Fundamentos da Psicologia da Saúde 1-5 _ Passei Direto
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Fundamentos da Psicologia da Saúde 1-5 _ Passei Direto


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Fundamentos da Psicologia da Saúde
Aula 1
O estudo da Psicologia é dividido em várias áreas, cada uma indicando um campo 
conceitual e uma área de aplicação específica. Psicólogos especializam-se, de acordo com o 
objeto de estudo, e atuam na saúde, na pesquisa social, no contexto hospitalar, na área 
jurídica, na clínica, entre outras.
 O que é a Psicologia da saúde?
A Psicologia da Saúde tem por objetivo a promoção e manutenção da saúde e a 
prevenção da doença. Trata-se de um campo multidisciplinar interligado a outras áreas da 
Psicologia, tais como: Psicologia Comunitária, Clínica e Hospitalar.
 Ao mesmo tempo em que ressaltamos esta interseção, afirmamos a necessidade de 
diferenciar a Psicologia da Saúde e caracterizar seu campo de atuação.
 Nesse sentido, o psicólogo que atua no contexto hospitalar, por exemplo, está atuando 
na área da saúde. Mas a Psicologia da Saúde não se restringe à Psicologia aplicada a este 
contexto. A Psicologia Preventiva Comunitária, o atendimento a doentes terminais, o 
acompanhamento de pacientes com distúrbios alimentares são exercícios diferentes que 
também estão inseridos no objeto do nosso estudo.
\uf0b7 Atuação do psicólogo na psicologia da saúde:
Para Matarazzo, a Psicologia da Saúde agrega conhecimentos que permitem ao psicólogo
atuar: \u201cNa promoção e na manutenção da saúde, na prevenção e no tratamento da doença, 
na identificação da etiologia e no diagnóstico relacionados à saúde, à doença e às 
disfunções, bem como no aperfeiçoamento do sistema de política da saúde\u201d (MATARAZZO 
apud ANGERAMI, 2002, p.13). 
Angerami ressalta que as noções de saúde e doença englobam uma complexa interação 
entre aspectos físicos, psicológicos, sociais e ambientais. É fundamental que as diversas 
abordagens dentro do campo da saúde possam se harmonizar \u201cno sentido de promoverem 
uma compreensão que não deixe de fora nenhum dos aspectos desse processo\u201d 
(ANGERAMI, 2002, p.12).
A atuação do psicólogo no campo da saúde é, desta forma, orientada para uma prática 
multidisciplinar. Para isso, é importante assinalar que a formação do psicólogo deve 
contemplar conhecimentos que englobem as bases biológicas, sociais e psicológicas da saúde
e da doença.
\uf0b7 Breve histórico da Psicologia da Saúde
A Associação Brasileira de Psicologia da Saúde (ABPSA) foi fundada em 2006. É uma 
associação com propósitos científicos e educacionais, que, além de incentivar a pesquisa, 
visa \u201cfacilitar a troca de informação, conhecimento e experiência entre seus membros, 
estimulando iniciativas que viabilizem redes de apoio mútuo\u201d (ABPSA, 2012).
Percebemos que é recente a preocupação em formalizar, dentro da Psicologia, um 
campo específico para estudos e intervenção no setor da saúde. Talvez por isso ainda haja 
certa dificuldade de definir estritamente o campo da Psicologia da Saúde, sem confundi-lo 
com outros afins.
Apesar de recente do ponto de vista formal, o crescimento dessa área, no Brasil, é 
expressivo. Nos últimos vinte anos, aproximadamente, o setor de saúde pública foi o que 
mais absorveu psicólogos. Entretanto, a produção científica ainda é insuficiente.
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Prática interdisciplinar \u2013 de trocas e relações profissionais que tenham como foco o
paciente e sua recuperação
\uf0b7 A formação do psicólogo para a atuação na área de saúde
Uma das preocupações do psicólogo da saúde é compreender como intervir levando em 
conta as demandas individuais, o sistema de saúde e os aspectos sociais.
