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1 UCM MODULO DE TECNICA DE EXPRESSAO EM LINGUA PORTUGUESA

Manual do curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa (módulo Técnicas de Expressão) que descreve objetivos, estrutura, ícones, tarefas e avaliação; traz unidades sobre textos informativos, técnicas de estudo e exercício de leitura, com sumários e exercícios.

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Alex Jose

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UNIVERSIDADE CATÓLICA DE 
MOÇAMBIQUE 
Centro de Ensino a Distância 
 
Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 
 
 
Técnicas de Expressão em Língua Portuguesa 
 
Código: A0001 
 
Módulo único 
24 Unidades
 
 
Elaborado Por: Geraldo Ferando Vunguire 
Colaborador do Curso de Licenciatura em ensino do Português do Centro de 
Ensino à Distância (CED) da Universidade Católica de Moçambique e docente 
da Faculdade de Ciencias da mesma Universidade, sita em Sofala – Beira 
Revisado por: José Bartolomeu J. Marra 
Mestrando em Ciência da Educação/ Supervisão Pedagógica na Educação em 
Línguas Estrangeiras, pela Universidade do Minho – Portugal. 
 
Direitos de autor (copyright) 
 
Este manual é propriedade da Universidade Católica de Moçambique, Centro de Ensino `a Distância 
(CED), e contêm reservados todos os direitos. É proibida a duplicação ou reprodução deste manual, no 
seu todo ou em partes, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (electrónicos, mecânico, 
gravação, fotocópia ou outros), sem permissão expressa da entidade editora (Universidade Católica de 
Moçambique - Centro de Ensino `a Distância). O não cumprimento desta advertência é passível a 
processos judiciais 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Universidade Católica de Moçambique 
Centro de Ensino `a Distância-CED 
Rua Correia de Brito No 613-Ponta-Gêa 
Moçambique-Beira 
Telefone: 23 32 64 05 
Cel: 82 50 18 44 0 
Fax:23 32 64 06 
E-mail: ced@ucm.ac.mz 
Website: www.ucm.ac.mz 
 
 
 
 
 
Agradecimentos 
A Universidade Católica de Moçambique-Centro de Ensino à Distância e o autor do presente manual, 
agradecem a colaboração dos seguintes indivíduos e instituições na eleboração deste manual. 
 
Pela contribuição do conteúdo. dr. Baptista Franze e ao dr. Brain Tachiua, pelo 
apoio moral e material. 
dr. Armando Artur, dr. Baptista Franze e ao dr. 
Geraldo Fernando Vunguire, pela força 
encorajadora, apoio moral e material para a 
elaboração deste manual. 
 
Pela revisão linguística dr.Armamdo Artur (Coordenador do Curso na 
UCM- CED); 
 
 
 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa i 
 
Índice 
Visão geral 1 
Benvindo ao Módulo de Técnica de Expressão ................................................................ 1 
Objectivos do Módulo ...................................................................................................... 1 
Quem deveria estudar este módulo ................................................................................... 1 
Como está estruturado este módulo .................................................................................. 2 
Ícones de actividade .......................................................................................................... 2 
Acerca dos ícones .......................................................................................... 3 
Habilidades de estudo ....................................................................................................... 3 
Precisa de apoio? .............................................................................................................. 3 
Tarefas(avaliação e auto-avaliação) .................................................................................. 3 
Avaliação .......................................................................................................................... 4 
Unidade 1. Textos Informativos 5 
Introdução ................................................................................................................ 5 
TEXTO INFORMATIVO ............................................................................. 5 
A NOTÍCIA (O Discurso de Imprensa) ......................................................... 6 
Características ................................................................................................ 7 
A sintaxe da notícia (GUERRA e VIEIRA:71-72:2003) ............................... 7 
Sumário ............................................................................................................................. 9 
Exercícios .......................................................................................................................... 9 
Unidade 2. Técnicas de Estudo 12 
Introdução .............................................................................................................. 12 
Sumário ........................................................................................................................... 15 
Exercícios ........................................................................................................................ 15 
Unidade 3. O Exercício de Leitura 16 
Introdução .............................................................................................................. 16 
Sumário ........................................................................................................................... 19 
Exercícios ........................................................................................................................ 19 
Unidade 4. Como Fazer Anotações? 20 
Introdução .............................................................................................................. 20 
Sumário ........................................................................................................................... 22 
Exercícios ........................................................................................................................ 22 
Unidade 5. Elaboração de Resumo 23 
Introdução .............................................................................................................. 23 
ii Índice 
 
 Eliminar as repetições, as interjeições; 24 
 Suprimir pormenores, exemplos isolados, citações, mas sem cair na generalização esquemática;24 
Sumário ........................................................................................................................... 24 
Exercícios ........................................................................................................................ 25 
Unidade 6. Elaboracão da Síntese 26 
Introdução .............................................................................................................. 26 
Percurso de elaboração ................................................................................ 26 
Sumário ........................................................................................................................... 27 
Exercícios ........................................................................................................................ 28 
Unidade 7. A Ortografia 29 
Introdução .............................................................................................................. 29 
Sumário ........................................................................................................................... 34 
Exercícios ........................................................................................................................ 34 
Unidade 8. A Pontuacao 36 
Introdução .............................................................................................................. 36 
Sumário ........................................................................................................................... 44 
Exercícios ........................................................................................................................ 44 
Unidade 9. Classes de Palavras 45 
Introdução .............................................................................................................. 45 
Sumário ........................................................................................................................... 46 
Exercícios ........................................................................................................................ 46Unidade 10. A Frase 48 
Introdução .............................................................................................................. 48 
Sumário ........................................................................................................................... 51 
Exercícios ........................................................................................................................ 51 
Unidade 11. A Frase Simples e Complexas 52 
Introdução .............................................................................................................. 52 
Sumário ........................................................................................................................... 54 
Exercícios ........................................................................................................................ 54 
Unidade 12. Estudo do Verbo 56 
Introdução .............................................................................................................. 56 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa iii 
 
Sumário ........................................................................................................................... 58 
Exercícios ........................................................................................................................ 58 
Unidade 13. Conjugação Pronominal 59 
Introdução .............................................................................................................. 59 
Sumário ........................................................................................................................... 61 
Exercícios ........................................................................................................................ 61 
Unidade 14. O Discurso directo e Indirecto 62 
Introdução .............................................................................................................. 62 
Sumário ........................................................................................................................... 64 
Exercícios ........................................................................................................................ 64 
Unidade 15. A Ficha Bibliográfica 65 
Introdução .............................................................................................................. 65 
Sumário ........................................................................................................................... 66 
Exercícios ........................................................................................................................ 66 
Unidade 16. A Ficha de Leitura 67 
Introdução .............................................................................................................. 67 
Sumário ........................................................................................................................... 70 
Exercícios ........................................................................................................................ 70 
Unidade 17. O Sumário 71 
Introdução .............................................................................................................. 71 
Sumário ........................................................................................................................... 74 
Exercícios ........................................................................................................................ 74 
Unidade 18. Textos Administrativos 75 
Introdução .............................................................................................................. 75 
Sumário ........................................................................................................................... 76 
Exercícios ........................................................................................................................ 76 
Unidade 19. Formas de Tratamento 77 
Introdução .............................................................................................................. 77 
Sumário ........................................................................................................................... 78 
Exercícios ........................................................................................................................ 79 
Unidade 20. A Carta 80 
Introdução .............................................................................................................. 80 
iv Índice 
 
Sumário ........................................................................................................................... 83 
Exercícios ........................................................................................................................ 83 
Unidade 21. A convocatória 84 
Introdução .............................................................................................................. 84 
Sumário ........................................................................................................................... 86 
Exercícios ........................................................................................................................ 86 
Unidade 22. A Acta 87 
Introdução .............................................................................................................. 87 
Sumário ........................................................................................................................... 89 
Exercícios ........................................................................................................................ 90 
Unidade 23. Texto Expositivo-Explicativo 91 
Introdução .............................................................................................................. 91 
Sumário ........................................................................................................................... 94 
Exercícios ........................................................................................................................ 95 
Unidade 24. Texto Expositivo-Argumentativo 96 
Introdução .............................................................................................................. 96 
Estrutura do Texto Argumentativo 97 
Sumário ......................................................................................................................... 100 
Exercícios ...................................................................................................................... 100 
Unidade 25. O Relatório 101 
Introdução ............................................................................................................ 101 
Sumário ......................................................................................................................... 103 
Exercícios ...................................................................................................................... 103 
 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 1 
 
Visão geral 
Benvindo ao Módulo de Técnica de Expressão 
A Competência na comunicação e expressão é uma das habilidades 
indispensáveis, quer na comunidade em geral, quer no processo de 
docência. Assim, por meio deste manual pretendemos que o futuro 
professor ou formador seja capaz de exprimir-se correctamente e de 
produzir documentos de carácter pedagógico com uma boa 
expressividade e correcção linguísticas. 
 
Objectivos do Módulo 
Ao terminar o estudo do módulo de Técnica de Expressão, o formando 
será capaz de: 
 
 
Objectivos 
 Produzir correctamente textos de carácter didáctico pedagógicos; 
 Compreender o uso das diferentes regras gramaticais; 
 Aplicar eficazmente as diferentes formas de tomada de nota ou de 
estudo. 
 Reconhecer as estratégias discursivas que norteiam a produção e 
organização de textos. 
 Usar correctamenteas regras de pesquisa e elaboração de trabalhos 
científicos. 
 
 
Quem deveria estudar este módulo 
Este Módulo foi concebido para todos os estudantes dos Cursos de 
Licenciatura no Centro de Ensino à Distância (CED) e também para o 
Público que o considere interessante. 
2 
 
Como está estruturado este módulo 
Todos os módulos dos cursos produzidos pelo Centro de Ensino à 
Distância (CED) encontram-se estruturados da seguinte maneira: 
Páginas introdutórias 
 Um índice completo. 
 Uma visão geral detalhada do curso / módulo, resumindo os 
aspectos-chave necessários para completar o estudo. Recomendamos 
vivamente que leia esta secção com atenção antes de começar o seu 
estudo. 
Conteúdo do curso / módulo 
O curso está estruturado em unidades. Cada unidade incluirá uma 
introdução, objectivos da unidade, conteúdo da unidade incluindo um 
sumário da unidade e uma ou mais actividades para auto-avaliação. 
Outros recursos 
Para quem esteja interessado em aprender mais, apresentamos uma lista 
de recursos adicionais para você explorar. Estes recursos podem incluir 
livros, artigos ou sites na internet. 
Tarefas de avaliação e/ou Auto-avaliação 
Tarefas de avaliação para este módulo encontram-se no final de cada 
unidade. Sempre que necessário, dão-se folhas individuais para 
desenvolver as tarefas, assim como instruções para as completar. Estes 
elementos encontram-se no final do módulo. 
Comentários e sugestões 
Esta é a sua oportunidade para nos dar sugestões e fazer comentários 
sobre a estrutura e o conteúdo do curso / módulo. Os seus comentários 
serão úteis para nos ajudar a [e] avaliar e melhorar este curso / módulo. 
Ícones de actividade 
Ao longo deste manual irá encontrar uma série de ícones nas margens 
das folhas. Estes icones servem para identificar diferentes partes do 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 3 
 
processo de aprendizagem. Podem indicar uma parcela específica de 
texto, uma nova actividade ou tarefa, uma mudança de actividade, etc. 
Acerca dos ícones 
Pode ver o conjunto completo de ícones deste manual já a seguir, cada 
um com uma descrição do seu significado e da forma como nós 
interpretámos esse significado para representar as várias actividades ao 
longo deste curso / módulo. 
Ao longo do módulo encontrarás uma série de imagens que sitntetizam as 
teorias apresentadas. Estes ícones foram retirados de obras consultadas 
ou então criadas para facilitar o processo de compreensão dos conteúdos 
patentes no módulo. 
Habilidades de estudo 
Caro formando, o ensino à distância requer de ti um grande interesse pelo 
estudo, porque és um “Auto didacta”. Neste sentido terás de criar um 
horário de estudo que te dá a possibilidade de estudar o módulo pelo 
menos quarto horas por semana. 
No fim de cada unidade será necessário que se elabore uma síntese das 
teorias lidas para a compreensão dos conteúdos. 
 
 
Precisa de apoio? 
 A base do estudo é este módulo, mas podes completar as tuas 
investigações na biblioteca do Centro de Ensino à Diatância ou até com 
os materiais que poderás encontrar noutras bibliotecas. 
Tarefas (avaliação e auto-avaliação) 
As Tarefas de exercícios estão em função dos objectivos, fichas 
informativas, recursos existentes e de todo um leque de condições 
concretas. Os trabalhos serão entregues obedecendo aos critérios 
estabelecidos pelo CED 
 
4 
 
Avaliação 
A avaliação da cadeira será controlada da seguinte maneira: 
 Três (3) Trabalhos realizados pelos estudantes, sendo divididos 
em três sessões presenciais de acordo com a programação do 
Centro. 
 Dois (2) Testes escritos em presença e um exame no fim do ano. 
 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 5 
 
Unidade 1. Textos Informativos 
Introdução 
Nesta primeira unidade, falaremos dos textos informativos porque estes 
constituem a base da nossa comunicação no quotidiano. Estes são 
encontrados em situações escolares procurando transmitir conhecimentos 
ou saberes. 
Focalizamos nela, textos didácticos e jornalísticos como, por exemplo, a 
notícia. Assim será indispensável mencionar as características e as 
estratégias da sua elaboração. 
Ao completar esta unidade / lição, serás capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 
 Distinguir os textos informativos de outros; 
 Identificar as partes estruturais correspondentes a estes textos; 
 Redigir uma notícia tendo em conta a estrutura a que deve 
obedecer. 
 
TEXTO INFORMATIVO 
É um tipo de texto presente em situação escolar em que a intenção 
comunicativa veicula conhecimentos da realidade da qual oferece um 
saber. Ele (texto informativo), transmite dados organizados e 
hierarquizados sem, contudo, procurar persuadir ou explicar. O seu 
objectivo é, portanto, comunicar de forma clara e pormenorizada, em 
poucas linhas, a um leitor determinado, o que deve saber de um facto, de 
um assunto ou de um problema. Este tipo de texto possui três 
características importantes a saber, a clareza, a correcção e a concisão. 
Neste tipo de texto usa-se, essencialmente, a 3ª pessoa. A 3ª pessoa 
«indica uma realização discursiva situada fora da correlação de pessoa 
existente no par eu/tu, remetendo para uma situação “objectiva”. Assim, 
esse tipo de discurso é indiciado pelos pronomes de terceira pessoa (ele, 
ele, eles, elas) e respectivos deíticos (o, isso, isto, aquilo, lá, então, 
etc.) reenviando à objectividade, própria dos elementos referenciais 
colocados fora da elocução. A linguagem cumpre, assim, a sua função 
informativa ou referencial, centrando-se em dados concretos, que se 
concretizam nos referentes situacionais. 
A terceira pessoa, está por conseguinte, presente no discurso de 
imprensa, no discurso pedagógico, no discurso ensaístico, onde a 
finalidade da mensagem é transmitir informações de conteúdo objectivo. 
(GUERRA, J.A.F.; VIEIRA, J.A.S.:69). 
6 
 
A NOTÍCIA (O Discurso de Imprensa) 
O jornal, por exemplo, é um meio de comunicação de massa. Destinado a 
qualquer leitor, o discurso de imprensa apresenta características próprias. 
Este tipo de discurso engloba a notícia e artigos de natureza diversa, em 
suma, textos de carácter informativo. 
A imprensa escrita ou oral, que tem por função transmitir as notícias, 
informar, dar conhecimento ao público dos acontecimentos de última hora, 
constitui um largo campo de utilização do discurso de terceira pessoa. 
A não-pessoa, isenta de marca de subjectividade, é a forma pronominal 
mais adequada para as instâncias discursivas que utilizam a linguagem 
em situações descritivas ou verificativas, onde a objectividade é 
necessária. O jornalista, como entidade responsável pela informação, 
preocupa-se com o relato factual, tendo como objectivo fornecer dados 
concretos que reenviam a determinados referentes. A notícia submete-se, 
consequentemente, a normas estipuladas que pretendem veicular os 
conteúdos informativos em moldes documentais. 
A lei das cinco W [...], indica as questões essenciais a que o lead 
(cabeçalho da notícia, imediatamente a seguir ao título, em caracteres 
negros, que resumem em breves linhas o acontecimento) se vincula; ele 
deve responder a cinco questões fundamentais iniciadas em inglês por W: 
What?, When?, Who?, Where?, Why? (O quê? Quando? Quem? Onde? 
Porquê?). O referente é tratado em termos precisos (What, Who), 
dimensionado no espaço e no tempo (Where, When) e nas suas relações 
de causalidade (Why). No corpo da notícia serão desenvolvidos estes 
aspectos, tendo em atenção a realidade dos acontecimentos. 
É, portanto, a função referencial a que predomina na notícia, não se 
excluíndo, por vezes, a função emotiva da linguagem, quando transparece 
a presença do emissor, através da valoração pessoal que ele pode 
conferir ao enunciado, ou de sentimentos de adesão ou de recusa que 
conduzem à emoção por parte do público e não propriamente à 
informação. 
A função conotativatambém pode estar presente, se a interpretarmos 
como faceta genérica que possui a linguagem para chamar a atenção do 
leitor: Um título pode ser muito ou pouco sensacional, pelo facto de se 
integrar numa notícia de pequena actualidade ou num editorial; do mesmo 
modo, os próprios acontecimentos, com reflexo a nível nacional ou 
internacional, podem ocupar na imprensa lugares proeminentes que 
despertam e sugestionam a opinião pública, pela forma como são 
apresentados graficamente e por todo o discurso com forte tendência 
apelativa. (GUERRA e VIEIRA:71:2003) 
Em suma, a notícia é um texto essencialmente informativo de um 
acontecimento actual. A sua elaboração obedece a regras fixas. O 1º 
parágrafo, o lead, deve ser a resposta às perguntas: 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 7 
 
 Quem? 
 O quê? 
 Quando? 
 Onde? 
 Porquê? 
No corpo da notícia serão desenvolvidos estes aspectos, tendo em 
atenção a realidade dos acontecimentos. 
Características 
 Objectividade - redacção na 3ª pessoa (a não pessoa): expõe-se 
de modo imparcial e com a maior fidelidade, a realidade ou os 
seus fundamentos; 
 Brevidades – usam-se apenas as palavras necessárias à 
expressão do pensamento; 
 Função informativa ou referencial da linguagem. 
 
