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Arte e educação
não formal
Tatiana Romagnolli Peres
Arte e educação não
formal
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Peres, Tatiana Romagnolli
ISBN 978-85-8482-448-9
1. Arte – Educação e ensino. 2. Educação não formal. 3.
Museus. 4. Espaços culturais. 5. Patrimônio cultural. I. Título.
CDD 708
Londrina : Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2016.
200 p.
P437a Arte e educação não formal / Tatiana Romagnolli Peres. –
© 2016 por Editora e Distribuidora Educacional S.A.
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer
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Danielly Nunes Andrade Noé
Parecerista
Rosângela de Oliveira Pinto
Editoração
Emanuel Santana
Cristiane Lisandra Danna
André Augusto de Andrade Ramos
Adilson Braga Fontes
Diogo Ribeiro Garcia
eGTB Editora
2016
Editora e Distribuidora Educacional S.A.
Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza
CEP: 86041-100 — Londrina — PR
e-mail: editora.educacional@kroton.com.br
Homepage: http://www.kroton.com.br/
Unidade 1 | Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura,
escolas de arte, galerias
Seção 1 - Sobre a importância da formação em arte
1.1 | A importância da arte e da formação em arte
1.2 | Arte e sua relação com os espaços
Seção 2 - Espaços culturais para a arte
2.1 | Museus
2.2 | Centros de cultura
2.3 | Escolas de arte
2.4 | Galerias
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11
23
31
31
42
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Unidade 2 | Interação entre os espaços de educação formal e não formal
Seção 1 - Delimitações sobre espaço formal e não formal
2.1 | Espaço formal
1.1 | Espaço não formal
Seção 2 - Arte em diferentes espaços
1.1 | A arte começa na escola?
1.2 | Possibilidades da integração entre educação formal e não formal
59
63
63
78
87
87
92
Unidade 3 | Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação
de bens culturais
Seção 1 - Conceitos de exposição, curadoria, monitoria
1.1 | Exposição
1.2 | Curadoria
1.3 | Monitoria
Seção 2 - Patrimônio e conservação
2.1 | O que é patrimônio cultural?
2.2 | Conservação de bens culturais
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111
111
120
130
137
137
143
Unidade 4 | Praticas pedagogicas em sala de aula
Seção 1 - Novas práticas para a arte-educação: desafios de
aproximação entre educação formal e não formal
1.1 | Os novos desafios para a aproximação da educação formal e não formal
153
157
158
Sumário
1.2 | Visitando exposições de arte: discussões, propostas e sugestões
introdutórias
Seção 2 - Reflexões sobre o museu virtual como prática
educativa
171
187
Apresentação
Atualmente, diversos questionamentos se interpõem frente à educação em
arte. Muitos buscam desvendar e contribuir para a proposição de novos caminhos
que tentam desvendar as potências implícitas ou explícitas do conhecimento em/
sobre arte.
Contudo, um fator chama a atenção quando se atenta para as implicações da
arte: as constantes e atuais transformações do universo informacional e tecnológico.
É evidente que muitas dessas transformações, que, muitas vezes, são originárias de
outras áreas, acabam também desencadeando uma série de mudanças nos modos
de fazer, compreender, apreciar, pesquisar ou de relacionar-se com a arte e com
seus desdobramentos. Em razão disso, interpõem-se questões sobre a capacidade
de adaptação dos conteúdos ou metodologias da aula de arte.
Por esse motivo, este livro visa debater como possíveis conexões entre espaços
de educação formal e não formal podem alavancar as potencialidades da arte e
cooperar de modo significativo para o surgimento de possibilidades educacionais
que estimulem e instiguem os novos perfis de estudantes da contemporaneidade.
Dessa forma, o livro Arte e Educação Não Formal objetiva discutir novas práticas
e abordagens pedagógicas que tenham em vista ultrapassar os muros das escolas,
alcançando outros possíveis lugares para formação e construção do conhecimento,
mesmo que esses sejam simplesmente espaços virtuais. Neste material, você terá
acesso a informações que demandam discutir sobre esses possíveis espaços não
formais de formação e sua relação com o conhecimento em arte. A intenção será
refletir sobre como esses espaços não formais podem cooperar para a criação de
novos ambientes de intervenção e interação educacional.
A Unidade 1, "Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas
de arte, galerias", possui duas seções. A primeira seção, "Sobre a importância da
formação em Arte", compreende delimitações sobre a relevância da arte para
a compreensão do universo comunicacional e imagético. A segunda, "Espaços
culturais para a Arte", aponta como diferentes espaços culturais podem contribuir
para a formação em arte.
Na Unidade 2, Interação entre os espaços de educação formal e não formal,
encontram-se duas seções, sendo que a primeira, "Delimitações sobre o espaço
formal e não formal", apresenta definições sobre educação formal e não formal.
Assim, a segunda, "Arte em diferentes espaços", proporciona formas de pensar a
interação entre espaços formais e não formais na arte-educação.
Já a Unidade 3, "Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação
de bens culturais", apresenta duas seções. A primeira, "Conceitos de exposição,
curadoria, monitoria", discute delimitações e especificidades desses termos.
A segunda, "Patrimônio e conservação", trata de evidenciar a valorização e
conservação do patrimônio cultural brasileiro.
Por fim, a Unidade 4, "Práticas pedagógicas em sala de aula", apresenta
também duas seções. A primeira, "Novas práticas para a arte-educação: desafios
da aproximação entre educação formal e não formal", direciona debates sobre
propostas de aproximação entre educação formal e não formal por meio da visita
a museus. Já a segunda, "Reflexões sobre o museu virtual como prática educativa",
aborda a importância da exploração de museus virtuais nas aulas de Arte.
Bons estudos!
Tatiana Romagnolli Peres
Unidade 1
ARTE E OS ESPAÇOS
CULTURAIS: MUSEUS, CENTROS
DE CULTURA, ESCOLAS DE
ARTE, GALERIAS
Na primeira seção desta unidade, compreenderemos a relevância da
arte para a compreensão do universo comunicacional e imagético. Tais
conteúdos convergirão para reflexões sobre as potencialidades da arte e,
Seção 1 | Sobre a importância da formação em Arte
Objetivos de aprendizagem
Nesta unidade, você irá compreender a importância da arte e do universo
imagético para a atualidade e como ambos tornaram-se imprescindíveis para
entender as relações do homem contemporâneo. Além disso, compreenderá que
a arte pode ser um grande instrumento de comunicação, percebendo ainda que
ela pode portar influências advindas de relações sociais e culturais precedentes.
Nesse contexto, a posição de importância da arte na contemporaneidade será
evidenciada por meio de análises sobre a sua função a partir das contribuições
da arte-educação. Para tanto, serão evidenciadas as propostas de intervenção
de espaços culturais específicos como museus, centros de cultura, escolas
de arte e galerias. Também serão sugeridas reflexões que contribuirão para o
estabelecimento de novos posicionamentossobre a arte por meio de correlações
dessa com possíveis espaços de produção, apresentação e apreciação artística
vigentes. Essas informações podem ser fundamentais para que você possa
entender que a formação em arte ultrapassou, há tempos, os limites de escolas.
Tatiana Romagnolli Peres
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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consequentemente, da imagem na formação dos indivíduos. Essas discussões
convergirão, do mesmo modo, para a necessidade de pensar a respeito das
relações estabelecidas entre a arte-educação e os espaços culturais.
Já a segunda seção se desdobrará sobre os diferentes espaços culturais que
podem contribuir para a educação cultural e formação em Arte. Sendo assim,
serão abordados assuntos referentes às ações e possibilidades de intervenções
sugeridas por museus, centros de cultura, escolas de arte e galerias.
Seção 2 | Espaços culturais para a Arte
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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Introdução à unidade
Qual a importância da arte? Em que espaços pode-se ter acesso à arte? Uma
educação para a arte pode ser acessada somente por meio de instituições formais
de ensino, como a escola? A arte é capaz de portar alta quantidade de elementos
informacionais e comunicacionais. Dessa forma configura-se como importante
instrumento de comunicação humana. Em função dessas constatações, percebe-se
que o lugar que a arte ocupa atualmente na formação dos diferentes grupos tornou-se
extremamente relevante na medida em que percebemos que ela contribui de maneira
pontual para a construção de sujeitos muito mais críticos, criativos e capazes de melhor
compreender a realidade que os cerca.
Nesta unidade, faremos uma viagem por diferentes questões que embasam
o conhecimento sobre a importância da arte para a formação dos indivíduos,
abarcando questões que amparam a ideia de que se tornou imprescindível o contato
e ampliação de conhecimento sobre a necessidade da arte. Configura-se, portanto,
um momento em que se buscará promover a compreensão de como a arte e os
espaços em que esta é apresentada são essenciais para o desenvolvimento estético.
Para que isso ocorra, destacaremos também que a arte pode ser encontrada em
ambientes surpreendentes e alternativos que rompem com lugares estereotipados
ou elitistas.
Para tanto, na primeira seção, "A importância da arte e de seus espaços culturais",
o estudante entenderá as potencialidades da arte e as influências dos espaços para
a educação não formal. Na segunda seção, 'Espaços culturais para a arte", você irá
conhecer diferentes espaços culturais para a exposição de objetos artísticos/obras
de arte como museus, centros de cultura, escolas de arte e galerias.
Cultura: “Do verbo latino colere, que significa cultivo, cuidado com
as plantas, os animais e tudo o que se relaciona com a terra, como a
agricultura. Designava também o cuidado com os deuses, de onde vem
a palavra ‘culto’; também era aplicada ao cuidado com as crianças e com
sua educação, referindo-se ao cultivo do espírito. É neste último sentido
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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que o termo é usado até hoje. Do ponto de vista da Antropologia, o termo
‘cultura’ refere-se a tudo o que o ser humano faz, pensa, imagina, inventa,
porque ele é capaz de viver somente guiado por seus instintos, ele é levado
a construir ‘ferramentas’ que possam ajudá-lo a instalar-se no mundo, a
sobreviver, a desenvolver sua humanidade. A essas ferramentas dá-se o
nome de cultura. [...] Em sentido restrito, diz respeito à produção ligada
às diferentes práticas artísticas, ou seja, às manifestações que façam uso
das linguagens artísticas, populares ou eruditas” (ARANHA; MARTINS,
2009, p. 409-411).
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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Seção 1
Sobre a importância da formação em Arte
Nesta seção, iremos desvendar informações sobre importância da arte e
compreender como ela pode interferir ativamente na construção crítica dos indivíduos.
Abordaremos, para tanto, modos que possibilitarão a apreensão do potencial
informacional, muitas vezes subjetivo, contido tanto na arte quanto nas imagens,
sejam elas artísticas ou não. Discutiremos sobre como o universo imagético tornou-se
imprescindível para as relações sociais e culturais do homem contemporâneo. Além
disso, nesta seção, também será possível notar aprofundamentos sobre como a arte
pode exercer ativamente sua função, ainda que encontrada em espaços culturais
diferenciados, que rompem com a perspectiva óbvia da sala de aula, da educação
formal. Por isso, você poderá notar como a arte se relaciona com os espaços em que
é exposta e qual o papel que esses espaços podem ocupar atualmente na educação
não formal sobre Arte.
1.1 A importância da arte e da formação em arte
Qual a importância da imagem e da arte para você? Com base no que imaginou
previamente, você poderá embrenhar-se em um outro universo que tentará a
desvendar os segredos contidos na arte e por consequência na imagem. De diferentes
O homem anseia por absorver o mundo circundante, integrá-
lo a si; anseia por estender pela ciência e pela tecnologia o
seu "Eu" curioso e faminto de mundo até as mais remotas
constelações e até os mais profundos segredos do átomo;
anseia por unir na arte o seu "Eu" limitado com uma existência
humana coletiva e por tornar social a sua individualidade.
Ernst Fischer
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pontos de vista, vários autores, que serão estudados nesta unidade, debruçaram-se
sobre inúmeras pesquisas na tentativa de desvendar e discutir a importância da arte,
sua relação com o processo de aprendizagem e com a educação. Em função disso,
é sabido que a arte-educação contribui amplamente com o desenvolvimento do
aluno, podendo também colaborar na construção de criticidade e percepção do
mundo. De acordo com Buoro (2003, p. 33), “a finalidade da Arte na educação é
propiciar uma relação mais consciente do ser humano no mundo e para o mundo,
contribuindo na formação de indivíduos mais críticos e criativos que, no futuro,
atuarão na transformação da sociedade”.
Por isso, pode-se imaginar antecipadamente que as relações estabelecidas entre
arte e educação não são isentas de potencialidades extremamente importantes, não
podendo, portanto, ser considerada desnecessária ao currículo. Consequentemente,
é possível afirmar que a educação, em suas variadas instâncias, coexiste com a arte,
num processo de dependência mútua. Essas relações denotam consequências
altamente complexas para a arte-educação, já que complementam e influenciam o
processo de ensino-aprendizagem. Inquestionavelmente, reafirma-se a necessidade
da presença permanente da arte-educação nos currículos.
Sendo assim, todas essas discussões iniciais giram em torno da ideia de se
pontuar claramente qual é a verdadeira função da arte na formação educacional,
metodológica, cultural ou histórica do indivíduo. A arte pode ser vista como reflexo
de diferentes relações sociais. Pode ser percebida também como um modo do
indivíduo, seja ele pertencente a qualquer época ou lugar, compreender seu entorno
e, consequentemente, estabelecer relações com a cultura circundante. Para reforçar
essa percepção sobre a função da arte, vale analisar a fala de Buoro (2003, p. 23)
É necessário introduzir a arte na educação como uma
metodologia pedagógica e como uma metodologia para
adquirir conhecimentos. O fato é que é necessário introduzir
noções pedagógicas na arte para afinar o rigor da criação e
para melhorar a comunicaçãocom o público ao qual o artista
quer se dirigir. O fato é que não há verdadeira educação
sem arte nem verdadeira arte sem educação. O fato é que o
artista que não consegue sobreviver no mercado vai ensinar
sem saber como ensinar. O fato é que o professor que não
tem ideias não se atreve a recorrer à arte para tê-las. O fato,
trágico, é que aceitamos socialmente que é possível ensinar
sem rigor e que somente pode se fazer arte por designação
divina. [...] arte e educação são uma mesma atividade que se
formaliza em meios diversos (CAMNITZER, 2009, p. 20-21).
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ao assegurar que “em cada momento específico o homem tenta satisfazer suas
necessidades socioculturais também por meio de sua vontade/necessidade de Arte”.
Logo, há que se pensar que a arte é primeiramente e, no mínimo, necessária.
Ao longo de toda a vida, cada indivíduo entra em contato com uma quantidade
incalculável de imagens cotidianamente. Dessa maneira, devemos refletir que
“imagens impõem presenças que não podem persistir ignoradas ou subestimadas
em sua potencialidade comunicativa” (BUORO, 2003a, p. 35). Faz-se necessário
compreender o mundo imagético e informacional circundante.
Contudo, uma questão se faz presente: as imagens são mesmo relevantes
na contemporaneidade? A resposta a essa pergunta decorre de um outro
questionamento: onde encontramos imagens? Todos poderiam citar uma infinidade
de espaços, até porque a quantidade de imagens a que se tem acesso atualmente
tornou-se praticamente incalculável. Elas encontram-se na internet, nos celulares,
A arte, portanto, se faz presente, desde as primeiras
manifestações de que se tem conhecimento, como linguagem,
produto da relação homem/mundo. Neste sentido, não
existe homem puro, o ser biológico separado de suas
especificidades psicológicas, sociais e culturais. Cada uma
dessas especificidades está presente e sempre esteve presente
na vida humana, e é por meio delas que, desde os tempos
mais remotos, o homem foi se relacionando com a natureza
e com o mundo ao seu redor, construindo as possibilidades
de sua sobrevivência e desenvolvimento. A arte, enquanto
linguagem, interpretação e representação do mundo, é parte
deste movimento. Enquanto forma privilegiada dos processos
de representação humana, é instrumento essencial para o
desenvolvimento da consciência, pois propicia ao homem
contato consigo mesmo e com o universo. Por isso, a arte é
uma forma de o homem entender o contexto ao seu redor e
relacionar-se com ele (BUORO, 2003, p. 20).
FISCHER, Ernst. A necessidade da arte. Rio de Janeiro: Zahar, 1983.
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nos outdoors, nas revistas, na televisão, na escola, nos livros escolares dos alunos de
todas as idades ou em outros inúmeros lugares ou espaços.
No entanto, acessa-se cotidianamente um número de imagens, que podem ou
não ser arte, mas que inundam seu repertório visual, mesmo que imperceptivelmente.
Há, portanto, uma urgência em se pontuar e destacar qual o papel da imagem/arte
para a formação do indivíduo, começando pela definição da importância que tanto
a imagem quanto a arte possuem. Logo, é necessário investir em uma educação
pautada em imagens e em sua compreensão. É imprescindível, sobretudo,
uma alfabetização a partir das visualidades, decodificando o mundo imagético e
compreendendo suas correlações. Sendo assim, para Buoro (2003a, p. 34-35):
De forma categórica, podemos afirmar que já, há algum tempo, o homem
contemporâneo convive com tantas imagens que essas passaram a fazer parte do
seu dia a dia. A grande quantidade de imagens que vemos todos os dias pode se
tornar prejudicial para a compreensão e distinção do valor da imagem? Autores
como Vilém Flusser (2007) ponderam que o excesso de visibilidade dado às imagens
pode ser prejudicial à visualidade e à compreensão do mundo, já que acabam
interpondo-se na percepção do mundo. Dessa forma, Flusser (2007, p. 143) afirma
que “o propósito das imagens é dar significados ao mundo, mas elas podem se
tornar opacas para ele, encobri-lo e até mesmo substituí-lo”.
A substituição assegurada por Vilém Flusser (2007) pressupõe que as imagens
produzidas pelos aparelhos eletrônicos são incalculáveis e, por isso, tornam-se
substitutas dos próprios objetos. O autor ainda continua explicando como superarmos
tal problema entre excesso de imagens e a percepção do mundo, à medida que ele
desvenda que uma das formas seria tornando compreensível o universo imagético.
Dessa maneira, afirma que “as imagens são mediações entre o homem e o seu mundo
[...]. São ferramentas para superar a alienação humana. [...] É necessário aprender a
As imagens, que aparecem majoritariamente com função
intransitiva de mera decoração nos livros de ensino
fundamental e da educação infantil, surgem assim como que
parcialmente emudecidas e, portanto, incapacitadas para
fornecer significados a professores e crianças e, mais ainda, para
encaminhá-los no sentido de sua apropriação como poderoso
recurso a serviço da prática pedagógica. É imperativo investir
numa prática que transforme esses sujeitos em interlocutores
competentes, envolvidos em intenso e consistente diálogo com
o mundo, estimulados para isso por conexões e informações
que circulam entre verbalidade e visualidade.
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decifrar essas imagens, é preciso aprender as convenções que lhes imprimem
significados” (FLUSSER, 2007, p. 142).
A chave fundamental para superar esse processo de alienação é começar a
compreender os códigos imagéticos trazidos pelas imagens. No entanto, ainda
existem muitas referências a respeito dos prejuízos ocasionados pelos excessos
de imagem. Uma das principais discussões ainda se refere a essa possibilidade das
imagens se tornarem “biombos”, encobrindo o mundo e, consecutivamente, a visão
crítica de fatos ou informações. Essas implicações determinam que a percepção do
mundo visível também pode se tornar ofuscada, limitada ou destorcida. Pimentel
(2003, p. 85-87) adverte que:
Você já observou que, em parques, espaços públicos,
exposições de grandes obras de arte ou até mesmo nas
escolas, o ato de fotografar tem se tornado mais importante
do que a simples observação das formas, dos objetos, dos
momentos, das paisagens?
Você, em algum momento importante, já se preocupou mais
em tirar uma fotografia do que em apreciar o acontecimento?
Você já retomou todas as imagens que fotografou para
observá-las e apreciá-las calmamente?
Nos dias de hoje, a imagem visual tem uma presença cada
vez maior na vida das pessoas. Imagens nos são apresentadas
e reapresentadas a todo momento, num misto de criação e
recriação. A apropriação e transformação de imagens procura
dar uma nova significação a imagens já conhecidas e, ocupa
grande espaço na mídia, sendo cada vez mais usadas em
cartazes, outdoors e nos meios de comunicação eletrônicos.
Devido à velocidade com que vemos as imagens, nem sempre
podemos pensar sobre elas e selecionar as que devem fazer
parte do nosso repertório imagético, isto é, da referência
visual que gostaríamos de deixar registrada. Nesse contexto,
é importante desenvolver-se a competência de saber ver e
analisar a imagem, para que se possa, ao produzir imagens,
fazer com que ela tenha significação [...]. Assim, é preciso
conhecer a produção artística visual contemporânea, valorizar
nossa herança cultural e ter consciência da nossa participação
enquanto fruidores e construtores da cultura do nosso tempo.
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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Como compreender o universo imagético? Como tornaro alfabetismo visual
acessível, consciente e necessário ao desenvolvimento humano? Essas respostas
encontram-se, certamente, nos caminhos que levam à arte-educação, seja ela
formal ou não formal. A tomada de consciência da potencialidade do mundo
imagético perpassa por desvendamentos fornecidos pelo universo da arte e, hoje,
são fundamentais para o estabelecimento da importância desses objetos.
Qual a distinção entre imagem e arte? Toda imagem observada pode ser
considerada uma obra de arte ou imagem artística? É possível assegurar que existe
uma distinção muito pontual entre imagens artísticas ou não, mas é necessário
destacar que a arte pode se utilizar frequentemente de imagens em suas criações.
Do mesmo modo, os arte-educadores também se utilizam de imagens durante
o processo de ensino-aprendizagem. Sendo assim, esta seção se debruça sobre
discussões que abrangem tanto a imagem quanto a arte, por compreender, nesse
momento, que em diversos contextos, não há como separar uma e outra.
No entanto, para serem consideradas artísticas, as imagens devem respeitar uma
série de critérios como, por exemplo: intenção de criação artística ou preocupação
com ineditismo, unicidade (criação única), proposição de uma poética, criatividade,
entre outros. Apesar disso, tanto a imagem artística quanto não artística possuem
signos passíveis de leitura e análise. Porém, a leitura de imagens é diferente daquela
que acontece com textos lineares produzidos pela escrita tradicional.
Na imagem, a leitura acontece de forma livre e de modo não linear, já que os
olhos caminham livremente pelo espaço. O mesmo não ocorre na escrita, pois ela
possui uma lógica que deve ser obedecida durante a leitura, como, por exemplo: da
esquerda para a direita, de cima para baixo. Já as imagens possuem códigos abertos,
ou seja, códigos que não podem ser precisamente determinados como ocorre no
caso do alfabeto. Desse modo, as informações sugerem a ocorrência de diferentes
interpretações durante a leitura de uma mesma imagem ou obra de arte. Essas
diferenças de interpretação dependem da vivência, da bagagem informacional ou
da cultura que cada pessoa que observa e busca compreender a imagem possui. Por
Visualidade: qualidade ou estado de ser visual ou visível; visibilidade. Imagem
mental ou pictórica; visualização.
Visibilidade: qualidade ou caráter do que é visível, do que pode ser percebido
pelo olhar; percepção pelo sentido da visão.
Disponível em: <http://www.aulete.com.br/visualidade>. Acesso em: 18 fev.
2016.
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Curiosidade
Você já brincou de olhar para o céu e determinar as formas que cada nuvem
possui? E você já fez essa brincadeira, mesmo quando criança, junto com
outras pessoas? Você já notou como é comum cada uma das pessoas
encontrar formas completamente diferentes para uma mesma nuvem?
O mesmo pode acontecer com uma obra de arte ou uma imagem!
Cada uma das pessoas tem impressões, sensações ou percepções diferentes
diante de uma mesma obra.
isso, compreende-se que um mesmo traço pode representar diferentes objetos ou
formas, dependendo do contexto em que está inserido e da pessoa que o observa.
Para explicar as potencialidades da imagem, há que se adentrar mais
profundamente nos conceitos que as embasam. E, se imagens possuem códigos
passíveis de leitura, há que se compreender o que são os códigos e qual sua função
na comunicação. Nesse contexto, Flusser (2007, p. 130) afirma que “um código é
um sistema de símbolos. Seu objetivo é facilitar a comunicação entre os homens.
Como os símbolos são fenômenos que substituem ('significam') outros fenômenos,
a comunicação, é, portanto, uma substituição: ela substitui a vivência daquilo a que
se refere”.
A capacidade informacional das imagens, e consequentemente da arte, já foram
descritas e elucidadas. Agora, faz-se necessário pensar sobre a criação artística de
forma mais aprofundada, partindo justamente dos elementos sociais e culturais que
podem influenciar uma produção em arte.
O que influencia a criação artística? Pode-se pontuar que todo indivíduo é resultado
do tempo histórico em que se encontra e das relações sociais e culturais que possa
estabelecer. Descobrem-se assim, outras fontes que podem influenciar a criação
artística. Portanto, os lugares que frequentam, a época em que vivem, o lugar onde
moram, as pessoas com as quais se relacionam também influenciam na formação dos
indivíduos e influenciam, consequentemente, a produção artística. Ostrower (1977, p.
5) corrobora essas ideias ao garantir que “a natureza criativa do homem se elabora no
contexto cultural. Todo indivíduo se desenvolve em uma realidade social, em cujas
necessidades e valorações culturais moldam os próprios valores de vida”.
Essa noção de correlação entre o meio e a arte é necessária para que se possa
compreender como a criação artística pode ser resultado de muitas influências
socioculturais. Dessa forma, pode-se perceber que ao entrar em contato com uma
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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obra de arte, um objeto artístico, tem-se acesso a épocas, lugares ou culturas distintas.
Esses conhecimentos obtidos por meio da arte são capazes de desvendamentos,
esclarecimentos, ampliação de conhecimentos e até mesmo compreensão do
mundo circundante.
Retrocedendo no tempo, pode-se perceber que o homem, desde os primórdios
da civilização, sempre se utilizou ou se expressou por meio de imagens. Essas
informações reafirmam a necessidade de relacionar-se com imagens e, portanto,
com diferentes formas de arte. Através do desenho, gravura, pintura, escultura, ou
qualquer uma das modalidades, o ser humano sempre demostrou sua necessidade
de comunicação ou de criação de imagens, fossem elas com objetivos artísticos ou
não. Sobre essas informações, Buoro (2003, p. 24) destaca que:
Surge, então, uma questão a ser pensada: ao longo da história, seria possível
traçar uma forma única de criação de arte? Obviamente, não! A obra de arte é a
consequência do tempo em que está inserida e das necessidades decorrentes desse
período. Logo, ela é resultado de uma sequência de influências que respondem
a características atreladas às transformações espaço-temporais. Daí a necessidade
de pensar como a arte acontece, se articula e se transforma em decorrência de
constantes transformações sociais e culturais. Para cada época, lugar ou região,
apresenta-se um tipo de criação artística específica.
Atualmente, deve-se levar em consideração várias transformações no que é ou
não considerado arte. Os parâmetros que orientam os limites do que seja ou não
arte são delimitados a partir de padrões, normas ou questões que estão conectadas
a variantes intimamente arraigadas com o tempo ou o lugar em questão. Nota-se,
na contemporaneidade, que se alteraram os materiais, os objetivos, os estilos, os
espaços que apresenta ou se desenvolve a arte e, consequentemente, as relações
estabelecidas entre artista, obra e público. Todas essas relações e formatos são
absolutamente diferentes dos que eram apresentados há alguns anos atrás.
Ao desenhar nas paredes das cavernas e fabricar cestarias
e cerâmicas, o homem “primitivo” era impulsionado pelas
mesmas questões de sobrevivência que motivaram o homem
do Renascimento e do século XX. A Arte, então, aparece no
mundo humano como forma de organização, como modo de
transformar a experiência vivida em objeto de conhecimento que
se desvela por meio de sentimentos, percepções e imaginação.
Assim, ela abarca um tipo de conhecimento a partir de universos
sensíveis e ideias da apreensão humana da realidade.
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Você percebeu como aarte pode refletir diferentes influências?
Diante de todas as informações analisadas, já é admissível perceber todas as
possíveis conexões e alterações propostas por esta arte na formação do indivíduo.
Contudo, ainda é imprescindível refletir a relevância da contextualização da obra
• Quais são as principais diferenças notadas por você entre as
duas imagens a seguir?
• Você percebeu que ambas as imagens podem ser percebidas
ou analisadas a partir de reflexos do tempo sociocultural em
que estão inseridas?
• Você notou que elas pertencem a momentos históricos
diferentes?
• Portanto, você percebeu como as representações da
figura humana são concebidas de modo completamente
diferentes?
Fonte: <http://1.bp.blogspot.com/_2go2vY-U8Ac/
S9rUKVa24MI/AAAAAAAAAvA/PQoB0obulUs/s1600/
Rubens.jpg>. Acesso em: 11 fev. 2016.
Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/
commons/thumb/8/81/JuanGris.Portrait_of_Picasso.
jpg/464px-JuanGris.Portrait_of_Picasso.jpg>. Acesso
em: 11 fev. 2016.
Figura 1.1 | As três graças, Peter Paul
Rubens (1635)
Figura 1.2 | Retrato de Picasso de Juan
Gris (1887-1927)
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
U1
20
para a compreensão de informações pertinentes a ela. Por isso, ao observar a
importância da arte por diferentes ângulos, é provável encontrar novos pontos a
serem conectados. Um deles é que não se pode acostumar com a percepção e
apreciação de formatos específicos de arte. Estando conectada ao período histórico,
à cultura e à sociedade, a arte pode ser considerada efêmera e, portanto, altamente
mutável.
A história da arte não se pode basear na naturalização do
objeto artístico. Além disso, é preciso admitir que a ideia de
arte se relaciona aos usos da imagem. Os usos da imagem,
porém, são muito diversificados e envolvem também os seus
usos artísticos, o que confere um estatuto especial à imagem,
distinguindo-a de outras. Há uma construção social que está
baseada na afirmação de um sistema de artes, que define as
características do circuito da criação, produção, exposição,
fruição e recepção do objeto artístico, conduzindo à sua
institucionalização. Isso implica um jogo de posições no
sistema das artes que se relaciona com a ordem política da
sociedade. Há um entrelaçamento entre ordem política e
sistema das artes (KNAUSS, 2013, p. 61).
Efêmero: [Figurado] De curta duração = breve, passageiro, temporário,
transitório ≠ duradouro, permanente.
Fonte: Dicionário Priberam da Língua Portuguesa 2008-2013. Efêmero.
Disponível em: <https://www.priberam.pt/DLPO/ef%C3%AAmero>.
Acesso em: 31 jan. 2016.
Mutável: Que pode ser mudado.
Fonte: Dicionário Priberam da Língua Portuguesa 2008-2013. Mutável.
Disponível em: <https://www.priberam.pt/DLPO/mut%C3%A1vel>.
Acesso em: 31 jan. 2016.
Em razão dessa constatação, discute-se ainda sobre como a arte sofreu constantes
transformações ao longo do tempo. Transformações essas que também puderam ser
constatadas do mesmo modo nas sociedades, épocas ou culturas. Destaca-se que o
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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contexto histórico, todas as experiências e contatos que cada pessoa estabelece ao
longo da vida acabam influenciando de modo único suas produções. Buoro (2003a,
p. 58) demonstra que todas essas alterações ocorrem ao afirmar que:
[...] qualquer ser humano inicia sua formação antes mesmo de
nascer. Mais tarde, segue construindo seus caminhos pessoais,
determinados pelos encontros e eventos significativos que nele
operam crises e transformações, pelos desejos que movem
suas buscas, descobertas de novos interesses e gostos, muitos
dos quais inusitados, e pela superação de gostos e interesses
que perdem seu vigor no embate com a experiência – e tudo
isso é o mesmo que viver significativamente. A escola participa
intensivamente dessa formação, a qual alterna as dimensões
formal e informal e as entretece numa trama que é a da nossa
história pessoal: somos as narrativas que construímos. Assim,
cada ser humano é único nas relações que estabelece com o
mundo – parceiro e eterno outro que nos fascina, assombra
e põe em marcha – ao longo de seus percursos de vida e de
formação profissional.
Essa discussão sobre as alterações nos modos de propor, fazer ou apreciar arte
define, portanto, que é preciso sempre ponderar sobre quais foram as influências
determinantes em cada período da história. Do mesmo modo, essas possíveis
conexões orientam esclarecimentos sobre como cada artista se apropriou e se
relacionou com todas as influências no decorrer do processo de construção do
seu trabalho artístico. Em contrapartida, surge a necessidade de compreensão das
complexidades que entrelaçam a produção artística que, muitas vezes, só podem ser
acessadas por meio da educação específica em arte, seja ela formal ou não. Muitas
vezes, para que haja perfeita compreensão do objeto artístico é necessária muita
pesquisa, conhecimento do contexto histórico e do percurso criativo do artista.
Para complementar essas revelações sobre o universo artístico e suas
complexidades, são necessárias definições a respeito da relevância de se desvendar
a arte, ou a imagem, a partir de esclarecimentos mais profundos sobre seus códigos.
Já é sabido que a arte pode conter uma imensa gama de informações referentes
ao entorno, à cultura, à época ou ao próprio indivíduo que a produz. Acessa-se,
portanto, um mundo codificado e altamente informacional até então adormecido.
Você já percebeu anteriormente que as informações referentes ao universo
imagético sempre estiveram ali, diante de nossos olhos, mas eram inacessíveis por
falta de conhecimentos sobre como promover a leitura desses códigos contidos
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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nessas superfícies (imagens). Por isso, reafirma-se que o estímulo à capacidade de
leitura dos códigos imagéticos também será responsabilidade da arte-educação,
formal ou não. Sendo assim, vale destacar a importância de se distinguir as diferenças
e relevâncias de esclarecimentos sobre os códigos em superfícies ou em linhas.
Portanto, é imprescindível considerar novamente a fala de Flusser (2007, p. 102), ao
assegurar que:
As superfícies adquirem cada vez mais importância no nosso
dia a dia. Estão nas telas de televisão, nas telas de cinema, nos
cartazes e nas páginas de revistas ilustradas, por exemplo.
As superfícies eram raras no passado. Fotografias, pinturas,
tapetes, vitrais e inscrições rupestres são exemplos de
superfícies que rodeavam o homem. Mas elas não equivaliam
em quantidade nem importância às superfícies que agora
nos circundam. Portanto, não era tão urgente com hoje
que se entendesse o papel que desempenhavam na vida
humana. Outro problema de maior importância existia no
passado: a tentativa de entender o significado das linhas.
Desde a “invenção” da escrita alfabética (isto é, desde que o
pensamento ocidental começou a ser circulado), as linhas
escritas passaram a envolver o homem de modo a lhe exigir
explicações.
O que pode ser pontuado, neste momento, é que muito tempo se passou
sem que se pudesse compreender o quanto a imagem, e a própria arte, poderiam
colaborar para a ampliação e aprofundamento do conhecimento geral ou estético.
Tanto a imagem quanto a arte são capazes de ampliar visões de mundo. Visão
essa que também pode ser transformada por meio da percepção dos códigos
imagéticos/artísticos. Considerando-se que somente uma parcela da comunicação
se dá sobre a forma da fala e escrita linear, há que se considerar como a apreensão
de códigos das superfícies, das imagens ou da arte, é necessário à compreensão
globalda comunicação humana. Essa comunicação global só pode ser alcançada
quando compreende-se a existência de signos contidos no “mundo codificado, ou
seja, um mundo construído a partir de símbolos ordenados, no qual se represam as
informações adquiridas” (FLUSSER, 2007, p. 96).
A partir de agora, você já é capaz de entender quais são as potencialidades da
imagem discutidas no decorrer desta seção: imagens/arte comportam uma série de
códigos que contemplam informações que podem contribuir para a apreensão do
mundo que nos cerca e, por isso, são fundamentais para o processo comunicacional.
Em razão destas colocações, é possível saber como esse universo cultural imagético
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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também pode ser considerado uma forma de discurso que contribui para a
compreensão da sociedade, da história e da cultura. Deve-se, sobretudo, aceitar o
fato de que aprender a comunicar-se com palavras ou compreender suas regras é
tão importante quanto aprender a comunicar-se com ou por meio de imagens.
Diante de todas as informações já citadas, reafirma-se a necessidade de reforçar
outras razões que podem contribuir para o estabelecimento desta linha de reflexão
que se refere às potencialidades, muitas vezes subjetivas, das imagens. Portanto,
reitera-se que o universo imagético se tornou imprescindível para as relações sociais
e culturais do homem contemporâneo.
Como começar a reestruturação dos encaminhamentos metodológicos sobre
a educação que poderão alterar a percepção da relevância da arte-educação? A
resposta encontra-se na formação dos arte-educadores (ou agentes-mediadores)
e na conscientização de que esses devem propor discussões que contextualizem
as informações artísticas durante as visitas aos espaços culturais de arte. Essa
contextualização abrangerá, consequentemente, toda a referência sobre o
entrelaçamento entre arte e cultura, já citado anteriormente nesta unidade. Por esse
motivo, é importante destacar informações que evidenciam que:
Qualquer que seja o caminho metodológico construído ou
reconstruído, é de suma importância atentar para o papel
dos agentes mediadores no processo: os educadores, os
mediadores, assessores, facilitadores, monitores, referências,
apoios ou qualquer outra denominação que se dê para os
indivíduos que trabalham com grupos organizados ou não.
Eles são fundamentais na marcação de referenciais no ato
de aprendizagem, eles carregam visões de mundo, projetos
societários, ideologias, propostas, conhecimentos acumulados
etc. Eles se confrontarão com os outros participantes do
processo educativo, estabelecerão diálogos, conflitos, ações
solidárias etc. Eles se destacam no conjunto e por meio deles
podemos conhecer o projeto socioeducativo do grupo, a visão
de mundo que estão construindo, os valores defendidos e os
que são rejeitados. Qual o projeto político-cultural do grupo
em suma (GOHN, 2006, p. 1).
1.2 Arte e sua relação com os espaços
Quando se sugere reflexões acerca da arte e sua relação com os espaços, uma
das primeiras questões a surgir é: quais são os espaços da arte? Onde a arte pode
ser observada e apreciada?
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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É plausível citar uma lista de espaços onde a arte pode ser encontrada, começando
por museus, galerias, fundações culturais, coleções particulares, internet, entre
inúmeros outros. E, ao longo do tempo, muitos espaços diferenciados foram
utilizados. Nas paredes das cavernas, nas catedrais, em templos, palácios, livros,
catacumbas, paredes das casas. Contudo, por diversas vezes, o público em geral não
tinha acesso a muitas obras produzidas. Assim, o público encontrava-se “distante do
ambiente artístico, da apreciação, da fruição ou manifestação artística, permaneciam
alijados da cultura, prejudicados em sua sensibilidade, sem meios suficientes para
apreciar ou produzir arte. Viviam afastados da cultura de seu tempo” (SANTA ROSA;
SCALÉA, 2006, p. 54).
Apesar disso, em diferentes momentos pode-se perceber que houve a pretensão
de expor obras de arte em espaços públicos, mesmo que essa intenção estivesse
atrelada à exaltação de governantes. Percebe-se, então, que esses ambientes de
cultura transformaram-se em espaços onde se buscava usufruir ou apreciar a beleza
e refletir a respeito das diferentes propostas dos artistas (SANTA ROSA; SCALÉA,
2006).
Hoje em dia, em quais espaços a arte pode ser encontrada, visualizada, apreciada?
De que modo estes espaços culturais interferem na construção da arte-educação?
Atualmente, é perceptível que, diante das possibilidades de acesso propiciadas
pelas mídias e pela internet, as fronteiras que distanciavam obra e espectador foram
reestabelecidas e alargadas. Até há algum tempo atrás, a arte era objeto restrito aos
espaços de grandes museus e galerias. Contudo, em todos esses espaços o objetivo
é sempre o mesmo: esses ambientes são concebidos para se tornarem lugares para
apreciação e reflexão crítica sobre arte.
No entanto, desde de que outras propostas foram absorvidas pela arte
contemporânea, como, por exemplo, o uso de novos espaços para apresentação
e exposição da arte, alterações substanciais nos moldes do fazer artístico foram
evidenciadas. Uma delas toma como ponto de partida a aproximação da obra com
o público. Dessa forma, nota-se que a arte-educação, formal ou não formal, e a
convivência com obras tornaram-se fundamentais para a perfeita compreensão do
universo comunicacional circundante. Conclui-se, para tanto, que a arte pode exercer
ativamente sua função ainda que encontrada em espaços culturais diferenciados.
A educação em arte só pode propor um caminho: o da
convivência com as obras de arte. Aquelas que estão assim
rotuladas em museus e galerias, as que estão em praças
públicas, bancos, repartições do governo, nas casas de
amigos e de conhecidos. Também aquelas, anônimas, que
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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25
Durante a seção 1, você compreendeu a importância da exploração das
potencialidades da arte. Por isso, agora vale refletir sobre como os espaços culturais,
grandes vias de acesso à obra de arte, podem contribuir para a exploração de tais
potencialidades. Importante se faz também a aproximação entre obra e público,
promovendo constantes interações culturais e ampliação do conhecimento. Essas
alterações se tornaram extremamente importantes, pois passaram a desmistificar a
arte enquanto objeto de culto, intocável e praticamente inacessível.
