subjetivimo
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subjetivimo


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Ensaio filosófico 
Quando descrevemos algo que aconteceu sem qualquer interpretação ou apreciação por parte do sujeito, isto é, quando fazemos descrições neutras e impessoais de acontecimentos reais naquilo que eles são em si mesmos, estamos a emitir juízos de facto. Quando fazemos apreciações de acontecimentos, manifestando as nossas preferências, ou seja, expressando uma avaliação acerca de certos aspetos da realidade, emitimos juízos de valor.
A tese central da teoria subjetivista é que os juízos de valor são meras expressões das preferências dos sujeitos. Quando uma pessoa exprime um dado juízo de valor, não pode estar enganada. Isto contrasta com os juízos de facto. Quando alguém afirma um juízo de facto, estará enganada se os factos não forem como ela pensa. Por exemplo, o juízo de facto de que o Eminem não é um cantor é falso porque ele é de facto um cantor.
A tese central da teoria objetivista é de que o ser humano precisa de uma moral racional. Isto significa que os códigos morais que nos permitem distinguir o bom do mau não devem estar baseados em emoções subjetivas ou crenças religiosas fundamentadas na fé. Neste sentido, nossas crenças e convicções tem de basear-se em critérios racionais e lógicos. Através da lógica é possível provar que algo é verdadeiro e correto do ponto de vista da moralidade.
A tese central da teoria relativista é de que os juízos de valor são relativos às sociedades. Quando uma sociedade condena ou aceita um juízo de valor não pode estar enganada.
A tese defendida ao longo deste ensaio filosófico será o subjetivismo.
O subjetivista pensa que os juízos de valor são apenas preferências pessoais. Por exemplo, quando o Pedro defende que devemos mentir em alguns casos, está apenas a manifestar a sua preferência. E, claro, a Joana tem outra preferência e defende que nunca devemos mentir. Mas nenhum dos dois tem mais razão do que o outro. É por isso que se diz que os gostos não se discutem: os valores são subjetivos.
Um argumento a favor do subjetivismo é o argumento da discordância, que se baseia na ideia de que, no que respeita aos juízos de valor, só há discordâncias: o que uma pessoa considera bom ou aceitável, outra considera mau ou inaceitável. É por isso que são subjetivos. Se fossem objetivos, essas discordâncias não existiriam. 
Outro argumento defendido pelos subjetivistas é o argumento do conflito de valores que transmite a ideia de que como nem todos concordamos com os mesmos valores, há conflitos de valores, e não há maneira objetiva de decidir quem tem razão. Assim, como não há maneira objetiva de decidir quem tem razão, temos de concluir que os valores são subjetivos.
Um argumento defendido pelos objetivistas é o argumento da Tolerância que se baseia na ideia de que a tolerância não é um valor meramente relativo às sociedades. Se assim fosse, seria aceitável que algumas sociedades não fossem tolerantes, mas isso não é aceitável, portanto, alguns dos juízos de valor são objetivos, como é o caso da tolerância. 
A ideia de que todas as sociedades e pessoas devem ser tolerantes limita-se a exprimir o que se pensa na nossa própria sociedade. Condenamos o apedrejamento praticado em certos países árabes, mas para eles isso não é encarado como um mal. Ou seja, defender que a tolerância é relativa a cada sociedade é uma forma de criticar o argumento da tolerância defendido pelos objetivistas.
Outro argumento defendido pelos objetivistas é o argumento da imparcialidade, ou seja, muitas vezes conseguimos ser imparciais e se não existissem juízos de valor objetivos a imparcialidade em questões de valor não seria possível.
No entanto, nem sempre é desejável ser imparcial, pondo assim em causa a relevância dos juízos de valor objetivos. Pois ser imparcial implicaria deixar de privilegiar os nosso amigos e familiares. Por exemplo, se fossemos imparciais, antes de oferecermos um presente a um amigo por este ter tido um bom desempenho numa prova de desporto, deveríamos pensar se não seria mais proveitoso dar o dinheiro gasto no presente a uma instituição de caridade.
Em conclusão, considero que os valores morais são subjetivos devido a todos os argumentos apresentados anteriormente, no entanto, defendo a relação existente entre o subjetivismo e o relativismo, pois, de acordo com a teoria subjetivista, os juízos de valor são meras expressões das preferências dos sujeitos, e de acordo com a teoria relativista, os juízos de valor são relativos às sociedades. Quando uma sociedade condena ou aceita um juízo de valor não pode estar enganada, ou seja, se os juízos de valor são meras expressões das preferências dos sujeitos, são simultaneamente juízos relativos aquelas sociedades.