Prévia do material em texto
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
2
SUMÁRIO
1 - A HERMENÊUTICA E A ESCATOLOGIA ................................................................................... 6
1.1. O ALEGORISMO ........................................................................................................................ 6
1.2. O LITERALISMO ......................................................................................................................... 7
2 - O DISPENSACIONALISMO E SUAS ALIANÇAS ....................................................................... 14
2.1. AS ALIANÇAS E A ESCATOLOGIA .................................................................................................. 14
2.2. ALIANÇA ABRAÂMICA ............................................................................................................... 14
2.3. A ALIANÇA PALESTÍNICA ........................................................................................................... 16
2.4. ALIANÇA DAVÍDICA .................................................................................................................. 18
2.5. NOVA ALIANÇA ....................................................................................................................... 19
2.6. O FIM DA ATUAL DISPENSAÇÃO ................................................................................................. 21
3 - DEFINIÇÃO DOS TERMOS ARREBATAMENTO E VINDA ........................................................ 24
3.1. ARREBATAMENTO ................................................................................................................... 24
3.2. VINDA ................................................................................................................................... 25
4 - ESCOLAS ESCATOLÓGICAS .................................................................................................. 29
4.1. ESCOLA IDEALISTA ................................................................................................................... 29
4.2. ESCOLA PRETERISTA ................................................................................................................. 30
4.3. A ESCOLA FUTURISTA ............................................................................................................... 31
4.4. A ESCOLA HISTÓRICA ............................................................................................................... 32
4.5. AS MELHORES FERRAMENTAS DE INTERPRETAÇÃO ......................................................................... 35
5 - O TEMPO DO FIM ............................................................................................................... 38
5.1. MATEUS 24 ........................................................................................................................... 38
5.2. OS SINAIS DO TEMPO DO FIM .................................................................................................... 41
6 - TEORIAS SOBRE O ARREBATAMENTO ................................................................................. 46
6.1. TEORIA DO ARREBATAMENTO PARCIAL ........................................................................................ 46
6.2. TEORIA DO ARREBATAMENTO MESO OU MIDI TRIBULACIONISMO .................................................... 47
6.3. TEORIA DO ARREBATAMENTO PÓS-TRIBULACIONISTA ..................................................................... 49
7 - TEORIA DO ARREBATAMENTO PRÉ-TRIBULACIONISTA ....................................................... 54
7.1. O PRÉ-TRIBULACIONISMO E A HISTÓRIA ...................................................................................... 54
7.2. A DOUTRINA DA IMINÊNCIA ...................................................................................................... 55
7.3. PORQUE O ARREBATAMENTO DEVE SER PRÉ-TRIBULACIONISTA? ...................................................... 56
8 - SOBRE O ARREBATAMENTO ............................................................................................... 61
8.1. PROPÓSITOS DO ARREBATAMENTO ............................................................................................. 61
8.2. QUEM SERÁ ARREBATADO? ...................................................................................................... 62
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
3
8.3. O MOMENTO DO ARREBATAMENTO ........................................................................................... 63
9 - HISTÓRIA DA DOUTRINA DA SEGUNDA VINDA ................................................................... 65
9.1. AS CONCEPÇÕES SOBRE O SECUNDO ADVENTO ............................................................................. 65
9.2. A DOUTRINA DO SEGUNDO ADVENTO NA IGREJA PRIMITIVA ............................................................ 67
9.3. DEFENSORES DO PRÉ-MILENARISMO NO PRIMEIRO SÉCULO ............................................................. 68
9.4. DEFENSORES DO PRÉ-MILENARISMO NO SEGUNDO SÉCULO ............................................................. 69
9.5. DEFENSORES DO PRÉ-MILENARISMO NO TERCEIRO SÉCULO ............................................................. 69
9.6. OPONENTES DA POSIÇÃO PRÉ-MILENARISTA ................................................................................. 71
9.7. A ASCENSÃO DO AMILENARISMO ............................................................................................... 74
9.8. O ECLIPSE DO PRÉ-MILENARISMO ............................................................................................... 75
9.9. O QUILIASMO DESDE A REFORMA ............................................................................................... 76
9.10. A ASCENSÃO DO PÓS-MILENARISMO ........................................................................................... 77
9.11. A RECENTE ASCENSÃO DO AMILENARISMO................................................................................... 79
9.12. O RESSURGIMENTO DO PRÉ-MILENARISMO. ................................................................................. 82
9.13. OBSERVAÇÕES IMPORTANTES .................................................................................................... 83
9.14. EXORTAÇÕES PRÁTICAS DECORRENTES DA SEGUNDA VINDA ............................................................ 85
10 - A IGREJA APÓS O ARREBATAMENTO .............................................................................. 87
10.1. O TRIBUNAL DE CRISTO ............................................................................................................ 87
10.2. COMO SERÁ O TRIBUNAL DE CRISTO ........................................................................................... 88
10.3. BODAS DO CORDEIRO ............................................................................................................... 89
11 - A GRANDE TRIBULAÇÃO ................................................................................................. 92
11.1. TERMOS UTILIZADOS PARA TRIBULAÇÃO ...................................................................................... 92
11.2. O DIA DO SENHOR .................................................................................................................. 93
11.3. AS SETENTA SEMANAS DE DANIEL .............................................................................................. 95
11.4. O PROPÓSITO DA GRANDE TRIBULAÇÃO .................................................................................... 101
11.5. A ESTRUTURA DA GRANDE TRIBULAÇÃO.................................................................................... 102
12 - A BESTA ........................................................................................................................ 105
12.1. SEU REINO E SUA CHEGADA AO PODER ..................................................................................... 105
12.2. O DETENTOR ........................................................................................................................ 110
12.3. O FIM DO ACORDO DE PAZ ..................................................................................................... 111
12.4. A BERTA QUE SURGIU DA TERRA .............................................................................................. 112
13 - A INVASÃO NA PALESTINA ........................................................................................... 114
13.1. OS INIMIGOS DO NORTE ......................................................................................................... 114
14 - O PERÍODO MILENIAL ................................................................................................... 120
14.1. O GOVERNO NO MILÊNIO ....................................................................................................... 120
14.2. DAVI É O REGENTE NO MILÊNIO ............................................................................................... 122
14.3. A NATUREZA DO REINO MILENIAL ............................................................................................ 125
14.4. OS SÚDITOS NO MILÊNIO ....................................................................................................... 126
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
4
14.5. ISRAEL NO MILÊNIO ............................................................................................................... 127
14.6. A REGENERAÇÃO DE ISRAEL ..................................................................................................... 128
14.7. ISRAEL COMO SÚDITO DO MESSIAS O MILÊNIO ........................................................................... 129
14.8. OS GENTIOS NO MILÊNIO ....................................................................................................... 130
14.9. JERUSALÉM E A PALESTINA NO MILÊNIO ..................................................................................... 130
14.10. A REDENÇÃO DA TERRA NO MILÊNIO .................................................................................... 131
14.11. O TEMPLO NO MILÊNIO ..................................................................................................... 133
14.12. HAVERÁ SACRIFÍCIO LITERAL NO MILÊNIO? ............................................................................ 137
15 - O ESTADO ETERNO ....................................................................................................... 142
15.1. A PURIFICAÇÃO PARA O REINO ETERNO ..................................................................................... 142
15.2. A LIBERTAÇÃO DE SATANÁS E A SUA REBELIÃO ............................................................................ 142
15.3. A PURIFICAÇÃO DA CRIAÇÃO. .................................................................................................. 143
15.4. O JULGAMENTO DOS PECADORES ............................................................................................. 144
15.5. O DESTINO DOS PERDIDOS ...................................................................................................... 146
15.6. O LUGAR DOS MORTOS .......................................................................................................... 147
15.7. A CRIAÇÃO DO NOVO CÉU E DA NOVA TERRA ............................................................................. 150
15.8. A CURA DAS NAÇÕES ............................................................................................................. 151
15.9. A EXISTÊNCIA DAS NAÇÕES ..................................................................................................... 152
15.10. O MINISTÉRIO DOS ANJOS .................................................................................................. 153
15.11. A POSIÇÃO DA CIDADE EM APOCALIPSE 21.10 ....................................................................... 153
15.12. A DURAÇÃO DO REINADO ................................................................................................... 154
15.13. A VIDA NA CIDADE ETERNA ................................................................................................. 156
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
5
AULA
01
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
6
1 - A HERMENÊUTICA E A ESCATOLOGIA
Sendo a hermenêutica a responsável pelo estudo das regras de interpretação bíblica
não seria possível deixa-la de fora de um trabalho como este, já que a escatologia
trabalha em meio a muitas profecias e passagens de difícil compreensão, por isso
precisaremos conhecer os dois principais métodos de interpretação para que tomemos
um caminho coerente nas Escrituras, e acima de tudo não a deturpemos para provar
teorias infundadas.
O alegorismo e o literalismo são hoje, os métodos mais utilizados sendo que o
primeiro vem ganhando mais espaço entre os teólogos, espaço este antes dominado,
quase em totalidade, pelo método literal.
1.1. O Alegorismo
O alegorismo tem suas raízes no platonismo e no alegorismo judaico, dois de seus
defensores são Orígenes (185-254) escritor, teólogo e professor e Clemente de Alexandria
que faziam parte da escola de Alexandria. Orígenes defendia que a interpretação era
dividida em três aspectos o literal, ao nível do corpo, o moral, ao nível da alma, e o
alegórico, ao nível do espírito. Clemente por outro lado defendia cinco pontos a serem
usados para interpretação de um texto: o histórico, o doutrinário, o profético, o filosófico
e o místico. Agostinho de Hipona reformulou os sentidos do alegorismo e os transformou
em quatro: o sentido literal, o que o texto realmente quer dizer; o sentido moral, uma
visão do texto que retratasse um ensinamento sobre conduta; sentido alegórico, como
crer e em quem crer e de que maneira; o sentido anagógico, o que o texto promete ou
representa para o futuro. Assim vemos que agostinho ao ler um texto tinha consciência
de seu sentido literal, mas empregava outros mecanismos para que o texto dissesse mais
que o que estava escrito.
Para definirmos o alegorismo podemos dizer que este método é aquele que
em lugar de reconhecer o texto como naturalmente se apresenta, perverte-o dando
um sentido secundário anulando a intenção primária do escritor, um exemplo deste tipo
de interpretação está em Apocalipse 20 quando João fala a respeito de um período de mil
anos em que a teocracia seria instituída e o próprio Jesus reinaria sobre a terra, os
alegoristas ou espiritualizadores de textos dizem que este período está sendo
cumprido agora pela igreja, e os mil anos não são literais, mas sim espirituais.
Grandes perigos rondam a alegorização já que esta não interpreta as Escrituras, mas dá
um novo sentido a ela baseados na imaginação do intérprete, sendo que, como diz a regra
fundamental da hermenêutica, a Bíblia deveexplicar-se por si mesma.
Por muitos motivos a interpretação das Escrituras por alegorização deve ser
rejeitada, no entanto é importante que fique claro que num sermão usa-se de alegorias
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
7
para trazer um ensino à igreja dentro de um texto que às vezes foge do seu sentido literal,
porém isso é permitido, pois se trata apenas da aplicação de conceitos contidos no texto
em uso, o que não se permite é estabelecer doutrinas baseadas em textos alegorizados
como o exemplo acima citado que perverte um ensino bíblico com uma interpretação
mística de um texto que não poder ser compreendido de outra maneira senão
literalmente. É importante ressaltar que o método alegórico trata-se de um sistema
usado para interpretar a Bíblia e nada tem a ver com alegorias existentes nas Escrituras.
1.2. O Literalismo
Também conhecido como método histórico-gramatical o literalismo difere do
alegorismo por interpretar as palavras e frases de uma maneira natural como elas se
apresentam; o Dr J.D. Pentecost define o método literal da seguinte maneira:
“O método literal de interpretação é o que dá a cada palavra o mesmo sentido básico
e exato que teria no uso costumeiro, normal, cotidiano empregada de modo escrito oral
ou conceitual”.
Com certeza este é o único método que satisfaz as exigências bíblicas no sentido de
trazer uma interpretação equilibrada e dentro de um contexto correto, ou seja, ele não
modifica a idéia inicial que o autor procurou transmitir, mas a explica de maneira coerente.
A Bíblia foi elaborada por Deus para que o homem conhecesse seus propósitos e
mandamentos e, portanto não permitiria que este mesmo homem interpretasse seus
ensinos literais dando a eles um novo sentido, portanto Deus espera que suas
palavras sejam entendidas da maneira como ele as disse, é certo que temos
linguagens figuradas, simbólicas e alegorias nos textos bíblicos, no entanto o fato deles
existirem não obriga ao interprete usar outros métodos, pois por trás das parábolas, tipos,
figuras e símbolos estão verdades literais, sabemos também que, não podem ser
interpretados ao pé da letra, mas deve-se sempre buscar dentro do contexto, em
passagens paralelas, tipos paralelos que tenham a explicação contida na Bíblia, a
compreensão correta do texto.
Um exemplo de alegoria se vê em João 15:5 quando Jesus diz que Ele é uma videira e
seus discípulos os ramos, ou em João 6:51-58 onde diz:
“Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente;...
Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não
beberdes o seu sangue, não tendes vida em vós mesmos. Quem comer a minha carne e
beber o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha
carne é verdadeira comida, e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem comer a minha
carne e beber o meu sangue permanece em mim, e eu, nele”.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
8
É obvio que Jesus não é uma videira ou um pão, nem também ele gostaria
que literalmente sua carne fosse comida, no entanto o que os textos expressam é o
fato da comunhão, a ligação que o homem precisa ter com Cristo. Mesmo sendo uma
alegoria o texto traz uma verdade literal e absoluta que não aceita outra interpretação
senão a que o texto sugere.
Vejamos um exemplo de um texto que tem uma linguagem figurada que não pode
ser levada ao pé da letra, mas que traz uma verdade literal. Lucas 19:40: “Mas ele lhes
respondeu: Asseguro-vos que, se eles se calarem, as próprias pedras clamarão”. Nos é
claro que as pedras não falariam, porém usa esta expressão para advertir aos que se
incomodavam com o clamor do povo.
A. Os judeus e o Literalismo. Os muitos mandamentos e advertências de Deus para
seu povo necessitavam de que fossem passados a eles seja pelo profeta, juiz ou sacerdote
e isto fazia com que este interpretasse as palavras de Deus para então serem
transmitidas, quando estas mensagens eram escritas pelos receptores também
careciam de interprete para que o ensino fosse totalmente entendido, mas qual
método era usado para esta interpretação? Quando Deus falava, suas palavras eram
entendidas literalmente? A resposta é sim. O método usado pelos Judeus para interpretar
todos os oráculos do Senhor era o literal. Quando Deus disse para Adão e Eva que se
comessem o fruto da arvore do conhecimento morreriam ele queria que assim como falou
fosse entendido, e comendo o fruto o casal provou do castigo da literal advertência de
Deus.
Quanto às profecias, os judeus aguardavam delas um cumprimento literal, as que
falavam da vinda do Messias (Gn 3:15; Nm 24:17; Gn 49:10; Is 9; Mq 5:2 etc) alimentavam
a esperança da nação que aguardava um cumprimento literal de todas elas.
B. O Literalismo e o Novo Testamento. Não só Jesus, mas também os discípulos
sempre interpretaram os livros do antigo testamento de maneira literal. Jesus em Mt 12:17
ao mencionar a si mesmo, disse que nele se cumpriria a profecia de Isaias que está em Is
42:1-4, ou seja, o que disse o profeta, Jesus interpretou como literal não alegorizando seu
sentido; outro versículo interessante que mostra a interpretação literal está em Lc 18:31.
Tomando consigo os doze, disse-lhes Jesus: Eis que subimos para Jerusalém, e vai
cumprir-se ali tudo quanto está escrito por intermédio dos profetas, no tocante ao
Filho do Homem;
Os apóstolos procediam da mesma maneira, João 19:24, 28, 36 demonstram que o
apóstolo via na crucificação e morte de cristo, o cumprimento literal de profecias do
antigo testamento.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
9
C. O Literalismo na História da Igreja. Por toda a história da igreja, mesmo com o
surgimento de outros métodos de interpretação os grandes nomes do cristianismo
verdadeiro sempre interpretaram as Escrituras da mesma forma que Jesus ensinou e
os apóstolos praticaram, o que segue são breves comentários referentes ao uso do
literalismo no decorrer da história da igreja de Cristo.
Na igreja primitiva. Grandes nomes da igreja primitiva criam nas Escrituras assim
como elas ensinavam, como exemplo, temos Papias que viveu entre 70 e 140 d.C que ao
escrever sobre a profecia de Apocalipse que menciona a existência do reino milenial ele
diz:
"Haverá dias em que nascerão vinhas que terão, cada uma, dez mil videiras; cada
videira terá dez mil ramos; cada ramo terá mil galhos; cada galho terá dez mil cachos e
cada cacho terá dez mil uvas e cada uva espremida renderá vinte e cinco metretes de
vinho. E quando um dos santos pegar um dos cachos, o outro cacho gritará: 'pega-
me porque sou o melhor e, por meu intermédio, bendize o Senhor'. Da mesma
forma, um grão de trigo produzirá dez mil espigas e cada espiga dará dez mil
grãos; cada grão dará dez libras de farinha branca e limpa.
Também os outros frutos, sementes e ervas produzirão nessa mesma proporção. E
todos os animais que se alimentam dos alimentos dessa terra se tornarão pacíficos e
viverão em harmonia entre si, submetendo-se aos homens sem qualquer relutância".
Isso quer dizer que enquanto hoje, muitos teólogos ensinam que o milênio nunca
existirá literalmente, os cristãos primitivos acreditavampiamente em sua existência.
Outro texto antigo que nos informa como os cristãos antigos viam as
promessas de Jesus, é uma frase extraída da “Apologia de Aristides” que foi escrita
por volta do século II, onde o autor fala da vinda de Cristo, “A glória de sua vinda
poderás ó Rei conhecê-la, se lerdes o que entre eles (os cristão) se chama
Escritura Evangélica”. Aqui Aristides não só defende o ensino da volta de Cristo como fala
de sua referência nas Escrituras.
Atanásio, teólogo do século quatro, em sua carta a Marcelino, a respeito da
interpretação dos Salmos, faz ligação entre os acontecimentos verídicos do Pentatêuco e
Juizes com os Salmos interpretando-os de maneira literal, como sendo narrativas dos
eventos passados e não trazendo novos sentidos a eles como fazem os alegoristas.
Os fatos concernentes a Josué e aos Juízes como o referem brevemente o Salmo 106
com as palavras: "Fundaram cidades para habitar nelas, semearam campos e
plantaram vinhas" (Sal 106, 36-37). Pois foi sob Josué que se lhes entregou a
terra prometida. Ao repetir reiteradamente no mesmo Salmo: "Então gritaram ao
Senhor em sua atribulação, e Ele os livrou de todas suas angústias" (Sal 106,6), está
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
10
indicando o livro dos Juizes. Já que quando eles gritavam os suscitavam juízes a seu
devido tempo para livrar a seu povo daqueles que o afligiam. O referente aos reis se
canta no Salmo 19 ao dizer: "Alguns se vangloriam em carros, outros em cavalos,
porém, nós, no nome do Senhor nosso Deus. Eles foram detidos e caíram; porem
nós nos levantamos e mantivemo-nos em pé. Senhor, salva ao Rei e escuta-nos
quando te invocamos!" (Sal 19,8-10). E o que se refere a Esdras, o canta no Salmo 125
(um dos salmos graduais): "Quando o Senhor trocou o cativeiro de Sião, ficamos
consolados" (Sal 125,1); e novamente no 121: "Me alegrei quando me disseram:
'Vamos à casa do Senhor'. Nossos pés percorreram teus palácios, Jerusalém;
Jerusalém está edificada qual cidade completamente povoada. Pois ali sobem
as tribos, as tribos do Senhor, como testemunho para Israel" (Sal 121,1-4). (A
numeração dos Salmos é referente ao texto original Católico Romano)
Teodoro de Mopsuéstia, grande teólogo e pensador cristão do século IV e V
perseguiu de maneira voraz o método alegórico de interpretação, e ao comentar disse:
“Há pessoas que se empenham em distorcer os sentidos das Escrituras divinas e
fazem tudo quando está escrito servir a seus próprios fins... Eles arquitetam algumas
fábulas tolas em sua própria mente e dão à sua tolice o nome de alegoria. Usam mal o
termo do apóstolo como uma autorização em branco para suprimir todos os sentidos da
Escritura divina”.
Mesmo com o início da ascensão do alegorismo o método literal foi defendido pelos
mais ilustres teólogos e mestres da história, um exemplo destes é
Tertuliano, tido por muitos, como o maior depois do apóstolo Paulo.
