Peça Memoriais Defensivos - Silvio
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Peça Memoriais Defensivos - Silvio


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Silvio, com 19 anos de idade, em um bar com outros amigos, conheceu Marluce, por quem se interessou. Após um bate-papo e troca de beijos, decidiram ir para um local mais discreto. Nesse local trocaram carícias, e Ana, de forma voluntária, praticou sexo oral e vaginal com Silvio. Depois da noite juntos, ambos foram para suas residências, tendo antes trocado telefones e contatos nas redes sociais. No dia seguinte, Silvio, ao acessar a página de Marluce na rede social, descobre que, apesar da aparência adulta, esta possui apenas 12 (doze) anos de idade, tendo Silvio ficado em choque com essa constatação. O seu medo foi corroborado com a chegada da notícia, em sua residência, da denúncia movida por parte do Ministério Público Estadual, pois o pai de Marluce, ao descobrir o ocorrido, procurou a autoridade policial, narrando o fato. Por Marluce ser inimputável e contar, à época dos fatos, com 12 (doze) anos de idade, o Ministério Público Estadual denunciou Silvio pela prática de dois crimes de estupro de vulnerável, previsto no artigo 217- A, na forma do artigo 69, ambos do Código Penal. O promotor de Justiça requereu o início de cumprimento de pena no regime fechado, com base no artigo 2º, § 1º, da lei 8.072/90, e o reconhecimento da agravante da embriaguez preordenada, prevista no artigo 61, II, alínea l, do CP. O processo teve início e prosseguimento na XX Vara Criminal da cidade de Vitória, no Estado do Espírito Santo, local de residência do réu. Silvio, por ser réu primário, ter bons antecedentes e residência fixa, respondeu ao processo em liberdade. Na audiência de instrução e julgamento, a vítima afirmou que aquela foi a sua primeira noite, mas que tinha o hábito de fugir de casa com as amigas para frequentar bares de adultos. As testemunhas de acusação afirmaram que não viram os fatos e que não sabiam das fugas de Marluce para sair com as amigas. As testemunhas de defesa, amigos de Silvia, disseram que o comportamento e a vestimenta da Marluce eram incompatíveis com uma menina de 12 (doze) anos e que qualquer pessoa acreditaria ser uma pessoa maior de 14 (quatorze) anos, e que Silvio não estava embriagado quando conheceu Marluce. O réu, em seu interrogatório, disse que se interessou por Marluce, por ser muito bonita e por estar bem vestida. Disse que não perguntou a sua idade, pois acreditou que no local somente pudessem frequentar pessoas maiores de 18 (dezoito) anos. Corroborou que praticaram o sexo oral e vaginal na mesma oportunidade, de forma espontânea e voluntária por ambos. A prova pericial atestou que a menor não era virgem, mas não pôde afirmar que aquele ato sexual foi o primeiro da vítima, pois a perícia foi realizada longos meses após o ato sexual. Realizada a instrução probatória, o juiz converteu as alegações orais em memórias escritos, sendo que o Ministério Público pugnou pela condenação nos termos da denúncia. A defesa de Silvio foi intimada no dia   de   de 2014 (quinta-feira).
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA XX VARA CRIMINAL DA COMARCA DO ESTADO DO ESPIRITO SANTO. 
 Silvio, devidamente qualificado nos autos do processo crime em epígrafe, por seu advogado, vem, respeitosamente, perante Vossa Excelência, apresentar MEMORIAIS DE DEFENSIVOS, com fundamento no art. 403,§3º, do Código de Processo Penal.
I- SINTESE DOS FATOS 
 Silvio, esta sendo supostamente acusado pelo delito de estupro de Vulnerável previsto no artigo 217, A e 69, também por agravante de embriaguez , II alínea I todos estes tipificados no Código Penal Brasileiro. 
 Segundo consta na proemial acusatória, Silvio conheceu Marluce em um bar entre amigos se interessou pela mesma após um bate papo e troca de beijos, decidira partir para um local mais discreto onde neste houve troca de caricias e de forma voluntaria ocorreu a pratica de sexo oral e vaginal entre ambos. 
 Posteriormente trocaram contatos de telefone e redes sociais, no dia seguinte Silvio se sente chocado ao tomar ciência após verificar nas redes sociais de Marluce que a mesma possuía apenas 12 anos, em pouco tempo o suposto acusado se deparou com o recebimento da denuncia movida por parte do Ministério Publica, representada pelo genitor de Marluce requerendo o cumprimento da sentença pelos crimes supracitados em regime fechado conforme a lei 8.072/90 com base no artigo 2º parágrafo primeiro. 
 
 Em audiência as testemunhas de defesa, amigos de Silvio, disseram que o comportamento e a vestimenta da Marluce eram incompatíveis com uma menina de 12 (doze) anos e que qualquer pessoa acreditaria ser uma pessoa maior de 14 (quatorze) anos, e que Silvio não estava embriagado quando conheceu Marluce.
 Por sua vez o réu em seu interrogatório disse que se interessou por Marluce pelo fato da mesma estar bem vestida e não se preocupou em questiona-la sobre sua idade, pois o local onde se conheceram apenas poderia ser frequentado por pessoas maiores de 18 anos . 
 Na audiência de instrução e julgamento, a suposta vítima afirmou que aquela foi a sua primeira noite, mas que tinha o hábito de fugir de casa com as amigas para frequentar bares adultos.
 A prova pericial atestou que a menor não era virgem, mas não pôde afirmar que aquele ato sexual foi o primeiro da vítima, pois a perícia foi realizada longos meses após o ato sexual. 
II- DO DIREITO 
 Exmo. Juiz há de se demonstrar que , na presente os motivos alegados pela acusação não se sustentam , tal como será a seguir demonstrado; 
 Observa-se nos autos do processo e de forma relevante que a vitima não aparentava ser menor de 14 anos, pois não se portava como tal e se encontrava em um local para maiores de 18 anos, maculando a possibilidade do acusado em ter ciência de que Marluce tratava-se de um incapaz tonando a conduta do agente atípica no que tange o conhecimento da vulnerabilidade da vitima e ilicitude do fato pois pela teoria finalista ocorrendo erro ou inexistência do elemento subjetivo do tipo penal exclui-se o dolo conforme demonstra artigo 20 do código penal. 
 Nos autos explicitamente, deixa claro que no momento do encontro ambos não estavam embriagados também cabe ressaltar que inexiste prova documental via laudo em que houve a utilização de qualquer substância alcoólica ou não, para facilitar ou incidir a prática do delito a fim de que ocorre-se a embriaguez preordenada da vitima, conforme citado logo acima não houve dolo pois não era notória para o acusado a condição de vulnerabilidade. 
 Silvio, réu primário possuidor de bons antecedentes, com residência fixa, conduta social ilibada, não ágil com má intenção de se aproveitar da vitima. 
III- DO PEDIDO 
 Diante ao exposto requer a vossa excelência que : 
 A) O reconhecimento de que inexiste a violação sexual de vulnerável na forma do artigo 217, A, do código Penal. 
 
 B) O Absolvição do réu com fundamento no artigo 386 , III do código de processo legal e consoante ao principio da Teoria Finalista por ausência de tipicidade.; 
 
 c) Caso não seja entendido para absolvição, que seja reconhecido a existência de crime único, tornando possível a fixação do regime semi- aberto para inicio do cumprimento da pena com base no art. 33 § 2º , a lí nea \u201cb\u201d, do código penal. 
 
 
 
 
 
 
Termos em que pede,
E espera deferimento.
Espirito Santo, data
Advogado
OAB /ES