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Principios de exodontia -Cirurgia Oral e Maxilofacial Contemporânea 6ª Edição - Hupp

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fazem incisões através dos tecidos, pequenas artérias e veias são incisadas,
causando hemorragia. Para a maioria das cirurgias dentoalveolares, a pressão sobre a ferida
geralmente é suficiente para controlar o sangramento. Ocasionalmente, a pressão não para o
sangramento de uma artéria ou veia maior. Quando isto ocorre, um instrumento chamado de
uma pinça hemostática é útil (Fig. 6-12, A). Hemostáticos vêm em várias formas, podem ser
pequenos e delicados ou maiores, lineares ou curvos. A pinça hemostática mais comumente
usada em uma cirurgia é a curva (Fig. 6-12, B).
FIGURA 6-12 A, Vista superior da pinça hemostática usada para a
cirurgia oral. B, Vista oblíqua do hemostato curvo. Hemostáticas retas
também estão disponíveis.
A pinça hemostática tem bicos longos e delicados usados para apreender tecido e um
cabo com cremalheira. O mecanismo de cremalheira permite ao cirurgião-dentista fixar a
pinça hemostática num vaso e, em seguida, deixe de manusear o instrumento, que
permanecerá preso no tecido. Isso é útil quando o cirurgião-dentista pretende colocar uma
sutura em torno do vaso ou cauterizá-lo (usar o calor para selar o vaso fechado).
Além de sua utilização como instrumento para controlar a hemorragia, a pinça hemostática
é especialmente útil em uma cirurgia oral para remover o tecido de granulação de alvéolo do
dente e para pegar pequenas pontas de raízes, pedaços de cálculo, amálgama, fragmentos
e de quaisquer outras partículas pequenas que tenham caído nas áreas das feridas ou
adjacentes.
Removendo o osso
Pinças-goivas
O instrumento mais utilizado para a remoção de osso em uma cirurgia dentoalveolar é a
pinça-goiva. Este instrumento tem lâminas afiadas que são espremidas juntas pelos cabos,
ao cortar ou beliscar o osso. As pinças-goivas têm um mecanismo de recuperação
constituído de modo que quando a pressão da mão é liberada, o instrumento reabre. Isso
permite que o cirurgião-dentista faça manobras de corte repetidas no osso sem reabrir
manualmente o instrumento (Fig. 6-13, A). Os dois principais modelos das pinças-goivas são:
(1) o de corte lateral e (2) o de corte lateral e terminal (Fig. 6-13, B).
FIGURA 6-13 A, Pinças-goivas são fórceps de corte ósseo que
possuem molas nos cabos. B, As pinças-goivas Blumenthal são a
combinação das lâminas dianteiras e laterais de corte. Elas são as
preferidas para os procedimentos de cirurgia orais.
Os de corte lateral e terminal (pinças-goivas Blumenthal) são mais práticos para a maioria
dos procedimentos cirúrgicos dento-alveolares que exigem remoção óssea. Por serem
essas pinças de cortes finais, elas podem ser inseridas nos alvéolos para remoção de osso
inter-radicular, e também serem usadas para remover margens cortantes do osso. As pinças-
goivas podem ser usadas para remover grandes quantidades de osso com eficiência e
rapidez. Já que as pinças são instrumentos delicados, o cirurgião-dentista não deve usá-las
para remover grandes quantidades de osso em picadas individuais. Em vez disso, pequenas
quantidades de osso devem ser removidas em várias apreensões. Da mesma forma, as
pinças-goivas nunca devem ser usados para remover os dentes porque esta prática vai
rapidamente deixá-lo sem corte e destruir o instrumento, e os riscos de perder um dente na
orofaringe porque não são bem projetadas para segurar firmemente um dente extraído.
Pinças-goivas são caras, por isso deve-se tomar cuidado para mantê-las afiadas e em
funcionamento.
Broca e Peça de Mão
Outro método para a remoção de osso é o uso de uma broca em uma peça de mão. Esta é a
técnica que a maioria dos cirurgiões utiliza durante a remoção do osso na remoção cirúrgica
de dentes. Peças de mão de alto torque e de alta velocidade com afiadas pontas de
carboneto removem o osso cortical de forma eficiente. Usam-se brocas como as de fissura de
nº 557 ou de nº 703 e as brocas esféricas de nº 8. Quando grandes quantidades de osso
são removidas, tal como na redução de torus, usa-se uma grande broca de osso semelhante
a uma broca de acrílico.