Entre os Reformadores. Durante quase toda a idade média a igreja Católica
Romana teve o domínio da interpretação bíblica atribuindo a si mesma, como a única
capaz de fazê- lo corretamente:
“Pois tudo o que concerne à maneira de interpretar a Escritura, está sujeito
em última estância ao juízo da igreja, que exerce o mandato e ministério divino de
guardar e interpretar a palavra de Deus”. (Bíblia Ave Maria, Constituição dogmática Dei
Verbum sobre a revelação divina).
Com a reforma protestante, o método literal volta com grande força por ser este o
método usado por seus líderes. Weldon E. Viertel em seu artigo sobre os “Princípios
Hermenêuticos de João Calvino”, escreve:
“Calvino doutrinava que a primeira responsabilidade de um intérprete é deixar que o
autor diga aquilo que de fato diz, em vez de atribuir a ele o que nós pensamos que ele
deveria dizer. É tarefa do intérprete mostrar a mente do escritor. Considerou como
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
11
sacrilégio o uso da Escritura à mercê do prazer de cada um. Ele recusou apresentar
seus pontos de vista teológicos em conjunto com sua interpretação da Escritura. Os
princípios de Calvino sobre a interpretação incluíam o sentido literal (princípio gramático-
histórico) (...)”.
Sabemos que parece um pouco contraditório o fato de Calvino ser literalista e
espiritualizar vários textos, principalmente escatológicos, para que seus ensinos sejam
fundamentados, porém o que nos importa é seu reconhecimento quanto ao uso
indispensável do método literal.
Todo o movimento reformista aderiu ao método literal, a declaração de fé de
Westminster tem o seguinte parágrafo:
“A regra infalível de interpretação da Escritura é a mesma Escritura; portanto,
quando houver questão sobre o verdadeiro e pleno sentido de qualquer texto da
Escritura (sentido que não é múltiplo, mas único), esse texto pode ser estudado e
compreendido por outros textos que falem mais claramente”.
Este foi incluído também, na declaração de fé Batista de 1689.
Paulo R. B. Anglaba em seu artigo faz comentário sobre o rompimento com o
alegorismo medieval:
John Colet (1467-1519) foi um dos primeiros reformadores a romper com o método
alegórico medieval, ao expor em 1496, em Oxford, as cartas do apóstolo Paulo em seu
sentido literal e no seu contexto histórico. Três anos depois, em 1499, ele já sustentava o
princípio de que as Escrituras não podem ter senão um único significado: o mais simples.
Lutero também rejeitou a interpretação alegórica. Defendeu que ‘‘nós devemos nos
ater ao sentido simples, puro e natural das palavras, como requerido pela gramática e
pelo uso do idioma criado por Deus entre os homens.’’
Quanto a Calvino, sua aversão à interpretação alegórica era de tal ordem que ele
chegou a afirmar ser satânica, por desviar o homem da verdade das Escrituras. ‘‘É uma
audácia próxima do sacrilégio’’, escreveu ele, ‘‘usar as Escrituras ao nosso bel-prazer e
brincar com elas como com uma bola de tênis, como muitos antes de nós o fizeram’’.
Muitos outros nomes poderiam ser citados, porém os destacados falam por todo o
grupo, que mesmo divergindo em questões doutrinárias tinham comum parecer quanto
ao método de interpretação.
A conclusão que chegamos, tendo em vista que a igreja moderna e a contemporânea
seguiram os passos da reformada quanto à hermenêutica, é que não há outro método de
interpretar a palavra de Deus, que não seja o de respeitar e não deturpar o seu sentido
original, ou seja, levar em consideração aquilo que o escritor realmente queria dizer. O
fato é que na escatologia lidamos com textos de difícil elucidação, no entanto não temos o
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
12
direito de dar-lhe outro sentido apenas baseando-se em nossos pensamentos e raciocínios
e é justamente o que tem acontecido em nossos dias. Sobre os que brincam com o sentido
das Escrituras, Teodoro de Mopsuéstia disse “agem como se toda a narrativa histórica
da Escritura divina de nenhum modo diferisse de sonhos à noite”.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.brESCATOLOGIA
13
AULA
02
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
14
2 - O DISPENSACIONALISMO E SUAS ALIANÇAS
É de suma importância nos determos, por breve momento, no estudo das
dispensações já que esta está ligada fortemente a escatologia. Os pactos realizados por
Deus durante determinado tempo da história permanecem até hoje e as promessas
inclusas nestes pactos esperam cumprimento total.
Dispensações são períodos de tempo em que Deus estabelece diferentes maneiras de
tratar com seu povo, sendo que em cada uma delas há a pactos estabelecidos por Deus
em que são feitas promessas que foram ou serão cumpridas e também exigências como
condições para que as alianças ou parte delas sejam concluídas. É interessante ressaltar
que as alianças ou pactos tinhas características diferentes relativas ao seu cumprimento,
algumas eram totalmente condicionais, onde, aquela pessoa ou nação com quem foi feita
a aliança, deveria cumprir alguns pormenores para sua realização. As incondicionais ao
contrário, não estavam dependentes da pessoa ou grupo com que a aliança era feita, Deus
prometia e independente de qualquer coisa ele se comprometia a fazer.
O dispensacionalismo apresenta todo o plano de Deus através dos séculos por
períodos, como se fossem capítulos de um livro, embora sejam distintos têm o mesmo
contexto, ou seja, mesmo as dispensações sendo diferentes estão interligadas e elas
tratam do mesmo contexto, que é a revelação de Deus ao homem e também o
desenvolvimento deste relacionamento.
2.1. As Alianças e a Escatologia
Encontramos nas alianças: Abraâmica, Mosaica, Palestínica e Davídica, implicações
escatológicas que resolvem e explicam grandes discussões em várias áreas da doutrina. O
que estudaremos a seguir serão estas implicações e o que cada uma delas representa para
a igreja, para os gentios e para Israel.
A aliança com Abraão é a raiz das demais, Deus prometeu ao patriarca a posse da
terra e isto foi confirmado pela aliança palestina. A promessa também inclui a formação
de uma numerosa nação e o estabelecimento de um reinado eterno confirmado na aliança
Davídica. Através de sua descendência todas as nações seriam abençoadas o que é
confirmado na Nova Aliança.
2.2. Aliança Abraâmica
A cronologia bíblica mais aceitável apresenta o nascimento de Abraão no ano 2166
a.C., na era do baixo bronze IV. Filho de Terá morava na cidade Sumeriana, Ur dos
Caldeus que ficava às margens do rio Eufrates, neste tempo a cidade havia sido
conquistada por povos bárbaros ocasionando a saída de seu pai juntamente com filhos e
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
15
noras para a cidade de Harã, onde Deus se revela a ele. Seu chamado está registrado em
Gênesis 12:1-3:
“Ora, disse o SENHOR a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai
e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te
engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os que te abençoarem e
amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra”.
Em outros textos encontramos complementos desta aliança:
Gênesis 12:6-7 Atravessou Abrão a terra até Siquém, até ao carvalho de Moré.
Nesse tempo os cananeus habitavam essa terra. Apareceu o SENHOR a Abrão e
lhe disse: Darei à tua descendência esta terra. Ali edificou Abrão um altar ao
SENHOR, que lhe aparecera.
Gênesis 13:14-17 Disse o SENHOR a Abrão, depois que Ló se separou dele: Ergue
os olhos e olha desde onde estás para o norte, para o sul, para o oriente e para o
ocidente; porque toda essa terra que vês, eu ta darei, a ti e à tua
descendência, para sempre. Farei a tua descendência como o pó da terra; de
maneira que, se alguém puder contar o pó da terra, então se contará também a
tua descendência. Levanta-te, percorre essa terra no seu comprimento e na sua
largura; porque eu ta darei. (leia também 15:1-21; 17:1-14)
Podemos numerar as promessas da seguinte forma:
De Abraão sairia uma grande nação.
Ele seria abençoado;
Seu nome seria engrandecido;
Ele mesmo seria uma grande bênção;
Deus promete abençoar os que o abençoassem e amaldiçoar os que o
amaldiçoassem;
Através dele e de sua descendência todas as nações seriam abençoadas;
Canaã seria de sua descendência;
A possessão da terra seria eterna;
Seria o patriarca de vários reis;
A aliança permaneceria perpetuamente em sua descendência.
Qualquer aliança feita por Deus com os homens pode ter ou não uma condição, ou
seja, se a pessoa ou o povo tiver que fazer algo para que o pacto venha a ser cumprido é
uma aliança condicional, se for ao contrário é uma aliança incondicional.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
16
A aliança de Deus com Abraão tem uma condição inicial que é “Sai da tua terra, da
tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei”.
Ao cumprir esta parte todo o restante era de caráter incondicional, Deus iria cumprir.
Eugene H. Merril ao comentar sobre o caráter da aliança diz:
A divina promessa da terra e as outras bênçãos (Gn 12:1-3; 15:18-21; 17:1-8) estão
registradas numa forma de aliança tecnicamente conhecida nos estudos do antigo oriente
Médio como sendo um “concerto da graça”. É uma iniciativa que parte daquele que
concede o favor, e quase sempre sem que para isso exista quaisquer pré-requisito ou
qualificação.
No Novo Testamento vemos claramente a imutabilidade da aliança Abraâmica em
Hebreus 6:13-17
Pois, quando Deus fez a promessa a Abraão, visto que não tinha ninguém superior
por quem jurar, jurou por si mesmo, dizendo: Certamente, te abençoarei e te
multiplicarei. E assim, depois de esperar com paciência, obteve Abraão a promessa. Pois os
homens juram pelo que lhes é superior, e o juramento, servindo de garantia, para eles, é
o fim de toda contenda. Por isso, Deus, quando quis mostrar mais firmemente aos
herdeiros da promessa a imutabilidade do seu propósito, se interpôs com
juramento,(...)
As promessas a Abraão eram definitivas, pois dele surgiria uma grande nação, e para
sua posteridade seria dada a terra de Canaã como posse eterna; seu nome seria grande e
quem ele abençoasse seria abençoado, se amaldiçoasse seria amaldiçoado; através dele
todas as nações seriam abençoadas e a aliança que Deus estabelecia com ele seria eterna.
As promessas da aliança têm caráter literal e não figurado, se Deus o prometeu iria
cumprir cabalmente todas elas. É notório que as promessas não foram, ainda, realizadas
em sua totalidade já que Israel nunca possuiu a terra de maneira definitiva, o reinado
literal ainda não existe, porém, como veremos adiante, estas promessas encontrarão
cumprimento no milênio.
2.3. A Aliança Palestínica
Após a aliança Mosaica ser decididamente desobedecida, e chegar o momento de
transição de liderança, Deus fala a Moisés e renova a aliança estabelecida com o pai
Abraão, o caso é que devido à desobediência não se tinha mais esperança de entrar na
terra prometida e esta revitalização da promessa trazia consigo uma nova esperança ao
povo de Israel. Esta aliança é encontrada em Deuteronômio 30:1-10:
“Quando, pois, todas estas coisas vierem sobre ti, a bênção e a maldição que pus
diante de ti, se te recordares delas entre todas as nações para onde te lançar o SENHOR,
teuDeus; e tornares ao SENHOR, teu Deus, tu e teus filhos, de todo o teu coração e de
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
17
toda a tua alma, e deres ouvidos à sua voz, segundo tudo o que hoje te ordeno, então, o
SENHOR, teu Deus, mudará a tua sorte, (...) O SENHOR, teu Deus, te introduzirá na terra
que teus pais possuíram, e a possuirás; e te fará bem e te multiplicará mais do que a teus
pais. O SENHOR, teu Deus, circuncidará o teu coração e o coração de tua descendência,
para amares o SENHOR, teu Deus, de todo o coração e de toda a tua alma, (...) pois, darás
ouvidos à voz do SENHOR;(...) O SENHOR, teu Deus, te dará abundância em toda obra das
tuas mãos, no fruto do teu ventre, no fruto dos teus animais e no fruto da tua terra(...) se
deres ouvidos à voz do SENHOR, teu Deus(...)”.
O ponto central desta aliança é a possessão da terra que havia sido prometida à
descendência de Abraão, e perdida devido a desobediência de Israel (Dt 28:63-68), no
entanto o novo pacto traria não só o restabelecimento da promessa mais sua reafirmação.
Vejamos os pontos desta aliança:
Deus tirará Israel do cativeiro (v.3-4)
Seria-lhes restituída a terra por posse eterna; (v.5)
Teriam grande prosperidade (v.5,9)
Deus converterá toda a nação para si (v.6)
É-lhes garantida proteção contra os inimigos (v.7)
A promessa de Deus para Israel permanece firme e inabalável. Claramente se vê uma
repetição do que foi prometido a Abraão de maneira também incondicional, o fato de a
conversão de Israel ser aparentemente a condição para que Deus cumpra sua promessa
não torna a aliança condicional, pois o Senhor disse que converteria seu povo, veja bem,
ele seria o autor da conversão:
SENHOR, teu Deus, (ele) circuncidará o teu coração e o coração de tua descendência,
para amares o SENHOR, teu Deus, de todo o coração e de toda a tua alma, para que vivas.
De novo, pois, darás ouvidos à voz do SENHOR; cumprirás todos os seus mandamentos que
hoje te ordeno.
O único fator que adiaria ou atrasaria o cumprimento da promessa seria, quando; ou
seja, o tempo em que Israel desse ouvido ao Senhor (Dt 28:2), isto não condiciona a
promessa porque o tempo desta conversão será determinado por Deus “porém o
SENHOR não vos deu coração para entender, nem olhos para ver, nem ouvidos para
ouvir, até ao dia de hoje” (Dt 29:4). E esta “abertura de ouvidos” ocorrerá no fim da grande
Tribulação.
E sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém derramarei o espírito da
graça e de súplicas; olharão para aquele a quem traspassaram; pranteá-lo-ão como quem
pranteia por um unigênito e chorarão por ele como se chora amargamente pelo
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
18
primogênito. Naquele dia, será grande o pranto em Jerusalém, como o pranto de Hadade-
Rimom, no vale de Megido.(Zc 12:10-11)
2.4. Aliança Davídica
A aliança com Davi também está ligada diretamente a Abraâmica, porém com
pormenores que se referiam a Davi e seus descendentes. Sua apresentação por parte de
Deus através do profeta Natã se encontra em 2Sm 7:12-16:
“Quando teus dias se cumprirem e descansares com teus pais, então, farei levantar
depois de ti o teu descendente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino. Este
edificará uma casa ao meu nome, e eu estabelecerei para sempre o trono do seu
reino. Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; se vier a transgredir, castigá-lo-ei com
varas de homens e com açoites de filhos de homens. Mas a minha misericórdia se não
apartará dele, como a retirei de Saul, a quem tirei de diante de ti. Porém a tua casa e o
teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será estabelecido para
sempre.”
Davi havia colocado em seu coração o desejo de construir um templo ao Senhor (2Sm
7:2), Deus não permitiu, porém fez com ele esta aliança onde podemos observar que:
Deus lhe daria um filho (Salomão);
Após sua morte o reino seria entregue a este filho;
Seu filho edificaria o templo do Senhor;
Deus amaria esse filho;
Deus promete ter misericórdia de seu filho mesmo diante de suas transgressões;
Sua casa (descendência), seu reino (nação) e seu trono seriam estabelecidos para
sempre.
Deus deixa claro para Davi que ninguém, a não ser de sua descendência, sentaria no
trono (Sl 89:3-4) e esta promessa como todas as outras é de caráter incondicional, Deus
se compromete a fazer. Só nos resta saber quem será este descendente que sentará no
trono, uma vez que Israel está novamente em sua terra e formando novamente uma
nação, sobre isto o apóstolo Pedro em Atos 2:30-31:
“Sendo, pois, profeta e sabendo que Deus lhe havia jurado que um dos seus
descendentes se assentaria no seu trono, prevendo isto, referiu-se à ressurreição de
Cristo, que nem foi deixado na morte, nem o seu corpo experimentou corrupção.”
Lucas 1:31-33 esclarece:
“Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus.
Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
19
Davi, seu pai ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá
fim.”
Aos amilenistas (os que não crêem na existência de um milênio literal) tem lutado
para provar que este reino é espiritual e que a igreja cumpre esta promessa, onde Jesus, o
descendente de Davi, reina soberano, no entanto para tal interpretação é necessário
espiritualizar demasiadamente o texto e seu cumprimento, não observando que desde o
início os eventos prometidos como: o nascimento de Salomão, a construção do templo,
seu reinado, seus pecados e castigo divino, como também a permanência da misericórdia
do Senhor em sua vida, que foram cumpridos literalmente. Estes acontecimentos literais,
indicam o caráter da promessa, o fato é que os amilenistas argumentam que estes
cumprem apenas a parte literal da aliança, permanecendo a parte espiritual cumprida por
Cristo ao longo de seu reinado sobre a igreja.
O reino prometido a Davi era totalmente literal, o próprio Jesus pregou o reino dessa
forma em Mt 25:31-33.
“Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então,
se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas em sua presença,
e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas; e porá as
ovelhas à sua direita, mas os cabritos, à esquerda.”
Não há a menor base para um reino espiritual cumprir este aspecto da aliança, o fato
de em apocalipse Jesus ser apresentado num trono não permite ligação ao trono de Davi,
apenas indica a majestade de Cristo. O profeta Ezequiel também fala da permanência
literalmente perpétua do trono de Davi em 37:24:
O meu servo Davi reinará sobre eles; todos eles terão um só pastor, andarão nos
meus juízos, guardarão os meus estatutos e os observarão.
Jesus é o grande rei “que veio para os seus, mas os seus não o receberam”, porém
retornará e estabelecerá seu trono. Deus tem providenciado a preservação da casa de
Davi, isto é, a nação de Israel, a qual irá, no final da grande tribulação, ter seu trono
ocupado através de seu “descendente”, Jesus que virá para instituir seu reino eterno.
2.5. Nova Aliança
Esta com certeza é das quatro a que traz mais dúvidas e questionamentos, no
entanto quando averiguamos as Escrituras todos desencontros se dissipam. Deus haviaestabelecido uma aliança com Moisés (Ex. 19:1-25), nela foram prometidos benefícios
exclusivos à nação de Israel, entretanto esta aliança era temporária, e assim é chamada
em Hebreus 8:13, por isso em Jeremias 31:31-33, Deus promete uma nova e definitiva
aliança, chamada de eterna em Is 61:8, na qual eram prometidas bênçãos materiais e
espirituais definitivas para Israel. O texto de Jeremias 31:31-40 diz o seguinte:
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
20
“Eis que dias vêm, diz o SENHOR, em que farei um concerto novo com a casa de Israel
e com a casa de Judá. Não conforme o concerto que fiz com seus pais, no dia em que os
tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito, porquanto eles invalidaram o meu
concerto, apesar de eu os haver desposado, diz o SENHOR. Mas este é o concerto que
farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o SENHOR: porei a minha lei no seu
interior e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. E
não ensinará alguém mais a seu próximo, nem alguém, a seu irmão, dizendo: Conhecei ao
SENHOR; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até ao maior, diz o SENHOR;
porque perdoarei a sua maldade e nunca mais me lembrarei dos seus pecados. Assim diz o
SENHOR, (...) esta cidade será reedificada para o SENHOR, desde a Torre de Hananel até à
Porta da Esquina.(...) Esta Jerusalém jamais será desarraigada ou destruída.”
O resumo desta promessa de aliança é:
A promessa de uma nova e futura aliança;
Esta promessa é exclusiva a Israel e a casa de Judá;
Uma conversão real e definitiva;
Comunhão eterna entre Deus e Israel;
Perdão dos pecados e esquecimento dos mesmos por parte de Deus;
Jerusalém será reedificada e eternizada.
Encontramos uma repetição desta aliança em Ezequiel 37:21-28, os termos são os
mesmos, porém destacamos os versos 26 e 27 que dizem:
“Farei com eles aliança de paz; será aliança perpétua. Estabelecê-los-ei, e os
multiplicarei, e porei o meu santuário no meio deles, para sempre. O meu tabernáculo
estará com eles; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.”