É necessário pontuar que a aproximação entre obra e público também aconteceu
em razão da chegada dos aparelhos técnicos, de reprodutibilidade e das máquinas
de fotografar. E, nessa onda da reprodução das imagens e da arte, ou de imagens
de arte, novas relações ou aproximações se estabeleceram também entre público
e obra. E, como num movimento em cadeia, essas transformações acarretaram,
consecutivamente, novas formas de arte, novas práticas, novos espaços e novas
formas de aproximação.
Surgem novos espaços culturais para a divulgação da arte que ultrapassam as
barreiras da escola (educação formal). Entre esses novos espaços, é possível destacar
os museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias. Todos eles contribuem
amplamente, e de modo muito pontual, para a formação artística. Desse modo,
cada um desses espaços assume uma função complementar à aproximação do
público com a arte, facilitando o processo de educação estética.
Você sabia que muitos museus promovem diversas atividades educativas e
culturais no intuito de aproximar-se do público?
Muitas dessas ações educativas são resultado de um grande processo de
desenvolvimento de tecnologias que servem, nestes casos, para auxiliar, aproximare proteger a memória cultural. E ainda vale lembrar o quanto os acessos e visitas a
estes espaços que buscam promover a arte podem ser altamente enriquecedores.
encontramos às vezes numa vitrina, numa feira [...]. As que estão
em alguns cinemas, teatros, na televisão e no rádio. As que estão
nas ruas: certos edifícios, casas, jardins, túmulos. Passamos por
muitas delas, todos os dias sem vê-las. Por isso, é preciso uma
determinada intenção de procurá-las, de percebê-las. Quanto
mais ampla for essa convivência com os tipos de arte, os estilos, as
épocas e os artistas, melhor. É só por meio desse contato aberto e
eclético que podemos afinar nossa sensibilidade para as nuanças
e sutilezas de cada obra (ARANHA; MARTINS, 2009, p. 433).
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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Sobre as atividades do Museu Nacional de Belas Artes
“As ações educativas do Museu Nacional de Belas artes visam à
promoção da cidadania cultural, entendida como o acesso democrático
ao universo artístico do nosso patrimônio cultural. Nesse sentido, as
ações, que ocorrem nas Galerias da Arte Brasileira dos Séculos XIX e
de Arte Brasileira Moderna e Contemporânea, procuram atender aos
mais diferentes públicos, em diversos projetos, de forma a diminuir
barreiras, estabelecendo uma relação dialógica: partindo dos contextos
previamente trazidos pelos participantes, busca-se levá-los à construção
do conhecimento artístico”.
Projetos: Visitas ao acervo do museu; todo mundo no museu; oficina
para professores; projetos inclusivo; material de apoio pedagógico.
Disponível em: <http://mnba.gov.br/portal/educacao/atividades.html>.
Acesso em: 1 fev. 2016.
Sob sua ótica, é possível potencializar ainda mais a formação em arte a partir do
incentivo a aproximações do público com museus, galerias, centros de arte, casas
de cultura?
Para adentrar nesse campo, é necessário saber que “é preciso repensar a formação
do educador e do educando no sentido de possibilitar o conhecimento, levando em
conta a totalidade do ser e de perceber a função da arte na educação como campo
de conhecimento tão importante como o da ciência” (BUORO, 2003, p. 32).
Com base nessas informações que enfatizam assuntos relativos ao potencial da arte,
é possível pensar de que modo os agentes envolvidos no processo ensino-aprendizagem
podem contribuir para promover estímulos que demandem encontros significativos
com a arte. É necessário avaliar que existem influências mútuas e constantes advindas
de todos os envolvidos neste processo de arte-educação. Por isso, considerar que o
público apreciador também tem muito a contribuir. Como resultado, compreende-se
que “não há espectador totalmente ingênuo. Portanto, há marcas culturais tatuadas nas
pupilas dos olhos dos alunos que não devem ser desprezadas, mas, sim, incorporadas
e ampliadas [...] para que novas interpretações e construção de sentido possam ser
desveladas” (MARTINS; PICOSQUE, 2003, p. 9).
Além de contextualização das informações estéticas, os propositores/mediadores
também podem contribuir com o enriquecimento da formação e do contato com a
arte a partir da ideia de impulsão de potencialidade.
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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Vários exemplos de intervenções que divulgam uma remodelação nos formatos de
relação obra e público vêm sendo implantadas no intuito de aproximar e aprofundar
estas relações. O formato de exposição que considera a arte como metodologia
do conhecimento, sugerido por Luis Camnitzer durante a da 6a Bienal do Mercosul,
apresenta-se como um grande exemplo de novas propostas de intervenção.
Ainda refletindo sobre como a arte se relaciona com os espaços de formação
e apresentação e qual o papel que esses espaços podem ocupar atualmente na
educação não formal, é possível destacar outras questões. Uma delas encontra-se
no fato de que o Brasil é um país gigantesco com muitas peculiaridades que são
fruto de influências específicas. Dessa forma, não há como falar sobre espaços para
arte sem embrenhar-se em territórios que demandam considerações.
Impulsionar a potencialidade de obras e artistas submersos
nos livros, nos museus, nos sites, nas reproduções esquecidas
que fazem parte de nosso acervo de professores, para além
daquelas sempre escolhidas. Reside nessa ação a formação
cultural dos alunos. Formação esta que, enfatizando a
habilidade perceptiva e cognitiva para interpretar obras de arte
em termos de seu contexto social e cultural, possa ampliar o
acervo imaginário de tal modo que obras e artistas passem
a integrar o patrimônio pessoal como um bem simbólico
interno, um repertório conectado à vida para a leitura do
mundo, das coisas do mundo e da própria Arte (MARTINS;
PICOSQUE, 2003, p. 8).
A equipe curatorial redesenhou a estrutura da Bienal para
destacar a relação entre o artista e o público, para envolver
o visitante no processo criativo do artista, para conseguir que
o consumidor vá se equipando para ser criador; em outras
palavras: para voltar a resgatar a arte como uma metodologia
do conhecimento. Queremos que a ênfase da mostra não
termine em exibir a inteligência do artista, mas em estimular
a inteligência do visitante. Essa tarefa, por sua vez, estimula
muito mais a nossa inteligência como artistas do que poderia
conseguir o narcisismo tradicional (CAMNITZER apud
CAMNITZER; PÉREZ-BARREIRO, 2009, p. 13-14).
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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Diversas cidades brasileiras não possuem museus, centros de arte ou galerias.
Muitas delas sequer possuem espaços culturais. Em algumas escolas, principalmente
públicas, o ensino da arte ainda está nas mãos de professores sem graduação
específica. As aulas são curtas, o número de alunos por turma é bastante amplo
em diversos lugares, os espaços para desenvolvimento das atividades são restritos
à própria sala de aula e os materiais muitas vezes são simples ou reduzidos. Esses
espaços limitados dificultam a exploração e o desenvolvimento pleno de atividades.
Em contraponto, os espaços não formais podem, muitas vezes, possuir uma estrutura
muita mais desenvolvida e planejada.
O ensino de artes plásticas no currículo da escola formal coloca
o professor diante de alguns determinantes, no que se refere à
escolha de seu objeto de trabalho. A realidade física da sala de
aula e o tempo de duração da aula, muito diferentes daquele
vivido em um ateliê ou oficina, reduzem as diversas abordagens
da escolha de atividades, que poderiam ser realizadas, para
trabalhar os conteúdos. É o caso, por exemplo, das produções
tridimensionais, que exigem espaços amplos, nem sempre
compatíveis com a sala de aula. Além disso, o ensino de arte
a ser proposto no contexto da escola formal deve considerar,
entre outras coisas, fatores ligados aos conteúdos selecionados,
às questões de ensino-aprendizagem, aos interesses de alunos
e educadores, ao uso de materiais compatíveis com o espaço
físico, e ao número de aulas que o educador dispõe para a
abordagem em cada conteúdo (BUORO, 2003, p. 110).
Um professor que mantém viva a curiosidade, que gosta de
estudar, investigar imagens para sua prática na sala de aula e
levar seus alunos ao encontro com a linguagem da arte sem
forçar uma construção do sentido “correto” ou único, veste
sandálias de professor-pesquisador, envolvendo com a mais
fina atenção sua pele pedagógica, dando sustentação para
pisar em terras ainda desconhecidas. Não lida com as certezas,
Além disso, muitas questões precisam ser revistas para que se tenha acesso a
esclarecimentos que apoiariam novas percepções e proposição de diferentes
possibilidades de formação da educação em arte. Nesse sentido:
Arte e os espaços culturais: museus, centrosde cultura, escolas de arte, galerias
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e com reducionismos simplistas, mas com a compreensão e a
articulação da complexidade. Por isso mesmo, seu caminhar se
dá no futuro, no lugar da pergunta, da questão, da dúvida, movido
por passos de andar sinuoso que evitam os caminhos retos porque
assim pode traçar sua própria trilha na escavação das Arqueologias
Contemporâneas (MARTINS; PICOSQUE, 2003, p. 8).
Apesar de debatermos a respeito das potencialidades da arte (e
,consequentemente, da imagem), há que se destacar que outros pontos de
vista podem se contrapor, ou até mesmo complementar tais colocações.
Vicente Lanier (2011, p. 45) destaca que alguns posicionamentos somente
reiteram que a arte esteja apenas empregada sobre os domínios da
responsabilidade social, deixando de lado sua função de procedimentos
estéticos-visuais. Por isso, explica que:
Não há, tampouco, nenhuma razão constrangedora
que nos faça duvidar ou negar que as atividades de
arte na sala de aula possam promover crescimentos
pessoais independente do valor ou da resposta estética.
Talvez a arte possa tornar alguém mais criativo em
geral (o que quer que isso queira dizer). Talvez possa
fazê-lo perceber seu contexto físico ou social mais
objetivamente. Talvez possa ajudá-lo a resolver suas
inadequações emocionais, aumentar seu QI, enriquecer
sua aposentadoria ou promover a paz mundial e a
boa vontade entre os homens. O ponto sobre o qual
queremos insistir é que todos esses outros aspectos do
crescimento individual não são ou não deveriam ser o
principal foco para o professor de artes plásticas: que
a sua principal referência deveria ser o progresso no
domínio dos procedimentos estéticos-visuais. [...] Em
resumo, estou propondo que, de fato, devolvamos a
arte à arte-educação (BARBOSA, 2011, p. 45).
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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1. Diante de todas as informações propostas na seção
1, descreva, de acordo com os textos estudados, qual a
importância da arte?
2. Os espaços culturais para o desenvolvimento/formação em
arte restringem-se somente às escolas?
• Você já havia imaginado como os espaços culturais para
divulgação e exposição de obras são importantes para a
formação em arte?
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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Seção 2
Espaços culturais para a arte
Nesta seção, será dada continuidade ao assunto já iniciado na seção 1, que
discutiu a importância da arte e de seus espaços de divulgação e exposição.
Neste momento, para fundamentar ainda mais o que já fora estudado, alguns
aprofundamentos serão propostos. Dessa forma, assuntos ligados aos principais
conceitos e funções dos espaços culturais serão discutidos. Você irá reconhecer
e distinguir diferentes espaços culturais para a exposição de objetos artísticos,
ou obras de arte, como museus, centros de cultura, escolas de arte e galerias.
Muitos desses ambientes culturais têm como objetivo expor, promover debates e
aprofundar os conhecimentos sobre arte por meio do contato aproximado entre
público, obra e artista. Os conceitos e delimitações aqui sugeridos continuarão a
revelar potencialidades subjetivas da aplicação da arte como forma de instigar o
desenvolvimento intelectual e estético do indivíduo. Convido você a se enveredar
por essa aventura, que se distingue principalmente por ser extremamente relevante
para novas proposições sobre a disciplina de Arte!
2.1 Museus
Antes de aprofundamentos mais conceituais sobre os museus e sua relação com
a arte-educação, uma questão será respondida: como surgiram os museus? De
acordo com Santa Rosa e Scaléa (2006), os museus surgiram no século XVIII com a
chamada prática do colecionismo.
Pessoas abastadas recolhiam objetos exóticos, pinturas,
esculturas, recordações de viagens, documentos, sem nenhum
critério e exibiam em suas casas. [...] Nos meados do século XVIII,
com a democratização de grande parte da Europa, as coleções
passaram a ser geridas pelo Estado e os governantes tomaram
para si a reponsabilidade de preservá-las. Diversos museus
foram criados com o objetivo de guardar as obras de arte, mas
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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logo se tornou necessário que exibissem suas coleções, isto é,
que tornassem públicas as obras que pertenciam à sociedade, e o
museu passou a ter um ou mais espaços expositivos destinados à
visitação. [...] Só no final do século XIX, os museus passaram a ter
coleções mais homogêneas, com espaços específicos para obras
de arte, objetos e documentos de valor histórico (SANTA ROSA;
SCALÉA, 2006, p. 55).
É possível considerar que espaços como os museus podem socializar e
democratizar o ensino de arte? De acordo com Ott (2011, p. 113), existem infinitas
potencialidades a serem exploradas nesses espaços.
O ensino de arte em museus constitui um componente
essencial para arte-educação: a descoberta de que arte é
conhecimento. A arte pode assumir diversos significados em
suas várias dimensões, mas como conhecimento proporciona
meios para a compreensão do pensamento e das expressões
de uma cultura. Por meio dessa prática educativa em museus,
podem ser reveladas diversas formas de expressão artística
que contêm muitas das maiores ideias da cultura universal,
cujos significados de arte são contribuições relevantes para
a sociedade. Esses conceitos necessitam ser trabalhados
por meio de um ensino sensível, ou seja, um sistema de
arte-educação que possibilite, nos museus, uma atmosfera
positiva para a crítica.
Incontestavelmente, o museu é uma das instituições não formais e culturais
de arte mais conhecidas, principalmente por apreciadores de arte que buscam
promover a divulgação do patrimônio artístico e cultural de determinado artista, estilo
ou período. No entanto, tais espaços não são encontrados em todas as cidades do
país. Os museus não surgem com o objetivo de ensinar arte, mesmo que diversas
vezes pode-se encontrar cursos e ações educativas em seus espaços. Schilaro e
Scaléa (2006, p. 52) apontam que “a instituição em si não tem como objetivo o
ensino da arte, e sim a formação de um público apto a usufruir desse segmento do
conhecimento”.
Diante das afirmações sobre o papel dos museus na construção do conhecimento,
é importante pontuar o quanto as visitas a esses espaços podem ser acessíveis.
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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Atualmente, pode-se ter acesso a esses lugares de duas formas: numa visita física,
presencial ou por meio de visitas virtuais. Além da apreciação dos acervos, os museus
hoje oferecem uma ampla gama de possibilidades de cursos, aperfeiçoamentos,
ações educativas e projetos.
Nesta seção, você terá a oportunidade de conhecer diferentes opções de
materiais disponíveis na internet que serão capazes de agregar muitas informações
relevantes sobre arte. Por isso, fique ligado! Essas dicas são necessárias justamente
para propiciar acesso a espaços culturais a todas as pessoas que vivem em regiões
que não possuem museus ou que se encontram distantes dos circuitos tradicionais
de arte.
Sugestão de visita ao site do Conselho Federal de Museologia!
Nesse espaço você poderá acessar uma série de links de grandes
universidades sobre temas ligados à teoria museológica, história dos
museus, questões relacionadas à formação profissional, administração,
planejamento, patrimônio, memória etc.
Disponível em: <http://cofem.org.br/?page_id=423> Acesso em: 2 fev.
2016.
Curiosidade
Alguns sites oferecem sugestões de visitas a alguns dos principais museus
de São Paulo.
Além de visitá-los pessoalmente, você também pode visitá-los virtualmente,
já que a maioria possui sites interessantíssimos!!Vale a pena conferir!
Como exemplo, podemos citar um guia que propõe uma seleção do que
considera os 9 museus mais imperdíveis de São Paulo.
• PINACOTECA DO ESTADO DE SÃO PAULO
• MUSEU DE ARTE MODERNA – MAM
• MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA
• MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO – MASP
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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• MUBE – MUSEU BRASILEIRO DA ESCULTURA
Disponível em: <http://www.guiadasemana.com.br/artes-e-teatro/noticia/
cinco-museus-imperdiveis-em-sao-paulo>. Acesso em: 3 fev. 2016.
Vale lembrar que é possível refletir sobre a relevância dos museus para a arte-
-educação e para as definições do valor da obra de arte enquanto portadora de
infinitos signos e significados. Sendo assim, são essenciais algumas considerações
sobre as obras de arte e sua relação com espaços culturais como os museus.
Por isso, mesmo que você esteja em uma cidade que não possua museu,
ainda assim, você pode e deve conhecê-los. Uma das grandes contribuições do
desenvolvimento tecnológico é diminuir as distâncias. Dessa maneira, você pode
conhecer virtualmente uma grande quantidade de espaços como esses por todo
o país, ou até pelo mundo, acessando sites ou redes sociais e desfrutar de passeios
virtuais interessantíssimos. Na verdade, esse pode ser um grande trunfo para o arte-
-educador. Numa sala com muitos alunos e numa cidade que não possui espaços
culturais, a visita ao museu poderia ser impensável se não fosse por meio de
computadores. Então, aproveite e utilize todos os recursos a favor da arte!
Os museus são repertórios de objetos com significado. Nós
guardamos as coisas que nos são caras, mas, mesmo assim,
os objetos nas coleções dos museus são meramente objetos.
As obras como as que pertencem ao acervo dos museus,
destituídas do valor monetário que a sociedade lhes atribui,
servem para lembrar-nos das ideias que as inspiraram. Assim
sendo, nós aprendemos e também nos afetamos pela Arte
(OTT, 2011, p. 119).
Sugestão de visita virtual!
MARE – Museu de Arte para a Educação é um banco interativo de imagens e
textos sobre os temas representados na arte ocidental, desde a Antiguidade.
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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Para Chagas e Storino (2014, p. 74):
Nele, você poderá descobrir muito mais sobre obras de arte! Você pode
conhecer um pouco mais sobre este assunto acessando o site do museu
disponível em: <http://www.mare.art.br/index.asp>. Acesso em: 3 fev. 2016.
Os museus são compreendidos como práticas sociais, antros de
relação e dispositivos de narração que se constrõem por meio
de espacialidades, temporalidades, imagens, informações,
vivências e convivências tratadas, em simultâneo, como bens,
ver se deve aparecer dois Para saber mais a seguir.
De acordo com a Lei nº 11.904, de 14 de janeiro de 2009, que instituiu
o Estatuto de Museus, “Consideram-se museus, para os efeitos desta
Lei, as instituições sem fins lucrativos que conservam, investigam,
comunicam, interpretam e expõem, para fins de preservação, estudo,
pesquisa, educação, contemplação e turismo, conjuntos e coleções
de valor histórico, artístico, científico, técnico ou de qualquer outra
natureza cultural, abertas ao público, a serviço da sociedade e de seu
desenvolvimento”.
Disponível em: <http://www.museus.gov.br/os-museus/o-que-e-
museu/>. Acesso em: 2 fev. 2016.
No portal do colocar iniciais em caixa alta de Museus, você poderá
encontrar assuntos correlacionados a museus, o que é museu, como
criar museus, museus do Brasil, museus Ibram, economia dos museus,
além de uma série de links sobre o assunto. Você pode conhecer mais
sobre esse assunto acessando o site!
Disponível em: <http://www.museus.gov.br/os-museus/>. Acesso em:
2 fev. 2016.
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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No entanto, o objetivo de se pensar sobre museus é também distinguir sua
função para a educação não formal em arte. Desse modo, há que se retomar as
informações sobre ações educativas, já iniciadas na seção 1, para complementar a
busca por posturas que promovam a ampliação de conhecimento artístico. Por isso,
uma pergunta emerge: quais as ações promovidas pelos museus que estreitam ou
viabilizam a promoção do conhecimento artístico?
Existem vários museus no país que promovem ações no intuito de socializar
conhecimento sobre obras ou temáticas específicas. Alguns possibilitam esses
recursos por meio de palestras, revistas impressas ou digitais com artigos que
discutem sobre temas relacionados aos museus, oficinas, visitas mediadas, materiais
de apoio pedagógico (que, muitas vezes, podem estar disponíveis no site para
download) e que podem acontecer de forma presencial ou a distância.
Importante se faz ressaltar como estas ações são extremamente relevantes para
a formação em arte. Indiscutivelmente, esses espaços virtuais encurtam distâncias e
potencializam o uso do tempo, já que podem ser acessados virtualmente.
Dessa forma, vários espaços que exploram estes ambientes virtuais serão trazidos
como exemplo. O objetivo principal é o de divulgar possibilidades que podem
contribuir para o enriquecimento cultural e estético.
Vejam como essas ações culturais são apresentadas. O primeiro exemplo é o site
do Museu de Belas Artes.
Projetos ofertados:
1 – Visitas ao acervo do museu: mediações – voltadas para grupos de
instituições escolares da rede pública e privada, e ONGs que possuam uma
ação educativa, ocorrem mediante agendamento prévio pelo telefone. As
visitas mediadas objetivam promover a construção de significados e novos
olhares no espaço expositivo. As visitas do público infantil, a partir de 5 anos,
podem ser permeadas por jogos e histórias, acolhendo a forma da criança
interagir com o mundo.
2 – Todo mundo no museu! – esse projeto contempla visitas mediadas para
famílias, com jogos e brincadeiras, nas galerias do museu, com objetivo
de articular arte, cultura e lazer. Ao apreciarmos uma obra de arte, nos
despimo-nos do olhar cotidiano e abrimos espaço para novos significados.
Fazer isto em família é uma oportunidade de renovar as relações humanas.
3 – Oficina para professores – o Museu Nacional de Belas Artes e seu acervo:
contribuições para o ensino da Arte na Educação. Objetivo: discutir sobre o
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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papel do museu na educação, conhecer o Museu Nacional de Belas Artes,
fornecer subsídios para que o professor crie estratégias pedagógicas para
trabalhar o acervo do MNBA em suas aulas e incentivar a visitação ao museu.
4 – Projetos inclusivos: Ver e Sentir através do Toque – projeto experimental
de acessibilidade estética. Consiste em visitas mediadas com grupos de
cegos e videntes, utilizando estímulos sensoriais diversos, a fim de provocar
o diálogo e a troca de impressões, lembranças, comparações, tornando a
visita ao museu uma experiência enriquecedora para todos os visitantes do
grupo.
5 – Material de apoio pedagógico
Publicações da Seção Educativa disponíveis para download:
Coleção aprendendo no Museu
Vol. 1 - Guia de Visita em Família: orientações para a visita em família, de
forma autônoma, com jogos e brincadeiras sobre o acervo do museu.
Vol. 2 - Quando o Brasil amanhecia – a Primeira Missa no Brasil vista por Vítor
Meireles e Candido Portinari
Disponível em: <http://mnba.gov.br/portal/educacao/atividades.html>.
Acesso em: 2 fev. 2016.
Você observou como os museus oferecem muitas possibilidades de interação e
informação por meio de ações educativas sugeridas em seus espaços virtuais?
É possível promover o enriquecimento do conhecimento em arte a partir de
visitas virtuais a museus?
Existem ainda outros exemplos de museusque promovem discussões amplas a
respeito de diversos assuntos ligados a este tema e também a temas correlacionados.
Um deles é o Museu de Arte do Rio Grande do Sul, que possui um site com muitas
informações. Vale conferir! Nele, é possível acessar uma revista científica com artigos
que promovem debates interessantíssimos, tour virtual, notícias, apresentação de
exposições, catálogos de obras, publicações, entre outros.
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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“O Museu de Arte do Rio Grande do Sul apresenta o primeiro número da
revista Tes ] xOH. A publicação foi criada com o objetivo não só de refletir
prioritariamente as áreas de atividade do museu, mas também de ampliar
seu raio de ação para outras disciplinas. As áreas de desenvolvimento
da revista são aquelas compreendidas entre conservação e restauração,
curadoria, história de exposições, crítica e teoria da arte, arte-educação,
administração em arte, arquivismo em arte e arte.”
Acesse o site e descubra mais sobre a revista e o museu!
Disponível em: <http://www.margs.rs.gov.br/publicacao/revista-
no-01/>. Acesso em: 2 fev. 2016.
Outras possibilidades para tratar das inter-relações sugeridas pelo museu
demandam produções práticas. Como exemplo, é possível citar um artista, arquiteto,
professor, poeta e artista plástico chamado Antônio Luiz Andrade (Almandrade).
Ele se propôs realizar trabalhos que geraram exposições que discutiram a ideia de
museu. Aqui, apresenta-se a criação de uma exposição, onde aconteceu, muito
provavelmente, o ápice da interação e da busca por evidenciar a reflexão sobre as
possibilidades da educação museológica. E sobre essa exposição e o museu ele
comenta:
Claramente, uma das grandes contribuições da arte é promover a plena
comunicação entre homem e o universo circundante, reorientando novas formas
de olhar e de pensar. Esses objetivos podem ser potencializados se o número de
pessoas alcançadas por estes espaços for o maior possível. Portanto, alguns espaços,
com suas ações plenamente ativas, educativas e disseminadoras de arte, contribuem
imensamente para que os objetivos da educação em arte sejam alcançados.
Destaca-se, por isso, ações com o intuito de promover o acesso do maior número
possível de pessoas. Há exposições importantes para o universo artístico, como a
Instituição paradigmática para a arte contemporânea,
conhecer seu espaço físico e ideologia que a envolve era
uma necessidade do artista experimental. Realizei algumas
exposições que tinham entre os seus objetivos discutir o
museu, a exemplo das exposições: O Sacrifício do Sentido,
no Museu da Arte Moderna na Bahia e a instalação “Público/
Privado”, montada no Museu de Arte Moderna no Rio de
Janeiro, em 1982 (ALMANDRADE, 2013, p. 10).
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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que aconteceu recentemente no Instituto Tomie Ohtake.
A Exposição “Frida Kahlo – Conexões entre mulheres surrealistas no México” foi
trazida para o Brasil em 2015 e circulou em diferentes estados por alguns meses. No
entanto, por inúmeros motivos, muitas pessoas que gostariam de visitar a exposição
não tiveram acesso. Pensando nisso, o instituto disponibilizou um espaço em seu
site para visitas virtuais, em que é possível passear pela exposição utilizando apenas
os comandos do computador. Incrível, não? Até pouco tempo atrás, essas atitudes
eram impensáveis e a presença nos espaços físicos era incontestável. Pode-se
afirmar, portanto, que esta é uma das grandes vantagens do universo altamente
tecnológico no qual estamos inseridos!
Você já visitou um museu de arte?
Você pode acessar a exposição virtual “Frida Kahlo – Conexões entre
mulheres surrealistas no México” e se aventurar no passeio através do
endereço do Instituto Tomie Ohtake. Disponível em: <http://www.
institutotomieohtake.org.br/media/frida/index.html>. Acesso em: 3 fev.
2016.
Aproveite!
Fonte: <http://www.institutotomieohtake.org.br/media/frida/index.html>. Acesso em: 3 fev. 2016.
Figura 1.3 | Vista parcial do site com a exposição de Frida Kahlo
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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A acessibilidade aos espaços dos museus é completamente remodelada em
função do aparecimento da internet. Todas as relações puderam ser reorganizadas
justamente por tornar espaços que se encontram a milhares de quilômetros de
distância acessíveis a um toque de tela. Por isso, enquanto professores de arte ou
público apreciador, vale acompanhar notícias, exposições, cursos, visitas on-line e as
agendas desses diferentes espaços de produção e divulgação da arte. As possibilidades
mostram-se infinitas, mesmo que a distância.
Nesta seção, você está estudando a importância de determinados espaços
culturais de educação não formal para a formação em arte, por isso há que se
exemplificar como acontece a divulgação, quais as atividades oferecidas e qual é
a função destes espaços culturais com relação ao público apreciador, ao artista e à
arte.
Outro exemplo de espaço de educação não formal, de museu, que auxilia na
formação e ampla divulgação da Arte é o MAM – Museu de Arte Moderna – de São
Paulo. No quadro a seguir, você pode conhecer o Museu de Arte de São Paulo
e conferir quais são as ações práticas propostas que servem como exemplo de
interação entre arte e os espaços culturais na educação em/para arte, propostas
como objetivo desta seção.
Conhecendo o MAM!
Missão: colecionar, estudar, incentivar e difundir a arte moderna e
contemporânea brasileira, tornando-a acessível ao maior número de
pessoas possível.
Sobre o MAM: o Museu de Arte Moderna de São Paulo é uma sociedade
civil de interesse público, sem fins lucrativos, fundada em 1948. Sua coleção
possui mais de 5 mil obras produzidas pelos nomes mais representativos da
arte moderna e contemporânea, principalmente brasileira. Tanto a coleção
como as exposições privilegiam o experimentalismo, abrindo-se para a
pluralidade da produção artística mundial e a diversidade de interesses das
sociedades contemporâneas.
As exposições principais são realizadas em duas salas, segundo uma grade
anual estruturada em quatro temporadas. Outras mostras são exibidas
regularmente nos espaços da biblioteca e do corredor de ligação, onde é
desenvolvido o programa de instalações Projeto Parede. Integra a grade
expositiva o programa DJ Residente, voltado para a difusão de pesquisas
sonoras experimentais nas áreas internas do museu.
A cada dois anos, o MAM realiza o Panorama da Arte Brasileira, exposição
que resulta do mapeamento da produção contemporânea em todas as
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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regiões do país. O crescimento do interesse pela arte brasileira no mundo
consolidou o Panorama como uma mostra relevante no circuito artístico
internacional.
O museu mantém ainda uma ampla grade de atividades que inclui cursos,
seminários, palestras, performances, espetáculos musicais, sessões de
vídeo e práticas artísticas. O conteúdo das exposições e das atividades
é acessível a todos os públicos, por meio de audioguias, videoguias e
tradução para a língua brasileira de sinais.
Instalações: o MAM está localizado no Parque Ibirapuera, a mais importante
área verde de São Paulo. O edifício foi adaptado por Lina Bo Bardi e possui,
além das salas de exposição, ateliê, biblioteca, auditório, restaurante e loja.
Os espaços do museu se integram visualmente ao Jardim de Esculturas,
projetado por Roberto Burle Marx para abrigar obras da coleção. Todas
as dependências são acessíveis a visitantes com necessidades especiais.
Coleção: as obras da coleção são exibidas em exposições temporárias
realizadas no MAM e em outras instituições, tanto brasileiras comoestrangeiras. O museu tem uma política de atualização, conservação e
ampliação permanente da coleção.
Biblioteca: o acervo de livros, periódicos, documentos e material
audiovisual é formado por 65 mil títulos. O intercâmbio com bibliotecas
de museus de vários países mantém o acervo vivo.
Educativo: a formação de público é o alvo principal das ações do Educativo.
O atendimento escolar é gratuito e específico para cada faixa etária, da
educação infantil à universidade. Visitas às exposições, práticas artísticas,
oficinas e cursos especiais são concebidos para atender às necessidades
do público diverso. As atividades são acessíveis a todos, não havendo
barreiras físicas, sensoriais, mentais, intelectuais ou sociais.
Publicações: catálogos de exposições, projetos especiais e uma revista
trimestral distribuída gratuitamente são editados no MAM. As publicações
permitem ao museu perpetuar e difundir conteúdos por meio da
distribuição em bibliotecas públicas.
Cursos: uma extensa grade de cursos é oferecida semestralmente nas
áreas de história e crítica da arte, fotografia e artes plásticas. Os cursos
são ministrados por profissionais renomados e têm por objetivo atender
aos interesses específicos do público pelas linguagens contemporâneas.
Disponível em: <http://mam.org.br/institucional/>. Acesso em: 7 fev.
2016.
A representatividade dos museus trazidos nesta seção serve como exemplos de
espaços culturais que intensificam e potencializam a formação em/para arte. E todo
esse desvendamento de possibilidades pode ser muito significativo em sala de aula
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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(formal ou não) se houver estímulos por parte do arte-educador. Considerando-se
que a arte entrelaça aspectos advindos de campos extremamente diferenciados
como vídeo, dança, música, artes plásticas, entre tantos outros, é necessário ponderar
o quanto esse contato, apreciação ou experimentação pode ser enriquecedor. Por
isso, é extremamente relevante a visita, mesmo que virtual, e o envolvimento de
crianças e adolescentes com estes espaços.
O MAM oferece uma série de cursos e ações educativas ao público em
geral. Com o intuito de estudar, incentivar e difundir a arte moderna e
contemporânea brasileira, configura-se, portanto, como um espaço
relevante de formação em arte. Por isso, vale acessar a página do museu
e conhecer mais as opções oferecidas por este espaço!
Fonte: <http://mam.org.br/aprenda/cursos/>. Acesso em: 7 fev. 2016.
Figura 1.4 | Página de cursos ofertados pelo MAM
2.2 Centros de cultura
Além dos museus, vários outros espaços culturais podem promover a
disseminação da educação em arte. É o caso dos centros de cultura. Esses podem
ser encontrados com mais facilidade, pois sua estrutura pode ser relativamente
mais simples. Diferentemente do que ocorre com grandes museus que recebem
obras de arte valiosíssimas, os centros de cultura propõem ações mais diretas
nas comunidades e contribuem para aproximação e desmitificação das relações
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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com a criação artística. Os centros de cultura são espaços que podem promover
diálogo mais próximo e personalizado com a comunidade que o cerca, atendendo
demandas que os grandes centros de arte e grandes museus, muitas vezes, não
conseguem.
Mesmo em pequenas cidades podem existir projetos que buscam promover
ações interativas, no intuito de divulgar e dialogar com o público interessado em
apreciar ou desenvolver arte. Esses espaços podem ser instituídos em lugares
alternativos, mas que se enquadram como significativos para a formação estética.
No entanto, como já foi dito, cada região do país pode ter uma estrutura e uma
delimitação diferente de centro cultural, já que cada um busca corresponder às
necessidades mais adequadas para cada local.
Como exemplo desses espaços, tem-se, na cidade de Cambé (Paraná), um
centro cultural que oferece uma série de atividades para os moradores locais.
Elas acontecem como forma de dar continuidade às informações propiciadas em
espaços formais, como a escola. Esse centro cultural envolve o público em diferentes
atividades que compreendam possibilidades de desenvolvimento artístico e criativo.
“O conceito de centro tem a sua origem no latim centrum e pode fazer
menção a diversas questões. Uma das acepções refere-se ao lugar
onde se reúnem as pessoas com alguma finalidade. Cultural, por sua
vez, é aquilo que pertence ou é relativo à cultura. Um centro cultural é,
portanto, o espaço que permite participar em atividades culturais. Estes
centros têm o objetivo de promover a cultura entre os habitantes de uma
comunidade.
A estrutura de um centro cultural pode variar conforme o caso. Os centros
maiores têm auditórios com cenários, bibliotecas, salas de informática
e outros espaços, com as infraestruturas necessárias para organizar
workshops ou cursos e realizar concertos, peças de teatro, projeção
de filmes etc. O centro cultural costuma ser um ponto de encontro nas
comunidades mais pequenas, onde as pessoas se reúnem para conservar
tradições e desenvolver atividades culturais que incluem a participação
de toda a família.”
Disponível em: <http://conceito.de/centro-cultural#ixzz3z6sAHHkc>.
Acesso em: 2 fev. 2016.
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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A FUNCAC (Fundação Cultural e Artística de Cambé) e a Secretaria
Municipal de Cultura oferecem vagas paras as oficinas de teatro, música
(flauta e violão), street dance, balé, artes visuais, desenho e pintura, arte e
criação, pintura digital e artes plásticas.
Fonte: <http://www.cambe.pr.gov.br/site/areanoticia/1488-fundacao-
cultural-de-cambe-abre-inscricoes-para-oficinas.html>. Acesso em: 3
fev. 2016.
Além de oficinas, eles preparam programações culturais e artísticas específicas
para a época de férias. No período de 11 a 29 de janeiro de 2016, por exemplo, foram
oferecidas aulas de capoeira; dança livre; teatro; arte e ação com construção de
brinquedos, pipa e jogos, além de cineminha. A divulgação também acontece por
meio das redes sociais, o que pode facilitar o acesso à informação.
Procure saber se na sua cidade existe algum centro de cultura e como funcionam
as ações propostas pelo espaço!
Diante dessas informações, sinta-se inspirado e instigado a contribuir e alavancar
projetos de centros de cultura na sua região!
2.3 Escolas de arte
As escolas de Arte, assim como os museus, são espaços que contribuem para
a democratização do ensino de arte. Esses espaços auxiliam na produção de
conhecimentos e técnicas de estudantes e artistas também na busca pelo sentido da
arte enquanto expressão. As escolas de arte não são instituições obrigatórias, por isso
nem todos os grandes artistas frequentaram-nas. No entanto, seus objetivos sempre
giram em torno de promover o ensino de artes, dentro de concepções pré-estabelecidas
por tais instituições, podendo acontecer de forma acadêmica ou não. De modo geral, a
participação nestes espaços é opcional e voluntária.
A primeira escola de arte do Brasil foi fundada pelo grupo pertencente a Missão
Artística Francesa, chefiada por Joachin Lebreton. Deste grupo, também faziam parte
“Nicolas-Antoine Taunay, Jean-Baptiste Debret e Augusto-Henri-Victor Grandjean de
Montigny. Em agosto de 1816, o grupo organizou a Escola Real das Ciências, Artes
e Ofícios, transformada, em 1826, na Academia Imperial de Belas-Artes” (PROENÇA,
2005, p. 138).
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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Esta escola possuía orientações baseadas em técnicas e princípios rígidos quanto
ao desenvolvimento do desenho e da pintura, limitando e cerceando de forma muito
pontual a criatividadee a livre expressão. O objetivo geral era o de registrar pinturas
históricas, os costumes e a paisagem brasileira.
“A AIBA cumpriu papel fundamental na vida artística nacional ao longo de
mais de seis décadas, tendo sido a responsável pela implantação no Brasil
do ensino de arte em moldes semelhantes aos das academias europeias,
fundamentado em sólida formação científica e humanística, bem como
em treinamento intensivo baseado no desenho de observação e na cópia
de moldes”.
Se você deseja mais informações sobre a Academia Imperial de Belas
Artes (AIBA) e a chegada da Missão Artística Francesa no Brasil, você pode
acessar o texto completo!
Disponível em: <http://www.brasilartesenciclopedias.com.br/temas/
academia_imperial_de_belas_artes.html>. Acesso em: 3 fev. 2016.
Inicialmente esta escola buscava atender especialmente aos desejos de uma
burguesia dominante, não dando espaço às camadas mais populares de terem
acesso a tais informações. Exatamente o contrário do que se pretende atualmente
com as escolas não formais de arte, que visam possibilitar a multiplicação do
conhecimento artístico.
De lá para cá, muitas propostas com relação à criação das escolas de arte
surgiram e foram remodeladas. Estudos a respeito das correlações entre a arte e a
sua adequação às transformações sociais e culturais também foram fundamentais
para estas frequentes reorganizações.
Escolas de Arte
“É no fim da década de 1920 e início da década de 1930 que encontramos
as primeiras tentativas de escolas especializadas em arte para crianças
e adolescentes, inaugurando o fenômeno da arte como atividade
extracurricular. Em São Paulo, foi criada a Escola Brasileira de Arte
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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conhecida através de Theodoro Braga seu mais importante professor. A
Escola Brasileira de Arte funcionava em uma sala anexa ao grupo Escolar
João Kopke e lá as crianças das escolas públicas de oito a catorze anos,
com talento (havia provas de desenho), podiam gratuitamente estudar
música, desenho e pintura. A orientação era vinculada à estilização da flora
e fauna brasileiras. [...] Anita Malfatti mantinha cursos para crianças e jovens
em seu ateliê e na Escola Mackenzie. Tinha uma orientação baseada na
livre expressão e no espontaneísmo. Com o curso para crianças, criado na
Biblioteca Municipal Infantil pelo Departamento de Cultura de São Paulo
quando Mário de Andrade era seu diretor (1936-1938), esta orientação
começou a se consolidar. A contribuição de Mário de Andrade foi muito
importante para que se começasse a encarar a produção pictórica da
criança com critérios investigativos e à luz da filosofia da arte.”
Disponível em: <http://www.acervodigital.unesp.br/>. . Acesso em: 4
fev. 2016.
A dica é a visita a um site que listou, sob seu ponto de vista, algumas
das melhores escolas de Arte no Brasil e no mundo. Traz também breves
apontamentos sobre a história e a importância destas escolas. Vale a
pena conferir!
Disponível em: <http://www.guiadasemana.com.br/artes-e-teatro/
noticia/as-14-melhores-escolas-de-arte-do-mundo>. Acesso: 4 fev.
2016.
