MANKIW, Gregory Introdução à Economia_cap 30 até o final
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CRES PtiW TO DA MOEDA E
FLACik0
mbora nos dias de hoje voce precise de um ou dois d6lares para comprar um sor-
vete de casquinha, a vida era muito diferente ha 60 anos. Na cidade de Trenton,
New Jersey, em uma loja de doces (dirigida, casualmente, pela avó deste autor na
decada de 1930), os sorvetes eram apresentados em dois tamanhos. Um sorvete de
casquinha pequeno custava tres cents. Clientes mais esfomeados podiam comprar
um sorvete de casquinha grande por cinco cents.
Voce provavelmente não esta surpreso com o aumento do preo dos sorvetes. Em
nossa economia, os preos tendem a aumentar com o passar do tempo. Esse aumen-
to do nivel geral de prec;os é chamado de inflac -do. Ja vimos em um capitulo anterior
como os economistas medem a taxa de iriflação, ou pela varia o 1.-)ercentual no
ce de preos ao consumidor, ou pelo deflator do PIB ou por qualquer outro indice do
nivel geral de prec;os. Esses indices cle pre(;os mostram que, nos últirnos 60 anos, os
preos subiram, em media, 5 c)/0 ao ano. Acumulada ao longo de muitos anos, uma
inflgo de 5°/0 ao ano levou a um aumento de 18 vezes no nivel de preos.
A inflaao pode parecer natural e inevitavel para alguem que tenha crescido nos
Estados Unidos durante a segunda metade do seculo XX, mas na verdade n'ao e algo
inevitavel. No seculo XIX houve dois longos periodos durante os quais a maioria dos
prec;os caiu \u2014 um fenOmeno chamado defh4Ty7o. 0 nivel medio de preos da econo-
646 PARTE 10 MOEDA E PREcOS NO LONGO PRAZO
mia norte-americana era 23`)/0 menor em 1896 do que em 1880, e essa deflacao foi
urn assunto de grande importancia na eleicao presidencial de 1896. Os fazendeiros,
que haviam acumulado grandes dividas, sofreram quando a queda dos precos de
suas colheitas reduziu suas rendas e, corn isso, sua capacidade de pagar dividas. Eles
defendiam polfticas governamentais que tivessem por objetivo reverter a deflacao.
Embora a inflacao tenha sido a regra durante a historia recente, tern havido
uma variacao substancial na taxa de aumento dos precos. Durante os anos 90, os
precos subiram a uma taxa media de cerca de 2% ao ano. Ja durante os anos 70,
os precos subiram cerca de 7% ao ano, o que implicou duplicacao do nivel de pre-
cos durante a decada. 0 pilblico frequentemente considera essas taxas tao eleva-
das de inflacdo como urn grande problema economic°. De fato, quanto o presi-
dente Jimmy Carter concorreu a reeleicao em 1980, o desafiante Ronald Reagan
apontou a inflacao elevada como uma das falhas da politica econOmica de Carter.
Dados internacionais mostram uma extensao ainda mais ampla de experiencias
inflacionarias. Apos a Primeira Guerra Mundial, a Alemanha registrou uma infla-
cao espetacular. 0 preco de urn jomal subiu de 0,3 marco em janeiro de 1921 para
70 milhoes de marcos menos de dois anos depois. Outros precos subiram na
mesma proporcao. Uma taxa de inflacao extraordinariamente elevada, como essa,
é chamada hiperinflacao. A hiperinflacao alema teve um efeito tao adverso sobre a
economia do pais que é frequentemente vista como urn dos principais elementos
que contribuiram para o inicio do nazism° e, como consequencia, da Seg-unda
Guerra Mundial. Nos ultimos 50 anos, corn esse episOdio ainda em mente, os for-
muladores de polfticas alemaes tern sido extraordinariamente avessos a inflacao, e
a Alemanha tem apresentado inflacao muito menor que a dos Estados Unidos.
0 que determina se uma economia apresentara inflacao e, em caso positivo, de
quanto? Este capitulo responde a essa pergunta, desenvolvendo a teoria quantitati-
va da moeda. 0 Capitulo 1 resume essa teoria como urn dos Dez Principios de
Economia: Os precos aumentam quando o governo emite moeda demais. Essa ideia
tern uma longa e veneravel tradicao entre os economistas. A teoria quantitativa foi
cliscutida pelo famoso filOsofo do seculo XVIII David Hume e, mais recentemente,
foi defendida pelo proeminente economista Milton Friedman. Essa teoria da infla-
cao pode explicar tanto inflacoes moderadas, como aquelas ocorridas nos Estados
Unidos, quanto hiperinflacoes, como aquelas vividas pela Alemanha no period()
entre as guerras e, mais recentemente, por alg-uns 'Daises da America Latina.
