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APOSTILA - ORGANIZAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS DA SAÚDE (AULA 01 A 10)

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Disciplina: Organização e políticas de saúde
Aula 1: A evolução histórica do conceito de saúde e doença
Apresentação
Nesta aula serão abordadas as mudanças ocorridas nas definições de saúde e doença
ao longo do tempo. Além disso, será analisado o seu relacionamento entre o contexto
social, político, econômico e cultural, como influência nos conceitos de Saúde e
Doença. A discussão sobre a evolução histórica do conceito saúde e doença será
importante para entendimento que o processo saúde-doença se modifica ao longo do
desenvolvimento histórico e científico da humanidade e que é representado pelas
relações e variáveis que produz e condiciona o estado de saúde e doença em uma
população ao longo dos anos. Também serão abordadas as definições Saúde Coletiva;
Saúde Pública e Saúde Comunitária, conceitos que foram evoluindo, a partir do
momento histórico-científico, como adaptação da ciência ao modo de vida da
população.
Objetivos
Perceber as diferenças na compreensão sobre saúde e doença ao longo do
tempo;
Distinguir os conceitos de saúde coletiva, saúde pública e saúde comunitária;
Definir o processo saúde-doença.
Definições de saúde
Quando recordamos a história da humanidade, encontramos várias definições
para saúde e doença.
“O que é saúde” e “O que é doença” já fazia parte do dia a dia das pessoas.
Os homens primitivos explicavam tudo o que acontecia através do
pensamento mágico, sobrenatural e religioso.
Nas civilizações mais antigas, por exemplo, os povos do Egito e Mesopotâmia,
a doença era causada de forma externa, o organismo da pessoa não tinha
nenhuma participação.
Hipócrates discutiu sobre os humores que causam as doenças e dividiu em
quatro elementos:
Ar
Pituíta do cérebro
Terra
Bile
Fogo
Coração
Água
Bile do estômago
Ao longo dos anos comumente a doença foi vista apenas
como “ausência de saúde” e a saúde definida como
“ausência de doença”.
Mas estas definições nos esclarecem?
O homem precisa definir o seu estado, seja ele o de enfermidade ou não.
Quando o paciente e/ou cliente descreve o seu estado de doença relatando
suas queixas ou quando se sentem melhor, relatando o seu estado de
melhora, faz-se necessário que os profissionais de saúde entendam, definam
e tornem claros estes estados.
 Paciente em consulta com médico. (Fonte:
Pressmaster / Shutterstock)

A saúde e o adoecer são formas pelas quais a vida se
manifesta. Correspondem às experiências singulares e
subjetivas, impossíveis de serem reconhecidas e
significadas integralmente pela palavra. Contudo, é por
intermédio da palavra que o doente expressa seu mal-
estar, da mesma forma que o médico dá significações
às queixas de seu paciente.
Czeresnia, 2003
Atividade
1. Será que a doença é essencialmente biológica ou também pode
ser social? Você já se questionou sobre este assunto?
2. A maneira como uma sociedade está organizada, pode
influenciar no estado de saúde e doença de uma população? Por
quê?
O que determina a saúde ou
doença de uma população?
Devemos pensar que uma população não está com saúde ou doença por
acaso, faz-se necessário pensar em como está organizada esta sociedade.
Quais são suas oportunidades? Tem trabalho, renda, comida, moradia,
serviços de saúde, transporte, vestuário, saneamento básico, lazer, amor e
outros. É importante lembrar que possuir ou não estes bens interferem
positiva ou negativamente na saúde de uma população.
Em uma sociedade quanto maior for o seu desenvolvimento, mais tecnologias
serão utilizadas em todos os setores, inclusive o da saúde e paralelamente
temos o envelhecimento da população e outros tipos de doenças surgem
como as doenças cardiovasculares, que o processo de adoecimento está
envolvido com os hábitos de vida desta população. Então, percebemos que o
conceito de doença que envolvia apenas bactérias e vírus, portanto o agente
etiológico, aquele que causa a doença, não contemplam esta nova forma de
adoecer.
 Modo de vida sedentário. (Fonte: Africa Studio / Shutterstock)

Atenção
E quando se pensa nos transtornos mentais e comportamentais? Como
você definiria doença?
Os pacientes com transtornos mentais podem estar saudáveis? Como
você definiria saúde nestes casos?
Percebemos que várias definições surgem, mais não existem conceitos
universais, que contemplem todas as possibilidades em todos os
momentos históricos.
As definições de saúde e doença também estão envolvidas com a religiosidade
de uma sociedade. A religiosidade aparece na fala das pessoas quando
relatam: “aquela senhora está curada como a graça de Deus” ou “foi a fé que
a salvou”. Você também já deve ter ouvido comentários como “fulano está
com aquele mal” ou “fulano tem aquela doença que a gente não deve falar o
nome”; “é castigo de Deus!” ou “Deus está castigando porque ele foi mal”.
 Senhora reza por seu marido em leito de
hospital. (Fonte: Photographee.eu / Shutterstock)

Leitura
Quantas outras falas você já não deve ter ouvido durante sua vida?
Hoje, vários estudos que avaliam como as crenças e comportamentos
religiosos podem interferir na saúde.
Mesmo que você seja ateu, é importante estudar sobre a influência da
religiosidade e o estado de saúde de uma população.
Leia agora o texto Religiosidade e Saúde
<galeria/aula1/anexo/a01_07_01.pdf> de André Stroppa e
Alexander Moreira-Almeida para ver uma aplicação do conceito acima
estudado.
Hoje, na sociedade atual e com as novas tecnologias para a assistência em
saúde, as definições de saúde e doença deverão ser mais flexíveis e amplas,
contemplando vários fatores.
Você pode estar se perguntando, que fatores serão estes?
file:///C:/DISCIPLINAS%20V%C3%8D/2018.2/organizacao_e_politicas_de_saude__DIS113/galeria/aula1/anexo/a01_07_01.pdf
Podemos citar os fatores psicológicos, sociais e biológicos.
Segundo a OMS, saúde é definida como “completo estado
de bem-estar físico, mental e social e não somente
ausência de doença”.
Devemos pensar em saúde em sentido mais amplo, pensando em qualidade
de vida. Saúde deve ser entendida como um direito social, um “bem-comum”,
um direito de todos, direito este assegurado no exercício e na prática do
direito à saúde.
Na Constituição Federal brasileira de 1988, o artigo 196 . define a saúde
como “um direito de todos e um dever do Estado”.
Quando falamos em saúde como direito, devemos entender esse direito como
um elemento e um exercício da cidadania.
Com tantos questionamentos sobre saúde e doença, você deve estar se
perguntando:
Afinal, o que significa processo saúde-doença? Quais suas relações com a
saúde e com o sistema de serviços de saúde?
O processo saúde-doença se modifica ao longo do desenvolvimento histórico e
científico da humanidade e é representado pelas relações e variáveis que
produz e condiciona o estado de saúde e doença em uma população ao longo
dos anos.
1
file:///C:/DISCIPLINAS%20V%C3%8D/2018.2/organizacao_e_politicas_de_saude__DIS113/aula1.html
 Gráfico sobre os Níveis de Saúde e Processos
Saúde-doença. Fonte: Sabroza, 2001.
Quando analisamos o gráfico anterior devemos pensar do nível individual até
o nível da sociedade e global.
1
Nível Individual
No nível individual na sua dimensão orgânica, temos todas as alterações
fisiopatológicas.
2
Nível da Sociedade
No nível da sociedade temos os problemas de saúde pública.
Não devemos deixar de lado todas as questões culturais e o sofrimento do
indivíduo.
Para você se aprofundar na discussão acima, leia agora o texto Abordagens
Contemporâneas do Conceito de Saúde
<galeria/aula1/anexo/a01_10_01.pdf> de Carlos Batistella, somente a
parte Complexidade e processo saúde-doença para ver uma descrição
detalhada do assunto estudado.