O escritor de Hebreus defende o sacerdócio de Cristo como sendo o mediador da
nova aliança (Hb 8:6) e diz que a primeira aliança era ineficaz, falando da mosaica, que,
portanto, deveria ser substituída por uma eficaz e eterna (Hb 8:7,13). O escritor continua
no capítulo 9 a discorrer o assunto dizendo que Moisés ao receber a lei (aliança) aspergiu
sangue sobre o povo, sobre o tabernáculo e os vasos do ministério (v.19-21) “dizendo:
Este é o sangue da aliança, a qual Deus prescreveu para vós outros”. E complementa
dizendo que “quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e, sem
derramamento de sangue, não há remissão”. O fato é que ano após ano haveria de
fazer novos sacrifícios para se alcançar o “perdão” dos pecados, tornando esta aliança
incompleta, ou, como diz o escritor, ”uma sobra de bens futuros”. Jesus sendo o próprio
sacrifício aceitável diante de Deus, (Hb 9: 11-17) tornou-se o mediador desta aliança,
tornado-a perfeita e completa.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
21
Um problema surge quando observamos que esta, como todas as outras, foram feitas
com Israel e a Casa de Judá e não com a igreja, isso quer dizer que esta não pode cumprir a
aliança pois apenas Israel e Judá o poderiam fazer. Vemos na proclamação da aliança Deus
dizer “Eis que dias vêm, diz o SENHOR, em que farei um concerto novo com a casa de
Israel e com a casa de Judá”. O caso é que os amilenistas dizem que a igreja hoje cumpre
esta aliança tornando desnecessário um milênio literal, no entanto é impossível, pois,
aqueles que crêem no sacrifício de Jesus pela fé, são, como diz o apóstolo Paulo,
enxertados (Rm 11:24), não são ramos naturais, a relação que existe entre a igreja e a
nova aliança, é apenas de beneficiamento por parte da igreja, esta participa de suas
bênçãos, porém, não pode cumpri-la. Nos pontos da aliança vistos anteriormente fica claro
que na nova aliança, Deus estabeleceria um novo relacionamento com Israel, devolvendo-
lhe Jerusalém, permitindo sua reedificação definitiva e prometendo estar no meio deles.
Todos os pontos desta aliança são também definitivos e eternos, e isto, até hoje nunca se
viu acontecer na nação de Israel, o porque tem resposta simples, a aliança é futura para
eles.
João em seu Evangelho fala da oportunidade que a nação teve em estabelecer a nova
aliança e com ela o reino messiânico, dizendo que Jesus “Veio para o que era seu, e os
seus não o receberam”, a questão é que Deus tinha um propósito específico que era o de
incluir os gentios em seu plano de salvação. “Eu, o SENHOR, te chamei em justiça,
tomar-te-ei pela mão, e te guardarei, e te farei mediador da aliança com o povo
(Israel) e luz para os gentios (igreja) (Is 42:6). Estes gentios se tornaram a igreja, sendo
então, participantes das bênçãos espirituais da aliança através da fé no mediador dela,
Jesus Cristo”.
Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus,
a saber, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade
da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.(Jo 1:12)
A conclusão é que o milênio é literal, ao contrario do que dizem os amilenistas, e
necessário, pois nele a nova aliança será estabelecida em Israel e Deus cumprirá todos os
desígnios desta aliança, como também das outras. Os pormenores referentes ao milênio
serão abordados mais adiante.
2.6. O Fim da Atual Dispensação
Das sete dispensações, cinco já foram concluídas: inocência consciência, governo
humano, patriarcal e lei, e estamos vivendo a dispensação da graça que dará lugar a
milenial. O que é necessário percebermos é que Deus tendo dividido a história da
humanidade em dispensações deu para cada uma delas um propósito ou missão e todas
elas deveriam ter um inicio e um fim, portanto esta era atual, ou este período de tempo
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
22
chamado graça em que vivemos terá um fim, o que marcará este fim? Dois grandes
eventos marcarão o fim, o arrebatamento da igreja e a volta visível de Jesus para inaugurar
o milênio. Nos capítulos seguintes estudaremos detalhes dos eventos como também tudo
o que os envolve.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
23
AULA
03
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
24
3 - DEFINIÇÃO DOS TERMOS ARREBATAMENTO
E VINDA
Neste capítulo buscaremos uma definição esclarecedora quanto à idéia principal que
cada termo usado no original quer dizer, pois temos muitos escritores nomeando o
arrebatamento e a vinda em glória usando palavras gregas que, como veremos não
permitem tal nomeação de modo definitivo.
Os dois eventos, principalmente o primeiro, são esperados ansiosamente pela igreja,
pois trarão consigo a consumação de uma expectativa viva e que deve ser alimentada
com as palavras de Jesus que disse em João 14:2-3.
“Na casa demeu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois
vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei
para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também.”
No entanto existem teorias que negam sua existência ou que mesmo
reconhecendo a realidade do arrebatamento o colocam em posição errada quanto
ao tempo de seu acontecimento, é preciso então definir o evento de uma forma decisiva
para romper com as dúvidas.
3.1. Arrebatamento
O termo arrebatamento é encontrado em seu sentido escatológico em I Ts 4:17,
quando o apóstolo Paulo explica acerca da situação dos mortos em Cristo na sua vinda e
ao dizer com relação ao momento da retirada da igreja diz que os mortos ressurgirão
primeiro e:
“... Depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles,
entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com
o Senhor.”
A. Harpádzo (é o termo que é traduzido para arrebatamento), este tem um
significado abrangente, em Mateus 11:12 é traduzido como “apoderaram-se” no sentido
de tomar para si; já em Mateus 13:19 a idéia é de “roubo” como também em João 10:28;
uma tradução menos comum nos encontramos em João 10:12, “atacar” no sentido de
investida. É derivado de haireomai (que significa tomar para ii, preferir, escolher, escolher
pelo voto, eleger para governar um cargo público). De qualquer forma arrebatamento
significa tomar para si, roubar, raptar, capturar; qualquer uma é valida desde que esteja de
acordo com o contexto, por isso “harpadzo” em I Ts 4:17 ficaria melhor como:
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
25
...depois, nós os que estivermos vivos, juntamente com eles (os mortos
ressurretos) seremos levados por Jesus até as nuvens para nos encontrarmos com
ele nos ares, e assim, estaremos para sempre com o Senhor.
Alguns comentaristas sugerem roubo ou rapto da igreja como possível tradução, no
entanto, a igreja não vai ser tomada indevidamente, pois Jesus a comprou com seu
sangue (At 20:28) a obtenção da igreja é legitima. Portanto arrebatamento é o evento em
que Jesus vem até as nuvens buscar para si a sua igreja, Paulo adverte a igreja a esperar
em santidade e vigilância.
1 Ts 5:23 O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e
corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.
3.2. Vinda
Três palavras são usadas para referir-se à vinda de Cristo e estas são utilizadas
nos textos originais de várias maneiras, no entanto precisaremos conhece-las para
que tenhamos uma compreensão melhor sobre seus significados e se podemos utilizá-las
ou não para nomear a vinda gloriosa de Cristo.
A. Parousia (Sua tradução segundo o dicionário grego de Willian Carey é: presença,
vinda, chegada, volta; “visita real, chegada de um rei”) (Souter); “a futura visível volta
de Jesus, o messias, do céu para ressuscitar os mortos, realizar o juízo final, e
estabelecer formal e gloriosamente o reino de Deus” (Thayer)
Parusia é derivado de pareimi (que significa estar perto, estar a mão, ter chegado,
estar presente estar pronto, em estoque, às ordens (Strong).
Seu sentido é abrangente, tanto pode se referir ao arrebatamento quanto à
volta gloriosa de Jesus. Em 2Co 10:10 e Fp 2:12 parusia refere-se a presença
pessoal de qualquer pessoa; em 1Co 16:17 trata da vinda pessoal de alguém, que no caso é
Estéfanas, Fortunato e Acaico, como em Fp 2:12 onde Paulo fala de sua parusia
(presença) entre os filipenses em contraste com sua apousia (usência); em 2Ts 2:9 trata do
aparecimento do anticristo; em 1Co 15:23, 1Ts 2:19, 4:15 e 5:23 entre outros referem-se
ao arrebatamento; e em Mt 24:3, 27, 37, 39, 1Ts 3:13, 2Pe 1:16 entre outros, tratam da
vinda gloriosa de Jesus a terra. Concluímos então que parusia não tem condições de
ser usada para definir decisivamente e exclusivamente como sendo a vinda no
arrebatamento, já que pode significar qualquer vinda. Parusia expressa na língua
portuguesa o sentido da palavra “presença”, e esta presença pode ser de qualquer coisa
ou pessoa.
O fato é que este termo tem sido usado por vários escritores como sendo a palavra
que define o arrebatamento como a “parusia de Cristo”, e isto é um erro, pois o termo ,
como vimos, pode significar vários tipos de vinda.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
26
B. Epifhanéia. Manifestação, aparecimento, “vinda”; literalmente significa “brilho
à frente” (Vine). É usada por vários escritores para designar a volta gloriosa de
Jesus após a grande tribulação.
Sua raiz epifa sempre está ligada a aparição e manifestação, outra forma é epifhaino
(que significa: aparecer, fazer uma aparição, mostrar-se, como em Lc 1:79, At 27:20 e Tt
2:11; e ainda epifhaísco: aparecer, surgir, como em Ef 5:14).
Epifhanéia é usado para de referir a volta gloriosa de Jesus em 2Tm 4:1 “Conjuro-te,
perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação
e pelo seu reino”, e Tt 2:13 “aguardando a bendita esperança e a manifestação da
glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” neste versículo encontramos
os dois eventos aguardados pela igreja de Cristo, a expressão “bendita esperança”
refere-se ao arrebatamento, enquanto “manifestação da glória” trata da vinda
gloriosa de Jesus. Em 1Tm 6:14 e 2Tm 4:8 o contexto indica que se trata do arrebatamento
e em 2Tm 1:10 o contexto indica claramente se tratar da encarnação de Jesus Cristo; em
Mt 24:27 revela o brilho da glória do Senhor Jesus. A conclusão é simples: devido o fato se
tratar de vários tipos de vinda e “aparições”, e não definir claramente qual, não pode ser
estabelecido que quando se fala da vinda gloriosa e visível de Cristo use-se o termo “a
epifhanéia de Cristo”.
C. Apokalupsis. Revelação, exposição, manifestação. Mesma raiz de apokalupto
(revelo, descubro).
Seu uso é freqüente para designar a revelação de Jesus Cristo, ou seja, a sua vinda, no
entanto, também não consegue por si só definir qual das vindas está se referindo. Em Lc
17:30, 2Ts 1:7, 1Pe 4:13 nitidamente indica a vinda visível de Cristo; em 1Co 1:7, Cl 3:4 e
1Pe 1:7, 13 refere-se ao arrebatamento. Devido seu significado e uso abrangente também
é usado nas Escrituras para referir-se a descobrimento e revelação da palavra de Deus na
alma entre outros usos. Em Lc 12:32 fala da revelação da palavra aos gentios; Rm 16:25 e
Ef 3:3 falam da revelação do “mistério” que é o plano de Deus para esta era; Ef 1:17 o
termo retrata a questão da revelação do conhecimento de Deus à alma do homem e etc...
Portanto, fica difícil provar que este termo indique claramente que evento ele se refere
já que alem, de ser utilizado para relatar os dois, tem outros usos.
D. Phanerósis. Existe ainda uma palavra usada por alguns escritores para designar a
volta gloriosa de Cristo, que é Phanerósis, no entanto, esta não é usada nos textos que
falam da vinda de Cristo, este termo aparece em 1Co 12:7 “A manifestação (phanerósis)
do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso”, não indicando a
manifestação de Cristo na sua vinda, mas uma manifestação do Espírito Santo, no sentido
simples de demonstração. O verbo que está relacionado ao termo em questão é phaneró
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesada fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
27
(revelar, mostrar, fazer conhecido, como em Mc 4:22; Jo 7:4; 17:6; 21:14; Rm 1:19; 3:21;
2Co 2:14; Ef 5:13; 1Tm 3:16; Tt 1:3; Hb 9:8; 9:26; 1Jo 1:2 e 2:28). Nunca e em nenhuma de
suas formas (phanerós-adjetivo, phanerôs-advérbio ou phaneró-verbo) o termo se refere
à manifestação de Cristo.
A conclusão final a que chegamos é que cada palavra dessas não foi introduzida no
texto com a intenção de classificar qual das vindas o escritor se referia, mas sim para
deixar claro o ensino sobre o retorno do Senhor, cada uma delas revela características
marcantes sobre sua volta; Parusia expressa que a vinda manifestará sua presença;
epiphanéia trata da volta como algo glorioso devido seu aparecimento e apokalupsis fala
da manifestação completa no sentido de se revelar, tornar-se conhecida sem qualquer
obscuridade, perante o mundo, como Rei dos reis.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
28
AULA
04
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
29
4 - ESCOLAS ESCATOLÓGICAS
A maioria das diferentes escolas de interpretação pode ser entendida na forma em
que seu método explica o tempo. Os preteristas afirmam que a maior parte do Apocalipse
tem sua principal referência no passado. Os futuristas declaram que a maior parte do livro
ainda deverá ter cumprimento futuro. Os historicistas estão seguros de que o livro foi
cumprido parcialmente no passado, está ainda tendo cumprimento no presente, e
somente se cumprirá plenamente no futuro.
A escola Idealista rejeita todas essas três escolas. O idealista diz que essas três
escolas são por demais específicas ao interpretar os símbolos proféticos. O idealista busca
um método de interpretação mais espiritual, filosófico ou poético.
4.1. Escola Idealista
A escola idealista de interpretação julga que o livro de Apocalipse é um desdobrar de
princípios em figuras. O propósito do livro de Apocalipse não é falar de eventos específicos
a virem. É somente para ensinar verdades espirituais que podem ser aplicadas a todas as
situações (ou serem delas derivadas).
Contudo, é difícil ver um propósito no livro de Apocalipse se for somente um retrato
detalhado de princípios encontrados noutras partes. Se tais princípios já foram ensinados
claramente alhures, por que agora se apresentam em forma tão misteriosa?
Erdman indaga:
“os princípios não se tornam até mais impressionantes quando incorporados em
eventos que o autor viu, e em eventos ainda mais momentosos que nas visões proféticas
ele contemplou no horizonte de uma era mais luminosa que deveria ainda raiar?” (Chrles
R. Erdman, Revelation, p. 25)
Incoerências do Idealismo
Absoluta coerência é impossível para o Idealismo, tanto quanto para todas as outras
escolas. O Apocalipse descreve a segunda vinda de Cristo. Se esse for um evento histórico
real, por que alguns dos retratos dos eventos do Apocalipse antes disso também são
históricos?
É impossível divorciar qualquer livro de sua ambientação histórica. Isso é duplamente
verdadeiro com respeito ao livro do Apocalipse porque é o exemplo máximo de literatura
apocalíptica. Todo esse gênero literário trata com história. Não está interessado em
abstrações.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
30
4.2. Escola Preterista
O preterismo é a metodologia mais popular para o exame do Apocalipse entre os
eruditos críticos. Essa escola é também conhecida como a contemporânea- histórica. Essa
escola inclui exegetas tão brilhantes quanto Beckwith, Swete, Ramsay, Simcox, Moses
Stuart, e F. F. Bruce.
Esses escritores entendem que as principais profecias do livro do Apocalipse
cumpriram-se na destruição de Jerusalém (em 70 AD) e na queda do Império Romano.
A força do Preterismo é que se baseia em considerável montante de verdade. O livro
de Apocalipse de João deve ter feito sentido para os seus primeiros leitores, seus
contemporâneos. Que pastor escreveria uma carta para o seu rebanho que não tivesse
imediato significado para essas ovelhas?
Protesto Contra o Preterismo
O principal defeito do Preterismo é que parece deixar a igreja ao longo das era sem
direção específica. Milligan declara:
“o livro [de Apocalipse] apresenta distintamente em sua aparência o fato de que não
está confinado ao que o Vidente contemplou imediatamente ao seu redor. Trata de muito
do que devia acontecer até o pleno cumprimento da luta da Igreja, a completa conquista
de sua vitória, e o integral alcance de seu descanso. A Vinda do Senhor tão
freqüentemente referida certamente não se esgotou naquela destruição da política judaica
que agora sabemos que devia preceder por muitos séculos o encerramento da
Dispensação presente; e os inimigos de Deus descritos continuam a sua oposição à
verdade não meramente num ponto determinado e próximo, quando são contidos, mas
ao final, quando são derrotados derradeiramente e para sempre. Há uma progressão no
livro que é somente detida com o advento final do Juiz de toda a Terra; e nenhum sistema
justo de interpretação nos permitirá considerar as diferentes pragas dos Selos,
Trombetas, e Taças como simbólicos somente de guerras que o Vidente havia
contemplado em seus princípios, e que sabia que terminariam com a destruição de
Jerusalém e Roma. Contra a idéia de que São João estava limitado aos acontecimentos de
seu próprio tempo o tom e espírito do livro são um contínuo protesto. Nem se pode
alegar que ele combine isso com o que se daria por fim, deixando, por razões inexplicadas
da parte dele, um longo intervalo de tempo sem notícia. Não há evidência de um
intervalo. Os relâmpagos e trovões se desencadeiam em sucessão próxima desde o
princípio até o fim do livro. Julgado mesmo por seu caráter geral, o Apocalipse não pode
ser interpretado segundo esse sistema moderno.” (W. Milligan, Lectures, págs. 141, 142).
O Preterismo Ignora o Futuro
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
31
Deixamos o Preterismo com as palavras do profeta João ecoando em nossos
pensamentos: "Sobre para aqui, e te mostrarei o que deve acontecer depois destas
coisas". Apocalipse 4:1. Tenney escreveu:
A fraqueza desse ponto de vista [o Preterismo] é sua limitação terminal. Obviamente
os juízos preditos não se cumpriram, e conquanto figurativamente se possa interpretar a
conquista do mundo por Cristo e o retrato de um juízo final, nada disso ainda apareceu. O
preterista tem uma interpetação que possui um firme pedestal, mas que não dispõe de
uma escultura acabada para nela ser firmada. (M. C. Tenney, Revelation, pág. 144).
4.3. A Escola Futurista
O futurismo situa-se no outro extremo da interpretação, com relação ao preterismo.
O futurismo acredita que o livro de Apocalipse, com a possível exceção dos três primeiros
capítulos, aplica-se totalmente ao futuro. O Futurismo aponta à tribulação final da igreja e
é, portanto especialmente dirigido aos crentes nos primeiros últimos anos da história.
Digo "especialmente" porque nenhum futurista nega o valor presente das promessas e
princípios achados na profecia.Diz Todd sobre o Apocalipse:
“Não devemos, destarte, procurar o cumprimento de suas predições nem nas
primeiras perseguições e heresias da igreja nem na longa série de séculos desde a
primeira pregação do Evangelho até agora, mas nos eventos que devem imediatamente
preceder, acompanhar e seguir-se ao Segundo Advento de nosso Senhor e Salvador.” (J.
H. Todd, Six Discourses on the Apocalypse, quoted by W. Milligan, Lectures, p. 135).
Futurismo e Literalismo
Os futuristas tendem a ser literalistas. Seguem a regra de que "todas as declarações
proféticas devem ser interpretadas literalmente a menos que evidência contextual, ou o
bom senso, tornem esse procedimento impossível". A maioria dos expositores (outros que
não os futuristas) dizem que essa regra devia ser revertida quando interpretando-se o
Apocalipse.
As objeções ao Futurismo são semelhantes àquelas contra o Preterismo. O Futurismo
torna o livro de Apocalipse de pouco valor para a maioria dos cristãos no que se refere ao
desenrolar da maior parte da história. A maioria dos cristãos são ignorados ao longo da
história. Dirige-se somente aos que vivem nos últimos momentos da história. O Futurismo
estreita demasiadamente a perspectiva da Revelação.
A Igreja Sobre a Terra
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
32
Uma posição básica assumida por futuristas dispensacionalistas é de que após
Apocalipse 4:1 a igreja nunca é vista sobre a Terra. Alegam que os capítulos 6 ao 19
somente retratam um remanescente judaico.
A resposta a isto é que o livro de Apocalipse representa a igreja no céu misticamente.
Isto se dá por causa da união da igreja com o Seu assunto Senhor.
Outros versos do Novo Testamento encaram a igreja nessa forma mística (Efés. 2:6;
Fil. 3:20, Col. 3:1). Os membros da igreja que originalmente leram esses versos de que a
igreja estava no céu o fizeram enquanto fisicamente sobre a Terra!
Apocalipse 7, 11 e 12 retratam a igreja cristã sobre a Terra. Certamente esses
capítulos o fazem sob o simbolismo do antigo povo do concerto de Deus. Contudo,
qualquer método de interpretação que admite o simbolismo judaico da revelação
literalmente torna o livro sem sentido. O próprio estofo da literatura apocalíptica é
pictórico e emblemático, não o literal.
O livro de Apocalipse inteiro é dirigido aos servos de Cristo, ou seja, às igrejas cristãs.
Aqueles que foram mortos por confessarem o evangelho de Cristo são mencionados sob o
quinto selo. Apocalipse 8 fala das orações de todos os santos ("santos", no Novo
Testamento significa somente cristãos ou anjos).
