Recomendações de Nutrientes - Artigo
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Recomendações de Nutrientes - Artigo


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Série de Publicações ILSI Brasil
Recomendações de Nutrientes
Força-tarefa Alimentos Fortificados e Suplementos
Comitê de Nutrição
ILSI Brasil
Março 2009
Silvia M. Franciscato Cozzolino
Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo
Recomendações de Nutrientes / ILSI Brasil (2009) 3
1. Introdução
Esta cartilha visa apresentar os conceitos atuais de recomendações nutricionais (DRIs) para indivíduos 
saudáveis, que foram elaboradas pelo comitê do Food and Nutrition Board/Institute of Medicine (IOM) 
com a colaboração de cientistas canadenses e dos Estados Unidos considerando as populações destes 
países, com base nos informes recentemente publicados pelo Institute of Medicine (IOM, 1997; 1998a; 
1998b; 2000a; 2000b; 2002a; 2002b; 2003).
Em 1941, o Food and Nutrition Board definiu as RDAs (Recommended Dietary Allowance) para a 
população dos Estados Unidos, cujo objetivo era servir de meta para a boa nutrição e como um padrão 
de medida por meio do qual se poderia medir o progresso até o alcance da meta. Como proposto naquela 
época, ainda hoje se considera que a principal importância dos padrões de referência para ingestão de 
nutrientes seja avaliar e planejar dietas. Quando se avalia a dieta, se considera a probabilidade desta estar 
ou não adequada, e quando se planeja a dieta, se utiliza o padrão de referência de ingestão de nutrientes 
para traduzi-los em alimentos que forneçam os nutrientes em quantidade adequada. Essas recomenda-
ções foram reavaliadas periodicamente até 1989 (NRC, 1989). Da mesma forma, o Canadá estabeleceu 
a primeira recomendação para ingestão de nutrientes em 1938, que também foi revisada periodicamente 
até 1990, como Recommended Nutrient Intakes (RNIs) (HWC, 1990).
Após as duas últimas publicações, pelos Estados Unidos (NRC, 1989) e Canadá (HWC, 1990), os ci-
entistas destes países tiveram a iniciativa de se juntar para revisar as recomendações existentes, tendo 
finalizado essa tarefa com o estabelecimento das DRIs (IOM, 1997; 1998a; 2000a; 2002a; 2002b).
2. DRIs
As DRIs diferem das RDAs e das RNIs anteriores em seu conceito, conforme descrito a seguir:
1. Foram incluídas nas DRIs valores de nutrientes visando à diminuição do risco de doenças crônicas não-
transmissíveis, quando os dados específicos de segurança e eficácia para o nutriente estavam disponíveis. 
Portanto, não se considerou apenas a ausência de sinais de deficiência, como era feito anteriormente.
2. Foram estabelecidos níveis superiores de ingestão de nutrientes quando havia dados de risco de efeitos 
adversos à saúde.
3. Foram recomendados mais estudos para o estabelecimento de recomendações de ingestão de compo-
nentes dos alimentos (compostos bioativos) que ainda não satisfazem os conceitos convencionais de nu-
trientes, mas que poderiam causar algum benefício à saúde quando consumidos regularmente nas dietas 
(por exemplo: carotenóides, flavonóides etc.).
A ingestão dietética de referência (Dietary Reference Intakes), que se convencionou chamar de DRIs, 
considera quatro valores de referência de ingestão de nutrientes e possui maior abrangência que as 
RDAs, sendo concebidas para substituí-las.
As DRIs podem ser utilizadas para planejar dietas, definir rotulagem e planejar programas de orienta-
ção nutricional. Para a construção de seus limites, conforme já mencionado acima, foram considerados 
também os dados relacionados à redução de risco para doenças crônicas não-transmissíveis, e ainda 
foi incluída, quando possível, a recomendação de que a ingestão diária não deve ultrapassar um limite 
máximo para evitar riscos de efeitos adversos.