2.4 Galerias
As galerias de arte são espaços utilizados para exposição e comercialização de
obras de arte. Nesses lugares, é possível encontrar uma preocupação constante com
a segurança e manutenção das obras para que o público visitante possa apreciar
o acervo sem maiores problemas. Deve-se, portanto, considerar alguns cuidados
como essenciais, como, por exemplo: iluminação, posição das obras, distribuição
dos espaços, circulação dos visitantes e segurança. Logo, as galerias se constituem
como espaços privados de comércio. Elas correlacionam-se de maneira muito
próxima com os museus, podendo até mesmo fazer parte desses ambientes, pois
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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buscam expor, debater e promover o contato com obras de arte. Possuem acervos
de diferentes obras, estilos ou artistas que necessitam, em vários momentos, de
cuidados específicos e muito especiais, assim como qualquer outro espaço que
possui obra de arte. Apesar de seu caráter comercial, as galerias também buscam
promover a divulgação do patrimônio artístico e cultural de determinado artista,
estilo, ou período artístico.
Sobre definições e orientações a propósito das galerias de arte, Schilaro e Scaléa
(2006, p. 58) apontam que:
As galerias de arte são instituições de caráter privativo que
comercializam obras de arte e disponibilizam espaços para que
o artista exponha seu trabalho por determinados períodos, a fim
de vendê-los. Há galeristas que são também colecionadores, e
como conhecedores integrados ao mercado de arte, orientam
e organizam coleções e lançam novos artistas, contribuindo
definitivamente para a difusão da arte.
“Hoje uma galeria de arte é um espaço arquitetônico onde são
dispostas adequadamente as obras de arte. Os espaços são definidos
para proporcionarem segurança e uma correta apreciação dos objetos
expostos, levando em consideração posicionamento, iluminação e
possibilidade de distanciamento e circulação do espectador. Estes
espaços são destinados a pinturas, esculturas e todas as formas de
expressão das artes visuais. Geralmente, funcionam em espaços multiuso,
incorporando eventos, cursos e oficinas, bem como outras amenidades
como cafés, lojas de souvenir e conveniência. [...] As galerias de arte
podem fazer parte de museus de arte como um de seus departamentos,
e também, de forma independente de instituições, podem se constituir
como estabelecimentos privados de comércio de obras e neste caso,
muitas vezes, podem não possuir um acervo permanente próprio. O
objetivo maior dos centros de artes é levar a arte a muitas pessoas, isto é
o ato de popularização da arte.”
Disponível em: <http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ideias/
Como-montar-uma-galeria-e-centro-de-arte#naveCapituloTopo>.
Acesso em: 4 fev. 2016.
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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As galerias de arte podem ser encontradas em espaços físicos mais simples ou
em lugares sofisticados, com obras de artistas regionais ou de artistas extremamente
renomados. Na contemporaneidade, esses espaços assumem novos formatos.
Sendo assim, podem se localizar em espaços virtuais, ou seja, aqueles existentes
somente para negócios ou apreciação feitos por meio da internet. Podem ainda
existir de ambas as formas: em espaços físicos e virtuais.
Além disso, há uma outra especificidade que diz respeito ao tipo e ao valor das
obras comercializadas. Algumas galerias se especializam em artistas, estilos, ou
épocas específicas, o que pode ser determinante para a definição do tipo de público.
No entanto, alguns desses espaços podem movimentar um mercado milionário: o
de venda das consideradas “grandes” obras de Arte. Existem galerias que oferecem
serviços que assessoram diversas atividades como leilões, exposições ou vendas de
obras. Além de assessorar artistas a comercializar obras de arte, ainda promovem
outras atividades como apresentações teóricas das obras de seu acervo por meio
de momentos interativos, configurando-se também como uma ação educativa e
disseminação do conhecimento em Arte.
Curiosidade
Pesquisas revelam que “81% das galerias registraram aumento do volume de
negócios em 2013, com aumento de 22,5%, acompanhando a tendência
observada na primeira edição, em que o crescimento acumulado foi de 44%
(no biênio 2011-2012). Além disso, o volume de exportações das pesquisadas
passou de US$ 18 milhões em 2012 a US$ 27 milhões no ano seguinte.
Foram 6.700 obras vendidas, com um reajuste de preços na ordem de
15%. Ainda assim, são os colecionadores privados e os negócios no Brasil
que mais fomentam o setor: 85%dos negócios realizados em 2013. Os
colecionadores privados brasileiros representam 71% do volume das vendas,
seguidos pelos colecionadores privados estrangeiros (11,5%)”.
Disponível em: <http://www.sebrae.com.br/appportal/reports.do?metodo=
runReportWEM&nomeRelatorio=ideiaNegocio&nomePDF=Como+montar
+uma+galeria+ou+centro+de+arte&COD_IDEIA=9ce9e05452c78410Vgn
VCM1000003b74010a>. Acesso em: 4 fev. 2016.
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
U1
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Curiosidade
Galeria de artes
“As atividades de uma galeria se desenvolvem de acordo com os seguintes
processos:
1. Escolha e contratação dos artistas e suas obras.
2. Receber, catalogar e documentar o recebimento das obras dos artistas.
3. Preparar plano de exposição das obras de arte.
4. Exposição das obras nos locais pré-definidos.
5. Providenciar documentação digital das obras através de vídeos e fotos
digitais.
6. Atendimento aos clientes para demonstração em dias normais e em
vernissages.
7. Recebimento da obra vendida, expedição e entrega das obras vendidas.
8. Devolução de obras aos artistas, após o vencimento de prazo acordado
para exposição.”
Disponível em: <http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ideias/
Como-montar-uma-galeria-e-centro-de-arte#naveCapituloTopo>. Acesso
em: 4 fev. 2016.
No Brasil, existem várias galerias de arte espalhadas por todas as regiões. Muitas
delas promovem uma série de eventos e atividades que são essenciais ao trabalho
dos artistas. Como exemplo destas atividades, podemos citar a coordenação,
colaboração, preparação ou indicação de artistas plásticos para exposições, sites,
eventos bienais e projetos; colaboração para atualização de enciclopédias sobre
arte; implantação de obras (esculturas); curadorias; assessorias; coordenação de
livros de artistas plásticos; comercialização e monitoria de obras; coordenação de
palestras em feiras de arte; coordenação de programas culturais, entre outras.
Você já visitou uma galeria de arte? E uma galeria virtual?
Você sabe como se estruturam os sites e como são grandes as possibilidades
de percepção e utilização desses universos artísticos para formação em arte? Nos
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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quadros a seguir, você poderá visualizar como são apresentados estes espaços e
quais são algumas das possibilidades de navegação apresentadas. Estas informações
são muito importantes, pois podem se tornar instrumentos valiosos para a arte-
-educação. Em diversas regiões que não possuem espaços expositivos de arte, a
internet pode se tornar uma importante aliada no contato dos alunos com obras.
Você poderá sugerir pesquisas, apreciação, visitas comparativas entre os espaços
para compreensão de diferentes propostas, entre inúmeras outras atividades.
O intuito é o de aproximar o aluno dos espaços culturais e promover hábitos de
contato com a cultura por meio da arte. Fique atento!
Visitando galerias virtuais!
Exemplo 1:
Fonte: <http://www.pinturabrasileira.com/index1.asp>. Acesso em: 4 fev. 2016
Fonte: <http://www.pinturabrasileira.com/index1.asp>. Acesso em: 4 fev. 2016
Figura 1.5 | Galeria virtual, espaço de exposição e acervo
Figura 1.6 | Espaço de busca/consulta de obras de arte
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Fonte: <http://mnba.gov.br/portal/educacao/atividades.htm/>. Acesso: 4 fev. 2016.
Figura 1.7 | Página inicial de galeria virtual
Exemplo 2:
Acesse os sites de diferentes galerias de arte apresentados
anteriormente e navegue por eles. Depois, pesquise e reflita
sobre a criação artística e o valor de algumas obras de arte.
Posteriormente, essas questões podem contribuir bastante
para determinar, com seus futuros alunos, o que transforma
um objeto artístico numa obra de arte única e de valores
inestimáveis.
Curiosidade
Marchand (ou galerista): pessoa que negocia ou comercializa obras de arte,
normalmente quadros. (Exemplo: o marchand do museu tem se dedicado a
vender arte moderna). (Etm. do francês: marchand = negociante).
Disponível em: <http://www.dicio.com.br/marchand/>. Acesso em: 4 fev.
2016.
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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1. Descreva, de acordo com os textos estudados, algumas das
funções da arte.
2. De forma categórica, podemos afirmar que já há algum
tempo o homem contemporâneo convive com tantas imagens
que essas passaram a fazer parte do seu dia a dia. A grande
quantidade de imagens que vemos todos os dias pode se
tornar prejudicial para a compreensão e distinção de seu
valor enquanto instrumento comunicacional. De acordo com
a leitura da Unidade 1, cite um dos malefícios do excesso de
visibilidade das imagens em nosso cotidiano.
Nesta unidade, você compreendeu que existe uma série de
espaços culturais que podem contribuir para a formação em
arte. Você também teve acesso a diversos materiais encontrados
em sites de museus e galerias que disponibilizam materiais
diversos com o intuito de potencializar a educação em/sobre
arte. Na sua opinião, esses materiais podem contribuir para
enriquecer a formação em arte e para a construção de uma
arte-educação mais rica, interessante e convidativa?
Nesta unidade, compreendemos a importância da arte e de seus
espaços culturais. Também exploramos e nos aprofundamos nos
objetivos e potencialidades de espaços culturais, como museus,
centros de cultura, espaços de arte e galerias. Analisamos
também opções virtuais de acesso e apreciação de tais espaços
que auxiliam na aproximação com esses ambientes.
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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Durante todo o percurso sugerido por esta unidade, discutimos
e apresentamos muitas opções de acessos a sites de museus e
galerias no intuito de estabelecer novas relações com os espaços
de cultura e com a arte. Estar atento às possibilidades de cada
região é muito importante para estabelecer laços de afinidade
com a arte e compreender o quanto ela pode ser eclética,
instigante e prazerosa. Por isso, mesmo diante de cada uma das
diferentes realidades, em função da região em que se vive, é
fundamental, para o aluno e para o arte-educador, a exploração
de opções que levem ao desenvolvimento da capacidade
de reflexão. Então, deixe sua curiosidade e sua criatividade
trabalharem lado a lado com seu conhecimento científico e,
assim, suas aulas serão sempre inesquecíveis!
1. Nem toda imagem observada pode ser considerada
uma obra de arte ou imagem artística. Por isso, é possível
assegurar que existe uma distinção muito pontual entre
imagens artísticas ou não. Contudo, é necessário destacar
que a arte pode se utilizar de imagens em suas criações. Leia
as sentenças que comentam sobre imagens e arte.
I. Para serem consideradas artísticas, as imagens devem
respeitar uma série de critérios como, por exemplo: intenção
de criação artística ou preocupação com ineditismo, unicidade
(criação única) e criatividade.
II. Tanto a imagem artística quanto não artística possuem
signos passíveis de leitura. Entretanto, essa leitura é diferente
daquela que acontece com textos lineares na escrita
tradicional.
III. Na imagem, a leitura acontece de modo não linear, pois
estas possuem códigos abertos, ou seja, códigos que não
podem ser precisamente determinados.
IV. Arte e imagem não podem ser lidas, pois suas estruturas
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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não permitem este tipo de interferência. Ambas são
desenvolvidas apenas para serem apreciadas:
Agora, assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
b) Somente as afirmativasI e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.
2. Atualmente, discute-se como a arte sofreu constantes
transformações em sua forma ou apresentação.
Transformações essas que também puderam ser
constatadas do mesmo modo nas sociedades, épocas ou
culturas. Analise as informações a seguir e assinale V para
verdadeiro e F para falso.
(__) Arte pode ser considerada efêmera e, portanto,
altamente mutável, pois está conectada ao período histórico,
à cultura e à sociedade a qual pertence.
(__) A arte não contém informações referentes ao entorno,
à cultura, à época ou ao próprio indivíduo que a produz,
pois ela é imutável, contínua e ininterrupta.
(__) É possível considerar que existe um jogo de posições
no sistema das artes que se relaciona com a ordem política
da sociedade.
(__) Há uma construção social que está baseada na afirmação
de um sistema de artes, que define as características do
circuito da criação, produção, exposição, fruição e recepção
do objeto artístico.
Agora, assinale a alternativa que corresponde à sequência
correta:
a) V, F, F, V.
b) V, F, V, V.
c) F, V, F, V.
d) V, V, V, F.
e) F, F, V, V.
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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3. Hoje em dia, pode-se perceber, diante das possibilidades
de acesso propiciadas pelas mídias e pela internet, que
as fronteiras que distanciavam obra e espectador foram
reestabelecidas e alargadas. Sobre a relação entre a arte e
os espaços culturais, analise as afirmações a seguir:
I – A exposição da obra de arte não é restrita somente aos
espaços de grandes museus e galerias.
II – Diferentes espaços para apresentação e exposição da
arte e alterações substanciais nos moldes das criações
artísticas nunca foram explorados.
III – A educação em arte só pode ser proposta por meio de
caminhos que levem a uma convivência com as obras de
arte expostas em museus.
IV – Atualmente, nota-se que os espaços culturais e a
convivência com obras tornaram-se fundamentais para
plena compreensão e formação em arte.
Agora, assinale a alternativa correta:
a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.
4. Distinguir e refletir sobre os diferentes espaços
culturais para a exposição de objetos artísticos/obras de
arte pode contribuir para a aproximação e ampliação de
conhecimentos. Por isso, avalia-se que museus, centros de
cultura, escolas de arte e galerias têm como objetivo expor,
promover debates e aprofundar os conhecimentos sobre
arte.
Analise as sentenças sobre os museus elencadas a seguir e
assinale a alternativa CORRETA:
a) O ensino de arte em museus constitui um componente
essencial para arte-educação: a descoberta de que arte é
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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conhecimento.
b) O museu é uma das instituições não formais e culturais
de arte menos conhecidas, principalmente por apreciadores
de arte.
c) Pode-se ter acesso a espaços culturais de arte,
exclusivamente, por meio de visitas virtuais.
d) O objetivo proposto pelo museu é somente o de promover
a comercialização das obras de arte dos grandes artistas.
e) A galeria de arte se propõe somente a promover a
comercialização de pinturas de artistas extremamente
famosos.
5. Além dos museus, vários outros espaços culturais podem
promover a disseminação da educação em arte, como é o
caso dos centros de cultura. Analise as informações a seguir:
I. Os centros de cultura são espaços que podem promover
um diálogo com a comunidade que os cercam de maneira
mais aproximada e regional.
II. O conceito de centro tem a sua origem no latim centrum
e pode referir-se ao lugar onde se reúnem pessoas com
finalidade artística.
III. Em pequenas cidades não existem centros de cultura,
pois esses projetos não ajudam a promover ações interativas
que divulgam e dialogam com o público interessado em
apreciar ou desenvolver arte.
IV. O centro cultural costuma ser um ponto de encontro nas
comunidades mais pequenas, onde as pessoas se reúnem
para conservar tradições e desenvolver atividades culturais.
Agora, assinale a alternativa correta:
a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas I, II, e IV são corretas.
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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Referências
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U1
Arte e os espaços culturais: museus, centros de cultura, escolas de arte, galerias
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PROENÇA, Graça. Descobrindo a história da arte. São Paulo:Ática, 2005.
SCHILARO, Nereide S.; SCALÉA, Neusa S. Arte-educação para professores: teorias e
práticas na visitação escolar. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 2006.
Unidade 2
INTERAÇÃO ENTRE OS ESPAÇOS
DE EDUCAÇÃO FORMAL E NÃO
FORMAL
A primeira seção apresenta definições a respeito da educação formal e não
formal. Oferecendo a oportunidade de distinguir diferentes elementos que
podem compor ambas as ações.
A segunda seção proporciona informações a respeito da possibilidade de
interação entre a educação formal e não formal. Sugere alterações na proposição
da arte-educação de modo a conduzir ações educacionais interativas e ativas.
Seção 1 | Delimitações sobre espaço formal e não formal
Seção 2 | Arte em diferentes espaços
Objetivos de aprendizagem
Nesta unidade, você irá conhecer as definições e distinções que delimitam
as diferenças entre espaço de educação formal e não formal em arte. Para isso,
você será levado a perceber várias características que demarcam as diferenças
entre esses ambientes. E, em decorrência, conhecerá também possibilidades de
ações que promovem a interação entre estes espaços de formação em arte.
Tatiana Romagnolli Peres
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
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Interação entre os espaços de educação formal e não formal
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Introdução à unidade
Na unidade anterior, você teve a oportunidade de conhecer a importância da
arte enquanto linguagem, elemento informacional e comunicativo. Além de ter
acesso a diferentes ambientes que podem propor ações educacionais que tendem
a complementar e enriquecer a arte-educação. Agora, nesta unidade, todas essas
informações serão necessárias para que você possa compreender as distinções
entre esses diferentes espaços de educação e também como eles são necessários
e complementares para a formação em arte. Por isso, desfrute e aproveite desta
viagem!
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
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Interação entre os espaços de educação formal e não formal
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Seção 1
Delimitações sobre espaço formal e não formal
As informações propostas nesta seção demandam apontamentos que delimitam
o que é educação formal e não formal, buscando destacar quais são as diferenças,
peculiaridades e as principais contribuições para a formação em arte de cada uma
destas propostas. A principal preocupação nesta seção é que você consiga distinguir as
especificidades entre as modalidades de ensino formal e não formal. Em decorrência
dessas apreensões, você também terá acesso a questões que procurarão orientar
informações relevantes sobre a formação em arte que tem como objetivo subsidiar e
respaldar o trabalho do arte-educador.
2.1 Espaço formal
No decorrer da Unidade 1, houve vários apontamentos, colocações e sugestões
no intuito de direcionar as reflexões sobre a importância da arte e da imagem para
a construção do sujeito e para a alfabetização visual. Quando você pensa em todas
essas contribuições relativas à arte, qual o primeiro espaço de formação capaz de
transmitir tal conhecimento de que você se lembra? Imagine inicialmente que a
primeira referência lembrada para a formação em arte seja a escola simplesmente
por ser esta a instituição mais comum e mais acessível em todos os lugares do país.
Logo, considera-se que em diversas regiões do país esta disciplina constitui-se como
um importante elemento curricular, devendo ser ofertada durante toda a educação
básica fundamental.
Obviamente que o espaço ocupado pela disciplina em diversas escolas ainda não
corresponde a sua efetiva potencialidade. A arte apresenta-se efetivamente como
um conhecimento capaz de se portar como um mediador cultural (HERNÁNDEZ,
2000), daí sua importância enquanto participante do currículo escolar. Contudo,
ainda há muito o que se discutir e alcançar em relação aos direitos e funções da arte
junto à toda a comunidade escolar.
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
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De qualquer forma, os ganhos e avanços propostos pela inclusão e aceitação
desta disciplina são incalculáveis. As correlações referentes à arte e seu ensino
envolvem uma sequência de interligações que são parte de todo um sistema de
construção de saberes essenciais ao desenvolvimento do sujeito. Todas essas
possibilidades suscitadas pela arte-educação são evidenciadas em várias discussões
sobre esse tema. Por isso, convém ressaltar que, de acordo com Frange (2003, p.
47), o ensino da arte “não é apenas uma questão, mas muitas questões; não um
problema, mas inúmeros desafios, uma tensão instalando estados de tensividade
entre olhares, buscas e encontros aprofundados, pois arte é conhecimento a ser
construído incessantemente”.
Há que se efetivar agora debates que possam legitimar e esclarecer dúvidas
decorrentes dos novos formatos, posturas ou quanto ao uso prático da arte no
cotidiano. Infelizmente, em grande parte das instituições formais, a arte ainda é
vista como uma disciplina inferior, mesmo possuindo os mesmos direitos e deveres
que todas as demais disciplinas. Essa visão errônea pode ser redefinida se todos os
arte-educadores se propuserem a apoiar posturas de enfrentamento quanto a essa
percepção reducionista.
Nesse sentido, é possível que esclarecimentos sobre a grandiosidade da formação
em arte sejam evidenciados por meio da apresentação e mediação de abordagens
criativas, contributivas e elucidativas, no ambiente escolar, que tenham como ponto
de partida o objeto artístico, a imagem, as proposições estéticas, o olhar sensível, a
criação, entre outras.
Cumpre observar que se deve refletir constantemente sobre a relevância da
atuação do educador na sala de aula. A ele cabe um dos papéis fundamentais na
formação das opiniões e das mentalidades do que venha a ser arte e do quanto seus
alunos possam se interessar ou até mesmo gostar da disciplina. Lembrando que
este arte-educador deve considerar cotidianamente a ideia de se posicionar como
incentivador e/ou desafiador estético, assumindo uma postura de mediador entre
o conhecimento historicamente construído e quem aprende. Essa é, na verdade,
uma postura comum a qualquer outro educador formal. Contudo, ao arte-educador
cabe também despertar a sensibilidade estética que provoca alterações profundas
na percepção da obra de arte.
Como a arte-educação deve ser apresentada ou trabalhada
de modo a incentivar constantemente os interesses e as
necessidades dos alunos?
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
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Há que se refletir também sobre outras questões que devem ser consideradas
para que se construa uma relevante educação em arte. Uma delas diz respeito a
correlações socioculturais evidenciadas na prática escolar. Como se pode notar, o
sujeito que aprende encontra-se inserido num contexto muito específico e todos os
elementos a ele conectados devem ser considerados. Dessa forma, os envolvidos
no processo da arte na educação, alunos e professores, podem conectar-se à
cultura e à sociedade em que vivem ou a uma outra que desejam estudar por meio
da educação para a arte. Segundo Hernández (2000, p. 53):
Por intermédio dessa conexão, suscitada pela apreensão de informações e
estudos de características artísticas específicas, é aceitável compreender os códigos
que transitam pela arte, mas que são reflexos de um determinado período ou cultura.
Assim, os códigos nas imagens da arte passam a estabelecer uma forma de sentido
para os educandos. Para que todas essas articulações funcionem no processo
educacional, faz-se necessário que o educador tenha, do mesmo modo, clareza da
profundidade das informações correlacionadas a teoria da arte.
As obras artísticas, os elementos da cultura visual, são,
portanto, objetos que levam a refletir sobre as formas de
pensamento dacultura na qual se produzem. Por essa razão,
olhar uma manifestação artística de outro tempo de outra
cultura implica uma penetração mais profunda do que a que
aparece no meramente visual: é um olhar na vida da sociedade,
e, na vida da sociedade, representada nesses objetos. Essa
perspectiva de olhar a produção artística é um olhar cultural.
Como professores de Arte temos de conhecer desde os
conceitos fundamentais da linguagem da Arte até os meandros
da linguagem artística em que se trabalha. Temos de saber
como ela se produz – seus elementos, seus códigos – e
também como foi e é sua presença na cultura humana, o que
implica uma visão multicultural, na valorização da diversidade
cultural. É preciso, ainda, conhecer seu modo específico de
percepção, como se estabelece um contato mais sensível,
como são construídos os sentidos a partir das leituras, como
aprimorar o olhar, o ouvido, o corpo. Mas é preciso saber ainda
como mobilizar estes saberes, por se tratar de uma trama de
transmissões, oriundas e tecidas não apenas por parte do
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
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professor de Arte, mas também pelos alunos, pelas mídias, por
outras pessoas, pelo entorno cultural de professores e alunos,
de instituições culturais, curadores, agentes culturais, monitores
(MARTINS, 2003, p. 52-53).
Para compreensão das potencialidades da arte, é imprescindível que se invista no
debate de alguns fatores preponderantes da arte na educação formal: o dinamismo,
a individualidade de pensamento, a multiplicidade de conteúdos e características que
se moldam constantemente, influenciadas tanto pelas particularidades do criador
quanto a partir do olhar do apreciador/observador. Para o sucesso do processo
educacional, é indispensável considerar, ao mesmo tempo as necessidades, do
entorno, da comunidade, dos educandos, que podem ser determinantes e, ao
mesmo tempo, inspiradoras para desenvolver o gosto pela arte.
FAEB (Federação de arte educadores do brasil)
ARTE/EDUCAÇÃO ON-LINE
“A revista tem por missão promover a reflexão acerca da arte/educação
nos âmbitos teórico e prático, contemplando pesquisas em artes
visuais, dança, música, teatro, pedagogia e áreas correlatas, bem como
poéticas artísticas, contribuindo para o adensamento e aprofundamento
destes campos do saber. Será num periódico semestral voltado para a
publicação de artigos, ensaios, críticas, narrativas, entrevistas e resenhas,
elaborados por associados da FAEB ou convidados especiais.”
Disponivel em: <http://faeb.com.br/arteeducacao-on-line/>. Acesso
em: 26 fev. 2016.
Fonte: <http://www.faeb.com.br/ojs/index.php/arteeducacao/issue/current/showToc>. Acesso em: 26 fev. 2016.
Figura 2.1 | Revista v. 1, n. 01 (2012)
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
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Para que a arte possa se firmar como uma disciplina altamente benéfica e
necessária à formação do sujeito, há que se considerar também sua capacidade
de promover aproximações e diálogos profundos sobre os mais variados temas.
Ideias, ideais, conceitos, desejos, sonhos, inquietudes, entre tantas outras questões,
podem servir como fonte de inspiração para a criação artística. E, dessa maneira, se
confirma seu alto grau de diversificação, complexidade, competência e capacidade
de adaptação. Essas características da arte-educação devem ser constantemente
evidenciadas e reafirmadas pela escola, pela educação formal, no intuito de destacar
a relevância da disciplina.
A arte, na contemporaneidade, está ancorada muito mais
em dúvidas do que em certezas, desafia, levanta hipóteses
e antíteses em vez de confirmar teses. A educação, por sua
vez, está ancorada nas diferenças e nas diversidades “que
somos e quem somos”. Não bastam a “livre expressão”
(cantada e decantada nos anos 50 e 60), os “espontaneísmo”
(compreensão banalizada e indevida do expressionismo), nem
“a igualdade, a liberdade e a fraternidade” (propostas pela
Revolução Francesa). Os tempos em que vivemos exigem
investimentos e diversificações, coerências e competências
sociais e epistemológicas para que cada um seja construcional
de sua “pessoalidade” coletivizada e que se reconheça para
que possa, nos Outros e nas Coisas, se reconhecer, quer
nas similitudes, quer nas diferenças e/ou nas divergências
(FRANGE, 2003, p. 36).
Epistemologico: é um adjetivo da língua portuguesa, usado para classificar
algo que está relacionado com a epistemologia. Epistemológico vem
de epistemologia, que em sentido amplo, é sinônimo da teoria do
conhecimento ou gnosiologia. Em sentido estrito, designa a teoria do
conhecimento científico. A epistemologia também pode ser vista como a
filosofia da ciência. A epistemologia trata da natureza, da origem e validade
do conhecimento e estuda também o grau de certeza do conhecimento
cientifico nas suas diferentes áreas, com o objetivo principal de estimar a
sua importância para o espírito humano.
Disponível em: <http://www.significados.com.br/epistemologico/>.
Acesso em: 26 fev. 2016.
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
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Pessoalidade: a autora Lucimar Bello P. Frange (2003, p. 36) afirma que
“esta expressão de uma pessoa, sua ancestralidade, suas memórias, seus
desejos, são todos os 'eus' e as alteridades instaladas numa só pessoa”.
Termo usado para tratar de um sujeito que vai se construindo.
Cumpre analisar que a escola pode ser muito importante para a formação
artística da maioria das pessoas, mas não é a única. É compreendida, portanto, como
educação formal aquela educação sistematizada, direcionada e desenvolvida por
meio de uma sequência de titulações com cursos, níveis, currículos que seguem
diretrizes nacionais e que objetivam alcançar também a obtenção de um diploma.
Por meio de uma estrutura antiga e absolutamente sólida, a escola possui regras
claras e certa estabilidade de padrões.
Diante desta afirmação, é fundamental considerar que:
O espaço formal é o espaço escolar, que está relacionado às
Instituições Escolares da Educação Básica e do Ensino Superior,
definidas na Lei nº 9394/96 de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional. É a escola, com todas as suas dependências:
salas de aula, laboratórios, quadras de esportes, biblioteca,
pátio, cantina, refeitório. Apesar da definição de que espaço
formal de Educação é a escola, o espaço em si não remete à
fundamentação teórica e características metodológicas que
embasam um determinado tipo de ensino. O espaço formal
diz respeito apenas a um local onde a Educação ali realizada
é formalizada, garantida por Lei e organizada de acordo com
uma padronização nacional (JACOBUCCI, 2008, p. 56).
A arte na educação formal
“A arte na escola já foi considerada matéria, disciplina, atividade, mas
sempre mantida à margem das áreas curriculares tidas como mais ‘nobres’.
Esse lugar menos privilegiado corresponde ao desconhecimento, em
termos pedagógicos, de como se trabalhar o poder da imagem, do som,
do movimento e da percepção estética como fontes de conhecimento.
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
69
Até aproximadamente fins da década de 1960 existiam pouquíssimos
cursos de formação de professores nesse campo, e professores de
quaisquer matérias, artistas e pessoas vindas de cursos de belas artes,
escolas de artes dramáticas, de conservatórios etc. poderiam assumir as
disciplinas de Desenho, Desenho Geométrico, Artes Plásticas, Música e
Arte Dramática.
Em 1971, pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a arte
é incluída no currículo escolar com o título de Educação Artística,
mas é considerada ‘atividade educativa’ e não disciplina, tratando de
maneira indefinida o conhecimento. A introdução da Educação Artística
no currículo escolar foi um avanço, principalmente pelo aspecto desustentação legal para essa prática e por considerar que houve um
entendimento em relação à arte na formação dos indivíduos. No entanto,
o resultado dessa proposição foi contraditório e paradoxal. Muitos
professores não estavam habilitados e, menos ainda, preparados para o
domínio de várias linguagens, que deveriam ser incluídas no conjunto das
atividades artísticas (Artes Plásticas, Educação Musical, Artes Cênicas).”
Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/arte.pdf>.
Acesso em: 22 fev. 2016.
Com base nas informações apresentadas a respeito do reconhecimento definitivo
da arte como disciplina da educação formal, considera-se que o estado deva ofertar
a todos o acesso à educação e à educação em arte. Logo, faz-se necessário pontuar
que, mediante tais determinações, existem regras básicas sobre esse direito que
devem ser obedecidas em todas as regiões, cidades e escolas brasileiras. Contudo,
com relação a essa determinação sobre o direito à educação, os países, de modo
geral, têm autonomia quanto à oferta de acesso à escola, mas existe uma série de
normas internacionais que orientam elementos básicos para que o ensino formal
tenha o mínimo de qualidade.
Em virtude dessas afirmações, convém ressaltar quais são as principais
características deste direito à educação formal. A partir daí, compreende-se, por
consequência, as responsabilidades subjetivas com relação à educação para a arte.
Características internacionais do direito à educação: disponível, acessível,
aceitável e adaptável
Disponibilidade: significa que a educação gratuita deve estar à disposição
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
70
de todas as pessoas. A primeira obrigação do Estado brasileiro é assegurar
que existam creches e escolas para todas as pessoas, garantindo para
isso as condições necessárias (como instalações físicas, professores
qualificados, materiais didáticos etc.). Deve haver vagas disponíveis
para todos os que manifestem interesse na educação escolar. O Estado
não é necessariamente o único responsável pela realização do direito à
educação.
Acessibilidade: é a garantia de acesso à educação pública, disponível
sem qualquer tipo de discriminação. Possui três dimensões que se
complementam: 1) não discriminação; 2) acessibilidade material
(possibilidade efetiva de frequentar a escola graças à proximidade da
moradia ou à adaptação das vias e prédios escolares às pessoas com
dificuldade de locomoção, por exemplo) e 3) acessibilidade econômica – a
educação deve estar ao alcance de todas as pessoas, independentemente
de sua condição econômica, portanto deve ser gratuita.
Aceitabilidade: garante a qualidade da educação, relacionada aos
programas de estudos, aos métodos pedagógicos, à qualificação do corpo
docente e à adequação ao contexto cultural. O Estado está obrigado a
assegurar que todas as escolas se ajustem aos critérios qualitativos
elaborados e a certificar-se de que a educação seja aceitável tanto para as
famílias como para os estudantes.
Adaptabilidade: requer que a escola se adapte a seu grupo de estudantes;
que a educação corresponda à realidade das pessoas, respeitando
sua cultura, costumes, religião e diferenças. assim como possibilite o
conhecimento das realidades mundiais em rápida evolução. Ao mesmo
tempo, exige que a educação se adeque à função social de enfrentamento
das discriminações e desigualdades que estruturam a sociedade. A
adaptação dos processos educativos às diferentes expectativas presentes
na sociedade pressupõe a abertura do Estado à gestão democrática das
escolas e dos sistemas de ensino. Por isso, a legislação do ensino determina
que os currículos devem ser compostos por uma base nacional comum,
sendo complementada, em cada estado ou município, e em cada escola,
por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais
da sociedade, da cultura, da economia e dos estudantes.
Disponível em: <http://www.direitoaeducacao.org.br/wp-content/
uploads/2011/12/manual_dhaaeducacao_2011.pdf>. Acesso em: 17 fev.
2016.
A educação formal é indiscutivelmente indispensável. Convém ressaltar que,
por meio da escola, proporciona reconhecidamente um ambiente que favorece o
desenvolvimento do sujeito e, portanto, necessária à aquisição de conhecimentos
acumulados histórica e culturalmente. Esse direito à educação deve ser atendido de
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
71
modo a oferecer qualidade e a promover o desenvolvimento, atendendo a todos
os interesses da comunidade em que está inserida. Por meio dela, penetra-se em
informações valiosas e altamente contributivas para a existência, convivência e
desenvolvimento da sociedade.
A educação é um dos requisitos fundamentais para que os
indivíduos tenham acesso ao conjunto de bens e serviços
disponíveis na sociedade. Ela é um direito de todo ser
humano como condição necessária para ele usufruir de
outros direitos constituídos numa sociedade democrática.
Por isso, o direito à educação é reconhecido e consagrado na
legislação de praticamente todos os países e, particularmente,
pela Convenção dos Direitos da Infância das Nações Unidas
(particularmente os artigos 28 e 29). Um outro exemplo é
o Estatuto da Criança e do Adolescente do Brasil. Negar o
acesso a esse direito é negar o acesso aos direitos humanos
fundamentais (GADOTTI, 2005, p. 1).
Sobre o direito à educação:
“O direito à educação tem um sentido amplo, não se refere somente à
educação escolar. O processo educativo começa com o nascimento
e termina apenas no momento da morte. A aprendizagem acontece
em diversos âmbitos, na família, na comunidade, no trabalho, no grupo
de amigos, na associação e também na escola. Por outro lado, nas
sociedades modernas, o conhecimento escolar é quase uma condição
para a sobrevivência e o bem-estar social. Sem ele, não se pode ter acesso
ao conhecimento acumulado pela humanidade. Além de sua importância
como direito humano que possibilita à pessoa desenvolver-se plenamente
e continuar aprendendo ao longo da vida, a educação é um bem público
da sociedade, na medida em que possibilita o acesso aos demais direitos.
Portanto, a educação é um direito muito especial: um ‘direito habilitante’
ou ‘direito de síntese’. E sabe por quê? Porque uma pessoa que passa por
um processo educativo adequado e de qualidade pode exigir e exercer
melhor todos seus outros direitos. A educação contribui para que crianças,
adolescentes, jovens, homens e mulheres saiam da pobreza, seja pela
sua inserção no mundo do trabalho, seja por possibilitar a participação
política em prol da melhoria das condições de vida de todos. Também
contribui para evitar a marginalização das mulheres, a exploração sexual
e o trabalho infantil, possibilita o enfrentamento de discriminações e
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
72
preconceitos, entre muitos outros exemplos que poderiam ser citados.”
Disponível em: <http://www.direitoaeducacao.org.br/wp-content/
uploads/2011/12/manual_dhaaeducacao_2011.pdf>. Acesso em: 17 fev.
2016.
O papel da educação formal, da escola, evidencia, entre tantos outros benefícios,
a tomada de consciência, por parte do sujeito, de sua existência, de sua importância,
de sua identidade cultural, por meio da compreensão, apreensão e da valorização de
toda a trajetória do conhecimento. A escola é via de acesso às principais descobertas e,
em diversos casos, o primeiro contato consciente, com objetivos claros e específicos,
de muitas crianças e adolescentes com a arte. Independentemente da instituição ou
do espaço cultural para desenvolvimento artístico, vale lembrar que a escola pode
ser fundamental para estimular o estudante a estabelecer uma relação harmoniosa,
ou contestatória, de identificação ou de afinidade como meio em que vive. Dessa
forma, há que se considerar que na escola também “ensina-se a gostar de aprender
arte com a própria arte” (IAVELBERG, 2003, p. 12). Logo, os ambientes que trabalham
em função da disseminação de conteúdos artísticos podem promover uma revolução
na formação intelectual e crítica dos indivíduos também por meio da arte.
A arte constitui uma forma ancestral de manifestação,
e sua apreciação pode ser cultivada por intermédio de
oportunidades educativas. Quem conhece arte amplia sua
participação como cidadão, pois pode compartilhar de um
modo de interação único no meio cultural. Privar o aluno em
formação desse conhecimento é negar-lhe o que lhe é de
direito. A participação na vida cultural depende da capacidade
de desfrutar das criações artísticas e estéticas, cabendo à
escola garantir a educação em arte para que seu estudo não
fique reduzido apenas à experiência cotidiana. Aprender arte
envolve a ação em distintos eixos de aprendizagem: fazer,
apreciar e refletir sobre a produção social e histórica da arte,
contextualizando os objetos artísticos e seus conteúdos
(IAVELBERG, 2003, p. 9-10).
Se a arte pode ser considerada como resultado da interação de diferentes práticas
sociais e culturais, não há como estudá-la ou compreendê-la sem pensar sobre suas
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
73
correlações com as práticas cotidianas, incluindo-se neste contexto, as contribuições
da educação não formal e informal. Surge, assim, a necessidade de distinção entre
educação formal, não formal e informal, sem, contudo, deixar de compreender que
em todas as instâncias é possível adquirir conhecimento.
Desse modo, Maria da Glória Gohn (2006) propõe, em seu texto, vários elementos
que são capazes de distinguir brevemente as diferenças. Para melhor apreensão
das informações propostas pela autora, foi montado um quadro comparativo com
orientações básicas sobre as três categorias de educação.
Quadro 2.1 | Quadro comparativo
Campo de
Desenvolv.
Quem é o
Educador?
Onde se
Educa?
Como se
educa?
Qual a
finalidade?
Educação Informal
Durante o processo
de socialização
(família, bairro,
clube, amigos etc.)
Pais, família,
amigos, vizinhos,
colegas da
escola, meios de
comunicação etc.
Referência de
nação, localidade,
idade, sexo,
religião, etnia etc.
Ambientes
espontâneos
de acordo com
pertencimento
e preferência
herdados
Socializa os
indivíduos,
desenvolvimento
de hábitos, atitudes,
comportamento,
modos de se
expressar
Educação Formal
Desenvolvido na
escola
Professor
Escola, instituição
regulamentada por
lei, com base nas
diretrizes nacionais
Ambiente
normatizado com
regras e padrões
Formar o
indivíduo como
cidadão ativo,
desenvolvimento
de habilidades e
competências;
criatividade;
percepção.
Educação
não formal
“Mundo da vida”,
compartilhando
experiências
O outro - aquele
com quem
interagimos ou nos
integramos
Lugares que
acompanham as
trajetórias de vida,
fora da escola, em
locais informais,
onde há processos
interativos
intencionais
Ambientes
e situações
interativas/
construção de
aprendizagem
coletiva
Capacita os
indivíduos a se
tornarem cidadãos
do mundo, no
mundo.
Abrir janelas de
conhecimento
sobre o mundo.
Fonte: Adaptado de Gohn (2006).
Frente à distinção entre educação formal, informal e não formal, faz-se necessário
contemplar algumas questões específicas que ajudarão a promover a diferenciação
da educação formal e não formal. Sendo assim, compreende-se que parâmetros são
apontados como principais orientadores na arte-educação formal brasileira. Com base
nessas informações, é importante pontuar as diferenças entre as possíveis formas de
educação a partir dos parâmetros, já que eles se apresentas como elementos norteadores
e reguladores da educação. Na leitura dos parâmetros, torna-se acessível, do mesmo
modo, compreender o valor da arte para a educação. Portanto, como exemplo de
formalidade e regulamentação que orienta a prática escolar em arte, tem-se um trecho
dos PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais). Neles, assegura-se que:
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
74
Na proposta geral dos Parâmetros Curriculares Nacionais,
Arte tem uma função tão importante quanto a dos outros
conhecimentos no processo de ensino e aprendizagem.
