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ANTROPOLOGIA GERAL E O 
DEBATE MULTICULTURAL
ETAPA 1
CENTRO UNIVERSITÁRIO
LEONARDO DA VINCI
Rodovia BR 470, Km 71, nº 1.040, Bairro Benedito
89130-000 - INDAIAL/SC
www.uniasselvi.com.br
Curso sobre Antropologia Geral e o debate multicultural
Centro Universitário Leonardo da Vinci
Autora
Luciane da Luz
Pedro Fernandes da Luz
Organização
Fábio Roberto Tavares
Reitor da UNIASSELVI
Prof. Hermínio Kloch
Pró-Reitoria de Ensino de Graduação a Distância
Prof.ª Francieli Stano Torres
Pró-Reitor Operacional de Ensino de Graduação a Distância
Prof. Hermínio Kloch
Diagramação e Capa
Letícia Vitorino Jorge
Revisão
Fabiana Lange Brandes
José Roberto Rodrigues
O HOMEM: DO ANTIGO AO MODERNO
APRESENTAÇÃO
Prezado aluno, alguma vez você já se indagou a respeito de sua condição, não 
enquanto indivíduo, mas enquanto ser humano? Você já se percebeu enquanto apenas 
um exemplar, uma pessoa, no meio de um vasto conjunto, a humanidade (desde seu 
surgimento até hoje)? O que significa para você pertencer à espécie humana? 
Certamente você deve ter uma resposta a esta questão, afinal, está experimentando 
o que é ser humano neste exato momento! Mas se você examinar criticamente a resposta 
que dá a este questionamento, perceberá que outra pessoa pode não concordar com 
certas características que você atribua ao ser humano, ainda mais se esta pessoa for de 
outra cultura.
Se você ouvir as respostas que pessoas de diferentes povos dão à indagação 
do que é ser humano, verá uma variedade grande de respostas, algumas conflitantes. 
Igualmente, se você examinar a resposta que pessoas de outras épocas deram a esta 
mesma questão, constatará grandes diferenças nas respostas.
De fato, ao longo da história, e em diferentes culturas, procurou-se descrever o 
que é pertencer à humanidade, e as respostas que foram dadas diferem enormemente!
Neste curso veremos como uma ciência desenvolvida tardiamente, a Antropologia, 
procurou responder a esta questão e como este conhecimento nos ajuda a lidar com 
a problemática colocada pelo multiculturalismo. Por ora, vejamos as transformações 
que se deram ao longo da história, dentro da tradição do conhecimento ocidental, na 
concepção acerca do ser humano, e as principais características que foram atribuídas à 
nossa espécie como distintivas desta.
Esperamos que ao final desta etapa você seja capaz de se posicionar criticamente 
diante da experiência humana ao longo da história.
Bem-vindo ao conhecimento e bons estudos!
2 ANTROPOLOGIA GERAL E O DEBATE MULTICULTURAL
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FIGURA 1 - A CONDIÇÃO HUMANA, NOSSA PRINCIPAL REFLEXÃO
FONTE: Disponível em: <http://www.revistaogrito.com/page/wpcontent/uploads/2008/03/forca_6.
jpg>. Acesso em: 22 abr. 2016. 
1 A CONCEPÇÃO DE SER HUMANO NA ANTIGUIDADE CLÁSSICA
O professor Pommer (2015, p. 55), ao discutir a condição humana considerada 
na Antiguidade Clássica, chama a atenção para o fato de os autores deste período, e 
daqueles que escrevem sobre o mesmo, mostrarem uma notável predileção por \u201creis, 
filósofos, artistas e guerreiros\u201d, negligenciando claramente os trabalhadores, as mulheres 
e as crianças.
Este autor prossegue destacando que pouco ou nada se fala sobre os escravos 
(ainda que estes compusessem o maior estrato da sociedade da época), e quando se 
faz isso é somente quando os mesmos se encontram em situação de excepcionalidade. 
Quanto à mulher, esta só é digna de nota quando, ou prostituta, ou rainha, ou exemplo 
de abnegação e submissão ao homem, nada se falando sobre a mulher comum em seu 
cotidiano.