ApOs desenvolver a teoria da inflacao,,voltaremo-nos para uma questa° corre-
lata: por que a inflacao é urn problema? A primeira vista, a resposta pode parecer
obvia: A inflacao é um problema porque as pessoas nao gostam dela. Nos anos de
1970, quando os Estados Unidos apresentavam taxas de inflacao relativamente
altas, as pesquisas de opinido colocavam a inflacdo como o maior problema enfren-
tado pela nacao. 0 presidente Ford refletiu esse sentimento em 1974, quando cha-
mou a inflacao de "inimigo paha) numero 1". Ford usava na lapela urn button em
que se lia "WIN"\u2014 Whip Inflation Now (Acabar corn a Inflacao Jai).
Mas quais sao, exatamente, os custos que a inflacdo imp-6e a uma sociedade? A
resposta pode surpreender voce. Identificar os diversos custos da inflacao nao é tao
simples e direto quanto pode parecer a primeira vista. Como resultado, embora a
maioria dos economistas condene a hiperinflacao, alg-uns deles afirmam que os
custos de uma inflacao moderada nao sao tao elevados quanto o pilblico ern geral
acredita.
A TEORIA CLASSICA DA INFLA00
Comecaremos nosso estudo da inflacao desenvolvendo a teoria quantitativa da
moeda. Essa teoria é muitas vezes chamada de "teoria cl6ssica"porque foi desen-
"E entao, o que vai ser? Do
mesmo tamanho do ano
passado ou do rnesmo preo
do ano passado?"
CAPh'ULO 30 CRESCIMENTO DA NIOEDA E INFL ~0 647
volvida por alguns dos primeiros pensadores da economia. A maioria dos econo-
mistas utiliza essa teoria para explicar os determinantes de longo prazo do nivel de
preos e da taxa de
0 Nivei de Precos e o Valor da Moeda
Vamos supor que observamos, ao longo de um determinado periodo de tempo, o
preo de um sorvete de casquinha aumentar de 5 cents para um cl6lar. Que conclu-
sao poderiamos tirar do fato de que as pessoas est'ao dispostas a dar muito mais
dinheiro em troca de um sorvete? E possivel que as pessoas estejam gostando mais
de sorvete (talvez porque algum quirnico tenha desenvolvido um novo e maravi-
lhoso sabor). Mas provavelmente nab e esse o caso. 0 mais provavel e. que as pes-
soas continuem apreciando o sorvete da mesn-la forma e que, com o passar do
tempo, a moeda usada para compra-lo tenha se tornado menos valiosa. De fato, o
primeiro entendimento sobre a inflação é de que ela tem mais a ver com o valor da
moeda do que com o valor dos bens.
Esse entendimento nos ajuda a apontar um caminho em dire o à teoria da
Quando o indice de prev:is ao consumidor e outras medidas do nivel de preQos
aumentam, os analistas muitas vezes sentem-se tentaclos a olhar os muitos pre-
os individuais que compem esses indices de preos:"0 IPC aumentou 3% no mes
passado, influenciado por um aumento de 20% no preo do cafe e um aumento de
30% no 6leo combustivel para aquecimento". Embora essa abordagem contenha
algumas informg6- es interessantes sobre o que esta acontecendo na economia,
deixa passar um ponto-chave: a inflga'o e um fenOmeno econOmico abrangente que
diz respeito, em primeiro lugar, ao valor do meio de troca da economia.
0 nivel de prev)s geral da economia pode ser visto de duas maneiras.Ate agora,
olhamos o nivel de pre9Ds como o preo de uma cesta de bens e servios. Quando
o nivel de preos aumenta, as pessoas precisam pagar mais pelos bens e servios
que compram. Alternativamente, podemos ver o nivel de pre9
ps como uma medi-
da do valor da moeda. Um aumento no nivel de preos sig,nifica uma reduao no
valor da moeda porque cada dlar que voce tem na carteira compra uma quanti-
dade menor de bens e servios.
Pode ser Util expressar matematicamente essas ideias. Suponha que P seja o
nivel de prev)s medido, por exemplo, pelo indice de preos ao consumidor ou pelo
deflator do PIB. Ent'ao, P mede o nUmero de dOlares necessario para con-yrar uma
cesta de bens e servios. Agora vamos inverter essa ideia: a quantidade de bens e
servios que pode