A área de Arte está relacionada com as demais áreas e
tem suas especificidades. A educação em arte propicia o
desenvolvimento do pensamento artístico e da percepção
estética, que caracterizam um modo próprio de ordenar e
dar sentido à experiência humana: o aluno desenvolve sua
sensibilidade, percepção e imaginação, tanto ao realizar
formas artísticas quanto na ação de apreciar e conhecer as
formas produzidas por ele e pelos colegas, pela natureza
e nas diferentes culturas. Esta área também favorece ao
aluno relacionar-se criadoramente com as outras disciplinas
do currículo. Por exemplo, o aluno que conhece arte pode
estabelecer relações mais amplas quando estuda um
determinado período histórico. Um aluno que exercita
continuamente sua imaginação estará mais habilitado a
construir um texto, a desenvolver estratégias pessoais para
resolver um problema matemático. Conhecendo a arte de
outras culturas, o aluno poderá compreender a relatividade
dos valores que estão enraizados nos seus modos de pensar e
agir, que pode criar um campo de sentido para a valorização
do que lhe é próprio e favorecer abertura à riqueza e à
diversidade da imaginação humana. Além disso, torna-se
capaz de perceber sua realidade cotidiana mais vivamente,
reconhecendo objetos e formas que estão à sua volta, no
exercício de uma observação crítica do que existe na sua
cultura, podendo criar condições para uma qualidade de vida
melhor (BRASIL, 1997, p. 19).
Ainda que se pense em como a educação formal é necessária e definitivamente
indispensável à formação dos indivíduos, ainda há que se colocar em destaque o papel
da arte, enquanto via de acesso à compreensão da cultura visual. Vários apontamentos
referem-se que a arte-educação é uma disciplina de potencialidades valiosas. Por isso,
tende-se a considerar que “cabe à escola reconstruir o espaço social de produção,
apreciação e reflexão sobre arte, sem deformá-lo ou reduzi-lo a moldes escolares”
(IAVELBERG, 2003, p. 12). Com relação à relevância do conhecimento artístico,
Fernando Hernández (2000, p. 42) assegura que este pode ser percebido como um
instrumento que potencializa o desenvolvimento do sujeito.
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
75
No entanto, ainda que a arte tenha amparo legal e que ela conste como disciplina
obrigatória e necessária ao desenrolar do currículo, ainda existem muitas discussões a
respeito dos encaminhamentos metodológicos utilizados para promover a divulgação
das informações artísticas. Há que se pensar sobre como são abordados os conteúdos
e como é a recepção por parte dos educandos. Essas orientações se tornam essenciais
para a aceitação e reconhecimento da disciplina.
Quando um estudante realiza uma atividade vinculada ao
conhecimento artístico [...]: que não só potencializa uma
habilidade manual, desenvolve um dos sentidos (a audição, a
visão, o tato) ou expande sua mente, mas também, e sobretudo,
delineia e fortalece sua identidade em relação às capacidades
de discernir, valorizar, interpretar, compreender, representar,
imaginar, etc. o que lhe cerca e também a si mesmo. Por outro
lado, as artes visuais, ainda que costumem ser consideradas
como um fim em si mesmas, agregam referências e problemas
sobre questões como a universalidade ou a variedade na
experiência humana. [...]A escola é uma instituição (não a
única) na qual este conhecimento pode ser adquirido, e assim
o especificado no currículo.
O que é apresentado no papel vai ser levado pelas pessoas
à escola, e será incluído no horário escolar e oferecido aos
alunos, em forma de conhecimentos relevantes para interpretar
aspectos da realidade (passada e presente) e de seus próprios
olhares sobre esses aspectos da experiência humana. E aqui é
que surgem ou se manifestam boa parte dos problemas dessa
disciplina, que, por si mesma, é transdisciplinar. A orientação
expressiva ou instrumental que está presente em muitos
docentes é uma das causas do pouco interesse por parte
dos pesquisadores sobre o ensino e a aprendizagem, e da
pouca consideração que goza entre os próprios professores
(HERNÁNDEZ, 2000, p. 42).
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
76
• Você consegue imaginar qual será o futuro da disciplina
de arte na educação formal, levando em consideração as
constantes transformações culturais e sociais?
• Você acredita que, em algum momento, a arte poderá
ser aceita como uma importante componente do currículo
escolar?
Mesmo diante de diferentes abordagens possibilitadas pelas informações trazidas
pela educação formal em arte, ainda é possível elencar outras potencialidades desta
disciplina na educação formal. Essa orientação pode ser bastante esclarecedora se você
considerar que crianças e jovens de diferentes regiões do país podem ter expectativas
distintas sobre a arte. Por isso, uma outra perspectiva pode ser considerada como
informação complementar, mas não menos importante, para justificar a arte no currículo
da educação formal. Essa perspectiva diz respeito à arte enquanto possibilitadora da
compreensão da cultura visual, ou seja, uma compreensão da trajetória cultural das
imagens e da arte ao longo da história. Fernando Hernández, em seu livro Cultura visual,
mudança educativa e projeto de trabalho (2000) discorre sobre diferentes formas de
se apresentar informações e estratégias para a valorização da disciplina de ensino da
Arte na educação formal. Assim, este quadro, reúne, resumidamente algumas de suas
propostas quanto à compreensão das relevâncias da cultura visual.
Fonte: Adaptado de Hernández (200, p. 130).
Figura 2.2 | Círculo para compreensão da cultura visual
A prática artística e o conhecimento
histórico da arte são campos de
conhecimento intervinculados que
favorecem a compreensão
da cultura visual
O estudo da cultura visual
tem início na educação
infantil e chega às
instituições a aos novos
mediadores visuais
A cultura visual confronta
os olhares sobre os
objetos de caráter
mediacional
O conhecimento da cultura visual
está relacionado às interpretações
sobre a realidade e sobre como
essas afetam a vida
O estudo da cultura visual não se
esgota nos saberes tradicionais em
relação à arte
Arte na
educação para a
compreensão da
cultura visual
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
77
Outra questão muito pertinente às informações trazidas pela arte-educação diz
respeito a uma percepção mais ampla do termo e de sua aplicação. Deve-se considerar
que a educação em arte deva trabalhar com duas visões complementares de ensino. De
acordo com Hernández (2000), não se deve pensar somente numa educação pautada
apenas de proposições que busquem promover uma leitura que se atenta apenas em
analisar as imagens, nem se deter sobre outras visões que tratam do objeto artístico de
forma fragmentada, pensando em desdobrá-lo a partir de visões estéticas, ou práticas,
ou culturais. Segundo o autor, a educação formal em arte deve percorrer ambos os
caminhos citados, perpassando e percorrendo práticas e metodologias que levem até a
realidade da cultura visual.
Estamos, assim, numa época que parece que se desloca ao
discurso moral baseado na beleza, na ordem, no equilíbrio
e na transcendência da cultura da imagem e da expressão
artística. Estamos diante de uma bifurcação em que se torna
necessário, mais do que em épocas anteriores, a reflexão
baseada no estudo, no debate público e rigoroso que contribua
para caracterizar uma nova cultura provida de uma ética que
possibilite interpretar e agir de maneira não acomodada diante
de uma forma de pensamento que se apresente ao mesmo
tempo como homogêneo e fragmentado, e que se distribui
nos meios da cultura visual de uma maneira frenética e sem
possibilidade de trégua. Diante dessa situação, não deixa de
surpreender que os atuais modelos curriculares tendam a
olhar para trás ao reivindicar a aprendizagem de conteúdos
conceituais (HERNÁNDEZ, 2000, p. 29-30).
Ensino: “é a parte da educação que acontece em instituições escolares
de educação básica e superior. O ensino é regulamentado, tem currículo
e formas de funcionamento previstos em normas jurídicas e, além disso,
leva à certificação em cada etapa de escolaridade (fundamental, média,
técnica, superior etc.)”.
Educação: “é um conceito amplo, abrangendo ‘os processos formativos
que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no
trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais
e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais’. A
educação, nesse sentido amplo, é um dever compartilhado por todos os
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
78
atores sociais e todos são livres para promover cursos e estudos livres,
desde que não violem as demais normas de direitos humanos. Ao Estado
cabe respeitar e proteger essa liberdade”.
É importante enfatizar que a arte é um instrumento potente de formação e educação.
Contudo, a apreciação e a prática em arte podem constituir-se também como um
meio de se alcançar determinados saberes. É necessário, para a construção efetiva do
conhecimento, que haja oportunidade de contato com diferentes trabalhos, além de
criação e reestruturação de obras para que a aprendizagem se efetive. É preciso que o
professor se torne o provedor de oportunidades orientando, direcionando, sugerindo ou
instruindo. E essa oportunidade é disponibilizada, ao mesmo tempo, por meio de acesso
a espaços culturais, formais e não formais, de arte. Por isso, a função dessas instituições
é de grande valor para promover a aproximação e formação em arte.
Contudo, pode-se notar claramente que a escola propicia uma quantidade imensa
de possibilidades de aprendizagem. Ela permite também que se evidencie a necessidade
da compreensão da arte na contemporaneidade e ainda condensa muitas outras
funções referentes à educação. Entre essas funções, encontra-se a aplicação e contato
diário com elementos artísticos; a possibilidade de descoberta do prazer em apreciar
e conviver com arte; o desenvolvimento da sensibilidade estética; a promoção da
integração com grupos ou épocas específicas a partir do fortalecimento de vínculos
identitários; ampliação da capacidade de criticidade do aluno, além de tantos outros.
1.1 Espaço não formal
Anteriormente, nesta seção, foram elencadas algumas informações sobre a
educação formal e sua importância para a formação em arte. Contudo, você já
percebeu, a partir das leituras anteriores, que não existem apenas espaços formais de
arte-educação. Desse modo, você compreenderá mais detalhes sobre a educação
não formal e seus desdobramentos.
Exemplo de espaço não formal de educação:
Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/f/f0/Louvre_at_night_centered.jpg/1024px-Louvre_at_
night_centered.jpg>. Acesso em: 22 fev. 2016.
Figura 2.3 | Museu do Louvre, Paris
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
79
Diante da necessidade de espaços que promovam a aproximação e a integração entre
público e arte, quaisseriam esses ambientes que podem ser considerados espaços de
educação não formal? E o que seria educação não formal? E qual o papel desses lugares na
formação em arte? Eles podem realmente contribuir para que haja maior possibilidade de
contato com a arte? Essas e outras questões serão discutidas ao longo deste texto, buscando
justificar a necessidade de valorização e integração desses espaços com a educação formal.
Contudo, inicialmente uma primeira questão merece atenção: o que é ensino não formal?
Frente às variações e às diferentes formas de educar, pode-se ainda pensar que a
educação não formal possui seu formato muito próximo ao formato da educação formal,
contudo ela é menos hierárquica e seriada, não possuindo a quantidade de progressões
em formato de séries que a escola tradicional. A educação não formal surge no cenário
educacional de forma tão importante e intensa que a formal, no entanto acontece em
espaços alternativos, fora da escola.
Sugestão de vídeo
Para compreender melhor a importância da educação não formal, acesse o endereço
aqui apresentado e assista ao debate:
Entende-se por ensino não formal o ensino que acontece de
forma estruturada, sendo planejado e organizado fora dos locais
formais de ensino, ou seja, o que acontece fora do ambiente
escolar institucionalizado, tal como tradicionalmente tem
ocorrido no processo a educação. Na atualidade, as instituições
culturais, ao promover um espaço educativo relacionado à sua
missão, evidenciam a relação entre o ensino formal e o ensino
não formal, focalizando o patrimônio cultural material ou
patrimônio imaterial. Por isso, existem ações que auxiliam de
forma positiva no contato e aproximação cada vez mais efetivo
de um público-alvo que privilegia a relação com a educação
em instituições culturais (MEURA, 2011, p. 40-41).
Fonte: <https://www.youtube.com/watch?v=JdLKPMCVPEY>. Acesso em: 19 fev. 2016.
Figura 2.4 | Programa discute espaços não formais
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
80
A educação não formal pode ser encontrada em espaços diversos, como centros
culturais, museus, escolas de arte, galerias, entre outros. Esses espaços servem também
para resguardar a memória de uma época ou lugar, sendo fundamentais para a
salvaguarda do patrimônio cultural. Esses espaços alternativos já foram apresentados na
Unidade 1 e agora você tem a oportunidade de classificá-los, enquanto pertencentes a
uma organização institucional específica, como a educação não formal, e reorganizar
suas finalidades e definições dentro dos conceitos de arte-educação. Para tanto, faz-se
necessário distinguir qual é o espaço de educação não formal.
A partir da análise do quadro comparativo, é possível perceber que o processo
educacional ultrapassou os limites dos muros das escolas e, por isso, todos os
decorrentes benefícios da arte-educação podem ser percebidos em diversos outros
espaços. Contudo, a ideia é que esses espaços de educação não formal são tão
É possível inferir que espaço não formal é qualquer espaço
diferente da escola onde pode ocorrer uma ação educativa.
Embora pareça simples, essa definição é difícil porque há
infinitos lugares não escolares. [...] Duas categorias podem
ser sugeridas: locais que são Instituições e locais que não são
Instituições. Na categoria Instituições, podem ser incluídos
os espaços que são regulamentados e que possuem equipe
técnica responsável pelas atividades executadas, sendo o caso
dos Museus, Centros de Ciências, Parques Ecológicos, Parques
Zoobotânicos, Jardins Botânicos, Planetários, Institutos de
Pesquisa, Aquários, Zoológicos, dentre outros. Já os ambientes
naturais ou urbanos que não dispõem de estruturação
institucional, mas onde é possível adotar práticas educativas,
englobam a categoria não Instituições. Nessa categoria podem
ser incluídos teatro, parque, casa, rua, praça, terreno, cinema,
praia, caverna, rio, lagoa, campo de futebol, dentre outros
inúmeros espaços (JACOBUCCI, 2008, p. 56-57).
Fonte: Adaptado de Jacobucci (2008, p. 57).
Figura 2.5 | Espaço formal e não formal na educação
Educação
Espaço formal
Espaço não formal
Espaço escolar
Espaço
não escolar
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
81
importantes quanto qualquer outro, pois amparam e contribuem de forma significativa
para a formação em arte. Dessa forma, fica evidente que esses dois espaços, formal e
não formal, são mutuamente dependentes e, portanto, necessários.
Considera-se, diante de todas essas análises, que uma das grandes contribuições
da educação não formal seria a de proporcionar a associação de conceitos primordiais
ao desenvolvimento do aluno em espaços diferenciados. Logo, entende-se que o
espaço de educação não formal pode ser uma extensão da sala de aula. Levando-se em
consideração que podem ser percebidas, nos últimos tempos, muitas transformações
sociais e culturais que alteraram a percepção de crianças e adolescentes sobre a
importância da educação formal, outras alternativas devem também ser propostas
com relação a novas formas de promover a aprendizagem. E uma das características
principais dos espaços não formais é o de despertar o interesse e, por consequência,
o encantamento nos alunos por meio de propostas que rompem com o formato
tradicional, presente em muitas escolas.
Diante dessas informações, forma-se um questionamento: quais são os espaços
formais e não formais de educação? Existem muitas discussões a esse respeito e essas
propõem diferentes delineamentos sobre quais são exatamente estes espaços. Contudo,
aqui adota-se a ideia exemplificada a seguir.
• Como você percebe a relação entre educadores da arte e
espaços não formais de arte-educação? Os arte-educadores
frequentam (mesmo que virtualmente) esses espaços?
• Na sua opinião, os educadores também deveriam ser
apreciadores e fruidores permanentes da arte?
Na educação não formal, a categoria espaço é tão importante
como a categoria tempo. O tempo da aprendizagem na
educação não formal é flexível, respeitando as diferenças e as
capacidades de cada um, de cada uma. Uma das características
da educação não formal é sua flexibilidade tanto em relação
ao tempo quanto em relação à criação e recriação dos seus
múltiplos espaços (GADOTTI, 2005, p. 2).
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
82
Fonte: Adaptado de Jacobucci (2008, p. 57).
Figura 2.6 | Distinção dos espaços
Espaço
escolar
Espaço não
escolar
Instituições de
educação básica
Ensino superior
Não instituições
(espaços
públicos)
Instituições
(museu, centros
de cultura,
galerias)
Isso demonstra que os espaços de educação formal e não formal encontram-
-se correlacionados em função da proximidade de intenções quanto à oferta de
desenvolvimento da educação e da formação em arte. Assim, considera-se que
a possibilidade de interação e aproximação entre espaços formais e não formais
de cultura pode ser produtiva na formação de cidadãos críticos justamente pelo
potencial informacional, artístico e educativo que ambos os espaços apresentam.
Exemplo de espaço não formal de educação:
Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/7/7c/Mus%C3%A9e_d%27Orsay%2C_North-West_
view%2C_Paris_7e_140402.jpg/1280px-Mus%C3%A9e_d%27Orsay%2C_North-West_view%2C_Paris_7e_140402.jpg>.
Acesso em: 22 fev. 2016.
Figura 2.7 | Museu d'Orsay em Paris
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
83
Do mesmo modo, é preciso que se pontue e que se destaque como o papel
do educador é importante na proposição de interações entre diferentes espaços de
educação. Os espaços de arte-educação não formais também podem contribuir
enormemente com a compreensão poética da arte que é desenvolvida naatualidade,
pois possibilitam a ampliação de repertório imagético que, por consequência, torna
acessível novas percepções, novos conceitos e novas formas de se fazer arte. Contudo,
o arte-educador precisa estar conectado não somente aos espaços como também a
muitos outros fatores.
Algumas visões sobre a relevância da educação, e em especial do acesso a uma
imagem que acontece fora do ambiente escolar, apontam para caminhos que
perpassam por questões culturais arraigadas, que já foram citadas, mas que também se
apresentam atualmente como muito mais subjetivas e fluidas. Para Fernando Hernández
(2000, p. 28):
O educador precisa situar-se na cultura de seu tempo: o que
significa a necessidade de conhecer a história da arte, entender
a contemporaneidade, o momento presente para fruir a obra
de arte. Decifrados os códigos [...], a arte contemporânea pode
ser apreciada integralmente. E quanto maior for o repertório
de conhecimentos adquiridos através de visitas aos espaços
expositivos, reflexões e leituras sobre arte, mais fácil será o
acesso aos códigos e registros (SCHILARO; SCALÉA, 2006, p. 52).
Hoje, estamos na época da imagem incorpórea, na era das
representações fugazes e instantâneas da televisão, dos video
games, do navegar pelo ciberespaço – “espaços” que carecem
de materialidade, pois não são objetos. Mas, paradoxos de
nosso atual período histórico, constituem as representações
que formam a cultura (como o universo de representações
que orientam normas, organizam olhares e contribuem para
fixar valores) à qual têm acesso os meninos e meninas e os
adolescentes, quase sempre, “fora” do horário escolar.
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
84
Incorpóreo – que não possui corpo; sem matéria; desprovido de forma
física; incorporal. Que não se constitui pela matéria; imaterial. P.ex: que
não se consegue perceber através dos sentidos; impalpável. (Etm. do
latim: incorporeus.a.um)
Disponível em: <http://www.dicio.com.br/incorporeo/>. Acesso em: 20
fev. 2016.
Existem diversas possibilidades de acesso à divulgação da educação não
formal. Como exemplo, tem-se um programa que selecionou educadores
não formais para discutir sobre práticas: Educação de saberes, poderes
e quereres. Você pode acessar o espaço e descobrir ainda mais sobre o
tema!
“O programa Rumos Educação Cultura e Arte 2005-2006 teve sobre
si as atenções de educadores de todo o Brasil, com trabalhos que
contemplavam linguagens artísticas e práticas educativas diversas.
Para selecionar apenas cinco educadores não formais em um universo
tão amplo e variado e, ao mesmo tempo, conceber sua formação e a
multiplicação de seus saberes.”
Disponível em: <http://d3nv1jy4u7zmsc.cloudfront.net/wp-content/
uploads/2012/02/000296.pdf>. Acesso em: 20 fev. 2016.
Como se pode notar, uma questão importante a ser enfatizada é que os espaços não
formais de educação devem sempre ser pensados como lugares que proporcionam
experiências insubstituíveis, mas que, para atingirem seus objetivos, precisam ter suas
práticas altamente direcionadas e orientadas. Cumpre observar a importância de
destacar as potencialidades da educação não formal, visando, sobretudo, incentivar a
prática de apoio à utilização e o desenvolvimento desses espaços.
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
85
Para finalizar as delimitações que norteiam a educação não formal, deve-se destacar
que ela pode ser apontada como um importante instrumento educacional que pode e
deve auxiliar e contribuir para a formação em arte. E, mesmo que a educação formal
e não formal tenha como meta propiciar o desenvolvimento da educação, ainda é
possível perceber algumas características constitutivas sutis, especificidades, práticas que
as distinguem. Em virtude dessas considerações, cabe refletir sobre as potencialidades
da educação não formal como uma possibilidade de educação para/sobre arte.
De acordo com Maria da Glória Gohn (2006, p. 30), a educação não
formal poderá desenvolver, como resultados, uma série de processos
tais como:
• consciência e organização de como agir em grupos coletivos;
• a construção e reconstrução de concepção(ões) de mundo e sobre o
mundo;
• contribuição para um sentimento de identidade com uma dada
comunidade;
• forma o indivíduo para a vida e suas adversidades (e não apenas
capacita-o para entrar no mercado de trabalho);
• quando presente em programas com crianças ou jovens adolescentes,
a educação não formal resgata o sentimento de valorização de
si próprio (o que a mídia e os manuais de autoajuda denominam,
simplificadamente, como a autoestima); ou seja, dá condições aos
indivíduos para desenvolverem sentimentos de autovalorização, de
rejeição dos preconceitos que lhes são dirigidos, o desejo de lutarem
para ser reconhecidos como iguais (enquanto seres humanos), dentro
de suas diferenças (raciais, étnicas, religiosas, culturais etc.);
• os indivíduos adquirem conhecimento de sua própria prática, aprendem
a ler e interpretar o mundo que os cerca.
Entende-se a educação não formal como aquela voltada para
o ser humano como um todo, cidadão do mundo, homens e
mulheres. Em hipótese alguma ela substitui ou compete com a
Educação Formal, escolar. Poderá ajudar na complementação
dessa última, via programações específicas, articulando escola
e comunidade educativa localizada no território de entorno da
escola. A educação não formal tem alguns de seus objetivos
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
86
próximos da educação formal, como a formação de um cidadão
pleno, mas ela tem também a possibilidade de desenvolver alguns
objetivos que lhes são específicos, via a forma e espaços onde
se desenvolvem suas práticas, a exemplo de um conselho ou a
participação em uma luta social, contra as discriminações, por
exemplo, a favor das diferenças culturais etc. (GOHN, 2006b, p. 32).
Diante das novas transformações educacionais da
contemporaneidade, quais seriam, a partir de seu ponto de
vista, as vantagens de aproximação entre educação formal e
não formal?
Na sua cidade, existem ambientes de arte que promovem
ações interativas entre espaços formais e não formais?
1. Diante dos textos estudados, defina o que é educação formal.
2. O que é ensino não formal?
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
87
Seção 2
A arte em diferentes espaços de educação
Nesta seção, conheceremos as possibilidades suscitadas pela aproximação de
diferentes espaços de educação em arte. Tais espaços já foram conceituados e
explorados durante a seção 1. Agora, é necessário pensar onde se efetiva a educação
em arte. Por isso, torna-se preciso pensar sobre quais são as contribuições reais da
educação formal (escola) e da educação não formal (museus, galerias, centros de
cultura, escolas de arte).
Outra questão importante a ser discutida nesta seção faz menção às limitações
encontradas nos espaços de educação formal. Esses não devem se isolar enquanto
instituição de educação, mas devem atuar em conjunto com espaços não formais
buscando, alcançar melhores resultados educacionais. Torna-se necessário esclarecer
o quanto a criação e a compreensão da obra de arte perpassam por uma quantidade
enorme de fatores e como estas questões interferem na criação e apreciação da obra.
Pensando sobre as possibilidades de interação entre espaços de educação formal
e não formal, vale destacar que a ida a espaços não formais de educação pressupõe
uma série de ações anteriores. Assim, a aproximação entre esses espaços pode ser
considerada como um motivador do conhecimento cultural e social. Dessa forma,
é importante que os educadores entendam a necessidade de aproximação entre
diferentes ambientes no intuito de enriquecer as aulas e estimular o conhecimentoe
a convivência com as obras de arte.
1.1 A arte começa na escola?
A pergunta que nomeia esta seção surge para darmos continuidade à compreensão
de diversas informações sobre as potencialidades da arte. Por isso, diante de todas
as questões já propostas sugeridas e debatidas na Unidade 1, é possível afirmar
que a arte-educação pode ser trabalhada em diferentes instituições de educação
e não apenas na escola. Deve-se levar em consideração como todos esses espaços
culturais podem auxiliar na construção de uma arte-educação significativa e eficaz.
Independentemente do lugar que promova a aproximação com o universo artístico,
constituirão estímulos à aprendizagem. No que tange à construção do processo
ensino-aprendizagem há que se mencionar ainda algumas questões.
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
88
A escola formal, sendo o polo dessa ação, garante acesso e
continuidade a esse tipo de experiência a um grande número
de crianças, jovens e adultos. A arte, por si só, não opera
transformações na educação, mas a experiência com os
processos de criação pode reorientar o sentido de ensinar, o papel
do professor, a imagem da escola, bem como o valor das práticas
culturais nas comunidades e na vida pessoal e profissional dos
professores e nas relações entre as escolas e as instituições que
promovem ações sociais (IAVELBERG, 2003, p. 23).
A educação formal, portanto, não deve se apresentar como uma instituição isolada
na formação em arte, mas atuar em conjunto, com ações que buscam promover a
aproximação com outros espaços. Entretanto, ela pode surgir como iniciadora do
processo de aprendizagem, estando interligada com a maior quantidade possível de
instituições não formais que também têm como propósito promover a apreciação,
a reflexão e análise de obras, o desenvolvimento da criatividade e, por fim, a
alfabetização estética. Essa alfabetização estética somente será alcançada por meio
de atitudes que “promovam a educação estética em todos os níveis e contextos da
educação” (ROSSI, 2009, (p. 16).
Assim, respondendo à pergunta citada, é admissível considerar que a arte pode
começar a ser apresentada, sugerida e trabalhada em diversos espaços de educação
formal ou não formal. Não é, portanto, definitiva a afirmação de que o primeiro
contato que se pode ter com a arte comece com a mediação da escola. Diante
de toda a diversidade de fatores que já foram analisados, num território tão vasto
como o brasileiro, há que se considerar uma infinidade de espaços que promovem
o contato com o universo artístico.
Exemplo de espaço de educação não formal no Brasil:
Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/72/Pinacoteca_SP.jpg>. Acesso em: 22 fev. 2016.
Figura 2.8 | Pinacoteca, São Paulo
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
89
Há que se ponderar que existem diversas maneiras de promover o contato com
obras de arte. Diferentemente do que se imagina, a escola não é mais o único ponto de
contato com a arte e suas infinitas possibilidades. Logo, consideram-se indispensáveis
alguns apontamentos em relação à construção e dinamicidade do ensino de arte
nas mais diferentes instâncias. Lembrando que a arte pode ser criada pelo artista e,
posteriormente, recriada pelo olhar do observador que imprime sobre a obra de arte
uma enorme quantidade de conhecimentos que lhe são próprios, que fazem parte de
seu conhecimento precedente, de sua vivência. Vale reforçar, então, que a função do
mediador se torna muito importante no contato, na apreciação e na fruição da arte.
O que se verifica na criação da obra também ocorre na
sua leitura e, de alguma forma, esse processo se reproduz
na criação do público/aprendiz de arte (adulto, jovem ou
criança). Fazer a mediação entre público e a obra é ensinar
arte, apresentar objetos artísticos específicos e também
educar com arte. Do ponto de vista da didática da arte,
o educador cria ao fazer a mediação das obras e, nesse
sentido, vive momentos análogos aos artistas em seu
espaço de trabalho. Nada ou muito pouco em sua prática é
preconcebido. A mediação entre público e a obra é como um
trabalho de arte, no qual as experiências anteriores e o saber
do monitor (educacional, cultural, gerencial) são o plano de
fundo, e a cena real, a visita – para estar em consonância com
os conceitos da arte contemporânea, na qual figura e fundo,
quando existem, constituem partes em plena integração – é
uma ação complexa (IAVELBERG, 2003, p. 77).
Dessa forma, vale ratificar que é indiscutível a necessidade de contato com
produções artísticas, sejam elas pertencentes a qualquer período ou estilo para o
desenvolvimento pleno do sujeito. A percepção do valor da arte torna-se fundamental
para a compreensão de relações entre o objeto artístico a partir de correlações
com questões culturais e sociais. Desse modo, é imprescindível reforçar a ideia da
necessidade de criação, apreciação ou até comunicação do sujeito por meio da arte,
questões já discutidas na Unidade 1. Essa necessidade pode ser alcançada por meio
do contato com o outro e de estabelecimento de relações visuais ou emocionais
com diferentes trabalhos. Em síntese, o homem necessita da arte como forma de se
relacionar com o universo circundante e consigo mesmo.
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
90
O homem anseia por absorver o mundo circundante, integrá-
lo a si; anseia por estender pela ciência e pela tecnologia o
seu "Eu" curioso e faminto de mundo até as mais remotas
constelações e até os mais profundos segredos do átomo;
anseia por unir na arte o seu "Eu" limitado com uma existência
humana coletiva e por tornar social a sua individualidade
(FISCHER, 1983, p. 13).
Diante da fala de Ernest Fischer, nota-se uma necessidade constante do indivíduo
de conectar-se com a coletividade, com a cultura. Por conseguinte, abre-se espaço
para evidenciar como as correlações estabelecidas pelas ações educativas em arte são
extremamente relevantes para a formação, envolvimento e desenvolvimento de crianças
e adolescentes. Por isso, é importante que se destaque o papel do educador juntamente
com os monitores, mediadores na ação educativa, independentemente do espaço
em que estas ações aconteçam. É preciso que os professores de arte estabeleçam
rotinas de acompanhamento de possibilidade de interação entre a educação formal
e não formal, estreitando os laços e ampliando os horizontes. No entanto, para que
essas ações interativas ocorram de forma proveitosa é preciso que o educador planeje e
organize antecipadamente suas ações e estabeleça objetivos concretos.
O trabalho de ação educativa nos museus, pinacotecas
e/ou galerias de arte, será mais eficiente se o professor
mantiver contato prévio com a instituição. Acompanhando a
programação dos museus – através dos meios de comunicação
como jornais, revistas, televisão e internet – o professor deverá
entrar em contato com o museu escolhido e informar além do
número de alunos e a faixa etária da classe que irá fazer a visita,
o tema das aulas e, em contrapartida, perguntar quais pontos
contribuiriam para as atividades e as matérias desenvolvidas em
classe (SANTA ROSA; SCALÉA, 2006, p. 68-69).
Como os educadores das instituições formais de educação
para arte podem incentivar a aproximação dos estudantes
com os espaços não formais?
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
91
É razoável aceitar, então, que a função do educador de arte ultrapasse as barreiras da
educação tradicional e se prolongue até os limites do conhecimento e da criatividade.
Devido a essa profundidade e potencialidade do uso da imagem e da arte na formação
de crianças e adolescentes, pode-se perceber que a exploração dos espaços não
formais pela educação formal pode ser enriquecedorae instigante para os estudantes.
É preciso, de igual modo, que os espaços não formais estejam atentos às necessidades
do público. E a interação com a educação formal pode ser muito favorável aos espaços
não formais, que precisam de visitação e público assíduo. Entende-se, portanto, que,
para diversas crianças e adolescentes a formação em arte pode até começar na escola,
mas eles precisam descobrir que podem se aventurar por muitos outros espaços de
educação para a arte. Por isso, os espaços não formais precisam se conscientizar e
planejar conjuntamente suas ações para que possam trabalhar de forma produtiva,
atraente e consciente. Sendo assim, sobre os espaços não formais de educação para a
arte, Iavelberg (2003, p. 75) comenta que:
É preciso saber trabalhar com diferentes públicos, pois essa é
uma necessidade que se impõe às ações educativas dos museus
quando se quer implementar projetos de educação democrática.
Ampliar o público de museus e instituições culturais aponta
para um futuro melhor e, sem dúvida, a ação educativa dessas
instituições tem uma função importante na participação e
garantia de acesso à cultura para todos. [...] Edmund Feldman,
Abigail Housen, Robert William Ott e Michael Parsons, entre
outros, desenvolveram pesquisas e trabalhos descrevendo e
interpretando os níveis de desenvolvimento da compreensão
estética, mostrando que as oportunidades educativas interferem
sobremaneira na aquisição de saberes sobre arte.
Sobre espaços de educação não formal: museus nacionais e
internacionais.
O site citado a seguir disponibiliza uma grande quantidade de endereços
para o acesso e a utilização de espaços virtuais para facilitar a formação
em arte!
“Neste espaço disponibilizamos os links da pesquisa realizada sobre
Museus do Brasil e do mundo. Ao acessar museus do Brasil, ou museus
do mundo, você será direcionado para uma nova página, onde poderá
realizar sua consulta de duas formas: clicando sobre as letras do alfabeto
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
92
ou, se preferir, clicando sobre os estados do Brasil – neste caso, basta um
clique sobre o sinal de mais (+), que abrirá uma lista dos estados brasileiros
também em ordem alfabética.”
Fonte: <http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/modules/conteudo/
conteudo.php?conteudo=893>. Acesso em: 22 fev. 2016.
Museus do Brasil Museus do Mundo
1.2 Possibilidades da integração entre educação formal e não
formal
A educação não formal, aqui entendida como aquela propiciada por museus,
galerias de arte, centros de cultura ou escolas de arte, pode ser utilizada como forma
de estabelecer maior aproximação com o tempo em que se vive. Percebe-se que,
em função de ter maior liberdade na sistematização e organização de suas metas,
ela reflete de modo mais rápido todas as influências do entorno. Por isso, esses
espaços são considerados como grandes motivadores do conhecimento cultural.
Dessa forma, é importante que os educadores entendam a necessidade de
aproximação com estes ambientes no intuito de enriquecer as aulas e estimular
os alunos. Contudo, após as visitas é preciso que o professor retome todas as
informações, a participação nas ações educativas, a apreciação, os conteúdos,
fatos, curiosidades e os subsequentes debates para que todo o conhecimento
adquirido possa ser direcionado e sistematizado. Caberia à escola a função de
conectar e articular o conhecimento adquirido e sistematizar o processo de ensino-
-aprendizagem. Por isso, há que se considerar que a formação em ambos os espaços
se complementa, já que cada um possui, a princípio, uma determinada função.
No entanto, o professor deve ter clareza de algumas questões ao propor uma
visita a espaços não formais de educação. Saber correlacionar os assuntos que
estão sendo tratados em sala de aula com o que será observado na visita a museus
ou galerias, por exemplo, é essencial para um melhor aproveitamento do tempo
e da oportunidade. Logo, compreende-se que a visita ao museu com uma turma
de crianças ou adolescentes não é passeio para distração ou relaxamento. A ida a
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
93
espaços não formais de educação pressupõe uma série de ações e apropriações
conceituais anteriores.
Como exemplo dessas ações, é possível citar um professor que, buscando
coordenar um assunto em pauta na sala, busca outras informações nos espaços não
formais de educação que possa complementar e acrescentar novos conhecimentos
ao que foi trabalhado na escola. É imprescindível que as informações propiciadas
pela educação formal também possam ser apreciadas, discutidas ou correlacionadas
ao que será observado na visitação.
Por isso, o professor deve visitar antecipadamente o museu, ou o espaço que
pretende levar os estudantes. É preciso discutir e avaliar com a equipe do espaço
não formal em questão qual será o foco do trabalho; o professor deve estabelecer
um diálogo sobre o assunto com os alunos, a fim de orientá-los a respeito dos
objetivos; o professor pode, durante a visita, estimular constantemente discussões
sobre os questionamentos de todos os alunos, dando margem a debates e troca de
informações entre os participantes e, após o retorno para sala de aula, o professor
deve retomar as principais dúvidas e colaborações no intuito de propor conclusões
sobre o que fora observado durante a visita.
Existem diversas cidades e regiões brasileiras que não possuem museus, ou galerias,
ou centros de arte. Você já imaginou a possibilidade de abrir a janela e se deparar com um
museu itinerante em sua rua? Pois esta é uma proposta utilizada pelo museu de ciência
apoiado por universidades de Minas Gerais. Ora, não formam-se aqui professores de
Arte? Sim, mas, com toda certeza, essa é uma iniciativa altamente inspiradora que produz
resultados expressivos. Essas afirmações só são possíveis de serem pensadas, pois em
vários momentos desta unidade você pode compreender o quanto a interação entre
os espaços formais e não formais de educação pode contribuir para a ampliação do
conhecimento por meio de estímulos concretos e palpáveis que levem a um aumento do
interesse e do conhecimento adquirido pelo aluno. Nesse sentido, observe atentamente
as informações trazidas pela proposta do museu itinerante descritas a seguir.
Curiosidade
Projeto: Museu Itinerante (UFMG)
Fonte: <http://museu.cp.ufmg.br/>. Acesso em: 19 fev. 2016.
Figura 2.9 | Museu itinerante
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
94
Fonte: <http://museu.cp.ufmg.br/index.php?option=com_content&view=article&id=71>. Acesso em: 19 fev. 2016.
Disponível em: <http://museu.cp.ufmg.br/index.php?option=com_content&view=article&id=71>. Acesso em: 19 fev. 2016.
Figura 2.10 | Ônibus/ Museu Itinerante
“O Museu Itinerante PONTO UFMG é um espaço científico-cultural, interativo,
adaptado em uma unidade móvel que atende, primordialmente, escolas e cidades
de Minas Gerais. É constituído de um caminhão estendido com seu espaço interior
adaptado em seis ambientes – Sala do Útero, Sala dos Sentidos, Sala dos Biomas, Sala
de Projeção 3D, Sala do Submarino e Sala das Cidades –, apresentando uma proposta
inovadora no Brasil. O museu, além das atrações internas, promove exposições e
oficinas externas interligando as mais diversas áreas do conhecimento e da ciência.”
Então, o que você achou da proposta? E se existissem outras ações educativas
de museus itinerantes com perspectivas similares por todos o país? E se os museus
de arte itinerantes percorressem diferentes lugares e chegassem até a janela de sua
sala de aula?
O projeto de museu itinerante garante uma questão primordial já citada nesta
seção: a aproximação dos espaços formal e não formal de educação para a arte. Essa
aproximação sugere também benefícios que serão fundamentaispara a ampliação
do conhecimento, mas, mais do que isso, sugere que toda a aprendizagem, que até
então era apenas um processo subjetivo ou construída com base na imaginação,
torna-se agora concreta. Logo, grande parte do que o aluno assimilou, aprendeu,
observou em livros, torna-se real por meio da visita ao museu itinerante, ou ao museu
virtual, ou ao museu que encontra-se na região onde mora. O importante, portanto,
é que a aprendizagem torne-se uma experiência instigante, reveladora e também
concreta, que deve ser muito bem assessorada e direcionada por educadores e
monitores.
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
95
É notável que a interdisciplinaridade, por meio do contato e interação com espaços
de educação que não contemplem somente a arte, pode ampliar o conhecimento e
a visão global dos conteúdos, que se encontram comumente conectados. Por isso,
vale considerar que o acesso a diferentes espaços de educação não formal sempre
poderá contribuir de algum modo ao estabelecimento de novos conhecimentos
e correlações importantes para a formação da criticidade e da visão global do
conhecimento.
A partir dessas aproximações, poderão surgir atividades práticas e teóricas diversas
que podem buscar discutir sobre artistas e poéticas que lidam com os mais diferentes
assuntos por meio da arte e que podem constantemente ser utilizados como ponto
de partida para reflexões complexas sobre o homem e sua história. Essas ações
poderão promover percepções que conseguem afirmar o valor da disciplina de Arte,
compreendida como conectada a todos os outros conhecimentos propostos pela
educação e necessários ao sujeito.
Você já observou como a arte contemporânea trata de temáticas, apresentações
ou suportes inusitados? Atualmente, muitas temáticas inusitadas ou surpreendentes
são sugeridas para a criação de obras de arte. Entre elas, encontram-se as de cunho
conceitual, temporal: efêmero/duradouro ou que discutem os impactos do homem
no planeta. Todas podem servir como inspiração para a criação de novas propostas
artísticas.
Vale, então, destacar que, pensando em um conhecimento global e conectado,
uma proposta de debate sobre a arte, a criação, sobre conceitos norteadores da
criação, ou uma atividade artística em sala de aula, pode surgir até mesmo, a partir
de uma visita a um museu de ciências! Sendo assim, nenhum espaço não formal
de educação pode ser dispensado, pois, mesmo que em sua região não exista um
espaço de educação não formal específico sobre arte (museus, galerias e escolas de
arte), você pode aproveitar outros espaços alternativos para propor sua aula. Basta
que você planeje e oriente adequadamente seus alunos.
• Você acredita que o acesso a diferentes espaços de
educação não formal pode contribuir para a formação em
arte?
• Quais são as vantagens da aproximação e interdisciplina-
ridade da Arte com outras disciplinas do currículo escolar,
com a conexão com conteúdos de outras disciplinas (como
história ou ciências, por exemplo)?
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
96
Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/f9/Mai_exposi%C3%A7%C3%A3o.JPG>. Acesso em: 20 fev. 2016.
Figura 2.11 | Estudantes visitando o museu
Assim, todas as oportunidades de ampliação de conhecimento e contato direto
com a diversidade cultural, com diferentes objetos e práticas, por meio da vivência e
experiência concreta e da exploração do imaginário podem e devem ser aproveitadas.