Atenção
Retornando à pergunta anterior, sobre processo saúde-doença e serviços
de saúde, é necessário entender que os serviços de saúde buscam
melhores níveis de saúde dos indivíduos e das coletividades, por isso é
file:///C:/DISCIPLINAS%20V%C3%8D/2018.2/organizacao_e_politicas_de_saude__DIS113/galeria/aula1/anexo/a01_10_01.pdf
preciso pensar nas condições de saúdede uma população e no seu
processo de saúde-doença, para que se possa de maneira articulada
reduzir os riscos de doenças, sequelas e até morte nas populações.
Concluindo esta aula, definiremos Saúde Coletiva, Saúde Pública e Saúde
Comunitária. Estes conceitos foram evoluindo, a partir do momento
histórico-científico, como adaptação da ciência ao modo de vida da
população.
Para você, Saúde Pública e Saúde Coletiva têm o mesmo significado?
Saúde Pública e Saúde Coletiva não são idênticas, pois possuem discursos
diferentes:
Saúde Pública
A saúde pública surgiu no século XVII com a Medicina moderna, tendo
como objetivo a polícia médica e fundamentada no naturalismo médico.
Atualmente é entendida como o campo do conhecimento que tem suas
práticas organizadas e orientadas institucionalmente para promover a
saúde das populações. Estudaremos mais detalhadamente sobre
promoção da saúde na próxima aula.
Saúde Coletiva
A concepção de saúde coletiva, bem ao contrário, se constituiu através
da crítica sistemática do universalismo naturalista do saber médico. Seu
postulado fundamental afirma que a problemática da saúde é mais
abrangente e complexa que a leitura realizada pela Medicina. (Birman,
2005)
Você, então, percebe que para a saúde coletiva, a saúde não está restrita ao
biológico, é marcada em um corpo que é simbólico e pela multidisciplinaridade
/interdisciplinaridade.
Atividade
3. O que é Saúde Comunitária?
Notas
Art. 196 
A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e
econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso
universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e
recuperação.
Referências
BIRMAN, J. A physis da saúde coletiva. Physis - Rev. Saúde Coletiva, Physis vol.
15 suppl. 0 Rio de Janeiro 2005 (Publicado originalmente em Physis número 1,
volume 1, 1991).
CZERESNIA, Dina; FREITAS, C. Machado. Promoção da saúde: conceitos, reflexões
e tendências. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2003. Capítulo 2: O conceito de saúde e
a diferença entre prevenção e promoção, página 42.
Próximos Passos
Saúde e qualidade de vida;
Contribuições das Conferências Internacionais de Cuidados Primários e de
Promoção da Saúde;
1
Determinantes sociais da saúde.
Explore mais
Pesquise na internet sites, vídeos e artigos relacionados ao conteúdo visto.
Em caso de dúvidas, converse com seu professor online por meio dos recursos
disponíveis no ambiente de aprendizagem.
Leia os textos:
História do conceito de saúde
<http://www.scielo.br/pdf/physis/v17n1/v17n1a03.pdf> – Moacyr
Scliar (Physis: Rev. Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, 17(1): 29-41, 2007);
Conceitos de saúde e doença ao longo da história sob o olhar
epidemiológico e antropológico
<http://www.facenf.uerj.br/v17n1/v17n1a21.pdf> - Marli Terezinha
Stein Backes (Rev. enferm. UERJ, Rio de Janeiro, 2009, jan/mar; 17(1):111-7).
http://www.scielo.br/pdf/physis/v17n1/v17n1a03.pdf
http://www.facenf.uerj.br/v17n1/v17n1a21.pdf
Disciplina: Organização e políticas de saúde
Aula 2: A evolução histórica do conceito de saúde e doença
Apresentação
Nesta aula, trataremos de dois temas de grande relação que são a saúde e qualidade de vida e debateremos sobre as
medidas padrões utilizadas pelo setor saúde.
Abordaremos os seguintes eventos relacionados:
I Conferência Internacional de Saúde realizada pela OMS em Alma-Ata, reforçando a proposta da atenção primária em
saúde;
A Carta de Ottawa (1986) que é o documento fundador do movimento atual da promoção da saúde;
A Declaração de Adelaide (1988) que trata sobre as Políticas Públicas Saudáveis;
A Declaração de Sundsval (1991) que trás o tema Criação de Ambientes Favoráveis à Saúde;
A Declaração de Jakarta (1997) que apresenta as definições de cinco prioridades para o campo da promoção da saúde
no século XXI;
A Declaração do México (2000) que discute a promoção da saúde em busca de maior equidade.
Por último serão abordados os determinantes sociais de saúde (DSS) que indicam que a situação de saúde de uma
população depende das condições de trabalho e vida dos indivíduos e/ou grupos e faremos um debate final sobre iniquidade
em saúde.
Objetivos
Reconhecer a relação entre saúde e qualidade de vida;
Definir promoção da saúde;
Perceber as contribuições das Conferências Internacionais de Cuidados Primários e de Promoção da Saúde para a
saúde da população;
Identificar os seis fatores que estão relacionados com os determinantes sociais de saúde;
Elaborar questionamentos sobre iniquidades em saúde.
Qualidade de vida
Qualidade de vida é um termo muito utilizado ultimamente e em alguns momentos não há consenso sobre sua
definição.
O conceito genérico de qualidade de vida reflete um interesse com a modificação e o
aprimoramento dos componentes da vida, ex.: ambiente físico, político, moral e social; a
condição geral de uma vida humana. (Fonte: DeCS – Descritores em Ciências da Saúde).
A partir deste conceito, vamos abordar algumas questões importantes sobre este tema e vale a pena lembrar que a
qualidade de vida tem algo de subjetivo, ou seja, significados diferentes de pessoa para pessoa.
E para você o que é qualidade de vida? O que é necessário?
 Qualidade de vida em família. (Fonte: Shutterstock)
A qualidade de vida está relacionada com a satisfação das necessidades mais elementares da vida do homem. Como
por exemplo: educação, saúde, alimentação e acesso a água potável.
 Acesso a água potável. (Fonte: Shutterstock)
Quando estamos discutindo um tema em que o consenso sobre sua definição ainda não
existe, precisamos estar sempre nos reposicionando e perguntando: A qualidade de vida
está a venda? Ela pode ser adquirida de um dia para o outro?
Depois de vários questionamentos, fica claro que em sentido amplo da expressão devemos compreender as suas
múltiplas dimensões, não basta apenas se deter em apenas um aspecto da vida de um indivíduo como, por
exemplo, a sua vida no trabalho.
Então, quais seriam as outras dimensões que merecem ser compreendidas?
Ter saúde é fundamental para melhorar a qualidade de vida de uma população. Por isso, ela é uma das dimensões
mais importantes da qualidade de vida.
Quando se discute a qualidade de vida relacionada com a saúde percebe-se que os procedimentos estão sempre
voltados para a mensuração, seja da capacidade funcional do indivíduo, do seu estado psicológico, da sua satisfação
e da forma como está organizado o apoio social.

Comentário
Para uma população que luta arduamente para sobreviver, que geralmente vive em busca de ter o que comer:
Quais são os componentes que não existem para este grupo populacional?
Quais as características essências que faltam para terem uma boa qualidade de vida?
Como descreve Minayo (2000) ao citar Auquiere et al. (1997) deve-se considerar três correntes que orientam a
construção dos instrumentos disponíveis atualmente:
1
Funcionalismo
Define um estado normal para certa idade e função social e seu desvio, ou morbidade, caracterizado por indicadores
individuais de capacidade de execução de atividades.
2
Teoria do bem-estar
Explora as reações subjetivas das experiências de vida, buscando a competência do indivíduo para minimizar
sofrimentos e aumentar a satisfação pessoal de seu entorno.
3
Teoria da utilidade
Tem base econômica, que pressupõe a escolha dos indivíduos ao compararem um determinado estado de saúde a
outro.
Ter qualidade de vida em saúde está centrado na ideia da capacidade de viver sem
doenças ou da superação dos estados e da condição de morbidade. Para isso é preciso
promover a saúde.
A promoção da saúde é descrita na Carta de Ottawa como o processo de capacitação da população para que esta
possa atuar na melhoria de sua qualidade de vida e saúde, devendo participar no controle deste processo.
Ao longo dos últimos anos várias conferências foram realizadas com o intuito de aprofundar os debates sobre esta
temática e buscar soluções.
Conheça o histórico das declarações em relação a Saúde.
1978Declaração de Alma- Ata
1986
Declaração de Otawa
1988
Declaração de Adelaide
1991
Declaração de Sundsval
1997
Declaração de Jakarta
2000
Declaração do México
Declaração de Alma-Ata
A Conferência Internacional sobre Cuidados Primários aconteceu no final da década de 70 quando a OMS realiza I
Conferência Internacional de Saúde, em Alma-Ata que tem como meta "Saúde para todos no ano 2000", reforçando
a proposta da atenção primária em saúde.
A conferência enfatiza:
A saúde como um direito humano fundamental.
As desigualdades existentes no estado de saúde das populações devem ser alvo de preocupação comum entre todos
os países.
O desenvolvimento econômico e social deve ser baseado numa ordem econômica internacional, que a população
deve participar no planejamento e execução dos cuidados de saúde, não como uma exceção, mas como um direito e
dever.
A responsabilidade dos governos com a saúde da população através de adoção de medidas sanitárias e sociais.
Que os cuidados primários de saúde representam o primeiro nível de contato dos indivíduos, família e comunidade
com o Sistema Nacional de Saúde. Sendo estes essenciais e devendo ser colocados ao alcance de toda a população.

Atenção
A Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de Saúde – Declaração de Alma-Ata trouxe a discussão
da importância da ação internacional e nacional sobre a necessidade urgente para que os cuidados primários de
saúde sejam desenvolvidos e aplicados tanto nos países em desenvolvimento e o dos desenvolvidos.
Educação para a saúde
Pensar em uma educação dirigida para os problemas de saúde prevalentes e os métodos para sua prevenção e
controle.
Como exemplo:
Alimentação e nutrição adequada;
Abastecimento de água e saneamento básico apropriado;
Atenção materno-infantil;
Planejamento familiar;
Imunização;
Prevenção e controle de doenças endêmicas e outros.
 Alimentação saudável. (Fonte: Shutterstock)
 Atenção maternal. (Fonte: shutterstock)
 Prevenção de doenças. (Fonte: shutterstock)
O Brasil na atualidade se tem ofertado serviços de atenção primária a toda a população
brasileira?
Reflita sobre esta pergunta e discutiremos esta questão nas próximas aulas.
Carta de Otawa
O documento fundador do movimento atual da promoção da saúde é conhecido como Carta de Ottawa (1986). Este
termo está associado a um “conjunto de valores” e a um “conjunto de estratégias”:
Conjunto de estratégias 
• Ações do Estado (políticas públicas saudáveis); 
• Ações da comunidade (reforço da ação comunitária); 
• Ações dos indivíduos (desenvolvimento de habilidades pessoais); 
• Do sistema de saúde (reorientação do sistema de saúde); 
• Parcerias intersetoriais (trabalhando com a ideia de “responsabilidade múltipla” – seja
pelos problemas, seja pelas soluções propostas para os mesmos). 
Conjunto de valores 
• Paz; 
• Habitação; 
• Educação; 
• Alimentação; 
• Renda; 
• Ecossistema estável; 
• Recursos sustentáveis; 
• Justiça social; 
• Equidade. 

