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Formação de 
Mediadores de Educação 
para Patrimônio
Átila Tolentino
Políticas 
públicas
preservação do 
patrimônio brasileiro
para Patrimônio
SUMÁRIO
1. Apresentação ........................................................................................131
2. Preservar já! ...........................................................................................132
3. As políticas de pedra e cal: o patrimônio material em evidência . 134
4. A arqueologia nas políticas de patrimônio .....................................136
5. O Programa Nacional do Patrimônio Imaterial .............................138
6. A Política Nacional de Museus ...........................................................140
7. A educação patrimonial e museal como políticas públicas .......141
8. Por uma visão crítica das políticas de patrimônio ........................142
Referências bibliográficas.......................................................................143
PARA OS
CURIOSOS
1.
APRESENTAÇÃO
este módulo, convido você 
a conhecer e refl etir sobre 
as principais políticas pú-
blicas desenvolvidas no 
Brasil para a preservação 
do nosso patrimônio cul-
tural, por meio de institui-
ções governamentais, de 
âmbito nacional, como o 
Instituto do Patrimônio 
Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e 
o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). 
A atuação dessas instituições geral-
mente é replicada ou serve de modelo 
para os órgãos de preservação do patri-
mônio dos estados e municípios brasilei-
ros, vinculados às Secretarias de Cultura.
Ao fi nal, indico referências bibliográfi cas 
que embasaram esse texto, mas que tam-
bém são indicações para que você possa 
pesquisar, com mais profundidade, assun-
tos específi cos de cada política patrimonial, 
de acordo com seu interesse e/ou atuação.
Então, bom estudo e boa leitura!
No seu estado e no seu munícipio 
existem órgãos ou entidades 
do poder público que são 
responsáveis pela preservação 
do patrimônio cultural, além do 
Iphan e do Ibram? Você já os(as) 
conhecia? Caso positivo, há 
quanto tempo existem? Que ações 
desenvolvem? Você acompanha 
essas ações? Como?
PARA OS
CURIOSOS
1.
APRESENTAÇÃO
este módulo, convido você 
Formação de Mediadores de Educação para Patrimônio 131
2.
PRESERVAR JÁ! 
o Brasil, a prática preser-
vacionista, seguindo a 
tendência europeia, este-
ve intimamente ligada à 
ideia de formação e afi r-
mação do Estado-Nação. 
Com a chegada de d. 
João VI e da Corte Portu-
guesa em 1808, foram cria-
dos a Biblioteca Nacional
(1810) e o Museu Nacional (1818), entre 
outras instituições culturais, que reuniram 
documentos e obras artísticas, a fi m de re-
gistrar e atestar a história brasileira, ainda 
muito atrelada ao reino português.
Bem mais tarde, entre o fi nal do século 
XIX e início do XX, percebia-se a valoriza-
ção da cultura erudita, cuja produção e 
consumo eram restritos à elite da época. 
É a partir da década de 1930, com a 
reformulação do Estado, que assistimos 
à ampliação dos serviços ofertados aos 
cidadãos e a valorização da cultura po-
pular. E apenas assim, surgem também as 
primeiras políticas de cultura, muito as-
sentadas nas ações de preservação do pa-
trimônio histórico e artístico brasileiro, 
como preconizava a Constituição Federal 
de 1934, a primeira a tratar do tema. 
132 FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA | UNIVERSIDADE ABERTA DO NORDESTE
É nesse contexto que se cria, dentro 
do Museu Histórico Nacional, o primeiro 
Curso de Museologia no Brasil (1932) e a 
Inspetoria dos Monumentos Nacionais
(1934). Ambos foram idealizados pelo cea-
rense Gustavo Barroso (1888-1959), fi gura 
de destaque no período pela preservação 
dos bens representativos da identidade 
nacional brasileira. Surgem, da mesma for-
ma, as primeiras iniciativas na área de pre-
servação dos monumentos históricos, 
norteadas por uma perspectiva tradiciona-
lista, como a elevação da cidade de Ouro 
Preto (MG), em 1933, à categoria de monu-
mento nacional, pelo governo federal.
No entanto, essa perspectiva de Gus-
tavo Barroso foi suplantada pela corren-
te modernista, representada por Rodrigo 
Melo Franco de Andrade (1898-1969) e 
outros intelectuais que defendiam uma 
determinada \u201cbrasilidade\u201d traduzida no 
nosso barroco colonial, de origem portu-
guesa, mas que envolvesse também ele-
mentos tipicamente brasileiros. 