Elas serão capazes de propiciar a aproximação com outras áreas do conhecimento,
o que contribui para o fortalecimento de novas perspectivas que desencadeiam
referências importantes sobre a valorização da arte em espaços diversos. Portanto,
a partir dessas relações e interações sociais, o sujeito pode acessar o conhecimento
sobre si e sobre o outro, podendo valorizar e apropriar-se da cultura de seu tempo e
de toda a história precedente.
Pensar em educação formal implica pensar em características pontuais e distintas,
mas que possibilitam uma quantidade infinita de elementos e potencialidades
passíveis de exploração. A socialização e a vivência tornam-se instrumentos comuns
nessa prática, o que determina seu caráter de importância na formação de sujeitos
mais preparados para responder as adversidades cotidianas. Correlacioná-la com
a educação formal pode contribuir para enriquecer a prática da sala de aula, pois
compreende-se que a multiplicidade de aplicações e de objetivos constitui as
características essenciais desse tipo de educação.
A educação não formal designa um processo com várias
dimensões tais como: a aprendizagem política dos direitos dos
indivíduos enquanto cidadãos; a capacitação dos indivíduos
para o trabalho, por meio da aprendizagem de habilidades
e/ ou desenvolvimento de potencialidades; a aprendizagem
e exercício de práticas que capacitam os indivíduos a se
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
97
A conexão entre ambas as possibilidades de educação (formal e não formal) é
capaz de romper com aulas tradicionais em que o professor desenvolva monólogos
intermináveis sobre assuntos que são distantes da realidade e necessidade dos
estudantes. Novos formatos de educação vão se impondo com as ininterruptas
transformações sociais e culturais. Portanto, entender a importância de elos entre
o que será observado e o que está sendo estudado em sala é fundamental para
um bom desenvolvimento das relações e exploração das potencialidades sugeridas
entre a educação formal e não formal.
Há que se destacar também que todas as observações propostas e todos os
assuntos discutidos a respeito das possíveis visitas aos espaços não formais são
resultantes de públicos e pessoas com bagagens e vivências específicas. Considera-
se, portanto, que deve haver um conhecimento precedente do público-alvo, pois
ele denotará cuidados ou direcionamentos próprios. Assim, reiteram-se algumas
discussões já levantadas nas seções anteriores sobre a necessidade de que a cada
visita ao espaço não formal de educação haja cuidados e preparativos desenvolvidos
a partir de análises sobre o público e suas necessidades educacionais. No museu,
por exemplo, deve haver um preparo anterior, que sugere a aproximação entre
professor e equipe de monitores do espaço, objetivando atender melhor e de modo
mais eficiente a cada um dos visitantes. Além da aproximação do espaço formal e
não formal, é preciso que haja uma proximidade teórica, entre os ambientes, que
contextualize e que auxilie na efetivação do conhecimento.
organizarem com objetivos comunitários, voltadas para a solução
de problemas coletivos cotidianos; a aprendizagem de conteúdos
que possibilitem aos indivíduos fazerem uma leitura do mundo
do ponto de vista de compreensão do que se passa ao seu redor;
a educação desenvolvida na mídia e pela mídia, em especial a
eletrônica etc. (GOHN, 2006b, p. 28).
Os contextos culturais dos visitantes conformam as
possibilidades de recepção e se expressam nas leituras que cada
frequentador faz dos objetos das mostras. Cabe ao educador
de museu realizar essa investigação na prática, a partir de seu
contexto cultural, utilizando seus saberes da didática da arte na
promoção de recepção. É desejável que os diferentes públicos
possam, a cada visita, elevar seu nível de saber a patamares mais
avançados. Isso só se efetiva quando o educador considera tanto
a cultura prévia de seus aprendizes como suas possibilidades e
seus modos de aprendizagem (IAVELBERG, 2003, p. 76).
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
98
No entanto, ainda pode ser possível exemplificar mais concretamente as
conexões entre espaços formais e não formais de educação. Dessa maneira, faz-
se indispensável tratar de exemplos claros que favoreçamtais intervenções. Assim,
é possível citar um relato de experiência desenvolvido pelo grupo de pesquisa
Mediação Arte/Cultura/Público, coordenado por Mirian Celeste Martins. O artigo
"Curadoria educativa: inventando conversas", contempla uma aproximação entre
escola (educação formal) e espaços culturais de arte (educação não formal).
Trabalhando arte contemporânea com Ensino Fundamental
e Ensino Médio na escola pública do estado de São Paulo,
Pio Santana em uma de suas expedições culturais, levou
vários grupos de alunos a visitar a exposição: o corpo na arte
contemporânea brasileira, em 2005, no Instituto Itaucultural.
Motivando o olhar dos alunos para a linguagem da performance,
o professor e educador do instituto focalizaram vários vídeos/
performances, entre eles: Sirva-se (2004), de Michel Groisman
– trabalho interativo no qual o público é convidado a realizar
experiência de investigação com um conjunto de copos
desenvolvidos pelo artista e adaptáveis às diferentes partes
do corpo; Desenho-Corpo (2002), de Lia Chaia – a artista
desenha linhas sobre o seu próprio corpo até acabar a carga
de uma caneta esferográfica; Traje de Verão (1956), de Flavio
de Carvalho – que mostra o artista desfilando sua “roupa”
pelas ruas de São Paulo; Canibal (2004), de Marco Paulo Rolla,
com participação de Thelma Bonavita e Anderson Gouveia –
trabalho que mostra os dois atores nus, sendo “despejados”
de dentro do forno de um fogão doméstico. Após a visita, em
sala de aula, Pio Santana selecionou e mostrou aos alunos
registros fotográficos de outras performances. Essa curadoria
os motivou a criarem suas próprias (e muitas) linguagens
performáticas. Resultados significativos, que foram além
do esperado, foram registrados em fotografias. Para Pio, a
curadoria educativa é um lugar bastante “saboroso”, sensível,
um território experimental composto de riscos, estados de
loucura, de paixão e de criação artística, é um meio de estar
entre tantos conhecimentos dos quais o professor provoca e
é provocado, alimenta e é alimentado (MARTINS, 2006, p. 12).
O professor de arte pode, como sugestão, propor situações que suscitem a
solução de problemas cujo intuito seja uma tentativa de instigar os alunos a leituras
e releituras das obras de arte, independentemente do período ou estilo artístico
ao qual pertençam sempre, objetivando ampliar conhecimento, percepção ou
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
99
visão de mundo. Reitera-se a necessidade de promover ações que possam buscar
experiências práticas na visualização e também na aproximação entre o estudante
de arte e as obras de museus ou galerias.
Contudo, verifica-se que a prática de aproximação entre os espaços formais e não
formais de arte ainda é pouco explorada. Muitas são as questões que impossibilitam
o professor a estabelecer este vínculo. Como poucas cidades possuem espaços
de educação não formal, este também acaba se tornando mais um fator negativo
na proposição de relações entre os dois universos. Além do mais, esta não deve
ser somente uma aproximação superficial entre essas duas formas de educação,
mas devem ser criados hábitos, vínculos e laços profundos que possam envolver o
aluno com a arte. Assim, nas regiões que possuem uma diversidade de espaços não
formais de educação em arte, há que se estabelecer rotinas que priorizem o acesso
e a aproximação com esses ambientes, sejam eles virtuais ou não, buscando uma
melhoria na qualidade do ensino.
O diálogo constante entre instituições formais e não formais de ensino podem
contribuir com o desenvolvimento de uma educação muito mais adaptada à realidade
e, por isso, muito mais interessante e necessária. Logo, ações que objetivam incentivar
estas ligações são sempre muito bem-vindas. Daí a necessidade permanente
de publicações que enfatizam a urgência de se discutir novas possibilidades de
integração entre educação formal e não formal. E essas ações devem ter como
objetivo despertar e instigar o educador sobre estas questões.
Há que se buscar espaços que divulguem e incentivem a observação, a reflexão
e a criação artística a fim de tornar mais eficaz os conteúdos apreendidos na escola.
Ações educativas promovidas pelos espaços não formais em parceria com as
escolas poderiam corroborar a importância de ambos os espaços para a formação
dos estudantes e todo o público visitante, tornando esses ambientes de divulgação
e construção do conhecimento necessários e usuais.
Esse novo tipo de arte-educação, perpassada pela educação formal e não formal,
centrada na interdisciplinaridade, permite compreender que a educação pode ser
A visita a uma exposição de arte faz com que os alunos
conheçam as diversas manifestações artísticas do
homem, tanto as produzidas ao longo do tempo, como as
contemporâneas. O acesso ao espaço expositivo e o contato
visual com as obras de arte permitem a compreensão das
diferentes propostas artísticas, a identificação de significados
expressivos e a sua importância na formação cultural das
comunidades (SCHILARO; SCALÉA, 2006, p. 87).
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
100
uma via de acesso a tantas outras culturas, épocas e conhecimentos. Reafirmar
constantemente a importância da arte com o apoio de diferentes espaços implica
no favorecimento e esclarecimento dos objetivos e necessidades artísticas. Outros
benefícios da interação entre espaços formais e não formais de educação giram em
torno da ideia de que essas ações podem promover a inclusão de muitos grupos por
meio da aproximação e conhecimento de diferentes espaços e pessoas, a partir da
articulação, absorção de novas experiências, percepção da multiplicidade de gostos,
interesses e necessidades dos estudantes.
• Qual a importância da aproximação da educação formal e
não formal para a prática escolar?
• Como a educação não formal pode contribuir para
enriquecer o cotidiano das aulas de Arte?
1. A educação formal, representada por meio da escola, deve
ser uma instituição isolada na formação em Arte?
2. Diante dos textos analisados nesta unidade, é possível pensar
na possibilidade de integração entre a educação formal e não
formal?
Nesta unidade, o aluno foi capaz de:
• conhecer as delimitações da educação formal e não formal;
• reconhecer as principais diferenças entre educação formal e
não formal;
• aprender sobre a necessidade e vantagens da aproximação de
espaços formais e não formais para a arte-educação;
• diferenciar o espaço formal do não formal;
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
101
• refletir sobre alternativas para a inexistência de museu de arte em
sua cidade.
Caro aluno, ao chegar no fim desta unidade você conheceu um
pouco sobre as distinções entre educação formal e não formal.
Estes temas foram fundamentais para que você seja capaz de
descobrir as potencialidades e riquezas contidas em cada um dos
diferentes tipos de educação para arte. Por meio de delineamentos
muito específicos sobre as temáticas que compõem a educação
formal e não formal, já é possível a apropriação de conteúdos
que possam orientar o encaminhamento de novas práticas.
Essas novas práticas denotam também uma nova forma de
olhar a arte-educação, de forma muito mais conectada e
arraigada na sociedade e na cultura. Busque saber mais sobre
as potencialidades da educação não formal. Pesquise e estude
sempre! É por meio desse espírito curioso, incansável e insaciável
que poderá nascer um grande educador!
1. É possível afirmar que a arte-educação pode ser trabalhada
em diferentes instituições de educação e não apenas na
escola. Deve-se levar em consideração como todos esses
espaços culturais podem auxiliar na construção de uma arte-
-educação significativa. De acordo com os textos estudados
sobre os espaçosde interação entre educação formal e não
formal, é possível afirmar que:
I. A escola formal, sendo o polo da arte-educação, garante
acesso e continuidade à experiência da formação em arte a
um grande número de crianças, jovens e adultos.
II. A educação formal não deve se apresentar como uma
instituição isolada na formação em arte, mas atuar em
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
102
conjunto com ações que buscam promover a aproximação
com outros espaços.
III. É admissível considerar que a arte-educação não pode
ser apresentada, sugerida e trabalhada em diversos espaços
de educação formal ou não formal, já que ocorre apenas nas
escolas.
IV. É indiscutível a necessidade de contato com produções
artísticas, sejam elas pertencentes a qualquer período ou
estilo para o desenvolvimento pleno do sujeito.
Agora, assinale a alternativa correta:
a) Apenas I e II estão corretas.
b) Apenas I, II e III estão corretas.
c) Apenas I, II e IV estão corretas.
d) Apenas II, III e IV estão corretas.
e) Apenas III e IV estão corretas.
2. Leia atentamente as informações sobre educação formal
e determine V para verdadeiro e F para falso:
(__) O tempo da aprendizagem na educação formal é flexível,
respeitando as diferenças e as capacidades de cada um.
(__) O espaço formal é o espaço escolar, que está relacionado
às instituições escolares da educação básica e do ensino
superior.
(__) A educação formal seria aquela que proporciona a
associação de conceitos primordiais ao desenvolvimento do
aluno em espaços físicos diferenciados.
(__) É compreendida como educação formal aquela
educação sistematizada, direcionada e desenvolvida por
meio de uma sequência de titulações.
Agora, assinale a alternativa que corresponde à sequência
correta:
a) V, F, F, V.
b) V, F, V, V.
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
103
3. A percepção do valor da arte torna-se fundamental para
a compreensão de relações entre o objeto artístico, o artista
e possíveis questões culturais e sociais. Desse modo, é
imprescindível reforçar a ideia da necessidade de criação,
apreciação ou até comunicação do sujeito (artista ou
público) por meio da arte. Analise as sentenças e assinale a
única alternativa correta.
a) O homem necessita da arte como forma de se relacionar
com o universo circundante e consigo mesmo.
b) O homem não possui necessidade de compreender a arte,
nem de relacionar-se e de conectar-se com a coletividade,
com a cultura.
c) O homem necessita da arte apenas para solucionar
questões pertinentes à educação formal.
d) O homem necessita da arte apenas para observar as
últimas tendências das exposições contemporâneas.
e) O homem não necessita de contato com produções
artísticas para que haja o desenvolvimento integral do sujeito.
4. Várias perspectivas podem ser consideradas para justificar
o ensino da arte no currículo da educação formal. Uma delas
diz respeito à arte enquanto possibilitadora da compreensão
da cultura visual do universo imagético circundante. Com
base nessas referências, analise as sentenças e assinale
apenas a alternativa que corresponda corretamente ao autor-
-propositor dessa percepção de arte enquanto instrumento
para a compreensão da cultura visual.
a) Moacir Gadotti
b) Fernando Hernández
c) Ernest Fischer
d) Maria da Glória Gohn
e) Adriana Varejão
c) F, V, F, V.
d) V, V, V, F.
e) V, V, F, V.
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
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104
5. Diante da necessidade de espaços que promovam a
aproximação e a integração entre público, educação e arte,
vários ambientes podem ser considerados. Dessa forma,
eles podem realmente contribuir para que haja maior
possibilidade de contato com a arte. A respeito desses
espaços propositores de educação não formal, é possível
afirmar que:
a) entende-se por ensino não formal o ensino que acontece
de forma estruturada, sendo planejado e organizado fora
dos locais formais de ensino, ou seja, o que acontece fora
do ambiente escolar institucionalizado;
b) entende-se que apenas os espaços de educação formal
são importantes para a formação em arte, pois amparam
e contribuem com a construção do sujeito de forma
significativa;
c) na educação não formal, a categoria espaço é idêntica à
dos espaços formais, ou seja, são as escolas;
d) na educação não formal os espaços são irrelevantes, já
que se apresentam apenas por meio de ambientes virtuais;
e) a educação formal é aquela que acontece dentro do
ambiente escolar, porém fora da sala de aula.
Interação entre os espaços de educação formal e não formal
U2
105
Referências
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106
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Unidade 3
CONCEITOS DE EXPOSIÇÃO,
CURADORIA, MONITORIA
E CONSERVAÇÃO DE BENS
CULTURAIS
A primeira seção apresentará conceitos norteadores dos termos
exposição, curadoria e monitoria e suas possíveis aplicações na educação e
formação em arte.
A segunda seção proporciona meios de compreensão da arte enquanto
patrimônio cultural. Você irá conhecer também algumas possibilidades de
conservação e restauração desses bens culturais.
Seção 1 | Conceitos de exposição, curadoria, monitoria
Seção 2 | Patrimônio e conservação
Objetivos de aprendizagem
Nesta unidade, você irá conhecer e se aprofundar no estudo de conceitos
de exposição, curadoria e monitoria. Além disso, conhecerá informações
importantes sobre a definição de patrimônio cultural, educação patrimonial e
conservação de bens. Entende-se, portanto, que esses esclarecimentos são
complementares às informações obtidas durante os estudos das Unidades 1 e 2.
Sendo assim, você irá reconhecer como essas novas elucidações podem
contribuir com a educação do sujeito, a partir do momento que colaboram
com a propagação de conhecimentos artísticos. Todas essas informações são
necessárias para que você possa perceber como as ações promovidas por
espaços de educação não formal perpassam por uma quantidade significativa
de profissionais e ambientes.
Tatiana Romagnolli Peres
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
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Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
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Introdução à unidade
Agora que você já adentrou no universo da percepção das potencialidades da
educação não formal em arte, é possível continuar a busca por conhecimentos
correlatos! Sendo assim, nesta unidade você terá acesso a aprofundamentos sobre
outros termos e funções essenciais à arte como aqueles relativos à exposição,
curadoria e monitoria. Esses conceitos são extremamente necessários para a
detecção da abrangência dos estudos e formações profissionais necessárias ao
desenvolvimento artístico.
E, já que este livro tem como foco principal discutir as principais relevâncias e
contribuições da educação não formal para a formação em arte, nada mais instigante
do que aproveitar para descobrir e conhecer com mais profundidade todas as formas
possíveis de desenvolvimento de funções conectadas a estas ações e ambientes.
Por fim, esta unidade abordará a importância da delimitação do conceito de
patrimônio cultural para o entendimento das relevâncias propostas nas relações
entre arte e cultura. Na sequência, o texto trará explicações sobre como os museus
conservam e restauram obras de arte, fator importante para a preservação do
patrimônio cultural.
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
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Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
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Seção 1
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria
Nesta seção, você conhecerá conceitos sobre exposição, curadoria e monitoria,
que serão analisados a partir de percepções que reforçam constantemente diferentes
aproximações e intervenções sugeridas pelo espaço não formal de educação e a arte.
Esses subsídios se apresentam como conteúdos complementares a todos aqueles já
tratados na Unidade 1 e 2. Sendo assim, muitas informações trazidas anteriormente
corroboram a necessidade de ações que possam promover a interação entre os
espaços de educação formal e o público apreciador de arte.
Desse modo, nesta unidade, serão propostos outros encaminhamentos que
contribuirão para referenciar ambientes, funções e intervenções que ajudem na
construção e no conhecimento dos espaços não formais de formação em arte. Logo,
o trabalho sugerido por monitores e curadores torna-se muito importante, pois surge
para alavancar e potencializar a participação desses espaços na educação. Reforça-se
então, a urgência em se discutir temáticas como esta, que se tornam essenciais para a
valorização da arte, e que possam envolver e reforçar a construção do conhecimento
e da criticidade.
1.1 Exposição
Nas unidades anteriores, foram discutidos uma série de conteúdos que tinham
como pressuposto básico compreender a função de espaços não formais de arte na
formação artística. Para tanto, algumas orientações surgiram no sentido de delimitar
quais eram os espaços considerados não formais e quais as possibilidades suscitadas
por estas instituições. Dentre as várias funções dos espaços não formais de arte
sugeridas nas Unidades 1 e 2, está a de ofertar espaço para a proposição de arte, e,
assim, subtende-se que possa se falar em exposições.
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
112
Como parâmetro para orientar as reflexões acerca da ideia de exposição, é
preciso citar que, para se entender a definição geral desse conceito, é necessário
pensar que a apresentação de objetos e obras se faz sempre com uma ‘finalidade’.
Portanto, “a exposição de arte é uma apresentação intencionada, que estabelece um
canal de contato entre transmissor e um receptor, com o objetivo de influir sobre
ele de uma determinada maneira, transmitindo-lhe uma mensagem” (GONÇALVES,
2004, p. 29).
Então, quais seriam os objetivos de espaços não formais, como museus e galerias,
ao apresentarem e proporem uma exposição de arte? Como se configuram e se
articulam as exposições de arte na contemporaneidade?
"Exposição" – sf (lat expositione) 1 Ato de expor; exibição. 2 Coisas
expostas. 3 Lugar onde se expõem coisas à vista. 4 Narração. 5 Explanação,
desenvolvimento. 6 Maneira de dizer ou expor. 7 Dir. Dedução de razões.
8 Posição de uma coisa ou lugar em relação aos pontos cardeais. 9 Fot.
Ato de expor material fotográfico sensibilizado. 10 Fot. Tempo durante o
qual uma chapa ou uma película sensibilizada é exposta à luz. E. coletiva:
exposição na qual são exibidas as obras de vários artistas. E. de motivos:
demonstração escrita e alicerçada de fatos ou motivos que justifiquem a
conveniência ou necessidade de medidas ou providências para solução
de causas ou problemas de interesse público ou particular. E. individual:
exposição na qual um único artista expõe seus trabalhos. E. instantânea,
Fot. exposição de material fotográfico por curto tempo, mediante um
dispositivo automático.
Disponível em: <http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/definicao/
exposicao%20_963457.html>. Acesso em: 1 mar. 2016.
Para saber mais sobre os novos projetos de dessacralização e
transformação dos espaços de exposição dos museus, acesse o endereço
a seguir e assista ao vídeo!
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
113
Os museus, as galerias, os espaços de arte, os centros de cultura são ambientes
que têm capacidade de comportar e ofertar exposições de obras e artistas diversos.
E é por meio das diferentes exposições, propostas em espaços não formais, que o
público acessa e vivencia concretamente a arte. Nas exposições, o público pode
contatar com proximidade as obras, visitando e analisando, sobre seu próprio ritmo
ou interesse, o espaço expositivo. Por isso, a exposição oferecida pelos espaços não
formais de arte pode ser entendida como:
Fonte: <https://www.youtube.com/watch?v=s27up9UH7AI>. Acesso em: 5 mar. 2016.
Figura 3.1 | Transformando narrativas e histórias por meio do diálogo entre as obras
Um elemento sintetizado das interações entre os outros
elementos. Isto é, a exposição é a interface na qual ocorre o
confronto obra-espectador, por meio dela o artista propõe
suas ideias, questiona inclusive a própria exposição, diálogo, e
cria seu próprio contexto expositivo. A exposição torna-se este
espaço para o diálogo, onde a teoria, a crítica e a históriasão
elementos básicos para a discussão do conteúdo. A exposição
é o espaço da troca de experiências, do diálogo, da discussão,
da síntese. Enfim, a articulação dos elementos constituintes
do sistema leva à concretização da exposição como tal. [...]
A exposição é o espaço onde a arte se dá enquanto tal, ou
seja, é a relação espaço-temporal na qual a obra passa a existir
publicamente (VÁLIO, 2008, p. 3-4).
A exposição de arte surge com objetivos muito específicos, já que se propõe a
apresentar ao público uma série de objetos artísticos, sejam eles provenientes de
qualquer linguagem das artes visuais, que podem correlacionar-se, estabelecendo
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
114
diálogos, muitas vezes, impensáveis e contribuindo para estimular, por meio da
fruição e da contemplação, o pensamento crítico e reflexivo. Sendo assim, nota-se
a disseminação de ambientes que promovem a aproximação entre público e obra.
Dessa forma, a exposição se apresenta, principalmente após o advento da arte
contemporânea, em diversos espaços públicos e altamente acessíveis e, se encontra
em constante diálogo com a sociedade e a cultura circundante.
A exposição se funda na presença de objetos que fazem
sentido, num espaço que os torna acessíveis aos sujeitos
sociais. Ela funciona como espaço de representação. Pode-
se, de imediato, depreender que a mise en scène da exposição
tem papel fundamental no processo comunicativo de seus
conteúdos. A exposição pode ser entendida como um
processo de comunicação, uma mediação. Nesse sentido, ela
implementa informações culturais voltadas para o visitante,
para seu receptor. Ela é, sempre, uma “ativação” (GONÇALVES,
2004, p. 18).
Mise-en-scène – palavra originária do francês, significa "colocado
em cena", podendo também significar a arte da encenação teatral ou
cinematográfica. É a qualificação da arte como um todo.
Disponível em: <http://www.dicionarioinformal.com.br/mise-en-
sc%C3%A8ne/>. Acesso em: 5 mar. 2016.
De acordo com Gonçalves (2004, p. 16), a exposição “tem papel significativo
no processo de construção simbólica e da identidade. É necessário que os objetos
mostrados sejam reconhecidos como representantes de um mundo dotado de
sentido para o público, com um fundamento social”. Contudo, é preciso destacar
que o aparecimento das exposições está muito atrelado ao desenvolvimento dos
museus, já citados e discutidos na Unidade 1.
Na história, a exposição e o museu caminham juntos. A palavra
museu deriva da latina museum, que, por sua vez, vem do grego
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
115
O espaço expositivo, principalmente o museu, desencadeia uma série de influências
sobre a arte e sua apresentação. Convém ressaltar, então, que a formalização, a segurança
ou o cuidado proposto por tais espaços implicam sobre a obra de arte uma nuance
que perpassa, muitas vezes, uma imagem sacralizada, intocável, inalcançável, questões
que muitos artistas, períodos ou propostas estéticas objetivaram desbancar. A arte
contemporânea pode ser citada como um exemplo de período em que são propostas
novas aproximações e inter-relações entre público e obra, principalmente por conta da
reconfiguração de diferentes propostas. Sendo assim, os novos espaços de exposição
assumem também o papel de validar e evidenciar a obra de arte, tornando-a visível.
mouseion, o templo dedicado às musas. Significa, portanto, em sua
origem, “casa das musas”. A palavra exposição vem do latim – exponere
- isto é, “pôr para fora”, “entregar à sorte”. O ato de colecionar, ao lado
do desejo de expor a coleção, marca o surgimento do museu. Ele
aparece configurado desde o helenismo. Mouseion é o termo que o
historiador Estrabão (Alexandria, século I a.C.) emprega para referir-se
a um centro interdisciplinar de cultura e patrimônio [...]. O museu era
parte integrante desses palácios. A palavra mouseion é usada durante
o helenismo no sentido de indicar a tentativa de coligir conhecimentos
produzidos pelo homem. O que é reunido, colecionado e exibido
volta-se para a busca de um saber universal. A história do museu e
da exposição está, assim, ligada à própria história humana, dando
testemunhos fundamentais da cultura na humanidade. Em todos os
momentos, e em todo lugar, a exposição aparece como pressuposto-
chave da ideia de museu, é o meio pelo qual são reunidos e resgatados
objetos carregados de informação cultural para uma recepção
determinada. Porém, o museu e a exposição, no sentido que lhes é
dado hoje são uma realidade bastante diferente de seus conceitos
originais (GONÇALVES, 2004, p. 13-14).
Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/27/Masp-subsolo.jpg>. Acesso em: 2 mar. 2016.
Figura 3.2 | Espaço expositivo do segundo subsolo do Museu de Arte de São Paulo,
com obras impressionistas do acervo
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
116
Aliás, essa perspectiva de que o espaço de exposição, como os museus, tem a
capacidade de validação das obras de arte já foi discutida diversas vezes por artistas
ou movimentos ao longo da história. Um exemplo claro desta discussão em torno
da importância que os museus exercem sobre as obras é sugerido por Marcel
Duchamp que, ao criar os ready-mades, provoca uma transformação no universo do
que seja ou não Arte (VÁLIO, 2008). Sua proposta busca destacar que o lugar em que
esses objetos são expostos é que determina seu valor enquanto obra de arte. Sendo
assim, o espaço não formal (museus, galerias, entre outros) passa a se apresentar
como um produtor do valor da obra.
A obra Fonte, de Marcel Duchamp, pode exemplificar claramente essa proposta
de redefinição de conceitos, normas ou regras clássicas. Neste caso, os ready-
mades, objetos comuns retirados de ambientes tradicionais e corriqueiros, assumem
valor de obra de arte quando inseridos em espaços formais de arte, como museus
ou galerias.
Marcel Duchamp criou os ready-mades para confrontarem as
regras do sistema estabelecido, isto é, o que está no museu
(ou em outro espaço expositivo) é arte. Entendido dessa
forma, Duchamp coloca o artista como aquele que determina
ou seleciona aquilo que é obra, pois ele é quem a assina e a
escolhe para ser apresentada à instituição (VÁLIO, 2008, p. 4)
Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/f/f6/Duchamp_Fountaine.jpg/800px-Duchamp_
Fountaine.jpg>. Acesso em: 01 mar. 2016.
Figura 3.3 | Fonte, 1917 – Ready-made, Marcel Duchamp
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
117
O que se deve compreender com relação aos espaços de exposição de arte é
que esses também acabam fazendo parte das obras, ou seja, eles as completam,
de alguma forma. Os espaços são determinantes para o resultado, participação,
destaque, valorização ou interesse na exposição. Já que na contemporaneidade
tornou-se uma tendência a valorização dos espaços durante a exposição de obras
de arte. Vale destacar que muitas dessas exposições ganham valor e destaque em
função dos ambientes em que encontram-se inseridas. Isso passa a ser determinante
também para o sucesso e repercussão da exposição e para a quantidade de público
que irá visitar tal espaço.
Na contemporaneidade, reconfigura-se, portanto, a função dos espaços para
exposição da arte. Dessa maneira, é possível perceber que alguns espaços de
exposição são constituídos a partir de expectativas que visam apenas atender e
alavancar a visitação, por isso acabam por transformar-se em meros competidores
frente à crescente concorrência. Portanto, os espaços de exposição tornam-se
altamente concentrados nas interações e relações com o público, e isso nem sempre
é algo ruim.
Em função desses novos objetivos,o espaço expositivo passa a adaptar-se sobre
a influência do “mercado” e do público. Assim, busca sempre ser um ambiente
prazeroso, intelectualizado e altamente atualizado, principalmente quanto ao uso de
tecnologias de conservação, divulgação ou manutenção do espaço. Por isso, mesmo
que o acervo continue o mesmo, o espaço pode sofrer constantes transformações.
Logo, ambientes de exposição de obras buscam reconfigurar-se para se adaptar às
novas necessidades do momento em questão. Essas alterações que, muitas vezes
são estruturais, resultam ainda em transformações conceituais, perpassando novas
formas de olhar e apreciar as obras de arte, de perceber suas relações com as outras
obras ou com o próprio espaço onde são apresentadas.
Você já imaginou como seria um espaço de exposição de arte na
contemporaneidade? Quais seriam as possíveis inter-relações? Com que
temáticas trabalharia? Como seria esse espaço? Ele seria transdisciplinar
ou não? Envolveria diferentes temáticas, discussões, artistas ou obras
num mesmo lugar?
O Instituto Inhotim pode servir como resposta a essas e outras perguntas.
Ele pode também possibilitar a percepção de diferentes propostas de
interação entre obra, ambiente e público!
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
118
Fonte: <http://www.inhotim.org.br/inhotim/sobre/historico/>. Acesso em: 1 mar. 2016.
Fonte: <http://www.inhotim.org.br/inhotim/sobre/brumadinho/>. Acesso em: 1 mar. 2016.
Fonte: <http://www.uel.br/cc/dap/>. Acesso em: 1 mar. 2016.
Figura 3.4 | Instituto Inhotim (capa do site)
Figura 3.5 | Instituto Inhotim (localização)
Figura 3.6 | Fachada do prédio da Casa de Cultura (Uel)
Outros espaços expositivos também podem ser utilizados como exemplo
concreto das novas propostas de apresentação e interação de obras de arte surgidas
na contemporaneidade.
Casa de Cultura – UEL (DAP – Divisão de Artes Plásticas).
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
119
Fonte: <http://www.uel.br/cc/dap/?cat=3>. Acesso em: 1 mar. 2016.
Figura 3.7 | Detalhe do site com atividades apresentadas pela Casa de Cultura
Além de todos os espaços de educação não formal já destacados até aqui, é
possível citar ainda outros lugares no Brasil que promovem apresentações (virtuais
ou não) ou exposições de arte de altíssimo valor para a arte. São eles: Fundação
Bienal de São Paulo (Bienal de São Paulo) e alguns centros culturais como o Centro
Cultural Banco do Brasil, Instituo Tomie Ohtake, Itaú Cultural, Centro Cultural
São Paulo, entre outros. Esses espaços desenvolvem um belíssimo trabalho de
apresentação e divulgação de diferentes obras, contribuindo para tornar mais
acessíveis as informações imagéticas e artísticas.
A sugestão de espaço expositivo apresentada aqui é um pouco diferente
das discutidas anteriormente. Ele é um espaço expositivo virtual! Vale
ressaltar sua importância como sugestão de ambiente para pesquisa ou
apreciação!
No endereço citado a seguir, você pode acessar diferentes informações
sobre obras de arte em forma de museu virtual. “O Instituto Cultural do
Google reúne milhões de artefatos de vários parceiros, junto com as
histórias que os tornam importantes, em um museu virtual”.
Disponível em: <https://www.google.com/culturalinstitute/project/art-
project?hl=pt-br>. Acesso em: 1 mar. 2016.
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
120
1.2 Curadoria
Em diversos momentos desse texto, foram analisados fatores que contribuem
para formalizar e evidenciar a educação de arte por meio de instituições não formais
de cultura. No entanto, alguns profissionais ou funções são de extrema importância
para que se destaque o papel de instituições não formais na educação em arte.
Uma palavra e seu sentido são fundamentais para uma exposição contemporânea:
curadoria – função normalmente exercida por especialistas na área de arte, que
propõem, no processo de organização de uma exposição, as formas de articulação
entre os elementos de uma mostra (MARTINS; PICOSQUE, 2003, p. 6).
Contudo, quando se fala em educação formal ou não formal, há que se evidenciar
o papel que os educadores ou os mediadores desse processo assumem e o quanto
esses podem contribuir para alavancar potencialidades do universo artístico. Assim,
torna-se relevante falar sobre a função dos curadores de arte para a constituição de
exposições de arte. De acordo com Martins (2006, p. 4), “a palavra curadoria tem
origem epistemológica na expressão que vem do latim curator, que significa tutor,
ou seja, aquele que tem uma administração a seu cuidado, sob sua responsabilidade”.
Curadoria de Arte
“Fazer curadoria de arte é o processo de organização, cuidado e
montagem de uma exposição artística, formada por um conjunto de obras
de um ou de vários artistas, a partir da seleção prévia feita pelo curador.
Atualmente, o papel do curador de arte vai além do da organização, sendo
também responsável pela intermediação entre o artista, a crítica artística
e o mercado consumidor da arte. O trabalho de um curador atinge não
apenas os "bens materiais" do mercado da arte, mas também possui um
importante compromisso educacional na sociedade, agindo como um
mediador cultural entre a arte e a população que visita as exposições.
Esta ação também é conhecida por ‘curadoria educativa’. [...] A curadoria
pode ser organizada por uma ou mais pessoas (uma diretoria, por
exemplo), que tem a finalidade de debater, organizar e realizar eventos,
ações, promoções ou demais situações que necessitam ser planejadas.
O ato de "curar" está relacionado com o zelo, cuidado e atenção com
alguma coisa.”
Disponível em: <http://www.significados.com.br/curadoria/>. Acesso
em: 6 mar. 2016.
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
121
Dentre as várias funções de um curador de arte, há que se destacar aquela ligada
à orientação geral da exposição, ou seja, a proposição conceitual, que gerará o fio
condutor, o aporte teórico das exposições e mostras de arte. É com base nesse
fio condutor que haverá a seleção de artistas e suas obras e a ressignificação das
obras, orientando, assim, a percepção do público e a contextualização das obras em
relação a novas possiblidades e experimentações. O curador pode ser responsável,
do mesmo modo, por elaborar a política museológica em espaços que buscam
promover, de modo concreto, a valorização da arte, como exposições ou museus.
Você notou como o trabalho do curador é importante para o
sucesso de uma exposição de arte? Você sabia que as bienais,
como as que acontecem em São Paulo (no Parque Ibirapuera)
também são construídas a partir do trabalho do curador?
Para responder a esses questionamentos, pode ser citado o
trabalho de Walter Zanini (São Paulo SP 1925 - idem 2013),
professor, historiador, crítico de arte e curador. Ele realizou
a graduação (1956) e o doutorado em História da Arte (1961)
na Universidade Paris VIII.
O trabalho de determinar elementos condutores ao
desenvolvimento da exposição de arte deste curador pode
ser observado nas descrições da organização de duas bienais
citadas a seguir:
“Na 16ª Bienal Internacional de São Paulo, 1981, Zanini atua
como curador geral do evento. Nele imprime sua abordagem
mais uma vez voltada simultaneamente à apresentação de
obras que fundem e transitam por linguagens distintas e à
seleção de representantes de diversos períodos da história
da arte, criando assim espaços para a apreciação tanto
de um núcleo histórico de obras quanto de produções
experimentais e contemporâneas. Dentre os eixos definidos
para a mostra, pode-se destacar toda uma seção de arte
postal com curadoria de Júlio Plaza e participação de 451
artistas de várias partes do mundo.
Em 1983,Zanini dá continuidade ao seu trabalho na 17ª Bienal
Internacional de São Paulo, cujo destaque está na participação
do grupo Fluxus que ocupa, junto de outros artistas, um
espaço dedicado à Arte e Tecnologia, coordenado por Júlio
Plaza. Nesse setor de ‘Novas Mídias’ – também organizado
por Plaza e com curadoria de Berta Sichel – ocorre o evento
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
122
‘Arte e Videotexto’, composto de setores de computadores,
satélites de comunicação, o slow scan TV, videofone e videotexto.
A iniciativa, apesar das grandes limitações tecnológicas do país,
segundo as palavras do próprio Zanini, representava um passo
adiante dos projetos habituais da instituição”.
Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa547/
walter-zanini>. Acesso em: 5 mar. 2016.
O curador é o profissional que trabalha a partir de uma série de papéis que são
necessários à realização das exposições, estabelecendo-se como legitimador das
relações significativas entre obra e o público. Ele é o responsável por conceber,
preparar e montar exposições de arte. Além disso, cabe a ele inicialmente ser um
conhecedor e amante de obras de arte e museus, ser um bom crítico de arte e
possuir muita criatividade para poder propor relações entre obras, artistas ou épocas
até então inimagináveis. Cabe ao curador promover o diálogo entre as obras dos
acervos de museus, galerias, ou de exposições para que estas se tornem significativas,
dialogando com o público visitante. O curador, ao montar exposições, coloca-se
como propositor de relações que irão fazer com que o público reflita e conheça
novas possibilidades de interlocução entre as obras.
Portanto, o curador configura-se como um colaborador na formação de
conhecimentos sobre arte. E esse papel educativo encontra-se implícito no trabalho
de curadoria. Por isso, vale destacar que todas as informações que validam e
potencializam a educação em arte por meio de intervenções de espaços não formais
perpassam pela ação da curadoria educativa. Esse conceito deve ser destacado,
pois é fundamental para a valorização das aquisições intelectuais adquiridas por
intermédio de exposições de arte altamente elaboradas e qualificadas.
O conceito de curadoria aqui é expandido para uma ação
educativa que tem como preocupação explorar a potência
da arte pela ativação cultural de obras e artistas através da
experiência e investigação estética na sala de aula. Ativar
culturalmente é fazer circular, é dar acesso, aproximar. É
impulsionar a potencialidade de obras e artistas submersos
nos livros, nos museus, nos sites, nas reproduções esquecidas
que fazem parte de nosso acervo de professores. Reside nessa
ação a formação cultural dos alunos. Formação esta que,
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
123
Você sabe como é o trabalho de um curador de arte?
Curiosidade
Profissão: Curador
Luiz Camillo Osorio comenta, em entrevista, sobre a carreira de curador.
Osorio lembra da primeira vez em que pensou que gostaria de trabalhar
na área. “Estava em um museu de Madri. Sentei num café e tomei nota no
caderno. Disse que aquele era um espaço com que gostaria de ter uma
relação mais estreita, em que poderia trabalhar”. Na época, aos 21 anos, o
curador ainda cursava Economia. Como curador no MAM, planejou e montou
exposições em parceria com artistas, museólogos, arquitetos e montadores.
enfatizando a habilidade perceptiva e cognitiva para interpretar
obras de arte em termos de seu contexto social e cultural, possa
ampliar o acervo imaginário de tal modo que obras e artistas
passem a integrar o patrimônio pessoal como um bem simbólico
interno, um repertório conectado à vida para a leitura do mundo,
das coisas do mundo e da própria Arte. Como em toda curadoria,
a escolha das imagens faz trabalhar o olhar, um olhar escavador
de sentidos. Olhar mais profundo e ao mesmo tempo sem pressa,
ultrapassando o reconhecimento, o fim utilitário das imagens, e
que se torna um leitor de signos. Nesse movimento do olhar,
segundo o filósofo francês Georges Didi-Huberman, não só
olhamos a obra como ela também nos olha. Atento aos sentidos
das imagens, tal qual um arqueólogo que escava à procura do
desconhecido, o professor-pesquisador é um leitor de imagens
que elege aquelas que vão adentrar na sala de aula para o deleite
e investigação dos alunos. Nessa tarefa de leitura, as sandálias
de professor-pesquisador imantam imagens para compor uma
seleção, uma combinação de imagens. Seleção é dizer sim e não,
sempre é ênfase e exclusão. Combinação é recorte. Todo recorte
é comprometido com um ponto de vista que se elege, exercendo
a força de uma ideia, de um conteúdo que é desejo explorar ou
de uma temática possível de desencadear um trabalho junto aos
alunos. Selecionar e combinar são, então, uma interpretação do
professor pesquisador (MARTINS; PICOSQUE, 2003, p. 8, grifos
do autor).
