Alimentar a Cidade- Das Vendedoras de Rua à Reforma Liberal- Richard Graham
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Alimentar a Cidade- Das Vendedoras de Rua à Reforma Liberal- Richard Graham


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Para	Sandra
Sumário
Lista	de	tabelas
Lista	de	mapas	e	ilustrações
Nota	sobre	moedas,	medidas,	grafia	de	palavras
Prefácio
Introdução
	
1.	A	cidade	numa	baía
	
PARTE	I	\u2014	O	PEQUENO	COMÉRCIO	DE	GÊNEROS
2.	A	rua	e	a	venda
3.	Ligações
4.	\u201cGente	do	mar\u201d
5.	O	celeiro	público
6.	Da	feira	do	gado	ao	açougue
7.	Tensão
	
PARTE	II	\u2014	NOVAS	REGRAS:	REFORMA	E	RESISTÊNCIA
8.	\u201cO	verdadeiro	inimigo	é	a	fome\u201d
9.	Tremores
10.	Carne,	mandioca	e	Adam	Smith
11.	\u201cO	povo	não	vive	de	teorias\u201d
12.	Considerações	finais
	
Apêndice	A:	Poder	aquisitivo	no	decorrer
do	tempo	em	Salvador
Apêndice	B:	Volume	de	gêneros	alimentícios	negociados
no	celeiro	público,	1785-1849	(em	alqueires)
	
Notas
Fontes
Créditos	de	mapas	e	ilustrações
Lista	de	tabelas
1.1											Origem,	status	jurídico	e	\u201ccor\u201d	da	população	de	Salvador	em	1835
1.2											Número	estimado	de	escravos	importados	para	a	Bahia,	1786-1850
1.3											Número	de	filiados	a	irmandades	entre	os	escravos	forros	por	período	e	gênero	revelado
em	482	testamentos
2.1											Profissões	de	mulheres	africanas	forras	na	paróquia	de	Santana	(Salvador),	1849
4.1											Navios	e	tripulações	em	Salvador,	1856
4.2											Quantidade	média	de	farinha	de	mandioca	no	celeiro	público	por	década,	1780-1840
9.1											Raça	e	status	jurídico	de	tripulantes	em	Salvador	por	tipo	de	embarcação,	1856	(número
e	porcentagem)
A													Como	chegar	a	um	índice	de	preços	e	taxas	de	câmbio	para	Salvador,	1790-1860,	com
conversão	de	multiplicadores
B													Volume	de	gêneros	alimentícios	negociados	no	celeiro	público,	1785-1849	(em	alqueires)
Lista	de	mapas	e	ilustrações
MAPAS
I.1	Brasil	e	suas	províncias	em	1860
1.1	O	Recôncavo	da	Bahia
1.2	Litoral	da	baía	de	Salvador,	c.	1847
1.3	Centro	de	Salvador,	c.	1847
4.1	Costa	baiana
	
