F2-Curso-Formacao-de-mediadores-de-educacao-para-patrimonio
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Formação de 
Mediadores de Educação 
para Patrimônio
Robledo Duarte
Design, cidades 
e patrimônio
para Patrimônio
SUMÁRIO
1. Apresentação ............................................................................. 19
2. Design como ferramenta de transformação do patrimônio .... 21
3. Cidades, patrimônio e design .................................................... 24
4. Economia criativa e cidades ...................................................... 26
5. As cidades criativas .................................................................... 28
Referências bibliográfi cas ............................................................. 31
1. 
APRESENTAÇÃO
E a luz viu desconfi ada
a noiva do sol com mais
um supermercado.
Era uma vez meu castelo
entre mangueiras
e jasmins fl orados.
(Ednardo em \u201cLongarinas\u201d)
Para começar, reflita sobre o 
que o cantor Ednardo quer nos 
dizer com seus versos acima 
em \u201cLongarinas\u201d, música do ál-
bum Berro (1976)? Pense bem 
antes de começar essa leitura.
Pois bem, a \u201cnoiva do sol\u201d 
cantada por Ednardo é a cida-
de de Fortaleza, capital do Ce-
ará, a cidade natal do músico 
e compositor. Mas o castelo não é necessa-
riamente um bem arquitetônico. Pode ser 
um metáfora para tratar dos afetos, aque-
les que todos nós carregamos na memória, 
com a passagem do tempo.
Na realidade, todos nós estabelecemos 
relações com as coisas que nos cercam. Elas 
podem nos trazer boas lembranças, como o 
primeiro brinquedo, a casa dos avós, a cape-
linha com seu belo altar. Memórias de coisas 
intangíveis, como o cheiro do baião de dois 
na panela ou a animação das festas de São 
João. Lembranças que hoje podem soar en-
graçadas, como o medo do teatro de bone-
cos ou de palhaços na mais tenra infância. 
E você? Lembra-se de objetos, sons, gos-
tos e/ou de cheiros que possuem alguma 
importância simbólica/afetiva na sua vida?
Intangível
Aquilo que é 
incorpóreo, que 
não se pode tocar, 
pegar ou que não 
pode ser percebido 
pelo tato.
APRESENTAÇÃO
E a luz viu desconfi ada
a noiva do sol com mais
um supermercado.
Era uma vez meu castelo
entre mangueiras
e jasmins fl orados.
(Ednardo em \u201cLongarinas\u201d)
Para começar, reflita sobre o 
que o cantor Ednardo quer nos 
dizer com seus versos acima 
em \u201cLongarinas\u201d, música do ál-
 (1976)? Pense bem 
antes de começar essa leitura.
Pois bem, a \u201cnoiva do sol\u201d 
cantada por Ednardo é a cida-
de de Fortaleza, capital do Ce-
ará, a cidade natal do músico 
e compositor. Mas o castelo não é necessa-
riamente um bem arquitetônico. Pode ser 
um metáfora para tratar dos afetos, aque-
les que todos nós carregamos na memória, 
Na realidade, todos nós estabelecemos 
relações com as coisas que nos cercam. Elas 
podem nos trazer boas lembranças, como o 
primeiro brinquedo, a casa dos avós, a cape-
Formação de Mediadores de Educação para Patrimônio 19
Transversalidades
Possibilidades de 
compreensão de 
diferentes áreas do 
conhecimento humano 
ao evidenciarmos as 
relações existentes 
entre elas.
Todas as lembranças, boas ou más, ma-
teriais ou imateriais, nos trazem para a 
discussão iniciada no primeiro módulo de 
nosso curso: afinal, o que é o patrimônio?
O francês Hugues de Varine Bohan fez 
uma análise bem abrangente acerca do pa-
trimônio. Segundo ele, três categorias o de-
finem: os elementos pertencentes ao meio 
ambiente, que tornam o local viável para 
habitar; os saberes e fazeres das comuni-
dades que habitam esse meio ambiente; e os 
objetos construídos pela mão do homem, 
desde uma colher até as edificações mais so-
fisticadas. Esses três fatores dialogam entre 
si e criam toda uma ambiência para a forma-
ção do patrimônio cultural, que vai muito 
além da \u201cpedra e cal\u201d ou de alguns saberes 
isolados, gerando transversalidades.
Vamos saber um pouco mais sobre isso? 
Ótimos estudos.
SE
LIGA!
Hugues de Varine Bohan 
é historiador, arqueólogo e 
museólogo francês, criador do 
conceito de ecomuseus, colocado 
em prática desde a década de 1971 
na França e em outros lugares do 
mundo, como o Brasil. 