Atenção
Como podemos alcançar a equidade em saúde no Brasil?
É preciso pensar que a promoção da saúde vai além dos cuidados de saúde. Ela deve ser uma das prioridades
dos governantes.
A saúde deve ser vista como um recurso para a vida, e não como objetivo de viver.
O que você entende por saúde como um recurso para a vida?
O que é necessário para se ter saúde?
Os 5 campos de ação da Carta de Ottawa
Os 5 campos de ação da Carta de Ottawa são:
Políticas públicas saudáveis
Inclui legislação, medidas fiscais, taxações e mudanças em saúde, distribuição mais equitativa da renda e
políticas sociais.
Ambientes favoráveis à saúde
Proteção do meio ambiente e a conservação dos recursos naturais, acompanhamento do impacto do meio
ambiente sobre a saúde. Conquista de ambientes que favoreçam a saúde: trabalho, lazer, lar, escola, cidade.
Reforço da ação comunitária
Serão efetivas se for garantida a participação popular na direção dos assuntos da saúde, acesso à informação e
aprendizagem nesta área. Empowerment comunitário é a aquisição de poder técnico e consciência política para
atuar em prol de sua saúde.
Desenvolvimento de habilidades e atitudes pessoais
Divulgação de informações sobre a educação para a saúde, devendo ocorrer em todos os setores da vida do
indivíduo, no lar, escola, trabalho e em qualquer espaço coletivo.
Reorientação dos serviços de saúde
Visão abrangente e intersetorial, ao recomendar a abertura de canais entre o setor saúde e os setores sociais,
políticos, econômicos e ambientais. Mudanças também devem ocorrer na formação dos profissionais de saúde.
Declaração de Adelaide
A Declaração de Adelaide (1988) trata sobre as Políticas Públicas Saudáveis e identificou quatro áreas prioritárias:
Apoio à saúde da mulher.
Alimentação e nutrição.
Tabaco e álcool.
Criação de ambientes favoráveis.
Recomenda avaliar o impacto das políticas públicas sobre a saúde e o sistema de saúde, inclusive com o
desenvolvimento de sistemas de informação adequados e acessíveis.
A saúde é um sólido investimento social. Atualmente, no Brasil, várias medidas estão sendo adotadas para a
mudança de comportamento social em relação ao consumo do tabaco e do álcool.
Reflita: “As iniquidades no campo da saúde têm raízes nas desigualdades existentes na
sociedade”.
Declaração de Sundsval
A Declaração de Sundsval (1991) traz o tema Criação de Ambientes Favoráveis à Saúde e tem o enfoque na
interdependência entre saúde e ambiente, em todos os seus aspectos.
O ambiente não está restrito apenas à dimensão física, mas também às dimensões: social, econômica, política e
cultural. Refere-se a todos os espaços: moradia, local de trabalho, espaços de lazer. Discute também quais as
oportunidades para ter maior poder de decisão e as estruturas que irão determinar o acesso aos recursos para viver.
Ambientes e saúde são interdependentes e inseparáveis. Um ambiente favorável é de suprema importância para a
saúde.
Foram ressaltados quatro aspectos para um ambiente favorável e promotor de saúde:
A dimensão social: Inclui a maneira pela quais normas, costumes e processos sociais afetam a saúde.
A dimensão política: Requer dos governos a garantia da participação democrática nos processos de decisão e a
descentralização dos recursos e das responsabilidades; compromisso com os direitos humanos com a paz e a
relocação de recursos oriundos da corrida armamentista (destaque na conferência).
A dimensão econômica: Requer o repara escalonamento dos recursos alcançar saúde para todos e o
desenvolvimento sustentável, o que inclui a transferência de tecnologia segura e adequada.
A necessidade de reconhecer: Utilizar a capacidade e o conhecimento das mulheres em todos os setores,
inclusive os político e econômico.
Princípios básicos pra saúde de todos
Equidade
Aponta o compromisso com a superação da pobreza, o desenvolvimento sustentável, o
pagamento do débito humano e ambiental acumulado pelos países em desenvolvimento,
prestação de contas (accountability) das políticas, gerenciamento público dos recursos
naturais.
Respeito a diversidade
Respeito às peculiaridades dos povos indígenas (contribuição que eles podem dar na
questão ambiental, pela singularidade espiritual e cultural que mantêm com o ambiente
físico).
Declaração de Jakarta
A declaração de Jakarta (1997) enfatiza o surgimento de novos determinantes da saúde, dando destaque à
integração da economia global, mercados financeiros, assim como a continuação da degradação ambiental, apesar
de todos os alertas internacionais.
Definido 5 prioridades para o campo da promoção da saúde:
1
Promover a responsabilidade social.
2
Aumentar investimentos no desenvolvimento da saúde.
3
Consolidar e expandir parcerias para a saúde entre os diferentes setores em todos os níveis do governo e da
sociedade.
4
Aumentar a capacidade da comunidade e fortalecer os indivíduos.
5
Assegurar infra-estrutura para a promoção da saúde.
A capacitação da comunidade é um dos elementos fundamentais para a promoção da saúde.
Pense emdois exemplos sobre como você tem percebido a atuação da comunidade com relação às questões que
envolvem o setor saúde e anote.
Declaração do México
Declaração do México (2000) que discute a promoção da saúde em busca de maior equidade. As principais ações
estão voltadas para:
✓ Colocar a promoção da saúde como prioridade fundamental das políticas e programas locais, regionais,
nacionais e internacionais;
✓ Assumir um papel de liderança para assegurar a participação ativa de todos os setores e da sociedade civil;
✓ Apoiar a preparação de planos de ação nacionais para promoção da saúde;
✓ Estabelecer ou fortalecer redes nacionais e internacionais que promovam a saúde;
✓ Defender a ideia de que os órgãos da ONU sejam responsáveis pelo impacto em termos de saúde da sua
agenda de desenvolvimento.
Determinantes sociais de saúde (DSS)
Indicam que a situação de saúde de uma população depende das condições de trabalho e vida dos indivíduos e/ou
grupos. Veja na figura abaixo quais são os determinantes sociais de saúde.
 Determinantes sociais: modelo de Dahlgren e Whitehead (1991).
(Fonte: http://www.scielo.br
<http://www.scielo.br/pdf/physis/v17n1/v17n1a06.pdf> . Acesso
em: 13 abr. 2018.)
Iniquidades em saúde
As iniquidades em saúde são as desigualdades que além de sistemáticas e relevantes são também evitáveis,
injustas e desnecessárias, segundo a definição de Margareth Whitehead.
Como exemplos, podemos citar: a alta mortalidade infantil; analfabetismo.
 Criança pobre. (Fonte: Shutterstock)

Leitura
Leia Iniquidades em saúde no Brasil, nossa mais grave doença: comentários sobre o documento de referência e
os trabalhos da Comissão Nacional sobre Determinantes Sociais da Saúde.
Referências
Paulo M. Buss
Comissão Nacional sobre Determinantes Sociais da Saúde. Presidência, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro,
Brasil. buss@fiocruz.br <mailto:buss@fiocruz.br>
http://www.scielo.br/pdf/physis/v17n1/v17n1a06.pdf
mailto:buss@fiocruz.br
Alberto Pellegrini Filho Comissão Nacional sobre Determinantes Sociais da Saúde. Escola Nacional de Saúde Pública Sergio
Arouca, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, Brasil http://www.scielo.br/scielo.php?
script=sci_arttext&pid=S0102-311X2006000900033 <http://www.scielo.br/scielo.php?
script=sci_arttext&pid=S0102-311X2006000900033>
Próximos Passos
A Revolta das Vacinas;
A era do saneamento e a origem das políticas nacionais de saúde pública;
Era pré-Vargas (CAP);
Governo Vargas (IAP, a Formação do Ministério da Saúde);
Governo Militar (INPS, INAMPS, CONASP);
Explore mais
Saúde, sociedade e qualidade de vida <http://www.invivo.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?
sid=8&infoid=34> – PAULO M. BUSS (professor e pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública - Ensp/Fiocruz)
Promoção da saúde e determinantes sociais <https://www.ecodebate.com.br/2010/02/12/o-conceito-de-
promocao-da-saude-e-os-determinantes-sociais-artigo-de-paulo-m-buss/> – Paulo M. Buss
Promoção à saúde: trajetória histórica de suas concepções <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-
07072006000200021&script=sci_arttext> - Ivonete T.S. Buss Heidmann (Rev. Texto & Contexto Enfermagem -
 vol.15 no.2 Florianópolis apr./june 2006).
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2006000900033
http://www.invivo.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=8&infoid=34
https://www.ecodebate.com.br/2010/02/12/o-conceito-de-promocao-da-saude-e-os-determinantes-sociais-artigo-de-paulo-m-buss/
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-07072006000200021&script=sci_arttext
Disciplina: Organização e políticas de saúde
Aula 3: Breve história das políticas de saúde no Brasil
Apresentação
Nesta aula, serão abordadas algumas passagens históricas importantes sobre as
políticas de saúde no Brasil. Iniciaremos a aula no período republicano com a história
da Revolta da Vacina e seguiremos abordando a era do saneamento e das origens das
Políticas Nacionais de Saúde Pública, passando pela chamada Era Vargas dividida em
três momentos conhecidos como Governo Provisório, Governo Constitucional e Estado
Novo e terminando com o Governo Militar e o “milagre brasileiro” marcado pelo
desenvolvimento econômico acelerado e desordenado, com restrição da cidadania e
repressão com violência a todos os movimentos de oposição.
Objetivos
Perceber a importância da história da Revolta da Vacina para a saúde pública
brasileira;
Atentar sobre a era do saneamento e das origens das Políticas Nacionais de
Saúde Pública;
Distinguir as eras Pré-Vargas; Governo Vargas e Governo Militar.
Políticas de saúde no Brasil
Para você, de que modo os ricos e os pobres que viveram no início do século
XX conseguiam atendimento médico?
No início do século XX, o país vivia um momento histórico de grandes
mudanças devido a chegada do progresso, mas também ocorriam epidemias.
Como a epidemia de febre amarela no Rio de Janeiro e São Paulo. Outras
doenças também assolavam outras cidades do Brasil: a cólera, varíola,
malária, peste bubônica, tuberculose e outras.
 Enfermeira em maternidade. (Fonte: chippix / Shutterstock)
No início do século a população pobre só dispunha de atendimento filantrópico
nos hospitais de caridade mantidos pela Igreja. E os ricos podiam pagar.
Com a falta de saneamento básico e de outras estruturas a cada dia
surgiam mais doentes. As epidemias ficando cada vez mais graves.
Nas grandes cidades ocorreu a chegada dos imigrantes para o trabalho. E
tínhamos uma grande movimentação de pessoas nos portos, o que
facilitou a disseminação de doenças.
Então, percebemos que a falta de saneamento básico, o não acesso das
pessoas aos serviços de saúde e a grande movimentação de pessoas de
vários lugares nos portos facilitou o aumento da epidemia neste período.
A população pobre era a que mais sofria.
Mas o que fazer para mudar este panorama do país?
Observe as medidas tomadas para realizar esta mudança:
01
O instituto Soroterápico de Manguinhos no Rio de Janeiro produz vacinas. O
presidente Rodrigues Alvez tem o objetivo de sanear e reurbanizar o Rio de
Janeiro.
02
A reforma urbana foi realizada com a retirada da população pobre do centro
da cidade e derrubando vários cortiços. A população apelidou o movimento de
o “bota-abaixo”.
03
Inicia-se o programa de Saneamento de Oswaldo Cruz, o objetivo era eliminar
a peste e febre amarela. Para combater a peste ele criou brigadas sanitárias
espalhando raticidas, removendo lixo e comprando ratos. Para combater a
febre amarela o alvo foi a eliminação dos mosquitos transmissores da febre
amarela.
04
E finalmente, inicia-se uma campanha para acabar com a epidemia que
assolava a população neste período. Institui-se a vacinação obrigatória contra
a varíola. Em 1904 ocorreu a Revolta da Vacina.
Pense: O que motivou as pessoas a se revoltarem contra a
vacinação obrigatória, já que muitas pessoas adoeciam e
morriam neste período?
O objetivo da vacinação era positivo, mas a maneira como ela foi aplicada de
forma autoritária e violenta deixou as pessoas muito insatisfeitas. Os agentes
sanitários em alguns casos invadiam as casas e vacinavam as pessoas à força
e também a maioria das pessoas tinham medo da vacinação, pois
desconheciam seus efeitos. Desta maneira, a revolta popular aumentou a
cada dia.
Foi um período de desemprego, alto custo de vida e inflação.
 Durante as manifestações populares foram
destruídos bondes, prédios públicos e vários tipos
de desordem pela cidade. (Fonte: Wikipedia)
Então, é revogada a lei da vacinação obrigatória. O Exército, Marinha e a
polícia são acionados para acabar com os tumultos nas ruas.
Porém, muitos estudos sobre as doenças que ocorriam no período
continuavam acontecendo. Como em São Paulo Emílio Ribas, mora com os
doentes de febre amarela para provar que a doença não pega por contato.
Esta época foi marcada também por greves, como as ocorridas em 1917 pelos
operários das indústrias têxteis.
1918
A gripe espanhola matou milhares de pessoas.
1922
Os tenentes se revoltam e tomam o forte de Copacabana.1923
O deputado Eloy Chaves criou a lei que regulamenta as Caixas de
Aposentadoria e Pensões, que seriam financiadas pela empresa, seus
trabalhadores e união, garantindo aos trabalhadores assistência média.
Para você se aprofundar na discussão anterior, assista agora ao vídeo Políticas
de Saúde Pública no Brasil, parte 1 – Um século de luta pelo direito à saúde.

