Resumo - EMBARGOS DE DECLRAÇÃO - Jorge Henrique
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Resumo - EMBARGOS DE DECLRAÇÃO - Jorge Henrique


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TEORIA GERAL DOS RECURSOS
NO NOVO CPC 
Meios de impugnação às decisões judiciais
TÍTULO II
DOS RECURSOS
RECURSOS EM ESPÉCIE
CAPÍTULO VIII
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
1.0) INTRODUÇÃO 
Diferente do recurso de apelação, estudado no capítulo VI, não se tem conhecimento ao certo do surgimento dos embargos de declaração, nem tanto, se vieram a existir no Direito Romano, como a apelação. 
Porém, é certo que o recurso de embargos de declaração, teve sua primeira aparição no Direito Português. 
O recurso de embargos de declaração é tomado de peculiaridade, uma vez que, é o único recurso, dentre os presentes no rol do art. 994 do NCPC, que possui prazo diferente para sua interposição, sendo o prazo de 5 dias. (Art. 1.023 do NCPC). 
Os embargos de declaração, também chamados, comumente, pela sua sigla \u201cED\u201d, não possuem preparo, e são julgados sempre pelo mesmo juízo julgador da decisão proferida embargada. 
É um tipo de recurso, chamado de coringa, pois cabe ser interposto em qualquer decisão judicial, porém, sendo cabível em hipóteses determinadas. 
O recuso em questão, tem o objetivo sempre, de sanar uma omissão, uma obscuridade, uma contradição ou um erro material. 
O erro material, já era entendido no antigo CPC, como uma das hipóteses de embargos de declaração, apesar de não o prever nas hipóteses de cabimento do recurso. O Novo CPC, no entanto abarcou o erro material, o positivando como uma das hipóteses de cabimento do \u201cED\u201d. (Art. 1.022, III do NCPC). 
2.0) NATUREZA JURÍDICA 
Qualquer decisão que julga os embargos de declaração se incorpora à decisão embargada, passando a fazer parte dela. 
A exemplo, da decisão que julga embargos de declaração contra uma sentença, esta decisão assumirá a natureza da decisão embargada cujo é uma sentença. 
A mesma situação se dá, no caso em que um acordão é embargado, neste caso a decisão que julgará os embargos, também será um acordão. 
No caso da sentença que julga os embargos de declaração, a sentença, será a soma do que ela foi originalmente, e do que resultou do julgamento dos embargos. 
Desde modo, a natureza dos embargos de declaração, é sempre a natureza que tiver a decisão embargada, assemelha-se, portanto, com um camaleão, pois a decisão dos embargos se incorpora a decisão a que ele embargou. 
3.0) CONCEITO 
É necessário que a tutela jurisdicional seja prestada de forma completa e clara, exatamente com o objetivo de esclarecer, complementar e aperfeiçoar as decisões judiciais existe o recurso de embargos de declaração. 
Esse recurso não tem a função de viabilizar a revisão da matéria, como também, nem tanto a anulação ou cassação das decisões judiciais, sua finalidade é a de apenas corrigir defeitos de omissão, contradição, obscuridade e erros materiais das decisões judiciais. 
4.0) CABIMENTO 
Os embargos de declaração são cabíveis em quaisquer das decisões judiciais, conforme expressa o art. 1.022 do NCPC: - \u201cCabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial\u201d. 
Porém, apesar de os \u201cED\u201d, serem cabíveis a qualquer das decisões judiciais, ele possui finalidade vinculada, ou seja, devem sempre mostrar o porquê de sua interposição. 
O recurso de embargos de declaração, é sempre interposto com 4 finalidades, estando elas expressas nos incisos: I, II, III e IV do art. 1.022 do NCPC. 
1. OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO
I - esclarecer obscuridade ou eliminar contradição;
a) Decisão Obscura 
A decisão é ininteligível, pouco clara. Dela não se consegue extrair de imediato uma compreensão, devido as ideias que a norteiam não serem compreendidas de imediato.
b) Decisão Contraditória
A decisão contém proposições contraditórias, fundamentos antagônicos com outros fundamentos, a exemplo da fundamentação da sentença que diz algo e o relatório diz outra, ou Juiz, que na mesma sentença, afirma, em um momento que um fato existiu, e em outro momento, afirma que este mesmo fato não existiu. 
2. OMISSÃO
II - suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento;
A omissão de uma decisão é exemplificada pelo próprio legislador, que no paragrafo único do art. 1.022, coloca que: - \u201cConsidera-se omissa a decisão que\u201d:
I - deixe de se manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos (Art. 976 \u2013 987 do NCPC) ou em incidente de assunção de competência aplicável (Art. 947 \u2013 950 do NCPC), ao caso sob julgamento;
a) Decisão firmada em julgamento de casos repetitivos. (Art. 976 \u2013 987 do NCPC). 
b) Decisão que não se pronuncia sobre incidente de assunção de competência. 
II - incorra em qualquer das condutas descritas no art. 489,§1° do NCPC. 
§ 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que:
I - se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida.
II - empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso;
III - invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão;
IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador;
V - se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos;
VI - deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento.
3. ERRO MATERIAL 
III - corrigir erro material.
São os erros minúsculos, não dotados de relevância, mas que podem, a depender do caso, na hipótese em não sejam sanados, repercutir no julgamento da decisão. Por sua natureza, podem ser conhecidos de oficio pelo juiz ou a requerimento da parte. São exemplos de erro material, o erro de calculo sobre algum valor tido na causa, erros de grafia, gramatica ou nome. 
CLT \u2013 897-A \u2013 Erro no exame dos requisitos extrínsecos de admissibilidade do recurso. 
 Art. 897-A Caberão embargos de declaração da sentença ou acórdão, no prazo de cinco dias, devendo seu julgamento ocorrer na primeira audiência ou sessão subseqüente a sua apresentação, registrado na certidão, admitido efeito modificativo da decisão nos casos de omissão e contradição no julgado e manifesto 
equívoco no exame dos pressupostos extrínsecos do recurso
5.0) EFEITO MODIFICATIVO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO 
Para os mais atentos, e focados profundamente nos estudos da Teoria Geral dos Recursos, podem, ter percebido, que algumas das finalidades do \u201cED\u201d, poderiam ser casos de apelação. 
Uma vez que, a sentença que é omissa ou contraditória, trata-se de error in procedendo, cabível apelação com intuito de cassação da sentença. 
Porém, ressalta-se que, nestes casos, o embargo de declaração tem a finalidade de TÃO SOMENTE SANAR O VÍCIO DE OMISSÃO OU CONTRADIÇÃO. 
E não, o de cassar ou anular a sentença. Deste modo, o embargo de declaração, acaba sendo, um meio alternativo, uma via, sumária, para o inconformado acessar o seu pedido de uma forma mais rápida, uma vez que, o embargo é julgado em um prazo determinado. 
No entanto, quando o embargo de declaração, é julgado procedente, e dessa forma, acarreta a modificação da decisão, no caso aqui a sentença, verifica-se então, que o embargo de declaração possui efeito infringente.
O efeito infringente pode ser conceituado, como um efeito peculiar ao recurso de embargo de declaração, que uma vez julgado procedente, tem o condão de modificar a decisão embargada. 
6.0) PROCESSAMENTO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO 
O procedimento dos embargos de declaração, pode variar, de acordo com cada decisão que for embargada. Analisemos cada uma delas. Porém, ressalta-se a regra geral, comum e peculiar a todo o processamento de embargos de declaração. 
Os embargos de declaração são sempre interpostos no juízo julgador da causa, sendo esta a regra geral, comum a qualquer procedimento dos embargos