Administração Indireta - Jus com br _ Jus Navigandi
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26/05/2020 Administração Indireta - Jus.com.br | Jus Navigandi
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1.1. CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE A ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA NO BRASIL
Atualmente a organização administrativa brasileira têm suas competências gerais centralizadas em órgãos públicos e
algumas competências específicas dispostas em entidades criadas com o fim de executá-las com maior autonomia,
visando à melhor execução dos serviços ou das obras públicas. Deste modo, entende-se por "Administração Direta" o
conjunto dos órgãos públicos e "Administração Indireta" as entidades criadas para a prestação de serviço específico. A
esse fenômeno, distribuição de competência de uma pessoa a outra, dá-se o nome de "descentralização", que, por sua
vez, pode ser política ou administrativa.
 A descentralização política ocorre quando o ente descentralizado exerce atribuições próprias que não decorrem
do ente central, tendo por fundamento a própria Constituição Federal. É o que ocorre, por exemplo, com o sistema
federativo brasileiro, através do qual se descentralizaram politicamente os poderes anteriormente concentrados no
Estado para a criação da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, cada qual com suas atribuições
específicas.
A descentralização administrativa ocorre quando os entes descentralizados possuem autonomia para executar as
competências que lhe foram atribuídas, mas nos exatos termos conferidos pela lei que o criou. Assim, para a melhor
execução de determinados serviços do Poder Executivo, este pode transferi-los a um ente que ele mesmo criar, por lei.
Tanto o Poder Executivo Municipal como o Estadual, Distrital ou Federal podem valer-se da descentralização
administrativa, criando pessoa jurídica de direito público ou privado, para lhe atribuir a execução de determinado serviço
público.
 Há que se falar ainda de descentralização por colaboração e desconcentração. A primeira configura-se quando a
execução de determinado serviço público é transferida para pessoa jurídica de direito privado, por ato administrativo
bilateral (contrato) ou unilateral, mas sem outorgar a titularidade dos serviços, que permanece com o Poder Público. A
segunda refere-se à distribuição de competências dentro de uma mesma pessoa jurídica. Trata-se das delegações de
atribuições que a pessoa do mais alto escalão realiza a seu subordinado, e este a outro, e assim por diante, criando-se
uma relação de hierarquia, ou seja, de coordenação e subordinação.
 Descentralização por colaboração - contratados da Administração Pública são "colaboradores", pois cooperam e
auxiliam a ela na prestação dos serviços públicos.
 Desconcentração - visa descongestionar as atribuições, centralizadas em uma só pessoa, para seu melhor
desempenho, mantendo, no entanto, a coordenação de tais atividades.
 Decreto-lei 200/1967 - Organização da Administração Federal. Em seu artigo 10 tal dispositivo não preceitua
sobre a descentralização propriamente dita, ou seja, a administrativa, que é o real objetivo deste diploma legal.
"Art. 10. A execução das atividades da Administração Federal deverá ser amplamente descentralizada.
§ 1º A descentralização será posta em prática em três planos principais:
1. Dentro dos quadros da Administração Federal, distinguindo-se claramente o nível de direção do de
execução; (desconcentração - refere-se à distribuição de competências dentro de uma mesma pessoa)
2. Da Administração Federal para a das unidades federadas, quando estejam devidamente aparelhadas e mediante
convênio; (celebração de convênios - restringe-se apenas a meros acordos, visando à cooperação entre unidades
federadas que objetivam finalidade comum).
3. Da Administração Federal para a órbita privada, mediante contratos ou concessões." (Contratos - cuida de uma
das espécies de descentralização - por colaboração - não se confunde com a descentralização administrativa).
1.2. ADMINISTRAÇÃO INDIRETA
Decreto-lei 200/1967 - Organização da Administração Federal, prevê, em seu artigo 4º a Administração Indireta:
"Art. 4° A Administração Federal compreende:
I - A Administração Direta, que se constitui dos serviços integrados na estrutura administrativa da Presidência da
República e dos Ministérios.
II - A Administração Indireta, que compreende as seguintes categorias de entidades, dotadas de personalidade
jurídica própria:
a) Autarquias;
b) Empresas Públicas;
c) Sociedades de Economia Mista.
d) fundações públicas.
Parágrafo único. As entidades compreendidas na Administração Indireta vinculam-se ao Ministério em cuja área
de competência estiver enquadrada sua principal atividade."
Requisitos comuns a todas as entidades da Administração Indireta:
1. Criação através de lei específica: a lei cria as autarquias e autoriza a criação das empresas públicas, sociedades
de economia mista e fundações públicas, nos termos do art. 37, XIX da CF.
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2. Personalidade jurídica: todas as entidades da Administração Indireta são criadas como pessoas jurídicas,
podendo ser tanto de direito público como de direito privado.
3. Capacidade específica: a criação dessas entidades ocorre justamente com o objetivo de melhorar a execução de
determinados serviços.
4. Controle estatal somente no que se refere à sujeição ao princípio da especialização (supervisão ministerial, em
âmbito federal, ou tutela administrativa, em âmbito estatal e municipal): controle estatal exercido pelo Poder
Executivo, com intuito de garantir que a entidade criada não se desvie dos fins para os quais designada, nos
exatos termos da lei que a criou, sujeitando-se ao princípio da especialização.
Não se trata de subordinação, visto que o intuito de sua criação consiste na atribuição de ampla autonomia para
o melhor desempenho da atribuição referida.
1. Capacidade de autoadministração, com patrimônio próprio e orçamento público: polêmica a respeito da efetiva
existência dessa autonomia administrativa, visto que seus dirigentes são pessoas nomeadas pelo chefe do Poder
Executivo, ocupando cargos de confiança e, portanto, de livre nomeação e exoneração, prejudicando, desta
forma, a independência necessária para a melhor execução dos serviços públicos atribuídos. O recomendável
seria a investidura em mandato fixo e com prazo determinado, como ocorre nas Agências Reguladoras. Apesar
disso, diante da grande quantidade de atividades que não seriam executadas satisfatoriamente por uma única
pessoa, a descentralização administrativa traz diversos benefícios para a Administração Pública. Através dela
possibilita-se a criação de servidores especializados na execução de atividades descentralizadas, visando, dessa
forma, à melhoria da qualidade e à eficiência da prestação desses serviços públicos.
2. Sujeição às regras da licitação para a celebração dos contratos administrativos: ocorre devido ao fato de
possuírem patrimônio e orçamento públicos.
3. Realização de concurso público para ingresso de seus servidores públicos: ocorre devido ao fato de possuírem
patrimônio e orçamento públicos.
4. Controle externo exercido pelo Poder Legislativo com o auxílio do Tribunal de Contas: o Poder Legislativo,
juntamente com o Tribunal de Contas respectivo, é responsável por aprovar o orçamento, com a incumbência de
analisar as despesas, em geral, realizadas pelas entidades.
5. Responsabilidade objetiva: nos termos do art. 37, §6º da CF, os dirigentes das entidades da Administração
Indireta responderão objetivamente pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros. Não
depende da comprovação de dolo ou culpa, basta que se prove o nexo causal entre o evento e o dano.
6. Obediência aos princípios da legalidade, moralidade, publicidade e eficiência, nos termos do art. 37 da CF/88:
devido ao fato dessas entidades desempenharem atividades públicas deverão