A sintaxe da notícia (GUERRA e VIEIRA:71-72:2003) 
Uma das leis fundamentais do jornalismo de hoje: na notícia o mais 
importante escreve-se logo no princípio. 
Uma norma como esta aconselha o aperfeiçoamento de um estilo inverso 
do novelístico. O autor de uma notícia deve começar pelo desfecho de um 
determinado acontecimento para depois descrever, em pormenor, a forma 
como as coisas se passaram. Uma notícia não tem suspensa: obedece ao 
princípio de competitividade entre os materiais jornalísticos de uma 
determinada publicação, partindo da certeza de que raro é o leitor que 
dedica a sua atenção a todos os textos. Ele escolhe os mais atraentes e 
muitas vezes só lê partes. Por isso o mais importante tem de estar logo no 
princípio. 
Um mesmo crime terá, portanto, descrições absolutamente diferentes no 
romance policial e na notícia. No primeiro caso, o autor tece a intriga, 
descreve as investigações, enumera suspeitos e culmina com a 
descoberta do assassino e respectiva prisão. Na notícia o jornalista terá 
de informar logo nas primeiras linhas que, por exemplo, «a Polícia 
Judiciária prendeu Fulano, acusado de ter assassinado Sicrano». 
Seguem-se as peripécias do caso, com uma outra preocupação: os factos 
ordenam-se por ordem decrescente de importância. 
O autor da notícia deverá abolir todos os pormenores supérfluos – que no 
romance serve até para colocar factores de diversão com o objectivo de 
testar o faro detectivesco do leitor – para respeitar os princípios da 
síntese, simplicidade e clareza. 
A elaboração da notícia ordenando os factos por ordem decrescente de 
importância criou no jornalismo a técnica conhecida sob a designação de 
pirâmide invertida. 
8 
 
Esta técnica, base do estilo noticioso utilizado em jornais de todo o 
mundo, significa a elaboração da notícia em duas fases: A primeira 
denominada lead ou cabeça; e a segunda, o corpo ou o desenvolvimento 
da notícia. 
Suponha o leitor uma pirâmide invertida representada, para maior 
comodidade pelo triângulo isóscele. Divida-a, por exemplo, em oito 
secções. Estas secções representam os parágrafos da notícia. A extensão 
e cada uma delas são directamente proporcionais à importância dos 
dados contidos nos respectivos parágrafos. 
A primeira secção é o lead ou cabeça, portanto o mais importante da 
notícia porque, como já vimos, os dados fundamentais são os que se 
devem divulgar em primeiro lugar. As restantes secções ou parágrafos 
são o corpo da notícia que pormenorizam os factos enunciados no lead. A 
extensão de cada secção diminui da zona superior para a zona inferior da 
figura, significando que os factos estão elaborados por ordem decrescente 
de importância. 
A figura permite ter uma ideia aproximada da 
estrutura resultante da aplicação da técnica 
jornalística da pirâmide invertida para uma 
notícia com oito parágrafos. O sistema da 
pirâmide invertida representa, na prática, a 
elaboração de dois relatos: um primeiro, o lead, 
o mais sintético possível, uma espécie de notícia 
condensada; o segundo, mais desenvolvido, 
enumerando pormenores, como que 
«desenrolando» o que ficou enunciado no 
primeiro parágrafo. 
Concluindo, o texto da notícia apresenta os seguintes aspectos: 
 Expositivo - apresenta ou narra uma exposição tal como ela é; 
deve começar pela visão do conjunto, pela síntese, partindo para 
o pormenor ou análise. 
 Interpretativo - clarifica o alcance e o sentido de certos factos ou 
conceitos. 
 Demonstrativo - tenta provar determinadas afirmações, teses ou 
posições, devendo ser claros os passos que levaram às 
proposições principais, que devem distinguir-se das simples 
opiniões. 
Deve-se evitar os seguintes defeitos: 
 falsear ou exagerar os factos; 
 deformá-los, omitindo pormenores; 
 confundir factos com opiniões; 
 cair em contradições; 
 desenvolver de forma incompleta algum ponto; 
 construir parágrafos longos. 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 9 
 
Sumário 
Em síntese: O texto informativo é todo aquele que procura comunicar, de 
forma clara e pormenorizada ou então em poucas linhas, aos leitores um 
determinado assunto. 
Este tipo de texto apresenta três características importantes a saber, a 
clareza, a correcção e a concisão. 
Exercícios 
Leia atentamente os textos e responda as questões levantadas em torno 
deles. 
TEXTO -1 
Lição sobre a água 
Como substância, a água é incolor, insípida e inodora. Desempenha, 
portanto, um papel invulgar em todos os campos de actividade do mundo. 
Quimicamente, nada se lhe compara. Trata-se de um composto de grande 
estabilidade, notável solvente e poderosa fonte de energia química. 
Quando congelada, portanto na forma sólida, a água se expande ao invés 
de retrair, conforme acontece com a maioria das demais substâncias, e o 
sólido mais leve flutua sobre o líquido mais pesado __ com 
consequências surpreendentes. Ela é capaz de absorver e liberar mais 
calor que todas as demais substâncias comuns. No que diz respeito a 
uma série de propriedades físicas e químicas __ tais como seu ponto de 
congelamento e ebulição__a água é singular, verdadeira excepção à 
regra. E quase todas as propriedades participam dos mecanismos da vida 
humana, quer naturalmente, como no processo digestivo, ou 
artificialmente, como uma máquina a vapor. 
Todas essas peculiaridades da água podem ser explicadas à luz da sua 
estrutura molecular. A combinação de dois átomos de hidrogénio com um 
de oxigénio formando a água (H2O) resulta numa molécula 
espantosamente resistente, sendo necessária uma energia extraordinária 
para cindi-la. De fato, até há uns 180 anos passados acreditava-se que a 
água fosse um elemento indivisível, e não um composto químico. 
(MATTOS e MEGALE:13:1990) 
1. Para possuir palavras com um significado só, toda a 
ciência deve ter um vocabulário próprio com palavras que 
quase nunca são empregues na língua de todo o dia. 
10 
 
a) Procure, no texto, dez palavras que jamais usaria numa 
conversa informal. 
 
2. A seu ver, o que torna a linguagem desse texto objectiva, 
racional, lógica, impessoal, técnica, precisa e verificável 
ou simplesmente científica e informativa? 
3. Mesmo fazendo ciência, o homem nem sempre consegue 
reprimir sua emotividade. 
4. No texto citado, em que expressões o sentimental invade 
o científico? 
Texto I 
 
1. Aponte a estrutura da presente notícia, indicando as respostas do 
lead e o desenvolvimento. 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 11 
 
2. Faça a representação da notícia em causa numa pirâmide 
invertida. 
3. que indica, nesta notícia, a objectividade inerente a textos 
informativos.Usando dos conhecimentosadquiridos sobre textos 
informativos e sobre a notícia, elabore uma notícia sobre um 
acontecimento ou facto que tenha ocorrido no seu local de 
residência, localidade, distrito, cidade, etc. com o máximo de 6 
parágrafos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
12 
 
 
Unidade 2. Técnicas de Estudo 
Introdução 
A unidade aborda essencialmente as técnicas de estudo para os 
estudantes do ensino superior e, no geral, para os estudantes de qualquer 
nível que queiram ver o seu trabalho repleto de sucessos. 
A UCM, em particular a Faculdade de Medicina e o Centro de Ensino à 
Distancia, usam o método PBL, que centraliza o proceso de ensino e 
aprendizagem no aluno e a aplicação do estudante nos estudos constitui 
a base. 
Ao completar esta unidade / lição, serás capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 
 Diferenciar os métodos de estudo no ensino superior dos métodos 
do ensino secundário; 
 Organizar, planear e implementar as tarefas, ou seja, as 
actividades de estudo; 
O método de estudo 
Ao ingressarmos numa instituição temos de prestar atenção a algumas 
mudanças relacionadas aos métodos de estudo. Aqui e em particular 
neste Centro usa-se o método PBL que centraliza o processo de ensino e 
aprendizagem no aluno. Neste método o aluno é o centro da 
aprendizagem e todas as atenções estão viradas para o seu 
desenvolvimento, com tendência a resolução de problemas específicos da 
vida quotidiana. Como veremos nos tópicos que se seguem nesta unidade 
não pretendemos ilustrar a aplicabilidade do método mas sim, o uso de 
determinadas técnicas que contribuirão para o maior rendimento do 
estudante no método. 
A Aprendizagem na faculdade 
Como já dissemos acima, os métodos de aprendizagem na faculdade são 
diferentes dos usados no ensino secundário geral, pois, para além do 
nível de abordagem dos conteúdos que é mais profundo, os estudantes 
devem possuir a seguinte postura (+) pesquisadores, (–) dependentes do 
Docente e de maior autonomia na aprendizagem. 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 13 
 
A título de exemplo de algumas diferenças dos estudantes das duas 
escolas temos, de acordo com Ruiz, (1991:19)1 
“ no curso médio, o estudante leva para casa as tarefas diárias; 
não acontece o mesmo na faculdade. No curso médio os alunos 
andam uniformizados, não podem fumar no recinto escolar e as 
classes são bastante homogéneas; no curso superior nada disso 
acontece”. 
Como se pode notar, a caracterização do ambiente de estudo no ensino 
universitário é diferente do ensino secundário. Assim, o estudante do 
ensino universitário deve ser pontual, responsável e assíduo às aulas. A 
responsabilidade referida parte da programação das actividades diárias. 
O plano de actividades 
No quotidiano notamos constantemente que todo o homem planifica, pois, 
a planificação é guia das suas actividades. Com base nela os homens 
praticam e controlam o cumprimento dos objectivos previamente 
estabelecidos. Assim, tendo o estudante um conjunto de actividades a 
efectuar é pertinente que essas sejam devidamente planificadas para que 
o objectivo de assimilação dos conteúdos seja consumado. 
Segundo Estanqueiro (2002: 13)2 
“ Se compararmos o rendimento de duas pessoas com 
capacidades intelectuais semelhantes, veremos que vai mais 
longe aquele que dedica mais horas ao estudo. Acontece até que 
muitos estudantes de ritimo lento (tipo tartaruga) chegam a ser 
superar colegas rápidos (tipo lebra), só porque começam mais 
cedo e são mais regulares.” 
Da citação pode compreender-se até que ponto vai a responsabilidade do 
estudante na universidade, pois, antes de tudo, o estudante deve ser 
capaz de dispor de tempo para estudar ou mesmo para frequentar todas 
as aulas do curso. Assim, torna-se indispensável que o estudante 
descubra o tempo para o desenvolvimento desta e das outras actividades. 
 
 
 
1 RUIZ, J. Alvaro, Metodologia Científica: Guia para efeciência nos estudos, 
Sao Paulo: ATLAS 1991 
2 EATANQUEIRO, A, Aprender a Estudar, Lisboa: Texto ed. 2001 
14 
 
De acordo com Ruiz, (1991: 22)3 
“ A maneira mais prática de descobrir ou fazer aparecer o tempo 
consiste em tomar uma folha de papel, anotar os diversos dias da 
semana em linha horizontal e os diversos afazeres em linha 
vertical; registar depois, na coluna de cada dia da semana, as 
horas plenas e os diversos espaços” 
 
É evidente que nem sempre acordaremos a hora indicada no nosso 
horário mas o grande esforço do estudante deve cingir-se no cumprimento 
do horário estabelecido. Neste horário devem constar todas as actividades 
inclusive as actividades de estudo individual: preparação para a aula, 
revisão de aula, revisões gerais para as provas e exames e até os tempos 
de lazer. 
Não importa se o tempo de estudo de cada cadeira ou disciplina é pouco 
ou não, porque se usarmos correctamente as técnicas de leitura, revisão, 
fichamento teremos um bom aproveitamento. Nisto, é necessário 
desenvolver técnicas para tornar qualquer tempo produtivo. 
Do ponto de vista de Ruiz, (1991: 22)4 
“ A perseverança no cumprimento do programa é o maior 
problema geralmente, o nosso tempo é pequeno, mas o pior é 
que o pequeno espaço de tempo se converte em nada pela falta 
de perseverança.” 
 O autor acima referido apela-nos para maior perseverança nas 
actividades programadas no horário individual mas, para além da 
perseverança Estanqueiro também cita a necessidade de ocupar as 
 
3 RUIZ, J. Alvaro, Metodologia Científica: Guia para efeciência nos estudos, 
Sao Paulo: ATLAS 1991 
4 RUIZ, J. Alvaro, Metodologia Científica: Guia para efeciência nos estudos, 
Sao Paulo: ATLAS 1991 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 15 
 
melhores horas do dia para o estudo individual. 
(2002:14)5 
“ o estudo é uma actividade ciumenta que exige as melhores horas do 
dia. Quais são? Várias experiências provam que o rendimento 
intelectual da manhã é superior ao da tarde e ao da noite. Ao princípio 
da tarde, ocorre sempre uma quebra de vivacidade mental, fruto de 
uma certa sonolência que ataca a gente e não apenas os que fizeram 
um grande almoço. Quanto a noite, é natural que o cansaço 
acumulado de um dia prejudique o rendimento, apesar de haver 
pessoas que se dão bem a estudar na calma da noite.” 
Pode-se depreender da citação que, cada estudante tem um determinado 
tempo que lhe é rentável nas suas actividades, pois, enquanto uns obtêm 
uma boa atenção mental na assimilação dos conteúdos nas manhãs, 
outros, obtêm o mesmo estado nas tardes ou a meia-noite. Por isso, 
convêm deixarmos bem claro nesta unidade que cada estudante deve ser 
capaz de descobrir o seu tempo mais rentável. Além do tempo as 
condições do ambiente de estudo “calmo, barulhento, no quarto, na praia”, 
estado emocional do estudante entre outros, constituem os principais 
factores a ter em conta na planificação do tempo de estudo. 
 
Sumário 
Em síntese: A adopcção de um ou do outro método de estudo nos estabelecimentos 
educacionais tem como objecto alcançar os objectivos preconizados nos programas. 
Assim, com a adopção do método PBL esperamos que o processo seja eficaz e que o 
aluno sinta que tem todas as feramentas necessárias para o seu progresso. 
A programação, a preseverança e a responsabilidade nas actividades será como sempre 
a base do êxito educacional do estudante. 
Exercícios 
1. Elabore um horário das suas actividades tendo em conta as 
cadeiras que tens, e as exigências do curso. 
2. Indique duas vantagens da programação das actividades. 
3. Porque se afirma que a perseverança é o maior problema? 
 
5 EATANQUEIRO, A, Aprender a Estudar, Lisboa: Texto ed. 2001 
16 
 
Unidade 3. O Exercício de LeituraIntrodução 
No Processo de ensino e aprendizagem é preciso compreender que o 
êxito nos estudos provém da adopcção de técnicas de estudo e de leitura. 
Fazer uma boa leitura significa criar condicões para que a leitura termine 
na compreenssão dos conteúdos. Assim, nesta unidade pretendemos 
apresentar algumas técnicas que te poderão ajudar nos seus estudos. 
Ao completares esta unidade / lição, serás capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 
 Indicar o propósito da Leitura 
 Praticar a leitura de acordo com as etapas. 
 Verificar a compressão dos conteúdos 
Para se alcançar o pleno êxito na sua carreira estudantil não basta 
apenas o facto de participares às aulas e receberes as orientações com 
relação aos objectivos da aprendizagem, mas é também necessário que 
se façam leituras. 
De acordo com Gomes (2002:57)6, O acto de ler consiste em “decifrar 
símbolos de linguagem escrita para lhes conferir a correspondência com 
os sons que representam”. 
Do conceito de leitura acima apresentado é possível notar que toda 
actividade da aprendizagem terá o seu fulcro na leitura por que com base 
nela o estudante será capaz de assimilar conteúdos a partir da atitude de 
clarificar os conteúdos subjectivos. 
Segundo Potts (1989:56)7 
“No sentido genérico, a qualidade de uma leitura é a soma de 
todos os elementos que estão presentes numa peça impressa, 
que influencia o êxito que um grupo de leitores consegue com ela. 
O êxito é medido pela extensão em que o texto é compreendido, 
a velocidade óptima é tida como interessante.” 
Como se afirma na citação, o êxito da leitura é avaliado pelo grau 
da compreensão do texto no processo de ensino e aprendizagem. Se os 
 
6 Gomes A. Didáctica de Ensino da Língua Portuguesa, Vol. II, 2002 
7 In Didáctica de ensino da língua portuguesa. 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 17 
 
estudantes não forem capazes de transmitir o conteúdo patente no texto, 
ou seja, de mostrar que conhecimentos adquiriram ou, ainda, de usar os 
conhecimentos para responder a determinadas necessidades, então, eles 
não entenderam o texto. Porém, a leitura é antecedida por uma selecção 
de obras que normalmente nos é apresentada pelo docente mas se assim 
não suceder siga as instruções que se seguem. 
Como Seleccionar o que ler 
É evidente que ao nos dirigirmos à biblioteca já teremos em mão um tema 
relacionado com uma determinada área da aprendizagem. No entanto, 
será fundamental que conheçamos a organização dos livros de estudo na 
biblioteca e depois que conheçamos a organização dos próprios livros em 
si. Assim, é interessante trazermos a teoria de Estanqueiro (2001:69)8 
que se refere que há três técnicas entre outras possíveis de ajudar a 
conhecer um livro, a descobrir o seu interesse e a tornar mais rentável a 
sua utilização. 
As técnicas destacadas pelo autor são: Percorrer o Índice, ler a Introdução 
e folhear as páginas. Para o autor “pelo índice é possível o essencial da 
matéria tratada. (...) Na Introdução, o autor explica as intenções do livro, 
(...) Folheando o livro pode observar-se a forma como é apresentada a 
matéria.”9 
Na mesma perspectiva de abordagem, Ruiz (1991: 35)10 para além dos 
elementos citados acrescenta que “devemos ver o nome do autor, o seu 
Curriculum, a orelha do livro, a documentação ou as citações ao pé das 
páginas, a bibliografia, assim como verificar a editora, a data, a edição e 
ler rapidamente o prefácio” 
No processo de desenvolvimento da leitura é preciso ter em conta dois 
passos que são considerados fundamentais para que se efectue uma 
leitura efectivamente produtiva. Na primeira leitura procura-se ter um 
conhecimento global do texto e na segunda faz-se uma leitura mais 
aprofundada procurando compreender e assimilar o essencial. 
A primeira etapa da leitura, de acordo com Estanqueiro, pode ser 
designada Ler “por Alto” e a segunda Ler “em Profundidade”. A primeira 
consiste em dar uma passagem de olhos pelo seu conteúdo, procurando 
ter uma visão panorâmica do terreno a explorar ou seja uma visão geral 
do assunto “a Ideia Principal”. Nesta primeira leitura pode-se fazer a 
 
8 ESTANQUEIRO, A, Aprender a Estudar, Lisboa: Texto ed. 2001 
9 ESTANQUEIRO, A, Aprender a Estudar, Lisboa: Texto ed. 2001 
10 RUIZ, J. Alvaro, Metodologia Científica: Guia para efeciência nos estudos, 
Sao Paulo: ATLAS 1991 
18 
 
leitura de alguns parágrafos (os iniciais e os do meio e o último parágrafo). 
As questões tais como: 
“O Que diz o texto? Que pretende transmitir o autor? 
Que explicações são fundamentadas? Os factos e os 
argumentos são esclarecidos? 
Concordo com a opinião do autor? 
Que novidades surgem no texto? 
Encontro informações úteis? Posso aplica-las na pratica? 
Que ligações tem o assunto com aquilo que já sei?” 
É bom notar que um bom leitor não regista passivamente tudo aquilo o 
que lê nos livros, mesmo se os autores lhe merecem toda a confiança. O 
bom leitor tem de manifestar o seu espírito crítico perante todo o conteúdo 
que lê, ele analisa, compreende, interpreta, compara e avalia. Esta prática 
torna-se eficaz a partir do momento em que sabemos sublinhar o 
essencial do texto. 
O acto de sublinhar as ideias-chave do texto desperta a atenção, ajuda a 
captação e facilita as revisões. Assim para sublinhar e fazer anotações a 
margem do texto, o metodólogo Estanqueiro diz que é necessário: 
 “Dar Prioridade as definições, fórmulas, esquemas, termos 
técnicos, e outras palavras ou expressões que sejam a chave da 
ideia principal. 
Destacar uma ou duas frases por parágrafo. 
Sublinhar apenas os livros pessoais” 
Por sua vez, Ruiz reforça que temos de seleccionar apenas as ideias as 
ideias principais e os detalhes importantes; não devemos sublinhar por 
ocasião da primeira linha, reconstruir o parágrafo a partir a partir das 
palavras sublinhadas, ler o parágrafo sublinhado com a continuidade e 
plenitude de sentido de um telegrama; sublinhar com dois traços as 
palavras-chave da ideia principal, e com um único traço os pormenores 
importantes; assinalar com linha vertical, as margens mais significativas e 
finalmente assinalar com um ponto de interrogação as margens dos 
pontos a discordar. 
 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 19 
 