Parte 1 – Um século de luta pelo direito à saúde.
https://www.youtube.com/embed/WxfailbGTbQ
Atividade
Leia as afirmativas abaixo:
1. “O notável higienista Oswaldo Cruz não se afastava uma linha
do programa que se traçara: sanear definitivamente o Rio de
Janeiro.” Gastão Cruls
2. O comportamento sociedade brasileira mudou desde a Revolta
da Vacina até a atualidade.
Agora, responda às perguntas a seguir marcando V para
verdadeiro e F para falso.
a) Com a vacinação obrigatória as brigadas sanitárias entravam nas
casas e vacinavam as pessoas à força.
b) A falta de informação e divulgação sobre as campanhas sanitárias
instituídas no início do século XX levou a população a insatisfação e
desconfiança sobre as novas medidas adotadas.
c) O aumento da informação e divulgação das ações de prevenção e
promoção da saúde nos últimos anos levou a população brasileira a
procurar cada vez mais os serviços de saúde.
d) Independente da informação á população sobre as ações de saúde,
todos devem aceitar as medidas instituídas pelos serviços de saúde sem
questionamentos.
e) A população de alta renda morava em habitações muito precárias e se
tornavam as principais vítimas das epidemias no início do século XX,
adoeciam de varíola, febre amarela e peste bubônica.
Era Vargas
A Era Vargas foi dividida em três momentos conhecidos como:
Governo provisório (1930 a 1934)
Marcado pela Lei Orgânica, que estabelecia plenos poderes a Vargas.
Governo Constitucional (1934 a 1937)
Marcado por crise econômica, desemprego, inflação e carestia. Com a
Constituição de 1934 foi criado o Tribunal do Trabalho, legislação
trabalhista e liberdade de organização sindical, e as mulheres adquirem o
direito ao voto. Getúlio Vargas cria IAP (Instituto de Aposentadoria e
Pensões) e pensões dos marítimos. As Caixas de Aposentadoria e
Pensões são substituídas porque são poucas e ineficientes. Com os IAPS,
os trabalhadores passaram a ter direito à assistência medica e
aposentadoria e pensões.
Estado Novo (1937 a 1945)
Período da ditadura de Vargas, teve como características a centralização
política com os executivos, e o intervencionismo do Estado na economia
e na sociedade. Várias ações em saúde pública foram instituídas neste
período, como as ações de combate a malária e proteção dos
trabalhadores da borracha, ações que ficaram conhecidas como
Atividades do Serviço Especial de Saúde Pública (S.E.S.P). Em 1945, o
ditador Getúlio Vargas é deposto.
Para você se aprofundar na discussão acima, assista ao vídeo Políticas de
Saúde Pública no Brasil, parte 2.

Parte 2 – Políticas de Saúde no Brasil
https://www.youtube.com/embed/uGDziPq1ils
Leia a frase abaixo:
 
“Para o financiamento da industrialização do país
utilizaram os recursos dos IAPS”.
 
Você concorda com esta prática? Por quê?
 Foto Oficial de Getúlio Vargas, presidente do
Brasil entre 1930 e 1945 e entre 1951 e 1954.
(Fonte: Wikipedia)
Em 1950, Getúlio Vargas ganhou as eleições para presidência, pelo voto
popular.
O Ministério da Saúde é criado, com objetivo de fortalecer as ações de saúde
pública, medicina preventiva.
Neste período existiam duas correntes para a assistência em saúde: uma
defendia a atenção com programas verticais do tipo de doenças, como
exemplos: tuberculose e hanseníase e a outra defendia uma assistência que
aproxima a medicina às condições sociais da população.
Já existem propostas para a criação de um sistema de saúde pública para
todos em redes locais e com uma visão municipalista. Novos IAPS foram
criados e temos a proposta de unificá-los.
Surge a medicina de grupo, com a finalidade de prestar serviços médicos aos
empregados.
Em 1964, ocorreu o Golpe Militar e é instituído o Governo Militar.
O governo militar foi marcado pelo desenvolvimento econômico acelerado e
desordenado, com restrição da cidadania e repressão com violência a todos os
movimentos de oposição.
Os IAPS e outros órgãos foram unificados para o Instituto Nacional de
Previdência Social (INPS), concentrando todas as contribuições previdenciárias
do país, passando a gerir todas as aposentadorias e pensões e assistência
médica dos trabalhadores do país.
Obras gigantescas foram realizadas: como a Abertura da Transamazônica, a
construção da Ponte Rio-Niterói e Usina de Itaipu.
 Mapa descritivo da BR-230 (Rodovia
Transamazônica). (Fonte: Wikimedia)
 Ponte Rio-Niterói. (Fonte: vitormarigo /
Shutterstock)
 Usina hidrelétrica de itaipu. (Fonte: Diego
Grandi / Shutterstock)
Você já pensou em quanto dinheiro estava sendo
arrecadado?
 
Será que estavam financiando outros setores do país?