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
124
Além disso, viaja com frequência a outros países, onde tem contato com
artistas e obras estrangeiros. “É preciso ficar sempre próximo de onde as
obras estão mais vivas”, disse Osorio. O curador desenvolve atualmente uma
exposição sobre o neoconcretismo, movimento brasileiro do final dos anos
50, ligado ao trabalho do paisagista Burle Marx e à construção de Brasília,
para um museu de Berlim. De acordo com Osorio, um candidato a curador
deve ver o máximo de exposições possíveis e fazer cursos no Brasil e no
exterior. Para entrar na área, pode apresentar projetos a museus, centros e
espaços culturais e buscar estágios em museus.
O que faz um curador?
Prepara, concebe e monta exposições de arte, com foco na discussão
crítica e na relação entre as obras.
Onde atua?
Pode ser desenvolver trabalhos autônomos, trabalhar em museus, dar
aulas ou escrever para revistas de arte.
Onde estudar?
A graduação pode ser feita em História, Literatura, Filosofia ou
Comunicação. E existem universidades que oferecem especializações em
Curadoria de Arte e História da Arte.
Como deve ser o perfil do estudante?
O profissional deve gostar de museus e obras de arte e ter familiaridade
com a escrita.
Disponível em: <http://g1.globo.com/educacao/guia-de-carreiras/
not ic ia/2010/10/curador-de-ar te-prepara-concebe-e-monta-
exposicoes2707.html>. Acesso em: 6 mar. 2016.
Para que o trabalho de curador possa ser desenvolvido, é necessário que ele tenha
acesso a alguns conhecimentos específicos durante sua formação. Dessa forma,
destaca-se que ele precisa ter clara a ideia de que a arte encontra-se intimamente
conectada ao cotidiano e à cultura e que, por isso, se apresenta como uma das
possíveis formas de perceber o entorno. Logo, o curador deve saber que, por meio
de diferentes modos de expressão e diversas percepções das aproximações entre
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
125
arte e cultura, podem desencadear distintos modos de ver o mundo. Destaca-se,
portanto, que a formação do curador de arte deve contemplar conteúdos voltados
para o estudo de conceitos e definições sobre cultura e arte; cultura; história da
arte; orientações sobre curadoria; museologia; mediação cultural; ação educativa;
etapas de um projeto curatorial; tipologia de espaços; relações de mercado; eventos
artísticos; entre outros.
Milton Guran (Curadoria: expressão e função social)
“As atividades de curadoria abrangem um campo muito extenso, tanto
nos planos cultural e artístico quanto no comercial. 'Curar', ensina-nos o
dicionário, é cuidar, ter cuidado. E esse trabalho começa, quase sempre,
por trabalhar o próprio artista, ele mesmo. O artista é aquele que produz
arte, e isso é tudoque podemos exigir dele. É por isso que o curador tem
tanta importância, porque ele é a ponte entre a crítica – ou seja, a reflexão
intelectual sobre uma produção artística – e o mercado consumidor dessa
arte – não só no sentido de compra e venda da obra física, mas, sobretudo,
no sentido mais amplo de circulação social dos bens culturais.
Na condição de mediador cultural, o curador assume uma função social.
É curadoria estabelecer um recorte na obra de um artista, [...] elaborar
sua estrutura, identidade visual, estratégia de divulgação na mídia,
articulação com os demais setores produtores de cultura no país e com
o movimento fotográfico internacional. É também curadoria escolher os
autores com suas respectivas obras e distribuí-los pelos diversos espaços
de exposição, determinando que obras serão expostas e de que maneira.
Portanto, quer em um grande evento quanto no trabalho de programar
um único centro cultural ou administrar uma carteira de artistas, cabe ao
curador sempre fazer uma ponte entre o público e a obra, viabilizando
a circulação desta. O curador é, então, sobretudo, um tradutor para o
mercado como um todo e para o público em geral do sentido maior
de uma determinada produção artística. Nesse sentido, uma das mais
importantes atribuições do curador é propor e organizar coleções
públicas e privadas.
No entanto, o trabalho do curador não se limita à reunião das peças,
pelo contrário. Essas coleções só adquirem seu pleno sentido quando
classificadas, ordenadas e disponibilizadas para consumo público. Há
aí um enorme trabalho interdisciplinar a ser feito, antes que o curador
possa dar o passo seguinte, que é o de proceder a recortes para dar
visibilidade a conteúdos que talvez se percam no emaranhado de
informações visuais de uma grande coleção. E seguir adiante, buscando
a melhor forma de divulgar esse acervo, em exposições permanentes, ou
temporárias, através de meios eletrônicos ou pela publicação de livros,
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
126
cartazes e outras peças promocionais.
Vale enfatizar, por fim, que o trabalho do curador se dá em pelo menos
duas frentes principais: na análise crítica da obra e seu contexto de
produção, e na recepção dessa obra pelo consumidor, que vai do
colecionador dedicado, frequentador de galerias privadas, ao grande
público dos museus e centros culturais, e agora também da internet.
Nesse trabalho, o curador propõe recortes em conjunto de obras que
talvez não tenham ocorrido sequer ao próprio artista, associa obras que
podem ser até contraditórias, traz à tona outras que, para muitos, podem
parecer até irrelevantes, criando assim um conjunto que se constitui em
uma proposta de diálogo entre o público e o que marca um determinado
momento cultural e artístico”.
Disponível em: <http://www.studium.iar.unicamp.br/32/6.html>. Acesso
em: 5 mar. 2016.
Contudo, existem diversas aplicações ao termo curadoria. Sendo assim,
destaca-se que a função de curadoria pode se referir também aos espaços
virtuais, como a curadoria digital. Essas alterações e novas apropriações são
perceptíveis, pois os meios digitais se tornaram, com o avanço das tecnologias,
grandes propulsores das relações entre público e arte.
Outra forma de compreender o termo curadoria pressupõe uma exploração e
um aprofundamento do termo que se embasa em correlações entre a obra e a
construção do conhecimento. No entanto, essas relações e correlações só serão
possíveis se houver conscientização de conhecimento sobre as possibilidades
Sobre curadoria digital, assista ao documentário homônimo: "Curadoria
digital", dirigido por Ebenezer Takuno de Menezes. O material tem
duração aproximada de 1 hora e conta como funciona a organização,
produção, divulgação e publicação dos espaços virtuais sobre a arte e a
cultura de diferentes museus.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=QfC0Ul3ay6A>.
Acesso em: 5 mar. 2016.
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
127
suscitadas também pela educação não formal. Assim, torna-se necessário conhecer
profundamente as variantes do termo curadoria e outras formas de exploração de
suas potencialidades.
Nutrições estéticas têm gerado múltiplas interpretações e
deflagrado discussões que ampliaram e expandiram para
outras direções: quais reproduções de obras nós levamos
para nossos alunos? Que músicas escolhemos para que
ouçam ou cantem? Que espetáculos de dança ou teatro lhes
apresentamos? O que escolhemos para mostrar e com quais
critérios? Selecionamos apenas o que gostamos ou obras que
nos provocam, que nos causam estranhamento, sobre as quais
“sabemos falar” e queremos problematizar para ir além das
primeiras impressões? Como propomos os encontros entre
educadores/imagens/ aprendizes? De onde vêm as imagens
que utilizamos? Originais ou reproduções? Essas questões
geraram o conceito de curadoria educativa, considerado
não uma função ligada aos museus e espaços culturais, mas
uma atitude, um modo de operar consciente na escolha
criteriosa do que levamos para a sala de aula e das exposições
visitadas com nossos alunos. O termo foi cunhado por Luiz
Guilherme Vergara, professor dedicado às ações educativas
em instituições culturais, como o Museu de Arte Moderna de
Niterói, o Centro de Arte Hélio Oiticica/RJ, o Museu de Arte
Moderna/RJ (MARTINS, 2011, p. 313).
Mirian Celeste Martins, em seu texto “Arte, só na aula de arte?”, discorre
sobre conceitos e funções da curadoria. Por isso, ela traz informações
importantes para o conhecimento pleno do termo. Dessa forma, ela
assegura que, para Vergara (1996, p. 243), a curadoria educativa tem
como objetivo: “explorar a potência da arte como veículo de ação
cultural [...] constituindo-se como uma proposta de dinamização de
experiências estéticas junto ao objeto artístico exposto perante um
público diversificado”. Para ele, a ideia de experiência estética está
intimamente ligada à construção da “consciência do olhar”, como uma
“experiência da consciência ativa”. Curadoria, do latim curator, significa
tutor, ou seja, aquele que tem uma administração a seu cuidado, sob sua
responsabilidade. Assim, “o curador de qualquer exposição é sempre o
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
128
primeiro responsável pelo conceito da mostra a ser exibida, pelas escolhas
das obras, da cor das paredes, iluminação etc.”, como afirma Tadeu
Chiarelli (1998, p. 12). Assim, como no espaço expositivo, os educadores
também são curadores nas salas de aula; ativam culturalmente as obras.
Estarão cientes, entretanto, de suas escolhas?”.
Disponível em: <http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/faced/
article/viewFile/9516/6779>. Acesso em: 7 mar. 2016.
Equipe do Instituto Tomie Ohtake disponibiliza um espaço para
divulgação da missão da equipe de curadores
“A Curadoria do Instituto Tomie Ohtake exerce duas principais missões.
A primeira é auxiliar no desenvolvimento e realização das exposições
programadas para o Instituto Tomie Ohtake, na forma de assistência
curatorial, pesquisa complementar, acompanhamento de montagem
junto à equipe de produção e ao projeto educativo. A segunda
direciona-se ao desenvolvimento de projetos de médio e longo prazo,
com metodologia de pesquisa e metas editoriais, visando aprofundar
o entendimento dos objetos de interesse do Instituto Tomie Ohtake,
sobretudo, no que tange à arte contemporânea produzida no Brasil nas
últimas seis décadas.
A equipe da Curadoria, coordenada por Paulo Miyada e integrada por
Carolina de Angelis, Julia Lima, Olivia Ardui e Priscyla Gomes vem
pesquisando arte brasileira desde 2011, com o foco em promover artistas
nacionais de diversas linguagens e fomentar as discussões sobre arte
contemporânea.Com projetos de pesquisa como o Programa Arte Atual,
a curadoria se propõe a realizar exposições coletivas de jovens artistas,
dando ênfase às suas pesquisas mais recentes e criando um espaço
onde projetos experimentais e inéditos possam ser concretizados e
apresentados ao público.”
Disponível em: <http://www.institutotomieohtake.org.br/curadoria/o_
nucleo>. Acesso em: 7 mar. 2016.
Na Unidade 1, você teve acesso a algumas informações sobre o site do Instituto Tomie
Ohtake para compreender sobre os espaços não formais de arte-educação por meio de
ambientes virtuais. O objetivo da utilização do exemplo era promover a compreensão
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
129
de que uma visita a um museu de arte pode acontecer apenas de modo virtual, já
que diversos espaços já disponibilizam várias ferramentas e imagens que facilitam o
contato com a arte e seus desdobramentos. E, para dar continuidade a este conteúdo
já trabalhado e reafirmar a importância dos espaços virtuais de educação não formal,
uma outra análise se faz necessária. Por isso, dentro da seção que discute curadoria,
reutiliza-se o exemplo do site deste instituto para reflexão sobre as potencialidades
do trabalho de curadoria, buscando evidenciar que este acontece a partir de estudos
profundos sobre obras e artistas. Como exemplo, cita-se, novamente, a exposição "Frida
Kahlo – conexões entre mulheres surrealistas no México" e o trabalho desenvolvido para
montagem desta exposição pela curadoria.
Leia o trecho do texto sobre o processo de construção
da exposição "Frida Kahlo – conexões entre mulheres
surrealistas no México", escrito pela curadora Julia Lima do
Instituto Tomie Ohtake.
Passagens sobre a exposição Frida Kahlo – conexões entre
mulheres surrealistas no México
“Do ponto de vista da pesquisa a ser feita no Brasil, a exposição
Frida Kahlo – conexões entre mulheres surrealistas no México
apresentava um grande desafio: a curadora mexicana Teresa
Arcq propôs a reunião de mais de 100 obras de 15 diferentes
artistas, muitas das quais completamente desconhecidas
pelos pesquisadores e público brasileiro, organizadas numa
grande mostra que tinha como mote as relações que Kahlo
estabeleceu entre elas.
O primeiro passo da equipe de pesquisa do Instituto Tomie
Ohtake para entender essa grande rede foi mapear os pontos
de encontro dos personagens principais dessa narrativa.
Uma linha do tempo que começa ainda em 1880 e poderia
estender até os anos 1970 deu a primeira dimensão da
complexidade das relações, conexões, acontecimentos
históricos e fatos biográficos que serviram como base para
a exposição. As biografias dos artistas misturam-se aos
fluxos de circulação de suas obras, tornando-se essenciais
a um entendimento mais aprofundado dessas conexões.
Frida, evidentemente, foi o critério inaugural para reunir os
outros nomes que a acompanhariam. Primeiramente, todas
as artistas escolhidas tiveram algum tipo de relacionamento
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
130
com ela, do mais íntimo ao mais estritamente profissional, e de
certa forma se conectam mutuamente ao redor e em torno dela,
não tanto como um grupo que se reúne em volta de um líder, mas
como uma rede horizontal sem hierarquias fixadas. No desenho da
linha do tempo, a ordem da pesquisa se reflete na concentração
de ligações ao nome de Kahlo, centro de gravidade da mostra. [...]
Assim, o espaço expositivo ofereceu à pesquisa a possibilidade de
rediscutir, junto ao público da exposição, as intersecções entre as
artistas tanto no âmbito histórico de suas trajetórias quanto nas
aproximações poéticas de suas obras.”
Disponível em: <http://www.institutotomieohtake.org.br/
curadoria/post/passagens-sobre-a-exposicao-frida-kahlo-n-
conexoes-entre-mulheres-surrealistas-no-mexico>. Acesso em:
7 mar. 2016.
Após a leitura do texto acima, reflita sobre a seguinte questão:
• É possível considerar que a apreciação da obra de arte, por
intermédio das correlações e aproximações sugeridas pelo
trabalho do curador, pressupõe constantes alterações na forma
de olhar e compreender o mundo imagético e a própria arte?
1.3 Monitoria
Várias reflexões sobre a importância da arte correlacionar-se com a educação
não formal confere a espaços como museus, galerias e exposições de arte uma
posição de destaque frente à educação formal, já que normalmente esses espaços
são muito mais atrativos. É claro que a escola é indispensável para a construção
do conhecimento, contudo os espaços não formais podem propor formatos que
os aproximam cada vez mais do público. Isto ocorre graças à busca constante de
integração com o público. Essa aproximação deixa claro que existem várias ações
educativas e interativas que estão sendo tomadas no intuito de fazer com que esses
espaços ganhem um maior valor na formação dos indivíduos.
Em razão dessas colocações, é preciso destacar também o papel desenvolvido
pelos monitores na construção do conhecimento em arte. Ficou claro, nesta
seção, que existe uma série de especificidades na criação de uma exposição de
arte e que tais profissionais também objetivam que obra, espaço e público sejam
constantemente aproximados. Sendo assim, destaca-se o papel dos museus, dos
curadores, dos monitores e o papel dos educadores (das escolas formais) para que
todo o processo de apreensão do conhecimento artístico realmente aconteça.
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
131
Você já imaginou o que faz um monitor de arte? Ou quais são os objetivos do
trabalho de um monitor?
Fonte: O Autor.
Figura 3.8 | Agentes envolvidos no processo de apreciação da obra de arte
Curador
Obra
de Arte
Monitor Instiutições
formais
Educador
Instituições
não formais
O que é monitoria?
“A monitoria é uma modalidade de ensino e aprendizagem que contribui
para a formação integrada do aluno nas atividades de ensino, pesquisa e
extensão dos cursos de graduação. Ela é entendida como instrumento
para a melhoria do ensino, através do estabelecimento de novas práticas
e experiências pedagógicas que visem fortalecer a articulação entre
teoria e prática. Trata-se de uma atividade realizada concomitantemente
com o trabalho do professor em sala de aula, requerendo, assim, uma
participação mais ativa e colaborativa dos participantes no processo de
ensino-aprendizagem. O trabalho da monitoria pretende contribuir com
o desenvolvimento da competência pedagógica e auxiliar os acadêmicos
na compreensão e produção do conhecimento. Trata-se de uma
atividade formativa de ensino. Para o monitor, é um estímulo que exige
comprometimento e responsabilidade.”
Disponível em: <http://www.uftm.edu.br/paginas/ensino/cod/337/t/
MONITORIA>. Acesso em: 5 mar. 2016.
Existem várias informações importantes a respeito da formação dos monitores
de exposições de arte. Eles representam o primeiro contato do público com o
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
132
espaço de arte, pois se encarregam primeiramente de recepcionar e orientar todos
os visitantes. Por isso, vale investir na formação e na capacitação desses profissionais.
É importante conhecer todas as possibilidades de formação desses monitores,
uma vez que eles podem ser encontrados em museus, centros de arte, galerias e
exposições, pois essa é uma função extremamente necessária.
Geralmente são educadores formados em Universidades em
cursos de História, de Arte, de Educação e até mesmo de
Comunicação. Eles são Educadores, pois tratam de ampliar a
relação entre o museu e o público, ou melhor, são mediadores
entre a obra de Arte e o público. Monitor é quem ajuda um
professor na sala de aula ou é o que veicula a imagem gerada
no HD,no caso de computadores. Atrelada à palavra vai a
significação de veículo e de falta de autonomia e de falta de
poder próprio. [...] Alguns museus, os mais intelectualizados,
em respeito à nova classe social que neles trabalha estão
conferindo mais dignidade designativa à profissão e
chamando-os de EDUCADORES. Mas, nas megaexposições
como a Bienal de São Paulo eles continuam a ser chamados
de monitores (BARBOSA, 2008, p. 28).
Para que você possa conhecer com mais clareza as atribuições
e os objetivos da monitoria nos museus, vale compreender a
ação educativa desenvolvida pelo Museu Oscar Niemeyer a
seguir:
A arte como instrumento de educação: Museu Oscar
Niemeyer
“Principais objetivos trabalhados: contemplar tanto o público
adulto quanto o adolescente e o infantil; abordar as obras de
arte a partir dos pontos de vista histórico, estético e social;
propiciar um processo de aprendizagem com a participação
ativa do público; trabalhar em parceria com instituições
escolares, mas como espaço educacional independente; ter
sempre em vista as relações entre o museu e seu exterior;
proporcionar visitas guiadas (monitorias).
Monitoria
É a visita orientada por um monitor, que explica os principais
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
133
É necessário pontuar que o trabalho dos monitores é fundamental para a
compreensão das propostas, dos materiais, das poéticas e da percepção geral que
os visitantes terão da exposição. Importante lembrar que, para que uma exposição
de arte aconteça, é preciso que haja a intervenção de vários profissionais ligados à
arte e ao espaço que será utilizado para a exposição, por exemplo, o museu. Por
isso, torna-se preciso que haja a devida valorização e distinção do trabalho desses
profissionais que fazem a mediação, pois eles elucidam muitas questões que são
fundamentais para apreensão do objeto artístico.
Ao observar uma obra de arte, você já ficou se perguntando o que foi trabalhado
pelo artista? Que materiais ele usou? Que texturas seriam aquelas? Como ele
produziu a obra? Qual o suporte? Ou então, com que objetivos ele teria feito sua
obra? Ou qual a poética do artista?
Esses e outros inúmeros questionamentos são normais durante a visita a uma
exposição de arte. No decorrer da visita e da apreciação, diversas curiosidades e
questionamentos surgem para o observador, mas eles podem ser esclarecidos por
meio do trabalho dos mediadores, dos monitores. Alguns teóricos se propõem a
produzir apontamentos claros que identificam a importância da monitoria para a
perfeita compreensão da obra de arte. Imagine-se analisando a descrição da obra
trazida a seguir, depois imagine quantas dúvidas apareceriam sobre questões que
não estão claras na obra ou na própria descrição. Agora você sabe detectar e apontar
a necessidade do trabalho do monitor?
conceitos e informações sobre as mostras. Os monitores, a cada
nova exposição, recebem treinamento oferecido pelo museu em
parceria com artistas e curadores.
Visitas Guiadas
Visitantes em geral e grupos – de estudantes, turistas, professores,
universitários, grupos de inclusão e outros – podem solicitar a
visita guiada. Isto significa que a visita será acompanhada de um
monitor que irá "traduzir" os principais conceitos e informações
sobre as mostras.”
Disponível em: <http://www.museuoscarniemeyer.org.br/acaoedu-
cativa/acao-educativa>. Acesso em: 5 mar. 2016.
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
134
Imagine a pintura a óleo em uma tela de 54,5×65,5cm. Nela,
vemos uma tela sobre um cavalete. Na frente do cavalete, uma
pessoa sentada em uma cadeira pinta a tela, meio de costas
para nós, tendo uma paleta na mão esquerda, um pincel na
mão direita e o seu olhar dirigido para o canto esquerdo:
uma mesa recoberta com um tecido amarronzado com um
ovo branco. Não há identificação do lugar, apenas um fundo
acinzentado. Perdoe a descrição simplificada, mas espero que
meu caro leitor tenha percebido que a cena mostra a ação de
um pintor que parece observar um ovo e pinta a tela. Mas o que
pinta na tela? Excluo essa informação e não mostro a imagem,
pois a provocação mediadora é justamente a pergunta: O que
o pintor estaria pintando? (MARTINS, 2011, p. 313).
Esta seção se constrói em torno de debates acerca da
distinção e compreensão dos agentes que intermediam
o trabalho de ensino em arte em diferentes espaços de
educação não formal. O objetivo dessas informações é
fazer com que o educador possa compreender o quanto
o conhecimento artístico não formal pode influenciar na
construção do sujeito. Poderá também compreender como
os espaços não formais apresentam informações relevantes
que os distanciam, cada vez mais, de ambientes meramente
decorativos.
Nas imagens a seguir, você terá mais informações sobre a
possibilidade de intervenção conceitual de monitores, por
meio de mediações e intervenções propostas em visitas
a exposições e museus. Cabe a você aproveitar todas
as oportunidades, presenciais ou virtuais, de adquirir o
conhecimento sobre arte por meio de visitas monitoradas. E
esse conhecimento somente será estabelecido com o auxílio
de monitorias que buscarão esclarecer diversas dúvidas
sobre a criação artística, os novos espaços de exposição
e como estes correlacionam-se a diferentes temáticas
contemporâneas!
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
135
Fonte: <http://www.inhotim.org.br/visite/visitas-orientadas/>. Acesso em: 1 mar. 2016.
Fonte: <http://www.inhotim.org.br/programacao/?data=1-3-2016>. Acesso em: 1 mar. 2016.
Figura 3.9 | Site do Museu Inhotim oferta a opção de visitas mediadas
Figura 3.10 | Página do museu Inhotim oferece opção de visita mediada a
ambientes temáticos
Acesse o site <https://www.google.com/culturalinstitute/project/street-
art?hl=pt-br>. Acesso em: 1 mar. 2016.
1. O que você acha de solicitar aos alunos a montagem de
uma exposição de atividades artísticas produzidas em sala
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
136
de aula, com direito à eleição de um curador e alguns monitores,
que buscariam aplicar o conhecimento sobre essas profissões
aprendidas anteriormente nas aulas de arte?
2. Diante dos textos apresentados, você acredita que o trabalho
de curadores e monitores seja importante para a construção do
conhecimento em arte?
1. Qual a importância da reflexão acerca das diferentes
possibilidades de disposição de obras numa exposição de arte?
2. A partir dos textos analisados nesta unidade, relembre e
cite alguns espaços de educação não formal que promovem
diferentes ações interativas durante as exposições de arte no
Brasil.
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
137
Seção 2
Patrimônio e conservação
Nesta seção, você terá acesso a informações sobre a importância de considerar a
arte e todos os seus produtos, criações e desdobramentos como parte fundamental da
cultura. Para tanto, deverá compreender que existe uma necessidade de se estabelecer
conhecimentos que definam e destaquem a importância de tais objetos artísticos
para o conhecimento profundo e adequado da história precedente, tanto quanto da
cultura. Essas informações são importantes para que se lancem luzes esclarecedoras
não somente sobre a compreensão das produções precedentes, mas também sobre
as produções contemporâneas. É preciso que se pontue a urgência da valorização
das criações artísticas, já que essas pressupõem conhecimentos a respeito do legado
humano. A valorização e a salvaguarda deverão se tornar, para tanto, palavras de
ordem quando se debate ou se comenta sobre a arte.
2.1 O que é patrimônio cultural?
A palavra patrimôniotem origem no grego pater, que significa paterno. O termo
estaria então subjetivamente ligado à ideia de herança, que é deixada de pai para
filho. E somente com o desenvolvimento do termo é que passou a designar noções
específicas de patrimônio material e imaterial. Portanto, há que se considerar o
termo patrimônio cultural sobre uma ótica mais profunda, uma vez que demanda
considerar outros desdobramentos e classificações.
Acervos de museus, cidades históricas, parques ecológicos,
sítios arqueológicos, prédios, teatros e outros que podemos
tocar são nossos bens materiais. Já os bens imateriais são
os demais, por exemplo, danças (como o frevo), músicas,
festas, a Feira de Caruaru, a capoeira, o modo artesanal de
fazer queijo de minas, os quitutes do tabuleiro das baianas, as
matrizes do samba, no Rio de Janeiro, ou mesmo em religiões,
como o candomblé. No Brasil, o órgão responsável por cuidar
do Patrimônio Histórico Brasileiro é o Iphan (Instituto do
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
138
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Quando o patrimônio
cultural é preservado legalmente e na prática, a memória e a
identidade de uma sociedade são conservadas (FERRARI et al.,
2013, p. 273).
O patrimônio cultural brasileiro é, portanto, constituído de patrimônio material e
imaterial. O patrimônio imaterial é constituído de elementos impalpáveis, como os
modos de fazer da culinária, danças ou festas. Já o patrimônio material faz referência
aos bens materiais como edifícios, igrejas, centros históricos ou obras de arte. Logo,
torna-se preciso esclarecer outras distinções sobre o termo patrimônio material.
Pensando na noção de patrimônio e sua correlação com as produções artísticas,
não há como discutir que os termos são mutuamente dependentes. É indiscutível
a ideia de que todas as linguagens artísticas, formas de criação e apresentação
perpassam por caminhos que levam diretamente aos conceitos e delimitações de
patrimônio cultural. Dessa forma, não há como discorrer sobre o patrimônio cultural
brasileiro sem referenciar ou conectá-lo à arte.
É importante ressaltar que, nas unidades anteriores, o conceito de cultura foi
pontuado e discutido. Agora, faz-se necessário compreender como a arte pode
ser vista como parte integrante do patrimônio cultural, evidenciando, assim, suas
O patrimônio material protegido pelo Iphan é composto por
um conjunto de bens culturais classificados segundo sua
natureza, conforme os quatro Livros do Tombo: arqueológico,
paisagístico e etnográfico; histórico; belas artes; e das artes
aplicadas. A Constituição Federal de 1988, em seus artigos 215
e 216, ampliou a noção de patrimônio cultural ao reconhecer
a existência de bens culturais de natureza material e imaterial
e, também, ao estabelecer outras formas de preservação
– como o Registro e o Inventário – além do Tombamento,
instituído pelo Decreto-Lei nº 25, de 30 de novembro de 1937,
que é adequado, principalmente, à proteção de edificações,
paisagens e conjuntos históricos urbanos. Os bens tombados
de natureza material podem ser imóveis como as cidades
históricas, sítios arqueológicos e paisagísticos e bens
individuais; ou móveis, como coleções arqueológicas, acervos
museológicos, documentais, bibliográficos, arquivísticos,
videográficos, fotográficos e cinematográficos (IPHAN, 2016).
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
139
possíveis distinções e potencialidades enquanto elemento cultural ativo e com
enorme potencial informacional e expressivo.
Para retomar as considerações norteadoras de cultura, é preciso perceber que
devem existir delimitações muito pontuais quanto a esse conceito. Por isso, retoma-
-se as discussões já abordadas na Unidade 1 com o objetivo de conectá-las às novas
informações desta unidade. Sobre as delimitações do termo, Calebre (2007, p. 8-9)
sugere que se deve considerar um “conceito de cultura que englobe o conjunto dos
saberes e dos fazeres, a relação estado e cultura passa a estar presente no conjunto
dos órgãos que compõem o governo”.
Para tanto, a autora propõe que “a elaboração de políticas deve partir da
percepção da cultura como de bem da coletividade e da observação da interferência
nas práticas culturais enraizadas das ações levadas a cabo pelas mais diversas áreas
governamentais (saúde, educação, meio ambiente, planejamento urbano, entre
outras)” (CALEBRE, 2007, p. 9). Não obstante, a pesquisadora sugere, por meio
de suas elaborações, que o conceito de patrimônio cultural deve ser estudado a
partir de compreensões que demandam retomar e reconhecer dados relevantes da
história e da política precedentes e atuais.
Contudo, vários acontecimentos viriam a contribuir para a ampliação da
percepção de importância sobre a produção cultural, que abrangeriam, obviamente,
todas as produções do campo da arte. Patrimônio cultural refere-se ao conjunto de
realizações, manifestações e representações de um determinado grupo, portanto a
herança cultural de todos que participam e contribuem cultural e socialmente. Logo,
o patrimônio cultural pode ser encontrado em todos os lugares e atividades. Sendo
assim, entende-se que o patrimônio cultural encontra-se nas artes, em todas as suas
formas, nas ruas, na dança e na música, nos museus, nas cidades, nos lugares mais
distantes, nas escolas, igrejas e praças, parques, galerias, entre inúmeros outros que
No Brasil a relação entre o Estado e a cultura tem uma longa
história. Entretanto, a elaboração de políticas para o setor, ou
seja, a preocupação na preparação e realização de ações de
maior alcance, com um caráter perene, datam do século XX.
O estudo de tais políticas também é um objeto de interesse
recente. Sobre as décadas de 1930 e 1940 existe um número
razoável de trabalhos que tratam da ação do estado sobre
a cultura. É importante ressaltar que na maioria dos casos
as ações não são necessariamente tratadas como políticas
culturais [...]. A institucionalização da política cultural é uma
característica dos tempos atuais (CALEBRE, 2007, p. 1).
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
140
poderiam ser citados. Pode ser encontrado, portanto, nos modos de fazer, de criar e
de trabalhar de qualquer pessoa, de todas as regiões. O grande objetivo inicial da lei
sobre patrimônio seria o de discutir a importância dessas determinações e destacar
a necessidade da preservação, mantendo vivas a história e a memória de lugares,
povos ou nações.
Em 1972, temos a Carta do México em defesa do Patrimônio
cultural, que apresenta a definição de patrimônio como o
“conjunto dos produtos artísticos, artesanais e técnicos,
das expressões literárias, linguísticas e musicais, dos usos e
costumes de todos os povos e grupos étnicos do passado e
do presente.” Também nesse momento, dentro da convenção
da UNESCO, a Bolívia lidera um movimento pela realização
de estudos que apontassem formas jurídicas de proteção às
manifestações da cultura tradicional e popular. Surgem em
1989, as Recomendações sobre a Salvaguarda da Cultura
Tradicional e Popular da UNESCO, um instrumento legal que
fornece elementos para a identificação, a preservação e a
continuidade dessa forma de patrimônio. Em 2000, temos
no Brasil, a criação do Registro de Bens Culturais de Natureza
Imaterial, dando início ao processo de efetivação de um
campo específico de atuação dentro da área de preservação
de patrimônio (CALEBRE, 2007, p. 9).
Dentre as várias percepções importantes sobre o conceito de patrimônio, uma
das principais diz respeito àquelas que refletem as orientações legais para o termo.
Essas e outras informações podem ser encontradas e acessadas de modo muito
simples, por meio de espaços virtuais disponibilizadoscom o auxílio de sites de
confiança.
Curiosidade
Você sabia que muitas informações sobre conceitos e delimitações sobre
patrimônio cultural brasileiro podem ser encontradas em espaço virtuais
acessíveis. Por isso, a dica é que você visite o site e acesse as publicações!
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
141
Fonte: <http://portal.iphan.gov.br/>. Acesso em: 7 mar. 2016.
Fonte: <http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/218>. Acesso em: 7 mar. 2016.
Figura 3.11 | Página inicial do site do Iphan
Figura 3.12 | Opções de acesso ao site do Iphan
Conceito de Patrimônio Cultural
O Artigo 216 da Constituição conceitua patrimônio cultural como sendo
os bens “de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em
conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos
diferentes grupos formadores da sociedade brasileira”. Nessa redefinição
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
142
promovida pela Constituição, estão as formas de expressão; os modos
de criar, fazer e viver; as criações científicas, artísticas e tecnológicas; as
obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às
manifestações artístico-culturais; os conjuntos urbanos e sítios de valor
histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico
e científico.
O Iphan zela pelo cumprimento dos marcos legais, efetivando a gestão do
Patrimônio cultural brasileiro e dos bens reconhecidos pela Organização
das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como
patrimônio da humanidade. Pioneiro na preservação do patrimônio na
América Latina, o instituto possui um vasto conhecimento acumulado ao
longo de décadas e tornou-se referência para instituições assemelhadas
de países de passado colonial, mantendo ativa cooperação internacional.
Nesse contexto, o Iphan constrói, em parceria com os governos
estaduais, o Sistema Nacional do Patrimônio Cultural, com uma
proposta de avanço disseminada de maneira contínua para os estados
e municípios em três eixos: coordenação (definição de instância(s)
coordenadora(s) para garantir ações articuladas e mais efetivas);
regulação (conceituações comuns, princípios e regras gerais de ação); e
fomento (incentivos direcionados principalmente para o fortalecimento
institucional, estruturação de sistema de informação de âmbito nacional,
fortalecimento de ações coordenadas em projetos específicos).
Trabalhando com esses conceitos e visando facilitar o acesso ao
conhecimento dos bens nacionais, a gestão do patrimônio é efetivada
segundo as características de cada grupo: Patrimônio Material, Patrimônio
Imaterial, Patrimônio Arqueológico, Patrimônio da Humanidade e
Educação Patrimonial.
Disponível em: <http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/218>. Acesso
em: 7 mar. 2016.
Uma forma de proteger, manter e amparar o patrimônio cultural é por meio de
instrumentos que garantem a manutenção e conservação dos bens. Entre eles,
encontram-se os instrumentos de salvaguarda.
A salvaguarda considera os modos de vida e representações de
mundo de coletividades humanas e o princípio do relativismo
cultural de respeito às diferentes configurações culturais e
aos valores e referências, que devem ser compreendidos a
partir de seus contextos. Por outro lado, também é pautada
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
143
no reconhecimento da diversidade cultural como definidora
da identidade cultural brasileira e procura incluir as referências
significativas dessa diversidade (IPHAN, 2016).
2.2 Conservação de bens culturais
Considerando a importância das instituições não formais para a educação e
para a arte, as propostas de contribuição da arte nos mais diferentes lugares como
museus ou galerias e depois de compreender a respeito da relevância das obras
para a formação do patrimônio cultural brasileiro, é preciso refletir agora sobre
quais ações poderão promover a conservação e preservação de todos estes objetos
artísticos.
O objetivo proposto, a partir deste momento, é o de discutir a importância da
preservação dos bens culturais e de suscitar ações de conservação diretas e objetivas
sobre o patrimônio cultural, a fim de buscar sua efetiva salvaguarda. Se em vários
trechos deste livro você estudou sobre a necessidade de valorização do universo
artístico e imagético para a formação do sujeito, agora poderá compreender como
o ato de preservação pode ser fundamental para todas as correlações sugeridas
pelas discussões sobre arte e educação não formal. Como seria possível falar sobre
arte sem determinar a ela seu devido valor histórico, expressivo, comunicacional? E
como determinar o valor das obras sem protegê-las?
Em função dessas colocações, discute-se agora sobre os modos como obras
de arte, sejam pinturas, gravuras, esculturas, entre outras, podem ser poupadas
e preservadas da ação do tempo, do desgaste e da falta de cuidado que podem
condená-las ao desaparecimento. Após várias informações sobre delimitações que
norteiam as definições sobre o patrimônio cultural brasileiro, impõe-se a necessidade
de perceber como todo esse patrimônio pode ser conservado e por consequência
restaurado. O objetivo fundamental desses apontamentos é o de destacar a ideia
de conservação dos bens, tendo como orientação básica manter intacta toda a
Você saberia apontar qual a importância da conservação
e preservação de bens para toda a formação da história da
arte?
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
144
herança artística, cultural e, consequentemente, a memória de determinado tempo
ou região, para as próximas gerações.
A ideia de conservação pressupõe uma atividade que busca a reparação ou
prevenção das ações de degradação das obras de arte e tem como intuito preservar
a integridade e as características originais de cada objeto. Logo, considera-se que
o restauro de obras já comprometidas é uma das grandes armas utilizadas para
conservação. O processo de restauro deve se concentrar em manter a estrutura
inicial proposta pelo artista, sem alterar ou interferir na obra. A ideia não é apagar a
ação do tempo, mas contribuir para a melhor conservação possível do material.
Sobre as etapas do processo de restauro: o museu Oscar Niemeyer
possui um setor especializado que é responsável pela conservação e
restauração.
No passo a passo descrito a seguir, você pode entender melhor como
funciona a restauração de uma pintura a óleo em tela de tecido:
“Retirada do reentelamento – se a obra sofreu restauração anterior,
pode haver um tecido colado à tela. Esse tecido é rasgado e retirado em
movimentos concêntricos, para que a tela não sofra pressão excessiva e
possível craquelamento ou outros danos.
Planificação – é feita para evitar abaulamentos. O processo é realizado
na mesa de calor, com a tela em chassi provisório envolvida a vácuo por
filme plástico resistente ao calor e solventes.
Reentelamento – é necessário para aumentar a resistência da tela
original de algodão. Um tecido é colado com adesivo na tela; os dois são
envelopados e colocados na mesa de calor para planificação.
Limpeza – é feita manualmente com o isopo, que é embebido em
solvente para retirada do verniz antigo, sujidades e outros produtos.
Colocação do chassi – depois de reentelada, a obra é esticada sobre
novo chassi e fixada com tachinhas de latão, que não enferrujam.
Nivelamento e reintegração cromática – se a tela perdeu a pintura
original, essas áreas são niveladas com massa de nivelamento.
Aplicação de verniz – as pinturas a óleo recebem a cobertura de verniz
brilhante e fosco, especiais para obras restauradas.
Moldura e fechamento do verso – a madeira da moldura é tratadacontra
insetos e com conservantes de madeira.”
Disponível em: <http://www.museuoscarniemeyer.org.br/exposicoes/
conservacao-restauracao>. Acesso em: 10 mar. 2016.
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
145
Museus de Arte têm, normalmente, um acervo de obras muito vasto e diverso.
E, por isso, cabe a cada um desses espaços a manutenção de suas obras. Assim,
percebe-se que muitos deles possuem equipes especializadas na manutenção das
coleções. O objetivo é sempre o de manter a integridade dos trabalhos, buscando
conservá-los em bom estado para que as futuras gerações também possam apreciar
todos os trabalhos artísticos disponíveis.
Você sabe como funciona o setor de conservação e restauro de um museu?
Sobre o processo de conservação e restauro das obras do MON (Museu
Oscar Niemeyer)
Laboratório
“Este setor é responsável pela higienização, conservação, restauro e
acondicionamento das obras de arte do Museu, tanto as do acervo
quanto das exposições temporárias e permanentes.
Equipamentos permitem verificar e controlar a umidade e temperatura do
ambiente do acervo ou de exposição. Uma variação muito brusca nestes
dois índices pode provocar danos. A luz também precisa ser controlada.
Filtros ultravioleta são colocados nas lâmpadas e nos vidros para evitar o
envelhecimento precoce em obras feitas com materiais orgânicos, como
papel, tela ou madeira.
Outro equipamento importante no laboratório é o microscópio. Ele
permite identificar se a obra tem algum fungo, se está craquelada (com
rachaduras) e a profundidade da rachadura. Se uma obra de arte estiver
danificada, é preciso restaurar. Este processo envolve diversas técnicas,
que dependem do tipo e da extensão do dano.”
Disponível em: <http://www.museuoscarniemeyer.org.br/exposicoes/
conservacao-restauracao>. Acesso em: 10 mar. 2016.
Fonte: <http://www.museuoscarniemeyer.org.br/exposicoes/conservacao-restauracao>. Acesso em: 19 abr.
2016.