 
Sumário 
Em síntese: A qualidade de uma leitura é a soma de todos os 
elementos que estão presentes nele, que influenciam no êxito que 
um grupo de leitores consegue com ela. O resultado da leitura é 
medido pela extensão em que o texto é compreendido, a 
velocidade óptima é tida como interessante.” 
Exercícios 
“No processo de desenvolvimento da leitura é preciso ter em conta dois 
passos fundamentais para que se efectue uma leitura efectivamente 
produtiva.” 
1. Quais são as etapas a seguir no acto da leitura? 
2. Que questões podem ser colocadas depois de ter feito uma 
leitura? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
20 
 
Unidade 4. Como Fazer Anotações? 
Introdução 
As anotações constituem uma síntese dos conteúdos lidos e todo o 
estudante deverá conhecer e usar correctamente estas regras. Assim, 
nesta unidade apresentamos as diferentes formas de tirar apontamentos e 
as orientações recomendadas para cada método. 
Ao completar esta unidade / lição, serás capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 
 Indicar o propósito da Leitura 
 Praticar a leitura de acordo com as etapas. 
 Verificar a compressão dos conteúdos 
Fazer Anotações 
Um bom leitor para além de sublinhar também faz anotações quer 
seja no papel quer seja no próprio texto de apoio e estas anotações 
principalmente as feitas no texto a prova do seu espírito crítico. Enfim, as 
anotações são reacções ou comentários pessoais e podem expressar-se 
através de formas diversificadas entre elasestão patentes algumas que já 
referimos na abordagem de Ruiz (ponto de interrogação como sinal de 
dúvida), ponto de exclamação como sinal de surpresa ou entusiasmo, 
letras diversas para fazer uma observação simples como por ex: B- bom, 
I- importante ou interessante, N- não R- rever e outros; palavras que 
resumam o núcleo central de um parágrafo; uma nota de referência sobre 
os assuntos defendidos pelo mesmo autor ou por autores diferentes. 
Nota: 
Fazer anotações é enriquecer o livro e elas (as anotações) devem ser 
claras e breves. 
A actividade de tirar apontamento é complexa e constitui um dos 
processos fundamentais para a captação e retenção da matéria, pois, por 
meio dos apontamentos aprendemos melhor e as nossas informações 
ficam guardadas para sempre. 
De acordo com Estanqueiro, os apontamentos podem ser de três 
tipos: Transcrição, esquemas e resumos. 
O primeiro tipo de apontamento “A Transcrição” consiste em 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 21 
 
transcrever e copiar uma informação de forma totalmente igual ao texto 
original. Porém, é importante referir que esse não é o processo mais 
eficaz para estudar um determinado assunto, embora, seja útil, porque 
quanto reflectimos sobre os assuntos lidos. 
Regras: 
De acordo com o mesmo autor11 as regras a serem seguidas nos 
apontamentos de transcrição são: 
 Não copiar longos textos, integralmente. Basta seleccionar as 
partes mais significativas. 
 Pôr entre aspas os textos copiados; 
 Indicar com precisão a fonte, ou seja, registar o nome do autor, o 
título do livro ou a revista; o número da edição, o local da edição, 
o editor, a data e a página. 
Se assim estiverem organizados, os apontamentos poderão servir em 
qualquer momento. 
Esquema 
E uma técnica importante passar a esquema todas as informações tidas 
como ideias chave, durante a leitura. Pois eles (os esquemas) são simples 
enunciados das palavras-chave, em torno dos quais é possível arrumar 
grandes quantidades de conhecimentos. De acordo com Estanqueiro “eles 
também representam uma enorme economia de palavras e oferecem a 
vantagem de destacar e visualizar o essencial do assunto em análise, 
podendo ainda ser facilmente reformulados.” 
Tipos de esquemas: 
Ainda na mesma abordagem, refere-se que existem os seguintes tipos de 
esquema: Índices, quadros, gráficos, desenhos ou mapas e todos estes 
tipos de esquema podem ser encontrados nos manuais. 
De acordo com Ruiz as regras do resumo são: 
 Ser fiel ao texto 
 Apanhar o tema do autor; 
 Ser simples claro e destacar os títulos e subtítulos; 
 Subordinar as ideias aos factos; 
 Manter um sistema uniforme de observação. 
Nota: Os esquemas não são aconselháveis pela insuficiência de 
 
11 Estanqueiro, A, Aprender a Estudar, lisboa: Texto ed. 2001 
22 
 
informações. 
O resumo 
Resumir um texto é tornar o mais breve possível, tornar mais curto, e, isto 
requer capacidades de seleccionar e reformular as ideias essenciais, 
usando frases bem articuladas. 
Assim, a elaboração do resumo segue as seguintes etapas: compreensão 
do texto, identificação das palavras-chave, registar numa folha de 
rascunho os vários tópicos, e finalmente reconstruir o texto, de um modo 
pessoal. 
Contudo, resumir um texto é um processo eficaz para compreender e 
assimilar a matéria. Porém, no capítulo seguinte veremos de forma mais 
pormenorizada as técnicas de elaboração do resumo. 
 
Sumário 
Em síntese: 
A actividade de tirar apontamento constitui um dos processos 
fundamentais para a captação e retenção da matéria, pois, por meio 
dos apontamentos aprendemos melhor e as nossas informações ficam 
guardadas para sempre. Os apontamentos podem ser de três tipos: 
Transcrição, esquemas e resumos 
Exercícios 
1. Indica as diferentes formas de tirar apontamentos. 
2. Diferencie-as. 
 
 
 
 
 
 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 23 
 
Unidade 5. Elaboração de Resumo 
Introdução 
Qualquer estudante do ensino superior deve ser capaz de resumir textos 
de carácter científico ou didáctico, pois, por meio dos resumos os 
resultados adquiridos nos estudos são mais eficazes e mais amplos. 
Nesta unidade veremos as estratégias usadas para a redução de um texto 
– a técnica de resumo - específicamente o método RASERO. 
 
Ao completar esta unidade /lição, serás capaz de: 
 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 
 Detectar o essencial num texto para resumí-lo; 
 Discernir sobre o que é indispensável, o principal, o importante, o 
secundário, o acessório e o inútil; 
 Resumir um texto de qualquer natureza (científico / literário); 
A actividade de resumir um texto, destaca-se pelo facto de tratar – se 
simplesmente de tornar o texto mais curto, contraído, condensado ou de 
abreviá-lo. Porém, não se deve confundir um plano com um resumo, pois, 
este, é correctamente redigido, claro e construído. Deve pôr em realce o 
essencial, sem ser nem uma análise nem um comentário. 
De acordo com Lemitre (1986: 158) O resumo dá uma visão de conjunto 
do conteúdo e acentua a progressão dos pontos principais. Ele respeita a 
linearidade do discurso inicial. Não pode retomar todas as ideias 
expostas, mas não deverá tão-pouco limitar-se a um sobrevoo abstracto 
não conservando senão os conceitos sem explicações. 
Em suma, resumir é apresentar de forma contraída, reduzida ou 
abreviada, as ideias principais de um texto. E para chegarmos a ele, há 
que fazer uma operação mental insubstituível: dispensar o que não é 
significativo. Ao dispensar o que é secundário, valorizará só o que é 
fundamental. Por isso, um resumo bem feito é económico em palavras e 
rico em significado. 
São alguns dos exemplos de resumo: as manchetes, os títulos, as 
legendas. Assim, dar títulos, fazer manchetes ou construir legendas é uma 
actividade que muitas vezes nos ajuda no domínio do significativo num 
24 
 
texto 
Para detectar, referenciar, descobrir, apreender, e apontar as ideias 
de fundo, directrizes, mestras, essenciais ou centrais, é necessário seguir 
o método rasero. 
 Rápida leitura do texto; 
 Atenta leitura do texto 
 Sublinhar as ideias Chave 
 Esquematizar 
 Resumir e 
 Operatividade. 
Nestas actividades a grande dificuldade é de identificar qual é o 
conteúdo mais importante mas é preciso recorrer que as ideias principais 
encontram-se em constelações de ideias. Ver em Ruiz p. 38-39 como se 
pode notar a partir do Plano (esquema) traçado o leitor é capaz de 
produzir o resumo considerando os seguintes aspectos: 
 Eliminar as repetições, as interjeições; 
 Suprimir pormenores, exemplos isolados, citações, mas sem cair 
na generalização esquemática; 
 Manter os valores mais significativos em abordagens que 
apresentam números 
 Distinguir as ideias principais das secundárias; 
 Respeitar a ordem, a estrutura e a proporção do texto, bem como 
as articulações lógicas. 
Defeitos a evitar: 
 A utilização de frases ou expressões inteiras do texto que se quer 
resumir; 
 Acrescentamento de comentários pessoais; 
 A ausência de elos de ligação entre as frases e os parágrafos. 
 
Sumário 
Em síntese: Resumir é apresentar de forma contraída, reduzida ou 
abreviada, as ideias principais de um texto. E para chegarmos a ele, há 
que fazer uma operação mental insubstituível: dispensar o que não é 
significativo. Ao dispensar o que é secundário, valorizará só o que é 
fundamental. Por isso, um resumo bem feito é económico em palavras e 
rico em significado. 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 25 
 
 
Exercícios 
1. “O resumo dá uma visão de conjunto do conteúdo e acentua a 
progressão dos pontos principais. Ele respeita a linearidade do 
discurso inicial.” 
a) Clarifica a ideia expressa na afirmação. 
2. Explicite detalhadamenteo método rasero e resume o texto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
26 
 
Unidade 6. Elaboracão da Síntese 
Introdução 
Para a elaboração de qualquer texto, seja de que natureza for, é 
necessário seguir um determinado percurso de forma a atingir uma 
hiperestrutura textual coerente e coeso. 
Portanto, nesta unidade apresentamos o percurso metodológico que deve 
ser seguido na produção ou elaboração de um resumo. 
Ao completar esta unidade / lição, serás capaz de: 
 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 
 Elaborar texto de qualquer natureza (científico / literário); 
 
Segundo Esteves (2002:82)12, a síntese é “um género de texto elaborado, 
de dimensão reduzida, mas redigida de forma simples, clara e 
consistente”. A elaboração de uma síntese implica um bom domínio das 
técnicas de leitura e de escrita. Deste modo, é possível trabalhar-se vários 
tipos de texto em simultâneo. 
O apelo à escrita sintética do mundo actual é devido a dois aspectos. Por 
um lado, aos vários suportes de informação existentes e por outro às 
exigências do próprio leitor que se interessa por escritos recheados de 
“paginação, cor, abundância de títulos, subtítulos e cabeçalhos, quadros, 
gráficos, resumos e sínteses, estrutura e plano em destaque, frases curtas 
(20 a 30), estilo concreto e vivo, próximo da oralidade, usando a forma 
activa e o infinitivo.”13 
 Percurso de elaboração 
Os passos a seguir para a elaboração de uma síntese assentam na 
compreensão do texto, na elaboração de um plano ou no reagrupamento 
das ideias e na redacção. 
I. Compreensão do texto 
 
12 Esteves Rei, Curso de Redacção II, Porto: Porto Editora, p.82 
13 idem 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 27 
 
Deve-se fazer uma leitura activa, tal como no resumo mas em menor 
profundidade. Implica destacar as palavras-chave, ideias-chave e fazer 
anotações numa folha, usando frases soltas. 
II. Plano ou reagrupamento de Ideias 
Engloba os seguintes pontos: 
1. Apresentação – “Identifica o texto, o tema tratado, o 
nome do autor e eventualmente a tese”; 
2. Ilustração – “expõe os factos respeitantes ao tema; 
noutros casos, história o problema”; 
3. Causas – “diagnostica o estado da questão, indo até 
às suas origens”; 
4. Efeitos – “reúne as consequências”; 
5. Remédios – “indica as soluções apresentadas pelos 
autores para alterar os efeitos ou resolver os 
problemas”; 
Conclusão – “apresenta as considerações finais dos textos.” 
 
Plano ou Reagrupamento das Ideias 
1. Apresentar no estilo indirecto as posições de cada 
autor; 
2. Respeitar o pensamento de cada autor; 
3. Ser conciso, claro e preciso; 
4. Ter atenção à construção frásica. 
 
Aspectos a evitar 
1. Não se deve utilizar frases e expressões inteiras do 
texto; 
2. Não se deve fazer comentários ao texto. 
 
Sumário 
Em síntese: A elaboração de uma síntese implica um bom domínio das 
técnicas de leitura e de escrita. Na produção, há que evitar os seguintes 
aspectos: utilizar frases e expressões inteiras do texto; fazer comentários 
ao texto. 
 
28 
 
Exercícios 
Leia atentamente os textos e faça a sua sintese 
TEXTO -1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 29 
 
Unidade 7. A Ortografia 
Introdução 
A língua portuguesa constitui, para além de elemento de Unidade 
Nacional em Moçambique, um meio de comunicação. Assim, ao futuro 
professor, que usará esta língua como instrumento de ensino, por isso 
torna-se imperativo dominá-la. Portanto, é importante que estejas atento à 
correcção linguística dos enunciados que ouves ou que lês no dia-a-dia. 
O Desenvolvimento da capacidade de expressão escrita só será possível 
com a escrita constante. Escrever bem implica também dominar as 
regras, quer de ortografia quer da pontuação, por isso na unidade 
seguinte falaremos da Pontuação. 
Ao completar esta unidade / lição, serás capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 
 Aprofundar conhecimentos sobre o sistema verbal escrito da 
língua portuguesa; 
 Escrever correctamente um enunciado sem cometer erros 
ortográficos; 
Conceito da ortografia 
A Ortografia é a parte da Gramática que ensina a maneira correcta de 
escrever as palavras. (Pinto; Lopes; Neves: 2001: 4) 
Importância da escrita (extraído da cópia do livro: Saber estudar; s/ 
referência) 
A habilidade de escrever é uma arma eficaz de sucesso, tanto na escola 
como na profissão. 
Na escola, a escrita é uma das formas de expressão mais valorizada na 
avaliação dos estudantes, em quase todas as disciplinas. 
Pela vida fora, as pessoas, mesmo seguindo profissões técnicas, têm de 
escrever cartas, relatórios, actas, exposições, comunicados, projectos, 
etc. A escrita é um instrumento fundamental para informar, demonstrar, 
persuadir ou simplesmente para interessar os outros pelas nossas ideias. 
30 
 
É possível ter sucesso sem saber escrever correctamente. Mas aqueles 
que sabem escrever estão sempre em vantagem. 
(...) 
Na expressão escrita o mais importante é fazer-se entender, mas isto não 
significa que se deve desprezar a ortografia. As palavras têm de ser 
escritas com correcção. 
Os erros ortográficos podem ter como causas a deficiente aprendizagem 
no ensino básico, a falta de tempo e de motivação para a leitura ou ainda 
a desvalorização da escrita em relação a outras formas de expressão. A 
maioria dos erros é um reflexo da oralidade. Espontaneamente, as 
pessoas escrevem as palavras como as pronunciam na linguagem oral. 
Falando mal, pioram na escrita. 
Observemos exemplos dos erros mais frequentes, encontrados nos 
trabalhos dos estudantes. 
Eliminação ou troca de letras 
 
Devido às confusões provocadas pela oralidade, acontece, por vezes, ao 
nível da grafia, a eliminação ou troca de algumas letras. É vulgar: 
__ A eliminação do e ou do i : 
adquado (errado) __adequado 
advinhar (errado ) __ adivinhar 
establecer ( errrado) __ estabelecer 
intlectual ( errado) __ intelectual 
__ A troca de e por i ou i por e: 
defenição (errado) __ definição 
destinção (errado) __ distinção 
indespensável (errado) __ indispensável 
ivitar ( errado ) __ evitar 
menistro (errado) __ ministro 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 31 
 
previlégio (errado) __ privilégio 
__ A troca de o por u ou u por o: 
agrícula (errado ) __ agrícola 
mágua (errado) __ mágoa 
opurtuno (errado) __ oportuno 
suburdinado (errado) __ subordinado 
__A confusão entre os prefixos es e ex: 
esperiência (errado) __ experiência 
espectativa (errado) __ expectativa 
expectáculo (errado) __ espectáculo 
 
__ A confusão entre os prefixos per e pre: 
perconceito (errado) __ preconceito 
pregunta (errado) __ pergunta 
prefeição (errado) __ perfeição 
premissão (errado) __ permissão 
 
Troca de palavras homófonas 
Alguns erros provêm da troca de palavras homófonas, isto é, palavras que 
se pronunciam do mesmo modo. 
Diferentes na escrita e no significado, merecem distinção claras seguintes 
palavras: 
acento (modo de pronúncia) assento (lugar ) 
apreçar (avaliar) apressar (acelerar o passo) 
cem (numeral) sem ( preposição) 
32 
 
conselho (município) conselho(opinião, parecer) 
concerto (sessão musical) conserto (reparação) 
consolar ( aliviar o sofrimento) consular (relativo ac consul) 
coser ( costurar ) cozer ( cozinhar) 
estofar ( cobrir de estofo) estufar ( meter na estufa) 
espiar ( espreitar) expiar ( sofrer um castigo) 
morar ( residir) murar ( pôr muro) 
paço (palácio) passo ( modo de andar) 
peão ( pessoa que anda a pé) pião (brinquedo) 
roído (mordido) ruído ( som) 
ruço ( pardacento) russo ( da Rússia) 
soar ( produzir som) suar (transpirar) 
tacha (prego)taxa (imposto) 
Outras palavras são igualmente difíceis de distinguir ao nível da oralidade, 
mas têm grafia e significados diferentes. Exemplos: 
descrição ( narração) discrição (prudência) 
despensa ( compartimento) dispensa (desobrigação) 
Confusões nos verbos 
Para o escritor Mark Twain, a culpa principal dos erros ortográficos deve 
ser atribuída aos verbos: «o verbo não tem estabilidade nem dignidade 
nem opinião duradoira». Apesar do tom humorístico da frase, é um facto 
que o verbo tem pessoas, tempo modo e vozes. Torna-se muito complexo 
conjugar tudo isso com a devida correcção. 
Por culpa dos verbos ou da ignorância de quem os usa, existem vários 
tipos de confusões: 
__ Confusão entre formas verbais e outras palavras: 
há ( verbo haver) e à (preposição) 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 33 
 
traz (verbo haver) e trás (preposição) 
asso (verbo assar) e aço (metal) 
vazo (verbo vazar) e vaso (recipiente) 
cede ( verbo ceder) e sede (lugar) 
__ Confusão entre verbos diferentes 
vêm (verbo ir) e vêem(verbo ver). 
__ Confusão entre tempos diferentes do mesmo verbo: 
andaram ( pretérito) e andarão (futuro) 
__ Confusão entre conjugações diferentes do mesmo verbo: 
mudasse ( conjugação simples) e muda-se(conjugação pronominal) 
N.b. 
Ler bons autores (em livros e revistas), de forma cuidadosa e com um 
dicionário sempre à mão, permite enriquecer o vocabulário essencial para 
a escrita (cerca de 2.200 palavras em Português, segundo os especialista. 
(...) 
A leitura activa e interessada permite ainda observar como os outros 
comunicam. Escritores e bons jornalistas podem ser para o estudante 
escolas vivas, exemplos a seguir, modelos a imitar. (...) 
(...) Conhecer as regras básicas da gramática é um meio para falar e 
escrever com correcção. 
Na arte da escrita ninguém nasce perfeito. Aprende-se a escrever, 
escrevendo. O segredo fundamental para aprender a escrever é praticar a 
escrita, com exercícios constantes. A qualidade só se consegue depois de 
muita quantidade, feita com intenção de melhorar. Entre várias formas de 
treinar, sugerimos: 
__ tirar apontamentos nas aulas; 
__copiar textos interessantes (pensamentos, poemas...); 
__ resumir leituras de livros, revistas e jornais; 
__ fazer trabalhos escritos, por iniciativa própria; 
34 
 
__ elaborar «escritos pessoais» ( por exemplo escrever um diário onde se 
registem ideias, experiências e sentimentos) 
Praticando a escrita, com treinos sistemáticos (recorrendo a dicionários e 
prontuários sempre que houver dúvidas), é possível escrever sem medo. 
Mais do que isso, é possível escrever com gosto. 
Sumário 
Em síntese: 
 
A correção na escrita é indispensável porque para se fazer entender, é 
necessário que a linguagem usada e a ortografia das palavras sejam 
claras e correctas. 
Contudo, saber escrever é ter a ferramenta necessária para o sucesso no 
contacto em toda sociedade. 
 
