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PROVA DE PSICANALISE

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PROVA DE PSICANALISE
TEORIA PSICANALÍTICA 
 
MÓDULO 1
O nascimento da Psicanálise e a constituição de seu objeto de estudo.
A insuficiência do modelo médico no tratamento da histeria.
Os primórdios da psicanálise – do trauma à fantasia, da hipnose à associação livre e da catarse à elaboração psíquica.
 
 
A Psicanálise constitui-se como um método de investigação dos processos inconscientes e foi criada no final do século XIX por Sigmund Freud. A construção, história e percurso desta teoria se mantêm ligada à vida de Freud, já que foi este neurologista austríaco o responsável por sua invenção e desenvolvimento (QUINODOZ, 2007).
Sua origem é decorrente de um momento histórico e social em que as circunstâncias permitiram o surgimento de uma teoria e de uma prática que tentasse abarcar os aspectos especificamente psicológicos de determinados fenômenos. dada a insuficiência de outras tentativas para explicá-los, ou seja, os fenômenos da conversão histérica representavam um desafio à ciência. já que a medicina não conseguia explicar sua origem, sendo de extrema importância compreender e tratar os fenômenos psicopatológicos.  
 
E, se estamos aqui fazendo uma constante ligação entre fenômenos históricos. sociais, culturais e psicológicos, há que se tomar como ponto pacífico o fato de a histeria. ou mesmo qualquer afecção, não ser considerada como um suposto mau funcionamento de um organismo, tomado isoladamente (é justamente de uma perspectiva organicista que se pretende distanciar-se). As oposições ou divergências entre um mundo interno (objeto de estudo da Psicanálise) e um externo não se restringem a buscar um argumento que justifique e comprove a supremacia de um sobre o outro, como em certas disputas estéreis sobre o que determinaria a vida humana: o dado objetivo ou o subjetivo.
O que se propõe aqui para pensar a questão da constituição de um conhecimento (investigação e tratamento) que tem como objeto o mundo interno será talvez algo mais próximo de uma constante reflexão. dado que no que diz respeito à condição humana o objeto. ao ser apreendido pela percepção. é transformado em realidade vivida subjetivamente e seria necessário elucidar que processos e elementos psíquicos estão em jogo nesta transformação. O que se coloca como ponto de partida para as investigações psicanalíticas é a ausência de uma compreensão dos aspectos especificamente psíquicos que permeiam a relação sujeito/objeto (ROUDINESCO, 2000).
 
A histeria faz parte de um grupo de acepções que estão diretamente ligadas ao nascimento da Psicanálise. pois a investigação e o tratamento deste tipo de neurose. a partir de uma compreensão dos fatores psíquicos. foi o ponto de partida de Freud na construção de um arcabouço teórico que permitisse escutar as histéricas para além dos sintomas que tanto alarde causavam. Pela escuta das histéricas, Freud criou a psicanálise e desenvolveu a teoria que a sustenta, por meio de uma prática clínica que vai delineando seu método terapêutico e, assim. define sua ética.
 
Ao pensar a questão do mundo interno estamos às voltas com o problema da dicotomia sujeito/objeto. que é tema ainda de discussões em diversas disciplinas. desde o século XVI com Descartes. 
A perspectiva científica que pretende colocar seus objetos de estudo como tendo uma realidade em si mesmos. constituídos como objetos da natureza, pensará o sujeito como aquele que é dotado de uma consciência e de uma razão que lhe conferem o poder de dominar e controlar (consciente e racionalmente) a Natureza e seus objetos e inclusive a si mesmo.
No entanto. como explicar quando este sujeito mostra falhas. justamente, nesta capacidade de dominar e controlar a realidade externa e a si mesmo? E mais: o que fazer quando os recursos científicos disponíveis (físico-químicos e anátomo-patológicos) não conseguem nem oferecer uma explicação. nem uma ação condizente com os problemas surgidos da relação de um dado sujeito com o mundo externo?
Será a partir de uma preocupação com os conflitos e sofrimentos que adquiriram uma conotação patológica que surgirá a Psicanálise, enquanto uma terapêutica e uma teorização capazes de oferecer uma nova visão sobre o homem. seu psiquismo e suas relações com o mundo externo.
 