Comentário
O INPS criou uma linha de crédito ilimitado para que a iniciativa privada
construísse hospitais que pudessem atender aos trabalhadores inscritos
na previdência social.
Ocorreu a extensão da previdência aos trabalhadores rurais.
Referências
BELL, Suzanne. Forense Chemistry. 2. ed. Edinburgh, England: Pearson, 2014, cap.
14.
HOLLER, F. James; SKOOG, Douglas A.; CROUCH, Stanley R. Princípios de Análise
Instrumental. 6. ed. Porto Alegre: Bookman, 2009, cap. 6.
NETTO, Amilcar; ESPÍNDULA, Alberi. Manual de atendimento a locais de morte
violenta. 2. ed. Campinas, SP: Millennium, 2016, cap. 3 e 20.
SANTIAGO, Elizeu. Criminalística Comentada. 1. ed. Campinas, SP: Millennium,
2014, módulos 18, 28, 45.
TOCCHETTO, Domingos; STUMVOLL, Vitor. Criminalística. 6. ed. Campinas, SP:
Millennium, 2014, cap. 3.
Próximos Passos
Movimento da Reforma Sanitária;
Anos 80 (AIS, SUDS);
Conferências Nacionais e Internacionais de Saúde.
Explore mais
Pesquise na internet sites, vídeos e artigos relacionados ao conteúdo visto.
Em caso de dúvidas, converse com seu professor online por meio dos recursos
disponíveis no ambiente de aprendizagem.
Leia os textos:
A mídia e o golpe militar de 1964” do jornalista Altamiro Borges em seu
blog. <http://altamiroborges.blogspot.com.br/2011/03/midia-e-o-
golpe-militar-de-1964.html>
Assista aos vídeos:
Assista Políticas de saúde no Brasil – Parte 3.
<https://www.youtube.com/watch?v=QntvkGdwV2w>
Assista Políticas de saúde no Brasil – Parte 4.
<https://www.youtube.com/watch?v=1z__hRsJnEk>
http://altamiroborges.blogspot.com.br/2011/03/midia-e-o-golpe-militar-de-1964.html
https://www.youtube.com/watch?v=QntvkGdwV2w
https://www.youtube.com/watch?v=1z__hRsJnEk
Disciplina: Organização e políticas de saúde
Aula 4: O Movimento da Reforma Sanitária
Apresentação
Nesta aula, será feito um estudo sobre o Movimento da Reforma Sanitária, que foi
marcado por uma luta de trabalhadores, intelectuais e partidos políticos em busca de
uma mudança legal que regulamentasse a proteção à saúde da população, tendo
como grande marco histórico desse movimento a VIII Conferência Nacional de Saúde.
Serão abordadas as mudanças ocorridas nos anos 80 com a política de Ações
Integradas de Saúde (AIS) e a criação do Sistema Unificado e Descentralizado de
Saúde (SUDS).
Também serão estudadas as Conferências Nacionais e Internacionais de Saúde.
Objetivos
Descrever o Movimento da Reforma Sanitária Brasileira;
Perceber que a VIII Conferência Nacional de Saúde foi um grande marco
histórico do movimento da Reforma Sanitária Brasileira;
Discriminar os elementos básicos da política de Ações Integradas de Saúde
(AIS);
Identificar a importância das Conferências Nacionais e Internacionais de Saúde;
Identificar as mudanças ocorridas no setor da saúde após a criação do Sistema
Unificado e Descentralizado de Saúde (SUDS).
Atividade
Você já ouviu falar da Reforma Sanitária Brasileira?
Faça um teste rápido para ver se é capaz de identificar as propostas da
Reforma Sanitária Brasileira. Lembre-se de tudo o que foi estudadoaté
agora e de toda a luta pela mudança na assistência à saúde no país.
No exercício abaixo, você vai encontrar itens que respondem a uma série
de características sobre o movimento da Reforma Sanitária Brasileira,
assunto que será abordado no início desta aula, outras não dizem
respeito ao movimento da Reforma Sanitária.
Marque V para as frases relacionadas à Reforma Sanitária ou F para as
frases que não estão relacionadas à Reforma Sanitária:
a) A Reforma Sanitária Brasileira nasceu no período da ditadura em
busca do direito à saúde a todos os cidadãos.
b) Foi um movimento popular que propôs a não exclusão ou
discriminação de qualquer cidadão à assistência pública de saúde.
c) Propôs também o controle do governo nas ações de saúde, visando
assegurar as ideias do movimento da Reforma Sanitária Brasileira.
d) A Reforma Sanitária Brasileira estruturou-se no movimento sindical,
dentro das universidades e em experiências regionais de organização de
serviços de saúde.
Eventos que resultaram na
Reforma Sanitária e na criação do
SUS
1
SINPAS / IAPAS
2
Movimento Popular
3
Falência do INPS e IAPAS
4
Início do projeto AIS
5
1986 - VIII Conferência Nacional de Saúde
6
1987 - Criação do SUDS
7
1988 - Criação do SUS
Veja mais sobre mais sobre esses eventos:
SINPAS / IAPAS
Com a criação do Sistema Nacional de Assistência social (SINPAS) este passou
a reunir:
Todos os órgãos de assistência médica no Instituto Nacional Assistência
Médica Previdência Social (INAMPS).
Todos os órgãos de aposentadoria e pensões no Instituto Nacional de
Previdência Social (INPS).
A administração dos recursos financeiros passou a ser
controlada pelo Instituto de Administração Financeira da
Previdência e Assistência Social (IAPAS).
Movimento Popular
O movimento da Reforma Sanitária Brasileira é marcado por uma luta de
trabalhadores, intelectuais e partidos políticos em busca de uma mudança
legal que regulamentasse a proteção à saúde da população.
Este movimento popular lutou em busca de um Sistema de Saúde que
atendesse às necessidades da população. Visto que neste momento histórico
as ações de promoção e prevenção não estavam ocorrendo em sua totalidade
e tendo como consequência a volta de inúmeras doenças que estiveram
controladas, os investimentos na área eram pequenos e a falta de
saneamento favorecia o adoecimento da população.
 A população lutou por mudanças na saúde brasileira. (Fonte: Shutterstock)
Como estava ocorrendo a assistência em
saúde, então?
As indústrias de equipamentos e medicamentos cresceram muito no país e a
Medicina de grupo também. Os especialistas defendem a ideia que o
hospital era o local de maior segurança e confiabilidade para os
tratamentos de saúde, pois incorporaram em suas atividades o uso de
equipamentos sofisticados e de alto custo.
 Aparelho de tomografia. (Fonte: Shutterstock)
O modelo de assistência em saúde é influenciado por estas práticas e pelo
setor privado.
As ações adotadas eram individuais.
Assim, o Sistema de Saúde era:
Excludente
O acesso às ações e aos serviços de saúde só eram garantidos às
pessoas ligadas formalmente ao trabalho . As pessoas que não
trabalhavam formalmente não estavam cobertas pelas políticas de saúde
e não tinham seus direitos reconhecidos.
Socialmente desigual
Somente eram garantidos os direitos dos trabalhadores formais e o
restante da população não tinha acesso, mantendo as desigualdades de
direito.
De escassos recursos
Os recursos financeiros eram insuficientes. A Reforma Sanitária foi uma
luta pelo direito à saúde a toda a população brasileira, independente de
contribuição, que a população tivesse acesso às ações preventivas e/ou
curativas, que ocorresse a descentralização da gestão administrativa e
financeira e o controle social das ações de saúde.
Falência do INPS e IAPAS
Cresce no país a insatisfação e a ditadura começa a declinar.
O processo de redemocratização e a Campanha pelas Diretas Já estão
ocorrendo por todo o país.
É anunciada a falência do IAPAS, o Instituto não dispõe mais de verbas para
financiar o INPS e INAMPS.
1
file:///C:/DISCIPLINAS%20V%C3%8D/2018.2/organizacao_e_politicas_de_saude__DIS113/aula4.html
 Falência. (Fonte: Shutterstock)

Saiba mais
Inicio do projeto AIS
Em 1982, acontecem as eleições diretas para governadores e vários
participantes do movimento sanitário ocuparam cargos políticos
em Secretarias Estaduais de Saúde e puderam iniciar os projetos que
contemplassem os princípios da Reforma Sanitária.
O projeto Ações Integradas de Saúde (AIS) visaram à integração das
ações curativos-preventivas e educativas. Dando início formal à
participação popular e fortaleceu a ideia da municipalização.
Acontecia ao mesmo tempo o descredenciamento de vários hospitais
que após terem se capitalizado deixaram de atender aos pacientes que
contribuíam para a previdência.
1986 - VIII Conferencia Nacional
de Saúde
O movimento da Reforma Sanitária teve como grande marco histórico a VIII
Conferência Nacional de Saúde – 1986. Foram discutidos os temas:
Reformulação do Sistema Nacional de Saúde;
Saúde como Direito;
Financiamento Setorial.
Por ter sido uma construção altamente participativa, democrática e
representativa permitiu um alto grau de consenso.
 A saúde é um direito. (Fonte: Shutterstock)

Saiba mais
Para você, o que significa a saúde como direito?
A saúde como direito, em seu sentido mais abrangente, é a resultante
das condições de alimentação, habitação, educação, renda, meio
ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse
de terra e acesso a serviços de saúde.
É, assim, antes de tudo, o resultado das formas de organização social da
produção, as quais podem gerar desigualdades nos níveis de vida.
A saúde não é um conceito abstrato. Define-se no contexto histórico de
determinada sociedade e num dado momento de seu desenvolvimento,
devendo ser conquistada pela população em suas lutas cotidianas.
(Trecho retirado da 8a Conferência Nacional de Saúde – Relatório Final,
1986)
Acesse agora o Relatório Final da 8a Conferência Nacional de
Saúde <galeria/aula4/anexo/relatorio_8.pdf> para leitura dos
outros temas que foram discutidos.
1987 - Criação do SUDS
Com a criação do SUDS (Sistema Único Descentralizado de Saúde), em 1987,
através de um convênio entre o INAMPS e os governos estaduais,
retomam-se várias propostas para a saúde como a integração,
hierarquização, regionalização e busca maior de deficiência e eficácia
ao sistema de saúde.

Leitura
E você, sabe o que significa cada uma dessas palavras?
Vamos conhece-las acessando o SUS de A a Z: garantindo saúde nos
municípios
<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/sus_az_garantind
o_saude_municipios_3ed_p1.pdf> .
O interessante deste manual é que você poderá acessá-lo sempre que
tiver alguma dúvida sobre os termos que estaremos abordando ao longo
da disciplina.
file:///C:/DISCIPLINAS%20V%C3%8D/2018.2/organizacao_e_politicas_de_saude__DIS113/galeria/aula4/anexo/relatorio_8.pdf
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/sus_az_garantindo_saude_municipios_3ed_p1.pdf
O que você entende por hierarquização? Qual
a sua importância para o setor de saúde?
01
Quando se pensa em hierarquização devemos entender que os serviços de
saúde devem ser organizados em níveis de complexidade crescente, em uma
área geográfica delimitada e com definição da população a ser entendida.
02
O acesso deve ser através dos serviços de nível primário de atenção.
03
Quando a rede de serviços está organizada de maneira hierarquizada, permite
um conhecimento mais profundo dos problemas de saúde da população e
favorece as ações de vigilância epidemiológica, sanitária e das ações de
atenção ambulatorial e hospitalar em todos os níveis de complexidade.
Se o acesso aos serviços de saúde devem ocorrer através
dos serviços de nível primário de atenção, por que ainda
na atualidade muitas pessoas procuram primeiramente os
hospitais?
O SUDS foi criado em um momento de transição entre a ditadura e a
democracia muitos entravesocorreram e a tensão entre Estado e sociedade
civil repercutiu sobre a saúde.
Por isso, pouco se avançou na descentralização e na construção da
democracia.
1988 - Criação do SUS
Em 1988, a nova Constituição Brasileira aprovou os mais importantes
princípios da Reforma Sanitária e finalmente criou o Sistema Único de Saúde
(SUS).
 Equipe de profissionais de saúde. (Fonte:
Shutterstock)