Exercícios 
Depois destes parcos subsídios sobre a ortografia, e com de outras 
bibliografias responda as questões que lhe são levantadas. 
 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 35 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
36 
 
Unidade 8. A Pontuação 
Introdução 
Pontuar uma frase escrita corresponde ao estabelecimento das pausas na 
comunicação oral e é apresentar a ideia que se pretente transmitir com 
exactidaão e precisão. 
A má utilização dos sinais de pontuação pode resultar na completa 
ambiguidade comunicativa. Assim, nesta unidade apresentamos os 
diferentes sinais de pontuação e as regras usadas para a sua aplicação 
ou utilização. 
Ao completar esta unidade / lição, serás capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 Aplicar correctamente os diferentes sinais de pontuação; 
 Identificar erros de pontuação em textos produzidos. 
 Enunciar as regras para a utilização dos Sinais de pontuação. 
 
Definição 
Designa-se por pontuação ao sistema de utilização de certos sinais 
gráficos convencionais (NOGUEIRA, 1989:67). Entretanto, FERREIRA e 
FIGUEREDO acrescentam que: “ a pontuação não é só importante para 
exprimirmos com clareza o que pretendemos dizer. É–o também para 
uma boa e expressiva leitura dos textos”. 
Os sinais de pontuação contribuem para dar-nos a entoação de vida à 
leitura e fazer as pausas necessárias. 
 Tipos de pontuação 
Os sinais de pontuação são: ponto final (.), ponto e vírgula (;), vírgula (,), 
ponto de interrogação (?), ponto de exclamação (!) as reticências (…), as 
aspas (« »), vírgulas altas (“ ”) o parêntese ( ), e o travessão (-). Dentre 
vários sinais de pontuação existentes podem ser agrupados em sinais que 
marcam a pausa e os que marcam a melodia (cf. FERREIRA, 
FIGUEREDO e CUNHA e CINTRA). 
 Sinais que marcam a pausa 
Vírgula (,) 
No entender de CUNHA e CINTRA (), os sinais de pontuação que 
marcam a pausa são os que a seguir mencionamos. 
 A vírgula, que marca uma pausa de pequena duração. Emprega-se 
não só para separar elementos de uma oração, mas também em orações 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 37 
 
de um só período. Quando a vírgula se encontra no interior da oração 
serve para: 
a) Separar elementos que exercem a mesma função sintáctica (sujeito 
composto, complementos, adjuntos), quando não vêm unidos pelas 
condições e, ou e nem, 
Ex: A sua frota, a sua boca, o seu sorriso, as suas lágrimas, enchem-
lhe a voz de formas e de cores… 
b) Separar elementos que exercem funções sintácticas diversas, 
geralmente com a finalidade de realçá-los. Em particular, a vírgula é 
usada: 
i) Para isolar o aposto, ou qualquer elemento de valor meramente 
explicativo: 
Ex: Alice, a menina, estava feliz. 
ii) para isolar vocativo: 
Ex: dona Glória, a senhora persiste na ideia de manter o nosso 
Bentinho no seminário? 
iii) para isolar os elementos repetidos: 
Ex: Só minha, minha, minha, eu quero! 
iii) para isolar o adjunto adverbial antecipados: 
ex: Lá fora, a chuvada despenhou-se por fim. 
 
c) Emprega-se ainda vírgula no interior da oração: 
i) Para separar, da datação de um escrito, o nome lugar: 
Ex: Beira, 22 de Setembro de 1983. 
ii) para indicar a supressão de uma palavra (geralmente o verbo) ou de 
um grupo de palavra: 
Ex: no céu azul, dos fiapos de nuvens. 
Observação: 
Quando os adjuntos adverbiam são de pequeno corpo (um advérbio, 
por exemplo), costuma-se dispensar a vírgula. A vírgula é, porém, de 
regra quando se pretende realçá-los. Compara-se estes passos: 
Depois levaram o Ricardo para casa da mãe Avelina. 
38 
 
Depois, o engraçado são as passagens de nível, os aparelhos de 
sinalização, os vagões – cisternas. 
Depois, tudo caiu em silêncio. 
• Entre orações, emprega-se a vírgula: 
i) Para separar as orações coordenada assindéticas 
Ex: subiram ao sótão, desceram a cave, espreitaram no poço. 
ii) para separar as orações coordenas sindéticas, salvo as introduzidas 
pela conjunção e: 
Ex: Ou elas tocavam, ou jogavam os três, ou então lia-se alguma 
coisa. 
iii) para isolar as orações intercalada: 
Ex: «lá vem ele com as raízes», resmungou o Paulino, baixando a 
cabeça, 
iiii) para isolar as orações subordinadas adjectivas explicativa: 
Ex: Loa, que tinha relações sobrenaturais, diagnosticara um espírito. 
iiiii) para separar as orações subordinadas adverbiais, principalmente 
quando antepostas a principal: 
Ex: Se eu o tivesse amado, talvez o odiasse agora. 
iiiiii) para separar as orações reduzidas de infinitivo, de gerúndio e de 
particípio, quando equivalentes a orações adverbiais: 
Ex: a não ser isto, é uma paz regalada. 
Ponto (.) 
O ponto assinala a pausa máxima da voz depois de um grande fónico 
da final descendente. 
Emprega-se, pois, fundamentalmente, para indicar o término de uma 
oração declarativa, seja ela absoluta, seja a derrodeira de um período 
composto: 
Ex: Entardecer no Anjico. Estou parada, sozinha,na frente da casa de 
Estancia olhando para o poente. O sol parece uma grande laranja 
tamporã, cujo sumo escorre pelas faces da tarde. O ar cheira a guaço 
queimado. Um silencia de paina crepuscular envolve todas as coisas. A 
terra parece anestasiada, rara estrelas começam a pontar no firmamento, 
amis advinhada do que propriamente visíveis. Sinto um langor de corpoe 
espírito. De certo é a tardinha que me contagia com sua doce febre. 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 39 
 
i) Quando o período é simples ou composto se encadeiam pelos 
pensamentos que expressam, sucedem-se um aos outros na mesma 
linha. 
Diz-se, neste caso, que estão separados por um ponto simples. 
ii) quando se passa de um grupo a outro grupo de ideias, costuma-se 
marcar a transposição com o maior repouso da voz, o que, na escrita, se 
representa pelo ponto parágrafo. Deixa-se, então, um branco o resto da 
linha em que termina um dado grupo ideológico, e inicia-se o seguinte o 
segunte na linha abaixo com o recuo de algumas letras. 
Assim: 
O Búzio não possuía nada, como uma árvore não possui nada. Vivia 
com a terra toda que era ele próprio. 
A terra era sua mãe e sua mulher, sua casa e sua companhia, sua 
cama, seu alimento, seu destino e sua vida. 
Ao ponto que encerra um enunciado escrito dá-se o nome de ponto 
final. 
Observação 
Além de servir para marcar uma pausa longa, o ponto tem outra 
utilidade. É o sinal que se emprega depois de qualquer palavra escrita 
abreviadamente. 
Assim: V. S.° (vossa senhora), Dr. (Doutor). 
Nota-se que, se a palavra assim reduzida estiver no fim do período, 
este encerra-se com o ponto abreviativo, pois não se coloca outro ponto 
depois dele. 
Ponto e vírgula (;) 
Como nome indica, sete sinal serve de intermediário entre o ponto e a 
vírgula, podendo aproximar-se ora mais daquele, ora mais desta, segundo 
os valores pausais e melódicos que representam no texto. No primeiro 
caso é que vale a uma espécie do ponto reduzido; no segundo, 
assemelha-se a uma vírgula alongada. 
Esta imprecisão do ponto e vírgula faz que o seu emprego dependa 
substancialmente do contexto. Entretanto, podemos estabelecer que em 
primeiro ele é usado: 
i) Para separar num período das orações da mesma natureza que 
tenham uma certa extensão: 
ex: numa tarde de Outono murmuraste; toda a mágoa de Outono que 
40 
 
ele me trouxe… 
ii) para separar os diversos itens de um enunciado enumerativos em 
leis, decretos, portarias, regulamentos etc. Sirva de exemplo os títulos: 
— Respeito a dignidade e as liberdades fundamentais do homem; 
— O fortalecimento da unidade nacional é a solidariedade 
internacional; 
 Sinais que marcam a melodia 
Para além dos sinais que marcam a pausa, existem outros que 
marcam a melodia nomeadamente: dois pontos, ponto de interrogação, 
ponto de exclamação, reticência, aspas e parentes. 
Os dois pontos 
Os dois pontos servem para marcar, na escrita, uma sensível 
suspensão da voz na melodia de uma frase não concluída. Emprega-se, 
pois para enunciar: 
i) Uma citação. 
Ex: Armando voltou para dizer: 
— Não enganei ninguém, camarada. Era bicho. 
ii) uma enumeração explicativa: 
ex: não foi ele, outros seriam: pajens, gente de guerra, vadios de 
estalagens, andenjos das estradas. 
iii) um esclarecimento, uma síntese ou uma consequência do que foi 
enunciado: 
ex: e a facilidade traduz-se por isto: criarem-se hábitos. 
Não era desgosto: era cansaço e vergonha. 
 
Observação 
Depois do vocativo que encabeça cartas, requerimentos, ofícios, etc. 
costuma-se colocar dois pontos, vírgula ou ponto, havendo escritores, que 
nestes casos, dispensam qualquer pontuação. Assim: 
Prezado senhor: prezado senhor. 
Prezado senhor, prezado senhor 
Sendo o vocativo inicial emitido com entoação suspensiva, deve ser 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 41 
 
acompanhado, preferencialmente, de dois pontos ou de vírgula, sinais 
denotadores daquele tipo de inflexão. 
Ponto de interrogação (?) 
O ponto de interrogação é sinal que se usa no fim de qualquer 
interrogação directa, ainda que a pergunta não exija resposta: 
Ex: estará surdo? Estará a tentar irritar-me? 
Nos casos em que a pergunta envolve dúvida, costuma-se fazer seguir 
de reticências o ponto de interrogação. 
— então?... Que foi isto?... A comadre? 
Nas perguntas que denotam surpresa, ou aquelas que não têm 
endereço nem resposta, emprega-se por vezes combinados o ponto de 
interrogação e ponto de exclamação: 
Ex: Ah, é a senhora?! Pois entre, a casa é sua… 
Observação 
O ponto de interrogação nunca se usa no fim de uma indirecta termina 
com uma entoação descendente, exigindo, por isso, um ponto comparem-
se: 
— Quem chegou [= interrogação directa] 
— Diga-me que chegou [= interrogação indirecta] 
Ponto de exclamação (!) 
O ponto de exclamação é o sinal que se supõem a qualquer 
enunciados de entoação exclamativa. Emprega-se, pois, normalmente: 
a) Depois de interjeições ou do termo equivalentes como os vocativos 
intensivos, as apóstrofes: 
Ex: - credo em Deus! Gemeu Raimundo assombrando. 
b) Depois de um imperativo: 
- Agarrem! 
- Gentes, agarrem! Agarrem! Agarrem! 
 
 Outros sinais de pontuação 
Para além dos sinais de pontuação anteriormente mencionados, 
existem outros que servem de auxiliares aos mais importantes sinais 
42 
 
nomeadamente: 
a) As reticências (...): são sinais que marcam uma interrupção da 
frase e, consequentemente, a suspensão da sua melodia. Normalmente, 
empregam-se em casos variados: 
- para indicar que o narrador ou a personagem interrompem uma ideia 
que começou a exprimir, e passa a consideração acessoriais. 
- para marcar suspensões provocadas por hesitação, surpresa, dúvida 
ou timidez, ou para assinalar certas inflexões de natureza emocional de 
quem se fala. 
- para indicar que a ideia que se pretende exprimir não se completa 
com o término gramatical da frase, e que deve ser suprida com a 
imaginação do leitor: 
Não se deve confundir as reticências que têm valor estilístico 
apreciável, com os três pontos que se empregam, como simples sinais 
tipográficos, para indicar que foram suprimidas palavras no início, no 
meio, ou no fim de uma citação. 
b) As aspas (“”): empregam-se principalmente: 
- no início e no fim de uma citação para distinguí-la do resto do 
contexto: 
Ex : Definiu César toda a figura da ambição quando disse aquelas 
palavras: 
“antes o primeiro na aldeia do que o segundo em Roma”. 
- para fazer sobressair termos ou expressões, geralmente não 
peculiares a linguagem normal de quem escreve . 
ex: era melhor que fosse “Luís” 
- para acentuar o valor significativo de uma palavra ou expressão: 
ex: a palavra “nordeste” é hoje uma palavra desfigurada pela 
expressão “ obra de nordeste” que quer dizer: “obras contra as secas”. E 
quase não sugere se não as secas. 
- para realçar ironicamente uma palavra ou uma expressão: 
- Esta o mundo perdido, ate a Judite já tem “Arranjinhos”. 
- para indicar o título de uma obra: 
ex: Belinha acaba de ler “ Elzira, a morta virgem” 
c) Os parênteses: empregam-se os parênteses para intercalar num 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 43 
 
texto qualquer indicações acessoriais: 
- uma explicação dada ou uma circunstância mencionada 
incidentemente: 
Ex: Ela (no café) que se encontra as estalajadeira. 
- uma reflexão, um comentário a margem do que se afirma. 
ex: A mingua guerra, como a dos que tinham perdido (se é que tinha), 
começava agora. 
- uma nota emocional expressa geralmente em forma exclamativa ou 
interrogativa: 
ex: A escola, que era azul e tinha um mestre mau, de assustador 
pigarro… (meu Deus! Que é isto? Que emoção a minha quando estas 
coisas tão singelas narrou?) 
 - usam-se também os parênteses para isolar orações intercaladas 
com verbos declarativos: 
d) O travessão (-): emprega-se principalmenteem dois casos: 
i) Para indicar, nos diálogos, a mudança de interlocutores 
 ex: - Quem é o seu amigo, José? 
 - O Nunes, da rua do ouro… por quê? 
ii) para isolar, num contexto, palavras ou frases. Neste caso em que 
desempenha função analógica à dos parênteses, usa-se geralmente o 
travessão duplo: 
ex: - A igreja – atalhou o bispo – não pode desinteressar-se do 
problema social. 
Não é raro o emprego de um só travessão para destacar, 
enfaticamente, a parte final de enunciado. 
Ex: um povo é mais elevado quando mais se interessa pelas coisas 
inúteis – a filosofia é a arte. 
 
 
 
44 
 
Sumário 
Em síntese: 
Pontuar uma frase escrita corresponde ao estabelecimento das pausas na 
comunicação oral e é apresentar a ideia que se pretente transmitir com 
exactidão e precisão. 
A má utilização dos sinais de pontuação pode resultar na completa 
ambiguidade comunicativa. 
Exercícios 
Sugestão: Propor aos estudantes um texto sem qualquer tipo de sinal de 
pontuação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 45 
 
Unidade 9. Classes de Palavras 
Introdução 
A Língua portuguesa, assim como qualquer outra, possui termos que 
pertencem a diferentes classes. As classes de palavras no português que 
apresentamos são dez. 
Nestes termos, nesta unidade apresentamos estas classes duma forma 
geral pretendendo dar uma visão do que já foi tratado nos anos 
anteriores. 
Ao completar esta unidade / lição, serás capaz de: 
 Identificar as classes das palavras. 
 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
Na Língua Portuguesa, as palavras são classificadas de acordo com o 
papel que exercem dentro da frase. Cada classe tem função específica na 
frase. Assim, qualquer vocábulo em língua portuguesa vai ter de estar 
inserido em uma dessas classes de palavras. 
1. Substantivo - palavra variável, que designa ou dá nome a todos 
os seres existentes - pessoas, objetos, animais, lugares, 
sentimentos, etc. 
2. Adjectivos - palavra variável que atribui características aos 
substantivos. 
3. Artigo - palavra variável que sempre precede o substantivo, 
tendo inclusive o poder de, colocada antes de uma palavra de 
qualquer classe, tranformá-la em substantivo. 
4. Verbo - palavra variável que informa acção, estado, facto ou 
fenómeno. 
5. Advérbio - palavra que, realacionada ao verbo, ao adjectivo ou 
mesmo a outro advérbio, modifica as circunstâncias de modo, 
tempo, instrumento, origem, intensidade, lugar, etc. 
6. Pronome - palavra variável que se refere ao substantivo ou o 
substitui. Ver Pessoas do discurso. 
7. Numeral - palavra que indica a ideia de número, quantidade. 
8. Conjunção - palavra invariável que serve de elo entre as frases e 
orações. 
http://simplesmenteportugues.blogspot.com/2009/02/morfologia-classe-de-palavras-dez.html
46 
 
9. Preposição - palavra invariável que faz a ligação de termos, 
estabelecendo dependência entre eles. Exemplo: Pista de corrida. 
10. Interjeição - palavra ou expressão que exterioriza emoção ou 
sentimento. 
 
Sumário 
Em síntese: 
Na Língua Portuguesa, as palavras são classificadas de acordo com o 
papel que exercem dentro da frase. Cada classe tem função específica na 
frase. Assim, qualquer vocábulo em língua portuguesa vai ter de estar 
inserido em uma dessas classes de palavras. 
Exercícios 
Qual a classe gramatical da palavra destacada na frase abaixo? 
 
A pessoa se casa planeando ser feliz. 
a)( ) artigo 
b)( ) adjetivo 
c)( ) verbo 
d)( ) substantivo 
 
2. Marque a classe gramatical a que pertence a palavra destacada na 
frase abaixo. 
 
Eles compraram uma bela casa aqui no bairro. 
a)( ) artigo 
b)( ) adjetivo 
c)( ) verbo 
d)( ) substantivo 
 
3. Complete com o que se pede: 
 
a) Vou comprar ____ carro novo. (artigo indefinido no singular) 
 
b) Vou comprar ____ carro novo. (artigo definido no singular) 
 
c) Buscarei _____ frutas para fazer vitamina. (artigo indefinido no plural) 
 
d) Vi quando ____ pessoa passou por aqui e ela estava feliz. (artigo 
definido no singular) 
 
e) Comprarei ____ fruta para dar à criança. (artigo definido no 
http://simplesmenteportugues.blogspot.com/2009/02/morfologia-classe-de-palavras-dez.html
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 47 
 
singular)···4. - Carlos Henrique é um menino esperto, estuda muito e 
quando não entende alguma coisa, pergunta e procura formas de 
conseguir aprender. Ele não faz questão de ser o primeiro da turma, mas 
sabe que para ter uma vida melhor, precisa se esforçar. 
 
b) Retire numeral do texto. ________________________ 
 
c) Ache o adjetivo e escreva aqui:____________________ 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://simplesmenteportugues.blogspot.com/2009/02/morfologia-classe-de-palavras-dez.html
48 
 
Unidade 10. A Frase 
Introdução 
Muitos alunos, estudantes universitários e até académicos têm 
demonstrado imensas dificuldades na compreensão da estrutura frásica. 
É importante fixar o seguinte: a estrutura básica do Português é SVO, 
significando: Sujeito, Verbo e Objecto. 
A ideia de estrutura frásica é fundamental, visto ser o elemento 
estruturante da ideia a ser veiculada. Esta frase com sentido ou 
predicação será comandada pelo verbo, que constitui o núcleo da frase. 
 
