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e políticas públicas mais eficientes.
Desenvolvimento dos Conceitos Saúde, Ambiente e Sustentabilidade
Foi no século XX, após a Segunda Guerra Mundial – quando houve um pico na taxa de 
consumo dos recursos naturais, um processo acelerado de urbanização, aumento dos índices de 
poluição urbana, com alterações ambientais na escala global, como aumento do efeito estufa, 
redução da camada de ozônio e redução da biodiversidade – que houve a necessidade de iniciar 
uma discussão a respeito das questões ambientais e suas consequências para a saúde humana.
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Unidade: Conceitos e Correlação entre Saúde e Meio Ambiente
Na década de 70, iniciaram-se, então, as discussões ambientais de forma mais efetiva. A 
conferência de Estocolmo (1972) deu início ao processo de estruturação dos órgãos ambientais. 
Nesse contexto, poluir passou a ser crime em diversos países.
Em 1974, a Alemanha aprovou o primeiro SELO ECOLÓGICO, chamado Anjo Azul, para 
destacar produtos que se distinguiam por sua qualidade ambiental. Nesse mesmo ano, ficou 
estabelecida a relação entre os CFCs – clorofluorcarbonos – e a destruição da camada de ozônio.
Nos anos 80, no Brasil, passaram a vigorar as legislações específicas sobre poluição, com 
o objetivo de controlar a instalação de novas indústrias e controlar as já existentes. Para a 
aplicação dessa legislação, foram implementados os Estudos de Impactos Ambientais (EIAs) e 
os Relatórios de Impactos Ambientais (RIMAS). A partir daí, foi marcante a preocupação com 
os impactos gerados no ambiente e na saúde humana.
No entanto, a década de 90, sem dúvida, foi a mais produtiva em termos de preocupação 
com a inter-relação saúde e meio ambiente. A conferência das Nações Unidas sobre o Meio 
Ambiente e Desenvolvimento (Rio 92) mostrou que os problemas ambientais extrapolavam 
os limites de ações localizadas e constituíam preocupação para toda a humanidade. Vários 
documentos foram elaborados, dentre os quais se destaca a Aprovação da Agenda 21. Esse 
documento é um orientador para a integração, em âmbito mundial, de ações articuladas para o 
desenvolvimento sustentável, a saúde humana e a proteção ao meio ambiente.
Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio 92). UN Photo/Michos Tzovaras
Testemunhou-se, também, a entrada em vigor das Normas Internacionais de Gestão 
Ambiental, sob o título de ISO 14000, coroando o processo de conservação do meio ambiente 
em bases sustentáveis.
Em 1995, em Washington, durante a Conferência Pan-Americana sobre saúde e Ambiente 
no Desenvolvimento Humano Sustentável, a qual objetivava a adoção de políticas e estratégias 
sobre a saúde e meio ambiente, concluiu-se que as ações visando à saúde humana ainda eram 
incipientes em diversas partes do mundo. 
Não são recentes os problemas relacionados à poluição. Surgiram com o advento da Revolução 
Industrial, que acelerou o processo de urbanização, adensou as cidades, aumentando as necessidades 
de fontes de energia e promovendo, assim, o maior lançamento de poluentes ao meio ambiente.
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Modificações Ambientais e seus Impactos na Saúde
As últimas décadas foram marcadas pelas ações antrópicas e pela destruição ambiental; 
nunca se destruiu tanto em tão curto período de tempo. 
A exposição do ser humano a poluentes presentes no ar, na água, no solo e nos alimentos 
contribui, de forma direta ou indireta, para o aumento da morbidade e da mortalidade. O fator 
ambiente na condição da saúde é percebido facilmente quando ocorre a exposição à poluição, 
tanto na forma aguda, com altos níveis de concentração de poluentes, como ao longo do tempo, 
com baixos, mas constantes, níveis de exposição.
