Estudo - O Futuro da Democracia
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Estudo - O Futuro da Democracia


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UNIVERSIDADE DE CRUZ ALTA
VLADIMIR LEMOS DOS SANTOS
ANÁLISE DOS DESAFIOS INTERNOS ELUCIDADOS POR NORBERTO BOBBIO EM \u201cO FUTURO DA DEMOCRACIA\u201d
Cruz Alta \u2013 RS, 2016
Na obra \u201cO Futuro da Democracia\u201d, Norberto Bobbio nos remete ao estudo dos desafios da democracia, verificando o dinamismo das suas transformações ao longo de décadas, suas mudanças desde os primórdios dos antigos (direta) e a democracia moderna (representativa), considerando o despotismo um regime estático. Apresentando de maneira sintética tais transfigurações sob a forma de \u201cpromessas não cumpridas\u201d ou de contraste entre a democracia ideal como concebida por seus idealizadores e a democracia real em que, com maior ou menor participação, vivemos em nosso dia a dia.
	Determinando os estudos acerca do assunto, o autor estabelece algumas condições ou pressupostos para uma definição mínima de democracia.
· Estabelecer as regras, assim como uma constituição podemos dizer, é a concepção procedimental, caracterizando um conjunto de regras (primárias ou fundamentais) que determinam quem está autorizado a tomar decisões coletivas e com quais \u201cprocedimentos\u201d, mesmo as decisões de grupo são tomadas por indivíduos e para que seja aceita, deve ser tomada com base em determinações escritas ou com a prática constante dos costumes e comportamento.
· Deve-se atribuir ao maior número de cidadãos a possibilidade ou o direito de participar da tomada de decisões coletivas, confirmando seu direito ao voto.
· Assegurar que aos chamados a decidir sejam garantidos os assim denominados direitos de liberdade, de opinião, de expressão das próprias opiniões, de reunião, de associação, etc.
Afirmados tais pressupostos, o autor inicia uma análise dos ideais democráticos relacionando tudo que foi prometido entre a democracia ideal e o que foi verdadeiramente realizado fulgurando as transformações do regime sob a forma de \u201cpromessas não cumpridas\u201d, pormenorizando a democracia real como uma matéria bruta. Nessa afirmação foram enunciadas seis promessas não cumpridas: o nascimento da sociedade pluralista; a revanche dos interesses; o espaço limitado; a derrota do poder oligárquico \u2013 nada ameaça mais matar a democracia que o excesso de democracia; a eliminação do poder invisível; e a
educação para a cidadania.
O autor levanta alguns obstáculos que levaram ao não cumprimento das promessas emanadas, citando a idealização do projeto político para uma sociedade muito menos complexa que a atual. Os obstáculos não foram calculados e surgiram em virtude das já citadas \u201ctransformações\u201d da sociedade. A complexidade econômica que se desenvolveu através das gerações trouxe consigo aumento significativo dos problemas políticos, necessitando assim cada vez mais competências técnicas, especialistas e conhecimentos específicos para a solução dos problemas dos governos democráticos, configurando uma grande barreira para a participação do homem médio de hoje, mesmo sendo mais instruído. O aparato burocrático que sobreveio de maneira inesperada criou enormes adversidades e encontra-se no lado oposto ao sistema de poder democrático. E um terceiro obstáculo denominado ingovernabilidade da democracia, sendo que desta maneira a sociedade civil ganhou enorme autonomia no sistema político e em contrapartida gerou inesgotáveis fontes de demandas dirigidas ao Estado, contrastando a rapidez de demanda e a lentidão da resposta.
Cap. 2: Democracia Representativa e Democracia Direta
Bobbio remonta a Jean Jacques Rousseau, quando afirma que a soberania não pode ser representada. Percebe a comparação e o erro denotado entre democracia representativa e o Parlamentarismo. A proposta de democracia direta na qual todos os cidadãos deverão participar das decisões a eles pertinentes é incoerente, mas não muito distante da democracia representativa configurando os dois tipos como imprescindíveis (ambas tem a ideia que o poder emana do povo), mas numa fusão são consideradas insatisfatórias.