4.4. A Escola Histórica
O historicismo é o método de interpretação da profecia que declara que o livro do
Apocalipse é um histórico profético da igreja e do mundo, desde o tempo de João até o
segundo advento.
As predições dadas no livro do Apocalipse não são somente movimentos gerais na
história, declara o Historicismo. Mesmo eventos específicos são preditos.
Isso inclui a identificação de datas reais do calendário.
Historicistas destacados incluem Begel, Mede, Newton, Elliott, e Guinness. O livro
Prophetic Faith of Our Fathers [A fé profética de nossos pais], de L. E. Froom, é um
esplêndido compêndio do Historicismo e sua apologia. Alista os nomes e posições
expositórias de centenas de intérpretes.
Hoje, somente um pequeno número de eruditos protestantes são conhecidos como
historicistas. Esses eruditos se acham somente em grupos isolados. Os mais conhecidos
dentre tais grupos são os membros da denominação adventista do sétimo dia.
Três Problemas do Historicismo
M.C. Tenney fez sua crítica ao historicismo:
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
33
Há várias objeções a uma interpretação do Apocalipse segundo um ponto de
vista completamente historicista. Primeiramente, a exata identificação dos eventos
da história com sucessivos símbolos nunca foi finalmente empreendida, mesmo após
os acontecimentos terem-se dado. É razoável supor que durante o lapso de 1.900
anos pelo menos uma porção das predições teriam tido cumprimento. Se tivessem de ter
algum valor para o leitor do Apocalipse como uma indicação de seu lugar dentro do
processo histórico, deviam ser identificáveis com certeza. Tal, contudo, parece não ser o
caso. Os pontos de interpretação sobre o qual a maioria dos intérpretes doutrinários
concorda que podem ser interpretados como tendências tanto quanto eventos. Uma vez
que as tendências podem ser evidentes em qualquer período da história, tais profecias não
apontam a nenhuma época.
Em segundo lugar, os intérpretes históricos não têm explicado satisfatoriamente
porque uma profecia geral deva confinar-se às fortunas do Império Romano ocidental. A
interpretação histórica destaca principalmente o desenvolvimento da igreja na Europa
ocidental; pouca atenção dá ao Oriente. Contudo, nos primeiros séculos da era cristã a
igreja aumentou tremendamente no Oriente, e difundiu-se até alcançar a Índia e China,
embora não tenha conseguido uma base permanente em todas as regiões desses países.
Se um método contínuo-histórico deva ser seguido, deve ter um escopo mais amplo.
Em terceiro lugar, se o método contínuo-histórico for válido, suas predições teriam
sido suficientemente claras desde o princípio para dar ao leitor alguma pista do que
significavam. Se o fogo e a saraiva da primeira trombeta (8:7) realmente se referiam às
invasões dos godos, é difícil ver como qualquer cristão do primeiro século poderia ter
entendido a predição de tal modo a ter qualquer valor de sua parte para sua reflexão. (M.
C. Tenney, Revelation, pp. 138, 139).
O Historicismo Não Tem Aplicação aos Primitivos Cristãos
Notem também a queixa de Hendriksen contra um livro historicista de orientação de
esquerda:
“Sobre minha mesa jaz um comentário recentemente publicado sobre o Apocalipse. É
um livro muito "interessante". Considera o Apocalipse como um tipo de história escrita
em antecipação. Descobre nesse último livro da Bíblia copiosas e detalhadas referências a
Napoleão, às guerras balcânicas, à grande guerra européia de 1914-1918, ao ex-
imperador germânico Guilherme, Hitler, e Mussolini, N.R.A., etc. nosso veredito? Essas
explicações e coisas desse tipo devem ser descartadas imediatamente. . . . Diga-me, caro
leitor, que benefício os cristãos severamente perseguidos e sofredores do tempo de João
obteriam de predições específicas e detalhadas concernentes às condições européias
que prevaleceriam cerca de dois mil anos depois?” (W., Hendriksen, More Than
Conquerors, p. 14).
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
34
O Historicismo Ignora os Ciclos da História
Os filósofos da escola historicista percebem que a história é cíclica. (O cristão
entende que esses ciclos têm lugar dentro da linha reta da história que se estende da
Criação à Segunda Vinda).
Em todas as eras, Deus e Satanás seguem princípios apropriados ao caráter que
possuem. É por tal razão que a história se "repete", conquanto em diferentes graus de
desenvolvimento. A luta entre o bem e o mal produz situações semelhantes durante
diferentes épocas da história. Se o historicista estrito devesse reconhecer essa natureza
obviamente cíclica da história, deixaria de ser um historicista estrito.
O Historicismo é Demasiado Extra-Bíblico
Outra objeção ao historicismo éque requer muito conhecimento extrabíblico. O
estudante da Bíblia deve depender de historiados, como Gibbon, D'Aubigné ou Wylie.
Moisés, os profetas, os evangelhos e as epístolas não seriam suficientes?
O Historicismo Ignora a Iminência
Nossa última crítica é a mais forte. Os historicistas criam cuidadosos esquemas ou
gráficos de cálculos de longo prazo. Mas esses esquemas negam a clara evidência do Novo
Testamento de que nunca foi ideal de Deus que muitos séculos dividissem os dois
adventos de Cristo.
De uma forma ou de outra, o pensamento de que os vários eventos preditos
no livro de Apocalipse devessem ter lugar num futuro não distante é
especificamente declarado sete vezes-"coisas que em breve devem acontecer" (caps. 1:1;
22:6), "o tempo está próximo" (cap. 1:3), e "Venho sem demora" (cap. 3:11; 22:7; 12, 29).
Referências indiretas à mesma idéia aparecem nos caps. 6:11; 12:2; 17:10. A resposta
pessoal de João a essas declarações do breve cumprimento dos propósitos divinos foi,
"Vem, Senhor Jesus!" (cap. 22:20).
Em qualquer um dos vários pontos críticos da história deste mundo, a justiça divina
poderia ter proclamado, "Está feito!" e Cristo poderia ter vindo para inaugurar o Seu
reino de justiça. Há muito tempo atrás poderia ter posto em execução os Seus planos para
a redenção deste mundo. Assim como Deus ofereceu a Israel a oportunidade de preparar
o caminho para o Seu reino eterno sobre a Terra, quando se estabeleceram na Terra
Prometida e novamente quando retornaram de seu cativeiro babilônico, assim Ele deu à
igreja dos tempos apostólicos o privilégio de completar a comissão evangélica.
Embora o fato de que a segunda vinda de Cristo não se baseie em quaisquer
condições, a repetida asserção das Escrituras de que a vinda está iminente era
condicionada à resposta da igreja ao desafio de concluir a obra do evangelho em sua
geração. A Palavra de Deus, que séculos atrás declarou que o dia de Cristo "vem
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
35
chegando" (Rom. 13:12), não falhou. Jesus teria vindo muito rapidamente se a igreja
tivesse realizado sua obra designada. . . .
Assim, a declaração do anjo do Apocalipse a João com respeito à iminência do
retorno de Cristo para terminar o reino de pecado deve ser entendida como uma
expressão da vontade e propósito divinos. Deus nunca teve o propósito de delongar a
consumação do plano da salvação, mas sempre expressou Sua vontade de que o retorno
de nosso Senhor não se retardasse demasiado.
Essas declarações não devem ser entendidas em termos da presciência de Deus de
que ocorreria um atraso tão grande, nem mesmo à luz da perspectiva histórica do que
realmente teve lugar na história do mundo desde aquele tempo (SDA Bible Commentary
[Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia], vol. IV, pp. 728-729).
Eu concordo. Não que Deus Se tenha frustrado. Não, por momento algum.
Deus sempre oferece um ideal que é capaz de ser alcançado por completa
dependência nEle. Lamentavelmente, isso é raramente reconhecido.
Que concluiremos a respeito das várias escolas de interpretação? Somos gratos a
Deus por elas todas! Mas nós mesmos praticamos o ecletismo. Todas as escolas têm a
verdade, bem como problemas. Obtemos a verdade de cada uma dessas escolas.
Devemos ver essas várias escolas e metodologias como reflexões fragmentadas da
verdade integral. Vejamos novamente a necessidade de "afirmar o que é afirmado, mas
negar as negações".
4.5. As Melhores Ferramentas de Interpretação
Devemos sempre começar nossa exegese (ou interpretação) da Escritura
considerando as pessoas e tempos a que sua mensagem se dirigia. Para entender o que
lhes foi escrito devemos entender o que para eles significava.
Juntamente com isso, reconheçamos a sabedoria de Deus, cujos anos não têm fim e
que prometeu nunca esquecer a igreja. Este é Aquele que declarou através de Amós:
"Certamente, o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar o seu segredo
aos seus servos, os profetas". (Amós 3:7).
Certamente Este pode ser digno de confiança quanto a que manterá a sua
promessa.
Em vista de que Deus nunca muda os Seus justos caminhos, Ele será o mesmo
em todas as épocas. As obras de Deus sempre refletirão o mesmo selo, conquanto
estejam em diferentes estágios de desenvolvimento.
O princípio apotelesmático vê sucessivos cumprimentos da profecia. Esses
cumprimentos atingem o clímax nos últimos dias. É provavelmente a melhor
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
36
ferramenta interpretativa de todas quando a ligamos com os princípios contextuais
gramaticais, históricos e hermenêuticos.
Ferramenta Espiritual de Interpretação
Finalmente, é verdade que somente os puros de coração verão a Deus (Mat. 5:8). É
verdade que os perversos prosseguirão agindo impiamente e nenhum desses perversos
entenderá (Daniel 12:10).
Portanto, todo exegeta, todo estudante da Bíblia deve dizer: "Como vai a minha
alma"?
Devemos perguntar: "Já compreendi o evangelho eterno que mudou nosso mundo
no primeiro século? Que novamente o mudou no século dezesseis? Que é o único fator
que pode transformar o nosso triste e lamentável tempo? Esse evangelho já me
transformou?"
Quando está bem a minha alma, aceitarei com equanimidade seja o que os tempos
(na providência divina) me reservem. Continuamente ajustarei o meu pensamento
segundo a luz progressiva.
Mesmo nossas deficiências como intérpretes das profecias cooperarão para o bem!
Elas nos situarão em humildade perante Deus, que somente é a Verdade.
Deus somente pode fortalecer-nos a caminhar nessa verdade.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
37
AULA
05
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
38
5 - O TEMPO DO FIM
Muitos estudiosos têm buscado nas Escrituras sinais evidentes que marquem
efetivamente o tempo da volta de Cristo, o fato é que muitos destes argumentos são
apenas especulações infundadas. Grande é a diversidade de pensamentos quanto aos
sinais da vinda de Cristo ou mesmo do arrebatamento da igreja, o que procuraremos
tratar neste capítulo serão pontos chave que marcam e denunciam o tempo do fim, ou
seja, fatos e características que indicam, biblicamente, como estaria a sociedade, a igreja
e até o meio político no tempo próximo à vinda do Senhor.
5.1. Mateus 24
Um dos grandes problemas teológicos a respeito dos sinais da vinda de Cristo, se
encontra em Mateus 24 e suas passagens paralelas, Marcos 13 e Lucas 21, neste texto os
discípulos fazem uma pergunta a Jesus: “Dize-nos quando sucederão estas coisas e que
sinal haverá da tua vinda e da consumação do século”. (Mt 24:3), a mesma pergunta
é feita em Lucas e Marcos, porém, de maneira diferente: “Mestre, quando sucederá
isto? E que sinal haverá de quando estas coisas estiverem para se cumprir?” (Mc
13:4 e Lc 21:7). A diferença na pergunta se dá devido o interesse do autor do evangelho,
no caso de Mateus, seu evangelho foi escrito para judeus que conheciam as promessas
messiânicas e aguardavam ansiosamente seu cumprimento, sendo necessário incluira
parte originalmente feita pelos discípulos a Jesus onde era perguntado quando seria sua
volta para inaugurar o reino messiânico, isto também demonstra que os discípulos viam
Jesus como o messias esperado. No caso de Marcos e Lucas, seus evangelhos foram
escritos para gentios, estes não conheciam as profecias referentes a um reino messiânico,
portanto era desnecessário incluir esta parte evitando dúvidas por parte dos futuros
leitores, é importante ressaltar que nunca o Espírito Santo deixou de estar no controle da
inspiração de todos os textos sagrados, se estas aparentes diferenças existem o Espírito
Santo as permitiu.
Os discípulos fizeram uma pergunta dupla: 1) quando sucederão estas coisas 2) e
que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século. Alguns escritores
entendem que a pergunta foi tripla, dizendo que quando perguntaram que sinal haveria da
consumação do século, desvinculavam esta consumação de sua volta, no entanto, a frase
não permite isso, pois eles perguntaram de uma forma que demonstra claramente que os
discípulos associavam seu retorno ao fim desta era. Existe, também um grande problema
em várias traduções com relação “consumação do século”, o caso é que em algumas
bíblias encontramos uma tradução mal aplicada de (sinteléias tú aiônos) que é traduzido
por “fim do mundo”, sinteléias segundo o dicionário grego de Carey, significa
consumação, fim, acabamento, completamento e aiõn (os), significa: ciclo, era, época,
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
39
eternidade; também pode ser traduzido por mundo, porém, apenas na questão temporal,
espaço de tempo. O mundo físico, o planeta, no original grego é(kosmos). Sobre a tradução
do termo Strong faz a seguinte o seguinte comentário:
“Freqüentemente traduzem aion (por mundo, dessa forma obscurecendo a distinção
entre esta e kosmos). Aion é geralmente melhor traduzida como geração, é o mundo
num dado momento, um período particular na história mundial”.
A tradução de fim do mundo não tem apoio do texto original nem do contexto, já que
os discípulos aguardavam Jesus para governar a terra como rei, portanto ao perguntarem
não se referiam ao término da humanidade, ou a destruição do planeta, mas sim o fim de
um tempo, para dar-se início a outro, que no caso era o reino messiânico.
Devido o que Jesus havia dito referente à destruição do templo, veio dúvida, quando
isto acontecerá? Diante também de outros ensinos sobre um futuro retorno para reinar e
julgar a terra eles perguntaram, que sinal haveria para identificar a destruição do templo
como também o seu retorno.
O Problema dos Sinais
Existe uma grande dificuldade para qualquer que se deter a estudar Mateus 24, pois
este capítulo trata de assuntos de acontecimentos breves, mas também de
acontecimentos mais distantes, Jesus faz comentário de sua volta a terra e também de
juízos vindouros, todos os assuntos se misturam no decorrer do discurso trazendo
dificuldade de interpretação. O que nos cabe é buscar a melhor harmonização possível dos
textos sem ferir o contexto, numa busca das verdades escatológicas. Existem basicamente
três teorias a respeito dos sinais de Mateus 24 1:15, que são:
A. Os sinais apontam apenas para a destruição de Jerusalém. Esta é defendida pelos
amilenistas que dizem ser os sinais, a resposta de Jesus a respeito da destruição do templo
e da cidade, a qual se cumpriu no ano 70d.C.
Os fato de Jesus iniciar sua resposta aos discípulos dando-lhes sinais, isso não indica
que estes se referiam a destruição do templo, já que a pergunta também era com
respeito a sua volta. Também podemos destacar que predições feitas por Jesus não se
cumpriram naquele tempo, como, por exemplo, terremotos em grande escala, guerras
mundiais (v.7), e muito menos a pregação do evangelho em todo o mundo vindo após isso
o fim (v.14). Portanto é impossível afirmar que os sinais indicam a destruição de
Jerusalém.
B. Os sinais apontam para o arrebatamento da igreja, estes vem se cumprindo
ao longo dos anos, porém tendo se intensificado nos últimos tempos.
Esta teoria é defendida por uma parte dos pré-milenistas, estes acreditam que os
sinais estão ligados diretamente ao arrebatamento.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
40
Esta possibilidade é grande, porém, tem alguns problemas já que: 1) Segundo Jesus
não haveria sinais diretos e específicos que marcariam o arrebatamento da igreja (Mt
24:36-44); 2) O texto de Mt 24:3-15 não é especifico e trata de um longo período de
tempo, temos ainda o versículo 14 e 15 que se referem diretamente ao período
tribulacional, seguido pela volta visível de Cristo.
C. Não existem sinais diretos para marcar o arrebatamento, estes sinais
descritos em Mateus acontecerão após o arrebatamento marcando o retorno
glorioso de Cristo e o fim da grande tribulação.
Uma parcela dos pré-milenistas pré- tribulacionistas, pensam desta forma. O Dr
Ryrie, comentarista da Bíblia Anotada, é um dos grandes defensores da teoria.
De todas, esta parece ser a mais lógica, o que não quer dizer que seja a correta. Ryrie
faz um paralelo entre os sinais de Mateus e os quatro primeiros selos de apocalipse no
qual encontramos certa harmonia entre os eventos descritos em Mateus com os descritos
em Apocalipse. A teoria apresenta os sinais como ligados ao retorno visível de Cristo, não
permitindo que haja sinais diretos ao arrebatamento, e isto tem fundamento bíblico.
Os selos de Ap 6: 1-7 Os sinais de Mateus 24
V.4) E saiu outro cavalo, vermelho; e ao
seu cavaleiro, foi-lhe dado tirar a paz
da terra para que os homens se
matassem uns aos outros; também lhe
foi dada uma grande espada.
V.6) E, certamente, ouvireis falar de
guerras e rumores de guerras;
V.5) Então, vi, e eis um cavalo preto e o
seu cavaleiro com uma balança na
mão.(...) Uma medida de trigo por um
denário; três medidas de cevada por um
denário;
V.7) Porquanto se levantará nação
contra nação, reino contra reino, e
haverá fomes e terremotos em vários
lugares;
V.8) E olhei, e eis um cavalo amarelo e o
seu cavaleiro, sendo este chamado
Morte;
V.9) Então, sereis atribulados, e vos
matarão. Sereis odiados de todas as
nações, por causa do meu nome.
A fim de completar este raciocínio podemos utilizar o quinto selo que fala dos
mártires do período tribulacional, em especial o v.9, comparando-o a predição de Cristo
onde se refere a morte de seus discípulos por causa de seu nome (Mt 24:9-10). Também se
pode utilizar o sexto selo onde são vistos sinais no céu (v.12-14) e compará-los a Lucas
21:25. O Sétimo selo, que marca o inicio da segunda metade da grande tribulação onde se
inicia o período de maior terror sobre Israel, como também a investida da Besta sobre a
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
41
nação, entra em harmonia com o cerco de Jerusalém profetizado na passagem de dupla
referencia de Mt 24:15-21, que também se refere ao inicio desta segunda fase.
É importante ressaltar que independente destes sinais não estarem ligados
diretamente ao arrebatamento sua preparação pode servir de indicador para demonstrar
a sua proximidade, é como Jesus disse em Mt 24: 31-32.
“Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam e as
folhas brotam, sabeis que está próximo o verão. Assim também vós:quando virdes todas
estas coisas, sabei que está próximo, às portas.”
5.2. Os Sinais do Tempo do Fim
Independente dos sinais de Mateus serem ou não indicadores do arrebatamento
temos outros sinais nas Escrituras que apontam para o tempo do fim, muito mais que
identificar a proximidade da volta de Jesus, revelam aspectos sociais, morais e religiosos
que aconteceriam justamente no tempo em que o Senhor voltaria. Buscaremos nas
epístolas referencias de como estaria a igreja e mundo no tempo de sua manifestação. É
certo que estes sinais não estão apenas no tempo do fim, mas sim por todo o decorrer da
história da igreja, o que os escritores queriam deixar claro é que no fim dos tempos estes
sinais se tornariam evidentes e corriqueiros.
A. Apostasia. “Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos,
alguns apostatarão da fé” (ITm 4:1).
O apóstolo Paulo é enfático ao dizer isto, o fato é que o inicio do cristianismo foi
marcado por alguns movimentos locais que traziam variações ao cristianismo recém
inaugurado. As comunidades cristãs que se formavam eram lideradas muitas vezes por
pessoas que tinham um conhecimento muito limitado a respeito de Cristo, não havia a
palavra escrita, portanto muito do que se dizia não era bem verdade. No entanto o que
Paulo quer dizer a Timóteo é referente aos últimos tempos, é claro que Timóteo não
necessitava desta advertência, isto porque ela era para o tempo do fim, ou melhor, para a
igreja que viveria esta época.
A tradução de apostasia no grego é, revolta, rebelião, afastamento doutrinário e
religioso. Podemos dizer que no sentido de fé significa o desvio ou afastamento de um
propósito definido, que é o de servir a Deus, podemos encarar o apóstata com desertor da
fé. A palavra traduzida por divórcio no grego é uma palavra derivada de apostasia, daí
então, da para nos termos uma idéia mais clara do que é apostatar da fé, é divorciar-se de
Deus.
