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Roubo e extorsão

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sendo imposto a ela um comportamento positivo ou negativo para obtenção de vantagem econômica indevida. 
A obtenção da vantagem indevida é elemento especial do tipo penal.
Além disso, a vantagem é entendida em sentido mais amplo que a “coisa móvel alheia” do roubo, abrangendo o patrimônio em geral. “Qualquer vantagem de natureza econômica, gozando ou não de status de coisa móvel alheia, passível ou não de remoção”.
Nesse crime, a pessoa jurídica pode ser sujeito passivo, pois seus sócios podem ceder a um constrangimento. (Dois sujeitos passivos: o constrangido e aquele que teve o patrimônio lesionado).
Consumação:
Por ser crime formal, não necessitando resultado, se consuma quando ocorre o constrangimento. Se a vítima não se submeter, será tentativa. A obtenção da vantagem é mero exaurimento do crime. 
A súmula 96 do STJ: O crime de extorsão consuma-se independentemente da obtenção da vantagem indevida.
O dolo é elemento especial do tipo. Não existe previsão da modalidade culposa.
A violência e a ameaça são a mesmas existentes no roubo, podendo haver o emprego de arma própria ou imprópria. 
Dicas para distinguir extorsão de roubo:
1 – observar que no roubo não há muita opção para a vítima pensar, pois o mal é iminente;
2 – No roubo, trata-se de coisa alheia móvel (mais restrita);
3 – No roubo, em geral, o sujeito ativo subtrai – dispensabilidade da conduta da vítima. Ex: Num roubo em que o ladrão está com uma faca e manda você entregar o celular, você entrega. Mesmo que você fique parado ele coloque a mão no seu bolso e retire; CONTRECTATIO- simples contato.
4 – Na extorsão, o extorsionário faz com que lhe seja entregue a vantagem econômica indevida pela vítima, a qual pode ser até um imóvel. Ex: a vítima deve entregar um bem, transferir dinheiro, transferir propriedade, títulos...TRADITIO – tradição/entrega.
Então cuidado: Eventualmente um sequestro relâmpago pode estar tipificado na extorsão e não no Art. 157, §2º, V do CP. Observe como vai se dar a ação criminosa – modus operandi, pois temos previsão parecida no 158, §3º;
Modalidades especiais ou tipos específicos:
Existe o crime de concussão, previsto no artigo 316 do CP, que é uma modalidade especial de extorsão praticada por funcionário público.
Também existe o crime do artigo 345, no qual a violência ocorre para a obtensão de pretensão legítima do sujeito ativo, diferente da extorsão onde a vantagem é indevida.
	CAUSAS DE AUMENTO NA EXTORSÃO:
§ 1º - Se o crime é cometido por duas ou mais pessoas, ou com emprego de arma, aumenta-se a pena de um terço até metade.
Mesmas observações do furto no caso de concurso de agentes.
Contudo, observar a natureza formal do crime que se consuma com a extorsão. O recebimento do resgate é mero exaurimento do crime. Caso um terceiro ingresse em fase posterior, apenas para receber o resgate (isso deve ficar provado no processo)? Segundo Grecco, ele não terá extorquido. Responderá por crime de favorecimento real. Art. 349 do CP[footnoteRef:1]. Há quem entenda que se trata de partícipe – art. 29 do CP. [1: Art. 349 - Prestar a criminoso, fora dos casos de co-autoria ou de receptação, auxílio destinado a tornar seguro o proveito do crime:Pena - detenção, de um a seis meses, e multa.
] 
MODALIDADE QUALIFICADA
§ 2º - Aplica-se à extorsão praticada mediante violência o disposto no § 3º do artigo anterior. Vide Lei nº 8.072, de 25.7.90. Mesma questão com relação a qualificadora do roubo, ou seja, qualifica no caso de extorsão seguida de lesão grave ou gravíssima e no caso de morte. Esse último (resultado morte) torna hediondo o crime. Obs: não se aplica o aumento da metade da pena previsto no artigo 9º da Lei 8072/90, devido a revogação do art. 224 do CP em 2009.
