
A experiência da linguagem
	
	A linguagem fez com que o homem tornasse uma ser social e cultura, através de sua simbologia coloca a pessoa em contato com o ausente, atuando como uma ponte entre o pensamento e o mundo.
	Porém, é preciso ter cuidado, para ver se realmente o que é falado significa o que realmente é, por exemplo, qual a diferença entre fumaça e fumaça-signo-fogo? A palavra fumaça é um símbolo análogo, isto é, apenas indica algo, neste caso fogo. Devido a dúvidas como essa que a Filosofia da Linguagem se pergunta: As palavras descrevem e explicam realmente como as coisas são?
	A forma tradicional coloca que a linguagem possuía uma relação binária: signo verbal <-> coisa indicada (realidade); signo verbal <-> ideia, conceito, valor (pensamento). Mas, essa forma não explica o motivo que uma ideia significa algo, mas existe a conotação.
	A linguagem tem a faculdade de fazer que enquanto se fala ou se ouve possa-se pensar, fazendo com que se entenda tanto o próprio pensamento como os demais. Ela faz pensar e no que se pensa devido ao que se refere aos significados. Em outras palavras, a linguagem cria, interpreta e decifra significações, de modo miticamente ou conceitualmente. Por exemplo, em um diálogo uma pessoa diz: “Eu compreendi algo que não sabia e não sabia que compreendia isso”, ou: “Nunca havia pensado nisso”.
	A linguagem pode ser considerada de uma forma ternária: palavra ou signo significante <-> sentido ou significação; significado <-> realidade ou mundo e instituições sociais, políticas, culturais.
	As significações conduzem à invenção de novas expressões linguísticas, a linguagem inicia novos sentidos e explanasse o mundo de novas maneiras:
	1. Através das significações, fazendo com que se possa relacionar a realidade mediante a palavra.
 2. Relacionando com sentido existentes e criando novos, com isso se possa relacionar o pensamento por intermédio das palavras.
3. Expressando e descobrindo novos significados, podendo assim se comunicar uns com os outros.
	4. Usa o poder para produzir significações.
	Deste modo, a linguagem não simboliza ideias feitas de um pensamento silencioso, porém encarna as significações, ela também não retrata imagens verbais de origem motora e sensorial.
Linguagem simbólica e linguagem conceitual
	A linguagem simbólica funciona por analogias, por metáforas e ocorre como imaginação. Essa linguagem é emotiva e afetiva, oferta sínteses imediatas e dá palavras com vários significados simultâneos e diferentes, ela também leva para seu interior, colocando a oportunidade de criar um novo mundo e conhecer o mundo em que se vive, por último, ela descreve o passado e o futuro.
	A linguagem conceitual busca entregar oferecer às palavras um sentido direto e não figurado, porém, ela não é totalmente denotativa, mas pelo contrário, a conotação é essencial. A conceitual descreve as emoções e afetos, fazendo com que se possa acompanhar passo a passo da análise e da síntese, ela também busca fazer com que cada palavra tenha seu próprio sentido, busca convencer através de argumentos e provas, por fim, busca decifrar o sentido do mundo ultrapassando suas aparências. 
BIBLIOGRAFIA
Chaui, M. A linguagem. In: ______. Convite à Filosofia. 12 ed. São Paulo: Ática, 2002. cap. 5 p. 172-190.

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