EAD - Filosofia, Comunicação e Ética - Unid ll
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Unidade II
5 VALORES, MORAL E ÉTICA
5.1 Valores
O ser humano, no seu dia a dia, constantemente faz escolhas, por exemplo: Qual roupa usar? 
Qual caminho percorrer até o centro comercial? Quais alimentos optar em um almoço por quilo? 
Assistir a um filme da mostra internacional ou a o filme nacional, que entrou em cartaz? São 
escolhas que muitas vezes se faz sem grandes dilemas. Outras escolhas podem demandar maior 
análise e reflexão, por exemplo: Que profissão devo escolher? Devo me casar agora ou esperar um 
pouco mais? Ou ainda: será que devo me casar? Como devo educar meus filhos? Devo aceitar uma 
proposta rentável, mas imoral? O fato é que o ser humano é um ser que faz escolhas, mesmo que 
seu leque de opções seja limitado. E qual a base para essas escolhas? São os valores que atribuímos 
às coisas. 
No seu dia a dia e no seu contato com as coisas, os seres humanos fazem juízos de valor e juízos de 
realidade. Juízos de realidade são feitos quando constatamos as coisas existentes. Por exemplo, quando 
afirmamos que esta apostila é do curso de Pedagogia ou quando se olha pela janela e afirmamos que 
parou de chover. Nesses casos, estamos fazendo constatações sobre o existente, estamos fazendo juízos 
de realidade. Mas, ao mesmo tempo em que fazemos juízos de realidade, podemos também fazer juízos 
de valor. Por exemplo, podemos dizer que esta apostila, além de ser do curso de Pedagogia, ela é muito 
interessante. Podemos olhar pela janela é afirmar que parou de chover e acrescentar que a rua molhada 
ficou mais bela (ARANHA; MARTINS, 2005).
O ser humano, diante do existente, não fica indiferente, ele faz julgamentos, ele valora a realidade. 
E o que são valores? Valores são aquilo que valem, aquilo que se julga importante, aquilo que se dá 
prioridade. Todos os seres humanos possuem uma escala de valores, mesmo que não se tenha refletido 
muito sobre ela. Geralmente, são considerados importantes valores como: saúde, amizade, felicidade, 
educação, bem\u2011estar, entre outros. Dessa forma, os valores orientam a ação, uma vez que a pessoa irá 
agir de acordo com os valores que julga mais importante. Assim, pode\u2011se afirmar que ser humano valora 
as coisas a sua volta e faz escolhas com base nesses valores.
Será que toda sociedade produz valores? Podemos dizer que sim, uma vez que é próprio dos 
seres humanos atribuírem valor as coisas. Será que os valores das diferentes épocas e das diferentes 
sociedades são os mesmos? Pode\u2011se afirmar que não. Cada época e cada sociedade estabelecem 
seus próprios valores e, dessa forma, alguns podem coincidir, mas outros não. O fato é que nós 
nascemos em uma sociedade e herdamos os valores dessa sociedade. Somos educados de acordo 
com os valores considerados corretos. E como a educação deve lidar com a questão dos valores? 
Segundo Saviani: 
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FILOSOFIA, COMUNICAÇÃO E ÉTICA
A reflexão sobre os problemas educacionais inevitavelmente nos levará à 
questão dos valores. Com efeito, se esses problemas trazem a necessidade 
de uma reformulação da ação, torna\u2011se necessário saber o que se visa com 
essa ação, ou seja, quais são os seus objetivos. E determinar os objetivos 
implica definir prioridades, decidir sobre o que é válido e o que não é válido. 
Além disso \u2013 todos concordam \u2013 a educação visa ao homem; na verdade, 
que sentido terá a educação se ela não estiver voltada para a promoção do 
homem? Uma visão histórica da educação mostra como esta esteve sempre 
preocupada em forma determinado tipo de homem. Os tipos variam de acordo 
com as diferentes exigências das diferentes épocas. Mas a preocupação com 
o homem, esta é uma constante (SAVIANI, 2000, p. 35).