A Psicanálise se colocará como um campo de conhecimento dedicado exclusivamente aos fenômenos psíquicos (o que não exclui as relações deste com o mundo externo). asseverando sempre a importância de se buscar uma explicação para aquelas manifestações propriamente humanas – comportamentos. afetos e pensamentos – que pareciam contradizer certa noção de homem como ser racional. capaz de dominar a si mesmo e ao mundo única e exclusivamente através da consciência (ROUDINESCO, 2000).
 
É deste confronto entre uma concepção de homem dono e senhor de si mesmo e o que a experiência clínica com as histéricas mostrava sobre a fragilidade da condição humana. que tem origem o primeiro dos alicerces da teoria psicanalítica: o conceito de inconsciente.
Com isto Freud lança uma das primeiras polêmicas que a Psicanálise terá com o mundo científico e filosófico. pois aquilo sobre o que se julgava ter domínio os próprios pensamentos, idéias e comportamentos e que serviam como instrumento para controlar o incontrolável – os afetos. afinal de contas, estaria determinado pelo inconsciente por algo fora do controle consciente.
Assim o psíquico não coincide, para a Psicanálise. com o consciente; a vida mental ou o mundo interno ganham uma nova acepção e uma nova dimensão, que exigiu uma teorização e abordagem dos fenômenos psicológicos específicas.
As idéias de Freud. desenvolvidas entre final do século 19 e início do século 20 marcaram o pensamento contemporâneo.
 
 
EXERCÍCIO
O trecho abaixo foi retirado do livro “Por que a Psicanálise?” de Elisabeth Roudinesco (2000): 
“Os cientistas sempre consideraram a psicanálise uma hermenêutica. Longe de construir um modelo do comportamento humano, a doutrina freudiana seria, a acreditarmos neles, apenas um sistema de interpretação literária dos afetos e dos desejos. Conviria, portanto, quer excluí-la do campo da ciência, junto com as outras disciplinas que não dependem da experimentação, quer repensar a organização de todos esses campos (antropologia, sociologia, história, lingüística, etc.) em função de uma “ciência cognitiva”, a única capaz de fazê-los entrar na categoria de “ciência verdadeira” (ROUDINESCO, 2000; P. 113)
 
Podemos dizer que a psicanálise:
A. É uma especialidade da medicina, uma vez que surgiu como tratamento alternativo para a cura da histeria.
B. É uma especialidade da psicologia, uma vez que surgiu como uma das técnicas possíveis de psicoterapia na área da psicologia clínica.
C. É uma teoria e uma prática sem caráter científico, uma vez que seus pressupostos não são comprováveis por pesquisas.
4. É uma teoria e uma prática que só poderá ser confiável quando seus pressupostos forem comprovados por pesquisas que incluam um número significativo de sujeitos.
5. É uma teoria construída a partir da experiência clínica e, ao mesmo tempo, uma prática de investigação e uma terapêutica, que encontra também um lugar como um saber que pode ser útil na leitura do social. 
 
Resposta E.
 
 
A Psicanálise é a primeira teoria sobre o psiquismo que se originou diretamente da prática clínica, fazendo coincidir investigação e tratamento. Foi com a descoberta da linguagem como instrumento primordial para a abordagem dos conflitos psíquicos e seus sintomas que dá à Psicanálise mais este caráter inovador na compreensão dos fenômenos psíquicos: ao oferecer a possibilidade de dar palavras ao afeto e. com isto. propondo que os sintomas poderiam ser substituídos por outras saídas, a Psicanálise propicia o surgimento de um novo objeto e campo de atuação para a Psicologia: o mundo interno e o trato com sofrimento psicológico. a partir de uma perspectiva estritamente psicológica sem intermediação de quaisquer recursos objetivos. contando explicitamente com as interações psíquicas humanas (GAY, 1989).
 Isto ocorre a partir de 1882 quando

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