Ao completar esta unidade / lição, serás capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 
 Distinguir frase dá oração; 
 Apresentar as diferenças entre período e parágrafo 
A Frase 
De acordo com Celso Cunha, a frase é “um enunciado de sentido 
completo, a unidade mínima de comunicação.” 14 
A Frase e Oracão 
A frase pode conter uma ou várias orações. A frase contém mais do que 
uma oração quando tem mais do que um verbo conjugado. Por exemplo: 
“Durante a noite houve uma grande tempestade.” 
“Durante a noite houve uma grande tempestade que provocou 
muitos estragos.” 
 
No primeiro caso estamos perante uma frase constituída por uma oração, 
e no segundo caso por duas orações. Quando a frase é constituída por 
várias orações e cada uma está organizada à volta de um verbo, trata-se 
de uma frase complexa. 
 
14 Celso Cunha, Nova Gramática do Portugês Contemporâneo, p. 119 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 49 
 
Exemplo de uma frase simples: 
 “a educação constitui um factor de desenvolvimento.” 
Exemplo de uma frase complexa: 
 “a educação que é ministrada nas nossas escolas é um factor de 
desenvolvimento e tem como componente fundamental a competência 
comunicativa.” 
A Estrutura da Frase 
A oração e os Seus Elementos 
Os elementos fundamentais de uma oração são: o sujeito (simples ou 
composto, subentendido, indeterminado ou inexistente) e o predicado 
(verbal; nominal). 
O sujeito “é aquilo de que se fala ou sobre que se faz uma afirmação”. O 
predicado “é tudo o que se diz do sujeito”.15 
Os outros elementos são: o complemento directo, o complemento 
indirecto, o predicativo do sujeito, o predicativo do complemento directo, o 
agente da passiva, o atributo, o aposto, o vocativo, o complemento 
determinativo e o complemento circunstancial (de lugar, tempo, causa, 
modo, fim, meio, companhia, dúvida e de instrumento). Para facilitar a 
compreensão sobre esta questão, Esteves Rei usa o termo “modificador” 
para os elementos adjuntos do nome. 
ORAÇÃO = sujeito + predicado 
 (nome + mod) (verbo + complementos) 
Por exemplo: “Meu irmão / está muito doente.” 
 “ A Citroen, uma marca francesa / tem uma boa imagem 
comercial.” 
“O cão perdigueiro come carne.” 
Núcleo do suj. Modificador Núcleo do verbo 
 
15 J.Esteves Rei, Curso de Redacção I, Porto, Porto Editora,p.14 
50 
 
complemento directo 
A Construção nominal ou elipse 
Elipse – é “uma figura de sintaxe, consistindo na supressão de 
palavras que facilmente se subentendem”. 
Ex.: “Que bela paisagem!” por “Esta paisagem é bela.” 
A construção nominal verifica-se quando “um elemento verbal é 
suprimido a favor do elemento nominal (nome, adjectivos e determinantes: 
artigos, demonstrativos e possessivos) ”: 
Ex.: “O seu, a seu dono!” 
 “Um por todos e todos por um.” 
 A construção nominal, apesar de ser uma característica da língua 
falada, também é utilizada em textos literários para “produzir um efeito de 
movimento e acção ou de autênticas pinceladas na descrição dos 
elementos de um quadro, paisagem ou visão”. 
A construção nominal é uma construção moderna, utilizada na 
linguagem jornalística, técnica e científica, sobretudo nos títulos, nas 
legendas e sumários, pois permite uma maior objectividade, brevidade e 
concisão das estruturas nominais. 
 Quando uma frase aparece construída sem verbos, cabe ao leitor 
“conceber e sentir o escrito”, ou seja, cabe ao leitor dar um sentido “à 
alma da frase.”16 
 
A Qualidade da Frase 
 
1. Unidade - subordinação das ideias secundárias às principais; 
são defeitos contra a unidade a multiplicidade de sujeitos. 
 
2. Clareza - ideias apresentadas de forma “transparente”; é de 
evitar a desordem e a “obscuridade” das ideias. 
 
3. Concisão – significa o “emprego de palavras em número 
necessário e suficiente.” Deve-se evitar a repetição de 
palavras e de ideias. 
 
 
 
 
16 idem, p.21 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 51 
 
Sumário 
Em síntese: 
Os elementos fundamentais de uma oração são: o sujeito (simples ou 
composto, subentendido, indeterminado ou inexistente) e o predicado 
(verbal; nominal). 
Ex. Franze (Suj) é o meu professor (Pred.) 
 
Exercícios 
1. Elabora três frases tendo em conta a qualidade da frase. 
2. Divide as frases em constituintes sintácticos. 
3. Específique a utilização da construção nominal ou elipse. 
4. Coonstrua frases de acordo com as indicações 
seguintes. 
 Sujeito+modificador + verbo + complemento 
circunstancial. 
 Verbo + complemento directo + complemento 
indirecto + complemento circunstancial. 
 Sujeito + modificador + verbo + complemento 
directo + complemento indirecto. 
 Verbo + complemento circunstancial. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
52 
 
Unidade 11. A Frase Simples e Complexa 
Introdução 
As frases podem ser simples ou complexas de acordo com a 
expressividade do autor. Assim, torna-se indispensável conhecer os 
conectores frásicos e a sua divida utilização nas frases. 
Nesta unidade, apresentamos as conjuncões e locuções usadas em 
frases complexas, partindo de uma construção simples. 
Ao completar esta unidade / lição, serás capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 
 Identificar na frase complexa orações coordenadas e subordinadas 
 Distinguir período e parágrafo 
 
As Frases Simples e complexas 
De acordo com o conceito de frase anteriormente apresentado, a frase é “um 
enunciado de sentido completo, a unidade mínima de comunicação. 
 Neste sentido, a Frase simples é aquela que possui um e único verbo. 
A frase complexa “é aquela que contém dois ou mais verbos conjugados 
e, por consequência, duas ou mais orações.” 17 
 A ligação da frase complexa é feita pelos processos de coordenação e 
subordinação. 
 Coordenação 
Os campos cobriram-se de flores e as árvores encheram-se de folhas. 
Oração coordenada Oração coordenada 
 
 Subordinação 
 
Os campos cobriram-se de flores quando a Primavera chegou. 
Oração subordinante Oração subordinada 
A Coordenação 
As orações “da mesma natureza” podem ser coordenadas entre si através de 
conjunções e locuções coordenativas” 
 
 
17 José Pinto e Maria do Céu Lopes, Gramática do Português Moderno, Lisboa, 
Plátano ed., 2002, p.193 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 53 
 
 
Classificação das oraçães Coordenadas 
1. Orações coordenadas copulativas (implica uma ideia de adição) 
 
Ex.: “O João entrou na livraria e comprou vários livros.” 
 
2. Orações coordenadas adversativas: mas, porém, contudo, no entanto 
(orações ligadas por uma ideia de oposição) 
 
Ex.: “Gosto de cinema, mas prefiro o tetaro.” 
 
3. Orações coordenadas disjuntivas (transmitem uma ideia de alternativa) 
 
Ex.: “O avião atrasou ou não chegou a partir.” 
 
4. Orações coordenadas conclusivas: portanto, logo, por consequência (em 
que a segunda oração é uma conclusão da primeira) 
 
Ex.: “O autocarro teve uma avaria, portanto atrasou.” 
 
5. Orações coordenadas explicativas: pois, porquanto (justifica uma ideia 
apresentada anteriormente) 
 
Ex.: “O barco atrasou, pois estava nevoeiro.” 
 
A Subordinação 
Segundo Esteves Rei, a subordinação é “ uma relação entre duas orações 
que permite a inserção uma na outra e estabelece uma hierarquia sintáctica entre 
elas: uma depende da outra, determinando ou complementando o sentido.”18 
Exemplos: 19Aquela senhora gritou quando foi assaltada. 
 
18 J.Esteves Rei, Curso de Redacção I, Porto, Porto Editora, p.30 
19 José Pinto e Maria do Céu Lopes, Gramática do Português Moderno, Lisboa, 
Plátano ed., 2002, p.196 
 
54 
 
 Oração subordinante Oração subordinada temporal 
 Aquela senhora gritou porque foi assaltada. 
 Oração subordinante Oração subordinada causal 
As orações subordinadas dependem das orações subordinantes e esta 
dependência pode ser feita através de: 
 Conjunções ou locuções subordinativas: “Ela gritou para que 
a socorressem.” * 
 Pronomes ou advérbios relativos: “O rapaz que caíu magoou-
se.” 
 Pronomes ou advérbios interrogativos: “Ele disse quem chega 
hoje? 
 Formas verbais não finitas (infinitivo, gerúndio e particípio): 
“Pensávamos ter concluído o trabalho. (= Penávamos que o 
trabalho estava concluído.” 
Sumário 
Em síntese: 
A Frase simples é aquelela que possui um e único verbo enquanto, as 
frases complexas são aquelas que são compostas por mais de um verbo. 
Estas podem ser unidas por conjunções ou locuções coordenativas ou 
subordinativas, conforme a relação de coordenação ou subordinação, 
respectivamente. 
Exercícios 
A. Completa as frases seguintes com a locução adequada: já que, 
logo que, mais...do que, mesmo que, no caso de, para que. 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 55 
 
- ...vais ao supermercado shoprite, traz-me pão. 
- Os pequenos...estorvam...ajudam. 
- ...chover, não podemos ir ao cinema. 
- O Director aumentou-lhe o salário...ele não se 
despedisse. 
- ...o sol desaparece, as crianças vêm para casa. 
- Nunca iria à lua...me oferecesse a viagem. 
 
B. Preenche os espaços em branco com a locução apropriada. 
Pois que, por isso mesmo (é) que, posto que, primeiro que, salvo 
se, se bem que. 
- a praia ficou deserta...as férias acabaram. 
- ...o seu grande interesse seja o dinheiro, os imigrantes 
não se privam de nada no seu dia-a-dia. 
- ...compres o carro, deves tirar a carta de condução. 
- Nunca deixe andar os filhos ao sol...de manhã e à noite, 
ele seja fraco. 
- O professor de português nunca falta...estiver doente. 
- O Nuno quer ir estudar para os Estados Unidos...estuda 
entusiasticamente Inglês. 
 
C. Completa as seguintes frases com locuções mais adequadas: 
sempre que, tal que, tão que, tanto...que todas as vezes que, 
visto que, tanta...que 
- o Miguel...vai à cidade, perde-se nos bazares 
- a girafa é...alta...observa tudo o que se passa no jardim 
zoológico. 
- O jo�7o cumprimenta o mestre...se cruza com ele na rua 
- O ruído era...ninguémouvia nada. 
- A responsabilidade dos pais é...por vezes não dorme. 
- Ontem havia...vento...duas árvores caíram no jardim. 
 
D. Sublinha nas orações seguintes as conjunções ou locuções 
conjuncionais que indicam a relação temporal. No final, 
empregue cada uma delas numa frase da sua iniciativa. 
- quando chegaste, era meio dia. 
- enquanto as crianças brincam, eu vou ao talho. 
- Apenas soube a triste nova, entrou em pânico. 
- As esperanças são cada vez menores à medida que o 
tempo passa. 
- Logo que viu o pai, desapareceu da sala. 
 
 
 
 
56 
 
Unidade 12. Estudo do Verbo 
Introdução 
O verbo é um elemento fulcral da frase e sem ele não há frase. Ele 
designa a ação desenvolvida pelo sujeito. Assim, nesta unidade, 
apresentamos a classificação dos verbos quanto à semántica, quanto à 
conjugação e quanto a Morfologia. 
 Ao completar esta unidade / lição, serás capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 Indicar as diferentes formas de classificação dos verbos. 
 Distinguir dos transitivos dos intransitivos; 
Verbo é o nome dado à classe gramatical que designa uma ocorrência ou 
situação. É uma das duas classes gramaticais nucleares do idioma, sendo 
a outra o substantivo. É o verbo que determina o tipo do predicado, que 
pode ser predicado verbal, nominal ou verbo-nominal. O verbo pode 
designar acção, estado ou fenómeno da natureza. 
Classificção dos Verbos 
Os verbos admitem vários tipos de classificação, que englobam aspectos 
tanto semânticos quanto morfológicos. Podem ser divididos da seguinte 
forma: 
Quanto à Semântica 
 Verbos transitivos: Designam acções voluntárias, 
causadas por um ou mais indivíduos, e que afectam 
outro(s) indivíduo(s) ou alguma coisa, exigindo um ou 
mais objectos na acção. Podem ser transitivos directos 
que não possuem sentido completo, logo ele necessita de 
um complemento, sendo este complemento chamado de 
objetco direto. E verbo transitivo indirecto- Que também 
não possuui sentido completo e necessita de um objeto 
indireto, que necessariamente exigem uma preposição 
antes do objeto. 
Exemplos: dar, comer, fazer, vender, escrever, amar etc. 
 Verbos intransitivos: Designam ações que não afetam 
outros indivíduos. 
Exemplos: andar, existir, nadar, voar etc. 
 Verbos impessoais: São verbos que designam acções 
involuntárias. Geralmente (mas nem sempre) designam 
fenómenos da natureza e, portanto, não têm sujeito nem 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 57 
 
objecto na oração. 
Exemplos: chover, anoitecer, nevar, haver (no sentido de existência) etc. Todo 
verbo impessoal é também intransitivo. 
 Verbos de ligação: São os verbos que não designam ações; 
apenas servem para ligar o sujeito ao predicativo. 
Exemplos: ser, estar, parecer, permanecer, continuar, andar, tornar-se, ficar, 
viver, virar etc. 
Quanto à Conjugação 
 Verbos da primeira conjugação: São os verbos terminados 
em ar: molhar, cortar, relatar, etc. 
 Verbos da segunda conjugação: são os verbos terminados 
em er: receber, conter, poder etc. O verbo anômalo pôr (único 
com o tema em o), com seus compostos, também é 
considerado da segunda conjugação devido à sua conjugação 
já antes realizada (Ex: fizeste, puseste), decorrente de sua 
antiga forma latina poer. 
 Verbos da terceira conjugação: são os verbos terminados 
em "ir" e " or ": sorrir, fugir, iludir, cair, colorir, etc; no exemplo 
"or", a maioria dos verbos veem da palavra "Pôr", compor, 
depor, supor, transpor, antepor, etc. 
Quanto à Morfologia 
 Verbos regulares: Flexionam sempre de acordo com os 
paradigmas da conjugação a que pertencem. 
Exemplos: amar, vender, partir, etc. 
 Verbos irregulares: Sofrem algumas modificações em relação 
aos paradigmas da conjugação a que pertencem. 
Exemplos: caber, medir ("eu caibo", "eu meço", e não "eu cabo", "eu medo"). 
 Verbos anômalos: Verbos que não seguem os paradigmas da 
conjugação a que pertence, sendo que muitas vezes o radical 
é diferente em cada conjugação. 
Exemplos: ir, ser, ter ("eu vou", "ele foi"; "eu sou", "tu és", "ele tinha", "eu 
tivesse", e não "eu io", "ele iu", "eu sejo", "tu sês", "ele tia", "eu tesse"). O verbo 
"pôr" pertence à segunda conjugação e é anômalo a começar do próprio 
infinitivo. 
 Verbos defectivos: Verbos que não têm uma ou mais formas 
conjugadas. 
Exemplo: precaver - não existe a forma "precavenha". 
 Verbos abundantes: Verbos que apresentam mais de 
uma forma de conjugação. Exemplos: encher - enchido, 
cheio; fixar - fixado, fixo. 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Latim
58 
 
 
Sumário 
Em síntese: 
A Classe dos Verbos é a classe mais variável que designa uma ocorrência ou 
situação. É uma das duas classes gramaticais nucleares do idioma, sendo a 
outra o substantivo. É o verbo que determina o tipo do predicado, que pode ser 
predicado verbal, nominal ou verbo-nominal 
Exercícios 
Completa os espaços em branco com as formas verbais apropriadas. 
1. Presente do indicativo: 
Quando os alunos____________(estar) atentos nas aulas, os resultados 
deles__________(ser ) bons. ______(ser) sempre assim. 
Quando há festas portuguesas, os alunos_______(ir) com os pais a essas 
festas. Hoje há uma e toda a gente_________(ir). 
2. Pretérito perfeito: 
Ontem nós _________(ir) fazer uma marcha de Inverno através dos 
campos.Tu _______(ser) o último a chegar porque te atrasaste. 
Na semana passada tu___________(estar) a estudar os verbos comigo. 
Agora já sabemos tudo! 
Mas eles não _____________(estar) a trabalhar e agora não sabem. 
Nessa semana, eles__________(ser) os piores da turma. 
3. Futuro: 
Amanhã nós_________(ir)todos dar um passeio muito bonito. 
Quando eu estiver de férias,________(ir) até à praia com os meus pais e 
os meus amigos. Nessa altura, __________(ser) a pessoa mais contente 
do mundo! 
No Verão, nós____________(estar) de férias em Portugal. E 
eles,___________(estar) 
 
 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 59 
 
Unidade 13. Conjugação Pronominal 
Introdução 
A conjugação pronominal é aquela em que o verbo aparece conjugado 
com os pronomes. Ela pode ser reflexa ou recíproca de acordo com a 
acção do verbo. 
Nesta unidade para além das regras também apresentamos alguns 
verbos conjugados na forma pronominal. 
 Ao completar esta unidade / lição, serás capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 
 Aplicar correctamente os verbos na forma pronominal 
 Identificar os momentos em que temos de usar a forma pronominal. 
Repara nas expressões: “Levei-o […].”; “ […] os amigos levaram-no […].” 
 Em ambas, a forma verbal (levei, levaram) aparece acompanhada do 
pronome pessoal o, que lhe serve de complemento, constituindo com ela um 
todo. 
Chama-se conjugação pronominal aquela em que o verbo aparece conjugado 
com os pronomes o, a, os, as. 
Nota: Quando estudámos os pronomes pessoais aprendemos que o, a, os, as, 
tomam as formas lo, la, los, las, depois de r, s, ou z e as formas no, na, nos, 
nas, depois de ditongo ou vogal nasal (-m, -ão) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
60 
 
1. Conjugação pronominal reflexa 
A conjugação pronominal reflexa indica que a acção do sujeito recai sobre 
ele próprio. (Ex: Eu penteio-me todas as manhãs.) 
 Utiliza para tal os pronomes pessoais me, te, se, nos, vos, se. 
(Ex.: Verbo “sentar-se” no Presente do Indicativo - Eu sento-me; 
Tu sentas-te; Ele/ela senta-se; Nós sentamo-nos; Vós sentais-
vos; Eles/elas sentam-se) 
 
2. Conjugação pronominal recíproca 
A conjugação pronominal recíproca exprime a reciprocidade na acção 
praticada. (Ex.: Eles abraçaram-se [um ao outro] calorosamente.) 
 Utiliza para tal os pronomes pessoais do plural: nos, vos, se. 
(Ex.: verbo “abraçar-se” no Presente do Indicativo - Nós 
abraçamo-nos; Vós abraçais-vos; Eles/elas abraçam-se.) 
Ex. Os namorados beijavam-se prolongadamente 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 61Sumário 
Em síntese 
Como Já vimos, a conjugação pronominal é aquela em que o verbo 
aparece conjugado com os pronomes o, a, os, as que tomam as formas lo, 
la, los, las, depois de r, s, ou z e as formas no, na, nos, nas, depois de ditongo 
ou vogal nasal (-m, -ão) distinguindo-se da recíproca a conjugação 
pronominal refrexa utiliza para tal os pronomes pessoais me, te, se, nos, 
vos, se. 
Exercícios 
1. Completa as frases com os verbos na forma pronominal. 
b) Os alunos pegam nos cadernos e ________(dar) ao 
professor. 
c) Elas têm bicicletas e ____________(levar) para a escola. 
d) Como não podiam entrar no cinema com os cães, 
________(confirmar) ao porteiro. 
e) Já li o livro. Posso _____________(emprestar) ( te o ) 
f) Tirei os lápis ao João e ___________(esconder). (lhe 
os) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
62 
 
Unidade 14. O Discurso directo e Indirecto 
Introdução 
Para expressarmos as nossas ideias aos outros, podemos fazê-lo 
fielmente através da fala tal igual como a personagem as proferiu/profere 
e, ainda, podemos informar o leitor acerca do que uma personagem 
disse/diz ou pensou pensa, sem reproduzir exactamente as suas 
palavras. 
Nesta unidade, vamos apresentar as formalidades do uso do discurso 
directo ou indirecto, as regras de transformação, bem alguns exemplos 
ilustrativos a cada caso. 
 Ao completar esta unidade / lição, serás capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
- Explicar as regas envolvidas no uso dos discursos directo e indirecto; 
- Apresentar as principais diferenças entre o discurso directo e indirecto; 
- Aplicar as regras de transposição de um discurso para o outro. 
 
