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Boa-fé objetiva no Processo Civil

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parte deste trabalho, foi exposto que o homem é um ser coletivo, 
mas para viver harmonicamente tem de se adequar aos valores impostos pela 
sociedade, ou seja, a boa-fé como um valor natural do ser humano, que se relaciona 
com a subjetividade da pessoa em ser honesta, leal, proba. Porém, a sociedade, 
como um todo, é que definirá os padrões de comportamento a serem seguidos em 
conformidade com a boa-fé, e que, por conseguinte, deverão ser regulados pelo 
direito. 
Tendo a boa-fé esse enfoque duplo, foi necessário antes de falar sobre a 
boa-fé objetiva, diferenciá-la da boa-fé subjetiva. Deste modo, foi visto que a boa-fé 
subjetiva refere-se a dados psicológicos, elementos internos, os quais conduzem o 
sujeito a uma ignorância do caráter ilícito de suas condutas, relacionando-se com a 
ideia de crença errônea; enquanto que, a boa-fé objetiva vincula-se a elementos 
externos, normas de conduta, que determinam a forma de agir de um indivíduo, 
conforme os padrões de honestidade socialmente reconhecidos. 
Após, foi traçada uma breve evolução histórica da boa-fé objetiva no Direito 
desde o seu surgimento no Direito Romano, depois sendo suprimida pelo Direito 
Canônico, com a definição de boa-fé na ausência de pecado, durante a Idade Média. 
Ainda, sua consideração somente no aspecto subjetivo na Modernidade e a sua 
inutilização nos sistemas totalmente fechados impostos na época das codificações. 
Para, enfim, chegar ao período pós-guerra em que a boa-fé foi consagrada 
no Direito Alemão, pois o Código Germânico diferenciava o prisma subjetivo do 
objetivo da boa-fé. Este conceito de boa-fé objetiva disposto no Código Alemão que 
inspirou diversos ordenamentos jurídicos, inclusive o brasileiro. 
Percebeu-se, no decorrer do trabalho, que a boa-fé objetiva foi consagrada 
pela primeira vez no ordenamento brasileiro pela Constituição de 1988, que teve 
como fundamento a dignidade da pessoa humana. Em consequência da 
Constituição a boa-fé foi positivada expressamente no ordenamento brasileiro no 
Código do Consumidor de 1990 e mais tarde no Código Civil de 2002. 
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A boa-fé objetiva, decorrendo dos princípios constitucionais que colocam o 
indivíduo e os direitos sociais em primeiro plano, foi salientada expressamente no 
Código Civil, e a partir dai a jurisprudência começou a utilizá-la nos casos concretos 
em suas varias funções. 
Deste modo, analisou-se as três funções da boa-fé objetiva definidas pela 
doutrina, quais sejam a função limitadora de direitos subjetivos, a função 
interpretativa e a função integrativa, criadora de deveres anexos. 
A partir dai, no segundo capítulo, defendeu-se a maior aplicação da boa-fé 
objetiva no processo civil, pois o processo, como instrumento de efetivação dos 
escopos sociais, políticos e jurídicos previstos na Constituição, também deve ter a 
boa-fé objetiva como fundamento. 
Assim, para alcançar os objetivos constitucionais que são escopos da 
jurisdição, tais como um processo justo e équo, verificou-se ser necessária uma 
maior atuação do Juiz, para que ele tenha poderes e deveres de vedar a utilização 
de atos contraditórios e os abusos de direito entre as partes processuais. 
Entretanto, viu-se que combater os atos abusivos não é suficiente para a 
obtenção do processo justo e efetivo, também é necessário que todas as partes 
tenham padrões de conduta irrepreensíveis pautados na boa-fé e que colaborem 
entre si. 
É neste sentido, que foi abordado no trabalho a teoria do processo 
cooperativo, que é o modelo do projeto do Novo Código de Processo Civil, em que 
as partes e o Juiz devem colaborar entre si na busca por um processo efetivo e 
justo, conforme os princípios da garantia do devido processo legal e do contraditório 
ajustados pela boa-fé objetiva. 
Assim, a partir do princípio da boa-fé e da colaboração processual, pôde-se 
perceber ainda a função criadora de deveres anexos da boa-fé objetiva no âmbito 
processual, em que se evidenciam deveres para todas as partes processuais. 
Portanto, este assunto revela-se de muita importância nos dias atuais, em 
que se vive em uma era em que os valores da pessoa estão em primeiro lugar, pois 
o processo, como instrumento de consecução dos objetivos do Estado, tem de se 
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adaptar aos direitos e anseios da sociedade que surgem, restando inconcebíveis 
relações processuais que não sejam pautadas na ética e na boa-fé. 
 
 
 
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