Ato_Administrativo
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Ato_Administrativo


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Aula Direito Administrativo - Prof. Antonio Rodrigues 
 
1. \u201cAtos da administração\u201d; \u201catos materiais\u201d; \u201catos de conhecimento\u201d e \u201catos políticos ou de governo\u201d 
 
- Atos da administração regidos pelo Direito Privado não são considerados atos administrativos (a simples locação ou permuta de 
um imóvel, por exemplo, não tem conteúdo regulado pelo Dir. Adm. e a força jurídica inerente aos atos administrativos); 
 
- Atos materiais (meros \u201cfatos administrativos\u201d, a exemplo do ministério de uma aula, uma operação cirúrgica, a pavimentação de 
uma rua etc.); 
 
- Atos de conhecimento, opinião, juízo e valor (atestados, pareceres, certidões, votos); 
 
- Atos políticos ou de governo (praticados com margem de discrição e diretamente em obediência à Constituição, no exercício da 
função política do Estado, tais como proposição de lei, sanção ou veto). 
 
2. Ato Administrativo 
 
Ato administrativo é uma declaração do Estado ou de quem lhe faça as vezes, no exercício de prerrogativas públicas, manifestada 
mediante providências jurídicas complementares da lei a título de lhe dar cumprimento e sujeitas a controle de legitimidade por 
órgão jurisdicional. (Celso Antônio Bandeira de Mello) 
 
O ato administrativo tem por fim imediato criar, modificar, declarar, resguardar, transferir ou extinguir direitos. É complementar à 
lei para satisfazer o interesse público. O ato administrativo é típico da função administrativa a cargo do Poder Executivo, porém, 
quando os Poderes Legislativo e Judiciário administram \u2013 função atípica \u2013 igualmente praticam atos administrativos. Se o ato não 
for imputável ao Estado no exercício da função administrativa poderá haver ato, mas não ato administrativo. 
 
3. Perfeição, validade e eficácia 
 
- O ato administrativo é perfeito quando esgotadas as fases necessárias à sua produção. Perfeição é a conclusão do processo 
gerador do ato. 
 
- O ato administrativo é válido quando foi expedido em absoluta conformidade com as exigências do sistema normativo. Validade 
é sinônimo de adequação às exigências legais. 
 
- O ato administrativo é eficaz quando está disponível para produção de seus efeitos próprios. Eficácia é a situação atual de 
disponibilidade para produção de efeitos típicos, próprios, do ato. 
 
4. Elementos (Requisitos ou Pressupostos) do Ato Administrativo 
 
A doutrina não é uniforme quando aborda quais os requisitos necessários para existência e validade do ato administrativo. A 
classificação legal, dada pela Lei n° 4.717/65 \u2013 LAP, traz cinco elementos: a) sujeito; b) objeto; c) forma; d) motivo e e) finalidade. 
 
\u201cArt. 2º São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo anterior, nos casos de: 
a) incompetência; SUJEITO 
b) vício de forma; F0RMA 
c) ilegalidade do objeto; OBJETO 
d) inexistência dos motivos; MOTIVO 
e) desvio de finalidade. \u201d FINALIDADE 
 
a) SUJEITO (agente público ao qual é atribuída a competência) 
Sujeito do ato administrativo é aquele que tem competência legal para praticá-lo no desempenho específico de suas funções. 
Quando o agente público excede os limites de sua competência ocorre abuso de poder. Competência não se presume, sua fonte é 
a lei, uma vez que ao administrador só é dado fazer aquilo que a lei autoriza e determina. O vício de capacidade do sujeito 
acarreta invalidade do ato administrativo. 
 
Características da competência: 
 
- Irrenunciabilidade: o administrador exerce função pública, ou seja, atua em nome e no interesse do povo, daí a indisponibilidade 
do interesse; 
 
- Exercício obrigatório: quando invocado o agente competente tem o dever de atuar, podendo inclusive se omisso, ser 
responsabilizado; 
 
- Intransferibilidade: em que pese na delegação serem transferidas parcelas das atribuições, a competência jamais se transfere 
integralmente; 
 
- Imodificabilidade: a simples vontade do agente não a torna modificável nem transacionável, posto que ela decorre da lei; 
 
- Imprescritibilidade: ela não se extingue pelo seu não uso. 
 