Leitura
Leia os artigos 196 a 200 da Constituição Federal de 1988.
Será que os problemas de saúde estão resolvidos com a
criação do SUS? As conferências de Saúde são importantes
para a continuação das discussões dos problemas de
saúde e ajudam nas soluções destes problemas?
Formalmente ao trabalho
Empregadores e empregados (e seus dependentes) que contribuíam mensalmente
para Previdência Social.
Referências
1
BELL, Suzanne. Forense Chemistry. 2. ed. Edinburgh, England: Pearson, 2014, cap.
14.
HOLLER, F. James; SKOOG, Douglas A.; CROUCH, Stanley R. Princípios de Análise
Instrumental. 6. ed. Porto Alegre: Bookman, 2009, cap. 6.
NETTO, Amilcar; ESPÍNDULA, Alberi. Manual de atendimento a locais de morte
violenta. 2. ed. Campinas, SP: Millennium, 2016, cap. 3 e 20.
SANTIAGO, Elizeu. Criminalística Comentada. 1. ed. Campinas, SP: Millennium,
2014, módulos 18, 28, 45.
TOCCHETTO, Domingos; STUMVOLL, Vitor. Criminalística. 6. ed. Campinas, SP:
Millennium, 2014, cap. 3.
Próximos Passos
Lei Orgânica do SUS (8.080 e 8.142/90);
Normas Operacionais Básicas (NOB);
Normas Operacionais da Atenção à Saúde (NOAS).
Explore mais
Pesquise na internet sites, vídeos e artigos relacionados ao conteúdo visto. Em caso
de dúvidas, converse com seu professor online por meio dos recursos disponíveis no
ambiente de aprendizagem.
Leia os textos:
A descentralização no marco da Reforma Sanitária no Brasil
<https://scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1020-
49892000000700026> - Luiz Odorico Monteiro de Andrade (Rev. Panam
Salud Pública vol.8 n.1-2 Washington July/Aug. 2000)
8ª Conferência Nacional de SaúdeRelatório Final – março de 1986
<http://conselho.saude.gov.br/biblioteca/relatorios/relatorio_8.pdf>
Relatório Final da 13ª Conferência Nacional de Saúde.
<http://conselho.saude.gov.br/biblioteca/Relatorios/13cns_M.pdf>
https://scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1020-49892000000700026
http://conselho.saude.gov.br/biblioteca/relatorios/relatorio_8.pdf
http://conselho.saude.gov.br/biblioteca/Relatorios/13cns_M.pdf
Disciplina: Organização e políticas de saúde
Aula 5: O Sistema Único de Saúde
Apresentação
Nesta aula será abordado o Sistema Único de Saúde (SUS) que foi criado pela Constituição Federal
de 1988 e regulamentado pela Lei Orgânica nº 8.080 e Lei complementar nº 8.142. Serão
abordados os princípios doutrinários do SUS que são a equidade, integralidade e universalidade e os
princípios organizativos. Serão estudadas também as Normas Operacionais Básicas e as Normas
Operacionais da Atenção à Saúde.
Objetivos
Compreender as mudanças ocorridas no setor saúde após a instituição do Sistema Único de
Saúde;
Descrever a Lei nº 8.080/90 e a Lei nº 8.142/90;
Reconhecer os princípios doutrinários e organizativos do Sistema Único de Saúde;
Comparar as Normas Operacionais Básicas 91, 93 e 96;
Listar as Normas Operacionais da Atenção à Saúde (NOAS).
O Sistema Único de Saúde
Assista ao vídeo sobre o SUS.
 O Sistema Único de Saúde.
https://www.youtube.com/embed/gtffS0H2Px0
Atividades
Assista agora ao vídeo Lições de cidadania - Ulysses no Diário da Constituinte
(Câmara dos Deputados).
 Lições de cidadania.
https://www.youtube.com/embed/qYnM346cVTc
Após ter assistido ao vídeo do presidente da Assembleia Nacional Constituinte
- deputado Ulysses Guimarães, você deve ter percebido que ele faz um convite
à população para que esta participe deste novo momento da política brasileira
“a nova Constituição Federal Brasileira”. E é possível constatar também em
sua fala que é indispensável para a realização da cidadania, a participação
popular nas tomadas de decisão.
1. Passados mais de 20 anos da promulgação da Constituição Federal
Brasileira de que maneira a população brasileira tem participado para que
ocorram as mudanças no setor da saúde?
Vamos pesquisar!
2. Muitas palavras veem à mente após termos assistido a este vídeo. Mas será
que sabemos o significado de cada uma delas? Você pode pesquisar e anotar.
Será importante para os próximos assuntos que estudaremos. Faça suas
anotações.
 
Cidadania digite a resposta
Competência digite a resposta
Injustiça digite a resposta
Opressão digite a resposta
Ordem digite a resposta
Miséria digite a resposta
Analfabetismo digite a resposta
Pobreza digite a resposta
Sociedade digite a resposta
Participação social digite a resposta
O que é o Sistema Único de Saúde?
É uma nova formulação política e organizacional para o reordenamento dos serviços e ações
da saúde.
O Sistema Único de Saúde foi instituído através da Constituição da República Federativa do
brasil em 1988, na seção II – DA SAÚDE.
De acordo com o Art. 4º da Lei 8.080/1990, é o conjunto de ações e serviços de saúde,
prestados por órgãos e instituições públicas federais, estaduais e municipais.
 O SUS não é o sucessor dos SUDS ou do INAMPS. (Fonte:
Jacob Lund / Shutterstock)
Por que Sistema Único?
Por seguir a mesma doutrina e os mesmos princípios organizativos em todo o território
nacional. Tendo serviços que interagem com um mesmo propósito. Está organizado nas três
esferas governamentais:
1
Federal
2
Estadual
3
Municipal
O primeiro artigo da seção II – Da SAÚDE (artigo 196) descreve que
saúde é direito de todos e dever do Estado, sendo garantida através
de políticas sociais e econômicas que busquem a redução do risco de
doenças através de ações e serviços para sua promoção, proteção e
recuperação e que o acesso seja universal.
O que significa universalidade para o
SUS?
Saúde é um direito de todos e é dever do poder público a provisão dos serviços e ações que
lhe garanta. A universalização, todavia, não quer dizer somente a garantia imediata de
acesso às ações e aos serviços de saúde.
A universalização, diferentemente, coloca o desafio da oferta de serviços e de ações de
saúde a todos que deles necessitem, todavia, enfatizando a ações preventivas e reduzindo o
tratamento de agravos.
 Saúde é direito de cidadania e dever do governo
Municipal, Estadual e Federal. (Fonte: wavebreakmedia /
Shutterstock)
Para o SUS, a universalidade ao acesso às ações e serviços deve ser garantida a todas as
pessoas, independentemente de sexo, raça, renda, ocupação, ou outras características
sociais ou pessoais, independentemente de pagamento, os serviços ofertados são gratuitos a
toda a população.
Quais são os três princípios doutrinários
do SUS?
Universalidade
Vide tópico anterior sobre o que é a Universalidade...
Integralidade
A integralidade é um dos princípios mais preciosos em termos de demonstrar que a
atenção à saúde deve levar em consideração as necessidades específicas de pessoas ou
de grupos de pessoas, ainda que minoritários em relação ao total da população. Ou
seja, a cada qual de acordo com suas necessidades, inclusive no que pertine aos níveis
de complexidade aos níveis de complexidade diferenciados.
Significa considerar a pessoa como um todo, devendo as ações de saúde procurar
atender a todas as suas necessidades.
Equidade
É um princípio de justiça social, diferente de igualdade, que garante a assistência à
saúde, sem preconceitos ou privilégios de qualquer espécie.
O princípio da equidade reafirma que essa necessidade deve dar-se por meio das ações
e dos serviços de saúde. Por serem ainda grandes as disparidades regionais e sociais no
Brasil.
Saiba mais
Integralidade
É o reconhecimento na prática dos serviços de que:
Cada pessoa é um todo indivisível, devendo ser atendida com uma visão integral
por um sistema também integral, que busque a promoção, proteção e recuperação
da saúde;
Cada pessoa é integrante de uma comunidade;
Todas as ações de promoção, proteçãoe recuperação da saúde formam também
um todo indivisível;
As unidades prestadoras de serviço com seus diversos graus de complexidade, não
podem ser divididas, configurando um sistema de saúde capaz de prestar
assistência integral.
A rede de serviços deve estar atenta às necessidades reais da população a ser atendida e às
suas desigualdades; deve observar que as pessoas são diferentes, vivem em condições
desiguais e com necessidades diversas.
É necessária a superação das desigualdades em saúde.
Atenção
Quando ocorrer a priorização das ações e serviços?
Apenas em função de situações de risco, das condições de vida e da saúde de
determinados indivíduos e grupos de população.
Você pode citar algum princípio
organizativo?
O Art. 198 da CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 descreve
que as ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada
e constituem um sistema único, organizado de acordo com as seguintes diretrizes:
01
Descentralização, com direção única em cada esfera de governo.
02
Atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem prejuízo dos
serviços assistenciais.
03
Participação da comunidade.
O SUS e seus princípios organizativos
Vamos discutir um pouco sobre alguns princípios organizativos do SUS.
Regionalização
Os serviços devem ser organizados em níveis de complexidade
crescente, dispostos numa área geográfica delimitada e com
definição da população a ser atendida. 
 
O acesso da população à rede deve se dá através dos serviços
de nível primário de atenção que devem ser qualificados para
atender e resolver os principais problemas que demandam os
serviços de saúde. 
 
