MANKIW, Gregory Introdução à Economia_cap 11 ao 20
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MANKIW, Gregory Introdução à Economia_cap 11 ao 20


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BENS KBL 0 F
R,7 UR OS COMUNS
A letra de uma antiga cancao diz que "The best things in life are free" ("As melho-
res coisas da vida sao de graca"). Um pensamento momentaneo nos revela uma
longa lista de bens que o compositor podia ter em mente. A natureza proporciona
alg,uns deles, como rios, montanhas, praias, lagos e oceanos. 0 govemo é respon-
savel por outros, como playgrounds, parques e desfiles. Em qualquer desses casos,
as pessoas nao trri de pagar nenhum imposto quando escolhem desfmtar o bene-
ficio desse bem.
Os bens gratuitos proporcionam um especial desafio para a analise econ8mica.
A maioria clos bens em nossa economia é alocada em mercados onde os compra-
dores pagan-i pelo que recebem e os vendedores sao pagos pelo que fornecem. Para
esses bens, os precos sao os sinais que orientam as decises de con-ipradores e ven-
dedores. Quando os bens estao disponfveis gratuitamente, contudo, as forcas de
mercado que normalmente alocam os recursos em nossa economia
Neste capitulo examinaremos os problemas relacionados a bens que nao
precos de mercado. Nossa analise esclarecera um dos Dez Principios de Economia do
Capitulo 1: às vezes os governos podem melhorar os resultados do mercado. Quan-
do um bem nao tem preco, os n-iercados privados nao conseg-uem garantir que ele
seja produzido e consun-iido nas quantidades apropriadas. Nestes casos, a politica
govemamental pode potencialmente remediar a falha do mercado e aumentar o
bem-estar econOmico.
`l kvAL.
rn,utct ctu,ovittici ck\u201eou.
( (.64 4G6,4
propriedade da exclusao
a propriedade de urn bem
segundo a qual uma pessoa
pode ser impedida de usa-lo
rivalidade
a propriedade de um bem
segundo a qual sua utilizacao
par uma pessoa impede
outras pessoas de utiliza-lo
----r-V\u2014V\u2014V\u2014
bens privados
bens que sao tanto
excludentes quanto rivais
'---A\u2014
7:4C/UNqi16
atock,rn
AOZ
Col kA, 4 clk a,k,k
\u2022 P, ..c,ckclIcAA,
..1,0 (:&
(plan ,DU -Pa& 1DC6.c.,A)
Sim
I Rivard
Nao
Bens Privados MonopOlios Naturals
\u2022 Protecao contra incendios
\u2022 TV a cabo
\u2022 Estradas corn pedagio
llyre
\u2022 Sorvetes de casquinha
\u2022 Roupas
\u2022 Estradas corn pedagio
congestionadas
\u2022 Recursos Comuns
\u2022 Peixes do mar
\u2022 Meio ambiente
\u2022 Estradas sem pedagio
congestionadas
Bens Ptiblicos
\u2022 Sirene de tornado
\u2022 Defesa nacional
\u2022 Estradas sem pedagio
livre
Sim
[Excludenteli
Nao
224 PARTE 4 A ECONOMIA DO SETOR POBLICO
OS DIFERENTES TIPOS DE BENS
Os mercados conseguem proporcionar adequadamente os hens que as pessoas
querem? A resposta a essa questao depende do bem considerado. Como discuti-
mos no Capitulo 7, podemos confiar no mercado para fornecer a quantidade
ciente de sorvetes de casquinha: o preco do sorvete se ajusta para equilibrar oferta
e demanda e esse equilibrio maximiza a soma dos excedentes do consumidor e do
produtor. Mas, como discutimos no Capitulo 10, nao podemos confiar que o mer-
cado impeca os produtores de aluminio de poluir o ar que respiramos: os compra-
dores e vendedores em urn mercado normalmente nao levam em considerac5o os
efeitos extemos de suas decisoes. Assim, os mercados funcionam bem quando se
trata de sorvete, mas funcionam mal quando o bem é ar puro.
Ao se pensar nos diversos tipos de hens existentes na economia, é ütil agrupa-
los segundo duas caracteristicas:
\u2022 0 bem é excludente? As pessoas pociem ser impedidas de usa-lo?
\u2022 0 bem é rival? 0 fato de uma pessoa usar um bem elimina a possibilidade de
que alguem mais possa usa-lo?
Partindo dessas duas caracteristicas, a Figura 1 divide os hens em quatro cate-
aorias:
1. Os bens privados sao tanto excludentes quanto rivais. Considere urn sorvete de
casquinha, por exemplo. Ele é excludente porque é possivel impedir que uma
pessoa o tome \u2014 é so nao dar o sorvete a essa pessoa. E o sorvete de casquinha
FIGURA 1
Quatro Tipos de Bens
Os hens podem ser agrupados em
quatro categorias segundo duos
perguntos: (1) 0 bem é exclu-
dente? 1st° 6, as pessoas podem
ser impedidas de usci-lo? (2) 0
bem é rival? Isto 6, se uma pessoa
usa urn bem, isso elimina a
possibilidade de outra pessoa
usd-lo? 0 diagram° do exemplos
de hens pertencentes a coda uma
dos quatro categorias.