Figura 3.13 | Setor de restauro de obras MON
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
146
Contudo, vale ressaltar que todos estes conhecimentos sobre a importância do
acesso, do contato e da preservação de obra de arte contribuem também para a
formação do sujeito. Esses são praticados a partir de informações que demandam
a divulgação e valorização do trabalho de educação patrimonial. Pensa-se,
consequentemente, que as produções artísticas como parte integrante da cultura
e, portanto, extremamente atreladas a todas as outras produções humanas. Tornar
claros os conteúdos referentes à educação patrimonial é o início de um processo
de conscientização sobre o valor de todas as obras e objetos da arte, já que esses
são bens coletivos e necessários à compreensão de muitos acontecimentos ou
informações sobre a história humana.
“O que é afinal educação patrimonial?
Trata-se de um processo permanente e sistemático de trabalho
educacional centrado no patrimônio cultural como fonte primária
de conhecimento e enriquecimento individual e coletivo. A partir da
experiência e do contato direto com as evidências e manifestações da
cultura, em todos os seus múltiplos aspectos, sentidos e significados,
o trabalho de educação patrimonial busca levar as crianças e adultos
a um processo ativo de conhecimento, apropriação e valorização de
sua herança cultural, capacitando-os para um melhor usufruto destes
bens, e propiciando a geração e a produção de novos conhecimentos,
num processo contínuo de criação cultural. O conhecimento crítico e
a apropriação consciente pelas comunidades do seu patrimônio são
fatores indispensáveis no processo de preservação sustentável desses
bens, assim como no fortalecimento dos sentimentos de identidade e
cidadania.
A educação patrimonial é um instrumento de ‘alfabetização cultural’
que possibilita ao indivíduo fazer a leitura do mundo que o rodeia,
levando-o à compreensão do universo sociocultural e da trajetória
histórico-temporal em que está inserido. Este processo leva ao
reforço da autoestima dos indivíduos e comunidades e à valorização
da cultura brasileira, compreendida como múltipla e plural. O diálogo
permanente que está implícito neste processo educacional estimula e
facilita a comunicação e a interação entre as comunidades e os agentes
responsáveis pela preservação e estudo dos bens culturais, possibilitando
a troca de conhecimentos e a formação de parcerias para a proteção e
valorização desses bens.”
Disponível em:<http://www.cultura.al.gov.br/politicas-e-acoes/patrimonio-
cultural/o-que-e-afinal-educacao-patrimonial>. Acesso em: 7 mar. 2016.
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
147
Educação Patrimonial
“Todas as vezes que as pessoas se reúnem para construir e dividir
conhecimentos, investigar para conhecer melhor, entender e transformar
a realidade que as cerca estão realizando uma ação educativa. Quando
tudo isso é feito levando em conta algo relativo ao patrimônio cultural,
então trata-se de educação patrimonial.
A educação patrimonial constitui-se de todos os processos educativos
formais e não formais que têm como foco o patrimônio cultural,
apropriado socialmente como recurso para a compreensão sócio-
histórica das referências culturais em todas as suas manifestações, a fim
de colaborar para seu reconhecimento, sua valorização e preservação.
Considera-se, ainda, que os processos educativos devem primar pela
construção coletiva e democrática do conhecimento, por meio da
participação efetiva das comunidades detentoras e produtoras das
referências culturais, onde convivem diversas noções de patrimônio
cultural.
O Iphan busca formas de implementar uma postura educativa em
todas as suas ações institucionais. O objetivo é que cada representação
do Iphan no território nacional funcione como centro de diálogo e
construção conjunta com a sociedade de políticas de identificação,
reconhecimento, proteção e promoção do patrimônio cultural. O
Projeto Casas do Patrimônio é a principal iniciativa nesse sentido.
As principais diretrizes que devem nortear as ações de educação
patrimonial decorrem de um longo processo de debates institucionais,
aprofundamentos teóricos e avaliações das práticas educativas voltadas
à preservação do patrimônio cultural. Ao mesmo tempo, são amparadas
em uma série de premissas conceituais: as comunidades devem ser
participantes efetivas das ações educativas; os bens culturais estão
inseridos nos espaços de vida das pessoas; a educação patrimonial é um
processo de mediação; o patrimônio cultural é um campo de conflito;
os territórios são espaços educativos; as ações educativas devem levar
em conta a intersetorialidade das políticas públicas; e é necessária uma
abordagem transversal e dialógica da educação patrimonial.”
Disponível em: <http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/343>. Acesso
em: 7 mar. 2016.
Você sabe qual o papel social do conservador/restaurador?
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
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Assista ao vídeo e pense sobre as possíveis contribuições desse
profissional tão importante para a arte!
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=8XhgapLV0YI>.
Acesso em: 10 mar. 2016.
1. Quais as distinções entre patrimônio material e imaterial?
2. O que é educação patrimonial?
Nesta unidade, você teve acesso a conhecimentos sobre
conceitos de exposição, curadoria, monitoria, patrimônio cultural
e conservação de bens culturais. Por isso, você pôde:
• conhecer a origem dos termos exposição, curadoria, monitoria,
patrimônio e bens culturais para reforçar a compreensão das
potencialidades dos espaços de educação não formal em arte;
• aprender sobre funções importantes para a criação e apreciação
artística como exposiçãoe curadoria;
• refletir a respeito da necessidade de compreensão do valor
cultural da arte e o quanto esse reconhecimento conecta-se à
noção de patrimônio cultural e, consequentemente, à ideia de
conservação e restauração de bens;
• dessa forma, foi possível reconhecer que as informações
trazidas por esta unidade são capazes de reforçar o valor e a
importância de que todos tenham um contato aproximado com
a arte e seus desdobramentos, já que esses também colaboram
para que o conhecimento seja expandido.
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
149
Caro aluno, ao chegar no fim desta unidade você conheceu vários
elementos, funções, espaços, profissionais e termos importantes
para a formação em arte. Logo, todos esses conteúdos se
conectam com as teorias precedentes, estudadas nas unidades
anteriores e reforçam ainda mais a capacidade e potencialidade
da educação não formal em arte.
Fique atento a todas essas informações no decorrer de sua carreira
docente. Incentive seus alunos a frequentar e, acima de tudo, a se
conscientizar da importância destes espaços. Sobretudo, inspire
seus alunos a conhecer mais sobre o universo da arte por meio
de aprofundamentos sobre os profissionais envolvidos nesse
processo e a necessidade de estudo especializado para expansão
do conhecimento artístico. Incentive-os, especialmente, a
valorizar a arte enquanto patrimônio cultural, mantenedor e
portador da memória e da cultura dos povos!
1. De acordo com os textos estudados, cite uma vantagem
atribuída ao contato aproximado entre público em espaços
de exposição de arte.
2. Analise o texto e aponte as principais funções do curador
de arte.
4. Discorra sobre a importância da monitoria para a formação
e o ensino em arte.
3. Na história da arte, alguns artistas colocaram em pauta
discussões que buscavam debater a função dos espaços
expositivos da arte e o valor que tais espaços impunham
sobre a obra ali exposta. Qual artista pode ser citado como
propositor das primeiras ideias que romperam com as
barreiras entre o que é ou não considerado arte?
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
150
5. o Iphan - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico
nacional, desenvolve um trabalho muito importante no Brasil.
Com base na leitura dos textos desta unidade, pesquise quais
são os principais objetivos no trabalho desse instituto.
Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
151
Referências
BARBOSA, Ana Mae. Educação em museus: termos que revelam preconceitos.
Revista museu. 2008. Disponível em: <http://dialogosentrearteepublico.blogspot.
com.br/2008/06/05educao-em-museus-termos-que-revelam.html>. Acesso em: 5
mar. 2016.
CALEBRE, Lia. Políticas culturais no brasil: balanço e perspectivas. III ENECULT –
Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura, Faculdade de Comunicação/UFBa,
Bahia, 2007. Disponível em: <http://www.guiacultural.unicamp.br/sites/default/files/
calabre_l_politicas_culturais_no_brasil_balanco_e_perspectivas.pdf>. Acesso em: 7
mar. 2016.
CHIARELLI, Tadeu (Coord.). Grupo de estudos em curadoria. São Paulo: Museu de
Arte Moderna, 1998.
FERRARI, Solange dos Santos Utuari et al. Arte por toda parte. São Paulo: FTD, 2013.
GONÇALVES, Lisbeth Rebollo. Entre cenografias: o museu e a exposição de arte no
século XX. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo/Fapesp, 2004. Disponível
em: <https://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=8J04RpVUWwIC&oi=f
nd&pg=PA13&dq=exposi%C3%A7%C3%A3o+de+arte&ots=1m7UxUmjDV&sig=eq9
EixwzSdkuN4QqOljt4xzoMG0#v=onepage&q=exposi%C3%A7%C3%A3o%20de%20
arte&f=false>. Acesso em: 2 mar. 2016.
IPHAN. Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. 2016. Disponível em:
<http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/418>. Acesso em: 7 mar. 2016.
MARTINS, Mirian Celeste. Arte, só na aula de arte? Educação, Porto Alegre, v. 34, n. 3,
p. 311-316, set./dez. 2011. Disponível em: <http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.
php/faced/article/viewFile/9516/6779>. Acesso em: 7 mar. 2016.
MARTINS, Mirian Celeste (coord.). Curadoria educativa: inventando conversas. Reflexão
e Ação – Revista do Departamento de Educação/UNISC – Universidade de Santa
Cruz do Sul, v. 14, n.1, jan./jun. 2006 p. 9-27, 2006.
MARTINS, Mirian Celeste; PICOSQUE, Gisa. Inventário dos achados: o olhar do
professor-escavador de sentidos. 4. Bienal. Porto Alegre: Fundação Bienal de Artes
Visuais do Mercosul, 2003.
VÁLIO, Luciana B. M. Mapeando a complexidade da exposição de arte: é possível avaliá-
la? 2008 (Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciência da
Informática), Área de concentração Cultura e Informação, São Paulo, 2008. Disponível
em: <file:///C:/Users/Admin/Downloads/5215412%20(1).pdf> Acesso em: 1 mar. 2016.
152 Conceitos de exposição, curadoria, monitoria e conservação de bens culturais
U3
VERGARA, Luiz Guilherme. Curadorias educativas, a consciência do olhar: percepção
imaginativa – perspectiva fenomenológica aplicadas à experiência estética. In: Anais
ANPAP, 1996, Congresso Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas, p. 240-247.
Unidade 4
PRÁTICAS PEDAGÓGICAS EM
SALA DE AULA
A primeira seção apresenta discussões em torno dos novos desafios para
aproximações entre educação formal e não formal. Discute sobre diferentes
práticas introdutórias, ações educativas e propostas metodológicas que
abordem os museus e a arte-educação. Do mesmo modo, reflete a respeito
de propostas que busquem auxiliar na superação dos desafios da aproximação
entre espaços formais e não formais de arte. Essas informações convergirão
em debates sobre as potencialidades da visita a exposições de arte, abrangendo
também, propostas e sugestões introdutórias de intervenção.
A segunda seção proporcionará a oportunidade da investigação das
Seção 1 | Novas práticas para a arte-educação: desafios de
aproximação entre educação formal e não formal
Seção 2 | Reflexões sobre o museu virtual como prática
educativa
Objetivos de aprendizagem:
Nesta unidade, você irá rememorar diversos conteúdos relevantes abordados
durante as unidades anteriores para que esses possam servir de anteparo
para novas propostas práticas de arte-educação que explorem ações entre a
educação formal e não formal. Além disso, reconhecerá as potencialidades de
espaços virtuais significativos de disseminação do conhecimento em arte e que
se encontram disponíveis atualmente. Você distinguirá também várias opções
de espaços que disponibilizam ações que correlacionam arte, obra, público e
museus e que poderão ser utilizadas durante suas aulas de arte.
Tatiana Romagnolli Peres
Praticas pedagógicas em sala de aula
U4
154
potencialidades dos museus virtuais nas práticas educativas. Toma como
ponto de partida a ideia de que na contemporaneidade é impossível não
aproximar instrumentos do universo tecnológico das aulas de arte. Aborda a
utilização de espaços não formais e seus devidos instrumentos de educação,
como aqueles ofertados por museus virtuais, como fundamentais para
promover a aproximação e o estímulo ao estudante contemporâneo.
Praticas pedagógicas em sala de aula
U4
155
Introdução à unidade
Na Unidade anterior, você teve a oportunidade de conhecer as potencialidades
de formação em arte suscitadas por diferentes espaços de educação não formal
por intermédio de ações sugeridas pela intervenção desenvolvida por exposições,
curadorias ou monitorias. Compreendeu como é importante correlacionar e utilizar
os espaços não formais de arte em busca de formas mais completas de aproximação
e valorização do conhecimento artístico. Entendeu que essas formas de romper com
as barreiras propostas pelas imagens impressas podem setornar um grande atrativo
para os alunos, podendo estimular muito mais a participação e a compreensão das
funções e potenciais da arte. O grande destaque desta seção é tornar a convivência
com obras e espaços públicos de apreciação instrumentos possibilitadores da
construção do conhecimento, que podem e devem ser empregados nas salas de
aula tradicionais. O que importa não é somente evidenciar as práticas utilizadas
dentro e fora da escola, mas condensar energias para que ambas possam convergir
para um bem comum. Essa conversão perpassa, nesta unidade, pela interação com
a educação museal.
Após adentrar nesse universo, cabe agora refletir sobre diferentes propostas
de ensino que abordam a aproximação de espaços formais e não formais. Tais
aproximações tendem a elevar a educação em arte a patamares que realmente
estimulam e promovem reflexões críticas com outros conteúdos ou outras áreas
de conhecimento. Essas percepções abrangem também um remodelamento nos
modos como as informações ou as temáticas da arte são abordadas pelo educador.
Considera-se, desse modo, que, a partir do desenvolvimento das tecnologias e
mídias, cabe ao educador romper com percepções isoladas da imagem e da arte,
propondo outros espaços para exploração e ampliação do conhecimento. Logo,
conclui-se que essa ideia de divulgação das potencialidades da educação não formal
implica numa efetiva transformação de posturas de professores e mediadores que,
desta forma, poderão nortear a formulação das aulas de arte a partir de diversos
espaços físicos ou virtuais, tornando concretas as aproximações entre estudante e
arte, entre público e obra.
Praticas pedagógicas em sala de aula
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156
Praticas pedagógicas em sala de aula
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Seção 1
Novas práticas para a arte-educação:
aproximação entre educação formal e não formal
Nesta Seção, você será levado a conhecer diferentes aplicações para os conteúdos
trabalhados durante as Unidades 1, 2 e 3. Por isso, a Unidade 4 buscará evidenciar
exemplos e ideias para a transposição de conteúdos ou de temas relevantes para
a formação em arte. Dessa forma, serão sugeridos alguns encaminhamentos
pedagógicos para sala de aula com o objetivo de contribuir para a construção de
práticas que possam articular correlações entre educação formal e não formal.
Destaca-se que vários importantes assuntos referentes à educação não formal
serão recolocados e relembrados para que possam orientar as propostas aqui
elencadas. O objetivo desta seção se estabelece e se concretiza a partir da valorização
de ideias que possam vislumbrar novas percepções da utilização e da aproximação
entre a educação formal e não formal, valorizando obras e artistas advindos dos
mais diferentes espaços. Por meio dessas ideias, esta seção busca evidenciar
como a observação e a convivência com imagens, obras e objetos artísticos pode
enriquecer e aguçar o gosto pelo conhecimento estético, contribuindo também
para a formação em arte.
MUSEU DE TUDO
Este museu de tudo é museu
Como qualquer outro reunido;
Como museu, tanto pode ser
Caixão de lixo ou arquivo. [...]
É depósito do que aí está,
Se fez sem risca ou risco
(MELO NETO, 2009).
Praticas pedagógicas em sala de aula
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1.1 Os novos desafios para a aproximação da educação formal e
não formal
Depois de conhecer as potencialidades implícitas e explícitas dos espaços de
educação não formal, é hora de explorar práticas que amparem a educação formal,
ou seja, as aulas de Arte nas escolas. Assim, é preciso lembrar que muitos espaços
de educação não formal também têm como objetivo elaborar propostas alternativas
que possam vir a contribuir para ampliação do conhecimento em arte. Buscam, do
mesmo modo, o aumento do acesso à diversidade cultural por meio da sensibilização
de diferentes áreas do conhecimento artístico sugeridas pela contemporaneidade,
visando conquistar crianças, adolescentes ou público em geral.
É notável que nos últimos anos houve um aumento significativo na oferta de
ações, promovidas por espaços não formais no intuito de tornar mais acessíveis tais
ambientes. Nota-se, como visto nas unidades anteriores, uma sequência de atitudes
que buscam viabilizar a acessibilidade e o contato com espaços não formais como
museus, galerias, exposições, centros de cultura, entre outros. O museu tem se
tornado, desde então, um espaço de criações, de narrativas das diferentes culturas.
E, com o objetivo de criar novos vínculos e de se estabelecer como ambiente
significativo de aprendizagem, muitos buscam, na divulgação em espaços virtuais,
o mote principal de intervenções diretas com o público. Assim, as mídias têm se
tornado excelentes vias de acesso à obra, principalmente para regiões mais distantes
do circuito tradicional da arte.
Todas as propostas e ações que tendem a valorizar espaços de educação não
formal em arte precisam ter como parâmetro básico a criatividade e boa orientação
amparada por muita divulgação. E, para enfatizar ainda mais a devida valorização
desses ambientes, cabe ao educador/mediador propor cotidianamente práticas
que busquem vivenciar, experimentar e conhecer verdadeiramente obras e objetos
artísticos que ultrapassem experiências superficiais. É preciso evidenciar que práticas
que enfatizam a simples observação de imagens impressas, muitas vezes, com baixa
resolução, em preto e branco, ou extremamente difíceis de visualizar nos raros livros
de arte das escolas podem ser bastante reducionistas na formação em Arte.
Entende-se, portanto, que a escola se tornou a grande responsável pelo processo
formal de educação em arte. Entretanto, os espaços não formais ocupam-se
constantemente de alternativas extracurriculares que produzem encantamentos
e desvelamentos que podem contribuir para a formação dos sujeitos. Para que
formações que se complementam possam ocorrer num movimento conjunto, para
que a educação formal possa trabalhar lado a lado com a educação não formal,
é necessário que os educadores tenham consciência de que os currículos e suas
respectivas aulas precisam estar mais abertos, flexíveis e voltados para os interesses
dos grupos que compõem o entorno dos ambientes onde se encontram as escolas.
Em síntese, busca-se uma formação em arte cujo ponto de partida é a
Praticas pedagógicas em sala de aula
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interlocução entre diferentes ambientes. Desse modo, para que haja uma formação
enriquecedora de todos os indivíduos, é preciso, sobretudo, uma conscientização
da necessidade de unir os esforços da educação formal e da não formal que possam
promover mecanismos de ampliação do conhecimento, inclusão e transformação
social.
Sobre a importância dos museus e das possíveis interações sugeridas por
estes espaços, leia o texto a seguir e acesse o site para mais informações.
Ao Brasil, seus museus
Mais do que casas da memória, museus são casas da vida de um país.
Espaços que assumem cada vez mais sua função social junto à população,
enquanto casas de conhecimento, vivência e transformação. O brasileiro
precisa de museus que sejam verdadeiramente seus, capazes de relacionar
uma nação consigo própria, cada pessoa com ela mesma, nosso passado
e nosso futuro. O Ministério da Cultura tem trabalhado para isso, por meio
do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), para que esses espaços sejam,
de fato, do Brasil, apropriados por todos os brasileiros. Não faz muito
tempo, museus eram vistos como instituições aristocráticas, distantes
do povo, reservados aos ‘iniciados’. Aos poucos, isso começa a mudar,
os museus se fortalecem como espaços mais próximos da população,
que não precisam apenas existir para serem públicos, precisam também
interagir; não só abrir portas, mas também abrir caminhos. Uma série
de fatores explica essa mudança, como a diminuição das desigualdades
sociais e o início do processode democratização da cultura, que marcam
a vida recente do nosso país. Além disso, essas instituições também se
multiplicaram, se modernizaram e ampliaram o seu repertório.
Disponível em: <http://www.museus.gov.br/wp-content/uploads/2011/05/
gmb_sudeste.pdf>. Acesso: 23 mar. 2016.
Contudo, para que as ações educacionais de espaços não formais, como dos
museus, possam se concretizar e produzir resultados significativos, é preciso que
muitas das abordagens metodológicas sofram transformações, concomitantemente,
é claro, com alterações curriculares. Em várias escolas, ainda existe muita resistência
com relação às práticas artísticas e muitos professores ainda não estão preparados
para compreender as diferenças entre aulas tradicionais como de Português, Física
ou Matemática e as aulas de Arte. Em muitas regiões, ainda é inviável o acesso a
exposições de arte ou a museus e, mesmo em lugares onde esses espaços são
Praticas pedagógicas em sala de aula
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160
de fácil acesso, ainda existe, principalmente em escolas públicas, a dificuldade de
locomoção dos alunos para visitação a exposições em razão da falta de recursos
financeiros.
O objetivo desta seção é sugerir diversas possibilidades de acesso a exposições e
museus por meio de ambientes alternativos e acessíveis a todos.
Atualmente, diversos sites trazem informações de extrema relevância para
o universo imagético e artístico. Para conhecer mais sobre esses ambientes
virtuais e seus acervos, basta uma pesquisa rápida pela internet!
“Sinopse – a série Conhecendo Museus apresenta, com detalhes, os
principais museus do Brasil. O objetivo é divulgar bens e valores culturais
da humanidade, democratizando o conhecimento protegido por essas
instituições. Ao longo de 52 episódios e passando por todas as regiões
do país, o projeto tanto promove o resgate da memória brasileira –
inscrita nos objetos, obras de arte e documentos –, consolidando-a num
conjunto de informações acessíveis, como colabora na formação e no
apuro da consciência crítica dos telespectadores, em particular os mais
jovens”.
Fonte: <http://tvescola.mec.gov.br/tve/videoteca/serie/conhecendo-museus>. Acesso em: 22
mar. 2016.
Figura 4.1 | Página inicial do site
Praticas pedagógicas em sala de aula
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Disponível em: <http://tvescola.mec.gov.br/tve/videoteca/serie/conhecendo-museus>. Acesso
em: 22 mar. 2016.
Figura 4.2 | Continuação da página inicial do site
Mediante todas essas questões sobre os conhecimentos possibilitados pela
tecnologia contemporânea, ainda é preciso que se tente, cotidianamente,
construir uma educação em arte com qualidade. É imprescindível que se busque
colaborar, efetivamente, para valorização do pensamento crítico e da sensibilidade
estética, compreendendo, acima de tudo, que a arte pode, sim, se propor como
um mecanismo de elucidação de signos e seus subsequentes significados. Logo,
entende-se por pensamento crítico, a capacidade de analisar informações imagéticas
que devem ser valorizadas.
Como se pode notar, é por meio da necessidade de criação ou de apreciação
do universo artístico que o educador/mediador pode promover a conscientização
da arte. A experimentação e a convivência cotidiana com obras se tornariam, dessa
forma, excelentes mecanismos propositores do aguçamento de tais sensibilidades e
também sobre a conscientização da relevância da arte.
Como podemos aproximar ações educativas de espaços
formais e não formais?
Nas imagens a seguir, você pode identificar algumas ações
apresentadas na série de vídeos Conhecendo Museus (TV escola)!
Praticas pedagógicas em sala de aula
U4
162
Você pode utilizar os vídeos desta série como ponto de partida
para aproximação dos espaços de educação formais e não
formais. Os vídeos podem ser facilmente acessados e utilizados
em suas aulas de Arte, já que esses são produzidos a partir de
um rico universo informacional e imagético. Eles podem ser uma
boa alternativa para escolas que possuem salas de informática
com computadores para todos os alunos ou para escolas com
acesso à internet. Se a escola não possuir internet, o professor
pode baixar e reproduzir as informações em vídeo para os
alunos, elaborando aulas mais dinâmicas e a partir de ambientes
concretos de arte.
Fonte: <http://tvescola.mec.gov.br/tve/video/conhecendo-museus-pinacoteca-do-estado-de-sao-
paulo>. Acesso em: 26 abr. 2016.
Fonte: <http://tvescola.mec.gov.br/tve/video/conhecendo-museus-pinacoteca-do-estado-de-sao-
paulo>. Acesso em: 26 abr. 2016.
Figura 4.3 | Vídeo Conhecendo Museus – Pinacoteca de São Paulo/
Acesso virtual
Figura 4.4 | Vídeo Conhecendo Museus – Pinacoteca de São Paulo/
Acesso virtual
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Cumpre analisar neste momento que diversas atividades e ações podem ser
sugeridas, objetivando aproximar os espaços formais e não formais de educação
em arte. Assim, vale destacar algumas orientações que podem contribuir para tal
aproximação: traçar metas para a redefinição de metodologias para a criação,
apreciação e fruição da arte que sejam contempladas no processo de ensino-
-aprendizagem produzido em espaços de educação formal e não formal; estabelecer
uma relação de proximidade entre escolas e espaços de educação não formal,
como museus ou centros de arte; valorizar o conhecimento sobre arte proposto
em mediações; promover a alfabetização visual com o intuito de estabelecer e
reconhecer o valor da imagem; conscientizar os alunos (público apreciador) sobre
a importância da formação em arte através dos espaços de educação não formal e,
por fim, identificar e enfatizar a educação de espaços não formais como de extrema
importância para a formação de sujeitos críticos.
Como o MASP promove programas de colaboração com escolas:
interação entre espaços formais e não formais de arte!
“Nas últimas décadas, as práticas educativas nos museus se ampliaram
exponencialmente. Mesmo com particularidades, o modelo das visitas
guiadas/mediadas/orientadas com duração média de 1 hora e 30 minutos
tornou-se o ponto em comum entre os diferentes projetos. Deste modo,
visitas tornaram-se o fundamento da experiência pedagógica nos
museus. Escolas são comunidades com culturas próprias, que agregam
alunos, funcionários, professores e familiares em relações de longa
duração e com muitos formatos. Surge daí o desejo de construir, no
MASP, uma relação pedagógica a partir de novas formas de colaboração,
em uma perspectiva contemporânea e experimental.
O MASP busca colaborar com professores, educadores e estudantes de
qualquer área, que busquem no museu uma experiência integrada aos
seus próprios projetos pedagógicos. E o que a escola pode aprender
com o museu ou o que o museu pode aprender com a escola? O museu
consegue, assim como as escolas ou através delas, virar um espaço de
encontro e ação comunitária? É possível fazer experimentações entre
museu e escola que vão além de visitas às exposições?
Premissas:
- Trabalhar em pequena escala, mas com o tempo ampliado.
- Valorizar a inteligência que surge das experiências sociais, histórias
pessoais e do corpo.
- Integrar práticas pedagógicas e exposições não como fim, mas como
meio.
- Possibilitar situações, mais do que projetos com resultados.
Praticas pedagógicas em sala de aula
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164
- Entender o museu como uma plataforma para a vida pública e a cidade.”
Disponível em: <http://masp.art.br/masp2010/mediacaoeprogramaspublico_
colaboracao-com-escolas.php>. Acesso em: 16 mar. 2016.
Vários sites trazem diversos exemplos de museus virtuais no Brasil e no
mundo. Alguns desses museus são encontrados no endereço a seguir.
Acesse e aproveite!
Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/link.html?uf=SP&categoria=5>. Acesso em:
22 mar. 2016.
Figura 4.5 | Links para museus disponíveis nosite Portal do professor
Atualmente, diversos sites têm proposto discutir arte por meio de ações que
podem auxiliar a aula da referente disciplina em escolas formais. São várias as
sugestões de projetos ou materiais disponíveis em .PDF que podem ser usados por
professores de Arte para a melhora de suas práticas e do subsequente interesse dos
alunos. Muitos espaços fornecem gratuitamente uma infinidade de materiais para
auxiliar também na proposição de temáticas ou intervenções entre espaços formais
e não formais de arte.
Praticas pedagógicas em sala de aula
U4
165
Em vários momentos, tem se falado sobre a importância da apreciação
de obras de ambientes não formais como museus ou galerias. Pensando
na apreciação destas obras, é possível relembrar que a leitura de imagens
pode ser uma questão presente. No site a seguir, você poderá ter acesso
a materiais que irão auxiliar na leitura de obra de arte ou das imagens
observadas nos vários espaços sugeridos neste livro. Todas essas
práticas e as leitura de obras, em ambientes físicos ou virtuais, podem ser
usadas por você, professor, como ponto de partida para intervenções e
interações entre escolas, museus, exposições ou galerias!
“Com a arte br nas mãos, acreditamos poder contribuir para um processo
de ensino e aprendizagem da leitura da imagem da arte, tanto em sala
de aula como nos museus e outros espaços de cultura e arte do Brasil.
Foi intentando oferecer subsídios aos professores para o trabalho com a
leitura da imagem que esse material foi projetado e realizado. Sabemos
que, na mão dos professores, ele irá ganhar sua dimensão concreta, que
é fazer de nossos alunos, leitores competentes de imagens da arte e do
mundo. O material disponibiliza ao professor 36 reproduções de obras
de arte, uma linha do tempo, um caderno introdutório e 12 cadernos de
estudo para que, ao escolher a imagem com que deseja trabalhar, este
encontre caminhos e possibilidades para a elaboração de sua aula.
Os cadernos sugerem um modelo metodológico que se repete. A
metodologia é a mesma em todos eles, mas cada um deles é original e
singular, ao trabalhar um tema por meio de um conjunto de três obras
de arte que conduzem um percurso de leitura e interpretação próprias
desse conjunto. Na trilha da metodologia surgem infinitas possibilidades
de estudo para e nos diferentes cadernos. Como o material investe na
Fonte: <http://artenaescola.org.br/artebr/sobre/>. Acesso em: 19 abr. 2016.
Figura 4.6 | Site que explica e disponibiliza o Arte br
Praticas pedagógicas em sala de aula
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166
leitura da imagem a partir do contato direto do leitor com ela, as sugestões
de visita aos museus perpassam todo o material. As reproduções de obras
que a arte br oferece, encaminham à descoberta e à invenção de alguns dos
percursos que o material propõe. Ele só estará completo quando chegar a
sala de aula, e para isso será necessário que vocês, professores, apropriem-se
dele e o coloquem em prática. [...] A leitura de imagem proposta pela material
arte br fundamenta-se na teoria da semiótica greimasiana, a qual entende a
arte como linguagem e o objeto de arte como texto visual. Assim a proposta
do arte br é oferecer a imagem da arte aos olhos leitores antes mesmo da
biografia dos artistas ou das informações históricas sobre ele ou sua obra. É
na corrente desse pensamento que invertemos uma sequência de trabalho
que é de uso vigente entre os professores de arte – oferecer a biografia do
artista antes de oferecer sua obra. Assim sendo, a provocação primeira de
arte br é experimentar um novo caminho: o de olhar a obra de arte por um
bom tempo, antes de receber qualquer outra informação sobre ela.
Escolham uma imagem e deixem seus olhares serem seduzidos por ela. Só
depois de olhá-la no tempo, estude o caderno em que ela se insere e elabore
a sua aula, a partir dos percursos de leitura disponibilizados. Experimente
os passos propostos para perceber o que eles poderão acrescentar à sua
experiência de professor ” (BUORO, 2012, p. 1, grifo nosso).
Disponível em: <http://artenaescola.org.br/sala-de-leitura/artigos/artigo.
php?id=69309>. Acesso em: 16 mar. 2016.
A seguir, você tem acesso a uma dica de proposta interativa sugerida por
museu, que não é especificamente um museu de arte, mas que tende
a evocar a participação e a ampliação do conhecimento por meio de
diferentes intervenções. Acesse o site e aprofunde-se nas informações!
Fonte: <http://www.mao.org.br/conheca/acervo/>. Acesso em: 16 mar. 2016.
Figura 4.7 | O museu vai à escola
Praticas pedagógicas em sala de aula
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“O Museu de Artes e Ofícios – MAO – é um espaço cultural que abriga
e difunde um acervo representativo do universo do trabalho, das artes
e dos ofícios no Brasil. Um lugar de encontro do trabalhador consigo
mesmo, com sua história e com seu tempo”.
Intervenções que aproximam diferentes espaços de construção do conhecimento
em arte ainda são pouco difundidas na elaboração da prática docente. Por isso,
espera-se que possibilidades de aproximação entre espaços formais e não formais
para formação em arte possam contribuir para avanços no que diz respeito à
construção de sujeitos mais críticos e que possam constantemente cooperar com o
desenvolvimento da sociedade. Este livro vem exatamente reafirmar o valor dessas
relações entre os diferentes espaços, destacando o quanto o contato direto com
a arte pode instigar potencialidades adormecidas. Já há algum tempo se discute
sobre a necessidade de aulas que relacionem o conhecimento científico, a vivência
e o cotidiano dos alunos. Assim, nasce a ideia de aproximar todas estas formas de
conhecimento por meio de ambientes que busquem promover e divulgar a arte,
como os espaços formais e não formais. Logo, essas orientações coincidem com as
bases fundamentais da educação museal, que tem como princípio a reflexão sobre
ideias e objetos que visam correlacionar-se de forma dinâmica com a memória, a
identidade, a salvaguarda e celebração do passado, de grupos ou épocas.
Embora os museus sejam um dos dispositivos privilegiados
através dos quais o passado é apresentado ao público, não
podemos esquecer que isso é feito por uma diversidade de
instituições, meios e práticas. No entanto, não podemos
perder de vista que, como instituição dedicada à memória
e à celebração do passado, os museus desempenham um
papel fundamental na construção de ideologias e identidades
nacionais e sociais. Os museus já foram tidos como grandes
centros da produção de conhecimento, principalmente os
Museus de História Natural, no entanto, ao longo do século
XX e especialmente depois da Segunda Guerra Mundial,
as universidades foram se transformando nos centros de
pesquisa e inovação por excelência. Porém, os museus
continuam ainda hoje a abrigar coleções que são importantes
fontes tanto para a pesquisa como para o entretenimento e a
educação (FALCÂO, 2009, p. 13).
Praticas pedagógicas em sala de aula
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168
Além de desempenhar o papel educacional, o museu se apresenta ainda como
um espaço de preservação das culturas. E é exatamente essa vinculação com a
proposta educacional dos museus que o professor de Arte deve explorar por
meio do consumo de todas as outras sugestões oferecidas por estes espaços,
que somente nas últimas décadas ganharam força e destaque. Dessa maneira, os
museus contam atualmente, e cada vez mais, com uma gama enorme de atividades
educativas que buscam contribuir para a construção do conhecimento e exploração
das potencialidades da arte.
Podem ser entendidas como práticas educativas atividades
tais como: visitas “orientadas”, “guiadas”, “monitoradas”
ou mesmo “dramatizadas”, programas de atendimento e
preparo dos professores, oficinas, cursos e conferências,
mostras de filmes, vídeos, práticas de leitura, contação dehistórias, exposições itinerantes, além de projetos específicos
desenvolvidos para comemorar determinadas datas e servir
de suporte para algumas exposições. Além dos materiais
educativos e informativos editados com a finalidade de
servir a estas práticas, tais como: edição de livros, jogos,
guias, folders e folhetos diversos, folhas de atividades, kits
de materiais pedagógicos, áudio-guide (guia auditivo),
aplicativos multimídias, CD-ROM, site institucional na internet
etc. (FALCÂO, 2009, p. 16).
O Museu de Arte Contemporânea (MAC/USP) oferece espaço onde discute
ações interativas com professores. Roteiros de Visita disponibiliza 50
fichas com as quais você terá subsídios para tecer relações entre as obras.
Acompanhe, nas informações a seguir, alguns elementos desta proposta!
Fonte: <http://www.macvirtual.usp.br/mac/templates/projetos/roteiro/roteiro.asp>. Acesso em: 19 abr. 2016.
Figura 4.8 | Site do Museu experimental / USP MAC
Praticas pedagógicas em sala de aula
U4
169
Neste espaço, você poderá encontrar uma série de materiais que irão
auxiliá-lo nas explicações nas visitas ao museu (virtual ou não). São
apresentadas fichas de obras de vários artistas com descrições e análises
minuciosas das obras. As fichas trazem também sugestões de aproximações
práticas para compreensão das poéticas dos artistas referenciados. Enfim,
esse é um espaço virtual repleto de possibilidades de exploração e de
aproveitamento nas práticas da sala de aula.
Cada roteiro de visita das obras do acervo está dividido em apresentação,
carta ao professor, ficha do artista e orientações sobre a obra, aproximações
(com sugestões de atividades), roteiro e referências. Um material muito
interessante e instigante para diversas propostas e compreensões sobre
arte!
Como sugestão de espaços virtuais interativos, o museu lúdico (MAC USP)
é uma excelente opção. O site oferece visitas interativas com a opção de
acesso a jogos on-line (desenho, pintura, quebra-cabeças, réplica para
visualização em 3D, música, entre outros) que usam obras contemporâneas
como ponto de partida. Esse espaço pode ser utilizado principalmente
com crianças.
Fonte: <http://www.macvirtual.usp.br/mac/templates/projetos/roteiro/fichas.asp>. Acesso 19 abr. 2016.
Fonte: <http://www.macvirtual.usp.br/mac/ludico.html>. Acesso em: 26 abr. 2016.
Figura 4.9 | Lista de alguns artistas e suas fichas descritivas
Figura 4.10 | Página inicial do museu lúdico (MAC USP)
Praticas pedagógicas em sala de aula
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170
Fonte: <http://www.macvirtual.usp.br/mac/ludico.html>. Acesso em: 26 abr. 2016.
Figura 4.11 | Exemplo de atividade disponível no site
Confira algumas informações sobre o valor dos museus na prática docente
na perspectiva do setor de arte-educação do MAC! Eles apontam como
é necessária a orientação antecipada dos professores para um melhor
aproveitamento das obras em exposição.
Carta ao Professor: Colega professor/a,
“Nos últimos anos os museus afirmaram-se como espaços de educação
essenciais no processo de ensino e aprendizagem. Cabe aos educadores
de museus desenvolver recursos que intensifiquem a utilização desse
potencial educativo privilegiado. No caso específico do ensino de arte, o
contato com as obras originais é insubstituível.
Desde 1984 – ano em que começa a ser estruturado o setor de arte-
educação do MAC USP, hoje Divisão Técnico-Científica de Educação e
Arte – temos desenvolvido formas de abordagens pedagógicas da arte e
colaborado com a formação do público de arte contemporânea.
Roteiros de Visita foi criado com o objetivo de estimular a proximidade
de professores e alunos com as obras do acervo do MAC USP, por
meio de recursos que auxiliem no planejamento, no aproveitamento
e no desdobramento das visitas ao museu. Pretendemos com o uso
deste material didático que você se sinta mais confortável e com maior
autonomia ao percorrer as exposições do MAC USP com os seus alunos.
Cada ficha, como esta, é acompanhada pela reprodução de uma das 50
obras do acervo do MAC USP selecionadas para compor este material. Os
critérios para a escolha das obras foram a sua relevância dentro de um
determinado panorama da arte do século XX e a sua recorrente seleção
pelas curadorias do museu, garantindo que este material possa, de fato,
ser utilizado em paralelo às exposições.
Os conteúdos são abordados de modo a incentivar a postura de
professor pesquisador. Queremos trocar experiências, acreditando que
juntos poderemos aprimorar nossa práxis educacional e cultivar valores
Praticas pedagógicas em sala de aula
U4
171
necessários à sociedade contemporânea.”
Fonte: <http://www.macvirtual.usp.br/mac/templates/projetos/roteiro/
carta.asp>. Acesso em: 22 mar. 2016.
Veja essa outra proposta educativa que pode colaborar para a
aproximação entre espaços formais e não formais! O MASP oferece
oficinas de desenho para crianças como sugestão de intervenção do
espaço não formal!
Oficina de Desenho: Histórias da Infância
Com novas sessões, as oficinas recebem crianças de 5 a 7 ou 8 a 11 anos
no MASP, para conhecer as obras da coleção desenhando! A proposta
é parte do programa que inclui a exposição Histórias da infância,
que será inaugurada em abril de 2016. A exposição reunirá obras que
retrataram crianças e a ideia da infância ao longo dos séculos, no sentido
social, cultural, político e artístico. A oficina de desenho, então, é uma
provocação: por que as próprias crianças não contam suas histórias, no
lugar dos adultos?
Disponível em: <http://masp.art.br/masp2010/mediacaoeprogramaspublico_
oficinadedesenho.php>. Acesso em: 19 mar. 2016.
1.2 Visitando exposições de arte: discussões, propostas e sugestões
introdutórias
Uma das questões mais importantes neste livro é destacar o valor em aproximar
diferentes espaços de educação sobre arte para que juntos possam contribuir para a
formação plena e eficaz de sujeitos mais criativos e reflexivos. Por isso, compreende-se
que a visita a ambientes que promovam a arte pode ser bastante instigante e produtiva.
Muito já se discutiu nas seções anteriores sobre a potencialidade de espaços de
educação não formal. Contudo, agora ter-se-á apontamentos muito precisos quanto
à transposição e aplicação destas aproximações. Assim, é preciso adentrar no universo
das práticas do ensino de arte para investigar e explorar exemplos e sugestões de
metodologias que busquem a aplicação de todo o conteúdo anteriormente abordado.
