Apostila Penal
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Apostila Penal


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NOÇÕES DE DIREITO PENAL 
POLÍCIA MILITAR DO PIAUÍ - PM-PI 
NOÇÕES DE DIREITO PENAL 
 
 
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POLÍCIA MILITAR DO PIAUÍ - PM-PI 
NOÇÕES DE DIREITO PENAL 
 
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PROGRAMA: 
NOÇÕES DE DIREITO PENAL: 
Código Penal Brasileiro: Da aplicação da lei penal, Do 
crime; Da Imputabilidade Penal; Das penas; Dos crimes 
contra a pessoa, Dos crimes contra o patrimônio. 
 
 
DA APLICAÇÃO DA LEI PENAL 
 
 
Anterioridade da lei 
Art. 1º - Não há crime sem lei anterior que o defina. Não 
há pena sem prévia cominação legal. 
 
COMENTÁRIOS 
\uf04e No primeiro momento se faz necessário 
que saibamos a diferença entre crime/delito e 
contravenção penal. 
Características dos crimes/delitos: 1 \u2013 Pena de 
reclusão (regime fechado, regime semiaberto e 
aberto), detenção (regime semiaberto e aberto, 
podendo haver a regressão de regime 
semiaberto para fechado) cumulada ou não com 
multa. 2 \u2013 Tentativa de crime é punida. 3 \u2013 
Admitem três espécies de ação penal: Ação 
Penal Pública Incondicionada, Ação Penal Pública 
Condicionada e Ação Penal Privada. 4 \u2013 Admite 
extraterritorialidade da lei penal. 5 \u2013 Tempo 
máximo é de prisão 40 anos. 6 \u2013 A competência 
para julgar os crimes é da justiça federal e justiça 
estadual. 
Características das contravenções penais 
(DECRETO-LEI Nº 3.688, DE 3 DE OUTUBRO DE 
1941): 1 \u2013 Pena de prisão simples (regime 
semiaberto e aberto, não podendo nunca 
regredir para o regime fechado) cumulado ou 
não com multa ou só multa. 2 \u2013 Não se pude 
tentativa de contravenção. 3 \u2013 Todas as 
contravenções penais são de Ação Penal Pública 
Incondicionada. 4 \u2013 Não há extraterritorialidade 
da lei penal brasileira. 5 - Pena máxima de 5 
anos. 6 \u2013 São sempre julgadas pela justiça 
estadual. OBS.: A justiça federal não julga 
contravenções penais, mesmo que atinja 
interesses da União. Porém existe uma exceção, 
quando o contraventor tiver foro especial na 
justiça federal. Ex.: Juiz federal, que comente 
contravenção penal, é julgado pela justiça 
federal - TRF. 
Diferenças básicas entre os regimes: 1 - Regime 
Fechado - O cumprimento se dará em 
penitenciárias, podendo, após diversos critérios, 
o preso trabalhar externamente somente em 
serviços ou obras públicas. OBS.: O preso poderá 
também trabalhar internamente, de acordo com 
suas aptidões ou habilidades que eram 
desenvolvidas antes da condenação. 
2 - Regime semiaberto: O cumprimento se dará 
em colônias agrícolas, industriais ou 
estabelecimentos semelhantes, podendo o 
preso trabalhar externamente, assim como 
frequentar cursos de ensino superior, médio, 
profissionalizantes e dentre outros. 
3 - Regime aberto: O cumprimento se dará nas 
conhecidas casas de albergados, podendo o 
preso trabalhar externamente. 
OBS.: Nos regimes fechados e semiabertos o 
preso terá direito a remição, ou seja, a cada três 
dias de trabalho ou 12 horas de estudo diminuirá 
um na sua pena. Todavia no regime aberto não 
tem previsão expressa para esta remição. 
\uf04e Princípio da Anterioridade \u2013 A lei 
incriminadora deve ser anterior ao fato 
praticado, ou seja, não pode ser aplicada aos 
fatos anteriores a sua entrada em vigor. Ex.: 
Joaquim praticou um ato no dia 15/01/2014. No 
dia 20/01/2014, entra em vigor uma lei que 
tipifica a conduta de Joaquim como crime. 
Conclusão: Joaquim não poderá responder pelo 