Cap. 3: Os Vínculos da Democracia
	No tocante ao 3º Capítulo, estudam-se aqui as regras do jogo com as quais se desenrola a luta política em um determinado contexto histórico, visto que surgem novos modos de fazer política, mas a fórmula é a mesma, desgastada pelo uso e abuso ao longo de muito tempo. A atenção é dirigida para eventuais novos sujeitos e para eventuais novos instrumentos de intervenção, conserva-se nos limites das regras do jogo e utilizam-se as saídas possíveis que existem. Sair das mesmas, posto que seja acessível, e que não é, mostra-se como algo que não seja apetecível, pois uma vez fendida a principal destas regras, a das eleições periódicas, não se sabe onde tudo cessará.
Cap. 4: A democracia e o poder invisível
	Visualizamos no capítulo que se segue, a preocupação de Bobbio nas dificuldades objetivas que se colocam a frente da correta da aplicação do método democrático nas sociedades que cada vez mais exigem a democracia. O governo ideal, democrático, das boas ações, contrasta com os insucessos, o poder invisível nos aparece sempre que as derrotas da democracia nos vêm à tona beiramos a ingovernabilidade.
	O desafio aqui é ser Poder Público para o Público, a publicidade deve ser explícita em todos os sentidos, está fixada a moral, salvo em medidas de segurança de Estado. O caráter público é a regra, o segredo a exceção. 
	A autocracia é condenada, se esconde para não fazer saber quem é e onde está, mas normalmente esconde suas reais intenções perante a sociedade a respeito de suas decisões. O autor não consegue prever em que mãos o poder vai se encontrar, certeza sim que não será nas mãos dos cidadãos e sim naqueles que cercam o detentor do poder.
Cap. 5: O Liberalismo Velho e Novo
	Nesta passagem o escritor cita vários autores e obras relacionadas ao Liberalismo e notícias de um Neoliberalismo mundial, porém foi a reedição do clássico On Libery, de John Stuart Mill, publicação orientada para a esquerda, mas não dogmática, que confronta a direita iluminada e reconhece que é necessário uma mudança, uma revolução, superando os temas centrados, seus ideais socialistas e reconhecer o sistema social como uma solução pujante, excluindo-se a concentração do poder na organização da sociedade.
	O liberalismo ao se aprofundar na teoria política é o defensor de um Estado que governe o mínimo, menos intervencionista, simplificado ao mínimo necessário considerando separadamente com sua teoria econômica, pulsando para a economia de mercado. O estado laico na esfera ético-religiosa ou espiritual determina a não identificação de um estado liberal nessa intervenção.
	A democracia foi exacerbada as consequências das massas, dos partidos de massa acarretando o produto do Estado assistencial, contestando assim a concordância entre o liberalismo e a democracia.
Cap. 6: Contrato e contratualismo no debate atual
	Neste capítulo é enaltecido o contratualismo, o neocontratualismo e suas teorias de passagem da sociedade de status para sociedade de contrato, dissolvendo as relações familiares, onde a palavra exercia a fé de ofício, fortalecendo as relações entre os indivíduos e a sociedade mercantil. Sugeriu-se o enfraquecimento e o desaparecimento do Estado, mas na verdade o mesmo se engrandeceu e se alargou, utilizando a figura do contrato para compreender as relações reais. O mercado político utiliza a relação de troca generalizada entre governantes e governados, emanando assim uma característica da democracia, apesar de não ser muito bem vista. 
	Sintetizando, o neocontratualismo, ou seja, a proposta de um novo pacto social, enaltecido pelo autor, fundando um novo ordenamento social, agindo como um pacificador geral demonstra toda a incompetência política, a crescente ingovernabilidade das sociedades, ousando dizer toda falta de capacidade de gestão e políticas públicas.
Capítulo 7: Governo dos homens ou governo das leis
	Nesta passagem, Norberto Bobbio realiza o seguinte questionamento: \u201cQual o melhor governo, o das leis ou o dos homens?\u201d Uma análise sobre qual a melhor forma