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Imunologia

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Imunologia
Organização dos mecanismos de resistência do hospedeiro
	Para entendermos sobre o sistema imune, precisamos estabelecer um equilíbrio tênue no processo saúde-doença. Para estar isento da manifestação de doenças, é necessário que os mecanismos de resistência do nosso corpo estejam no mesmo nível do que os mecanismos causadores de doença dos microrganismos.
V
R
 
R= mecanismo de resistência do hospedeiro
V= mecanismo de virulência do agressor
	Caso o equilíbrio se perca, o corpo do hospedeiro pode ficar muito doente (aumenta o V e diminui o R) ou muito saudável (diminui o V e aumenta o R).
mECANISMOS DE rESISTÊNCIA
1) Barreiras naturais: elas reduzem a quantidade de microrganismos que conseguem adentrar no corpo do hospedeiro. São elas:
a) Físicas: pele íntegra (na composição da pele estão presentes células justapostas e ácidos graxos, que dificultam a entrada de água e microrganismos que possam estar ali).
b) Químicas: lisozimas (enzimas que quebram a parede celular de bactérias evitando que as mesmas causem danos ao hospedeiro), ácidos graxos na pele (inibem a formação de fungos e a torna impermeável), pH estomacal (que é muito ácido para a maioria das bactérias e fungos), enzimas digestivas (algumas enzimas tem a capacidade de quebrar substâncias presente nas células de microrganismos) e o muco (que contém elementos de micomicina, um antibiótico natural).
c) Mecânicas: peristaltismo (são movimentações que acontecem em região entérica, que precisam funcionar adequadamente para que o bolo fecal não sirva de alimento para os microrganismos) e movimentos oculares (reflexo de piscar e as lágrimas).
2) Microbiota humana normal: alguns microrganismos vivem no hospedeiro em lugares específicos (superfícies como mucosas e pele), que estão em uma condição de equilíbrio e não causam mal algum.
a) Competição com microrganismos exógenos: os microrganismos da nossa microbiota normal, competem com os de fora, não deixando com que eles entrem com facilidade.
b) Estimulação do peristaltismo: algumas bactérias, como os lactobacilos, auxiliam na movimentação do intestino, permitindo que o local não se torne propenso ao crescimento de outros microrganismos.
c) Mimetismo imunológico: alguns microrganismos conseguem imitar algumas células protetoras presentes no nosso corpo, que ao fazer isso, auxiliam na ativação do funcionamento do sistema imune.
d) Ativação do sistema imune: alguns microrganismos conseguem participar da ativação do sistema imune.
3) Sistema Imune: consiste numa rede de células, tecidos, órgãos e moléculas que atuam na defesa do organismo contra o ataque de invasores externos, com a finalidade de manter a homeostasia dinâmica do organismo. O funcionamento do sistema imune consiste na resposta coletiva e coordenada das células e moléculas diante dos agentes estranhos, caracterizando o que é resposta imune. A resposta imune é qualquer atividade imune, seja ela benéfica, neutra ou nociva. Os principais elementos efetores são os leucócitos (conjunto de células que trabalham juntas na proteção do organismo, possuem receptores que reconhecem os elementos do seu ambiente e o próprio ambiente), que se dividem em:
a) Neutrófilos
b) Eosinófilos
c) Basófilos
d) Monócitos -> Macrófagos 
e) Células natural killer - NK
f) Linfócitos B
g) Linfócitos T (CD4 e CD8)
h) Mastócitos
i) Células dendríticas 
	A função do sistema imune é manter a integridade orgânica, não somente atuando na defesa do organismo, mas sim no seu equilíbrio. Existem também propriedades principais dos leucócitos que são:
· Reconhecimento imune: todos os leucócitos são capazes de comparar quais células são próprias do organismo (resposta imune neutra) e quais não são (resposta imune nociva), também diferenciando as que são próprias do organismo e quais estão danificadas ou alteradas (resposta imune nociva). Para que esse reconhecimento aconteça, é necessário haver contato entre as células.