crime, pois o ato foi praticado antes da lei entrar 
em rigor. 
\uf04e Princípio da Reserva Legal \u2013 Somente lei 
federal, ordinária ou complementar, pode criar 
ou modificar infrações penais e sanções penais. 
OBS.: Não se pode criar ou modificar infrações 
penais e sanções penais por: 1 \u2013 Leis estaduais, 
municipais ou do distrito federal. 2 \u2013 Lei 
delegada. 3 \u2013 Emenda constitucional. 4 \u2013 Medida 
provisória (Art. 62 \u2013 \u201cEm caso de relevância e 
urgência, o Presidente da República poderá 
adotar medidas provisórias, com força de lei, 
devendo submetê-las de imediato ao Congresso 
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Nacional\u201d, §1º - \u201cÉ vedada a edição de medidas 
provisórias sobre matéria\u201d - I \u2013 \u201crelativa a\u201d, b \u2013 
\u201cdireito penal, processual penal e processual 
civil\u201d, da Constituição Federal de 1988). 5 \u2013 
Costumes, princípios gerais de direito e 
analogias. 
\uf04e É terminantemente proibida a analogia in malam 
partem, ou seja, aquela que irá prejudicar o réu. 
Porém é perfeitamente aceita a analogia in 
bonam partem, ou seja, aquela que irá beneficiar 
o réu. Ex.: Manoel faz uma ligação clandestina 
para pegar o sinal de Sky do seu vizinho. Seu 
vizinho vai a uma delegacia de polícia, após ser 
realizado os procedimentos, o juiz recebe a 
denúncia de um furto. Porém, verifica que o 
delegado equiparou o furto de sinal da Sky, com 
furto de energia, por analogia. Conclusão: Como 
a analogia é com animus de prejudicar o réu, a 
mesma não poderá ser aplicada. Ex2.: Uma 
parteira, em uma cidade longínqua, que pratica 
uma manobra abortiva em uma jovem que 
correr risco de morte. Conclusão: O Art. 128, I e 
II do C.P. (\u201cNão se pune o aborto praticado por 
médico\u201d: I \u2013 \u201cse não há outro meio de salvar a 
vida da gestante\u201d; e II \u2013 \u201cse a gravidez resulta de 
estupro e o aborto é precedido de 
consentimento da gestante ou, quando incapaz, 
de seu representante legal\u201d) prevê somente a 
prática do aborto realizada por médico, mas, por 
analogia (in bonam partem), o legislador achou 
que poderia ser praticado por outras pessoas 
como a enfermeira e a parteira, por exemplo. 
\uf04e Segundo Mirabete, \u201co costume é uma regra de 
conduta praticada de modo geral, constante e 
uniforme, com a consciência de sua 
obrigatoriedade\u201d. Assim, apesar de ser proibida 
a criação de normas penais por meio de 
costumes, os mesmos podem auxiliar o 
intérprete a traduzir conceitos, tais como de 
repouso noturno, honra e etc., permitindo assim 
um enquadramento correto do fato ao tipo 
penal. Ex.: Raimundo adentrou uma residência 
em uma cidade do interior do Pará, por volta das 
20h, para cometer um furto. Os moradores desta 
cidade iniciam seu repouso noturno às 18h. 
Conclusão: O juiz poderá utilizar os costumes 
locais e qualificar o furto do Art. 155, §1º 
(\u201cSubtrair, para si ou para outrem, coisa alheia 
móvel\u201d; §1º - \u201cA pena aumenta-se de um terço, 
se o crime é praticado durante o repouso 
noturno\u201d) do C.P., por ter sido cometido durante 
o repouso noturno. 
\uf04e Princípio da Taxatividade \u2013 A lei incriminadora 
deve descrever de forma clara e precisa a 
conduta criminosa. Este princípio proíbe leis 
penais vagas, genéricas ou imprecisas (de 
conteúdo duvidoso). 
\uf04e A lei tem que ser escrita, estrita (proíbe a 
utilização de analogia incriminadora), certa 
(Princípio da Taxatividade) e necessária 
(Princípio da Intervenção Mínima). 
\uf04e No Art. 1° do C.P.