FIGURAS
1.1	Panorama	da	cidade,	1861
1.2	A	cidade	baixa	vista	de	cima,	1860
1.3	Percussionista,	1960
1.4	Pandeiro,	1960
2.1	Vendedora	ambulante,	c.	1776-1800
2.2	Vendedor	ambulante,	1960
2.3	Mercearia	de	esquina	e	vendedores	de	rua,	1835
3.1	Vendedores	de	rua	na	igreja	do	Rosário,	com	a	igreja	do	Carmo	ao	fundo,	1860
4.1	Veleiro	com	provisões,	1835
4.2	a	4.5	Casa	de	farinha,	1960
4.6	Veleiros	atracados	em	Nazaré	antes	de	zarpar	para	Salvador,	1860
4.7	Saveiros	em	frente	à	cidade,	1960
4.8	Veleiros	descarregando	provisões	numa	praia	de	Salvador,	1960
4.9	Saveiros	descarregando	farinha,	1960
9.1	A	Santa	Casa	de	Misericórdia,	1960
11.1	Câmara	de	vereadores,	Salvador,	c.	1860
12.1	Saveiro	visto	de	Itaparica,	1973
Nota	sobre	moedas,	medidas,
grafia	de	palavras
O	valor	de	compra	da	moeda	caiu	consideravelmente	ao	longo	dos	oitenta	anos	cobertos	neste
livro,	por	isso	comecei	convertendo	valores	nominais	de	propriedades	post	mortem	e	alguns	outros
itens	 em	 valores	 de	 1824,	 como	 está	 explicado	 no	Apêndice	 A.	Depois	 escolhi	 uma	 determinada
herança	 de	 bens,	 descrevi-a	 com	 alguma	 minúcia	 e	 tomei-a	 como	 padrão	 de	 comparação.	 Nas
notas,	porém,	indico	tanto	o	valor	nominal	como	o	valor	real,	este	último	entre	parênteses.
Havia	 muitas	 medidas	 para	 gêneros	 alimentícios,	 mas	 só	 uso	 duas	 no	 texto.	 O	 alqueire	 em
Salvador	equivalia	a	36,27	litros.	A	arroba	pesava	quase	quinze	quilos.
No	 texto,	 atualizei	 a	 ortografia.	 Nas	 notas,	 cito	 autores	 e	 títulos	 como	 aparecem	 nas	 obras
consultadas,	seja	manuscritas,	seja	editada.
Prefácio
Nunca	 imaginei,	 ao	 receber	 uma	 pequena	 bolsa	 do	Global	 Education	Associates\u2019	World	Order
Program	para	desenvolvimento	curricular,	que	o	resultado	seria	um	livro.	A	ideia	era	preparar	um
curso	de	graduação	que	chamasse	a	atenção	para	os	difíceis	problemas	enfrentados	pelo	mundo
moderno	 com	relação	 à	distribuição	desigual	de	 alimentos.	Como	historiador,	 eu	queria	 explorar
esse	 tema	 no	 passado,	 e	 como	 professor	meu	 objetivo	 era	 conseguir	 a	 participação	 dos	 alunos.
Iniciei	 o	 curso	 com	 leituras	 relativas	 ao	 presente,	 desde	 a	 complementaridade	 de	 proteínas	 à
mortalidade	 infantil,	 e	 só	 depois	 recuei	 no	 tempo,	 discutindo	 reforma	 agrária,	 economias	 de
exportação	 e	 diferenças	 culturais,	 chegando	 por	 fim	 à	 \u201cconquista\u201d	 da	 América,	 à	 permuta
colombiana	e	ao	 tráfico	 transatlântico	de	escravos,	 sempre	 investigando	as	 causas	 imediatas	e	de
longo	 prazo.	 Só	 espero	 que	 para	meus	 alunos	 tenha	 sido	 tão	 estimulante	 quanto	 foi	 para	mim.
Começou	 a	 nascer	 ali	 este	 livro,	 muito	 diferente,	 sobre	 alimentos,	 seus	 produtores,	 seus
negociantes	e	seus	significados.
Por	sorte,	passei	por	Salvador	poucos	meses	depois,	quando	fui	visitar	minha	irmã	no	interior	da
Bahia,	e	resolvi	consultar	novamente	dois	arquivos.	No	da	cidade,	para	minha	surpresa,	encontrei
registros	 manuscritos	 do	 fim	 do	 século	 XVIII	 concedendo	 licenças	 a	 vendedores	 ambulantes,
