Material Didático- DIREITO CONSTITUCIONAL

Material Didático- DIREITO CONSTITUCIONAL


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Artigo e Material Complementar/Arquivo - Direito Constitucional Aplicado.pdf
Pós-Graduação em Direito
Direito Constitucional Aplicado
Michèlle Chalbaud Biscaia Hartmann
FAEL
Diretor Executivo Marcelo Antônio Aguilar
Diretor Acadêmico Francisco Carlos Sardo
Coordenador Pedagógico MIguel de Jesus Castriani
EDitorA FAEL
Autoria Michèlle Chalbaud Biscaia Hartmann
Projeto Gráfico e Capa Katia Cristina Santos Mendes
revisão Camila
Programação Visual e Diagramação Katia Cristina Santos Mendes
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2015
Direito Constitucional 
Aplicado
Introdução
O advento da primeira Constituição 
escrita, na modernidade, provocou a neces-
sidade de uma nova compreensão sobre o 
Estado e suas instituições e consequente-
mente, demandou do jurista um esforço no 
sentido de revisitar a teoria da norma e da 
interpretação do Direito. Mas, os ciclos de 
revisitação dos institutos não se encerraram 
na modernidade. Contemporâneamente surge 
um novo desafio aos intérpretes, a promoção 
da supremacia da Constituição e das suas nor-
mas, com a adoção de uma técnica e métodos 
construtivos e evolutivos do texto Constitu-
cional. 
Desta forma, nos primeiros momentos 
deste material encontraremos um panorama 
geral sobre a teoria da norma e da interpre-
tação do Direito e o seu traço distintivo da 
modernidade para a contemporaneidade, 
atribuindo-se destaque para a interpretação e 
o dogmatismo Constitucional. 
Por se tratar de um material que pretende 
resgatar pontos nevrálgicos do Direito Consti-
tucional, após o resgate dos conceitos basila-
res apresentamos os processos formais e infor-
mais de mudança das normas ditadas pelo 
constituinte, a fim de preservar a supremacia 
da Constituição, em moldes democráticos. 
Ademais, há uma preocupação em demons-
trar a estrutura das Constituições, com seus 
elementos mais básicos (preâmbulo, parte 
dogmática e disposições constitucionais tran-
sitórias) pra melhor compreensão do regime 
jurídico da aplicabilidade das suas normas. 
Inserido na particularidade Constitucio-
nal brasileira de 1988, aponta-se a forma de 
organização do Estado brasileiro, especial-
mente identificando os critérios de reparti-
ção de competências entre os entes federati-
vos, posto ser este o maior ponto de conflito 
e críticas do federalismo, no que se refere aos 
campos comuns de concretização dos direitos 
fundamentais. 
Na sequência, abordamos a teoria geral 
dos Direitos fundamentais e os instrumentos 
de garantia Constitucional para os cidadãos 
(ou estrangeiros), por meio dos denominados 
remédios constitucionais. 
E, finalmente, resgatamos toda a discus-
são em torno da judicialização dos direitos 
O presente artigo promove um resgate de 
temas centrais do Direito Constitucional, com 
o intuito de demonstrar a necessidade de se 
seguir uma hermenêutica Constitucional da 
ordem jurídica dentro do Estado Democrá-
tico de Direito, consagrado na Constituição 
da República Federativa do Brasil, apontando 
seu funcionamento. Sob uma perspectiva his-
tórico-evolutiva, analisamos a teoria da norma 
jurídica a fim de demonstrar a construção da 
noção de supremacia das normas constitucio-
nais e, junto desta, a necessidade de técnicas 
próprias para a interpretação de suas normas, 
as quais serão devidamente estudadas. Ainda, 
realizamos uma análise estrutural-funcional 
da Constituição para facilitar a compreensão 
da sua aplicabilidade, bem como para pro-
mover a compreensão quanto ao seu processo 
de modificação por meio das emendas cons-
titucionais ou por técnicas interpretativas, 
conhecidas por mutações constitucionais. 
Tem-se, ainda, a preocupação de demonstrar 
dentro da estrutura organizacional do Estado 
Brasileiro, o processo de criação das leis e o 
respectivo controle de Constitucionalidade, 
realizado pelo órgão legislativo e judiciário. 
A partir de tais premissas, apontamos para 
a vertente do constitucionalismo contempo-
râneo, os direitos e garantias fundamentais, 
a fim de compreendermos a existência dos 
direitos expressos e implícitos na Constituição 
e os seus mecanismos de salvaguarda, garan-
tindo um panorama completo dos principais 
temas de Direito Constitucional. 
Palavras-chaves: Constituição Federal \u2013 
Estado Democrático \u2013 Normas Constitucio-
nais - Interpretação.
 
