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Psicologia da Aprendizagem

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Psicologia da Aprendizagem
Carolina Loureiro
1º ano / 2º semestre
Aprender:
A aprendizagem é a alteração do comportamento de um organismo que resulta de uma interação com o meio que se traduz por um aumento do seu repertório (Dorot e Parot).
Existem aprendizagens, alterações do comportamento/repertório do indivíduo, que não estão relacionadas com a aprendizagem, mas sim por fatores como a maturação e o envelhecimento (ex. modificação do estado do organismo por fadiga, fome ou uso de substâncias exteriores).
A definição do processo de aprendizagem varia de acordo com teorias e linguagem usadas, tendo havido diversas teorizações na história da psicologia da aprendizagem sobre o constructo e o processo. Não há uma definição universal.
A maioria das pessoas associa automaticamente a noção de aprendizagem à aquisição de uma nova conduta ou resposta. Contudo, aprender não é apenas adquirir, é também, por exemplo, abandonar condutas consideradas impróprias ou desajustadas.
· A aprendizagem não se reduz a conhecimentos factuais, isto é, todos os comportamentos dependem de aprendizagem;
· A aprendizagem não é sempre correta, ou seja, é possível adquirir conhecimentos incorretos;
· A aprendizagem não é necessariamente intencional e deliberada;
· A aprendizagem não é diretamente observável. Só se pode concluir algo sobre o que foi aprendido a partir do desempenho dos indivíduos numa dada situação.
Para que as mudanças possam ser consideradas aprendizagens:
· Têm de ser estáveis;
· Terão de afetar o comportamento ou os processos mentais, uma vez que nem sempre o que aprendemos é observável.
Definições mais comuns:
“Um processo experiencial resultante numa mudança relativamente permanente no comportamento que não pode ser explicada por estados temporários, maturação ou tendências de resposta inatas” (Klein, 1996).
A aprendizagem é uma mudança duradoura no comportamento, ou na capacidade de se comportar de certa forma, que resulta da prática ou de outras formas de experiência (Schunk, 2014).
Aspetos comuns:
· A aprendizagem é uma mudança;
· Esta mudança é relativamente permanente ou prolongada;
· É uma mudança na probabilidade de exibir um certo comportamento;
· Resulta da experiência anterior (prática, observação, etc.).
O que é aprender?
A aprendizagem é contínua/inerente ao simples facto de estar vivo.
Podemos aprender diversas coisas, como:
· Adquirir associações de estímulos a estímulos (ex. associar a presença da mãe a alimento);
· Adquirir associações de acontecimentos (ex. quando o céu está cheio de nuvens, vai chover);
· Adquirir associações de certos comportamentos a certos estímulos (ex. se comer muito chocolate fico com dores de barriga);
· Adquirir associações de estímulos a respostas (ex. associar a escola a alegria ou a medo).
Para além das aprendizagens cognitivas e motoras, há aprendizagens sociais e emocionais (ex. relacionar-se com os outros).
Respostas emocionais a estímulos (exemplos):
· Medo de elevadores porque uma vez fiquei fechado;
· Medo de barulhos porque uma vez vi mortos numa explosão.
Exemplos de aprendizagem de respostas emocionais:
· Miúdo que leva vacinas num consultório médico: pode ter medo das batas brancas, mas também ter a mesma resposta perante tudo o que se associe a médicos;
· Associo náuseas ao sabor do iced tea porque uma vez bebi iced tea quando estava com gastroenterite: base das fobias.
A aprendizagem declarativa (explícita) é a recordação de factos, episódios, informações. Pode ser posta em palavras.
A aprendizagem não declarativa (implícita) são recordações não-verbais, como associações (a mãe pega no casaco e a criança associa isso a sair de casa), hábitos e capacidades.
A aprendizagem processual é um tipo de aprendizagem não declarativa, onde estão incluídos hábitos e capacidades (ex. atar os atacadores).
A aprendizagem pode acontecer com acesso à consciência- conhecimento explícito mediado pela linguagem e atenção intencional. No entanto, esta também pode acontecer sem acesso à consciência- conhecimento implícito ou processual.