Um ecomuseu é formado 
quando membros de uma 
comunidade se reúnem e se tornam 
atores protagonistas do processo 
de preservação do seu patrimônio 
cultural (material, imaterial, natural), 
podendo ser assessorados por 
especialistas como museólogos, 
historiadores etc.
20 FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA | UNIVERSIDADE ABERTA DO NORDESTE
Transversalidades
Possibilidades de 
compreensão de 
diferentes áreas do 
conhecimento humano 
ao evidenciarmos as 
relações existentes 
entre elas.
Todas as lembranças, boas ou más, ma-
imateriais, nos trazem para a 
discussão iniciada no primeiro módulo de 
afinal, o que é o patrimônio?
O francês Hugues de Varine Bohan fez 
uma análise bem abrangente acerca do pa-
. Segundo ele, três categorias o de-
finem: os elementos pertencentes ao meio 
, que tornam o local viável para 
os saberes e fazeres das comuni-
dades que habitam esse meio ambiente; e os 
 construídos pela mão do homem, 
desde uma colher até as edificações mais so-
fisticadas. Esses três fatores dialogam entre 
si e criam toda uma ambiência para a forma-
patrimônio cultural, que vai muito 
além da \u201cpedra e cal\u201d ou de alguns saberes 
isolados, gerando transversalidades.
Vamos saber um pouco mais sobre isso? 
Ótimos estudos.
SE
LIGA!LIGA!
Hugues de Varine Bohan
é historiador, arqueólogo e 
museólogo francês, criador do 
conceito de ecomuseus, colocado 
em prática desde a década de 1971 
na França e em outros lugares do 
mundo, como o Brasil. 
Um ecomuseu é formado 
quando membros de uma 
comunidade se reúnem e se tornam 
atores protagonistas do processo 
de preservação do seu patrimônio 
cultural (material, imaterial, natural), 
podendo ser assessorados por 
especialistas como museólogos, 
historiadores etc.
FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA | UNIVERSIDADE ABERTA DO NORDESTECRITO ROCHA | UNIVERS
2. 
DESIGN COMO 
FERRAMENTA DE
TRANSFORMAÇÃO
DO PATRIMÔNIO
A produção em massa, que hoje
deve ser tida em consideração 
como a base para a arquitetura 
moderna, existe na própria natureza e, 
intuitivamente, no trabalho popular.
(Lina Bo Bardi, arquiteta, 
designer e cenógrafa).
o filme 2001, uma odis-
séia no espaço, do cine-
asta inglês Stanley Ku-
brick, existe uma cena 
antológica. Um grupo 
de homens primitivos 
se degladiam. Um de-
les golpeia um inimigo 
e, para simbolizar a sua 
vitória, joga sua \u201carma\u201d 
(um osso) no ar. 
No mesmo instante, corta-se a cena e 
surge uma espaçonave. 
Esta cena revela, em poucos minutos, 
a velocidade da transformação dos artefa-
tos, indo de uma forma \u201cprimitiva\u201d de arma 
até chegar a uma espaçonave ultratecno-
lógica. Esse é um exemplo de como o de-
sign das coisas surge de uma necessidade 
2. e esta pode se transformar, com o tempo, em algo mais complexo.Mas o que é design? Até hoje não se con-
seguiu uma tradução literal para esta palavra 
inglesa, pois apesar de ser entendida como 
\u201cdesenho\u201d, tem muitas facetas, dependendo 
que quem utiliza as suas funções. Nesse sen-
tido, as considerações da dupla de suecos 
Lowgren e Stolterman é bem instigante: 
Em nosso cotidiano, com frequência lida-
mos com diversos artefatos, que são pro-
dutos artificiais, fruto da inteligência e do 
trabalho humano, construídos com deter-
minado propósito em mente. São artefa-
tos, por exemplo, um copo, um pente, uma 
casa, um carro. Um artefato não surge es-
pontaneamente da natureza. Alguém deci-
de sua função, forma, estrutura, qualidade 
e o constrói com seu trabalho (LOWGREN; 
STOLTERMAN apud Barbosa, 2011, p.115)
O design tem vários segmentos. Pode ser 
gráfico, digital, cênico e de interiores. Ainda 
vão ser inventados outros tipos, dependen-
do das nossas necessidades. 
Em nosso dia a dia, compartilhamos vá-
rios tipos de objetos criados a partir de pa-
péis e pranchetas, e parece dependendermos 
bastante deles, como copos, pratos, talheres, 
celulares, automóveis e computadores. Você 
imagina a sua vida sem isso tudo?
No Brasil, temos vários designers famo-
sos. Mas aqui vamos focar