Esse grande mal que assola o meio cristão tem se desenvolvido rapidamente. A igreja
de Laodicéia (Ap 3:14-22) que é uma representação da igreja atual traz consigo a evidente
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
42
marca da apostasia espiritual, “Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente.
Quem dera fosses frio ou quente!”.
B. A Generalização de Desvios Doutrinários. “Por obedecerem a espíritos
enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que
tem cauterizada a própria consciência”
Paulo dá o motivo da apostasia: os desvios doutrinários. Hoje o estado de frieza e
indiferentismo toma conta das igrejas que se tornam a cada dia mais politizadas e menos
espirituais, mais humanistas e menos cristocêntricas. O uso de filosofias e práticas
espíritas, a criação de doutrinas que giram em torno da prosperidade plena, ensinos
sobre a obrigatoriedade de Deus abençoar seus servos etc, formam o novo quadro
teológico de muitas igrejas, a verdade é que virou um bom negócio. Todo esse desvio
doutrinário vem criando uma geração de cristãos puramente místicos, avessos à sã
doutrina. Nunca a igreja de Jesus Cristo esteve numa situação como a atual, onde se
perdeu o padrão bíblico para o cristão, isto se torna uma evidencia marcante, pois o
apostolo diz que nos últimos tempos a igreja estaria como está hoje.
C. Degradação Moral Generalizada. Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão
tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes,
blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados,
implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores,
atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus (IITm 3:1-4)
Este texto da epístola a Timóteo tem uma relação muito estreita com Rm 1:28-32
onde o contexto fala da condição pecaminosa em que se encontra a humanidade, também
no texto acima a questão é: como estará a condição moral no fim dos tempos? Paulo
responde a pergunta de maneira completa e dura, referindo-se a este tempo como
“tempos difíceis”. Não é preciso entrar em detalhes para termos a certeza de estarmos
vivendo um tempo final, como o descrito por Paulo. O discurso do apóstolo quando
analisado no texto original parece trazer uma seqüência de atitudes que vão causando
uma progressão negativa na moral da humanidade, ou seja, uma atitude que desencadeia
outras.
Paulo começa com a base de toda a degradação moral, o amor a si mesmo e o amor
ao dinheiro. Em muitas Bíblias nos encontramos a tradução; egoístas e avarentos ou
egoístas e gananciosos, porém Paulo é mais claro que as traduções parecem apresentar,
pois o que ele quer dizer é que os homens serão amantes do ego e amantes de dinheiro
como encontrado apenas na versão em inglês. O que segue são conseqüências do egoísmo
e da ganância.
Traduzindo o texto de uma maneira mais clara, ficaria assim:
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
43
“Saiba disto, nos últimos tempos virão tempos difíceis, pois os homens amarão a si
próprio e amarão ao dinheiro, terão um coração vaidoso, arrogantes, falarão mentiras
contra Deus, desobedientes a pais e mães, ingratos, não cumpridores da religião, terão um
coração duro e frio, serão difíceis de entrar em acordo pois não honrarão sua palavra,
falarão mentiras contra os outros, sem domínio de seus sentimentos e ações, selvagens,
sem amor para com os bons, traidores, agirão sem pensar, orgulhosos, amarão os
prazeres da carne mais do que a Deus”.
D. Desenvolvimento da Ciência e Transportes. Temos também, em Daniel um
indicador muito importante sobre o tempo do fim. “Tu, porém, Daniel, encerra as
palavras, e sela o livro, até o tempo do fim; muitos correrão duma para outra parte,
e a ciência se multiplicará”.(Dn 12:4)
O tempo do fim também seria marcado por um avanço tecnológico sem precedentes,
este seria também estendido aos meios de transporte. Deus revela a Daniel que as
pessoas esquadrinhariam a terra, ou seja, iriam de uma parte à outra, também lhe é dito
sobre uma multiplicação da ciência, tudo isto temos visto desde o inicio do século XX,
pois antes disso não havia muita diferença do meio de transporte no século primeiro ao
utilizado no século XIV; as pessoas andavam em carros de boi, as engrenagens dos
maquinários eram extremamente rudimentares, não havia equipamentos eletrônicos e
etc.
Em nossos dias a ciência já procura criar clones de humanos, e há aqueles que dizem
que já conseguiram fazê-los nascer. O fato é que tudo vem indicando que o tempo do fim
mencionado por Deus a Daniel tem todas as características de nosso tempo. Quanto à
profecia em Apocalipse sobre o uso de um numero (666) para uma identificação mundial
já é totalmente possível, temos meios que possibilitam hoje sua existência, como por
exemplo, o sistema de código de barras, aliás, este já está sendo descartado, pois já está
sendo produzido o biochip, que pode conter quantas informações forem necessárias
sobre seus usuários.
E. Restauração de Israel. No texto de Ezequiel 37:1-14, vemos a profecia referente a
restauração nacional, moral e espiritual de Israel , também em Lucas 21:20-24 Jesus
profetiza sobre a dispersão de Israel, o qual seria dominado pelos gentios.
Quando, porém, virdes Jerusalém sitiada de exércitos, sabei que está próxima a sua
devastação. Então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes; os que se
encontrarem dentro da cidade, retirem-se; e os que estiverem nos campos, não entrem
nela. Porque estes dias são de vingança, para secumprir tudo o que está escrito. Ai das
que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias! Porque haverá grande
aflição na terra e ira contra este povo. Cairão a fio de espada e serão levados cativos para
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
44
todas as nações; e, até que os tempos dos gentios se completem, Jerusalém será pisada
por eles.
Este tempo em que os gentios dominariam sobre Israel é representado pela estátua
vista em sonho por Nabucodonozor no capítulo 2 de Daniel, esta sucessão de governos
gentios tinham um tempo para dominar sobre todo o Israel e é durante este tempo que os
israelitas deveriam ser exilados de sua terra, entretanto Deus prometia que seriam
restabelecidos à sua pátria em tempo oportuno.
Porque não quero, irmãos, que ignoreis este mistério (para que não sejais
presumidos em vós mesmos): que veio endurecimento em parte a Israel, até que haja
entrado a plenitude dos gentios. E, assim, todo o Israel será salvo, como está escrito: Virá
de Sião o Libertador e ele apartará de Jacó as impiedades. Esta é a minha aliança com
eles, quando eu tirar os seus pecados. Rm 11:25-27
No ano 70 d.C. o general Tito filho do imperador Vespaziano invadiu Jerusalém,
destruindo o templo e exilando toda a nação. No entanto a profecia começa a tomar sua
forma de cumprimento no ano de 1897 quando Teodoro Herzl inicia o movimento sionista,
ou seja, um movimento para a criação de um estado autônomo em Israel, fazendo com
que houvesse um grande retorno de Judeus a sua terra natal. Em 14 de Maio de 1948, Sir
Alain Cunningham, assina o fim da intervenção britânica na terra santa. Neste mesmo dia
o pai do Israel restaurado, David Ben Gurion, lê a declaração de independência do mais
novo país do mundo. ÉRETZ-ISRAEL (Terra de Israel).
Hoje Israel está restaurado como estado e terra independente, restando apenas sua
restauração espiritual que ocorrerá no final da grande tribulação.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
45
AULA
06
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
46
6 - TEORIAS SOBRE O ARREBATAMENTO
Este é o evento mais esperado pela igreja, no entanto esta não é unânime em sua
crença, ou seja, não vê da mesma maneira como e quando será o arrebatamento. Neste
capitulo serão apresentadas três das quatro teorias a seu respeito, é importante
mencionar que esta discussão só existe em meio aos pré-milenistas já que os amilenistas
e pós-milenistas não crêem que existirá arrebatamento.
6.1. Teoria do Arrebatamento Parcial
Das quatro teorias a serem apresentadas apenas a do arrebatamento parcial não
discute quando será o evento referente a grande tribulação, ou seja, se antes, no meio ou
depois, o que ela traz a discussão é que participará dele. Para o parcialista não são todos
os crentes, mesmo sendo autênticos, que serão arrebatados, mas somente um grupo
formado por aqueles que estão ansiosamente aguardando seu retorno e são dignos de
participar.
Quanto ao tempo os parcialistas são pré-tribulacionistas, crêem que o arrebatamento
será antes da grande tribulação, fazendo com que os salvos que não esperavam com
ansiedade a volta do senhor passem por ela a fim de aguardarem o retorno visível de
Cristo.
Toda a estrutura desta teoria está baseada nas seguintes referências bíblicas:
Mateus 25:1-13; Lucas 21:36 “Vigiai, pois, em todo o tempo, orando, para que sejais
havidos por dignos de evitar todas essas coisas que hão de acontecer e de estar em pé
diante do Filho do Homem”; Tito 2:13 “aguardando a bem-aventurada esperança e o
aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo”; Hebreus 9:28 “assim
também Cristo, oferecendo-se uma vez, para tirar os pecados de muitos, aparecerá
segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para a salvação.” e I João 2:28 “E agora,
filhinhos, permanecei nele, para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança e
não sejamos confundidos por ele na sua vinda.” Em todas estas referências há uma
exortação a vigilância, no entanto não há o menor indicio de que só serão salvos os
“havidos por dignos” até porque este grupo não existe; ninguém é digno.
Para uma sustentação viável desta teoria o parcialista precisa negar pontos
fundamentais da doutrina cristã como:
A eficácia do sacrifício de Cristo (Hb 10:11-12)
A adoção divina através de Jesus (Rm 8:15-16)
A unidade da verdadeira igreja de Cristo sob a qual ele é a cabeça (Ef 4: 4-6)
A eficácia da graça de Deus (Rm 3:24)
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
47
O fato de que nenhuma parte da verdadeira igreja de Jesus irá passar pela grande
tribulação (Ap 3:10)
O apóstolo Paulo nos dá a resolução final em I Coríntios 15:51-52:
Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos
seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última
trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós
seremos transformados.
Paulo nos informa que “todos” os que estiverem em Cristo serão transformados, isto
se baseia na Justiça divina e não na humana, seguidos por aqueles que morreram em
Cristo que também foram justificados e isto sim nos torna dignos.
Por tudo isso fica totalmente descartada a possibilidade de um arrebatamento
parcial.
6.2. Teoria do Arrebatamento Meso ou Midi Tribulacionismo
Diferente do parcialista este grupo entende que todos os que estiverem em Cristo
serão arrebatados, sua discussão é referente ao tempo do arrebatamento, isto é, quando
ele acontecerá. Para o meso-tribulacionista ocorrerá em meio a grande tribulação. Veja no
gráfico o pensamento meso- tribulacionista:
O Meso-tribulacionismo tem suas bases firmadas em interpretações figuradas ou
alegorizadas de passagens que deveriam ser interpretadas literalmente. Vejamos quais são
seus argumentos.
A. A Grande Tribulação é Dividida em Duas Fases Distintas. Quanto à duração do
período tribulacional surge o primeiro problema, que é referente a uma suposta divisão
em duas fases distintas, no entanto ao olharmos para Daniel 9:27 não encontramos
nenhuma divisão na septuagésima semana, é certo que Jesus disse em Mateus 24:21 que
na segunda metade do período as coisas iriam se agravar, porém isto não permite dizer
que existirão duas partes independentes a ponto de caracterizarmos apenas a segunda
metade como sendo a verdadeira grande tribulação. Segundo Daniel o pacto com Israel
dará inicio a semana profética, sendo que no meio desta o anticristo rompera’ este pacto
(Dn 9:27) trazendo dura perseguição aos israelenses (Ap 12:6). Este agravamento da
situação é devido o fim da falsa paz instituída pelo anticristo (Ap 6:2) que agora revela sua
verdadeira face e não devido o inicio de um outro período distinto.
B. O Capitulo 11 de Apocalipse Revela a Ocasião do Arrebatamento. Para sustentar
um arrebatamento em meio a grande tribulação utilizam o capitulo 11 de apocalipse com
sendo um fato incontestável da ocasião em que este ocorrerá, porém isto também só é
possível se desprezamos uma interpretação cuidadosa de todo o livro quanto à sua
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para adefesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
48
cronologia. Os defensores da teoria afirmam que do capitulo 4 ao 11 temos a primeira
parte de grande tribulação seguindo o raciocínio, afirma que do capitulo 12 ao 19 temos a
segunda parte. Tendo capitulo 11 bem no meio da semana profética usam o seguinte
versículo para afirmarem o momento do arrebatamento: “E ouviram uma grande voz
do céu, que lhes dizia: Subi cá. E subiram ao céu em uma nuvem; e os seus inimigos
os viram.” (Ap 11:12). Se usarmos de analogias com certeza chegaremos á mesma
conclusão, no entanto se interpretarmos o texto de maneira coerente e de acordo com
uma exegese perfeita veremos que tudo não passa de um mal entendido. Vejamos alguns
pontos que não se encaixam quando interpretamos corretamente:
Deduzem por analogia que as duas testemunhas apresentadas no capitulo 11 são
figuras, sendo assim representam os dois grupos a serem arrebatados, os vivos e
os mortos. O texto, mesmo lido sem muita atenção deixa claro que as duas
testemunhas não são tipos ou símbolos, mas pessoas literais.
Essas duas testemunhas não poderiam representar a igreja já que são enviados
para o povo de Israel, isto é claramente visto através dos vs. 3 e 4 onde o texto
fala de oliveira e candeeiro. Também o ministério das testemunhas demonstra
similaridade com o ministério profético do velho testamento.
Alegam que a nuvem em que as testemunhas subiram ao céu (v.12) representa o
arrebatamento. Como vimos as duas testemunhas são representantes de Israel e
não da igreja, sendo assim nuvem para o Judeu simboliza a presença de Deus, até
por que não existe promessa de arrebatamento para a nação de Israel.
C. A Trombeta de ICo 15:52 e I Ts 4:16 é a Mesma de Ap 11:15. Outro ponto
complicado para ser sustentado pelos meso-tribulacionistas é o fato de afirmarem que as
trombetas de I Co 15:52, onde diz: “num momento, num abrir e fechar de olhos, ante
a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão
incorruptíveis, e nós seremos transformados”; I Ts 4:16 ”Porque haverá o grito de
comando, e a voz do arcanjo, e o som da trombeta de Deus, e então o próprio
Senhor descerá do céu” e Ap 11:15 “E tocou o sétimo anjo a trombeta, e houve no
céu grandes vozes,” são a mesma coisa. Em I Coríntios Paulo fala de uma trombeta de
vitória, um chamado à presença de Deus, algo ansiosamente esperado pela igreja, o
mesmo vemos em I Ts 4:16; enquanto que, em apocalipse a trombeta é de apresentação à
chegada do Rei dos Reis que vem para julgar.
E iraram-se as nações, e veio a tua ira, e o tempo dos mortos, para que sejam
julgados, e o tempo de dares o galardão aos profetas, teus servos, e aos santos, e aos que
temem o teu nome, a pequenos e a grandes, e o tempo de destruíres os que destroem a
terra.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
49
Um outro detalhe que não pode passar desapercebido é que em I Ts 4:16 a trombeta
é de Deus ao passo que em apocalipse a trombeta é de um anjo.
Existe ainda um ponto a ser mencionado que é o fato de acreditarem que “a grande
voz do céu” de Ap 11:12 é uma referencia ao chamado de Deus, como em I Ts 4:16
”Porque haverá o grito de comando”. Isto, devido às questões de diferença entre Israel e
igreja, se torna impossível.
Estes são os pontos principais da teoria, no entanto não são os únicos, os meso-
tribulacionistas ainda têm que negar pontos doutrinários muito sérios para alicerçar sua
teoria. Como segue:
A eminência do arrebatamento. Já que uma vez conhecido o inicio da
primeira metade do período tribulacional, saberemos com certeza o
momento do arrebatamento em meio à mesma.
Para tornar coerente a teoria é preciso ferir a cronologia do livro de apocalipse e
tirar capítulos inteiros do contexto.
É preciso sobrepor dois planos distintos. O da igreja, já que esta estaria na terra
durante o inicio da grande tribulação, e o plano de Israel, que também estaria em
plena execução durante o mesmo período. É bom lembrar que Deus nunca
administrou dois planos de uma só vez.
6.3. Teoria do Arrebatamento Pós-Tribulacionista
A terceira teoria a ser discutida é a do arrebatamento após a grande tribulação,
ensinam que o arrebatamento será seguido imediatamente pela volta gloriosa de Jesus;
Jesus vem, arrebata a igreja e rapidamente vai ao céu retornado imediatamente à terra
com a igreja arrebatada para instituir o milênio. Esta é a que mais cresce em nossos dias e
que se torna mais resistente, no entanto ao estudá-la veremos que biblicamente, não há
como sustentá-la. Veja no gráfico o pensamento pós-tribulacionista. O pós-
tribulacionismo desenvolveu argumentos para defenderem sua teoria, que são no mínimo
improváveis, já que se baseiam em uma interpretação alegórica e espiritualizada das
Escrituras não observando os contextos das passagens bíblicas, ainda que insistam em
dizer que são literalistas, o negam na prática. Vejamos os principais argumentos pós-
tribulacionistas:
A. Daniel 9:24-27 Já Teve Seu Cumprimento Histórico Concluído. O primeiro grande
argumento a respeito do assunto é referente ao cumprimento da profecia de Daniel, dizem
todo o plano ali determinado já teve seu cumprimento concluído no ano 70 a.C. com a
destruição de Jerusalém. No entanto vamos observar algumas questões que provam que a
profecia ainda aguarda seu cumprimento, baseados numa interpretação literal e
cuidadosa do texto.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
50
Todo o plano das setenta semanas (v.24) inclui seis bênçãos: 1) extinguir a
transgressão, 2) dar fim aos pecados, 3) expiar a iniqüidade, 4) trazer a justiça
eterna, 5) selar a visão e a profecia, 6) ungir o Santo dos santos. Entendemos que
estas bênçãos em sua totalidade ainda não foram cumpridas, até porque as três
últimas só serão estabelecidas com a instituição do milênio.
O texto fala de uma aliança por parte “do príncipe que há de vir” que seria
estabelecida com o Israel apóstata, a qual seria desfeita na metade da semana
(v.27). Nunca na história houve qualquer tipo de aliança que restabelecesse o culto
judeu, até por que isto só será possível quando Deus iniciar seu plano de
restauração espiritual com Israel, e isto será no período tribulacional.
Erram ao dizer que Jesus morreu na ultima semana restante, dizendo que sua
morte vicária é esta “aliança com muitos” a qual seria quebrada. Julgam que o
“Ele” do v.27 é Jesus, porém se olharmos no verso anterior, veremos que se trata
do “Príncipe que há de vir”, o qual é o anticristo. Dessa maneira a septuagésima
semana não pode ter ocorrido pois só quando o anticristo estivesse em ação
poderíamos dizer que este período seria a ultima semana de Daniel.
B. A Igreja Tem Promessa de Tribulação. Um dos principais argumentos pós-
tribulacionista com certeza é o de que a igreja deverá cumprir as profecias com respeito a
passar pela tribulação para isso usam Lucas 23:27-21.
“E seguia-o grande multidão de povo e de mulheres, as quais batiam nos peitos e o
lamentavam. Porém Jesus, voltando-se para elas, disse: Filhas de Jerusalém, não choreis
por mim; chorai, antes, por vós mesmas e por vossos filhos. Porque eis que hão de vir dias
em que dirão: Bem-aventuradas as estéreis, e os ventres que não geraram, e os peitos
que não amamentaram! Então, começarão a dizer aos montes: Caí sobre nós! E aos
outeiros: Cobri- nos! Porque, se ao madeiro verde fazem isso, que se faráao seco?”
Também Mateus 24:9-11; Marcos 13:9-13, além de passagens como João 15:18-19;
16:1-2,33.
Para provar biblicamente que a igreja deve passar pela tribulação é necessário:
Esquecer-se que existem vários tipos de tribulação, e que esta pode ser referente
às lutas e dificuldades em se viver uma vida cristã frente a um mundo dominado
pelo pecado. João 15:18-19; 16:1-2,33.
Esquecer-se que existem passagens que falam a respeito do sofrimento que o
povo Judeu passará durante a grande tribulação. Lucas 23:27-21; Mateus 24:9-11;
Marcos 13:9-13.
Esquecer-se que um dos propósitos da grande tribulação é a purificação do povo
de Israel, e sendo já a igreja purificada pelo sangue de Jesus não existe a menor
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
51
razão para ela ser purificada novamente, se assim fosse o sacrifício de Cristo seria
insuficiente.