Desenvolvimento e aprendizagem:
O desenvolvimento de determinadas estruturas possibilita a aprendizagem. A aprendizagem dinamiza o desenvolvimento, proporcionando-lhe mais amplitude.
Existem períodos críticos para o desenvolvimento da linguagem, funções sensoriomotoras, visão, audição, etc. Estas fases sensíveis correspondem a alturas do desenvolvimento em que a experiência tem um efeito particularmente forte ou duradouro na formação dos circuitos do cérebro. Nestas fases é importante receber a experiência certa para o desenvolvimento dos comportamentos que dependem desses circuitos.
O cérebro usa a experiência sensorial para moldar as estruturas neuronais. Por exemplo, as áreas especializadas na compreensão da linguagem ficam com ligações diferentes consoante o idioma que ouvem.
Aprender envolve adquirir e/ou modificar o conhecimento, competências, estratégias, crenças, hábitos, atitudes, comportamentos, etc.
A aprendizagem envolve mudança, ou seja, adquiro possibilidade de fazer as coisas de um modo diferente, mesmo que não o faça. Dura no tempo, há mudanças temporárias (p. ex. estar sobre o efeito de álcool) que não são aprendizagem, uma vez que mudanças de poucos segundos não se consideram aprendizagem. Resulta da experiência, tendo essa vindo de práticas diretas ou de observação.
A aprendizagem humana, comparada à aprendizagem animal, é mais complexa, elaborada e, em geral, envolve a linguagem.
A aprendizagem é inferencial: nós não observamos diretamente o processo, mas sim os seus resultados e produtos.
Podemos aprender através de associação de respostas a estímulos, mas também podemos aprender a não associar estímulos.
Aprendizagem e memória:
A aprendizagem e a memória estão profundamente ligadas nos campos de estudos distintos da Psicologia. 
O estudo da memória envolve a aquisição de dados percetivos ou verbais em situações experimentais.
O estudo da aprendizagem procura das leis gerais da aprendizagem, muitas vezes com estudos em laboratório com animais. Há leis gerais que se aplicam a várias espécies, situações ou tipos de comportamento. Essas leis permitem delinear técnicas para treinar o comportamento desejado ou modificar o indesejado.
Habituação:
A habituação é a forma mais simples de aprendizagem, onde comparamos o estímulo que percebemos com o que temos em memória e, se for familiar, decidimos que não tem importância (ex. ouvimos um ranger da porta e não ligamos porque é habitual. Se ouvirmos um ruído não usual, levantamo-nos para ver o que é).
Após algum tempo de pausa, o estímulo pode voltar a desencadear reação mas, neste caso, a habituação dá-se mais rapidamente.
O fenómeno de habituação tem como função estreitar a gama de estímulos a que devemos dar atenção: ignoramos os estímulos familiares e podemos dar atenção aos que podem criar alarme.
No entanto, o processo de habituação não é para sempre, após um tempo prolongado sem esse mesmo estímulo dá-se a desabituação. No entanto, se esse estímulo voltar, o processo de habituação dá-se mais rapidamente do que se deu da primeira vez.
Sendo assim, o processo de habituação não é duradouro e pode, efetivamente, deixar de existir completamente. Assim, dá-se a extinção, uma forma de deixar de associar um determinado estímulo a uma resposta.
Quando se deixa de ter um determinado estímulo, também a resposta ao mesmo deixa de existir. É o deixar de responder a um estímulo ao qual já não tem tanta importância porque este já deixou de existir.
Aprendemos respostas face a cada estímulo ou a classe de estímulos?
Os estímulos que desencadeiam uma resposta são, em geral, generalizados. Respondemos da mesma forma a uma gama de estímulos semelhantes (ex. responder a cães de categorias diferentes).
A linguagem tem um papel importante na generalização, embora as características sirvam para discriminar estímulos semelhantes entre si. A generalização permite, por um lado, responder da mesma forma a uma gama de estímulos semelhantes, mas por outro, há o fenómeno que é a discriminação