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A DRI de cada nutriente se refere à ingestão deste por indivíduos aparentemente saudáveis ao longo do 
tempo. Para sua determinação se considerou:
1) a informação disponível sobre o balanço do nutriente no organismo;
2) o metabolismo nas diferentes faixas etárias;
3) a diminuição de risco de doenças, levando-se em consideração variações individuais nas necessidades 
de cada nutriente;
4) a biodisponibilidade;
5) os erros associados aos métodos de avaliação do consumo dietético.
Alguns aspectos devem ser acrescentados quando se considera a aplicabilidade desses valores de 
referência para a população brasileira. No Brasil, devido principalmente à falta de dados que permitam 
o estabelecimento de recomendações de nutrientes para a população brasileira, vêm sendo utilizadas as 
RDAs dos Estados Unidos para avaliação e planejamento de dietas (NRC ,1989), embora alguns grupos 
ainda prefiram as recomendações da FAO (WHO-FAO, 2002) ou as estabelecidas para a comunidade 
européia (DOH, 1991; SCF, 1993). Entretanto, para qualquer uma das opções adotadas, é importante que 
haja uma avaliação crítica por parte do profissional ou do pesquisador na interpretação dos dados para a 
nossa população, em que alguns aspectos devem ser considerados, como:
1) a ingestão dietética com seu erro associado;
2) as interações possíveis nas dietas considerando os hábitos alimentares das diferentes regiões;
3) o grau de morbidade da população;
4) as diferenças étnicas;
5) os perfis antropométricos.
E sempre que possível, devem-se associar os dados disponíveis de ingestão alimentar com o perfil 
nutricional bioquímico e clínico do indivíduo. Resumindo, não utilizar simplesmente os valores de 
recomendação, mas avaliar se o valor apresentado pode ser aplicado para o grupo de interesse ou 
individualmente.
3. Definições das DRIs
 3.1 Necessidade média estimada (estimated average requirement/EAR)
É um valor de ingestão diária de um nutriente que se estima suprir a necessidade de metade (50%) dos 
indivíduos saudáveis de um grupo de mesmo gênero e estágio de vida. A EAR corresponde à mediana 
da distribuição de necessidades de um dado nutriente. Coincide com a média quando a distribuição é 
simétrica.
 
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 3.2 Ingestão dietética recomendada (recommended dietary allowance/RDA)
É o nível de ingestão dietética diária suficiente para atender às necessidades de um nutriente de pratica-
mente todos (97% a 98%) os indivíduos saudáveis de um determinado grupo de mesmo gênero e estágio 
de vida. Para a determinação da RDA, se utiliza a EAR.
 3.3 Ingestão adequada (adequate intake/AI)
É utilizada quando não há dados suficientes para a determinação da EAR e consequentemente da RDA. 
Pode-se dizer que é um valor estimado prévio à RDA. Baseia-se em níveis de ingestão ajustados ex-
perimentalmente ou em aproximações da ingestão observada de nutrientes de um grupo de indivíduos 
aparentemente saudável. Esses valores serão reavaliados a partir de novos estudos, que proporcionem 
maior grau de confiabilidade sobre aqueles.
 3.4 Limite superior tolerável de ingestão (tolerable upper intake level/UL)
É o valor mais alto de ingestão diária continuada de um nutriente que aparentemente não oferece risco 
de efeito adverso à saúde para a maioria dos indivíduos em um determinado estágio de vida ou gênero. 
O UL não é um nível de ingestão recomendado. O estabelecimento do UL surgiu com o crescimento da 
prática de fortificação de alimentos e do uso de suplementos alimentares. O UL ainda não está estabe-
lecido para todos os nutrientes.
4. Estabelecimento da RDA
A RDA é a ingestão diária de um nutriente que se considera suficiente para atender às necessidades nutri-
cionais de praticamente todos (97% a 98%) os indivíduos saudáveis de um determinado grupo de mesmo 
sexo e estágio de vida (estágio de vida considera a idade e, quando aplicável, a gestação e lactação).
Para o estabelecimento da RDA é necessário que a EAR tenha sido determinada, isto é, que os dados 
disponíveis sejam suficientes para estabelecer um valor médio de recomendação que atenda às necessi-
dades de 50% dos indivíduos do grupo considerado. Portanto, se não for possível obter a EAR,