 É comum o pensamento de que o psicólogo clínico, que pretende atender em consultório
particular, não precisa compreender o funcionamento do sistema público de saúde no qual 
está inserida a sua prática. Entretanto, no contexto brasileiro contemporâneo, poucos são 
os psicólogos que trabalham apenas dentro dos consultórios. E, mesmo para os têm apenas 
essa prática, é fundamental o conhecimento mais amplo da carreira que escolheu.
 Neste sentido, é importante:
\u2022 Estudo das bases orgânicas do comportamento;
\u2022 Ter uma boa noção de Psicologia Social e trabalho com grupos;
\u2022 Conhecimento da realidade brasileira;
\u2022 Entender sobre a política de saúde pública.
\uf0b7 A criação do SUS e a atuação dos psicólogos
Quanto ao conhecimento do funcionamento e regulamentação da saúde pública, 
 ressaltamos que a criação do Sistema Único de Saúde (SUS) fez nascer um panorama 
diversificado para a atuação dos psicólogos, a partir da política dos níveis de atenção e da 
organização, acolhimento e classificação de risco. 
Para a inserção nesse contexto, que se afirma cada vez mais como mercado de trabalho
para o psicólogo, é importante conhecer sua proposta, limites e facilidades proporcionados 
ao saber psicológico.
Assim, afirma-se a importância de uma formação que se desloca da ênfase na clínica 
tradicional e contempla a saúde em seus diversos aspectos: biológico, psicológico e social.
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 Desta forma, não se trata de suprimir a formação clínica, mas de valorizar, na 
formação do psicólogo, a diversidade do conhecimento, preparando o profissional para o 
contexto multidisciplinar contemporâneo.
Aula 2
\uf0b7 A saúde no Brasil até 1987
Antes do Sistema Único de Saúde (SUS) ser criado no Brasil, em 1988, o cenário da 
saúde brasileira era o seguinte: apenas os trabalhadores com carteira assinada tinham 
acesso ao atendimento na rede pública de saúde, por serem segurados pela previdência 
privada; a assistência médico-hospitalar era prestada pelo Instituto Nacional de 
Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS), controlado pelo Ministério da 
Previdência e Assistência Social; as ações de promoção de saúde eram responsabilidade do 
Ministério da Saúde, que desenvolvia quase todas as campanhas que visavam à prevenção de
doenças, como informação sobre o controle de endemias e vacinação.
\uf0b7 A Reforma Sanitária brasileira
Trata-se de um movimento voltado para a ampliação dos direitos de cidadania à 
população, especialmente às camadas sociais marginalizadas. A limitação dos direitos civis, 
durante os anos de autoritarismo, agravou a desigualdade social com relação a direitos 
básicos, como o direito ao atendimento no setor da saúde pública.
A proposta central da reforma sanitária era garantir o direito à saúde para todo 
cidadão, colocando em questão o dever do Estado nesse contexto.
Podemos entender a Reforma Sanitária como um projeto dentro de uma trajetória 
maior \u2013 que englobou outros projetos econômico-sociais. Esse cenário de reivindicações 
contemplava a unificação do sistema de saúde através de uma nova política pública. Esse 
processo visava à universalização do atendimento e o acesso de toda a população, com 
extensão de cobertura de serviços.
O movimento sanitarista brasileiro cresceu ao longo dos anos 1980 e ganhou 
representatividade através da participação de profissionais da saúde, políticos e lideranças
populares. Com o objetivo de lutar pela reestruturação do sistema de saúde, este 
movimento teve como marco a 8ª Conferência Nacional de Saúde, ocorrida em Brasília, em 
1986.
As discussões centralizadas nesta conferência, que contou com a participação de 
representantes da população, resultaram em propostas que foram contempladas no texto 
da Constituição Federal, promulgada em 1988. As ideias também se consolidaram nas leis 
orgânicas de saúde, garantindo a valorização de um conceito ampliado de saúde, que engloba
a promoção, proteção e a recuperação.
\uf0b7 A criação e regulamentação do SUS
Como o resultante