2.
fundamentais, apontando os posicionamentos 
contrários e favoráveis, bem como destacando 
os principais critérios de racionalidade das 
decisões judiciais. 
1. Teoria da norma e o 
ordenamento jurídico
Na contemporaneidade, é possível perce-
ber que a Ciência do Direito tem se debruçado 
sob os seus conceitos basilares a fim de recons-
truí-los, valendo-se do passado para promo-
ver a sua adequação para o presente e para 
o futuro, já que não restam dúvidas de que 
os sistemas jurídicos (e com eles, o Direito) 
devem passar por transformações. 
No sentido de que passamos por crises 
transformadoras no Direito, são as lições de 
Vicente Ráo: 
Na realidade, a crise atual do Direito 
se define como crise de transição, 
pois estamos a caminho de uma 
nova forma estrutural do Direito 
Aplicado, que vem sendo, aos pou-
cos, tumultuariamente embora, 
adaptado à situação social de nossos 
dias, sem prejuízo dos princípios 
gerais e fundamentais que a filosofia 
do Direito e a ciência do Direito de 
há muito proclamam.1 
Diante de tal cenário de transformações 
constantes e benéficas para o Direito (como se 
verá no item 3), indispensável se torna fixar as 
bases e premissas teóricas, posto que as normas 
constitucionais podem ser consideradas espé-
cies de normas jurídicas que só alcançaram a 
superioridade hierárquica propagada nos dias 
atuais a partir de meados do século XX. 
Com efeito, estudar o Direito Constitucio-
nal Aplicado exige inicialmente, um resgate 
sobre o conceito de norma jurídica e da noção 
de ordenamento jurídico a fim de demonstrar 
como no Constitucionalismo pós-moderno 
tais ideias alçaram um patamar conservador, 
exigindo sérias transformações diante da 
aproximação entre Direito e moral. 
1 RÁO, Vicente. O Direito e a Vida dos Direitos. 7. ed. anot. e atual. 
por Ovídio Rocha Barros Sandoval. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 
2013. p.201. 
Não restam dúvidas de que as normas 
jurídicas são o ápice do processo de elabora-
ção do Direito e, ao mesmo tempo, ponto de 
partida para a Dogmática Jurídica que siste-
matiza e descreve a ordem jurídica vigente2. 
Para conhecer o Direito é preciso conhecer 
as normas jurídicas encadeadas e sistemati-
zadas em um ordenamento já que \u201co Direito 
não é norma, mas um conjunto ordenado de 
normas, sendo evidente que uma norma jurí-
dica não se encontra jamais só, mas está inter-
ligada a outras normas com as quais forma 
um sistema normativo3\u201d. Conceito este de 
ordenamento jurídico. Contudo, o Direito não 
se resume a norma; é fenômeno que se mani-
festa pela integração do fato ao valor, através 
da norma, como leciona Miguel Reale. 
Onde quer que haja um fenômeno 
jurídico, há, sempre e necessaria-
mente, um fato subjacente (fato 
econômico, geográfico, demográ-
fico, de ordem técnica, etc); um 
valor, que confere determinada sig-
nificação a esse fato, inclinando ou 
determinando a ação dos homens 
no sentido de atingir ou preservar 
certa finalidade ou objetivo; e, final-
mente, uma regra ou norma, que 
representa a relação ou medida que 
integra um daqueles elementos ao 
outro, o fato ao valor 4. 
O Direito é uma ciência normativa, o que 
significa que \u201c(...) tem a pretensão de atuar 
sobre a realidade, conformando-a em função 
de certos valores e objetivos. O Direito