Interpretar por analogia e não de maneira coerente o capitulo 4 de
apocalipse onde vemos a referência aos 24 anciãos, que para alguns
simboliza 12 representantes do velho testamento com 12 representantes da nova
aliança, o fato é que não cabe outra interpretação que não seja de que os 24
anciãos são representantes da igreja arrebatada, os motivo são claros:
o O capitulo 4 refere-se a uma visão do céu enquanto na terra se inicia a
grande tribulação, portanto não pode haver representantes de Israel no céu
já que Deus está os purificando na terra.
o Estão usando uma coroa (que no grego de uma forma geral traz a idéia de
recompensa (2Tm 4:8) ninguém a essa altura do plano escatológico de
Deus, a não ser a igreja arrebatada poderia usar uma coroa de vitória (Ap
2:10).
o As promessas para igreja vitoriosa, expressas nas sete cartas as igrejas da
Ásia menor encaixam-se com a aparência, posição local e de honra em que os
24 anciãos estão.
C. A Ressurreição em Ap 20:4 Revela o Momento do Arrebatamento. Um argumento
que os pós-tribulacionistas tem por forte é o da ressurreição, porém não é necessário
muito para provar o contrário. O texto usado para sua afirmação é Ap 20:4-5 onde lemos:
“E vi tronos; e assentaram-se sobre eles aqueles a quem foi dado o poder de julgar. E
vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus e pela palavra de
Deus, e que não adoraram a besta nem a sua imagem, e não receberam o sinal na testa
nem na mão; e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos. Mas os outros mortos
não reviveram, até que os mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição.”
Somente desconhecendo ou ignorando a doutrina da ressurreição para se afirmar
essa interpretação pois o fato do versículo conter “primeira ressurreição” não confirma a
suposição de esta ser literalmente “primeira”, querendo indicar que anteriormente não
houve outra. Os motivos são claros:
A primeira ressurreição não se trata de primeira em numero, mas em gênero, já
que dois tipos de ressurreições são mencionados por Jesus, uma para a vida e
outra para condenação (Jo 5:29), as quais não podem ser colocadas em mesmo
espaço de tempo, porque a ressurreição da vida é seguida pelas bodas do
cordeiro e o tribunal de Cristo, como também a ressurreição para condenação é
imediatamente seguida pelo juízo.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
52
O galardão dos arrebatados (Ap 4;19:1-10) é antes da vinda em glória de
Cristo (Ap11:15-19;19:11-21), e isto pode ser confirmado pela cronologia do
livro de apocalipse, provando assim que não existe relação entre a ressurreição no
momento do arrebatamento da igreja e a ressurreição de Ap 20:4-6.
Outro fato pode ser visto em Ap 20:4 é que o texto fala da ressurreição
“daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus e pela palavra de
Deus”, ou seja, o texto narra a ressurreição dos mártires da grande tribulação que
é o ultimo grupo dos que “são de Cristo” (ICo 15:22-23). Fechado o grupo, Ap
20:5-6 encerra o assunto sobre primeira ressurreição.
Por tudo o que foi apresentado podemos concluir que o pós-tribulacionismo, ainda
que tenha argumentos favoráveis, estes são insuficientes para que sua teoria seja aceita,
e no que se refere aos seus argumentos acima citados e discutidos nenhum dele é capaz
de servir como base para um arrebatamento após a grande tribulação.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
53
AULA
07
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
54
7 - TEORIA DO ARREBATAMENTO PRÉ-
TRIBULACIONISTA
Não foi por acaso que esta teoria foi separada das demais. Por ser a mais aceita e
mais coerente, é a que de um modo geral, é ensinada nas igrejas pentecostais,
neopentecostais como também em muitas igreja históricas. Por isso merece uma atenção
melhor para que aprendamos de uma maneira mais profunda e esclarecedora, já que
muitos conhecem a escatologia superficialmente estando inabilitados a defender o ponto
de vista pré-tribulacionista.
Para o pré-tribulacionista o arrebatamento será antes da grande tribulação, trazendo
aos crentes em Jesus o livramento dos sofrimentos vindouros (Ap 3:10). Veja no quadro
gráfico abaixo o pensamento pré-tribulacionista:
7.1. O Pré-Tribulacionismo e a História
Os pós-tribulacionistas usam o argumento de que o pré-tribulacionismo é uma
doutrina nova e estranha para a igreja primitiva como também para a igreja no decorrer
de toda a história. O fato é que isso não pode ser dito sem uma averiguação em
documentos da igreja primitiva como também no contexto bíblico. O pré-tribulacionista
repousa em argumentos sadios e coerentes com a interpretação correta das Escrituras, e
também está baseado na chamada “doutrina da iminência”, ou seja, a palavra de Deus
sempre nos exorta a estarmos vigilantes pelo fato de não sabermos a que horas, dia, ano
ou século Jesus virá “Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o
vosso Senhor”.(Mt 24:42), e isto demonstra que sua vinda é algo inesperado. Veja
o que diz Clemente, bispo de Roma (séc I) aos Coríntios:
Que nunca se aplique a nós a passagem da Escritura que diz: "Infelizes os que hesitam
no coração e desconfiam na alma; aqueles que dizem: 'Tais promessas já escutamos na
época de nossos pais e eis que envelhecemos e nada disso aconteceu”.
“Ó insensatos, comparai-vos à uma árvore; reparai na videira que, primeiro perde as
folhas e então brota, a seguir vêm a folha, então a flor e, depois disso, a uva verde é
seguida da uva madura". Considerai como, em pouco tempo, o fruto da árvore se torna
maduro. É bem assim que a vontade de Deus se cumpre, em ritmo veloz e inesperado,
como a própria Escritura nos atesta: "Virá logo e não tardará. Subitamente o Senhor
entrará no seu santuário, o Santo a quem esperais". Malaquias 3:1
Podemos perceber que desde a igreja primitiva, se esperava uma vinda a qualquer
momento, o que é contrário ao pós-tribulacionismo já que, segundo eles, o
arrebatamento vem após a grande tribulação; sendo assim, saberemos exatamente
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.brESCATOLOGIA
55
quando este ocorrerá. Desta forma todo o processo de espera dos crentes é alterado,
pois terão como identificar claramente não só a proximidade, mas também o exato
momento, descartando as advertências referentes a vigilância contidas em todo o
novo testamento. Isto demonstra que a igreja desde os primórdios era pré-
tribulacionista, ou seja, esperava que o arrebatamento fosse antes da grande
tribulação, pois acreditava que não passaria por ela.
Quanto a dizerem que é uma doutrina nova, é uma grande irresponsabilidade, pois o
fato de não ser bem explicada por todo decorrer da história da igreja não quer dizer que
não esteja correta, também é exigirmos demais que desde aqueles tempos já tivesse este
nome, que, aliás, tornou-se necessário para identificar a “teoria” diante das outras. Se
seguirmos este raciocínio, a doutrina da salvação só tem quinhentos anos, pois esta
foi discutida e definitivamente estabelecida no período da reforma, a verdade é que algo
não pode ser considerado novo por apenas não ter sido detalhado no passado.
7.2. A Doutrina da Iminência
O pré-tribulacionismo se destaca das outras teorias por ser a única baseada numa
interpretação literal, que, como já vimos, é o método usado pela própria escritura para se
explicar. Outro ponto importante é o fato de respeitar a doutrina da iminência como
também reafirma-la.
Esta doutrina trata da condição em que está a igreja quanto à volta de Jesus para
arrebata-la, ou seja, Jesus disse que seria a qualquer momento. A promessa de buscar sua
igreja foi feita por ele mesmo: “Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não
fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos
preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou,
estejais vós também”. ( Jo 14:2-3). Porém, quanto ao tempo em que isto ocorrerá, Jesus
disse que: “daquele Dia e hora ninguém sabe” (Mt 24:36a), logo, sua vinda é repentina.
Mesmo não havendo sinais específicos que indiquem o arrebatamento, o prenuncio
da grande tribulação já nos serve como “sombra de sinal”, contudo não devemos atentar
cegamente para estes aparentes sinais e nos esquecermos que sua vinda é iminente. A
igreja é constantemente exortada a vigiar “aguardando a bem-aventurada esperança
e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo” (Tt 2:13);
“Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que vigília da noite havia de vir
o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa”. (Mt 24:43); “Mas vós, irmãos, já
não estais em trevas, para que aquele dia vos surpreenda como um ladrão” (I Ts
5:4).
O pós-tribulacionismo como também o meso-tribulacionismo, negam este fato, que é
o da vinda a qualquer momento. Seus argumentos, em suma, são:
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
56
Jesus disse que para que ele pudesse retornar o evangelho deveria ser pregado em
todo o mundo (Mt 24:14), sendo assim sua vinda dependia de um longo espaço
de tempo sinalizando seu retorno e descartando a doutrina da iminência.
o O equivoco está na interpretação, pois “este evangelho do reino”, acima
citado não são as boas novas, ou seja, o evangelho que Jesus pregava e que
hoje a igreja prega. O contexto é claro, trata-se das boas novas pregada aos
Judeus durante a grande tribulação, possivelmente pelo remanescente (Ap
7), pelas duas testemunhas (Ap 11:3-13).
Devido o desdobramento de acontecimentos da história, sofrimento dos apóstolos
e declinio da vida espiritual dos cristãos no fim dos tempos, indicam que antes de
tudo isso acontecer, Jesus não poderia retornar, sendo assim não existe um
retorno iminente, pois, supostos sinais que o antecedem devem ser cumpridos
cabalmente.
o Isto pode ser verdadeiro se não levarmos em consideração que o curso da
história pode ser interrompido a qualquer momento, ao se comparar com
um ladrão disse: “se o pai de família soubesse a que vigília da noite havia de
vir o ladrão, vigiaria”, um ladrão não se limita a roubar apenas de noite,
mas a qualquer momento. Existem sinais que de maneira secundária
indicam o arrebatamento, e é importante perceber que estes,
primariamente indicam a preparação para grande tribulação, sendo assim
Jesus não está preso a cumprimento de supostos sinais ou ocorrências na
historia para arrebatar sua igreja.
Por todas as referências bíblicas, (e isto fala mais alto que qualquer argumentação), e
pelos pontos acima discutidos, fica, sem qualquer sombra de dúvida, confirmada a
doutrina da iminência.
7.3. Porque o Arrebatamento Deve ser Pré-Tribulacionista?
Alguns pontos devem, necessariamente ser observados para que tenhamos uma
compreensão clara e sustentável referente ao pré-tribulacionismo, e para isto
estudaremos alguns pontos que afirmam e sustentam um arrebatamento antes da grande
tribulação.
A. A Igreja Não Necessita de Mais Uma Purificação, Pois Esta já Foi Consumada na
Cruz. “Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da
hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam
sobre a terra” (Ap 3:10)
Numa promessa à igreja de Filadélfia, Jesus diz que não permitiria que a igreja fiel, ou
salva passasse pela “provação” que haveria de vir sobre o mundo. No original grego o
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
57
termo usado neste versículo é peirasmos, de um modo geral significa: experimento,
tentativa, teste, prova; tentação da fidelidade do homem, integridade, virtude,
constância; de acordo com o contexto, significa: adversidade, aflição, aborrecimento:
enviado por Deus e servindo para testar ou provar o caráter, a fé, ou a santidade de
alguém. (Strong).
O caráter da grande tribulação é de purificação como também de juízo, quanto a isso
aqueles que realmente são servos de Cristo e verdadeiramente “lavaram suas vestiduras
no sangue do cordeiro” estão isentos. Perceba bem, purificação aqui, não se refere a
santificação. Como já visto anteriormente a igreja foi justificada (Rm 3:19-26);
regenerada (IICo 5:17); adotada (Rm 8:15-16) e aguarda apenas sua completa redenção
(Rm 8:23; Ef 4:30).
B. A Igreja Precisa Ser Retirada da Terra Para Que se Inicie a Grande Tribulação.
“Agora, vós sabeis o que o detém, para que a seu próprio tempo seja manifestado. Porque
já o mistério da injustiça opera; somente há um que, agora, resiste até que do meio
seja tirado; e, então, será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro
da sua boca e aniquilará pelo esplendor da sua vinda;”
Nesta referência o iníquo ou profano que é o anticristo, não poderá iniciar seu
governo sem que aquele que o impede de agir seja retirado da terra, e sobre a identidade
deste, existe muita especulação, no entanto podemos concluir que não se trata de outro a
não ser o Espírito Santo, e sendo a igreja templo do Espírito Santo (ICo 3:16), quando
esta partir ele irá também. Podemos declarar então que, para que o anticristo
possa iniciar sua atuação é necessário que o Espírito Santo juntamente com sua
habitação sejam retirados da terra, o que em termos de tempo só pode ser antes de iniciar
a grande tribulação, deixando então o “caminho livre” para a besta. É preciso não
confundir; a igreja não é a detentora pelo fato de ser a habitação do Espírito Santo, ela
apenas age por meio dele, no entanto o agente do poder espiritual que impedea
manifestação da besta é o Espírito Santo, a igreja será beneficiada com o arrebatamento
porque o Espírito não pode estar desvinculado dela.
Este fato torna impossível que a igreja passe pela grande tribulação deixando claro
que o arrebatamento é pré-tribulacionista.
C. É Necessário que Hajam Salvos no Fim da Grande Tribulação Para Ingressarem no
Milênio. Com o retorno vivível de Cristo a terra, o milênio será instituído; se o
arrebatamento acontecesse neste momento, como pensam os pós- tribulacionistas,
não restaria nenhum santo para reinar com Cristo no milênio, sendo que a Bíblia nos
ensina que neste tempo as pessoas terão uma vida humana, ou seja, vão gerar filhos, se
alimentar, trabalhar, terão prosperidade, paz etc... Como está registrado em Is 65:20-25;
se assim fosse, isto não seria possível.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
58
Outra questão muito importante é o fato de que Jesus disse em Mateus 24:14 que o
“evangelho do reino” seria pregado, evangelho este que não pode ser anunciado pela
igreja, pois esta anuncia o evangelho da graça (At 20:24), chamado por Paulo de evangelho
de Deus (Rm 1:1), evangelho de Cristo (ICo 9:12). Com exceção de Mateus, nenhum dos
escritores do Novo Testamento o identificou como evangelho do reino, o que é explicado
pelo fato de Mateus ter sido escrito para os Judeus que devido o sofrimento causado pelo
império romano, aguardam a vinda do messias para instituir seu reino.
Este evangelho do reino anunciará, durante a grande tribulação, a vinda do
messias para inaugurar este reino literal, e através dele muitos se converterão (Ap
7:13-17).
D. Os Tipos no Velho Testamento Indicam um Arrebatamento Pré-tribulacional.
Quanto aos tipos é importante ressaltar que eles serão introduzidos neste trabalho
apenas por serem largamente usados como símbolos do arrebatamento, no entanto
eles são apenas uma suposta alusão ao arrebatamento, teologicamente não pode
ser provada devida não haver menção da igreja, especificamente, no velho
testamento, contudo os tipos são:
Enoque, bisavô de Noé, é o primeiro suposto tipo da igreja arrebatada, teve
um relacionamento de obediência com Deus, e por isso foi arrebatado para
não morrer no dilúvio (Gn 5:24; Hb 11:5).
Bisneto de Enoque, Noé foi salvo pela arca, do terrível dilúvio que se aproximava
(Gn 7:1,7). O tipo tem grande semelhança com o fato de que Deus os livrava do
dilúvio para posteriormente os colocar na terra novamente; da mesma forma com
o arrebatamento, a igreja será poupada da grande tribulação, retornando
novamente a terra na manifestação de Cristo, para juntos entrarem na terra
milenial. É interessante ressaltar que a expectativa do arrebatamento, como
também seu repentino acontecimento, foi comparada por Jesus aos dias de Noé
(Mt 24:37-39).
O juízo sobre Sodoma veio após a saída de Ló, desta maneira ele representa a
igreja que após ser retirada virá o Juízo na terra com a grande tribulação
(Lc17:28-30).
Os tipos por mais parecidos com a realidade que sejam não servem para se
estabelecer doutrina, porém revelam o cuidado de Deus com aqueles que lhe servem
fielmente, por isso podemos crer que por seu amor incondicional a igreja ele não a deixará
perecer na grande tribulação.
Por todos os motivos citados fica claro que o arrebatamento não pode ser
localizado em outro tempo, senão antes da grande tribulação, sabemos, no entanto
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
59
que os argumentos pós-tribulacionistas tem certa lógica e base bíblica, mas isso não é o
suficiente para que consigam provar suas teorias, o que não acontece com o pré-
tribulacionismo que mesmo não resolvendo todos os problemas que existem devido
passagens de difícil interpretação, consegue harmonizar os textos de maneira correta e
dentro do contexto, trazendo-nos o ensino sobre o arrebatamento mais completo e
coerente do todas as teorias existentes, não é à toa que os maiores mestres, doutores e
escolas teológicas no mundo inteiro, são pré-tribulacionistas; porém nunca devemos crer
em algo apenas porque uma maioria crê, mas o testemunho das Escrituras deve sempre
prevalecer.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
60
AULA
08
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
61
8 - SOBRE O ARREBATAMENTO
O arrebatamento possui alguns pormenores que não podem ser deixados para
trás. Afim de que tenhamos a melhor visão possível referente ao evento,
estudaremos alguns detalhes importantes como: o propósito do arrebatamento; quem
será arrebatado e o momento do arrebatamento.
8.1. Propósitos do Arrebatamento
A. Glorificar a Igreja. No capítulo anterior pudemos observar que a igreja deve ser
arrebatada antes da grande tribulação, e este é o propósito do arrebatamento. A Bíblia
apresenta a igreja como sendo a noiva de Cristo:
“Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si
mesmo se entregou por ela, Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela
palavra, Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa
semelhante, mas santa e irrepreensível.” (Ef 5:25-27)
No casamento judeu, após os pais do noivo terem pago o dote pela noiva (Gn
24:53; 34:12), era marcado o dia do casamento e esta não sabia o momento da
chegada deste, que era anunciado por um grito; ao encontrar a noiva, o noivo e os
parentes da noiva a elogiavam, seguindo-se o banquete de comemoração, e este deveria
ser na casa do noivo. Neste mesmo esquema de ritual, Jesus fará com sua noiva, a igreja;
ele a buscará para estar com ele; no céu será galardoada através do tribunal de Cristo
(Rm 14:10; II Co 5:10), seguido pelo banquete das bodas do cordeiro (Ap 19:7, 9).
Para que todo o propósito espiritual que existe entre Cristo e Sua igreja possam se
cumprir, é necessário que haja um arrebatamento, ou seja, que o noivo venha buscar sua
noiva para consumar esta união, de outro modo outros ensinos como os mencionados
acima perderiam todo o valor. Portanto o arrebatamento é necessário para que a igreja
seja glorificada
B. Galardoar os Crentes em Jesus que já Morreram. Uma característica importante do
arrebatamento é o fato de nele estarem incluídos os crentes que já morreram “porque a
trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis” (I Co 15:52). Com certeza
estes poderiam ser ressuscitados com os demais na grande tribulação (Ap 20:4), porém
receberão um galardão diferenciado juntamente com toda a igreja viva.
C. Livrar a Igreja do Sofrimento da Grande Tribulação. No capítulo anterior
observamos alguns pontos que demonstram que o arrebatamento será antes da grande
tribulação, isto porque não é aceito pelas Escrituras que a igreja passe por este juízo.
Existem três juízos a que o cristão é submetido:
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.brESCATOLOGIA
62
Seu juízo mediante a morte de Jesus na cruz do calvário (João 12:31-32). Ao crer
na morte vicária de Cristo, a pessoa é submetida a juízo, e porque agora tem a
Cristo como seu advogado (I João 2:1) é absolvido de todos os pecados, sendo
perdoado todo seu passado de incredulidade.
O juízo diário em que o Espírito Santo opera através do processo da santificação. A
este processo podemos chamá-lo de auto-julgamento, ou seja, sendo uma
habitação do Espírito Santo o crente em Jesus não consegue ter uma vida dissoluta
sem que se sinta culpado; sobre isto Paulo diz que: “Porque, se nós nos
julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, quando somos julgados,
somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo”. (I
Co 11:31-32).
Este não é propriamente um juízo, no sentido de ser salvo ou não, representa um
juízo onde os crentes serão submetidos para serem galardoados, cada um
conforme as suas obras. (II Co 5:10).
Se tivermos esta visão percebemos claramente que não resta outro juízo para a
igreja, vemos em Ap 3:10, justamente este aspecto, de que a igreja será poupada de
qualquer juízo que será estabelecido com a vinda da grande tribulação, como vimos
anteriormente a igreja aguarda seu noivo para que ela não sofra as aflições vindouras.
8.2. Quem Será Arrebatado?
“Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão
vivificados em Cristo. Mas cada um por sua ordem: Cristo, as primícias;
depois, os que são de Cristo, na sua vinda” (I Co 15:22-23).
Através da afirmação de Paulo temos a certeza de que somente os “os que são de
Cristo” serão arrebatados, ou seja, sua igreja. Ao tratar do assunto I
Tessalonicenses 4:16-17 ele diz:
“Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo,
e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro;
depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens,
a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.”
