--VIEIRA, N O trabalho da babá, trajetórias corporais entre o afeto, o objeto e o abjeto
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--VIEIRA, N O trabalho da babá, trajetórias corporais entre o afeto, o objeto e o abjeto


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UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA
INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS
DEPARTAMENTO DE SOCIOLOGIA
O TRABALHO DA BABÁ:
TRAJETÓRIAS CORPORAIS ENTRE O AFETO, O OBJETO E O ABJETO
Autora: Nanah Sanches Vieira
Brasília, 2014
UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA
INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS
DEPARTAMENTO DE SOCIOLOGIA
O TRABALHO DA BABÁ:
TRAJETÓRIAS CORPORAIS ENTRE O AFETO, O OBJETO E O ABJETO
Autora: Nanah Sanches Vieira
Dissertação apresentada ao Departamento de 
Sociologia da Universidade de Brasília/UnB como 
parte dos requisitos para a obtenção do título de 
Mestre. 
 
 
Brasília, abril de 2014
UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA
INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS
DEPARTAMENTO DE SOCIOLOGIA
PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM SOCIOLOGIA
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO
O TRABALHO DA BABÁ:
TRAJETÓRIAS CORPORAIS ENTRE O AFETO, O OBJETO E O ABJETO
Autora: Nanah Sanches Vieira
Orientadora: Doutora Tânia Mara Campos de Almeida (UnB)
 