Próprio (tolerância) x não-próprio (ataque)
Próprio (tolerância) x próprio-alterado (ataque)
· Especificidade: é a capacidade que cada célula possui em reconhecer determinados tipos de agentes invasores e produzir uma resposta específica para cada um deles. Existem três tipos de receptores nas células imunológicas: receptores promíscuos, os receptores específicos e os receptores de modulação da resposta imunológica.
	Os receptores promíscuos são aqueles utilizados para o reconhecimento de grandes grupos de agressores, que não permitem a individualização de espécies ou subgrupos de antígenos dentro do grupo inicial. Ocorrem em células fagocitárias e citotóxicas (macrófagos, neutrófilos, células NK).
	Os receptores específicos são aqueles que permitem individualizar subgrupos de um agressor dentro do grupo maior, permitindo o combate específico de certos agentes invasores. Ocorrem em células controladoras (linfócitos B, linfócitos T-CD4 e T-CD8).
	Os receptores de modulação da resposta imunológica atuam como mediadores imunológicos de citocinas, anticorpos, hormônios e complementos. Eles podem disparar e/ou intensificar a resposta imune e também podem diminuir e/ou cessar a resposta imune.
· Memória imunológica: uma vez que um linfócito entrou em contato com um agente invasor, ele multiplica suas células que possuem receptores específicos para que elas reconheçam aquele antígeno específico todas as vezes que ele estiver presente no organismo. Isso melhora a eficiência dos linfócitos, já que possuirão memória e anticorpos preparados para determinado antígeno e já estarão prontos para atacar quando entrar em contato, tendo uma resposta mais rápida. Essas células de memória têm vida longa e são capazes de reconhecer determinados antígenos por anos.
· Diversidade e adaptabilidade: diversidade é a capacidade dos linfócitos em reproduzir receptores específicos para o reconhecimento de agentes invasores a partir do contato com antígenos deles, que são números altíssimos. Cada linfócito possui números diferentes de receptores que podem produzir. Um linfócito B consegue reconhecer tipos de invasores diferentes, enquanto um linfócito T consegue reconhecer outros tipos de invasores. A adaptabilidade é o tempo que cada linfócito possui para gerar uma resposta imunológica, desde o contato com o agressor e seu reconhecimento até o início do combate. Esse tempo é variável de linfócito para linfócito. 
Tipos de imunidade 
	Ainda falando sobre os mecanismos de resposta do hospedeiro, pode-se dizer que existem 2 tipos de imunidade:
1) Imunidade inata ou sistema complemento: é o conjunto de formas de imunidade que nascem com o indivíduo, sem necessidade de introdução de substâncias ou estruturas exteriores ao organismo. São considerados mecanismos de defesa inespecíficos e a primeira barreira de contato do agente agressor. São ocorrências rápidas e que não induzem memória imunológica. Fazem parte dessa imunidade os mecanismos de barreira natural (físicas, químicas e mecânicas) e alguns leucócitos, como macrófagos, neutrófilos, eosinófilos, mastócitos e células NK. Esses leucócitos estão associados ao processo da fagocitose e reações inflamatórias.
2) Imunidade adquirida: é a imunidade que um indivíduo recebe após ter tido contato com certo agente invasor, de forma natural ou artificial. São considerados mecanismos de defesa específicos e só são desenvolvidos a partir do contado com o antígeno dos agressores. São ocorrências demoradas e que induzem memória imunológica. Ela é desenvolvida durante toda a vida de um indivíduo e se caracteriza em dois tipos:
a) Humoral: gera uma resposta mediada por moléculas no sangue e nas secreções da mucosa, chamadas de anticorpos, produzidos pelos linfócitos B, sendo o principal mecanismo de defesa contra microrganismos extracelulares e suas toxinas. Os anticorpos reconhecem os antígenos (qualquer partícula estranha ao corpo), neutralizam a infecção e eliminam estes antígenos por variados mecanismos efetores.
b) Celular: Por sua vez, a imunidade celular gera resposta mediada pelos linfócitos T. Quando