(.0AtCk-,41;'4LCCI
cy (Gx, cf,a b.117)71-i ,t
.rflC L P°r
EMA.tkpl
bens p(Iblicos
bens que não sk nem
excludentes nem rivais
recursos comu ns
bens que são rivais, mas
excludentes
CAP1TULO 11 BENS PUBLICOS E RECURSOS CONIUNS 225
rival porque, se uma pessoa tomar um sorvete, outra n'ao podera tomar o
mesmo sorvete. A maioria dos bens da economia e composta de bens privados,
como os sorvetes de casquinhas. Quando analisamos oferta e demanda nos
capitulos 4, 5 e 6 e a eficiencia dos mercados nos capitulos 7, 8 e 9, adn-iitimos
implicitamente que os bens fossem tanto excludentes quanto rivais.
2. Bens pbiicos n'ao s'ao nem excludentes nem rivais. Ou seja, as pessoas na-o
podem ser impedidas de usar um bem ptIblico e, quando uma pessoa usa um
bem público, isso n -ao reduz a disponibilidade dele, podendo ser utilizado por
outras pessoas sem prejuizo de nenhuma delas. Por exemplo, uma sirene de tor-
nado de uma pequena cidade é um bem público. Quando a sirene soa, é impos-
sivel impedir que alg,uem a ouc, a. E, quando alguem recebe o beneficio do sinal
de perigo, isso n'ao reduz o beneficio conferido aos demais habitantes.
3. Os recursos comuns s'ao rivais, mas n'ao excludentes. Por exemplo, os peixes no
mar s'ao bens rivais: quando alguen-1 pesca um deles, ha menos peixes disponi-
veis para a prOxima pessoa que for pescar. Mas os peixes na'o s'ao excludentes,
porque, dada a vasticla- o do mar, e difícil impedir que os pescadores retirem pei-
xes dele.
4. Quando um bem n -ao e nem excludente nem rival, e exemplo de monoOlio natu-
ral. Considere, por exemplo, a proteao contra incridios numa cidade pequena.
facil excluir as pessoas do uso do bem: os bombeiros podem sin-Iplesmente
permitir que a casa delas queime ate o fim. Mas a proteção contra inc'endios n'ao
rival. Os bombeiros passam g,rande parte de seu tempo esperando por
cle modo que proteger un-ia casa a mais provaveln-iente n -ao reduzira a
teção disponivel para as demais. Em outras palavras, uma vez que uma cidade
pague pelo corpo de bombeiros, o custo adicional da prote -ao de uma casa a
mais e pequeno. No Capitulo 15, daremos uma definic; -,ao melhor dos monop(5-
lios naturais e os estudaremos em maiores detalhes.
Neste capitulo, examinaremos os bens que não s'ao excludentes e, portanto,
esta- o disponiveis gratuitamente para todos: os bens pb1icos e os recursos naturais.
Como veremos, este tpico esta estreitamente relacionado ao estudo das externa-
lidades. Quando se trata de bens pbicos e de recursos naturais, as extemalidades
surgem porque algo de valor n'ao tem prNo estipulado. Se alguem proporciona um
bem pUblico, como uma sirene de tomado, as outras pessoas se beneficiam, mas
rth- o podem ser cobradas por esse beneffcio. De maneira similar, quando uma pes-
soa usa um recurso comum, como os peixes do mar, as outras pessoas s'ao prejudi-
cadas e n -ao s -a"o compensadas por essa perda. Por causa desses efeitos extemos, as
decises privadas de consumo e produlo podem levar a uma aloca -ao ineficiente
dos recursos e a interven o do govemo pode potencialmente aumentar o bem-
estar econOmico.
Teste R4ido Defina bens pblicos e recursos comuns e dê um exemplo de cada.
BENS PBLiCOS
Para entender de que maneira os bens ptiblicos diferem de outros bens e quais s.k)
os problemas que apresentam à sociedade, vamos considerar um exemplo: um
show pirotecnico. Esse bem na'o é excludente porque e impossivel impedir que
alguem veja os fogos, e n -ao é rival porque o entretenimento que uma pessoa extrai
dele não reduz o entretenimento disponivel para as outras.
226 PARTE 4 A ECONOMIA DO SETOR PUBLIC()
Problema dos Caronas
carona
(alguern que recebe o
beneficio de urn bem, mas
evita pagar por ele
Os moradores de Smalltown, nos Estados Unidos, gostam de ver fogos de artificio no
feriado de Quatro de Julho, Dia da Independencia norte-americana. Cada urn dos
500 moradores