FURTADO, Celso. Formação econômica do Brasil
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FURTADO, Celso. Formação econômica do Brasil


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Formação Econômica do Brasil
Celso Furtado
2005
32 Edição
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Capa
Jorge A. M Yunes
Jorge Yunes
Beatriz Yunes Guarita
Antônio Nicoiau Youssef
Uzete Mercadante Machado
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rurtado, Calso, 1920-
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Prefácio
CELSO FURTADO: UM ECONOMISTA A SERVIÇO DA NAÇÃO
"Seria necessário colocar como epíteto de todo estudo sobre a racionalidade este princípio bem simples, 
mas freqüentemente esquecido. A vida pode ser racionalizada de acordo com perspectivas e direções 
extremamente diferentes."
MaxWeber
Celso Furtado é um cientista social consagrado, que dispensa maiores apresentações. Sua 
vasta produção intelectual abarca tanto questões teóricas sobre os obstáculos ao desenvolvimento 
das economias periféricas, como interpretações históricas sobre a formação econômica latino-
americana e do Brasil. Suas pesquisas associam a gênese do subdesenvolvimento ao pesado 
legado do período colonial e a sua continuidade à presença de classes dominantes aculturadas, 
obcecadas em imitar os estilos de vida e de consumo das economias centrais.
Embora reverenciado como um dos grandes intérpretes do Brasil, Furtado é um autor ainda 
bastante incompreendido, mesmo entre muitos de seus sinceros admiradores. A chave para a 
leitura de suas obras é estar ciente de que ele não é um economista convencional. Certo de que os 
problemas econômicos não podem ser separados dos condicionantes socioculturais e políticos que 
sobredeterminam o alcance da concorrência como mola propulsora do processo de incorporação de 
progresso técnico, Furtado rejeita o enfoque cosmopolita dos problemas econômicos e ancora no 
Estado nacional a unidade de referência de sua teoria do desenvolvimento econômico. 
Respondendo àqueles que apregoam o fim do Estado Nacional, em Transformações e Crise na 
Economia Mundial, Furtado adverte:
Um sistema econômico é essencialmente um conjunto de dispositivos de regulação, voltados para o 
aumento da eficácia no uso de recursos escassos. Ele pressupõe a existência de uma ordem política, ou 
seja, uma estrutura de poder fundada na coação e/ou no consentimento. No presente, a ordem internacional 
expressa relações, consentidas ou impostas, entre poderes nacionais, e somente tem sentido falar de 
racionalidade econômica se nos referirmos a um determinado sistema econômico nacional. A suposta 
racionalidade, mais abrangente, que emerge no quadro de uma empresa transnacionalizada, não somente i 
de natureza estritamente instrumental, como também ignora custos de várias ordens internalizados pelos 
sistemas nacionais em que ela se insere.
Fiel à tradição do desenvolvimentismo latino-americano do qual acabou-se tornando um dos 
seus principais expoentes, Furtado preocupa-se em compreender as condições que permitem 
subordinar as transformações capitalistas aos desígnios da coletividade. Seu enfoque examina os 
problemas do desenvolvimento nacional pela ótica da acumulação. Trata-se de estabelecer as bases 
técnicas e econômicas que devem presidir a incorporação do progresso para que o avanço das 
forças produtivas e a modernização dos padrões de consumo possam ter um conteúdo civilizatório, 
aumentando a riqueza das nações e o bem-estar do conjunto da população. Sem uma clara 
consciência dessa dimensão ética de sua reflexão, é impossível compreender a profundidade e as 
implicações de sua reflexão sobre os problemas da economia.
Partindo de uma construção teórica e de uma metodologia de análise histórica sui generis, 
que combina a noção de excedente social da economia política clássica, a teoria das decisões 
de Weber e Mannheim, o enfoque estruturalista da relação centro-periferia de Prebisch, a teoria 
da demanda efetiva de Keynes, as lições sobre os círculos viciosos do subdesenvolvimento de 
Myrdal, Perroux e outros desenvolvimentistas, o objetivo primordial do trabalho de Fur-tado é 
desvendar a racionalidade econômica que orienta o processo de industrialização - a espinha 
dorsal dos sistemas econômicos nacio-nais. Sua abordagem privilegia as relações de causa e 
efeito entre expansão das forças produtivas e modernização dos padrões de consumo. O foco do 
problema consiste em decifrar os mecanismos responsáveis pela elevação da produtividade 
física do trabalho e pelos seus reflexos sobre a capacidade de consumo da sociedade. Para 
tanto, torna-se vital examinar as estruturas sociais que condicionam o equilíbrio de força entre 
capital e trabalho. O nó da questão está nos mecanismos de acesso à terra, aos meios de 
produção e ao mercado de trabalho.
No arcabouço analítico de Furtado, a problemática do subdesenvolvimento é organizada em 
contraposição à situação do desenvolvimento, estado "ideal" que assume a sociedade capitalista 
quando a incorporação de progresso técnico adquire uma dinâmica endógena. Tal situação é 
associada à presença de mecanismos de socialização do excedente social entre salário e lucro. 
Parte-se do princípio de que é a contínua transferência dos aumentos na produtividade física do 
trabalho para salário real que impulsiona a dialética de inovação e difusão do progresso técnico, 
combinando aumento progressivo da riqueza da Nação e crescente elevação do bem-estar do 
conjunto da população.
Dentro dessa concepção, o desenvolvimento requer como condição sine qua non um mínimo de 
eqüidade social. A questão central consiste na presença de estruturas sociais que permitam que o 
movimento de acumulação de capital provoque uma tendência à escassez relativa de trabalho. 
Assim, Furtado estabelece no corpo de sua teoria do desenvolvimento econômico a presença de 
nexos inextrincáveis entre desenvolvimento capitalista autodeterminado e homogeneidade social. 
Em Pequena Introdução ao Desenvolvimento, Furtado sintetizou a questão nos seguintes termos:
A pressão no sentido de reduzir a importância relativa do excedente - decorrente da crescente organização das 
massas assalariadas - opera como acicate do progresso da técnica, ao mesmo tempo que orienta a tecnologia para 
poupar mão-de-obra. Dessa forma, a manipulação da criatividade técnica tende a ser o mais importante 
instrumento dos agentes que controlam o sistema produtivo, em sua luta pela preservação das estruturas sociais. 
Por outro lado, as forças que pressionam no sentido de elevar o custo de reprodução da população conduzem à 
ampliação de certos segmentos do mercado de bens finais, exatamente aqueles cujo crescimento se apoia em 
técnicas já comprovadas e abrem a porta a economias de escala.
A reflexão de Furtado sobre subdesenvolvimento parte da constatação de que as premissas 
históricas que viabilizam o desenvolvimento não estão presentes nas economias subdesenvolvidas. 
A situação periférica e a reprodução de grandes assimetrias sociais criam bloqueios à inovação e à 
difusão do progresso técnico que inviabilizam a endogeneização do movimento de transformação 
capitalista. A dificuldade decorre da impossibilidade de encadear os requisitos técnicos e
econômicos de cada fase. de incorporação