Logo Passei Direto

A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
16 pág.
Apresentação

Pré-visualização | Página 1 de 4

DOS CRIMES PRATICADOS POR
PARTICULAR CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL
1. Usurpação de função pública
        Art. 328 - Usurpar o exercício de função pública:
        Pena - detenção, de três meses a dois anos, e multa.
        Parágrafo único - Se do fato o agente aufere vantagem:
        Pena - reclusão, de dois a cinco anos, e multa.
O Código Penal de 1830, né? O Código Penal Imperial já previa a conduta de usurpar função pública, mas disciplinava separadamente a usurpação de função pública civil e a militar. Já o Código Penal de 1890 reuniu tudo num tipo penal só. O Código Penal de 1940 tratou da usurpação de função pública sem se preocupar em delimitar até onde ele vai, o alcance da sua abrangência, prevalecendo na doutrina o entendimento de que abrangia tanto a seara civil quanto a militar. Mais pra frente, com o surgimento do Código Penal Militar (Decreto-lei n. 1.001/69), a usurpação de função pública militar recebeu tratamento específico e esse dispositivo que a gente vai tratar ficou só pra função pública civil.
Numa breve síntese, o núcleo do tipo usurpar significa alcançar sem direito, com fraude, apropriar-se de algo, ou no popular tomar (algo) pra si né? 
O bem jurídico tutelado assim como nos demais crimes contra a administração pública é a Administração Pública, né? a moralidade e probidade administrativa. Nesse caso o intuito, na verdade, é proteger especificamente a probidade da função pública, como também a integridade funcionários públicos. Porque a atuação do agente público pressupõe a legitimidade da investidura no cargo, que é incompatível com a conduta de quem exerce funções que não são suas. 
“além da lesão ao direito exclusivo do Estado de escolher e nomear seus funcionários ou as pessoas que, em seu nome e interesse, agem, para consecução de suas finalidades”. Essa citação é de Magalhães Noronha, mas eu achei no Código Penal Comentado de Bitencurt
Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa, até mesmo o funcionário público incompetente ou investido em outra função. 
Vamos lá, a regra é, por ser um capítulo que disciplina os crimes praticados por particulares contra a administração em geral, sujeito ativo deve ser o particular (extraneus) - aquele que está fora da administração pública, essa é a regra.
 Mas quando o funcionário público atua completamente fora da área de atribuição, quando ele pratica atividade absolutamente estranha àquela que está investido, ele se equipara a quem, mesmo sendo funcionário, não está investido na função que usurpa. Nesse caso, é importante que as funções (a que ele tá investido e a que ele tá ususrpando) sejam absolutamente distintas, precisa ser uma função de todo estranha 
sujeito passivo - O sujeito passivo é o Estado. Mas vejam, por exemplo, funcionário da polícia, nessa qualidade, concede um condecoração, ele não pratica nem usurpação, nem prevaricação, porque o fato é inofensivo com relação à Administração Pública”. E ai a gente pode concluir que a “inofensividade do fato exclui o crime.
Tipo objetivo o núcleo do tipo é representado pelo verbo usurpar (assumir ou exercer indevidamente). Usurpar é o mesmo que obter mediante fraude, tomar violentamente, gozar indevidamente. O agente, de forma ilegítima, executa ato relativo à função pública que não está legalmente investido (função pública aqui é aquela do art. 327 do CP que vai definir o que é funcionário público, que a professora Fernanda já ensinou pra vocês).
Cabe dizer aqui que a prática desse verbo pode ser de forma gratuita também, viu? O tipo penal não falou que precisa ser de forma remunerada, mas se o agente, obtiver vantagem, a pena aumenta, é o que diz o parágrafo único, a forma qualificada. Usurpar, portanto, é assumir e exercitar, indevidamente, funções ou atribuições que não competem ao agente.
· Um ponto importante é que para a configuração do fato típico não basta que o agente invista na função indevidamente, e se defina ilegitimamente funcionário público, mas precisa necessariamente, que ele pratique ato de ofício privativo da função usurpada. Ou seja, não basta fazer-se passar pelo que não é, a lei exige que também que ele se usurpe exercício da função.
· Outro ponto é que a usurpação de função pública não se confunde com o abuso de poder. O que ambas têm em comum é o exercício seja ilegal e abusivo. uma coisa é você se exceder no exercício da função pública, e outra, completamente distinta, é você se investir num cargo/função não possui.
· O próximo ponto do slide é Usurpação x contravenção penal x estelionato – 
Lei de Contravenções Penais
Art. 45. Fingir-se funcionário público:
Art 46. Usar, publicamente, de uniforme, ou distintivo de função pública que não exerce; usar, indevidamente, de sinal, distintivo ou denominação cujo emprego seja regulado por lei
Art. 171, CP – estelionato - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento:
· aqui a gente tem um concurso aparente de normas: o agente que se limita a simular a qualidade de funcionário público, ele incorre na contravenção penal prevista nos arts. 45 e 46 da Lei de Contravenções Penais (“que é fingir ser funcionário público e usar uniforme de funcionário público”). /// Agora, quando o autor do fato, depois de se fazer passar por funcionário público, efetivamente realizar algum ato de ofício, nesse caso nós vamos vislumbrar o delito do art. 328 do CP e ele vai absorver a contravenção penal (pelo princípio da consunção). /// Outro exemplo é o ato de se fazer passar por servidor público, assim se intitulando (sem realizar qualquer ato de ofício), de modo a induzir outrem em erro (percebam o dolo específico) para obter vantagem econômica, isso estelionato (art. 171 do CP). – e ai vamos ficar atentos porque no estelionato a ação penal é pública condicionada à representação, essa é a regra, mas se a vítima for a administração pública, a ação é incondicionada. Isso é inovação legislativa do pacote anticrime.
De novo, pra ficar bem claro: Se o agente não realizar nenhum ato de ofício, se ele só se apresentar como funcionário público usar uniforme ou distintivo de função pública, ele vai responder pelas contravenções penais.
Isso não se confunde com o estelionato do 171, que é se fazer passar por servidor público, para induzir outrem a erro e para ter vantagem indevida (olha o dolo), mas ele também não pratica ato de ofício, você tem estelionato mediante fraude.  
Essa situação também não se confunde com o art. 328, em que o agente efetivamente usurpa uma função estatal (se passar por servidor público e pratica ato de ofício). 
· Outra questão é, quem entende de direito administrativo, existe o instituto da delegação, e ela nnão se confunde com a usurpação “na delegação o que existe é uma transferência temporária do exercício de competência do órgão/cargo superior para o inferior, do chefe para o subordinado”. Existem situações em que o particular, independente de investidura em cargo algum, está devidamente autorizado a exercer uma função pública ou praticar atos de ofício, e isso é legal – é o exemplo da prisão em flagrante “qualquer do povo poderá e a autoridade policial e seus agentes deverão prender” quem quer que se encontre em situação de flagrância. Mas, nesse e em qualquer outro caso que haja autorização legal ou delegação, não existe usurpação e, portanto, não se pode falar em crime. 
Tipo subjetivo: o elemento subjetivo da usurpação de função é o dolo, minha gente. 
É a vontade consciente de usurpar função pública. É inerente o desejo de tomar conta do que não é seu de direito, de modo que aqui a gente não tem necessidade de falar em dolo específico. 
Se não tem vontade livre e consciente de obter mediante fraude ou assumir indevidamente função de agente do Estado, não se caracteriza a usurpação de função pública, porque ausência da consciência gera erro de tipo, e ai você exclui o dolo, e por conseguinte cai na atipicidade. 
Ah é um erro escusável né? Que perguntam? Que seria
Página1234