Evidenciando-se, portanto, a importância da visita das instituições formais (escolas)
a espaços não formais de arte (museus, exposições, galerias, centros de cultura,
entre outros), você tornará palpável uma série de objetivos e pretensões que foram
Praticas pedagógicas em sala de aula
U4
172
apontadas e discutidas neste livro. Dessa forma, destaca-se que:
Somente por meio da conscientização dos professores/educadores em
estabelecer vínculos cotidianos com a visita constante a espaços de educação
não formal (mesmo que virtualmente) é que a aula de arte poderá perpetuar-se
como um conhecimento necessário e altamente contributivo. Não há mais como
negar a necessidade de abordagens mais dinâmicas e que usem em seu trâmite
equipamentos e instrumentos tecnológicos no espaço educacional. Logo, torna-se
necessário entender que computadores, celulares, tablets, sites, programas, espaços
virtuais fazem parte da cultura e dos sujeitos contemporâneos.
O ato de visitar uma exposição de arte é um momento especial
em nossas vidas, portanto precisa ser prazeroso o bastante
para provocar o desejo de retornar no aluno, inclusive de
forma espontânea. Trata-se de um encontro com a expressão
de pensamentos e emoções de pessoas sensíveis, e uma rara
oportunidade de apreciar obras únicas, que acontece de
diferentes maneiras: quando apreciamos a obra de arte, ao
imaginarmoso processo construtivo que culminou naquela
obra e o contato visual com o próprio espaço expositivo. Tanto
o artista, ao elaborar sua obra, como o curador da exposição
pensam em cada detalhe, nas cores, formas, materiais, no
local, tamanho, e muito mais. Visitar uma exposição de arte é
sentir e apreciar tudo isso: é pensar sobre cada obra, sobre a
intenção do artista, como ele organizou o material e escolheu
determinado suporte para obter o resultado esperado (SANTA
ROSA; SCALÉA, 2006, p. 81).
A respeito da possibilidade de conexão entre espaços de
educação formal e não formal para a formação em arte: é
possível afirmar que a aproximação desses espaços, como
prática pedagógica, pode contribuir para o desenvolvimento
da capacidade crítica, da percepção e da imaginação dos
estudantes?
Praticas pedagógicas em sala de aula
U4
173
A internet é um instrumento poderoso de ação artístico-cultural,
por sua inédita capacidade de levar imagens, textos e documentos
hipermídia, possibilitando assim gerar novos paradigmas no
âmbito das propostas do ensino da Arte. Entendendo a Arte como
uma maneira de organizar variadas experiências, é fundamental
integrá-la ao processo educativo, principalmente ao definir sua
contribuição para o desenvolvimento de processos mentais
(PORTELLA, 2003, p. 124).
Interpõem-se portanto, novos desafios à educação. Um deles é acompanhar
as transformações do sujeito, buscando instrumentos de renovação e adaptação à
nova realidade tecnológica com métodos didático-pedagógicos que sejam capazes
de sanar as necessidades desses mesmos sujeitos. Ao arte-educador, cabe a função
de “garantir o acesso de seu aluno à expressividade, à criatividade e à apreciação
cognitiva. E esse acesso será natural se a mediação do professor favorecer a
produção, a fruição e a reflexão” (SANTA ROSA; SCALÉA, 2006, p. 82).
Quando se cogita a respeito de novas propostas de visitação a espaços não
formais de arte, não se fala somente em um simples deslocamento do grupo de
alunos, mas em uma forma de contribuir significativamente para o desenvolvimento
intelectual e cognitivo desses por meio de propostas criativas e reflexivas. Para
Santa Rosa e Scaléa (2006), são três os aspectos necessários para que a visita a
museus e exposições possa ser um momento de reflexão crítica: quando a visitação
é um desafio criativo, quando a visitação se desenvolve como um jogo e quando a
visitação é uma reflexão crítica.
Ao comentar sobre a visitação a museus como um desafio criativo, as autoras
Santa Rosa e Scaléa (2006) referem-se às ideias inicialmente sugeridas por Ana Mae
Barbosa. Assim, descrevem que deve-se aguçar nos alunos estímulos emotivos e
cognitivos, compreendendo a apreciação como um momento de afetividade e
emoção, onde desenvolver-se-ão leituras e releituras das imagens e obras observadas.
Os educadores devem, dessa forma, questionar os educandos durantes as visitas,
instigando a reflexão. Ao falarem sobre a visitação desenvolvida como uma forma de
jogo ponderam sobre a necessidade de intervenções por meio de momentos lúdicos.
Nesse sentido, o jogo não deve ser uma prática superficial, mas estar carregado
de entendimentos e conhecimentos, amparados pelo envolvimento do grupo.
Por isso, o desafio e a reflexão devem estar sempre à frente desta proposta. Esses
jogos podem ser sugeridos até mesmo durante a visitação e com instrumentos e
materiais acessíveis. Um dos pontos fundamentais dessas intervenções é a interação
da criança ou adolescente com a obra. Por último, as autoras falam sobre a visitação
como uma reflexão crítica. Essas ideias são percebidas ao comentarem que a visita
a exposições de arte deve ser um momento de reciclagem e uma importante fonte
Praticas pedagógicas em sala de aula
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174
de reflexão para os alunos, extrapolando e explorando novas linguagens e novos
modos de propor o conteúdo.
Muitas possibilidades metodológicas surgiram nos últimos anos, alavancadas
por inúmeros instrumentos tecnológicos que passaram a fazer parte do cotidiano
de alunos e professores. A rapidez das transformações tecnológicas são tantas
que passam a ser necessárias alterações nos modos de se propor e relacionar-se
com a educação formal e com o ensino de arte. É óbvio que os exemplos trazidos
nesta unidade são apenas sugestões para o início do processo educativo, pois
não abordam nem enfatizam todas as premissas necessárias a um plano de aula
que reflita as abrangentes discussões de metodologias ideais para a aula de arte
na contemporaneidade. Essas sugestões são apenas um ponto de partida para a
elaboração de planos e projetos sobre arte e devem ser percebidas como recortes
necessários ao entendimento das conexões possíveis entre educação formal e não
formal.
Sugestão de proposta
Aproximando espaços formais e não formais de arte
1- Introduzindo a aula sobre visitas virtuais a museus
O que o aluno poderá aprender com essa aula:
• Pesquisar sobre museus nacionais e internacionais.
• Analisar a relação entre escola e museu.
Duração das atividades: 9 aulas de 50 minutos.
O objetivo desta aula é trabalhar a importância do museu para a educação
e a construção de relações possíveis entre esta instituição e a escola.
1) Para início, convide os alunos a fazerem uma incursão por alguns
museus a partir das imagens e informações.
2) Leve os alunos para o laboratório de informática e solicite que usem a
internet.
3) Mostre aos alunos de 3 a 4 sites de museus.
4) Solicite que os alunos façam registros das imagens e das informações
sobre os museus em que estão navegando e que salvem algumas das
Praticas pedagógicas em sala de aula
U4
175
imagens visitadas.
5) Peça que criem, em seus cadernos um diário de bordo com informações
sobre os museus visitados, com imagens impressas ou salvas, mesclando
texto e imagens.
6) Apresente os links do programa da TV escola: conhecendo
museus (Disponível em: <http://tvescola.mec.gov.br/tve/videoteca/serie/
conhecendo-museus>. Acesso em: 19 abr. 2016), juntamente com um
roteiro para exploração dos vídeos.
7) Proponha um momento para reflexão com base nas seguintes questões:
• Existe museu em sua cidade ou em alguma próxima a ela?
• Quais ações e projetos poderiam ser desenvolvidos em sua
comunidade para se criar um museu da memória local?
• Teria alguma dificuldade para essa criação?
8) Ao final da reflexão, propor que os alunos encaminhem suas propostas
ao órgão responsável pela cultura do município onde residem. Essas
propostas podem ser encaminhadas por e-mail.
Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.
html?aula=49493>. Acesso em: 22 mar. 2016.
Sugestão de proposta
Aproximando espaços formais e não formais de arte
1- Lendo imagens na visita ao museu:
Inicialmente, o professor deve escolher obras de arte, movimentos ou
artistas a serem trabalhados, de acordo com seu planejamento e seus objetivos
para a aula. Para que haja uma boa leitura da obra em questão, é preciso
que o aluno observe e analise a imagem ou o objeto com muita atenção.
Essa atenção é necessária para que ele possa perceber e introjetar detalhes
significativos. O professor pode contribuir para essa análise, orientando
incentivando e conduzindo o olhar dos alunos fazendo perguntas como:
Praticas pedagógicas em sala de aula
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176
Fonte: <http://www.plataformadoletramento.org.br/acervo-experimente/779/visitar-um-museu-de-arte-com-a-
turma.html?pagina=3>. Acesso em: 28 mar. 2016.
Figura 4.12 | Questões para leitura de imagens.
O professor deve propor um tempo amplo para a observação.
Provavelmente, eles serão invadidos por um turbilhão de percepções e
ideias. É necessário que os alunos fiquem atentos a todas as informações
e recomendável que registrem as suas impressões por escrito: tudo oque
observarem e também seus sentimentos e emoções, bem como as ideias,
tema e conceitos que a obra apresenta.
O registro escrito, ou caderno de bordo, é uma das formas de estimular
a memória visual, que é a capacidade de guardar com certa precisão aquilo
que foi observado para que posteriormente seja possível relembrar o que foi
visto.
Após o processo de observação, é importante que a turma compartilhe
suas experiências em uma conversa informal e descontraída, ressaltando
que o grupo está construindo o conhecimento conjuntamente. Durante
essa conversa, é possível que o professor alerte para a rememoração de
alguns elementos visuais que foram percebidos e compartilhados. A ênfase
em outros que porventura não foram relatados também é importante. Alguns
questionamentos são fundamentais: quais eram as intenções do artista;
como era o momento histórico que ele vivia. Além disso, também pode
Praticas pedagógicas em sala de aula
U4
177
apresentar informações pessoais do artista, se você considerar pertinente.
A visita
Sugira uma visita a um museu de sua cidade. Se na sua região houver
museus, organize uma visita com os alunos. Para facilitar a pesquisa, você
pode acessar o Guia de Museus Brasileiros (Disponível em: <http://www.
museus.gov.br/os-museus/museus-do-brasil/>. Acesso em: 19 abr. 2016).
Contudo, esteja alerta: para que a visita seja bem aproveitada, é importante
preparar-se e preparar os estudantes! Por isso, é recomendável que você
visite o espaço antes e converse com os educadores responsáveis pelas
exposições, para poder orientar bem os seus alunos.
Retorno à sala de aula
Após a visita ao museu escolhido, aproveite para conversar com a turma
sobre o passeio: a preparação em sala de aula; o encontro para a saída ao
museu; como foi entrar em um museu (sobretudo para aqueles que não
conheciam um espaço como esse); como foram a visita e o percurso pelo
prédio; se houve acompanhamento de educador, como foi a conversa com
ele. Será que há diferença em ver um objeto em uma projeção e ‘ao vivo’?
As cores mudam? Ficam mais nítidas? E as formas e relevos representados?
Como forma de reforçar e aplicar os conteúdos aprendidos durante a visita,
você pode propor atividades práticas, como a criação de um objeto, uma
pintura, um desenho, para que sensações e conteúdos sejam recuperados
e ampliados.
Disponível em: <http://www.plataformadoletramento.org.br/acervo-
experimente/779/visitar-um-museu-de-arte-com-a-turma.html?pagina=3>.
Acesso em: 23 mar. 2016. E disponível em: ,http://www.plataformadoletramento.
org.br/acervo-experimente/779/visitar-um-museu-de-arte-com-a-turma.
html?pagina=4>. Acesso em: 23 mar. 2016.
Sugestão de proposta
Aproximando espaços formais e não formais de arte
1- Introduzindo a aula sobre visitas virtuais a museus
Praticas pedagógicas em sala de aula
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178
Você sabe como organizar uma exposição de arte? Nas informações
trazidas a seguir, você poderá encontrar dicas de como montar uma
exposição de arte com seus alunos. E, no endereço citado, você poderá
acessar o material completo. Vale conferir!
Objetivo(s):
– Conhecer o universo dos museus e das exposições de arte.
– Reconhecer e valorizar os espaços culturais, as atividades por eles
promovidas e seu papel na sociedade.
Conteúdo(s):
– Planejamento e montagem de exposições de arte.
Ano(s): 1º, 2º, 3º
Tempo estimado: 8 aulas
Material necessário
– Cópias da reportagem "No topo" (BRAVO! ed 177. maio de 2012) para
todos os alunos.
– Material para a montagem da exposição.
Desenvolvimento
1ª etapa
Introdução
Desde a criação dos primeiros museus, durante o século 20, as
exposições são o espaço onde muita gente tem o primeiro contato com
obras de arte. Nas últimas décadas, esses eventos têm se multiplicado em
número e porte. A reportagem ‘No topo’, publicada na revista Bravo! fala
sobre esta popularidade no Brasil e como ela causou o aumento no número
de visitantes a museus e instituições culturais. Aproveite esse gancho para
saber como está a relação dos alunos com esses eventos e para colocá-los
em contato com o interessante mundo dos "bastidores" de uma exposição.
Comece perguntando quem já foi a uma exposição. Como há exposições de
arte, de plantas, de automóveis etc., identifique o tipo visitado pelos alunos e
explique que neste projeto a turma vai tratar da exposição de artes e objetos
Praticas pedagógicas em sala de aula
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179
de museus. Conte para a turma que a palavra "museu" vem da Grécia e
significa "templo das nove musas". Ligadas às artes e às ciências, elas eram
as filhas de Zeus como Mnemosine, a deusa da memória. A princípio, esses
eram locais de estudo, verdadeiros templos do conhecimento humano.
A partir do Renascimento, começaram a surgir as coleções de obras de
arte, tesouros e outros objetos. Muitas das peças importantes ficavam nos
grandes salões dos palácios e ocupavam os corredores onde os nobres
exibiam suas coleções. Essas galerias encontraram nos palácios do período
Barroco uma de suas maiores expressões.
2ª etapa
Para retomar os conceitos da primeira aula e compreender quais os
locais que podem exibir obras de arte, faça uma visita a outros museus com
os alunos pelo Google Art Project.
3ª etapa
Para retomar o que já foi visto, mostre imagens de espaços expositivos.
Algumas podem ser encontradas nos sites presentes no Guia dos Museus
Brasileiros. O primeiro passo é a definição do tema (o que expor?), o público
(para quem?), o local (onde?) e a duração (quando e por quanto tempo?).
É também importante entender que as exposições contam com equipes e
profissionais que cuidam de cada etapa. Apresente as equipes envolvidas no
processo: curadoria, setor educativo, produção e montagem.
4ª etapa
Resolvidas as equipes, defina o tema com os alunos. Para tal, peça que
considerem o público-alvo e os interesses e necessidades da comunidade.
Para planejar a montagem da exposição é preciso saber: quantidade de
metros lineares de paredes (ou painéis); metragem quadrada de estruturas;
máxima altura das peças; iluminação; necessidade de proteção solar,
temperatura e umidade para alguns objetos (cuidado com os trabalhos em
papel: evitar sol e umidade!); vitrines ou bases para objetos; segurança das
pessoas e das peças (evitar que as peças caiam de suas bases, ou ainda que
aquelas mais delicadas passem por manuseios indesejados).
Praticas pedagógicas em sala de aula
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5ª etapa
As etapas iniciais, de contextualização e apresentação das tarefas poderão
ocupar dois encontros, no entanto, a execução do projeto em si poderá
necessitar de um período mais longo e dependerá muito do tamanho da
exposição”.
Disponível em: <http://rede.novaescolaclube.org.br/planos-de-aula/como-
elaborar-uma-exposicao>. Acesso em: 1 mar. 2016.
No site Era Virtual, você pode ver de perto vários detalhes de grandes
museus e seus acervos com diferentes obras. Aproveite esse espaço para
propor várias atividades a seus alunos. Adapte as propostas às faixas etárias
e às temáticas desejadas.
“O ERA Virtual é um projeto pioneiro na disponibilização de visitas pela
internet com visualização 360º dos museus brasileiros e seus acervos.
Entre nessa viagem surpreendente e conheça nosso patrimônio cultural.”
Fonte: <http://www.eravirtual.org/?page_id=30>. Acesso em: 21 mar. 2016.
Figura 4.13 | Página do site Era Virtual
Praticas pedagógicas em sala de aula
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Fonte: <http://www.eravirtual.org/?page_id=30>. Acesso em: 21 mar. 2016.
Figura 4.14 | Opções de visitas virtuais do site
Sugestão de vídeo
Para saber mais sobre o site Era Virtual, acesse o endereço e assista com atenção
ao vídeo: Disponível em: <http://www.eravirtual.org/?page_id=30>. Acesso em: 21
mar. 2016.
Para explorar ainda mais aspropostas que conectam a sala de aula aos espaços
não formais, reflita sobre a ideia de que o museu é um espaço de conservação dos
indícios materiais deixados pelos homens e também um espaço de conservação
das memórias de grupos ou sociedades. Por isso, você poderá aproveitar para tratar
de diversos assuntos, como, por exemplo, conceitos importantes sobre patrimônio
cultural. O museu se apresenta também como um lugar de conhecimento, por
isso ele assume um posicionamento muito relevante na formação dos sujeitos.
Logo, configura-se como um ambiente que pode estimular a formação em arte,
principalmente quando se desenvolve ações conjuntas com a escola, com espaços
formais de educação. Os museus, e outros espaços de educação não formal, se
configuram como ambientes de enorme potencialidade que devem ser explorados,
nos seus infinitos formatos, pelos professores de Arte que buscam constantemente
enriquecer e contextualizar suas aulas.
A importância do contato e das visitas frequentes dos alunos aos museus é enorme.
Por meio desses espaços de manutenção e conservação das memórias, crianças e
adolescentes entram em contato com a essência da cultura, o que irá contribuir para
a construção de sua identidade e sua história. Essas ideias enquadram-se do mesmo
Praticas pedagógicas em sala de aula
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182
modo em museus que apresentam somente objetos artísticos, pois a arte também
pode ser usada como um instrumento de reconstrução e conhecimento histórico.
Sugestão de proposta
1- Ideias introdutórias sobre visita virtual a museus
O aluno deverá desenvolver habilidades de leitura e compreensão de
textos a partir da utilização de recursos tecnológicos; registrar observações
de visitas virtuais, desenvolvendo a capacidade de sínteses de informações.
Duração das atividades: aproximadamente 8 aulas de 50 minutos.
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno
É importante que as crianças já possuam desenvoltura de leitura e
produção escrita. Devem ter conhecimentos básicos de computador
(internet).
1- Conhecendo o site e a proposta de trabalho
Objetivo: desenvolver capacidade de pesquisa e síntese de informações,
seguindo orientações de um roteiro. Endereço do site Era Virtual: <http://
www.eravirtual.org>. Acesso em: 23 mar. 2016.
2- Caderno de bordo para registro das informações coletadas
• Data da pesquisa.
• Nome e endereço eletrônico.
• Assunto abordado pelo site.
• Ferramentas disponíveis (na barra superior).
• Nome e localização dos museus já disponíveis para visita virtual.
3- Exploração autônoma do site.
4- Exploração direcionada.
Nesse momento você poderá abordar diferentes temas que se
Praticas pedagógicas em sala de aula
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183
correlacionam as suas propostas iniciais. O interessante é que esses espaços
podem servir como ponto de apoio ou ponto de partida para as mais variadas
questões, práticas e teóricas.
5- Anotar dados referentes à pesquisa selecionada pelo professor no
caderno de bordo.
6- Debate das informações levantadas.
7- Produção de atividade artística com base nas temáticas abordadas
pelo professor.
8- Apresentação da atividade por meio da montagem de uma exposição
de arte.
Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.
html?aula=21257>. Acesso em: 21 mar. 2016.
Sugestão de aula
1- Volpi no museu e na escola
Objetivo 1: a atividade convida os participantes a mergulhar no tempo,
no lugar e na história deste artista. Para facilitar o desenvolvimento desta
atividade, o Museu de Arte Contemporânea da USP/MAC dispõe das
obras que marcam a principal fase do trabalho desse artista: as “paisagens
naturalistas” dos anos 30 e 40.
Objetivo 2: a proposta aqui sugerida é conhecer Volpi e sua produção
artística, vinculando esses conteúdos à realidade social da comunidade
escolar. Visitar o museu pode ser uma etapa inicial, intermediária ou final
desta experiência de ensino aprendizagem em arte integrada às outras
disciplinas.
Material: Pranchetas, papel sulfite ou canson, lápis grafite 4B e 6B
Desenvolvimento: a produção de Volpi é bastante ampla, por isso a
seleção de um aspecto dessa produção para o estudo em sala de aula é
Praticas pedagógicas em sala de aula
U4
184
importante para o desenvolvimento do trabalho. A temática “fachadas”
pode ser o fio condutor do planejamento do professor, fundamentado em
sua pesquisa preparatória e enriquecida pela visita ao MAC USP.
1º Etapa – antes da visita ao MAC, proponha aos alunos passeios pelas
ruas ao redor da escola. Com pranchetas, papéis e lápis, os estudantes
devem caminhar pelas calçadas observando as casas e suas “fachadas”,
janelas e portas. Fazer uma produção por meio de desenhos e impressões
do passeio. Discuta as seguintes questões:
a) O que chama mais a atenção?
b) Quais detalhes percebem?
c) Quais relações fazem com as próprias casas?
d) As portas e janelas têm linhas retas ou curvas? Como são as suas
formas e cores?
e) Há prédios na região? Qual a distância entre eles?
f) Há vegetação na vizinhança? Quais cores predominam nessa
paisagem?
2ª Etapa – de volta à sala de aula, exponha as produções dos alunos
em varais e proponha uma conversa sobre os desenhos e as impressões
do passeio. Cada um poderá falar sobre o seu trabalho ou o do amigo.
Essa etapa é um exercício do olhar e reflexão sobre o processo e seus
resultados.
3ª Etapa – visita ao museu. No espaço do MAC, os alunos poderão
observar as casas e fachadas produzidas por Volpi (caso não seja possível ir
ao museu, as reproduções em sites também permitem uma aproximação
com a obra do artista). O enfoque maior deverá ficar por conta das fachadas,
suas formas e cores.
4º Etapa – na escola, proponha um debate por meio do seguinte
questionamento: como era o bairro do Cambuci, ou as cidades de Mogi
das Cruzes e Itanhaém quando o artista pintava nesses locais? Fotos das
décadas de 40 e 50, pertencentes às famílias dos alunos ou pesquisadas
em jornais, também serão úteis. Envolva os familiares na pesquisa.
5º Etapa – pesquise as questões específicas sobre o bairro da escola
que podem ser discutidas como parte do estudo. Disponível em:
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<http://www.usp.br/nce/educomjt/paginas/volpi.pdf>. Acesso em: 22
mar. 2016.
1. Como as mídias e as novas tecnologias podem contribuir
para a formação em arte?
2. Descreva alguns objetivos das propostas interativas e
educacionais oferecidas pelos espaços não formais de arte.
Praticas pedagógicas em sala de aula
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Praticas pedagógicas em sala de aula
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Seção 2
Reflexões sobre o museu virtual como prática
educativa
Nesta seção, você terá acesso a outros subsídios que buscarão relembrar e
reabastecer a prática pedagógica em Arte por meio de reflexões sobre a incidência
específica dos novos meios eletrônicos e tecnológicos na sala de aula. Tais influências
irão contribuir com ponderações e debates sobre a possibilidade da visita a espaços
não formais apenas por intermédio de ambientes virtuais, visando à participação mais
ativa dos alunos. Essas orientações servirão principalmente para embasar atividades
em regiões que não possuem museus ou exposições de arte ou para educadores que
tendem a sugerir aproximações entre a tecnologia e a arte. A ideia norteadora é que
intervenções e ações educativas indicadas por esses espaços virtuais sejam exploradas
e usadas cotidianamente para instigar a participação, a criação e o interesse do aluno
pela arte. Assim, ao correlacionar a conteúdos interativos e atuais, o professor pode
despertar uma iminente necessidade ou gosto pela arte. Desse modo, esta seção
destaca algumas outras sugestões introdutórias para novas possibilidades de espaços
de interação que visemaulas mais criativas e dinâmicas.
Reflexões sobre o museu virtual como prática educativa
A primeira, e principal pergunta, que se propõe nesta seção é como propor
alterações na proposta de formação em arte, que contemple aproximações entre
espaços formais e não formais, em regiões que não possuem museus, galerias ou
centros de cultura?
A resposta a tal problema já foi sugerida nas unidades anteriores e fazem referência
à utilização de tecnologias que viabilizam o acesso a esses lugares mesmo a distância.
Por isso, é fundamental que exista uma conscientização quanto à aplicabilidade e à
importância dos ambientes virtuais nas escolas. É por meio do uso de computadores
com internet que se estreitarão as distâncias entre espaços de disseminação da arte.
Outro ponto que merece destaque quando se fala no uso de tecnologias na
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sala de aula de Arte refere-se a um aumento do interesse dos alunos sobre as aulas,
já que esses comumente sentem-se desinteressados por aulas absolutamente
tradicionais, em que o único instrumento utilizado pelo professor é o giz. No
entanto, não se espera que o educador abandone definitivamente tais instrumentos,
mas que o espaço virtual, por meio do uso de novas tecnologias, possa contribuir
enormemente para a democratização e enriquecimento das aulas. As novas mídias
se colocam como um possível caminho para a construção do conhecimento, do
pensamento artístico e também para a troca de experiências.
Logo, a busca contínua pela atenção e o interesse do estudante pela aula tem
sido uma das grandes problemáticas atuais. E, quando se fala na disciplina de Arte,
espera-se que a criatividade e a aproximação com o novo e com diferentes formas
de propor o pensamento sejam evidenciadas. No entanto, nem sempre as aulas de
Arte nas escolas partem desse princípio. Muitas vezes, elas reproduzem conteúdos
maçantes e se aproximam muito dos formatos cansativos e desgastantes utilizados
há muito por outras disciplinas. Há que se discutir como as transformações culturais,
tecnológicas e sociais devem também chegar até a escola e transformar, do mesmo
modo e com a mesma rapidez, a educação formal. Deve-se, sobretudo, destacar
que a escola precisa se adaptar à revolução tecnológica que indiscutivelmente
transforma todos os sujeitos envolvidos neste processo, alunos e professores. No
entanto, todas essas novas apropriações não devem deixar de lado o conhecimento
e as informações historicamente construídas e acumuladas, que são e sempre serão
necessárias à construção do conhecimento.
A ideia geral desta seção é, portanto, sugerir outras possibilidades metodológicas
que visem aulas mais criativas, dinâmicas, significativas, instigantes e propagadoras
de reflexões importantes para a formação do aluno. Por isso, todas as discussões
se voltam para a importância de correlacionar conteúdos, de conscientização da
necessidade de transposições didáticas para grupos específicos, de elaboração de
aulas transdisciplinares, de investir em práticas cotidianas que inspirem e contribuam
para o crescimento intelectual dos estudantes. Esses são apenas alguns dos objetivos
a serem evidenciados.
Atualmente ocorre uma disseminação dos museus virtuais
e, ao mesmo tempo, a maioria dos museus, desde os mais
tradicionais, disponibiliza os seus conteúdos temáticos na
internet. Assim, na web, encontram-se quatro categorias de
museus virtuais: primeiro, aqueles que possibilitam o acesso
às obras que existem ou existiram fisicamente, pois possuem
acervos constituídos de reproduções digitais de obras de
arte; segundo, os que apresentam exclusivamente acervo de
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obras de arte geradas por processos sintéticos que dependem
de programas específicos para a sua criação e também para
visualização; terceiro, os museus híbridos, que apresentam obras
de existência real e também obras formadas por pixels e destinadas
à tela do computador; e, quarto, aqueles que através de programas
especiais, interativos, fazem o usuário ter a sensação de estar
literalmente entrando no espaço físico do museu e passeando por
suas galerias. Enfim, a convivência de museus físicos e eletrônicos
constitui-se marca distintiva do complexo cenário artístico-
cultural contemporâneo. Dos acervos que integram os museus
virtuais de arte, sejam criações ou reproduções, ambas podem ser
armazenadas em coleções virtuais. Embora compartilhem funções
informacionais, museus no mundo físico e no espaço virtual são
dotados de propriedades e características que os distinguem na
própria essência e impedem que os museus construídos na web
sejam interpretados quer como substitutos, quer como ampliação
dos museus físicos. Um mesmo museu virtual de arte pode conter
reproduções digitais de acervos físicos e de obras criadas a partir
de matrizes digitais (SILVESTRE; CUNHA; VAZ, 2016, p. 4).
Dessa forma, o acesso a museus virtuais apresenta-se como uma grande
possibilidade de construção do conhecimento artístico, pois torna possível o contato
com obras e ações educativas até então inimagináveis em razão dos problemas
relativos à distância. Assim, evidencia-se a importância dos espaços não formais
virtuais para a formação integral dos estudantes. Considera-se que a quantidade
de informações encontradas em cada um dos museus virtuais é incalculável e
extremamente valiosa para complementações de aprendizagem de instituições
formais. Vale destacar que todas estas informações que referenciam e remetem aos
museus virtuais são apenas parte de um imenso universo informacional, de grande
potencial educativo e comunicativo, que é a internet.
Com o aumento das tecnologias, entre elas a própria internet, tornou-se possível
oportunizar espaços virtuais com objetivos altamente comunicativos. É através
desses novos ambientes virtuais que o museu ganha a oportunidade de se tornar
itinerante, presente, dinâmico e acessível. Essas características evidenciam que a
função dos museus foi ampliada, reforçando também seu lugar de destaque na
educação, já que se apresenta como uma prática pedagógica de grande potencial
para as artes. Destaca-se, consequentemente, que as barreiras limitantes do tempo e
do espaço são rompidas e alargadas com as novas tecnologias. Assim, compreende-
se que até mesmo regiões ou cidades que não possuem museus podem ter acesso
a diversos museus virtuais.
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Esses espaços virtuais podem oferecer uma vasta gama de cursos, acervos ou
visitas extremamente importantes para a aprendizagem e para a formação em arte.
É necessário relembrar que várias discussões sobre a importância desses espaços
também já foram destacadas e abordadas nas unidades anteriores. Por isso, vale
reiterar o quanto pode ser produtiva a visita a tais ambientes. Do mesmo modo, deve
ser destacado que os museus oferecem diversos cursos virtuais e ações educativas
que reafirmam o valor educacional destes novos lugares. Assim, é possível analisar
que o uso de tecnologias altera a experiência dos estudantes em relação ao museu
por meio de aproximações que utilizam diferentes tipos de linguagem e novas
formas de interação entre público e obra na contemporaneidade.
O ensino da Arte deve enfatizar igualmente tanto a vivência
de processos quanto a aprendizagem que daí advém, a
realização de trabalhos artísticos e a construção cultural.
Ativando e incrementando a capacidade de visualização, a
memória visual, a descoberta de soluções para problemas,
sejam eles técnicos ou estéticos, cada detalhe é importante
e deve ser respeitado. O uso de novas tecnologias possibilita
aos alunos desenvolver sua capacidade de pensar e fazer
Arte contemporaneamente, representando um importante
componente na vida dos alunos e professores, na medida emque abre o leque de possibilidades para seu conhecimento e
expressão (PIMENTEL, 2003, p. 120).
Uma das grandes vantagens dos espaços virtuais é que se pode ter acesso a
ele em qualquer lugar que possua internet. Sendo assim, o educador pode explorar
diversos ambientes de arte, no Brasil ou no mundo, por meio da exploração virtual,
apenas com alguns cliques em sua tela. Cabe ao professor, enquanto mediador
e facilitador, explorar espaços, ideias, assuntos ou temáticas, buscando alavancar
e alargar as barreiras limitantes do espaço e do tempo. A cada intervenção virtual,
ampliam-se as possibilidades de envolvimento dos alunos e do contato aproximado
destes com obras e artistas.
Museus também ensinam
Outro tipo de formação apontada pelos especialistas como eficaz, além
dos programas de graduação e de pós-graduação das universidades e
das parcerias travadas entre fundações, estados e municípios, são os
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cursos oferecidos pelos setores educativos de diversos museus. De
duração variada – de um único fim de semana a dois anos –, eles dão
aos professores a oportunidade de entrar em contato com curadores,
montadores e artistas e de se preparar melhor para levar os alunos às
exposições. "Frequentar o educativo de um museu é fundamental para
dar uma boa aula", diz Mirian Celeste Martins, do Instituto de Artes da
Universidade Estadual Paulista, responsável pela formação de dezenas
de profissionais na área. "Mesmo depois de formado, o educador deve
encarar essa atividade como uma capacitação constante", frisa Mirian.
No Espaço Cultural da Universidade Santa Cecília (Unisanta), em
Santos, litoral de São Paulo, Lídice Romano de Moura, professora do
curso de Educação Artística, defende tanto essa prática que conseguiu
transformar as atividades de mediação (momento em que o guia explica
uma obra) em disciplina experimental do currículo no começo de 2006.
Ela coloca os alunos – a maioria já leciona na rede pública local – para
viver experiências de monitoria na galeria de arte que funciona dentro
da universidade. Assim, o espaço acaba sendo rico tanto para o curso
como para a cidade. "É uma alternativa para os municípios que não têm
tantas opções de museus e espaços de exposição", justifica. Formada há
dois anos, Ive Estrela Silva, que leciona para turmas de 1ª e 5ª série e EJA
na EE Parque das Bandeiras Gleba II, na vizinha São Vicente, frequenta
regularmente o espaço da Unisanta e já tem programada uma visita com
os alunos para o início do ano que vem. "Quando falamos sobre arte
contemporânea, é quase obrigatório essa ponte feita pelos mediadores
entre a obra e o visitante", teoriza Ive. "E ninguém deve ter vergonha de
dizer que não entendeu determinado trabalho. A dúvida é o combustível
das boas visitas."
Disponível em: <http://revistaescola.abril.com.br/arte/fundamentos/
aula-arte-cara-nova-424838.shtml>. Acesso em: 16 mar. 2016.
Para você, o contato com espaços não formais de educação,
como os exemplificados pelos museus virtuais, pode
contribuir para um maior desenvolvimento estético dos
estudantes?
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Guia virtual para museus no mundo
Neste espaço, você encontra uma grande quantidade de informações
sobre os museus!
1. História dos museus
2. Museus no Brasil
3. Museus no mundo
4. Exposição virtual
5. Programação dos museus
6. Museus virtuais
Fonte: <http://www.museus.art.br/>. Acesso em: 21 mar. 2016.
Figura 4.15 | Página inicial do site
A ideia do museu virtual pode amparar também a construção de um projeto que
visa à exposição de atividades artísticas produzidas pelos próprios alunos, servindo
de anteparo para a apresentação de propostas metodológicas mais inusitadas e
instigantes. Por isso, cabe ao educador a função de elaborar projetos criativos que
ultrapassem a utilização de práticas desconectadas e sem fundamento, podendo
contribuir para exploração de todas as habilidades e potencialidades de cada sujeito
envolvido. Outra função dos museus virtuais é a de propiciar o conhecimento de
diversas formas de produção e apresentação da obra de arte, significando um
meio para que se possa ver e apreciar a arte. Há que se pontuar que devem ser
estabelecidos objetivos claros quanto ao uso de computadores nas escolas, por isso
é preciso um trabalho muito bem articulado e claro para que haja contribuições na
formação do aluno.
Do mesmo modo, deve-se lembrar que a arte oferece múltiplas possibilidades
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quanto ao uso das tecnologias. É possível pontuar que seus usos podem também
estimular a produção e encorajar o processo criativo por meio de novas mídias, dos
computadores e internet. Assim, vale ressaltar outras potencialidades quanto a esses
usos na aula de Arte.
O uso de novas tecnologias na escola se faz, tradicionalmente,
com alguma defasagem em relação ao seu aparecimento.
Isso é normal, uma vez que raramente são desenvolvidas
tecnologias que se dirijam diretamente ao processo
educacional. Na maioria das vezes, porém, a escola se
apropria das tecnologias desenvolvidas com o mesmo
enfoque tradicional de supremacia do texto em detrimento ao
estudo da imagem. [...] No entanto, a maioria das escolas tem
somente um currículo voltado para a aprendizagem de edição
de textos e banco de dados, não havendo preocupação, ou
até conhecimento por parte dos professores, em ensinar
programas de tratamento de imagens. Sem o aprendizado
desses programas, ou a oportunidade de explorá-los, o
aparecimento na tela de imagens, que podem estar ligadas ou
não a sons e movimentos, não leva o aluno a pensar a imagem
(PIMENTEL, 2003, p. 115).
1. De acordo com o texto estudado, como os professores
podem propor novas possibilidades metodológicas visando
alcançar aulas mais criativas, dinâmicas, significativas,
instigantes e propagadoras de reflexões importantes para a
formação do aluno?
2. Quais são os três principais aspectos necessários para que
uma visita a museu ou exposição possa ser considerada um
momento de reflexão crítica sobre arte?
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Nesta unidade, o aluno:
• conheceu as potencialidades da educação não formal e de
seus respectivos ambientes virtuais.
• aprendeu que a educação não formal em arte é capaz de
estimular e promover reflexões críticas por meio de intervenções,
ações educativas e exploração de ambientes virtuais.
• refletiu sobre diferentes propostas de ensino que abordaram a
aproximação de espaços formais e não formais.
• rememorou diversos conteúdos relevantes abordados durante
as unidades anteriores que serviram de anteparo para reflexões
sobre novas propostas práticas de arte-educação.
Caro aluno, ao chegar ao fim desta unidade, você conheceu um
pouco mais sobre as possibilidades de interação entre espaços
formais e não formais de educação em arte. Descobriu como a
internet pode ser um ambiente potencializador da aprendizagem
e como o professor de Arte pode explorar os meios tecnológicos
para alcançar práticas educativas que sejam inspiradoras,
instigantes e contributivas. É notável, portanto, que o processo
de ensino de arte permite fazer múltiplas conexões criativas e
inusitadas com os mais variados ambientes ou assuntos. Por isso,
explore ao máximo essas potencialidades! Estimule e envolva
constantemente seus alunos no apaixonante universo da arte!
1. Ao se objetivar uma formação em Arte que seja enriquecedora
e contributiva, pensa-se que o ponto de partida possa ser a
interlocução entre diferentes ambientes. Deste modo, para que
se alcance uma arte-educação plena e satisfatória é preciso
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2. Não faz muito tempo, os museus eram vistos como
instituições aristocráticas, distantes do povo,reservados
a poucas e seletas pessoas. No entanto, aos poucos isso
começa a mudar. De acordo com o texto, comente sobre
os fatores que levaram à mudança na percepção de museus
como espaços contributivos de educação não formal de arte.
3. De acordo com os textos estudados nesta unidade,
exemplifique quais são as atividades e ações pedagógicas
que podem aproximar os espaços formais e não formais de
educação em arte.
considerar algumas questões. Leia as alternativas e assinale a
sequência correta:
I. É preciso uma conscientização da necessidade de unir os
esforços da educação formal e da não formal que possam
juntas promover mecanismos de ampliação do conhecimento,
inclusão e transformação social.
II. É indispensável que os educadores tenham consciência
de que os currículos e suas respectivas aulas precisam ser
flexíveis e voltados para os interesses dos grupos.
III. É preciso que as propostas e ações que tendem a valorizar
espaços de educação não formal em arte tenham como
parâmetro básico a criatividade e boa orientação, amparada
por muita divulgação.
IV. É notável lembrar que espaços de educação não formal
não têm como objetivo principal elaborar propostas que
possam vir a contribuir para ampliação do conhecimento em
arte.
Agora, assinale a alternativa correta:
a) Apenas I e II estão corretas.
b) Apenas I, II e III estão corretas.
c) Apenas I, II e IV estão corretas.
d) Apenas II, III e IV estão corretas.
e) Apenas III e IV estão corretas.
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4. Intervenções que aproximam diferentes espaços de
construção do conhecimento em arte ainda são pouco
difundidos na prática docente. Por isso, espera-se que
propostas de aproximação entre espaços formais e não
formais possam contribuir para avanços quanto à construção
de sujeitos mais críticos e possam constantemente cooperar
com o desenvolvimento da sociedade. Considere as
informações, leia as sentenças e assinale V para verdadeiro e
F para falso.
(__) Há algum tempo se discute sobre a necessidade de aulas
de Arte que relacionem o conhecimento científico, a vivência
e o cotidiano dos alunos.
(__) Os espaços formais e não formais buscam aproximar
diferentes formas de conhecimento por meio de ambientes
que objetivam promover e divulgar a arte.
(__) Os museus são espaços de educação formal e contam
atualmente com uma gama enorme de atividades educativas
que buscam contribuir para a construção do conhecimento.
(__) A educação museal tem como princípio a reflexão sobre
ideias que visam correlacionar-se de forma dinâmica com
a memória, a identidade, a salvaguarda e celebração do
passado, de grupos ou épocas.
Agora assinale a alternativa que corresponde à sequência
correta:
a) V, F, F, V.
b) V, F, V, V.
c) F, V, F, V.
d) V, V, V, F.
e) V, V, F, V.
5. Pensando nas contribuições propostas pelos museus,
defina o que são práticas educativas.
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Referências
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