Assim, em 1937, por meio do Decreto-
-Lei nº 25, é criado o Serviço do Patri-
mônio Histórico e Artístico Nacional 
(Sphan), hoje nominado Iphan, órgão na-
cional em atuação até a atualidade, que 
tem por fi nalidade determinar, organizar, 
conservar, defender e propagar o patrimô-
nio histórico e artístico nacional. Impor-
tante também registrar que foi, por meio 
desse decreto, a criação do instrumento 
do tombamento. Os bens tombados pas-
saram a ser inscritos em um ou mais livros 
de Tombo do Iphan. Seriam eles:
\u2022 Livro de Tombo Histórico
\u2022 Livro de Tombo de Belas Artes
\u2022 Livro de Tombo Arqueológico, Etno-
gráfi co e Paisagístico
\u2022 Livro de Tombo das Artes Aplicadas
SAIBA 
MAIS
Instituição ícone da época, o 
Sphan (hoje Iphan) foi resultado 
do anteprojeto* elaborado pelo 
pesquisador e poeta Mário de 
Andrade, a pedido do então ministro 
de Educação e Saúde, Gustavo 
Capanema. Muitos autores apontam 
o caráter extremamente inovador, 
para a época, desse anteprojeto, 
em que está patente o resultado 
dos estudos empreendidos pelo 
intelectual, sempre preocupado 
com a identifi cação de uma 
cultura nacional. No entanto, esse 
anteprojeto não foi bem recebido 
pelos setores da sociedade mais 
preocupados com a sobrevivência 
apenas da \u201cpedra e do cal\u201d, como 
veremos a seguir.
* Anteprojeto Trabalho preliminar para a 
redação fi nal de um projeto de lei.
PARA OS
CURIOSOS
A palavra tombamento reporta-se à 
Torre do Tombo, situada em Lisboa. 
Trata-se de uma das instituições 
mais antigas de Portugal, criada em 
1378, funcionando até hoje como um 
grande Arquivo Nacional, que guarda 
documentos importantes sobre a 
administração portuguesa, incluindo 
suas colônias, como o Brasil. 
O verbo tombar tem o sentido de 
registrar ou inventariar bens nos 
arquivos. No caso brasileiro, tombar
signifi ca, a partir do Decreto-Lei 
nº 25/1937, que o poder público
atribui importância e estabelece a 
preservação de determinado bem
de natureza material, a partir de 
práticas de registro, conservação e
difusão do bem tombado.
Formação de Mediadores de Educação para Patrimônio 133
3.
AS POLÍTICAS 
DE PEDRA E CAL: 
O PATRIMÔNIO 
MATERIAL 
EM EVIDÊNCIA
o campo do patrimônio 
material, o principal e 
mais antigo instrumento 
de preservação do patri-
mônio, como já mencio-
nado, é o tombamento, 
criado pelo Decreto-Lei nº 
25, de 1937, que organiza 
a proteção do patrimônio 
histórico e artístico na-
cional, vigente até o dia de hoje. 
De acordo com art. 1º desse decreto-
-lei, \u201cconstitui o patrimônio histórico e 
artístico nacional, o conjunto dos bens 
móveis e imóveis existentes no país e 
cuja conservação seja de interesse públi-
co, quer por sua vinculação a fatos me-
moráveis da história do Brasil, quer por 
seu excepcional valor arqueológico ou 
etnográfi co, bibliográfi co ou artístico\u201d. 
Complementa em seu § 2º: \u201cEquiparam-se 
aos bens a que se refere o presente artigo 
e são também sujeitos a tombamento os 
monumentos naturais, bem como os sítios 
e paisagens que importe conservar e pro-
teger pela feição notável com que tenham 
sido dotados pela natureza ou agenciados 
pela indústria humana\u201d.
Desta forma, podem ser tombados os 
bens de natureza material:
a. bens imóveis, como construções e 
edifi cações, cidades históricas, sí-
tios urbanos, sítios arqueológicos e 
paisagísticos; 
b. bens móveis, como coleções arque-
ológicas e museológicas, acervos 
documentais, bibliográfi cos, arqui-
vísticos, videográfi cos, fotográfi cos 
e cinematográfi cos; e 
c. bens integrados, ou seja, aqueles 
bens móveis que integram os imó-
veis tombados, a exemplo de objetos 
de artes, esculturas, peças decorati-
vas e imagens