O basico que todo generalista deve saber sobre radiologia4
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O basico que todo generalista deve saber sobre radiologia4


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ÍNDICE 
 
 
 
Aula 1: Introdução. 
............................................................................................................................Página 03 
Aula 2: Principais Incidências. 
............................................................................................................................Página 05 
Aula 3: Qualidade do Exame Radiológico de Tórax. 
............................................................................................................................Página 08 
Aula 4: Como sistematizar a avaliação radiológica do tórax?. 
............................................................................................................................Página 12 
Aula 5: Semiologia Radiológica de Tórax. 
............................................................................................................................Página 13 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Radiologia Fisiológica de Tórax 
(Por Marcelo Augusto Fonseca) 
Ao iniciarmos a avaliação radiológica da cavidade torácica precisaremos ter noção básica de 
anatomia e de estruturas pertencentes a ela. Podemos sistematizar nossa abordagem inicial 
através dos seguintes elementos: 
o Estruturas ósseas 
o Partes Moles 
o Mediastino 
o Coração 
o Vias aéreas e pulmões 
o Principais vasos torácicos 
 
\uf076 A estrutura óssea é composta basicamente por: coluna vertebral, clavículas, costelas, 
esterno e escápulas. 
 
\uf076 Nas partes moles temos destaque para as cúpulas diafragmáticas, campos 
pulmonares, pleuras e músculos. Abaixo observamos as cúpulas diafragmáticas (setas 
mais proximais em relação ao coração) e os seios costofrênicos (setas mais distais em 
relação ao coração, como se demonstrassem dois espaços). O círculo mostra uma 
estrutura NORMAL, denominada bolha gástrica, sendo visualizável como uma 
estrutura radiotransparente de forma ovalada. A depender do indivíduo essa bolha 
pode ser maior ou menor. 
 
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\uf076 O mediastino é a região localizada entre os campos pleuropulmonares e que se 
estende no sentido craniocaudal, da abertura superior do tórax ao diafragma. Será 
descrito e melhor estudado mais adiante nesse mesmo capítulo. 
 
\uf076 As vias aéreas correspondem à traqueia, árvore respiratória e pulmões. Os pulmões 
possuem suas respectivas divisões. Pulmão direito possui três lobos (superior, médio e 
inferior) e o pulmão esquerdo possui dois lobos (superior e inferior). Quanto às 
fissuras, o pulmão direito possui 2 fissuras (oblíqua e horizontal) e o pulmão esquerdo 
possui 1 fissura (oblíqua). As relações anatômicas (que serão abordadas mais a frente) 
são fundamentais para entendermos a localização de determinadas lesões. Os 
pulmões são recobertos pela pleura visceral e a parede costal da cavidade torácica é 
recoberta internamente pela pleura parietal. Entre elas há um espaço virtual. O espaço 
pleural. 
 
 
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Ao avaliarmos uma radiografia de tórax, dados da literatura comprovam que cerca de 10% a 
15% desses exames são laudados de maneira errônea por conta de falsos positivos e falsos 
negativos ocasionados pela má qualidade do exame radiológico de tórax bem como pela falta 
de pelo menos duas incidências radiológicas para avaliação torácica. Geralmente as incidências 
preferidas e mais usualmente utilizadas são as de póstero-anterior (PA) e perfil. Se necessário 
pode-se pedir outras incidências como a de lawrell principalmente para avaliar a presença de 
derrames pleurais livres e para pacientes acamados ou que não possam se locomover 
adequadamente solicita-se a incidência de ântero-posterior (AP). A incidência oblíqua 
geralmente é utilizada para avaliar a área cardíaca por outros ângulos ou lesões parcialmente 
cobertas e a ápico lordótica quando precisamos visualizar melhor os ápices pulmonares. 
Principais Incidências 
A incidência em PA é muito utilizada para a avaliação torácica, pois evita, na medida do 
possível, magnificação do coração e alterações estruturais adjacentes. O porquê disso é 
simples. Ao permanecerem mais perto do filme radiográfico, as estruturas que serão 
estudadas sofrem menos alterações de tamanho, ficando mais próximas da proporção real. A 
incidência em perfil também é muito pedida pelo fato de que ela auxilia as demais incidências, 
por quê? Porque ela possibilita uma visão dimensional melhor das estruturas. Quando 
observamos apenas um RX em PA, as estruturas estão sobrepostas, ou seja, a menos que 
detenhamos certos macetes radiológicos, que serão vistos ainda nesse capítulo, não 
saberemos dizer quem está na frente ou atrás de quem, pois todas as estruturas aparecem 
sobrepostas. Em perfil possuímos uma visão melhor dos demais espaços e dimensões 
torácicas, retirando essa limitação da sobreposição das estruturas que o RX possui. A 
incidência em ápico lordótica serve para melhorarmos a visualização dos ápices pulmonares, 
ou seja, o paciente assume uma posição que favorece a retirada das clavículas do campo de 
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avaliação radiológica. Isso é útil caso o radiologista tenha dúvidas quanto a doenças e 
patologias que acometam os ápices pulmonares. De maneira indireta, também avaliamos 
melhor o lobo médio e a língula. A incidência em decúbito lateral ou de lawrell é utilizada 
quando possuímos alguma lesão que muda sua posição ao alterarmos a posição do paciente. 
(Exemplo: um derrame pleural livre que em pé mostra-se obliterando os seios costofrênicos, 
mas que ao paciente deitar o líquido \u201cescorre\u201d). A incidência oblíqua é realizada quando 
precisamos visualizar e caracterizar melhor as lesões parcialmente encobertas por demais 
estruturas ou até mesmo para avaliação da área cardíaca em casos de imagens duvidosas, não 
sendo tão comum quanto as demais. A incidência AP é resguardada para pacientes que não 
conseguem se locomover adequadamente, estão acamados, ou possuam algum motivo ou 
indicação maior para o exame. Essa incidência não é tão confiável, pois as estruturas estão 
mais longe do filme radiográfico, de forma que os raios X, que são divergentes, ao entrarem 
anteriormente ao invés de posteriormente favorecem um aumento da área cardíaca, não 
sendo possível avaliar essa área de maneira totalmente fidedigna. 
 
 
 
 
 
PA 
Perfil 
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 AP 
Lawrell 
Oblíquas 
Ápico Lordótica 
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 A principal diferença ao solicitarmos a incidência em AP ou PA é 
basicamente a distância que as estruturas torácicas ficam do filme radiográfico. Como assim? 
Os feixes em PA entram posteriormente e a porção anterior do tórax encontra-se em contato 
ou mais próxima do filme radiológico. Já em AP os raios entram anteriormente, porém, o 
coração encontra-se longe do filme radiográfico. Mas, o que, no fim das contas, isso significa? 
Significa que como o coração está longe do filme na incidência AP, ele é aumentado ou 
magnificado naturalmente, dificultando sua análise de tamanho e dos campos pulmonares. Já 
em PA, o coração não é magnificado e possibilita uma melhor avaliação da região torácica. E 
qual o porquê disso? Os raios X são divergentes, de forma que para uma avaliação mais 
fidedigna devemos colocar a estrutura a ser estudada o mais próximo do filme, desde que não 
comprometa a técnica do exame. Se não posicionarmos a estrutura perto do filme ela sofrerá 
uma provável magnificação. Por isso que não é indicada a incidência AP quando dispomos da 
incidência PA. Além disso, em AP a distância do tubo do raio X até o paciente é diferente da 
incidência PA. Em PA temos uma distância padrão de 1,80m ou 72 inches entre o tubo e o 
paciente. Em AP essa distância