merceeiros,	 açougueiros	 e	 barqueiros,	 com	nomes	 de	 pessoas	 comuns	 fazendo	 seus	 negócios	\u2014
nomes	 normalmente	 inacessíveis	 para	 os	 historiadores.	 Soube,	 então,	 que	 havia	 no	 Arquivo
Público	 do	 Estado	 da	 Bahia	 (APEB)	 um	 projeto	 em	 andamento	 para	 preparação	 de	 um	 índice
computadorizado	 de	 inventários	 de	 bens	 post	 mortem.	 Quando	 apresentei	 uma	 curta	 lista	 de
nomes	de	 vendedores	 e	 comerciantes,	 descobri	 com	 surpresa	 que	 cerca	 de	 10%	aparecem	nesses
registros.	Animado	pelas	possibilidades,	voltei	à	Universidade	do	Texas	em	Austin	pensando	num
novo	projeto	de	pesquisa.
Houve	 muitos	 desvios	 na	 trajetória	 que	 percorri	 desde	 aqueles	 momentos	 reveladores	 nos
arquivos	 até	 o	 presente	 livro,	 mas	 todos	 eles	 me	 deram	 o	 prazer	 não	 só	 de	 descobrir	 vidas	 de
pessoas	de	tempos	idos,	mas	também	o	de	formar	vínculos	com	gente	viva	que	me	ajudou	muito.
Arquivos	de	nada	 servem	para	o	historiador	 se	não	houver	 arquivistas	para	 tornar	 seu	 conteúdo
disponível.	No	APEB,	contei	em	especial	com	a	assistência	diária	de	d.	Edy	Alleluia	e	do	sr.	Daniel,
que	 trouxeram	 maços	 e	 maços	 de	 documentos	 para	 a	 sala	 de	 leitura.	 Mercedes	 (Mercedinha)
Guerra	usou	dados	de	computador	que	estava	compilando	justamente	naquela	época	para	buscar
nomes	 para	 as	 listas	 cada	 vez	 maiores	 que	 eu	 lhe	 apresentava,	 e	 a	 mediação	 de	 d.	 Judite	 foi
essencial	para	chegar	ao	setor	que	abriga	os	inventários	post	mortem.	A	diretora	do	arquivo,	Anna
Amélia	Vieira	Nascimento,	acrescentava	à	sua	eficiente	administração	o	animado	interesse	de	uma
colega	 historiadora.	 No	 arquivo	 da	 cidade	 fui	 imensamente	 ajudado	 pelo	 sr.	 Felisberto.	 Neusa
Esteves	compartilhou	comigo	seus	conhecimentos	de	arquivista	na	Santa	Casa	de	Misericórdia.
No	Arquivo	Nacional,	 no	 Rio	 de	 Janeiro,	 encontrei	 funcionários	 sempre	 atentos	 e	 dispostos	 a
ajudar.	Tive	o	prazer	de	ver	o	arquivo	mudar-se	de	um	antigo	edifício	do	outro	lado	da	praça	para
dependências	 mais	 espaçosas,	 enquanto	 o	 catálogo,	 anteriormente	 guardado	 em	 dois	 grandes
armários	 cilíndricos,	 era	 transformado	 num	 sofisticado	 instrumento	 on-line.	 Jaime	 Antunes	 da
Silva	dirige	a	instituição	com	habilidade	e	entendimento,	jamais	perdendo	de	vista	o	objetivo	final
de	 aumentar	 e	melhorar	 o	 conhecimento.	Na	 sala	 de	 leitura,	 Sátiro	Ferreira	Nunes	 faz	 o	 sistema
funcionar	e	com	a	maior	boa	vontade	mostra	como	os	documentos	estão	organizados.	Na	divisão
de	manuscritos	da	Biblioteca	Nacional	fui	ajudado	por	Waldyr	Cunha,	antes	de	sua	aposentadoria,
e	depois	pelo	sr.	Raimundo.	A	biblioteca	e	o	arquivo	do	Instituto	Histórico	e	Geográfico	Brasileiro,
bem	dirigida	pelo	presidente	do	instituto,	Arno	Wehling,	oferece	um	lugar	tranquilo	para	trabalhar,
além	 de	 uma	 vista	 magnífica	 da	 Baía	 de	 Guanabara.	 Todo	 o	 tempo	me	 beneficiei	 da	 presença
amiga	e	eficiente	da	bibliotecária	Maura	Corrêa	e	Castro.
Sempre	 tive	 inveja	dos	historiadores	brasileiros	que	hoje	 estão	na	 sala	de	aula	e	amanhã	num
arquivo.	 Para	 mim,	 visitar	 um	 arquivo	 significava	 arranjar