§ 3º  Se o crime é cometido mediante a restrição da liberdade da vítima, e essa condição é necessária para a obtenção da vantagem econômica, a pena é de reclusão, de 6 (seis) a 12 (doze) anos, além da multa; se resulta lesão corporal grave ou morte, aplicam-se as penas previstas no art. 159, §§ 2o e 3o, respectivamente. (Incluído pela Lei nº 11.923, de 2009)
A pena desse artigo é maior do que a estabelecida no roubo art. 157, §2º, V. Além disso, lá é majorante e aqui na extorsão é qualificadora. Aqui também vai incidir as penas maiores no caso de resultado lesão ou morte (as mesmas do artigo 159 do CP). Violação da proporcionalidade das penas, pois o delito é semelhante ao roubo, mas a pena muito maior.
Aqui, dependerá de uma maior atuação da vítima e da contextualização do mal que não é imediato. Ocorre a traditio. No entanto, as situações fáticas são muito semelhantes. É possível ocorrer casos em que o modo da prática seja muito semelhante e, conforme o julgador, modificar. O problema são as penas que são bem diferentes. 
Extorsão mediante seqüestro
Art. 159 - Seqüestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem, qualquer vantagem, como condição ou preço do resgate: Vide Lei nº 8.072, de 25.7.90    (Vide Lei nº 10.446, de 2002)
Pena - reclusão, de oito a quinze anos. (Redação dada pela Lei nº 8.072, de 25.7.1990)
§ 1o Se o seqüestro dura mais de 24 (vinte e quatro) horas, se o seqüestrado é menor de 18 (dezoito) ou maior de 60 (sessenta) anos, ou se o crime é cometido por bando ou quadrilha. Vide Lei nº 8.072, de 25.7.90 (Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003)
Observar que o termo correto agora é associação criminosa.
Pena - reclusão, de doze a vinte anos. (Redação dada pela Lei nº 8.072, de 25.7.1990)
§ 2º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave: Vide Lei nº 8.072, de 25.7.90
Pena - reclusão, de dezesseis a vinte e quatro anos. (Redação dada pela Lei nº 8.072, de 25.7.1990)
§ 3º - Se resulta a morte: Vide Lei nº 8.072, de 25.7.90
Pena - reclusão, de vinte e quatro a trinta anos. (Redação dada pela Lei nº 8.072, de 25.7.1990)Não se aplica se o resultado morte advém de caso fortuito ou força maior.
§ 4º - Se o crime é cometido em concurso, o concorrente que o denunciar à autoridade, facilitando a libertação do seqüestrado, terá sua pena reduzida de um a dois terços. (Redação dada pela Lei nº 9.269, de 1996) Caso de delação premiada.
É a modalidade especializada de extorsão que utiliza como meio, a liberdade da vítima.
A vítima é o próprio meio de obtenção da vantagem. 
Trata-se de tipo complexo, pois é a fusão de várias figuras típicas.
O bem jurídico tutelado é o patrimônio, mais a liberdade individual, mais a integridade física e psíquica. 
É crime permanente, pois o momento da consumação se prolonga no tempo.
Elemento subjetivo: É o dolo de privar a liberdade, com o especial fim de agir de obtenção da vantagem patrimonial. 
Elementos:
Privação da liberdade de alguém;
Especial fim de agir que é obter para si ou para outrem qualquer vantagem como condição ou preço do resgate;
(É a mesma privação de liberdade do art. 148 do CP, só que aqui existe o especial fim de agir para a obtenção da vantagem econômica).
Posição majoritária: a questão do “qualquer vantagem” descrita no tipo: deve ser vantagem de natureza patrimonial. A leitura do artigo deve ser sistemática, lembrando que esse delito está no rol dos delitos contra o patrimônio. 
Se o sujeito ativo buscar outro tipo de vantagem, além da vantagem patrimonial, deve ser observado o eventual concurso de crimes.
Objeto material: é a pessoa contra a qual recai a privação da liberdade, mediante o sequestro. 
Consumação: Se dá com o sequestro, independente da obtenção da vantagem. E se a pessoa for encontrada antes do primeiro contato com a família? Deverá ficar provado que havia a intenção de obtenção da vantagem patrimonial para poder incidir esse tipo, caso contrário, desclassifica-se para o crime de sequestro do artigo 148 do CP.
Admite a forma tentada.
OBs: No caso da incidência de mais de uma qualificadora, sugere-se a aplicação da mais grave e a utilização das demais como para a aplicação da pena base – art. 59 do CP ou ainda, de agravantes, como é o caso da vítima maior de 60 anos (art. 61, II “h” do CP). 
Obs: Para o delito de latrocínio, extorsão seguida

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