Os demais devem ser referenciados para os serviços de maior
complexidade tecnológica.
Hierarquização
A rede de serviços, organizada de forma hierarquizada, permite
um conhecimento maior dos problemas de saúde da população
da área delimitada, favorecendo ações de vigilância
epidemiológica, sanitária, controle de vetores, educação em
saúde, além das ações de atenção ambulatorial e hospitalar em
todos os níveis de complexidade.
Descentralização
Redistribuição das responsabilidades das ações e serviços de
saúde entre os vários níveis de governo. A regionalização deve
orientar a descentralização das ações e serviços de saúde.
Neste processo são identificadas e constituídas as regiões de
saúde – espaços territoriais nos quais serão desenvolvidas as
ações de atenção à saúde objetivando alcançar maior
resolutividade e qualidade nos resultados, assim como maior
capacidade de cogestão regional.
Resolutividade
É a exigência de que, quando um indivíduo busca o
atendimento ou quando surge um problema de impacto coletivo
sobre a saúde, o serviço correspondente esteja capacitado para
enfrentá-lo e resolvê-lo até o nível de sua complexidade.
Controle Social
É a garantia constitucional de que a população através de suas
entidades representativas participará na formulação das
políticas de saúde e do controle de sua execução, em todos os
níveis de governo.
Complementaridade Os serviços privados podem atuar de forma complementar por
do setor privado contrato ou convênio, desde que as disponibilidades de serviços
ofertados pelo SUS sejam insuficientes para o atendimento à
população, mas as entidades filantrópicas e as sem-fins
lucrativos têm preferência para participar do SUS.
Mas como funcionaria o SUS?
Lei Orgânica de Saúde 
(Lei 8.080/1990
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm> )
No ano de 1990 foi criada a Lei Orgânica de Saúde (Lei nº 8.080/1990) que dispõe sobre as
condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o
funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm
Lei Complementar da Saúde 
(Lei 8.142/1990
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8142.htm> )
No ano de 1990 foi criada a Lei Complementar da Saúde (Lei nº 8.142/1990) que dispõe
sobre a participação da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) e sobre as
transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde e dá outras
providências.
Veja mais sobre as leis:
Lei 8.080/1990
Vários conceitos foram tratados na Lei nº 8080/1990 como o de vigilância sanitária,
epidemiológica, saúde do trabalhador.
A direção do SUS é única de acordo com o inciso I do artigo 198 da Constituição
Federal.
Descreve ainda a competência de cada esfera do governo, e ao município cabe as ações
de execução de serviços como o de vigilância epidemiológica; de vigilância sanitária; de
alimentação e nutrição; de saneamento básico; e de saúde do trabalhador.
Lei 8.142/90
A Lei 8.142/1990 discute sobre as Conferências de Saúde que deverão se reunir a cada
quatro anos com a representação dos vários segmentos sociais; já o conselho de saúde
tem caráter permanente e deliberativo, sendo composto por representação de 50% dos
usuários, representação sendo paritária em relação ao conjunto dos demais segmentos
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8142.htm
e os outros 50% sendo divididos entre os representantes do governo, prestadores de
serviço (25%) e profissionais de saúde (25%).Terão representação no Conselho
Nacional de Saúde os Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o
Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems).
Para dar continuidade às mudanças ocorridas no setor de saúde foram necessárias a
publicação das Normas Operacionais Básicas e Normas Operacionais da Atenção à Saúde.
De acordo com RICARDO F. SCOTTI, Assessor do Ministério da Saúde, as Normas
Operacionais Básicas são Instrumentos jurídicos-institucional editados periodicamente pelo
Ministério da Saúde, após amplo processo de discussão com os demais gestores e outros
segmentos da sociedade, negociado e pactuado na Tripartite e aprovado no Conselho
Nacional de Saúde, para:
Aprofundar e reorientar a implementação do SUS;
Definir novos objetivos estratégicos, prioridades, diretrizes e movimentos tático-
operacional;
Regular as relações entre seus gestores;
Normatizar o SUS.
Com a instituição do SUS surgiu nas discussões as seguintes palavras:
GERÊNCIA
GESTÃO
Comentário
Para você, qual o significado destas palavras de acordo com o SUS?
É importante saber que são gestores do SUS os secretários municipais e estaduais de saúde e
o ministro da Saúde representando respectivamente os governos municipal, estadual e federal.
Leia sobre Normas Operacionais Básicas:
NOB/91
A NOB/91 discute sobre a equiparação dos prestadores públicos e privados e ainda aponta uma
gestão do SUS a nível federal muito centralizada.
NOB/93
A NOB/93 discute a habilitação dos municípios nos modelos de gestão incipiente, parcial e
semiplena, desencadeando o processo de municipalização; cria a transferência de recursos
financeiros que ficou conhecido como fundo a fundo, sendo necessário que seja aberta uma
conta para que o dinheiro seja repassado diretamente, é criado também as Comissões
Intergestores Bipartites (de âmbito estadual) e Tripartite (nacional).
NOB/96
A NOB/96 discute sobre:
A responsabilidade pela gestão e execução direta da atenção básica de saúde aos municípios
(descentralização), a responsabilidade sanitária de cada gestor, o estabelecimento de vínculo
entre a população e o SUS, a instituição da gestão da atenção básica e a gestão plena do
sistema municipal, o aumento da transferência regular e automática (fundo a fundo) dos
recursos federais a estados e municípios – PAB (Piso Ambulatorial Básico), a reorganização do
modelo de atenção à saúde com a ampliação de cobertura do PSF (Programa Saúde da Família)
e do PACS (Programa Agente Comunitário de Saúde).
Noas/2001
A NOAS/2001 instituiu o Plano Diretor de Regionalização e o Plano Diretor de Investimentos.
Plano Diretor de Regionalização (PDR): O Plano Diretor de Regionalização (PDR) é considerado
um dos instrumentos de planejamento e coordenação do processo de regionalização, o PDR
deverá expressar o desenhofinal do processo de identificação e reconhecimento das regiões de
saúde, em suas diferentes formas, em cada estado e no Distrito Federal.
Plano Diretor de Investimentos (PDI): O Plano Diretor de Investimentos (PDI) é considerado
também um instrumento de planejamento do processo de regionalização, o PDI deverá
expressar os recursos de investimentos para atender às necessidades pactuadas no processo
de planejamento estadual e regional. Os planos de investimentos deverão ser discutidos e
aprovados na Comissão Intergestores Bipartite (CIB) dos estados.
1 2
file:///C:/DISCIPLINAS%20V%C3%8D/2018.2/organizacao_e_politicas_de_saude__DIS113/aula5.html
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A NOAS/2001 tem o objetivo de colocar em prática os princípios da Integralidade, Regionalização e
Hierarquização.
Releia os conceitos descritos no início desta aula sobre integralidade, regionalização e
hierarquização. São conceitos importantes e estarão presentes em vários momentos das discussões
desta aula e das próximas.
1
Propôs uma política para ações de Média e Alta Complexidade.
2
Cria mecanismo de referência e contra-referência.
3
Propõe a criação de módulos assistencial e município-satélite (agrupamento de municípios).
4
Amplia as ações da Atenção Básica.
A ampliação das responsabilidades dos municípios da Atenção Básica.
Estabelece o processo de regionalização como estratégia de hierarquização dos serviços de
saúde e de busca de maior equidade.
Procede à atualização dos critérios de habilitação de estados e municípios.
O Plano Diretor de Regionalização – PDR visa garantir o acesso dos cidadãos, o mais próximo
possível de sua residência, a um conjunto de ações e serviços de saúde, como por exemplo:
Assistência pré-natal, parto e puerpério.
Acompanhamento do crescimento e desenvolvimento infantil.
Cobertura universal do esquema preconizado pelo Programa Nacional de Imunizações, para
todas as faixas etárias.
Acompanhamento de pessoas com doenças crônicas de alta prevalência e outros serviços.
Comentário
Desde a criação do SUS muitas legislações foram publicadas em busca de maior compreensão
dos objetivos e atribuições de cada esfera de governo e de soluções para os principais
problemas de saúde da população brasileira, ainda há muito a fazer principalmente quando se
discute sobre a gestão no SUS.
Atividade
3. Muitas mudanças ocorreram desde a instituição do SUS, você pode citar algumas?
Muitas mudanças ainda devem ocorrer. Mas os avanços devem ser valorizados e devemos participar
para que o sistema funcione melhor a cada dia. A participação é um exercício de aprendizado
constante. É um sistema de saúde para toda a população brasileira e não apenas a um grupo de
pessoas.
As discussões sobre estas legislações não se esgotam com término desta aula, é preciso continuar
realizando outras leituras sobre os temas discutidos, não no intuito de decorar cada artigo e inciso,
mas sim para compreender cada formulação realizada, cada conceito apresentado.
Vale à pena continuar estudando!
 Ainda há muito a fazer principalmente quando se discute sobre
a gestão no SUS. (Fonte: wavebreakmedia / Shutterstock)
Notas
Comissões Intergestores Bipartites (CIB) 1
Espaços estaduais de articulação e pactuação política que objetivam orientar, regulamentar e avaliar
os aspectos operacionais do processo de descentralização das ações de saúde. São constituídas,
paritariamente, por representantes do governo estadual – indicados pelo Secretário de Estado da
Saúde – e dos secretários municipais de Saúde – indicados pelo órgão de representação do conjunto
dos municípios do estado, em geral denominado Conselho de Secretários Municipais de Saúde
(Cosems).
Comissões Intergestores Tripartite (CIT) 
Instância de articulação e pactuação na esfera federal que atua na direção nacional do SUS,
integrada por gestores do SUS das três esferas de governo – União, estados, DF e municípios. A
representação de estados e municípios nessa Comissão é regional, sendo um representante para
cada uma das cinco regiões no país. Nesse espaço, as decisões são tomadas por consenso e não por
votação. A CIT está vinculada à direção nacional do SUS.
Próximos Passos
Pacto 2006 – Port. nº 687/2006;
Política Nacional da Atenção Básica – Port. nº 648/2006.
Explore mais
Pesquise na internet sites, vídeos e artigos relacionados ao conteúdo visto.
Em caso de dúvidas, converse com seu professor online por meio dos recursos disponíveis no
ambiente de aprendizagem.
Leia os textos:
Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990.
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm>
Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8142.htm>
Norma Operacional Básica do Sistema Único de Saúde (NOB-SUS 1996), de 6 de
novembro de 1996. <http://conselho.saude.gov.br/legislacao/nobsus96.htm>
Norma Operacional da Assistência à Saúde / SUS (NOAS-SUS 01/2001), de 26 de
janeiro de 2001.
<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2001/prt0095_26_01_2001.html>
Norma Operacional da Assistência à Saúde / SUS - NOAS-SUS 01/02 (Portaria nº
373, DE 27 de fevereiro de 2002).
<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2002/prt0373_27_02_2002.html>
Administração pública: o pacto pela saúde como uma nova estratégia de
racionalização das ações e serviços em saúde no Brasil - Cristina Berger Fadel (Rev.
Adm. Pública vol. 43 no.2, Rio de Janeiro mar./apr. 2009).
<http://www.scielo.br/scielo.php?pid=s0034-
76122009000200008&script=sci_arttext>
2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8142.htm
http://conselho.saude.gov.br/legislacao/nobsus96.htm
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2001/prt0095_26_01_2001.html
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2002/prt0373_27_02_2002.html
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=s0034-76122009000200008&script=sci_arttext
Disciplina: Organização e políticas de saúde
Aula 6: O pacto pela saúde e a política nacional da atenção básica
Apresentação
Nesta aula será feito um estudo da Portaria nº 399/2006 que apresenta o Pacto pela Saúde com
base nos princípios doutrinários do SUS e tem sua discussão centrada nas necessidades de
saúde da população.
Apresenta como prioridades três pactos: o Pacto pela Vida; o Pacto em Defesa do SUS e o Pacto
de Gestão.
Também será estudado a Política Nacional da Atenção Básica que tem fundamentação
transversal nos eixos da equidade, universalidade e integralidade e no controle social da gestão
e descentralização, bem como em outros princípios organizativos e assistenciais do SUS.
Objetivos
Reconhecer o Pacto pela Saúde como um pacto que objetiva avançar no enfrentamento
dos desafios à consolidação o SUS;
Descrever a Política Nacional da Atenção Básica;
Elaborar questionamentos sobre as mudanças ocorridas após as publicações do Pacto
pela Vida e da Política Nacional de Atenção Básica.
O pacto pela saúde
Vamos iniciar esta aula fazendo uma descrição e estruturação do Pacto pela Saúde. A
PORTARIA Nº 399/GM DE 22 DE FEVEREIRO DE 2006, divulga o Pacto pela Saúde 2006,
a Consolidação do SUS e aprova as Diretrizes Operacionais do Referido Pacto. Suas
prioridades são:
1
O Pacto pela Vida
2
O Pacto em Defesa do SUS
3
O Pacto de Gestão do SUS
Veja mais sobre cada um desses pactos a seguir:
O Pacto pela Vida
Suas prioridades e seus objetivos em 2006 são:
Saúde do idoso
Implantar a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, buscando a atenção
integral.
Câncer de colo de útero e de mama
Contribuir para a redução da mortalidade por câncer de colo do útero e de mama.
Mortalidade infantil e materna
Reduzir a mortalidade materna, infantil neonatal, infantil por doença diarréica e por
pneumonias.
Doenças emergentes e endemias, com ênfase na dengue, hanseníase
Fortalecer a capacidade de resposta do sistema de saúde às doenças emergentes
e endemias.
Promoção da saúde
Elaborar e implantar a Política Nacional de Promoção da Saúde, comênfase na
adoção de hábitos saudáveis por parte da população brasileira, de forma a
internalizar a responsabilidade individual da prática de atividade física regular,
alimentação saudável e combate ao tabagismo.
Atenção básica à saúde
Consolidar e qualificar a estratégia da Saúde da Família como modelo de atenção
básica à saúde e como centro ordenador das redes de atenção à saúde do SUS.
O Pacto em Defesa do SUS
São duas as prioridades:
1. Implementar um projeto permanente de mobilização social com a finalidade de:
1
Mostrar a saúde como direito de cidadania e o SUS como sistema público universal
garantidor desses direitos.
2
Alcançar, no curto prazo, a regulamentação da Emenda Constitucional nº 29, pelo
Congresso Nacional.
3
Garantir, no longo prazo, o incremento dos recursos orçamentários e financeiros para a
saúde.
3
Aprovar o orçamento do SUS, composto pelos orçamentos das três esferas de gestão,
explicitando o compromisso de cada uma delas.
2. Elaborar e divulgar a carta dos direitos dos usuários do SUS.
O Pacto de Gestão do SUS
As prioridades são:
De�nir de forma inequívoca a
responsabilidade sanitária de cada
instância gestora do SUS:
Federal, estadual e municipal, superando o
atual processo de habilitação.
Estabelecer as diretrizes para a
gestão do SUS:
Com ênfase na Descentralização;
Regionalização; Financiamento;
Programação Pactuada e Integrada;
Regulação; Participação e Controle Social;
Planejamento; Gestão do Trabalho e
Educação na Saúde.
Ao longo desta aula algumas siglas irão aparecer com certa frequência como por
exemplo:
 