Banca: Profª. Drª. Tânia Mara Campos de Almeida ...........................(UnB) 
Profª Drª. Ângela Figueiredo .............................................. (UFRB) 
Prof. Dr. Joaze Bernardino-Costa .......................................... (UnB) 
Profª. Drª. Lourdes Bandeira ..................................... (SUPLENTE) 
Dedico este trabalho ao meu 
filho, Ravi; e a cada uma das 
mulheres que me contaram um 
pouco de suas vidas. 
AGRADECIMENTOS 
Trabalho de pesquisa apoiado pelo CNPq.
Agradeço àquelas que me receberam em suas casas para conversas sobre memórias e 
sonhos, num gesto de confiança e esperança.
À minha orientadora Tânia Mara, pela atenção valiosa e carinhosa, fundamental para 
a construção desse trabalho. 
À banca de defesa, professoras Ângela Figueiredo e Lourdes Bandeira e professor 
Joaze Bernardino-Costa. Agradeço a disponibilidade e o aceite do convite para examinar 
essa dissertação.
À minha família, pelo apoio incondicional. Principalmente, agradeço a minha mãe, 
meu pai e Mila, pela paciência e por me darem toda a força e estrutura para que eu continuasse 
estudando. Às irmãs e irmão mais queridos e todas as nossas crianças. Às minhas avós, meus 
tios e tiá. 
À família do Bruno, em especial à Ideli. 
Ao meu filho Ravi, que me acompanhou durante a pesquisa de campo e que já contava 
os dias para a defesa dessa dissertação, mesmo entendendo minha ausência com muito amor. 
Às minhas companheiras e companheiros de mestrado, amigas e amigos. 
Ao apoio do CNPq, financiador dessa pesquisa, e a todas e todos do Departamento de 
Sociologia da Universidade de Brasília \u2013 SOL/UnB.
Preciso ser um outro 
para ser eu mesmo 
Sou grão de rocha 
Sou o vento que a desgasta 
Sou pólen sem insecto 
Sou areia sustentando 
o sexo das árvores 
Existo onde me desconheço 
aguardando pelo meu passado 
ansiando a esperança do futuro 
No mundo que combato morro 
no mundo por que luto nasço
Mia Couto
RESUMO
O objetivo desta dissertação de mestrado foi apreender e analisar o cotidiano das 
trabalhadoras domésticas no Brasil contemporâneo, tendo por foco a prática laboral de 
mulheres que trabalham como babás em Brasília/DF. Para tanto, a pesquisa tematizou o 
corpo vivido como espaço de observação e de significação de relações sociais recortadas 
pelos marcadores interseccionados de raça e gênero, pensando-os a partir de estudos 
sobre o pensamento feminista negro, a colonialidade e a historiografia brasileira. O corpo, 
portanto, foi abordado como categoria central de reflexão e análise para a compreensão das 
representações e práticas referentes à babá, em especial por meio da sua subclassificação 
em \u201ccorpo-objeto\u201d, \u201ccorpo-afeto\u201d e \u201ccorpo-abjeto\u201d. Em busca das experiências corporais, 
entrevistas em profundidade foram realizadas com nove babás através de onde pude 
apresentar as transições entre um sub-corpo a outro, mostrando que formam um todo em 
permanente imbricação.
Palavras-chave: Corpo. Trabalho Doméstico. Babás. Afeto. Abjeção.
ABSTRACT
The goal of this master\u2019s dissertation was to learn and analize the everyday life of 
house workers in contemporary Brazil , having as a main focus the working practice of 
women that work as nannies in Brasília/DF. Therefore, the research themed the living body as 
a space of observation for the meaning of social relations cropped by interseccional markers 
of race and gender, thinking them from the black feminist point of view, the coloniality and 
the Brazilian historiography. The body, wherefore, was approached as a central category of 
reflection and analisys for the understanding of the nanny\u2019s representation and practices, in 
special through their subcategorization in \u201cobject-body\u201d and \u201caffection-body\u201d and \u201cabject-
body\u201d. In the search for their bodily experiences , there were made in depth interviews with 
nine nannies through which I was able to present the transitions between one sub-body to the 
next, showing that they form one whole in permanent imbrication.
Key Words: Body. House work. Nannies. Affection. Abjection
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO 11
1. CENÁRIOS, PROCEDIMENTOS DE PESQUISA E TRABALHO DE CAMPO 16
1.1 Panorama geral do trabalho doméstico no Brasil 16
1.2 Legados coloniais na capital da modernidade 18
1.3 Considerações metodológicas: a ida ao campo 
e o retorno pela escrita 31
1.4 As entrevistas: estratégias e dificuldades 37
1.5 Histórias Cruzadas 41
1.5.1 Sandra 43
1.5.2 Jesus 45
1.5.3 Ana 48
1.5.4 Bárbara 50
1.5.5 Carla 54
1.5.6 Meire 56
1.5.7 Vanda 59
1.5.8 Jane 62
1.5.9 Cleide 64
2. CONTRIBUIÇÕES TEÓRICAS SOBRE O CORPO 67
2.1 Considerações sobre o corpo na teoria social: a necessidade 
da superação do dualismo cartesiano 67
2.2 As teorias feministas e o corpo 71
2.3 O corpo e a perspectiva racial 74
2.4. Os estudos subalternos e decoloniais 76
3. MULHERES NEGRAS E O TRABALHO DOMÉSTICO NO BRASIL 80
3.1 Trabalho doméstico e divisão sexual do trabalho 81
3.2. A transição da ama-de-leite à babá 85
3.2.1 A ama-de-leite em relatos de viajantes 85
3.2.2 A ama seca ou a mãe preta e o discurso médico higienista 87
3.2.3 A babá no presente 89
3.2.4 O combate às diferenciações: a PEC das Domésticas 
e o caso dos uniformes 90
4. O CORPO DA BABÁ: AFETO, OBJETO E ABJETO 100
4.1 O corpo-afeto 102
4.2 O corpo-objeto 107
4.3 O corpo-abjeto 120
4.4 Resistência, prazer, sonhos e projeções futuras 127
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS 132
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 138
ANEXO I \u2013 Quadro I: Perfis das babás entrevistadas 145
ANEXO II \u2013 Roteiro das entrevistas em profundidade 146
ANEXO III \u2013 Termo de Consentimento Livre 
e Esclarecido (TCLE) 149
ANEXO IV \u2013 Fotografias das bonecas de Bárbara 151
11
INTRODUÇÃO
[...] Escrever é perigoso porque temos 
medo do que a escrita revela: os medos, 
as raivas, a força de uma mulher sob uma 
opressão tripla ou quádrupla. 
Porém neste ato reside nossa sobrevivência, porque 
uma mulher que escreve tem poder. E uma 
mulher com poder é temida.[...]
Gloria Anzaldúa
Eu sou mãe. Tenho a experiência da maternidade\u2013 marcada em meu corpo jovem, 
pardo e de classe média. Percorro espaços onde transitam crianças e conheço o trabalho 
despendido no cuidado delas. Para ser mais específica, sou mãe de um menino de sete anos 
de idade. Meu filho nasceu quando cursava o segundo ano da graduação em Ciências Sociais 
e a minha realidade para conciliar estudos, estágio e os cuidados com ele envolveram duas 
opções: a creche e as avós. Perante a ausência de recursos financeiros para custear a creche 
privada e sem a disponibilidade de uma vaga na creche pública, parte dos cuidados foi trans-
ferida para outra mulher da família, no caso, a avó paterna. No meu tempo com ele, costu-
mava levá-lo para o ponto de encontro das crianças da classe média brasiliense, o parquinho 
da entre-quadra, e lá encontrei sempre poucas mães e muitas babás. 
Nos momentos em que passeava com meu filho pelas quadras residenciais do Plano 
Piloto, passei a observar as babás para apreender os cuidados destinados por elas aos/as 
filhos/as alheios/as: o receio do tombo e do machucado, a preocupação