Apenas dois grupos, na igreja, que podem ser detectados como sendo participantes
do arrebatamento estes são “os que morreram em cristo” e “os que ficarmos vivos”.
Existem muitas especulações quanto a este fato, pois muitos pensam que pelo
fato de pertencerem a uma igreja isto faz dele um participante do arrebatamento
seja vivo ou morto, o fato é que nos coloca em posição de futuros arrebatados, é a nossa
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
63
condição “estar em Cristo”, ter uma vida de Cristão autêntico, cultivando seu
relacionamento com Jesus. Sobre isto Paulo nos diz:
Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da terra; porque já estais
mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a nossa
vida, se manifestar, então, também vós vos manifestareis com ele em glória. (Cl 3:2-4)
Outro fato importante a ser mencionado é quanto à ressurreição ou não dos salvos
do Antigo Testamento, no entanto devemos separar as coisas, o arrebatamento é para
“os que são de Cristo” e os Judeus não se encontram nessa condição, mesmo estando
salvos os que viveram antes de Jesus só serão ressuscitados na ressurreição que está
expressa em Ap 20:4 entendemos que o arrebatamento é um tratar de Deus para com a
igreja e difere do plano que Deus tem para Israel. Voltaremos a tratar do assunto com
mais detalhes em momento oportuno.
8.3. O Momento do Arrebatamento
Jesus em sua primeira encarnação esteve por volta de trinta e três anos na terra,
sendo que apenas três, realizando a sua obra, após sua morte e ressurreição a igreja inicia
uma nova expectativa, a do aparecimento do Senhor para arrebatar a igreja da terra. Uma
pergunta nos vem, como será este momento? Paulo nos explica que seremos chamados
por ele “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e
com a trombeta de Deus” (I Ts 4:16), neste momento os mortos em Cristo
ressurgirão “e os mortos ressuscitarão incorruptíveis” (I Co 15:52), seguindo os
mortos que ressuscitaram, nós “os que ficarmos vivos, seremos arrebatados
juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos
sempre com o Senhor” (I Ts 4:17).
Quanto à duração deste evento, em I Co 15:52 Paulo diz que “será num momento,
num abrir e fechar de olhos” no original grego é: én atomo én ripe oftalmou, o termo
átomo significa algo que não pode ser dividido, muito bem traduzido por “um momento”,
ripe significa pulsação, batida, uma batida de olho ou um piscar de olho. Aqui vemos que
o tempo necessário para que tudo o que envolve o arrebatamento aconteça é mínimo, não
há como medir senão comparando a um piscar de olhos. Daí o motivo de devermos estar
sempre em comunhão com o Senhor. Paulo nos informa que o arrebatamento em si é o
grito de vitória da igreja, que agora não sofrerá mais o dano da morte nem da dor, pois o
noivo veio consumar a vitória da igreja sobre a morte e o inferno. (I Co 15:53-54).
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
64
AULA
09
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
65
9 - HISTÓRIA DA DOUTRINA DA SEGUNDA
VINDA
Aquilo que toda a Escritura almeja e para o que toda a história aponta é a segunda
vinda do Senhor Jesus Cristo a este mundo. Nesse momento serão cumpridos os
propósitos de Deus pelos quais Seu Filho veio ao mundo. A redenção terá sido realizada e a
soberania terá sido manifesta na terra. Grande quantidade de profecias está relacionada a
essa vinda e aos acontecimentos a ela associados.
Os intérpretes bíblicos dividem-se em várias escolas diferentes quanto à questão das
doutrinas do quiliasmo. A questão do quiliasmo, por muito tempo considerada sem
importância no campo dos estudos bíblicos e da interpretação das Escrituras, passou a ser
encarada como uma das principais doutrinas dado o seu efeito determinante em todo o
domínio da teologia.
Quiliasmo, assim chamado a partir do termo grego [...] [chilioi] — com o significado
de "mil"— refere-se em sentido gerai à doutrina da era milenar ou do reino que ainda há
de ser e, como citado na Enciclopédia britânica (14.a ed., s.v.), é "a crença de que Cristo
retornará para reinar por mil anos...". A característica dessa doutrina é que Ele retornará
antes dos mil anos e conseqüentemente caracterizará esses anos por Sua presença e pelo
exercício de Sua justa autoridade, assegurando e sustentando na terra todas as bênçãos
destinadas para esse período.
O termo quiliasmo tem sido substituído pela designação pré-milenarismo; e [...] há
mais implícito no termo do que mera referência a mil anos. São mil anos interpostos entre
a primeira e a segunda ressurreição da humanidade [...] Nesses mil anos [...] todas as
alianças com Israel serão cumpridas [...] Toda a expectativa do Antigo Testamento está em
jogo, com seu reino terreno, a glória de Israel e a promessa do Messias sentado no trono
de Davi em Jerusalém. (Lewis Sperry CHAFER, Systematic theology, iv, p. 264-5).
9.1. As Concepções sobre o Secundo Advento
Ao longo da história verificam-se quatro opiniões principais sobre o segundo advento
de Cristo.
A. A Posição Não-literal ou Espiritualizada. A opinião não-literal nega que haverá um
retornoliteral, corporal e pessoal de Cristo à terra. Walvoord resume essa posição:
Uma opinião moderna comum sobre o retorno do Senhor é a chamada posição
espiritual que identifica o retorno de Cristo como um perpétuo progresso de Cristo na
igreja, incluindo muitos acontecimentos específicos. William Newton Clarke, por exemplo,
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
66
defendia que as promessas da segunda vinda são cumpridas pela "Sua presença espiritual
com o Seu povo", o que é introduzido pela vinda do Espírito Santo no Pentecostes,
acompanhado pela destruição de Jerusalém e, finalmente, cumprido pelo contínuo avanço
espiritual na igreja. Em outras palavras, não se trata de um acontecimento, mas de todos
os acontecimentos da era cristã que constituem a obra de Cristo. [Esse aspecto] [...] é
defendido por muitos liberais de nossos dias. (John F. WALVOORD, The millennial issue in
modern theology, Bibliotheca Sacra, 106 Aí, Jan. 1948)
Essa opinião vê o segundo advento cumprido na destruição de Jerusalém, ou no dia
de Pentecostes, ou na morte do crente, ou na conversão do indivíduo, ou em qualquer
transição na história ou experiência individual. Sua controvérsia é se haverá um segundo
advento literal. Não é necessário dizer que essa visão se baseia na descrença da Palavra de
Deus ou no método espiritualizante de interpretação.
B. A posição Pós-milenarista. A posição pós-milenarista, popular entre os teólogos
aliancistas do período pós-Reforma, defende, segundo Walvoord: “...que, através da
pregação do evangelho, todo o mundo será cristianizado e submetido ao evangelho antes
do retorno de Cristo. O nome deriva do fato de que nessa teoria Cristo retorna depois do
milênio (logo, pós-milênio)”.
Os partidários dessa visão defendem um segundo advento literal e acreditam num
milênio literal, geralmente seguindo o ensino do Antigo Testamento quanto à natureza
desse reino. Sua controvérsia é a respeito de questões como quem instituirá o milênio, a
relação de Cristo com o milênio e a hora da vinda de Cristo em relação a esse milênio.
C. A Posição Amilenarista. A opinião amilenarista defende que não haverá um milênio
literal na terra após o segundo advento. Todas as profecias a respeito do reino estão sendo
cumpridas espiritualmente pela igreja no período entre os dois adventos. Com respeito a
essa opinião foi declarado:
Seu caráter mais geral é a negação do reinado literal de Cristo na terra. Imagina-se
que Satanás tenha sido preso na primeira vinda de Cristo. A presente era, entre o primeiro
e segundo advento, é o cumprimento do milênio. Seus seguidores diferem entre o
cumprimento do milênio na terra (Agostinho) ou o cumprimento pelos santos no céu
(Warfield). Pode-se resumir isso na idéia de que não haverá mais milênio do que há agora,
e que o estado eterno se segue imediatamente à segunda vinda de Cristo. Essa teoria
assemelha-se ao pós-milenarismo quando afirma que Cristo virá depois do que eles
consideram ser o milênio.
Sua controvérsia é quanto à questão de um milênio literal para Israel ou quanto ao
fato de promessas sobre o milênio estarem ou não sendo cumpridas agora na igreja, seja
na terra, seja no céu.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
67
D. A Posição Pré-milenarista. A posição pré-milenarista defende que Cristo retornará
ao mundo, literal e corporalmente, antes de começar a era milenar; e, por Sua presença,
será instituído um reino sobre o qual Ele reinará. Nesse reino todas as alianças de Israel
serão literalmente cumpridas. O reino continuará por mil anos e, depois disso, o Filho dará
o reino ao Pai e se fundirá com Seu reino eterno. A questão principal sobre essa posição é
se as Escrituras estão sendo cumpridas de forma literal ou simbólica.
Na verdade essa é a parte essencial de toda a questão. Allis, zeloso amilenarista,
admite: "... As profecias do Antigo Testamento, se interpretadas literalmente, não podem
ser consideradas cumpridas ou possíveis de ser cumpridas na presente era". (Oswald T.
ALLIS, Prophecy and the church, p. 238) Não é exagero dizer que as questões que dividem
essas quatro posições só podem ser resolvidas se definirmos o problema do método de
interpretação a ser empregado.
9.2. A Doutrina do Segundo Advento na Igreja Primitiva
Concorda-se, em geral, que a igreja dos séculos que imediatamente se seguiram ao
período apostólico tinha uma opinião pré-milenarista a respeito do retorno de Cristo. Allis,
amilenarista, diz:
Cria-se amplamente [no pré-milenarismo] na igreja primitiva, embora não se possa
dizer com certeza com que amplitude. Mas o realce que muitos de seus defensores davam
às recompensas terrenas e aos prazeres carnais provocou grande oposição; e ele foi quase
completamente substituído pela posição "espiritual" de Agostinho. Reapareceu sob formas
extravagantes por ocasião da Reforma, notadamente entre os anabatistas.
Bengel e Mede estiveram entre os primeiros estudiosos de distinção da atualidade a
defendê-lo. Mas não foi senão no início do século passado que ele passou a influenciar na
atualidade. Desde então, tornou-se cada vez mais popular, e muitas vezes se ouve a
declaração de que a maioria dos líderes evangélicos na igreja de hoje é pré-milenarista.
Whitby, geralmente considerado o fundador do pós-milenarismo, escreve:
“A doutrina do milênio, ou reino dos santos na terra por mil anos, é agora rejeitada
por todos os católicos romanos e pela maioria dos protestantes; mesmo assim, foi
considerada pelos melhores cristãos, por 250 anos, uma tradição apostólica; e, como tal, é
apresentada por muitos pais do segundo e do terceiro século, que falam dela como a
tradição do nosso Senhor e Seus apóstolos e de todos os antigos que viveram antes deles,
que nos contam as próprias palavras nas quais ela lhes foi entregue, as Escrituras que eram
assim interpretadas então, e dizem que ela foi mantida por todos os cristãos que eram
exatamente ortodoxos. Ela foi recebida não apenas nas partes orientais da igreja, por
Papias (na Frígia), Justino (na Palestina), mas por Ireneu (na Gália), Nepo (no Egito),
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
68
Apolinário, Metódio (no Oeste e no Sul), Cipriano, Vitorino (na Alemanha), Tertuliano (na
África), Lactâncio (na Itália) e Severo, e pelo Conselho de Nicéia (c. 323 d.C.).” (Ap. G. N. H.
PETERS, Theocratic kingdom, i, p. 482-3).
O fato de tais concessões serem feitas por oponentes do pré-milenarismo deve-se
apenas ao fato de que a história relata que essa foi a crença universal da igreja por 250
anos após a morte de Cristo. Schaff escreve: O ponto mais marcante da escatologia da era
pré-nicena é a proeminência do quiliasmo, ou milenarismo, que é a crença num reinado
visível de Cristo em glória na terra com os santos ressurrectos por mil anos, antes da
ressurreição geral e do juízo. Essa certamente não foi a doutrina da igreja incorporada a
algum credo ou forma de devoção, sendo antes uma posição amplamente aceita por
mestres ilustres. (Philip SCHAFF, History of the Christían church, II, p. 614)
Harnack diz: “A doutrina do segundo advento de Cristo e do reino aparece tão cedo,
que cabe perguntar se não deveria ser considerada parte essencial da religião cristã.”
9.3. Defensores do Pré-milenarismo no Primeiro Século
André, Pedro, Filipe, Tomé, Tiago, João, Mateus, Aristio, João, o Presbítero — todos
esses são citados por Papias, que, segundo Ireneu, ouviu João pessoalmente e foi amigo de
Policarpo[...] Essa referência aos apóstolos concorda com os fatos que temos provado: a)
os discípulos de Jesus tinham uma visão judaica sobre o reino messiânico na primeira parte
desse século, e b) em vez de descartá-lo, eles o ligavam ao segundo advento.
Em seguida,
Clemente de Roma (Fp 4.3), que viveu de 40 a 100 d.C. aproximadamente;
Barnabé, cerca de 40-100 d.C.;
Hermas, de 40 a 140 d.C.;
Inácio, bispo de Antioquia, que morreu na perseguição ordenada por Trajano,
cerca de 50 a 115 d.C.;
Policarpo, bispo de Esmírna, discípulo de João, que viveu entre cerca de 70 e 167
d.C.;
Papias, bispo de Hierápolis, viveu de 80 a 163 d.C.;
Por outro lado, não podemos apresentar nenhum nome que 1) possa ser citado como
categoricamente contrário à nossa posição, ou 2) possa ser citado como alguém que
ensinou, sob qualquer forma ou sentido, a doutrina de nossos oponentes.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
69
9.4. Defensores do Pré-milenarismo no Segundo Século
Potino, um mártir, 87-177 d.C.;
Justino Mártir, cerca de 100-168 d.C.;
Melito, bispo de Sardes, cerca de 100-170;
Hegísipo, entre 130-190 d.C.;
Taciano, entre 130-190;
Ireneu, um mártir,cerca de 140-202;
As igrejas de Viena e Lion;
Tertuliano, cerca de 150-220 d.C.;
Hipólito, entre 160-240 d.C.
Novamente, nenhum escritor sequer pode ser apresentado, nem mesmo um nome
pode ser mencionado dentre os citados que se tenha oposto ao quiliasmo nesse século [...]
Que o estudioso reflita sobre isso: aqui estão dois séculos [...] nos quais nenhuma oposição
direta surge contra a doutrina, mas ela é mantida pelos mesmos homens, líderes os mais
eminentes, por meio dos quais acompanhamos a história da igreja. O que devemos
concluir? 1) Que a fé comum da igreja era quiliástica, e 2) que tal generalidade e unidade
de crença só poderia ter sido introduzida [...] pelos fundadores da igreja e pelos
presbíteros nomeados por eles.
9.5. Defensores do Pré-milenarismo no Terceiro Século
Cipriano, cerca de 200-258 d.C.;
Cômodo, de 200-270 d.C.;
Nepo, bispo de Arsinoe, cerca de 230-280 d.C.;
Corácio, cerca de 230-280 d.C.;
Vitorino, cerca de 240-303 d.C.;
Metódio, bispo de Olimpo, cerca de 250-311 d.C.;
Lactâncio [...] de 240-330 d.C.
Embora o testemunho de todos os homens citados acima não seja sempre
igualmente claro, alguns deles falaram inequivocamente da posição pré-milenarista.
Clemente de Roma escreveu: “Verdadeiramente, logo Sua vontade será cumprida
como as Escrituras também testemunham, dizendo "Certamente venho sem demora" e
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
70
"De repente virá ao seu templo o Senhor, a quem vós desejais, o Santo". (Ap. Charles C.
RYRIE, The basis of the premilennial faith, p. 20.).
Justino Mártir, em seu Diálogo com Trifo, escreveu: “Mas eu e qualquer um que
somos em todos os aspectos cristãos decididos sabemos que haverá a ressurreição dos
mortos e mil anos em Jerusalém, que será então construída, adornada e aumentada, como
declararam os profetas Ezequiel e Isaías.”
E, ainda mais, certo homem chamado João, um dos apóstolos de Cristo, previu por
uma revelação que foi feita a ele que os que cressem em nosso Cristo passariam mil anos
em Jerusalém e, depois disso, a ressurreição geral, ou, para ser breve, a eterna
ressurreição e julgamento de todos os homens também ocorrerá.
Ireneu, bispo de Lion, apresenta uma escatologia bem desenvolvida quando escreve:
“Mas quando esse anticristo tiver devastado todas as coisas neste mundo, ele reinará por
três anos e seis meses e sentará no templo em Jerusalém; então o Senhor virá do céu
entre as nuvens, na glória do Pai, mandando esse homem e os que o seguiram para o lago
de fogo; mas trazendo para os justos o tempo do reino, quer dizer, o descanso, o sagrado
sétimo dia; e restaurando a herança prometida de Abraão, na qual o Senhor declarou que
"muitos vindos do leste e oeste sentarão com Abraão, Isaque e Jacó...". A bênção prevista,
então, pertence sem dúvida à época do reino, quando os justos reinarão depois de sua
ressurreição.”
Tertuliano soma o seu testemunho quando diz: “Mas nós confessamos que um reino
sobre a terra nos é prometido, apesar de antes do céu, apenas em outro estado de
existência; visto que ele acontecerá depois da ressurreição, por mil anos na divinamente
construída cidade de Jerusalém.”
De acordo com Justino e Ireneu, existiam “...três classes de homens: 1) Os hereges,
que negavam a ressurreição da carne e o milênio. 2) Os verdadeiramente ortodoxos, que
afirmavam a ressurreição e o reino de Cristo na terra. 3) Os crentes, que concordavam com
os justos e mesmo assim esforçavamse para alegorizar e transformar em metáfora todas
as passagens que apontam para o próprio reinado de Cristo, e que tinham opiniões em
concordância com aqueles hereges que negavam, não com os ortodoxos, que afirmavam,
esse reinado de Cristo na terra.” (Daniel WHITBY, Treatise on the millennium, ap. Peters,
op. cit., I, p. 483).
Justino evidentemente reconhecia o pré-milenarismo como "o critério de uma
perfeita ortodoxia". Em seu Diálogo com Trifo, em que escreve: "Alguns que são chamados
cristãos mas são ímpios, hereges, ensinando doutrinas que são totalmente blasfemas,
ateístas e tolas", ele mostra que incluiria qualquer um que negasse o pré-milenarismo
nessa categoria, visto que incluiu nela os que negaram a ressurreição, um ensinamento
associado.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
71
Seria seguro concluir com Peters: “Quando examinamos o quadro histórico [...]
somos forçados a concluir que os escritores [...] que insistem na grande extensão do
quiliasmo na igreja apostólica e primitiva estão certamente corretos. Nós,
conseqüentemente, apoiamos os que se expressam como Muncher (Church history, v. 2, p.
415) que "[o quiliasmo] foi recebido universalmente por quase todos os mestres", e (p.
450, 452) o associam, junto com Justino, ao "todo da comunidade ortodoxa... ". (PETERS,
op. cit., i, p. 498).
9.6. Oponentes da Posição Pré-milenarista
O terceiro século dá origem ao primeiro antagonismo declarado quanto à posição
pré-milenarista. Peters resume:
“Nesse século vemos pela primeira vez [...] adversários da nossa doutrina. Qualquer
escritor, desde o período mais antigo até o presente, que apresentou tais listas contra nós,
foi capaz de apenas encontrar esses antagonistas, e nós os apresentamos na sua ordem
cronológica, quando eles se revelaram como adversários. Eles são quatro, mas três deles
eram muito persuasivos para o erro e rapidamente ganharam seguidores [...] O primeiro
nessa ordem foi
Caio (ou Gaio), no início do terceiro século;
Clemente de Alexandria, professor na Escola Catequética de Alexandria, que teve
forte influência (sobre Orígenes e outros) como mestre de 193-220 d.C.;
Orígenes, cerca de 185-254 d.C.;
Dionísio, cerca de 190-265 d.C. Estes são os defensores mencionados como
diretamente hostis ao quiliasmo.”
De acordo com Allis, essa oposição surgiu por causa do "realce que muitos de seus
defensores depositavam sobre as recompensas terrenas e os prazeres carnais [que] [...]
suscitaram ampla oposição contra ele". (ALLIS, loc. cit) Parece mais correto afirmar que
essa oposição surgiu, primeiramente, por causa de dogmas básicos da Escola de
Alexandria, na qual Orígenes se tornou o principal defensor, com enorme influência no
mundo teológico. O método de interpretação por espiritualização propagadopor Orígenes
desencadeou o fim do método literal de interpretação sobre o qual repousava o pré-
milenarismo. Mosheim foi citado para comprovar essa influência de Orígenes.