MS
Ministério da Saúde
CONASS
Conselho Nacional de Secretários de Saúde
CONASEMS
Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde
Será importante você reconhecê-las para melhor entendimento dos assuntos que serão
abordados.
Atividade
1. Na última aula você pesquisou sobre o que é GESTÃO e GERÊNCIA. Você se
recorda? Correlacione estas palavras com seu significado:
a) Como a administração de uma unidade ou órgão de saúde (ambulatório,
hospital, instituto, fundação, etc) que se caracterizam como prestadores de
serviços do SUS. (Brasil. Conselho Nacional de Secretários de Saúde. Para
entender a gestão do SUS / Conselho Nacional de Secretários de Saúde. - Brasília:
CONASS, 2003).
b) Como a atividade e responsabilidade de comandar um sistema de saúde
(municipal, estadual ou nacional) exercendo as funções de coordenação,
articulação, negociação, planejamento, acompanhamento, controle, avaliação e
auditoria. (Brasil. Conselho Nacional de Secretários de Saúde. Para entender a
gestão do SUS / Conselho Nacional de Secretários de Saúde. - Brasília: CONASS,
2003).
E quem são os gestores do SUS?
Temos:
Ministério da Saúde
No âmbito nacional
Secretário de Estado da Saúde
No âmbito estadual
Secretário Municipal da Saúde
No âmbito municipal
Funções gestoras no SUS
As funções gestoras no SUS podem ser definidas como “um conjunto articulado de
saberes e práticas de gestão necessários para a implementação de políticas na área da
saúde” (Souza, 2002). Referência Bibliográfica: Souza; R. R. O Sistema público de saúde
brasileiro. Brasília: Ministério da Saúde; 2002.
Direção do SUS
Importante: No capítulo III da Lei orgânica nº 8080/90
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8080.htm> em seu artigo 9º descreve que a
direção do Sistema Único de Saúde-SUS é única, de acordo com o inciso I do artigo 198 da
Constituição Federal, sendo exercida em cada esfera de governo pelos seguintes órgãos: 
 
I - no âmbito da União, pelo Ministério da Saúde. 
 
II - no âmbito dos Estados e do Distrito Federal, pela respectiva secretaria de saúde ou
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8080.htm
órgão equivalente. 
 
III - no âmbito dos Municípios, pela respectiva secretaria de saúde ou órgão equivalente.
Diretrizes operacionais
Pacto pela Vida
Iniciaremos pelo Pacto pela Vida: Como vimos anteriormente este pacto é um compromisso
entre os gestores do SUS. As prioridades devem ser estabelecidas através de metas:
Nacionais
Estaduais
Regionais
Municipais

Saiba mais
Você já deve ter percebido que existem metas que atingiram a população brasileira como
um todo e outras a grupos específicos como, por exemplo, o controle do câncer de colo de
útero e de mama. Leia as seis prioridades pactuadas pelo Pacto pela Vida no anexo II das
diretrizes operacionais do pacto pela saúde em 2006
<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2006/prt0399_22_02_2006.html> –
consolidação do SUS.
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2006/prt0399_22_02_2006.html
Pacto em Defesa do SUS
O Pacto em Defesa do SUS trata de expressar os compromissos entre os gestores do SUS na
defesa dos princípios do SUS estabelecidos pela Constituição Federal Brasileira.
Quais são os princípios do SUS? Caso você não lembre, releia o conteúdo da aula
05.
Busca qualificar e assegurar o SUS como política pública de saúde. As iniciativas são:

 
Repolitizar a saúde.

 
Promover a cidadania através da mobilização social.

 
Garantir o �nanciamento.
As ações estão voltadas para:
A articulação e apoio à mobilização social – saúde como um direito.
Estabelecimento de diálogo com a sociedade.
Ampliação e fortalecimento das relações com os movimentos sociais, em especial os que lutam
pelos direitos da saúde e cidadania.
Laboração e publicação da Carta dos Direitos dos Usuários do SUS. Regulamentação da EC nº
29 pelo Congresso Nacional.
Aprovação do orçamento do SUS.

Saiba mais
Leia o artigo 6 e 7 da Emenda Constitucional nº29 de 13 de setembro de 2000
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc29.htm> que altera o
artigo 198 da Constituição Federal e acrescenta artigo ao Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias, para assegurar os recursos mínimos para o financiamento
das ações e serviços públicos de saúde.
Pacto de Gestão
O Pacto de Gestão trata das diretrizes para a gestão nos seguintes aspectos:
Descentralização
Regionalização
Financiamento
Regulação
Programação Pactuada e Integrada – PPI
Planejamento
Participação Social
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc29.htm
Gestão do Trabalho
Educação na Saúde
Discutimos na aula anterior sobre várias destas palavras, releia no conteúdo online da aula
anterior sobre este assunto.
Gestão do Trabalho e Educação na Saúde
Na área da Educação na Saúde, promoção de mudanças na formação dos profissionais da
saúde, com vistas à integralidade e ao desenvolvimento da humanização da atenção em
saúde. Na área do Trabalho em Saúde vem promovendo um conjunto de ações, tais como
a implementação das Diretrizes para o Plano de Carreira, Cargos e Salários do SUS; a
desprecarização dos vínculos de trabalho no sistema de saúde.
Financiamento do SUS
As ações e serviços de Saúde, implementados pelos estados, municípios e Distrito Federal
são financiados com recursos próprios da União, estados e municípios e de outras fontes
suplementares de financiamento, todos devidamente contemplados no orçamento da
seguridade social. Cada esfera governamental deve assegurar o aporte regular de recursos
ao respectivo fundo de saúde de acordo com a Emenda Constitucional nº 29, de 2000.
Regulação da atenção à saúde
A regulação da atenção à saúde tem por objeto atuar sobre a produção das ações diretas e
finais de atenção à saúde. Em relação às premissas da descentralização devemos nos atentar a:
01
Descentralização administrativa relativo à gestão para as Comissões Intergestores Bipartite.
02
Comissão Intergestores Tripartite e o Ministério da Saúde que promoverão e apoiarão processo
de qualificação permanente para as Comissões Intergestores Bipartite.
03
Instrumentos de planejamento que são o Plano Diretor de Regionalização – PDR, o Plano Diretor
de Investimento (PDI) e a Programação Pactuada e Integrada da Atenção em Saúde (PPI).
04
Garantia de acesso, resolutividade e qualidade às ações e serviços de saúde.
05
Busca da redução das desigualdades sociais

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