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Delegação de competência: 
 
- É a transferência de parcela das atribuições conferidas pela lei, de forma temporária, passível de revogação a qualquer tempo, de 
um órgão ou agente público para outro, subordinado ou não, desde que não haja vedação legal. O Artigo 13 da Lei n° 9.784/99 
(regula o processo administrativo no âmbito da Administração Federal) elenca três vedações, a saber: 1) expedição de ato de 
caráter normativo; 2) decisão de recurso administrativo; e 3) matéria de competência exclusiva de um órgão ou agente. 
 
Avocação de competência: 
 
- Ato pelo qual superior hierárquico chama para si parcela das atribuições de um subordinado. Da mesma forma do que ocorre na 
delegação, somente é possível em caráter excepcional, em razão de motivos relevantes e devidamente justificados. 
 
b) FORMA (não confundir com formalização) 
 
É o revestimento exterior do ato, o modo pelo qual aparece e revela sua existência. A forma pode ser obrigatória ou não. A função 
única e específica da previsão de uma determinada forma para os atos administrativos em lei é uniformizar, padronizar o 
instrumento de veiculação dos distintos atos administrativos. Não confundir forma com formalização, que é uma dada solenização 
requerida para o ato por imposição legal, condicionante da prática do ato. 
 
O Princípio da Solenidade das Formas determina que, em regra, a atuação administrativa dá-se pela forma escrita, uma vez que a 
documentação viabiliza o controle e a fiscalização pelo Poder Judiciário, pelo próprio administrador anos depois, e ainda possibilita 
a informação ao cidadão. A exceção à forma escrita só é admitida se prevista em lei. Os vícios de forma podem ser decorrentes da 
desobediência a forma específica ou da inobservância de procedimentos necessários. 
 
c) OBJETO (conteúdo) 
 
É aquilo que o ato dispõe, isto é, o que aquilo que decide, enuncia, certifica, opina ou modifica. É seu conteúdo. Em última 
instância, é o próprio ato em sua essência. Todo ato administrativo produz um efeito jurídico, ou seja, tem por objeto a criação, 
modificação ou comprovação de situações concernentes a pessoas, coisas ou atividades sujeitas à ação do Poder Público. Exemplo: 
No ato de demissão do servidor o objeto é a quebra da relação funcional do servidor com a Administração. 
 
d) MOTIVO 
 
É o pressuposto de fato ou de direito que determina ou autoriza a realização do ato administrativo. O motivo pode ser previsto em 
lei ou não. Se o sujeito embasar a prática do ato na ocorrência de determinado motivo, a validade do ato dependerá da existência 
do motivo enunciado. Caso este não exista, o ato será inválido. Exemplo: dispensa de um servidor ocupante de cargo em 
comissão. Cargo em comissão é aquele declarado em lei de livre nomeação e exoneração. Portanto, não há necessidade de 
motivação do ato de exoneração, mas, se forem externados os motivos, o ato só será válido se estes forem verdadeiros. 
 
- Motivo do material e motivo legal: motivo material é a própria situação real que serviu de suporte para a prática do ato; 
motivo legal é a previsão abstrata de uma situação fática. Na análise do ato deve-se verificar se o motivo material realmente 
ocorreu e se ele corresponde ao motivo previsto em lei. O motivo do ato é objetivo, o motivo legal é insuscetível de objetividade 
absoluta. 
 
- Motivo e móvel: motivo é a realidade objetiva; móvel é a representação subjetiva do agente que suscita à vontade praticar o 
ato. A vontade do agente só é relevante nos atos praticados no exercício de competência discricionária. 
 
- Motivo e motivação: motivo não se confunde com motivação. Esta integra a formalização do ato. É a exposição de motivos, a 
fundamentação que relaciona a regra de Direito com os fatos, enunciando a pertinência lógica entre os fatos e o ato praticado. A 
motivação é dever do agente e deve ser realizada, em regra, contemporaneamente ou anteriormente à prática do ato. Nos atos 
vinculados a motivação poderá