O Discurso Directo 
O Discurso Directo é um meio de expressão pelo qual se reproduzem as 
palavras de uma personagem tal como elas as teria proferido. 
Este tipo de discurso permite um contacto mais estreito entre a situação 
criada e o receptor (leitor/ouvinte); actualiza e torna mais viva a narrativa, 
mais espontânea, como no teatro. 
No Discurso Directo as falas das personagens ganham em naturalidade, 
não raras vezes tocadas pela emoção, que o emprego de exclamações, 
interjeições, reticências, interrogações, vocativos e imperativo reforça. 
É de salientar que o Discurso Directo pode aparecer sob a forma de 
monólogo interior. 
O Discurso Indirecto 
O Discurso Indirecto é o processo pelo qual o narrador informa o leitor 
acerca do que uma personagem teria dito ou pensado, sem reproduzir 
exactamente as suas palavras. 
Na transposição do Discurso Directo para o Indirecto, notam-se alterações 
nas categorias verbais (modo, tempo, pessoa), nos pronomes, nos 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 63 
 
determinantes e nos advérbios. 
Veja alguns exemplos de passagem do discurso dirrecto para indirecto: 
Nada te acontecerá. / Ele disse que nada lhe aconteceria. 
 Paga-me esta conta, como é teu dever. / Ela ordenou que ela lhe 
pagasse aquela conta, como era seu dever. 
 Conta-me tudo – pediu ele – aqui mesmo e agora.../ Ele pediu 
que ela lhe contasse tudo, ali mesmo e naquele momento. 
 Queres vir comigo Pedro? / Ela perguntou ao Pedro se ele queria 
ir com ela. 
 Eu dou-te o dinheiro. / Ele disse que lhe dava o dinheiro 
Quadro resumo das regras básicas 
 
 
64 
 
Sumário 
Em síntese: 
Enquanto o Discurso Directo é um meio de expressão pelo qual 
se reproduzem as palavras de uma personagem tal como elas as 
teria proferido, o Discurso Indirecto é o processo pelo qual o 
narrador informa o leitor acerca do que uma personagem teria dito 
ou pensado, sem reproduzir exactamente as suas palavras. 
Exercícios 
A- Passe para o discurso indirecto as seguintes frases: 
1. O Jornalista afirmou que tinha sido bem acolhido 
2. Decidiram que no dia seguinte iriam à praia 
3. Durante o reinado de Ngungunhane, as etnias minoritárias pensavam 
que nunca mais teriam exepressão 
4. No tribunal, o reu confessou que a culpa era sua 
5. No meio da viagem, reconheceram que se tinham enganado. 
B- Reescreva as frases seguintes, utilizando o discurso indirecto como no 
exemplo: 
 a. O revisor disse ao irmão:-os vossos bilhetes são para amanha. 
 R: O revisor disse-nos que os nossos bilhetes eram para o dia seguinte. 
 
 1. Rosa Maria disse ao irmão: -vem a casa depressa. 
 2. O professor ordenou aos alunos: -estejam calados 
 3. Marta respondeu à amiga: - fico muito satisfeita com o teu convite e 
no próximo domingo aí estarei 
 4. O meu irmão pediu-me: -traz-me um caderno quando fores à 
papelaria. 
 
 
 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 65 
 
Unidade 15. A Ficha Bibliográfica 
Introdução 
Nesta secção pretendemos dar algumas directrizes da organização de 
uma referência bibliográfica. Como sabemos, em qualquer trabalho 
científico assim como fichas de leitura teremos de usar ou referenciar os 
autores das obras consultadas, para distanciarmo-nos do plágio 
académico. 
A apresentação da ficha bibliográfica não é uniforme, podendo diferir de 
escola para escola, mas aqui pretendemos apresentar um modelo que se 
pode usar. 
 Ao completar esta unidade / lição, serás capaz de: 
 Elaborar una ficha bibliográfica. 
 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
1. A Fichas Bibliográfica 
 
A informação colectada nos livros, assim como noutras fontes de 
conhecimento, normalmente deve ser devidamente catalogada, ou 
seja, a sua proveniência não deve constituir segredo. Tratando-se de 
documentos que veiculam ideias de outros sujeitos pensantes, estas 
ideias são propriedade e/ou pertenças desses mesmops sujeitos. Isto 
significa dizer que, ao se fazer uso dessa mesma informação, dever-
se-á referir a fonte que a produziu – o seu autor, sob pena de se 
considerar plágio (roubo de propriedade intelectual), da ideia de 
outrém. Esta omissão é considerada crime, dando direito a um 
processo criminal que pode ter consequências imprevisíveis nos 
termos da lei dos direitos autorais. 
 Com efeito, é dever de quem pesquisa referir os livros que lhe 
serviram de suporte e/ou fonte de inspiração para a produção das 
suas próprias ideias, colocando todos os dados que possam facilitar a 
localização da obra referida para efeitos de confrontação posterior. 
Estas informações são organizadas segundo modelos universalmente 
convencionados, a que se dá o nome de ficha bibliográfica. 
 A construção da ficha bibliográfica obedece a regras fixas de 
representação, segundo o exemplo que a seguir é apresentado 
(entretanto, mais detalhes sobre este assunto poderás colher na 
disciplina de Metodologia de Investigação Científica MIC): 
1. a disposição das informações segue uma ordem 
- começa-se pelo apelido ou sobrenome em maúsculas); 
- a seguir coloca-se o nome do autor 
66 
 
- em seguida, o título da obra (sublinhado ou em itálico) 
- depois o local (nome da cidade) em que a obra foi 
editada; 
- segue o nome da editora responsável pela ediçæo do 
livro 
- a colecção; 
- o ano da sua edição 
- número da edição 
- número do volume e 
- finalmente a indicação do ano e da(s) páginas. 
 NB. Outras informações podem ser adicionadas, tais como, o número 
da página, número da edição, etc. 
EX: RUIZ, J. Alvaro, Metodologia Científica: Guia para efeciência nos 
estudos, Sao Paulo: ATLAS 1991 p-19 
 
 
Sumário 
Em síntese: 
As fichas são um instrumento de trabalho indispensável, permitindo: 
identificar as obras, conhecer o seu conteúdo, fazer citações, conservar 
críticas, nossas ou de outrém, analisar o material a utilizar num trabalho. 
Exercícios 
1. Use três obras ou a partir dos seus manuais elabore três fichas 
Bibliográficas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 67 
 
 
 
Unidade 16. A Ficha de Leitura 
Introdução 
Na nossa vida de estudantes, temos, vezes sem contar, deparado com 
situações em que empreendemos leituras de livros e/ou outros materiais 
de consulta diversos, onde amemorização constitui o elemento chave no 
processo de busca, sistematização e armazenamento das informações. 
Ora, é difícil, senão mesmo impossível, memorizar tudo o que se lê ou se 
consulta. 
Vamos tratar, nesta unidade, sobre a mais recomendável técnica, que 
quando estruturada de maneira específica e em formato próprio, dá-se-lhe 
o nome de ficha de Leitura. 
Ao completar esta unidade / lição, serás capaz de: 
 Conhecer os diferentes tipos de fichas de leitura. 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 
A Ficha de Leitura ou de conteúdo 
Tipos de fichas 
Ficha analítica – contém uma análise sumária da obra ou do artigo, 
podendo referir, entre outros, os seguintes elementos: 
- campo o saber abordado; 
- problemas tratados; 
- conclusões alcançadas 
- contribuições especiais para o tema 
- métodos utilizados: indutivo, dedutivo, dialéctico, 
histórico, comparativo; 
- recursos empregados: tabelas, quadros, gráficos, mapas. 
Entre as suas qualidades, destacam-se as seguintes: 
- brevidade; 
- uso de verbos activos; 
68 
 
- ausência de repetições. 
 
Ficha de citação – reproduz frases consideradas relevantes num 
trabalho: 
- coloca-se entre aspas; 
- contém a página; 
- transcreve textualmente (incluindo erros, que devem ser 
seguidos pelo termo sic colocado entre parênteses rectos 
[sic]); 
- indica supressão de palavras, recorrendo também a 
parênteses rectos [...]; 
- completa a frase com elementos indispensáveis à sua 
compreensão, se for necessário (colocando o acrescento 
entre parênteses). 
Ficha de resumo ou síntese – apresenta um resumo ou síntese das 
principais ideias ou dos aspectos essenciais. Tendo em conta a natureza 
destes exercícios (ver noutro local), lembraremos que esta ficha: 
- não é um sumário ou índice; 
- não é uma transcrição de frases; 
- não é longa; 
- não precisa, no caso da síntese, de obedecer à estrutura 
da obra. 
Ficha de comentário – é uma interpretação crítica das ideias do autor: 
- sobre a forma; 
- sobre o conteúdo; 
- sobre a clareza ou a obscuridade do texto; 
- sobre a sua comparação com outros textos 
- sobre a importância da obra. 
 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 69 
 
 
As partes componentes desta ficha 
Legenda: 
a) referência bibliográfica do livro/revista ou texto; 
b) tema abordado; 
c) página do livro em que se encontra a 
informação/texto; 
d) clasificação da obra(conto, romance, ensaio etc.) 
e) conteúdo: síntese do conteúdo do texto 
consultado, podendo ser apresentado sob forma 
de esquema (notas) ou sob forma de um resumo 
– seguindo as regras de redacção deste tipo de 
texto 
f) observações do Autor da ficha sobre alguns 
aspectos pertinentes relacionados com o assunto 
do texto ou livro, ou qualquer outra informação 
particular encontrada em e), i.é. na síntese. 
 Obs: a ficha de leitura deve ser apresentada em material típico, ou seja 
numa folha de cartolina em formato A5. 
NB: deverão ser previstos exercícios de gramática, incidindo sobre 
qualquer aspecto que se julgar conveniente abordar em função dos 
problemas linguísticos que comummente ocorrem. 
 
70 
 
Sumário 
Em síntese: 
Na nossa vida de estudantes, temos, vezes sem contar, deparado com 
situações em que empreendemos leituras de livros e/ou outros materiais 
de consulta diversos, onde a memorização constitui o elemento chave no 
processo de busca, sistematização e armazenamento das informações e 
dos conteúdos pesquisados. Ora, é difícil, senão mesmo impossível, 
memorizar tudo o que se lê ou se consulta. Por este facto, como 
auxiliaries de memória, várias técnicas e estratégias têm sido 
comummente usadas pelos pesquisadores. Uns preferem recorrer à 
técnica de tomada de notas; outros há que, preferem fazer pequenos 
resumos ou sínteses da informação colectada. A esta última técnica, por 
sinal, mais recomendável, quando estrururada de maneira específica e em 
formato próprio, conforme o exemplo que vamos apresentar neste 
módulo, ao documento final resultante dá-se-lhe o nome de Ficha de 
Leitura, visto comportar as linhas de leitura então efectuadas. 
 
Exercícios 
1. 1o Ler e 2o Estudar todas as páginas referentes ao assunto, no referido 
livro. 
Fazer os exercícios constantes da unidade 2 e a ficha de excercícios a 
resolver 
1. A Ficha de Leitura pode ser apresentada sob forma esquemática? 
Qual é a importância de elaborar uma ficha desta natureza? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 71 
 
Unidade 17. O Sumário 
Introdução 
O sumário é um texto curto, por definição, e tem por objectivo relatar as 
actividades de uma aula (estamos a tratar do sumário da aula). Este texto 
relata fiel e fidedignamente as várias etapas que compõem uma aula. É, 
com efeito, uim texto objectivo. (objectivante na medida em que não é 
possível ser-se completamente objectivo, daí que não nos autorizamos a 
usar o termo objectivo). No sumário são também usadas expressões 
nominalizadas (nominalizações, evitando-se assim a utilização de verbos 
conjugados. Sendo o relato de actividades de uma aula passada/ 
efectivada, ele deverá ser redigido no fim da aula (não no princípio desta, 
como muitos dos professores erradamente o fazem. Afinal, tema (tópico) 
da aula é diferente do sumário) 
Ao completar esta unidade / lição, serás capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 Explicar detalhadamente as principais diferenças 
existentes entre o sumário e outros textos que com ele se 
confundem; 
 Aplicar as regras envolvidas na elaboração ou produção 
do sumário. 
Sumário 
Definição geral: 
É uma enumeração das divisões principais e dos artigos contidos numa 
publicação periódica, num livro, num relatório ou documento análogo, 
seguindo a ordem do texto. Apresenta o conteúdo sob forma de plano: 
deve manifestar não apenas as etapas de estudo, mas também o sentido, 
manifestando a sua coerência desde o título até à conclusão. 
Um livro deve incluir os seguintes elementos: plano, desenvolvimento, 
principais divisões e sua paginação. 
72 
 
Numa revista reportam-se a: título, nome do autor (se forem dois, devem 
ambos ser mencionados e, se mais de dois, mencionados apenas o 
primeiro, seguido da expressão “et alii” ou “at al”). 
O sumário tem uma dupla função 
Permite ao leitor orientar-se na leitura do texto ou ler apenas a parte que 
lhe interessa – trata-se de um ponto de vista prático. 
Permite, ainda, apreender a globalidade do tema ou as propostas 
avançadas e o modo adopatado para a sua apresentação – é o plano que 
se encontra aqui em questão. 
Qualidade essencial dum sumário 
É importante que um sumário veicule uma problemática, mostre as 
questões e esboce as respostas, quer dizer, que nas entrelinhas contenha 
um raccioncínio original. 
O sumário duma aula 
O sumário é um texto curto, por definição, e tem por objectivo relatar as 
actividades de uma aula (estamos a tratar do sumário da aula). Este tipo 
de texto deve relatar fiel e fidedignamente as várias etapas que compõem 
uma aula. É, com efeito, um texto objectivante. (objectivante na medida 
em que não é possível ser-se completamente objectivo, sendo por este 
motivo, que não nos autorizamos a usar o termo objectivo). 
Ora, Justamente porque se pretende objectivo, diga-se, objectivante, ele 
apresenta marcas da 3ª pessoa gramatical. Nele, são também usadas 
expressões nominalizadas, evitando-se assim a utilização de verbos 
conjugados. 
Sendo o relato de actividades de uma aula passada/ efectivada, ele 
deverá ser redigido no fim desta (e não no princípio da aula, como muitos 
dos professors erradamente o fazem, confundindo, tema (tópico) da aula 
com o sumário) 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 73 
 
 Técnicas de elaboração 
O sumário da aula é um texto de construção colectiva. Todos os 
participantes/intervenientes da aula devem participarda sua elaboração. 
Devemos abandonar a prática de aulas centralizadas no professor. O 
aluno deve participar activamente em todas as etapas da aula, ou seja, na 
sua construção. O aluno pode, e muito bem, saber dizer o que foi tratado 
numa aula em que dela fez parte. É errado julgar que ele é um objecto 
que se limita a ouvir, copiar e escrever o que o professor dita. Como soi 
dizer-se: o aluno não é uma tábua rasa, ou um simples receptáculo 
passivo dos conteúdos da aprendizagem. 
 
 Análise icónica 
Trata-se de um nível de leitura que é feita tendo em conta o aspecto 
formal (do ponto de vista da mancha gráfica). Esta leitura permite 
identificar o texto, antes da sua leitura conteudística. Nela, presta-se 
especial atenção aos aspectos mais destacados a partir de elementos de 
realce, tais como a escrita a negrito (em bold), em itálico e/ou sublinhado, 
as imagens (figuras ou icons – texto imagético). Muitas vezes, o leitor não 
precisa de ler o texto para se aperceber com que tipo de texto está a lidar. 
Os elementos icongráficos são dispostos de tal ordem que o texto se 
identifica por si, captando a atenção do público leitor. É que para o leitor 
ver se o texto é curto ou longo, não precisa de uma lupa, nem de ler o 
texto em toda a sua extensão. Mas, será após a leitura do conteúdo do 
texto que algumas dúvidas serão dissipadas, nomeadamente no que diz 
respeito ao público visado, informações ligadas ao assunto, data, hora e 
local. 
Análise linguística 
Além dos aspectos ligados à forma, identificáveis a partir de um olhar 
(vista geral da mancha gráfica, isto é, daquela parte impressa, há a leitura 
do que está impresso do ponto de vita de fundo, de conteúdo. Presta-se 
74 
 
especial atenção à linguagem usada, às marcas de pessoa gramatical, à 
conjugação dos verbos, enfim, aos elementos discursivos. 
 
Sumário 
Em síntese: 
Considera-se, no geral, sumário uma enumeração das divisões principais 
e dos artigos contidos numa publicação periódica, num livro, num relatório 
ou documento análogo, seguindo a ordem do texto. Mas o sumário da 
aula é um texto de construção colectiva. 
Exercícios 
1. “Aquilo que não foi possível tratar na aula, ainda que tenha sido 
planificado, não deve constar do sumário da aula.” 
a) Explicita melhor a afirmação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 75 
 
 
Unidade 18. Textos Administrativos 
Introdução 
O processo de redacção e compreensão de texto é tão complexo que 
exige, até, o conhecimento da tipologia a que o texto por produzir ou por 
ler pertene. 
Porém, nesta unidade vamos apresentar e tratar especificamente de 
textos de caráter administrativo, ou seja, textos funcionais. 
Ao completar esta unidade / lição, serás capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 
 Caracterizar os textos administrativos; 
 Indicar os tipos de textos administrativos 
 
A Escrita administrativa 
A escrita administrativa também chamada funcional e institucional. Vem-
se afirmando, entre nós, desde os anos 60, com o desenvolvimento do 
sector dos serviços. A mudança de tipo de comunicação dentro da 
empresa é um outro factor a explicar esse crescimento: a uma 
comunicação interpessoal, individualizada e subjectiva substituiu-se uma 
comunicação formal, tipologizada e objectiva, numa palavra impessoal. 
Uma tipologia de textos surge, assim, no horizonte das instituições e 
organizações, remetendo-se a sua aprendizagem para uma prática tão 
aprofundada e variada quando as necessidades o exigem. Este facto 
explica a diversidade de modelos para o mesmo texto, em diferentes 
instituições, a existência de uma teorização incipiente para alguns deles e 
a relutância de muitos funcionários em aceitarem escrever alguns desses 
textos, por não terem modelos ou padrões de referência. Exemplo disto é 
a dificuldade em encontrar alguém que em determinadas situações aceite, 
de bom grado, elaborar uma acta, um curriculum vitae, uma reclamação, 
um relatório ou até um simples memorando. 
76 
 
Os textos administrativos começam agora a figurar entre os textos 
trabalhados pela escola. 
É bom que assim seja: os alunos adquirem mais confiança no domínio 
das diferentes manifestações da Iíngua escrita e as empresas recebê-los-
ão com mais agrado, por apresentarem uma preparação linguística mais 
variada. 
 