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FIGURA 2 - MULHER GREGA NA ANTIGUIDADE CLÁSSICA, FIANDO
FONTE: Disponível em: <http://www.planetaeducacao.com.br/portal/imagens/artigos/historia/
antiguidade_classica_01.jpg>. Acesso em: 22 abr. 2016. 
Também os outros povos eram diminuídos em sua condição, quando avaliados 
pelos povos dominantes do período, como os gregos e romanos, que desprezavam as 
outras culturas.
Mas, se quisermos, como Pommer (2012) destaca, compreender como eram os 
seres humanos no mundo antigo, devemos lançar nosso olhar sobre todos os aspectos da 
vida, como o trabalho, o lazer, as atividades políticas, econômicas, religiosas, artísticas 
e demais. Isto porque a Antropologia, como veremos na segunda etapa, tem uma 
abordagem total do ser humano.
Este autor (POMMER, 2012) chama a atenção para uma característica marcante dos 
povos da Antiguidade Clássica, povos estes que são fundamentais para a compreensão 
do pensamento ocidental (destacando-se os gregos, romanos e israelitas, mas incluindo 
também os egípcios), que seria o caráter patriarcal e tribal (pelo menos inicialmente) 
destas sociedades.
Uma das consequências de uma organização do tipo tribal, tal como se dava esta 
na Antiguidade Clássica do Ocidente, era a existência de uma chefia centralizada, que 
era, entretanto, devedora à tradição. Isto quer dizer que o rei, ou chefe, tinha poderes 
de mando, mas devia orientar suas decisões e ordens pela tradição e pelos costumes.
Na Grécia antiga, esta sociedade tribal evolui para um sistema democrático, 
baseado na cidade-estado, ou pólis, processo similar, apesar das distinções marcantes, 
ao que se deu em Roma.
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Quanto à característica patriarcal destas sociedades, a mesma impõe à mulher 
uma condição subalterna na vida social, com estes povos valorizando somente a 
capacidade reprodutiva feminina e relegando sua participação a um papel secundário 
em relação ao homem, que é valorizado por suas qualidades viris e guerreiras.
Em todos estes povos é notável a instituição da escravidão, a inclinação à 
beligerância, com a guerra de conquista sendo uma constante, e o conflito aberto entre 
as elites da sociedade e seus estratos mais desfavorecidos (POMMER, 2012).
FIGURA 3 - GUERREIRO ROMANO
FONTE: Disponível em: <http://img.ibxk.com.br/2014/10/29/29172644756801.jpg?w=1040>. Acesso em: 
22 abr. 2016.
Para Pommer (2013), quando lançamos nosso olhar sobre os gregos antigos, chama 
nossa atenção a maneira peculiar pela qual este povo se expressava. De fato, as estratégias 
de discurso, o modo de dizer algo, eram uma preocupação central na cultura grega. 
Esta, por ser não alfabetizada em seus primórdios, privilegiava a enunciação poética dos 
fatos, o que favorecia a memorização e transmissão dos mesmos às futuras gerações, 
técnica da qual se valiam também os romanos e os hebreus, que assim preservavam 
sua cultura e a mantinham coesa. 
Com o desenvolvimento da cultura grega, e sua organização na pólis, a palavra 
passa a ser também o principal instrumento de ação política e de exercício de poder, 
sendo a via privilegiada para o exercício da autoridade e de influência sobre a sociedade 
(VERNANT, apud POMMER, 2012).
Com a alfabetização da cultura grega, aqueles que se dedicam ao conhecimento 
não mais precisam exercitar a memorização, o que os libera para exercitar a mente com 
o pensamento especulativo, favorecendo assim o desenvolvimento da Filosofia e da 
Ciência.
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De acordo com Pommer (2012), poderíamos definir o ser humano na Antiguidade 
Clássica como comportando duas dimensões notáveis: de um lado enquanto guerreiro 
e religioso, de outro enquanto pensador e inventor, lançando as bases do conhecimento 
moderno.
2 A CONCEPÇÃO DE SER HUMANO DURANTE O MEDIEVO
Seguindo Pommer (2012) caracterizaremos o medievo aqui como aquele período 
que vai do fim do Império Romano (século IV-V) ao século XV. A Idade Média, chamada 
por alguns de \u201cIdade das Trevas\u201d,