Se educar pressupõe valores, a educação deve refletir sobre os valores herdados no meio social 
questionando se os mesmos estão a serviço do bem\u2011estar comum ou não.
5.2 Moral e ética
Como podemos definir o que é moral? E o que é ética? No dia a dia, muitas vezes, essas duas palavras 
são utilizadas como sinônimos. A palavra ética vem do grego êthos que significa costume, modo de ser; a 
palavra moral vem do latim mores que possui o mesmo significado. Embora ambas as palavras, do ponto de 
vista etimológico, tenham um sentido comum, na perspectiva filosófica possuem significados diferentes. 
Pode\u2011se definir a ética como uma reflexão filosófica sobre os fundamentos da moral. Já a moral, pode ser 
entendida como um conjunto de regras que visa a regular a vida social. Segundo explica Rios:
A ética se apresenta como uma reflexão crítica sobre a moralidade, sobre 
a dimensão moral do comportamento do homem. Cabe a ela, enquanto 
investigação que se dá no interior da filosofia, procurar ver [...] claro, fundo 
e largo os valores, problematizá\u2011los, buscar sua consistência. É nesse sentido 
que ela não se confunde com a moral. [...]
A moral, numa determinada sociedade, indica o comportamento que deve ser 
considerado bom e mau. A ética procura o fundamento do valor que norteia o 
comportamento, partindo da historicidade presente nos valores (RIOS, 2001, p. 24).
Será que o ser humano já nasce moral? Se a moral esta ligada ao costume, ao hábito, pode\u2011se 
dizer que ninguém nasce moral. O ser humano nasce amoral, ou seja, sem nenhuma moral, mas aos 
poucos vai se apropriando da língua, dos costumes, da moral do seu grupo. Podemos, ainda, dizer que, 
enquanto a moral parte de um fato, que se torna norma e, portanto, se transforma em valor, a ética 
segue o caminho inverso. Ela parte um valor, que visa a virar norma, e, portanto, se transformar em fato. 
Segundo Marilena Chauí:
Numa perspectiva geral, podemos dizer que a ética procura definir, antes de 
mais nada, a figura do agente ético e de suas ações e o conjunto de noções 
(ou valores) que balizam o campo de uma ação que se considere ética. O 
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agente ético é pensado como sujeito ético, isto é, como um ser racional e 
consciente que sabe o que faz, como um ser livre que decide e escolhe o que 
faz, e como um ser responsável que responde pelo que faz. A ação ética é 
balizada pelas ideias de bom e mau, justo e injusto, virtude e vício, isto é, 
por valores cujo conteúdo pode variar de uma sociedade para outra ou na 
história de uma mesma sociedade, mas que propõem sempre uma diferença 
intrínseca entre condutas, segundo o bem, o justo e o virtuoso. Assim, uma 
ação só será ética se for consciente, livre e responsável e só será virtuosa 
se for realizada em conformidade com o bom e o justo. A ação ética só é 
virtuosa se for livre e só será livre se for autônoma, isto é, se resultar de uma 
decisão interior ao próprio agente e não vier da obediência a uma ordem, a 
um comando ou a uma pressão externos. Enfim, a ação só é ética se realizar 
a natureza racional, livre e responsável do agente e se o agente respeitar a 
racionalidade, liberdade e responsabilidade dos outros agentes, de sorte que 
a subjetividade ética é uma intersubjetividade. A ética não é um estoque 
de condutas e sim uma práxis que só existe pela e na ação dos sujeitos 
individuais e sociais, definidos por formas de sociabilidade instituídos pela 
ação humana em condições históricas determinadas (CHAUÍ, 1999).
Figura 14 \u2013 Ruínas do templo de Apolo, em Delfos
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FILOSOFIA, COMUNICAÇÃO E ÉTICA
Sócrates é considerado o fundador da ética, uma vez que adotou como lema o imperativo délfico 
\u201cconhece\u2011te a ti mesmo\u201d, buscou incessantemente