Sumário 
Em síntese: 
Os textos administrativos são uma tipologia textual que começa agora a 
figurar entre os textos trabalhados pela escola. A mudança de tipo de 
comunicação dentro da empresa é um outro factor a explicar esse 
crescimento: a uma comunicação interpessoal, individualizada e 
subjectiva substituiu uma comunicação formal, tipologizada e objectiva, 
numa palavra impessoal. 
Exercícios 
1. Menciona o conjunto de textos de natureza administrativa ou 
funcional. Apresenta as principais diferenças. 
2. Depois de responder à pergunta anterior, apresenta graficamente 
exemplo de um dos textos que mencionares. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 77 
 
Unidade 19. Formas de Tratamento 
Introdução 
Na producão de documentos ou de textos administrativos como: um 
convite, enviar uma carta, um requerimento, um anúncio, uma Acta, uma 
petição, um cumprimento, e uma conversação em um evento social onde 
encontra autoridades, é comum a pessoa se perguntar qual o pronome de 
tratamento que deve empregar, em meio às dezenas de expressões que 
se convencionou considerar as mais respeitosas. Definidos no âmbito das 
Boas-maneiras, os pronomes de tratamento são palavras que exprimem o 
distanciamento e a subordinação em que uma pessoa voluntariamente se 
põe em relação a outra, a fim de agradá-la e desejar um bom 
relacionamento. Porém, seu emprego abusivo poderá afectar 
negativamente a dignidade da pessoa que os emprega. 
 
Ao completar esta unidade / lição, serás capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 Conceitualizar as formas de tratamento; 
 Utilizar correctamente as formas de tratamento; 
 Identificar as entidades a partir das formas de tratamento. 
 
Conceito 
Segundo Cunha e Cintra (2002:292)20Denominam-se pronomes de 
tratamento certas palavras e locuções que valem por verdadeiros 
pronomes pessoais como: você, o senhor, Vossa Excelência. 
Embora designem a pessoa a quem se fala, isto é, a segunda pessoa, 
esses pronomes levam o verbo na terceira pessoa. 
 Ex: Onde é que vocês estão? 
 Vossa Excelencia senhor Comentador, terá de perdoar. 
No processo de produção de documentos institucionais ou então de textos 
administrativos, somos obrigados a usar formas de tratamento específicas 
 
20 
http://www.cobra.pages.nom.br/bmp-conversacao.html
78 
 
referentes às entidades a que no dirigimos. 
Assim, convém conhecermos as seguintes formas de tratamento referentes e 
as abreviaturas com que são indicadas na escrita. 
Estas formas aplicam-se à 2ª pessoa, àquela com querm falamos; para a 3ª 
pessoa aquela de quem falamos, usam-se as formas Sua Alteza, Sua 
Eminência, etc. Mas as últimas podem empregar-se com valor das primeiras, 
como expressão de máxima cerimónia, mormente quando seguidas de aposto 
que contenha um título determinado por artigo. Assim, em lugar de: 
 Vossa Excelência Senhor Ministro, aprova a medida? 
 É lícito dizer-se 
 Sua Excelência, o Senhor Ministro, aprova a medida? 
Em princípio, os pronomes de tratamento da 2ª pessoa devem acompanhar o 
verbo para evitar confusão com o sujeito da terceira. 
 Seu irmão cantava, e você o acompanhava. 
 Vossa Reverência já leu este livro? 
Sumário 
Em síntese: 
Pronomes de tratamento são palavras ou expressões que usamos para 
nos referir às pessoas, em consideração ao cargo que exercem,posição 
social, ou ainda, para indicar formalidade e respeito. 
http://www.alunosonline.com.br/portugues/pronome-de-tratamento/
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 79 
 
Os pronomes de tratamento correspondem a pronomes pessoais e o 
verbo correspondente é conjugado na 3ª pessoa. 
Exercícios 
g) Indique as formas de tratamento para as seguintes 
entidades: 
h) Presidente da República 
i) Vice-Presidente da República 
j) Ministros de Estado 
k) Funcionários graduados 
l) Organizações comerciais e industriais 
m) Arcebispos e Bispos 
n) Papa 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
80 
 
Unidade 20. A Carta 
Introdução 
Na unidade anterior falamos acerca de textos administrativos, num 
cômputo geral. Agora vamos falar essencialmente da carta, um dos tipos 
de texto que pertence a tipologia textual em causa. 
Ao completar esta unidade / lição, serás capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 Conceber a carta do ponto de vista do conceito tradicional, por um 
lado, e moderno, por outro; 
 Explicar as diferenças básicas encontradas entre a carta e os 
restantes textos administrativos; 
 Justificar a estrutura fulcral de apresentção gráfica da carta. 
 
A Carta 
É uma conversa por escrito, dirigida a uma pessoa ausente - assim se 
define tradicionalmente a carta. A simplicidade da definição não 
corresponde, porém, à dificuldade em escrever cartas. Trata-se de urn 
meio de comunicação muito antigo que tem visto o seu espaço ser 
conquistado, no mundo moderno, por meios mais rápidos como o 
telefone, a rádio, o fax e, em muitas das suas velhas funções, pelo 
próprio jornal. Contudo, a sua actualidade mantém-se tal como as 
suas características: economia, personalização, substituto do diálogo. 
 
Como é uma conversa, o estilo da carta deve ser coloquial, isto é, 
manifestar a maneira de ser de quem a escreve e de quem a Iê. Este 
cuidado em ser natural e adaptar-se ao receptor é uma das 
exigências da carta, juntamente com a clareza, a expressividade e a 
síntese. 
 
As cartas dividem-se em privadas e comerciais, subdividindo-se 
cada urn dos grupos numa série de outros tipos conforme as 
situações e a natureza da comunicação. 
 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 81 
 
As primeiras destinam-se a familiares e amigos e têrn como 
qualidades principais: a correcção gramatical e a delicadeza, que a 
familiaridade e a intimidade não dispensam, a ordem e a boa 
apresentação, isto é, sem rasuras nem emendas, em papel 
normalizado, sendo de preferência manuscritas. A frase deve ser 
simples, eliminando as dificuldades de construção e indo por partes, 
ao fazer corresponder a uma frase poucas ideias. 
 
As segundas são frequentes no mundo dos negócios, onde 
constituem o documento escrito mais importante, e dizem respeito à 
compra e venda de alguma coisa. São caracterizadas pelo sentimento 
útil e, como o comércio e o seu estilo, não só devem permitir uma 
comunicação eficaz como deixar uma impressão favorável na pessoa 
que as recebe. O seu objectivo principal é obter uma reacção positiva. 
Para isso, contribuem qualidades como: 
- a Clareza - procurada através de frases curtas, da ordem directa das 
palavras na frase, de um vocabulário cuidado, e, ainda, através da 
eliminação dos gerúndios, das palavras rebuscadas, dos circunlóquios 
e das expressões gastas: 
 
- A Concisão - obtida através da revisão do escrito, da eliminação de 
expressões inúteis, ideias repetidas e pormenores sem interesse, indo 
directamente ao assunto, mas evitando a escrita telegráfica e a frase 
vaga; 
 
- A Precisão - conseguida pelo uso do termo próprio para cada coisa, 
tendo o dicionário sempre ao lado, pelo abandono das orações 
subordinadas e pela apresentação de explicações; 
 
 Estrutura: 
1. Cabeçalho (nas comerciais) - contém o nome da empresa, o 
endereço, o número de telefone, o de telefax e o de contribuinte. 
 
2. A data - coloca-se ao alto, à direita ou à esquerda nas cartas 
82 
 
comerciais e à esquerda nas familiares. Nestas, pode aparecer 
também no fim, à esquerda da assinatura, como forma de respeito e 
consideração. 
 
3. O Endereço ou direcção - aparece, em geral, no envelope ou 
sobrescrito ou, nas comerciais, na folha da carta quando se usa 
um envelope com janela. Neste último caso, a sua colocação 
varia: lngleses e Americanos escrevem-na à esquerda, os 
Franceses, à direita. Entre nós, adoptam-se as duas posições. É 
importante que estejam presentes todos os elementos 
necessários para a identifiicação do destinatário e da sua 
residência. 
4. Saudação ou fórmula de tratamento - escreve-se à esquerda, 
alinhada com a primeira palavra da carta. A sua escolha deve ser 
criteriosa não só porque há normas rigorosas, particularmente nas 
cartas comerciais, como porque o nosso interlocutor pode não se 
rever na forma de tratamento por nós usada, o que o leva a olhar-
nos de lado. Apresentamos algumas. 
 
Exemplo: 
 
 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 83 
 
 
Sumário 
Em síntese: 
A carta é, assim, definida tradicionalmente como uma conversa por 
escrito, dirigida a uma pessoa ausente. Ela divide-se em privada e 
comercial, que, por sua vez, conforme as situações e natureza da 
comunicação, subdivide-se cada urn dos grupos numa série de outros 
tipos. 
Contribuem como qualidades tais como: a Clareza, a Precisão, a 
Concisão, entre outras. 
Exercícios 
1. Distingue claramente e com exemplos os dois tipos de cartas. 
2. Indica, nas duas cartas que produziste, as partes que compõem 
cada uma delas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
84 
 
Unidade 21. A convocatória 
 
Introdução 
Sempre que pretendemos reunir com um público determinado, seja 
escolar, comunitário e outro, há sempre uma prévia necessidade de 
informar todos os participantes previstos para fazer parte dessa reunião. 
Porém, para o efeito, é lhes formulado um documento numa data que 
antecede o encontro denominado Convocatória, aliás, o texto de que 
falaremos nesta unidade. 
Ao completar esta unidade / lição, serás capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 
- Conceitualizar o termo convocatória; 
- Explicar detalhadamente as técnicas a ter em conta na 
elaboração/produção da convocatória; 
- Aplicar os elementos que compõem a convocaória no acto da produção 
da mesma. 
 
Convocatória 
É um documento que chama sócios para reunir, elaborado por quem tem 
poderes institucionais para o fazer. Normalmente, é dada a conhecer por 
aviso postal para cada participante, com antecedência considerada 
necessária – nas associações é de oito dias. 
Trata-se de um texto de utilidade pública, feito no contexto da realização 
de uma reunião. Estruturalmente comporta três partes essenciais, sendo: 
- O cabeçalho (onde se encontra identificada o tipo de 
documento, a instituição e a entidade emissora da 
convocatória); 
- O corpo (onde se encontra inserido o texto principal. 
Neste, é devidamente indicado o local, a data, a hora da 
reunião, a respectiva ordem de trabalhos; o assunto ou os 
assuntos a serem tratados na reunião; o tipo de sessão 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 85 
 
ou reunião – ordinária ou extraordinária; e 
- O fecho (a data em que ela é feita, a entidade 
responsável pela emissão da convocatória e finalmente a 
assinatura desta mesma pessoa). 
Técnicas de elaboração 
Em princípio, não há uma técnica propriamente dita, mas há, obviamente, 
elementos a ter em conta antes da sua elaboração, nomeadamente: 
a. deve conter uma agenda (pontos a discutir na reunião 
prevista.) 
b. a convocatória é endereçada a um público alvo bem 
definido, podendo ser: a comunidade escolar (pais e 
encarregados de educação, alunos em geral, professores 
da escola, funcionários etc.) 
c. deve haver a indicação do local e da dataAnálise icónica 
A leitura icónica é feita incoscientemente, numa primeira fase, visto ser 
baseada nos elementos que se nos apresentam diante de nossos olhos. 
O olhar é dirigido, mas ver é um acto involuntário. Ao observarmos o 
material impresso, notamos os elementos mais salientes, destacáveis. 
Apercebemo-nos da extensão do texto. Ora todas estas ilações são 
tiradas involuntariamente. Trata-se de operações que acontecem a nível 
do nosso cérebro, mas que não dependem dum esforço físico ou psíquico 
empreendido por nós. Esta leitura permite identificar o texto, antes da sua 
leitura conteudística. Nela, presta-se especial atenção aos aspectos mais 
destacados a partir de elementos de realce, tais como a escrita a negrito 
(em bold), em itálico e/ou sublinhado. Muitas vezes, o leitor não precisa de 
ler o texto para se aperceber com que tipo de texto está a lidar. Os 
elementos icongráficos são dispostos de tal ordem que o texto se 
identifique por si, captando a atenção do público leitor. Ora, será após a 
leitura conteudística do texto que algumas dúvidas serão dissipadas, 
86 
 
nomeadamente no que diz respeito ao público visado, assunto, data, hora 
e local. 
Análise linguística 
Trata-se da análise de conteúdo, da linguagem usada na redacção desta 
tipologia de textos; as marcas de pessoa gramatical, as formas de 
tratamento, de persuação, entre outros. 
 
 
Sumário 
Em síntese: 
Convocatória é um documento que chama sócios, com antecedência 
necessária, para reunir, elaborado por quem tem poderes institucionais 
para o fazer. Todavia, não há uma técnica propriamente dita, mas há 
elementos a ter em conta antes da sua elaboração: uma agenda, um 
público-alvo bem definido, a indicação do local e da data da realização da 
reunião. 
Exercícios 
1. Em poucas palavras, diferencia a convocatória das outras 
tipologias de textos administrativos. 
2. Imagina que a direcção da tua escola deseja reunir com todos os 
professores, pais e encarregados de educação, produz uma 
convocatória com base numa agenda a tua escolha. 
 
 
 
 
 
 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 87 
 
Unidade 22. A Acta 
Introdução 
Os textos administrativos ou funcionais são textos que se usam dentro 
das mesmas instituições ou entre instituições diferentes, daí a designação 
de textos institucionais. 
Porém, nesta unidade fazemos abordagem da acta, sobretudo a sua 
função institucional e técnicas envolvidas na sua elaboração. 
Ao completar esta unidade / lição, serás capaz de: 
 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
- Distinguir a acta dos outros textos de índole administrativa; 
- Fundamentar os elementos que compõem a acta e a respectiva 
sequenciação; 
- Elaborar uma acta baseada em factos acontecidos e discutidos numa 
reunião. 
 
Definição 
É a reprodução de factos, decisões e opiniões reportados a assembleias, 
reuniões ou conselhos...é o relato oficial de tudo o que se passou durante 
a reunião de uma instituição, departamento, secção, conselho ou grupo de 
trabalho. Costuma fazer-se a distinção entre projecto de acta e a acta 
propriamente dita, coincidindo a passagem do primeiro à segunda com o 
momento da sua aprovoção. 
Este documento é elaborado pelo secretário da reunião que tem a ingrata, 
difícil e a penosa tarefa de, ao longo dela, recolher os apontamentos 
indispensáveis à sua elaboração posterior do projecto de acta. Mais tarde, 
com a ajuda do presidente, em caso de necessidade, ordená-los-á e 
redigirá uma primeira versão. O projecto de acta é escrito no livro de 
actas, cujas folhas devem estar rubricadas e numeradas – as folhas, não 
as páginas, pois cada folha tem duas páginas – pelo presidente da Mesa 
da Assembleia Geral, o mesmo acontecendo com os termos de abertura e 
88 
 
de encerramento. 
A redacção deve ser simples, concisa e clara; não deve haver 
abreviaturas e os números tal como as datas escrevem-se por extenso; 
intervalos em branco, interlinhas e rasuras são eliminados. Enquanto o 
projecto de acta, ou minuta, não for aprovado em Assembleia Geral, é 
pertença de quem o elaborou, que pode fazer as alterações que achar 
para a sua compreensão e fidelidade. 
Nela são relatadas todas as intervenções dos participantes da reunião. A 
sua redacção obedece a uma fórmula fixa de introdução e fecho, 
começando-se do seguinte modo: (aos nove dias, do mês de Junho de 
dois mil e sete, nas instalações da Faculdade de Educação e 
Comunicação, realizou-se uma reunião, que obedeceu à seguinte ordem 
de trabalhos/ ou cuja agenda encontra-se em anexo… 
Estruturalmente, a acta pode ser dividida em três partes fundamentais, 
nomeadamente: 
 O cabeçalho, contendo a identificação do documento e o respectivo 
número de ordem 
 O corpo, comportando os relatos das várias etapas e intervenções 
dos participantes 
 O Fecho, contendo a fórmula fixa do fecho e as assinaturas do 
presidente e do secretário da reunião. 
 
Técnicas de elaboração 
Ao longo da elaboração da acta, há formas próprias de introdução das 
intervenções/falas dos participantes da reiunião, como os actos de fala 
que a seguir alistamos: 
- referindo-se à questão do…ele teria dito que… 
- usando da palavra, o Sr, Mahulana, afirmou que…disse 
que…realçou o facto de que… 
- apelou aos presentes para que… 
- questionou o facto de… 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 89 
 
- perguntou, 
- disse ter ficado impressionado, cheteado, escandalizado 
com o facto de… 
- João Wanicela disse não concordar com a posição do 
seu colega… 
- Benilde, chefe da turma, interveio para aclarar algumas 
questões que constituíam embaraço… 
A acta obedece a uma fúrmula fixa do fecho, que é: (não havendo mais a 
tartar, a reunião foi encerrada (dada por terminada), da qual foi lavrada/ 
(se lavrou) a presente acta, que, depois de lida, será assinada pelo 
Presidente (ou…) e por mim que secretariei a reunião. 
NB: 
 Os espaços em branco, na acta, devem ser trancados de forma a 
evitarem-se acréscimos posteriores… 
 Em caso de falha ao longo da redacção da acta, esta não deve 
ser rasurada nem borrada, devendo-se, nestes casos, 
acrescentar-se a palavra digo, logo depois da falha e colocando a 
palavra correcta pretendida. 
 
Elementos Discursivos 
Uso da voz passiva e das formas do particípio passado (relativamente ao 
ponto número três, foi dito que…ficou acordado que…decidiu-se que as 
reuniões serão feitas…), 
Uso do discurso indirecto (ele disse que…) 
Uso do Pretérito perfeito, mas também das formas do imperfeito… (ele 
teria dito que…), coube a vez a Fernando Sumabane que interveio para 
questionar sobre se não haveria espaço para mais um ponto na agenda. 
Sumário 
Em síntese: 
90 
 
 A acta é um meio de informação da “vontade colectiva”; o elemento de 
prova e de interpretação dessa vontade; o registo da vida das instituições; 
depois de aprovada, é imutável e só a Assembleia pode permitir que ela 
seja objecto de avaliação posterior. 
 
Exercícios 
 
 
1. Da convocatória que elaboraste na unidade anterior, elabora a 
respectiva acta que é fruto da reunião realizada. 
2. Divide a acta que produziste em partes correspondentes à 
estrutura do texto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 91 
 
Unidade 23. Texto Expositivo-Explicativo 
Introdução 
O texto expositivo-explicativo dá a conhecer e/ou esclarece determinadas 
situações ou factos. É um tipo de texto cujo objectivo se prende 
essencialmente com o conhecimento da realidade, a respeito da qual 
oferece um saber. 
Nesta unidade apresentamos detalhadamente o texto expositivo-
explicativo, no concernente à conceitualização; característcas estruturais 
e discursivas; bem como aos princípios que regulam a construção do 
referido texto. 
Ao completar esta unidade / lição, serás capaz de:Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 
 Definir o conceito e os objectivos do texto expositivo – explicativo; 
 Analisar o material icónico dos textos expositivos-explicativos. 
 