A exposição a poluentes é, normalmente, involuntária; as pessoas não percebem a 
presença dos poluentes, e isso faz com que elas não exerçam um controle sobre os riscos da 
exposição. Agentes biológicos, químicos e físicos podem ser encontrados nos diversos tipos 
de ambientes e são responsáveis por diferentes efeitos à saúde. Esses efeitos vão depender 
da periculosidade intrínseca do poluente, da intensidade da exposição e da suscetibilidade 
do indivíduo exposto.
Os riscos ao meio ambiente e à saúde são diversos e englobam tanto os riscos tradicionais, 
representados pelos dejetos humanos em áreas densamente povoadas, como os riscos 
provocados por poluentes atmosféricos resultantes do tráfego dos veículos automotores. No 
entanto, a origem de todos é similar; o ponto inicial é, normalmente, alguma forma de atividade 
ou intervenção humana. Esse processo é chamado de emissão. Uma vez no ambiente, os 
poluentes são dispersados por meio do ar, da água, do solo ou dos alimentos. 
As atividades humanas geram uma série de resíduos que são dispostos no ambiente. A 
emissão de resíduos pode ocorrer durante todo o ciclo de vida de um produto, desde a extração 
inicial até a rejeição final. A área de origem de resíduos é conhecida como fonte. Uma grande 
variedade de fontes gera a emissão de poluentes, que podem ser classificados como poluentes 
primários ou secundários. 
Os poluentes primários originam-se nas fontes de emissão, as quais podem ser classificadas como:
- pontuais (incinerador);
- lineares (rodovias);
- de área (drenagem urbana);
- estacionárias (refinaria de petróleo);
- móveis (automóveis);
- antropogênicas (lixão).
Os poluentes secundários aparecem por meio da condensação de vapores e de reações 
químicas, produzindo novos compostos.
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Unidade: Conceitos e Correlação entre Saúde e Meio Ambiente
Os problemas relacionados à poluição química acabam impactando a qualidade da água, 
do solo e dos alimentos, trazendo uma série de riscos associados, como a redução da camada 
de ozônio, contaminações atmosféricas, e desencadeando diversos problemas de saúde na 
população. O problema da poluição do ar atinge todas as regiões do planeta. Na Índia, respirar 
o ar de Bombaim é equivalente a fumar dez cigarros por dia. A OMS calcula que três milhões 
de pessoas morrem por ano devido à poluição do ar.
Poluição do ar em Bombaim (Índia). Thinkstock/Getty Images
Pesquisas desenvolvidas nos anos 70 já apontavam a presença, no ambiente, de resíduos 
de produtos farmacêuticos (hormônios, medicamentos de uso humano e veterinário) e 
agroquímicos (pesticidas e fertilizantes). Tais produtos podem produzir alterações no meio 
ambiente e nos seres vivos. 
Podemos citar, como exemplo, os resíduos do diclofenaco (anti-inflamatório de amplo 
uso mundial humano e veterinário) presentes em carcaças consumidas por abutres de uma 
determinada espécie acabou levando um grande número de animais à falência renal. Hoje essa 
espécie encontra-se em ameaça de extinção no Paquistão.
Os medicamentos têm um importante papel no tratamento e na prevenção de doenças tanto 
em humanos como em animais, mas também apresentam outros efeitos no meio ambiente e 
merecem ser estudados na área da saúde ambiental.
Dispersão dos Poluentes
Os poluentes são dispersos pelo ar, água, solo, organismos vivos, alimentos. Existem diversas 
formas de dispersão, dependendo tanto da fonte do poluente como do próprio poluente. A 
dispersão da poluição do ar, por exemplo, depende das condições climáticas, da altura da 
emissão, das fontes, como exaustão de veículos automotores, que ficam ao nível do solo, ou 
como as chaminés de indústrias, que estão em níveis altos. A topografia local e regional também 
influencia o comportamento da dispersão dos poluentes. No solo, por exemplo, a dispersão 
ocorre dependendo da estrutura, da textura e da característica de drenagem. 
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Os poluentes entram no corpo humano de diferentes maneiras; pode ser por inalação, ingestão 
ou por absorção pela pele. A quantidade de poluente que entra no corpo é chamada de dose e 
depende da duração e da intensidade da exposição. A quantidade de poluente absorvida pode 
ser metabolizada,

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