A peça de mão usada tem de ser completamente esterilizada. Ao comprar uma peça de
mão, as especificações do fabricante devem ser verificadas com cuidado para garantir que
tudo está correto. A peça de mão deve ter alta velocidade e de torque (Fig. 6-14). Isso permite
a remoção óssea rápida e eficiente de corte de dentes. A peça de mão não deve ter exaustão
de ar no campo operatório, o que tornaria imprudente usar as típicas brocas de alta
velocidade da turbina de ar empregadas na odontologia restauradora de rotina. A razão é
que o ar expelido para a ferida pode ser forçado para dentro de planos teciduais mais
profundos e produzir enfisema do tecido, uma complicação perigosa.
FIGURA 6-14 Peça de mão típica de moderada velocidade, de alto
torque, utensílio esterilizável com broca de nº 703.
Martelo e Cinzel
Ocasionalmente, a remoção óssea é realizada utilizando um martelo e um cinzel (Fig. 6-15).
O martelo e o cinzel são usados frequentemente na remoção do torus lingual. A margem do
cinzel deve ser mantida afiada para funcionar adequadamente (Cap. 12).
FIGURA 6-15 Martelo e cinzéis cirúrgicos podem ser utilizados para
remover osso.
Lima para Osso
O nivelamento final do osso antes de completar a cirurgia é normalmente realizado com uma
lima para osso (Fig. 6-16, A). A lima para osso é geralmente um instrumento de duas pontas
com uma ponta pequena e outra maior. Não pode ser utilizada de forma eficiente para a
remoção de grandes quantidades de osso, portanto, é usada somente para nivelamento final.
Os dentes de muitas limas para osso são dispostos de tal forma que elas apenas removam o
osso num movimento de puxar (Fig. 6-16, B). Empurrando este tipo de lima contra o osso
resulta apenas num brunimento e esmagamento do osso e deve ser evitado.
FIGURA 6-16 A, A lima para osso com duas pontas é usada para
alisamento de pequenas bordas cortantes ou espículas ósseas. B,
Os dentes da lima para osso só são eficazes com os movimentos de
puxar.
Removendo tecido mole de cavidades ósseas
A cureta comumente usada para a cirurgia oral é um instrumento com duas pontas
anguladas usado para remover o tecido mole de defeitos ósseos (Fig. 6-17). O uso principal
é a remoção dos granulomas ou pequenos cistos de lesões periapicais, mas a cureta
também pode ser usada para remover pequenas quantidades de restos de tecido de
granulação e detritos do alvéolo dentário. Repare que a cureta periapical é claramente
diferente da cureta periodontal em desenho e função.
FIGURA 6-17 A cureta periapical é um instrumento de duas pontas,
em forma de colher, usado para remover o tecido mole de cavidades
ósseas.
Suturando o tecido mole
Uma vez concluído o procedimento cirúrgico, o retalho mucoperiosteal é devolvido à sua
posição original e mantido no lugar por meio de suturas. O porta-agulha é o instrumento
utilizado para se fazer estas suturas.
Porta-agulha
O porta-agulha é um instrumento com um cabo com trava e uma ponta curta e romba. Para a
colocação intraoral de suturas, recomenda-se um porta-agulha de 6 polegadas (15 cm) (Fig.
6-18). As pontas de um porta-agulha são mais curtas e mais fortes do que as pontas de uma
pinça hemostática (Fig. 6-19). A face de uma ponta de um porta-agulha tem ranhuras
cruzadas a fim de permitir um aperto positivo da agulha de sutura. A pinça hemostática tem
sulcos paralelos na face das pontas diminuindo assim o controle sobre a agulha e sutura.
Portanto, a pinça hemostática não é um instrumento utilizado para sutura.
FIGURA 6-18 O porta-agulha tem um cabo com cremalheira e uma
parte ativa robusta.
FIGURA 6-19 A, A pinça hemostática (superior) tem um uma parte
ativa fina e longa comparada à porta agulha (inferior) e, portanto, não
deve ser utilizada para a sutura. B, A parte ativa mais curta do porta-
agulha é cruzada para garantir um aperto positivo da agulha (à
esquerda). A face da pinça hemostática tem sulcos paralelos que não
permitem um controle sobre a agulha (à direita).
Para controlar abertura e fechamento da cremalheira