Definição 
O texto expositivo/explicativo é um tipo de texto cuja intenção de 
comunicação se prende essencialmente com conhecimento da realidade, 
a respeito da qual oferece um saber. 
A finalidade de acção da linguagem a atingir é a de informar, isto é, de 
transmitir conhecimentos ao destinatário relativo a um referente preciso. 
Por isso, o texto expositivo/explicativo é um texto conceptual, visa instruir 
o estado cognitivo do destinatário. 
Características 
Quanto à organização textual 
 A análise de qualquer texto requer o conhecimento das regras do seu 
funcionamento, da sua estruturação, isto é, da sua gramática. Da mesma 
forma que o campo da linguística desenvolve estudos visando a 
consciencialização dos elementos da frase, torna-se imperioso o estudo 
dos elementos caracterizadores de cada tipo de texto. 
Collier (1986:8) apud Adam resume as fases de construção do 
92 
 
texto expositivo/explicativo em três momentos: 
1) A fase de questionar 
2) A fase de resolução 
3) A fase de conclusão 
Estes três momentos (introdução, desenvolvimento e conclusão) podem 
ou não aparecer explícito na superfície do texto. Todavia, a fase de 
questionar não contém necessariamente uma interrogativa directa ou 
indirecta; poderá, por exemplo, ser constituída apenas pela explicitação 
do tema / assunto da exposição, às vezes, aparece no título do texto. 
A ordem de ocorrência destas fases, regra geral, obedece ao seguinte 
encadeamento: de questão poder-se-á ir à resolução, ou optar-se pela 
antecipação da parte conclusiva. 
Exemplo 1: 
 Introdução – uma reflexão sobre influência da droga no 
rendimento escolar da camada juvenil. 
Implicitamente temos uma questão: 
A droga influencia? Porquê? Como? 
Desenvolvimento – Expor-se-ão as principais ideias sobre a 
influência da droga no rendimento escolar. 
Conclusão – Apresentar-se-ão as principais conclusões sobre o 
objecto problematizado. 
Exemplo 2: 
“A droga provoca um fraco rendimento escolar na camada juvenil, 
o que origina o abandono dos estudos”. 
Desenvolvimentos – Apresentam-se enunciados que fazem 
compreender a observância do baixo rendimento nos consumidores de 
estupefacientes. 
Quanto ao tipo de enunciados 
O texto expositivo/explicativo tem uma própria textura que o 
distingue das outras formas de discurso. 
Assim, este género textual é composto por três tipos de enunciados: 
1. enunciados de exposição, contendo uma sucessão de 
informações que visam fazer saber. 
2. enunciados de explicação que tem como finalidade fazer 
compreender o saber transmitido. 
3. enunciados que marcam as articulações do discurso: 
anunciar o que vai ser dito; resumir o que se disse; antecipar 
o que vai ser dito, através de títulos, subtítulos, numerações, 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 93 
 
etc., focalizar o que é dito através de sublinhados e de 
mudanças tipográficas. 
Os discursos de manuais (usados nas escolas) têm a ver com saberes 
científicos de base de uma disciplina, escritos por autores que não são, 
grosso modo, pesquisadores; jogam, sim, um papel de intermediários, 
Beacco, 1990. Este facto leva o autor da compilação a usar estratégias 
que ajudarão o estudante a compreender o texto. 
Características Linguísticas 
O texto expositvo/explicativo é um discurso de verdade, a sua 
objectividade manifesta-se através de formas linguisticas próprias. Ele é 
emitido por um locutor ao qual não são contestados nem o poder nem o 
saber. Quando se põe em causa esta autoridade, entra-se no domínio da 
polémica, perdendo, assim o estatuto de texto de explicação. É objectivo e 
isento de ataques. 
A análise deste tipo de discurso mostra a existência de uma diversidade 
de modos de comunicação: 
 emprego da passiva; 
 nominalizações; 
 apagamento do sujeito falante; 
 emprego de um presente com valor genérico; 
 uso de expressões que explicam os conteúdos 
veiculados; 
 articuladores. 
Uma das características do texto expositivo/explicativo consiste na 
abstracção do sujeito entanto que membro duma sociedade determinada; 
deve neutralizar tudo o que se possa resultar de uma apreciação pessoal, 
subjectiva. O discurso expositivo deverá, por isso, fazer desaparecer do 
enunciado toda a referência a um caso particular, a um momento 
determinado e situar-se no universal. A forma passiva é um mecanismo 
para tornar impessoal o discurso científico; ela é usada como uma 
estratégia de objectividade, de afastamento do sujeito enunciador do seu 
discurso. 
Em suma, usam-se procedimentos de invisibilidade, mesmo que em 
alguns textos apareça um nós, eu, estarão desprovidos do valor 
individualizante. Por se tratar de um discurso monológico, observa-se a 
ausência de tu. 
As nominalizações, processo que consiste na transformação de um 
sintagma verbal, ou adjectival num nome, permite, em certos casos, 
condensar o que foi dito, assegurar uma determinada orientação da 
94 
 
reflexão. 
Exemplo: 
“Quando os animais e as plantas morrem, os corpos apodrecem 
(SV) e acabam por desaparecer na terra. O apodrecimento (N) é 
provocado por organismos (...) ”. 
Quanto aos tempos verbais, a forma essencial é o presente com 
valor genérico ou estativo que enuncia as propriedades. 
Exemplo: 
 “O gato é um animal vertebrado”. 
A informação contida nesta frase constitui uma verdade que 
perdura, independentemente da sua enunciação. 
O presente genérico não pode ser oposto a um passado ou um 
futuro, trata-se de uma forma temporal “zero”, Mainguenean (1991:65). 
Um presente com valor deíctico (actual) reenvia ao momento de 
exposição. 
As expressões explicativas têm um papel importante nos textos 
expositivos/explicativos, permitindo ao emissor tornar mais clara a sua 
comunicação e orientar a compreensão do receptor. 
Definidos como elementos que asseguram as relações entre as 
diversas partes do texto, quer a nível intrafrásico, interfrásico, quer entre 
parágrafos, no texto expositivo/explicativo, estes elementos com 
frequência são de natureza lógica. 
Estes conectores podem marcar laços de adição (também, 
igualmente) oposições (mas, ao contrário) laços de consecução ou de 
causalidade (porque, visto que, dado que) 
 
Sumário 
Em síntese: 
O objectivo do texto expositivo/explicativo é o de comunicar de forma clara 
e pormenorizada, a um leitor determinado, que se supõe detentor de um 
saber insatisfatório, o que deve saber de um facto, assunto ou de um 
problema. 
A definição deste tipo de texto apresenta-se polémica, pois há estudiosos 
que usam variada terminologia, fundamentando as suas posições. Assim, 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 95 
 
é frequente encontrar em alguns livros teóricos termos como: texto 
explicativo, texto expositivo, texto argumentativo, etc. 
 
 
Exercícios 
1. Qual é o objectivo essencial do texto expositivo-explicativo? 
2. Leia atentamente o texto que se segue e responda às questões a 
seguir indicadas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Unidade 24. Texto Expositivo-Argumentativo 
Introdução 
O texto argumentativo é um dos textos pertencentes à tipologia de textos 
expositivos, no qual o autor apresenta as suas ideias ou opiniões acerca 
do que vê, pensa ou sente, ao contrário do que acontece com o 
explicativo – texto que apresenta factos sobre uma realidade. 
Nesta unidade pretendemos apresentar a definição do texto 
argumentativo; estrutura e vias de argumentação e de explicação, no 
quadro do texto expositivo-argumentativo. 
 
Ao completar esta unidade / lição, serás capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 Caracterizar o texto Expositivo-Argumentativo 
 Identificar as estratégias argumentativas 
 Redigir textos expositivos-Argumentativos. 
Conceito daArgumentação 
A argumentação visa persuadir o leitor acerca de uma posição. Quanto 
mais polémico for o assunto em questão, mais dará margem à abordagem 
argumentativa. Pode ocorrer desde o início quando se defende uma tese 
ou também apresentar os aspectos favoráveis e desfavoráveis 
posicionando-se apenas na conclusão. 
Argumentar é um processo que apresenta dois aspectos: o primeiro ligado 
à razão, supõe ordenar ideias, justificá-las e relacioná-las; o segundo, 
referente à paixão, busca capturar o ouvinte, seduzí-lo e persuadí-lo. 
Os argumentos devem promover credibilidade. Com a busca de 
argumentos por autoridade e provas concretas, o texto começa a 
caminhar para uma direcção coerente, precisa e persuasiva. Somente o 
facto pode fortalecer o texto argumentativo. Não podemos confundir facto 
e opinião. O facto é único e a opinião é variável. Por isso, quando ocorre 
generalização dizemos que houve um “erro de percurso”. 
Segundo Rei (1990:88) “Um argumento é um raciocínio destinado a 
provar ou refutar uma afirmação destinada a fazer admitir outra.” 
Ainda de acordo com o mesmo autor, a teoria da argumentacão estuda as 
técnicas discursivas que permitem provocar ou aumentar a adesão dos 
espíritos às teses que apresentamos ao seu consentimento. Sem se 
afastar da dialéctica, da lógica e da retórica. A argumentacãao investiu no 
campo da psicologia, da sociologia e da teoria geral da informação, indo 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 97 
 
nestes campos procurar alguma luz sobre como reage o homem, quando 
exposto às mensagens persuasivas, como altera as suas convicções e o 
seu comportamento. 
Argumentos e Provas 
Já definimos o argumento como um raciocínio destinado a provar ou 
refutar uma afirmacão ou, ainda, uma afirmacão destinada a fazer admitir 
outra. Os argumentos são, portanto, elementos abstractos, cuja 
disposição no discurso dependerá da sua força argumentativa, 
aparecendo, assim, no texto, numa disposicão crescente, decrescente ou 
dispersa. 
 
 
Ordens das Provas 
As provas têm a funcão de sustentar os argumentos e são de três ordens 
(Jules Verest, 1939: 468-471): 
Naturais - incluem os textos das leis, o testemunho das autoridades, as 
afirmacões das testemunhas e os documentos de qualquer espécie; 
Verdades e princípios Universais - são reconhecidas, deste modo, por 
todos e apresentadas sob a forma de raciocínio reduzido, ou entimema; 
O Exemplo – é um caso particular, real ou fitício, que tem uma analogia 
verdadeira com o caso que nos ocupa. A intencão é, a partir dele, inculcar 
uma verdade geral da qual deduzimos uma proposicão que queremos 
estabelecer. 
Percurso da Argumentação 
Segundo Rei (1990:90), são caminhos do pensamento para "justificar uma 
opinião, desenvolver um ponto de vista, reflectir para chegar a uma 
decisão" (1. Bellenger, 1988: 16); são processos de organização das 
ideias, segundo a natureza dos laços que unem os elementos ou as 
etapas do edifício persuasivo: onde operam os argumentos, escolhidos e 
dispostos, tendo em vista uma argumentação concreta. 
Estrutura do Texto Argumentativo 
O texto argumentativo, oral ou escrito, estrutura-se basicamente num 
plano tripartido: 
1. Exórdio – é a primeira parte de um discurso, preâmbulo, a 
introdução do discurso que consiste em: 
98 
 
a) Exposição do tema; 
b) Exposição das ideias defendidas (pode recorrer-se à explicitação 
de determinados termos, à apresentação de esquemas da exposição, 
à referência de outras opiniões, etc. 
2. Narração /confirmação – é a parte do discurso em que o orador 
desenvolve as provas, consiste na utilização de argumentos (citação 
de factos, de dados estatísticos, de outros exemplos, de narração de 
acontecimentos, etc.). 
3. Peroração/epílogo – é a parte final de um discurso, a sua 
conclusão, o remate, síntese, recapitulação. 
Vias de Argumentacão 
1. Via Lógica 
Trata-se, neste primeiro percurso, de modelos de raciocínios herdados 
das disciplinas ligadas ao pensamento: a indução, a dedução, o raciocínio 
causal. 
I. A Indução – é a forma habitual de pensar do singular 
ao plural, do particular ao geral. Pode tomar duas 
formas: totalizante, quando se estabelece a partir do 
recenseamento de um todo, adquirindo o estatuto de 
prova - como quando, depois da chamada, afirmamos 
"os alunos estão todos"; generalizante, quando o 
recenseamento completo não é possível e o 
raciocínio indutivo nos leva de uma parte ao todo, por 
generalização - por exemplo quando se afirma: "Os 
portugueses são hospitaleiros". Este é o 
procedimento mais usual, mas o menos rigoroso, pois 
a generalização implica simplificação, e com ele vem 
o engano, o idealismo e a teorização. 
II. A Dedução - dois princípios estão na sua base: o da 
não contradição - quando duas afirmções se 
contradizem uma delas é falsa - e o da progressão 
do geral para a particular - através de articulação 
lógica expressa por "assim", "portanto" ou "logo". 
Por exemplo, o silogismo - constituído por três proposições ou 
afirmações - chamadas premissas as duas primeiras 
(apelidada uma de "major" e outra de "menor", confome o 
termo que contém, e conclusão, a terceira - deve possuir três 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 99 
 
termos e combiná-Ios dois a dois. Veja: 
Os Homens são mortais 
Sócrates é um homem 
Sócrates é mortal. 
III. O raciocínio causal - "Asseguremo-nos bem do facto, 
antes de nos inquietarmos com a causa" aconselhava 
Fontenelle (L. Bellenger, 1988: 27), o papel preponderante do 
raciocínio causal, na argumentação, assenta em duas 
transposiões constantes: da causa para o efeito e do efeito 
para a causa, conduzindo ao pressuposto de que "o 
conhecimento das causas permitirá remediar o facto 
constatado" (ibid. 27), quer dizer, suprimamos as causas e o 
problema estará resolvido, o que leva as pessoas a 
preocuparem-se mais com as razões do presente do que com 
o modo de melhorar o futuro. 
Via Explicativa 
A Via Explicativa à semelhaça da anterior procura fazer compreeender e 
tornar inteligível a informação da argumentação. L. Bellenger (ibid.: 36-
45), via explicativa usa as definições, as comparações, a analogia, a 
descrição e a narração. O explicar pretende convencer com o máximo de 
objectividade. 
I. A definição - definir e dizer a verdade e responde à 
necessidade de compreender. A necessidade de definir 
aumenta a credibilidade de quem quer convencer. 
II. A comparação - usa-se a comparação para provar a 
utilidade, a bondade, a valor de uma coisa, um resultado, uma 
opinião. A técnica comparativa é simples, fácil de 
compreender, inscrita nos nossos hábitos, levando-nos a usá-
la, activa e passivamente, de forma natural e sem disso nos 
darmos conta. A comparação procura fazer passar 
identidades entre factos, pessoas ou opiniões diferentes e 
transpor valores de sistemas independentes e autónomos: 
estas passagens e transposiçães são manipuladoras e 
pretendem chocar, colocar problemas de consciência, 
questionar os modelos culturais e as normas vigentes. 
III. A analogia – “é a imaginação em auxílio da vontade de se 
explicar e de convencer.” (L. Belllenger, 1988: 41). Trata-se 
de uma semelhança estabelecida pela imaginação entre 
pensamentos, factos, pessoas. Simboliza a vontade de bem 
se exprimir e bem se fazer entender. Simplifica a caricatura, 
prestando-se, assim, a uma fácil fixação e a uma 
compreensão imediata, daí o seu uso frequente na 
publicidade. Os antigos olhavam-na com alguma reserva, 
100 
 
aconselhando, por isso, a introoduzí-Ia com expressões 
como: de certo modo, quase como, uma espécie de… 
IV. Descrição e narração - para convencer alguém, podemos 
descrever ou narrar uma situção ou um acontecimento. São o 
ponto de partida da indução socrática: narra uma história, 
uma experiência, uma anedota, desencadeia um processo de 
inferência que a partir de um facto nos conduz ao princípio ou 
à regra. É o pesodo concreto, do vivido e do testemunho que 
passa através delas. Ambos os processos criam a ausência, 
a falta de um complemento, de um remate, de um "E depois?" 
- ouvido sempre que alguém, ao narrar algo, aparenta parar 
ou desviar-se do enredo. 
 
Sumário 
Em síntese: 
Argumentar é um processo que apresenta dois aspectos: o primeiro ligado 
à razão, supõe ordenar ideias, justificá-las e relacioná-las; o segundo, 
referente à paixão, busca capturar o ouvinte, seduzí-lo e persuadí-lo. 
Exercícios 
1. Qual é o objectivo essencial do texto expositivo-argumentativo? 
2. Procura um tópico que apoquenta a tua comunidade e produz um 
texto expositivo-argumentativo, em que apresentas argumentos a 
favor e contra a(s) tese(s) que apresentas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 101 
 
 
Unidade 25. O Relatório 
Introdução 
Na sua formação académica, a produção dos relatórios constitui uma fase 
importantíssima, pois por meio dela o estudante (aluno) será capaz de 
apresentar os dados de uma pesquisa. 
Este trabalho permitirá que mais tarde, como profissional, possa ter 
adquirido e desenvolvido a prática e o raciocínio crítico necessários à 
elaboração de um artigo científico. 
Ao completar esta unidade / lição, serás capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 
 
 
 
 Conceitualizar o termo relatório; 
 Distinguir relatório com outros textos administrativos ou 
funcionais; 
 Reconhecer a estrutura básica do relatório; 
 Produzir um relatório, com base nas regras fundamentais, coeso 
e coerente discursivamente. 
Conceito 
Um relatório de uma actividade prática é uma exposição escrita de um 
determinado trabalho ou experiência laboratorial. Não é apenas uma 
descrição do modo de proceder (técnicas, reagentes, material, etc.), 
Segundo Rei (1990 : 183) 
O relatório trata-se de uma declaração formal dos resultados de uma 
investigação feita por alguém, que em relação a ela recebeu instruções de 
um outro, sob forma de pedido ou ordem. Exige estudo prévio, e 
aprofundado, elevado grau de elaboração, e matéria para apreciação e 
decisões posteriores. 
Características do relatório 
O Relatório apresenta como características: 
 Uma linguagem simples, clara, objectiva e precisa; 
 A clareza do raciocínio, 
102 
 
 Um relatório deverá ser conciso e coerente, incluindo a 
informação indispensável à compreensão do trabalho; 
 Todas as afirmações devem ser baseadas em provas factuais e 
não em opiniões não fundamentadas 
 Deve evitar o excesso de conclusões, sendo estas precisas e 
sintéticas. As conclusões devem, igualmente, ser coerentes com 
a discussão dos resultados. 
Estrutura de um relatório 
A apresentação de um relatório em várias secções ajuda à sua 
organização e escrita por parte dos autores e, de igual modo, permite ao 
leitor encontrar mais facilmente a informação que procura. 
 Título, autor (es) e data (capa) 
Identificação do trabalho (título), Identificação dos autores, Data em que o 
relatório foi realizado. 
 Índice: 
 Introdução 
Nesta parte do relatório deve ser introduzido o trabalho a realizar, bem 
como as noções teóricas que servem de base ao mesmo. A introdução 
deve conter a informação essencial à compreensão do trabalho. 
O Projecto do Estudo 
Em primeiro lugar, trará ao aluno de executar um dos projectos de 
pesquisa apresentando os conhecimentos necessários para a 
compreensão dos fenómenos que serão estudados. 
Material e Métodos (Revisão teórica) 
A revisão bibliográfica é, sem dúvida, um dos pontos vitais de um 
trabalho científico, deve trazer informações que possam ser acessadas 
pelos leitores, através da citação, das referências bibliográficas. 
 
Discussão dos Resultados 
Interpretação dos resultados. A discussão deve comparar os resultados 
obtidos face ao objectivo pretendido. Não se deve tirar hipóteses 
especulativas que não possam ser fundamentadas nos resultados obtidos. 
A discussão constitui uma das partes mais importantes do relatório, uma 
vez que é nela (e não na introdução) que os autores evidenciam todos os 
conhecimentos adquiridos, através da profundidade com que discutem os 
 
 Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa 103 
 
resultados obtidos. 
Conclusões 
Esta parte do relatório deve sumarizar as principais conclusões obtidas no 
decurso do trabalho realizado. 
Referências bibliográficas 
A bibliografia deve figurar no fim do relatório. Nela devem ser 
apresentadas todas as referências mencionadas no texto, que podem ser 
livros, artigos científicos, CD-ROMs e websites consultados. 
Sumário 
Em síntese: 
O relatório é uma declaração formal dos resultados de uma investigação 
feita por alguém, que em relação a ela recebeu instruções de um outro, 
sob forma de pedido ou ordem. Apresenta como características: 
 Uma linguagem simples, clara, objectiva e precisa; 
 A clareza do raciocínio, 
 Ser conciso e coerente; 
 As afirmações devem ser factuais e não opiniões sem 
fundamentos; 
 Evitar o excesso de conclusões. 
 
Exercícios 
 
1. Fala dos diferentes tipos de relatórios e apresenta detalhes de 
distinção. 
2. Elabora um relatório baseado em factos reais ou num assunto à 
tua escolha.

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