Mosheim, após declarar "que muitos criam no século anterior, sem ofensa a
ninguém, que o Salvador reinaria mil anos dentre os homens, antes do fim do mundo",
adiciona: "neste século a doutrina milenar tornou-se infame, graças à influência especial
de Orígenes, que a negou veementemente porque ela contradizia suas opiniões" [...] "até a
época de Orígenes, todos os mestres que eram a ela predispostos, a professavam e a
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
72
ensinavam abertamente [...] Orígenes, porém, a atacou ferozmente, pois ela contrariava a
sua filosofia; e, pelo sistema de interpretação bíblica que descobriu, ele deu um sentido
diferente aos textos bíblicos dos quais os defensores dessa doutrina dependiam" [...]
No terceiro século a reputação dessa doutrina declinou; primeiro no Egito, pela
influência de Orígenes [...] e mesmo assim ela não pôde ser exterminada definitivamente:
ainda tinha defensores respeitáveis. Mosheim prossegue em vários lugares mostrando
como, por um sistema de interpretação filosofizante e extremamente agressivo, o qual
começou "desprezivelmente a perverter e torcer todas as partes dos oráculos divinos que
se opunham ao seu dogma ou noção filosófica", a interpretação literal foi definitivamente
esmagada. Ele então contrasta a interpretação adotada pelos dois sistemas: "Ele
(Orígenes) desejava desprezar o sentido literal e visível das palavras, e queria que se
buscasse um sentido secreto, que repousava, escondido, num envoltório de palavras. Os
defensores de um reino terrestre de Cristo, por sua vez, firmavam sua causa unicamente
no sentido natural e próprio de certas expressões bíblicas".(PETERS, op. cit., i, p. 500)
A oposição veio pelo surgimento de falsas doutrinas que mudaram o pensamento
teológico.
O gnosticismo [...] bem cedo começou a prevalecer e, embora todas as doutrinas do
cristianismo tivessem sofrido em maior ou menor medida essa influência deteriorante, a
doutrina do reino tornou-se, sob suas manipulações maleáveis, muito diferente da
doutrina bíblica da igreja primitiva [...] ela atacou violentamente o parentesco prometido
do Filho do Homem como Filho de Davi [...] Ascetismo, a crença na corrupção inerente da
matéria [...] era antagônica a ele [...] Docetismo [...] que negava a realidade do corpo
humano de Jesus, o Cristo, fechou efetivamente todo acesso a um entendimento do reino,
espiritualizando não apenas o corpo, mas tudo mais que se relacionasse a Ele como
Messias [...] Para conciliar as tendências opostas, surgiu outro próspero grupo, que
presumia que a razão ocupava a posição de juiz, e pelas deduções da razão instituiu uma
via media entre as duas, retendo algo do gnosticismo e do quiliasmo, no que diz respeito à
interpretação, mas também espiritualizando o reino, numa aplicação à igreja.
A continuidade do judaísmo, religião que começara no período apostólico e se
fortalecera, fomentou crescente inimizade entre judeus e gentios cristãos. Tal
antagonismo levou, por fim, à rejeição do milênio por ser ele "judaico".
“...os gentios cristãos, na sua hostilidade para com o judaísmo, que buscava impor
seu legalismo e ritualismo, finalmente foram levados a tal extremo que [...] tudo que em
sua opinião tinha sabor de judaísmo foi jogado fora, incluindo, é claro, a crença judaica, há
muito esposada, de um reino.”
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
73
A união da igreja com o estado sob Constantino provocou a morte da esperança
milenar. Smith, depois de declarar que "o intervalo entre a era apostólica e a de
Constantino tem sido chamado período quiliástico da interpretação apocalíptica", diz:
“Imediatamente após o triunfo de Constantino, os cristãos, que se livraram da
opressão e da perseguição e se tornaram autoritários e prósperos, começaram a perder
sua expectativa ativa da rápida vinda do Senhor e o conceito espiritual do Seu reino, e
passaram a contemplar a supremacia temporária do cristianismo como cumprimento do
reino prometido de Cristo na terra. O Império Romano, transformado num império cristão,
deixou de ser considerado objeto de denúncia profética, mas o cenário de um
desenvolvimento milenar. Essa opinião, todavia, foi logo confrontada pela interpretação
figurada do milênio como o reino de Cristo no coração de todos os crentes verdadeiros.”
(Ap. PETERS, op. cit., i, p. 505).
A supressão dos escritos dos pais da igreja pelos que se opunham à sua posição,
visando a minimizar sua contínua influência, reduziu o realce desse ensinamento central e
começou a obliterar a importância que a esperança iminente tinha na vida e nos escritos
deles.
“A influência de Agostinho, que contribuiu mais para o pensamento teológico que
qualquer outro indivíduo entre Paulo e a Reforma, e por meio de quem o amilenarismo foi
sistematizado e o sistema romanista obteve sua eclesiologia, foi fator fundamental na
cessação do pré-milenarismo. O aumento do poder da Igreja Romana, que ensinava ser ela
o reino de Deus na terra e ser seu líder o vigário de Deus na terra, foi fator de significativa
importância. É de extremo interesse ressaltar os métodos usados pelos oponentes da
opinião prémilenarista para contrariar esse ensinamento. Gaio e Dionísio foram os
primeiros a duvidar da genuína inspiração do livro de Apocalipse, pois evidentemente se
supunha que o recurso ao livro [...] não poderia ser abandonado. A rejeição do sentido
literal e sua substituição por figuras ou alegorias, que efetivamente modificaram a aliança
e a profecia. Trechos do Antigo Testamento que ensinavam literalmente a doutrina
tiveram sua inspiração profética desacreditada [...] A aceitação de todos os trechos
proféticos, e o que não podia ser alegorizado e aplicado à igreja tinha o seu cumprimento
relegado ao céu [...] Fazer com que promessas dadas diretamente aos judeus como nação
fossem consideradas condicionais na sua natureza ou meramente típicas das bênçãos
desfrutadas pelos gentios.”
Devemos observar que a oposição ao pré-milenarismo surgiu daqueles que eram
marcados pela descrença, cujas doutrinas, em geral, tinham sido condenadas pelos crentes
através da história da igreja; assim, opunham-se ao pré-milenarismo não porque não fosse
bíblico, mas porque contradizia suas próprias filosofias e métodos de interpretação.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
74
9.7. A Ascensão do Amilenarismo
Com a contribuição de Agostinho ao pensamento teológico, o amilenarismo ganhou
destaque. Embora Orígenes tenha estabelecido os fundamentos ao fixar o método não-
literal de interpretação, foi Agostinho quem sistematizou a visão não-literal do milênio no
que agora conhecemos como amilenarismo.
A importância de Agostinho. O relacionamento entre Agostinho e toda a doutrina
amilenarista foi apresentado por Walvoord:
Seu pensamento não apenas cristalizou a teologia que o precedera, mas estabeleceu
a base de ambas as doutrinas, católica e protestante. B. B. Warfield, citando Harnack,
refere-se a Agostinho como "incomparavelmente o maior homem que a igreja possuiu,
'entre o apóstolo Paulo e Lutero, o reformador'". Embora a contribuição de Agostinho
tenha sido principalmente reconhecida nas áreas da doutrina da igreja, da hamartiologia,
da doutrina da graça e da predestinação, também é um marco significativona história
antiga do amilenarismo.
A importância de Agostinho para a história do amilenarismo deriva de duas razões.
1. Primeiro, não existiram expoentes aceitáveis do amilenarismo antes de Agostinho
[...] Antes dele, o amilenarismo associava-se às heresias produzidas pela escola
teológica alegorista e espiritualista de Alexandria, que não apenas se opunha ao
pré-milenarismo, mas subvertia qualquer exegese literal das Escrituras [...]
2. O segundo motivo da importância do amilenarismo agostiniano é que seu ponto
de vista se tornou a doutrina dominante na igreja romana e foi adotado com
variações pela maioria dos reformadores protestantes, juntamente com muitos
outros de seus ensinamentos. Os escritos de Agostinho, na verdade, causaram o
abandono do prémilenarismo pela maior parte da igreja organizada. (WALVOORD,
op. cit., 206:420-1).
A opinião de Agostinho sobre a questão quiliástica. Em sua famosa obra, A cidade de
Deus, Agostinho lançou a idéia de que a igreja visível era o reino de Deus na terra. Peters
comenta a respeito da importância dessa obra:
Talvez não tenha surgido nenhuma obra que tivesse tão forte e avassaladora
influência contra a antiga doutrina como A cidade de Deus, de Agostinho. Esse livro foi
escrito especificamente para ensinar a existência do reino de Deus na igreja simultânea ou
paralela ao reino terrestre ou humano.(PETERS, op. cit., i, p. 508)
Dessa eclesiologia básica, que interpreta a igreja como o reino, Agostinho
desenvolveu sua doutrina do milênio, resumida por Allis como se segue:
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
75
Ele ensinou que o milênio deve ser interpretado espiritualmente como cumprido pela
igreja. Defendia que o aprisionamento de Satanás ocorreu durante o ministério terreno do
nosso Senhor (Lc 10.18), a primeira ressurreição é o novo nascimento do cristão (Jo 5.25) e
o milênio deve corresponder, conseqüentemente, ao período entre os adventos ou era da
igreja. Isso implicava a interpretação de Apocalipse 20.1-6 como uma "repetição" dos
capítulos anteriores e não uma referência à nova era que seguiria cronologicamente os
acontecimentos demonstrados no capítulo 19. Vivendo na primeira metade do primeiro
milênio da história da igreja, Agostinho naturalmente entendeu de modo literal os mil anos
de Apocalipse 20 e esperava que a segunda vinda ocorresse no final daquele período. Mas,
por ter identificado o milênio de maneira incoerente com o que restava do sexto quiliasmo
da história humana, ele acreditava que esse período deveria terminar por volta de 650 d.C.
com uma grande explosão de maldade, a revolta de Gogue, seguida da vinda de Cristo em
juízo. (ALLIS, op. cit., p. 3)
Desse modo Agostinho fez várias afirmações que moldaram o pensamento
escatológico:
Negou que o milênio seguiria a segunda vinda,
Defendeu que o milênio ocorreria no período entre os adventos e
Ensinou que a igreja é o reino e não haveria cumprimento literal das promessas
feitas a Israel.
Essas interpretações formaram o núcleo central do sistema escatológico que
dominou o pensamento teológico por séculos. O fato de a história ter provado que Satanás
não foi aprisionado, que não estamos no milênio, experimentando tudo o que foi
prometido aos que nele entrassem, e que Cristo não retornou em 650 d.C. foi insuficiente
para dissuadir os defensores desse sistema. A despeito de seu óbvio fracasso, ele ainda é
amplamente defendido.
9.8. O Eclipse do Pré-milenarismo
Com a ascensão do romanismo, comprometido com a idéia de que a instituição deste
era o reino de Deus, o pré-milenarismo caiu rapidamente. Auberlen diz:
O quiliasmo desapareceu proporcionalmente à medida que o catolicismo papal
romano avançava. O papado tomou para si, como um roubo, a glória que é objeto de
esperança e só pode ser alcançada pela obediência e humildade da cruz. Quando a igreja
tornou-se meretriz, deixou de ser a noiva que sai para encontrar seu noivo; e assim o
quiliasmo desapareceu. Essa é a profunda verdade que jaz no âmago da interpretação
protestante antipapal do Apocalipse.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
76
Peters observa: “Podemos então citar brevemente como fato evidente que todo o
espírito e alvo do papado é antagônico à perspectiva da igreja primitiva, baseando-se no
cobiçado poder eclesiástico e secular, na ampla jurisdição depositada nas mãos de um
primaz [...] quando se fundou um sistema que decidira que o reinado dos santos já havia
começado — que o bispo de Roma reinava na terra no lugar de Cristo; que a libertação da
maldição só seria cumprida no terceiro céu; que na igreja, como um reino, havia uma
"aristocracia" à qual se devia obedecer sem hesitação; que os anúncios proféticos a
respeito do reino do Messias se cumpriam na predominância, esplendor e riqueza de
Roma; que a recompensa e elevação dos santos não dependia da segunda vinda, mas do
poder depositado no reino presente etc.— foi então que o quiliasmo, tão desagradável e
obnóxio para essas declarações e doutrinas, caiu sob a influência poderosa e penetrante
exercida contra ele.”
Apesar da ascensão do amilenarismo romano, um pequeno remanescente manteve a
posição pré-milenarista. Ryrie cita os valdenses e os paulicianos, junto com os Cátaros, que
mantinham a crença apostólica. (RYRIE, op. cit., p. 27-8) Peters acrescenta os albigenses,
os lollardos, os seguidores de Wiclif e os protestantes boêmios que esposaram a causa
prémilenarista. (PETERS, op. cit., i, p. 521)
9.9. O Quiliasmo desde a Reforma
No próprio período da Reforma, o interesse dos reformadores estava centralizado
nas grandes doutrinas da soteriologia e muito pouca atenção foi dedicada às doutrinas da
escatologia. Os reformadores permaneceram, em sua maioria, na posição de Agostinho,
principalmente porque essa área de doutrina não estava em discussão. Todavia, lançaram-
se alguns fundamentos que abriram o caminho para a ascensão do pré-milenarismo.
Peters escreve:
“... cada um [dos reformadores] registrou sua crença no fato de todo crente dever
estar constantemente ansiando pela segunda vinda, uma vinda rápida, dada a ausência da
futura glória milenar antes da vinda de Jesus, na permanência da igreja num estado
mesclado até o fim, no desígnio divino para a presente dispensação, no princípio de
interpretação adotado, na expansão e na ampliação da incredulidade antes da segunda
vinda, na renovação desta terra etc. — doutrinas em concordância com o quiliasmo. A
simples verdade em referência a eles era esta: que eles não eram quiliásticos, apesar de
ensinarem vários tópicos que materialmente ajudavam a sustentar o quiliasmo.”
O retorno ao método literal de interpretação, no qual se baseou o movimento da
Reforma, lançou novamente a base para o ressurgimento da fé pré-milenarista.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
77
9.10. A Ascensão do Pós-milenarismo
No período pós-Reforma surgiu a interpretação conhecida como pós-milenarismo,
que veio a suplantar, em grande parte, o amilenarismo agostiniano na igreja protestante. A
incapacidade do amilenarismo, como interpretado por Agostinho, de satisfazer os fatos da
história levaram a um novo exame da sua doutrina. O primeiro defensor da posição de que
Cristo retornaria depois do milênio e traria o estado final com o grande julgamento e
ressurreição, segundo Kromminga, (KROMMINGA, op. cit., p. 20) foi Joaquim de Flora,
escritor católico romano do século XII. Walvoord comentaa respeito dele:
Seu ponto de vista é que o milênio começa e continua como o reinado do Espírito
Santo. Ele tinha em vista três dispensações: a primeira de Adão até João Batista, a segunda
começando com João e a terceira com Benedito (480-543), fundador do mosteiro ao qual
pertencia. As três repartições eram respectivamente do Pai, do Filho e do Espírito. Joaquim
previu que em cerca de 1260 o desenvolvimento final ocorreria e a justiça triunfaria.
Durante os séculos XVI e XVII muitos na Holanda defenderam a opinião de que o
milênio era futuro. Coccejus, Alting, os dois Kitringas, d'Outrein, Witsius, Hoornbeek,
Koelman e Brakel são citados por Berkhof como pós-milenaristas.(Louis BERKHOF, Teologia
sistemática, p. 722) Todavia, o pós-milenarismo como sistema é normalmente atribuído a
Daniel Whitby (1638-1726). (A. H. STRONG, Systematic theology, p. 1013) Walvoord
escreve a respeito de Whitby:
O próprio Whitby era um unitário. Seus escritos, particularmente os que tratavam da
divindade, foram queimados em público e ele foi declarado herege. Ele era liberal e livre-
pensador, não confinado pelas tradições ou conceitos passados da igreja. Sua opiniões
sobre o milênio provavelmente nunca teriam sido perpetuadas se não se tivessem
encaixado tão bem no pensamento da época.
A crescente maré de liberdade intelectual, da ciência e da filosofia, juntamente com o
humanismo, tinham aumentado o conceito do progresso humano e retratado um belo
quadro do futuro. A opinião de Whitby da era áurea da igreja era justamente a que o povo
queria ouvir. Ela se ajustava aos pensamentos da época. Não é estranho que teólogos,
buscando reajustar-se a um mundo em transformação, encontrassem em Whitby a chave
para suas necessidades.
Sua doutrina era atraente para todos os tipos de teologia. Fornecia para os
conservadores um princípio aparentemente bem mais operacional de interpretação das
Escrituras. Afinal, os profetas do Antigo Testamento sabiam do que estavam falando
quando previram uma época de paz e de justiça. O conhecimento crescente do homem
sobre o mundo e as melhorias científicas que estavam vindo poderiam encaixar-se nesse
cenário. Por outro lado, o conceito agradou os liberais e céticos. Se eles não acreditavam
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
78
nos profetas, pelo menos acreditavam que o homem era agora capaz de melhorar a si
mesmo e a seu ambiente. Eles também acreditavam que uma era áurea estava por vir.
Esses dois grupos para os quais o pós-milenarismo era atraente — os liberais e os
conservadores— logo desenvolveram dois ensinos diversos.
Um tipo bíblico de pós-milenarismo, que encontrava seu material nas Escrituras e seu
poder em Deus; o tipo de teologia evolucionista ou liberal, que baseava suas evidências na
confiança de que o homem atingiria o progresso por meios naturais. Esses dois sistemas de
crença amplamente distintos têm uma coisa em comum a idéia do progresso e da solução
definitiva para as presentes dificuldades.
O pós-milenarismo tornou-se a posição escatológica dos teólogos que dominaram o
pensamento teológico pelos últimos séculos. As características gerais do sistema podem
ser resumidas desta maneira:
O pós-milenarismo baseia-se na interpretação figurada da profecia, que permite
grande liberdade em encontrar o significado de trechos difíceis — uma amplitude
hermenêutica refletida na falta de uniformidade da exegese pós-milenarista. As profecias
do Antigo Testamento relacionadas ao reino de justiça na terra serão cumpridas no reino
de Deus no período entre os adventos. O reino é espiritual e invisível em vez de material e
político. O poder divino do reino é o Espírito Santo. O trono no qual Cristo sentará é o
trono do Pai no céu. O reino de Deus no mundo crescerá rapidamente, mas com ocasiões
de crise. Todos os meios são usados para apressar o reino de Deus — é o centro da ação
providencial de Deus. A pregação do evangelho e a divulgação dos princípios cristãos
particularmente sinalizam o seu progresso.
A vinda do Senhor é considerada uma série de acontecimentos. Qualquer
intervenção providencial de Deus na situação humana é uma vinda do Senhor. A vinda final
do Senhor é o auge e reside num futuro muito remoto. Não há esperança do retorno do
Senhor no futuro previsível, certamente não nesta geração. O pós-milenarismo, assim
como o amilenarismo, acredita que todos os julgamentos finais de homens e anjos são
essencialmente um único acontecimento que se dará após a ressurreição de todos os
homens antes do estado eterno.
O pós-milenarismo se distingue do pré-milenarismo no que diz respeito ao milênio
como futuro e posterior à segunda vinda. O pós-milenarismo diferencia-se do
amilenarismo pelo seu otimismo, por sua confiança em um triunfo máximo do reino de
Deus no mundo e por seu cumprimento relativo da idéia milenar na terra. Teólogos como
Hodge encontram cumprimento bastante literal para várias profecias, incluindo a
conversão e a restauração de Israel como nação. Outros como Snowden acreditam que o
milênio de Apocalipse 20 se refere ao céu.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
79
O pós-milenarismo não é mais um assunto relevante na teologia. A Segunda Guerra
Mundial levou ao colapso do sistema. Sua queda pode ser atribuída:
à própria fraqueza do pós-milenarismo que, baseado no princípio de
interpretação espiritualista, não era coerente;
à tendência ao liberalismo, que o pós-milenarismo não podia enfrentar por
causa do princípio de interpretação espiritualista;
à incapacidade de acomodar os fatos da história;
à nova tendência para o realismo na teologia e na filosofia, vista, por exemplo,
na neoortodoxia, que admite que o homem é pecador e não pode trazer a nova
era prevista pelo pósmilenarismo e
à nova tendência ao amilenarismo, que nasceu do retorno à teologia reformada
como base da doutrina. O pós-milenarismo não encontra defensores nas
presentes discussões quiliásticas do mundo teológico. * (* Desde a publicação
desta obra em inglês, há 40 anos, novas formas de pósmilenarismo têm surgido,
tanto entre teólogos conservadores quanto entre teólogos liberais. Como
observou Pentecost, no entanto, elas continuam incapazes de explicar a história
e de sobreviver a ela (e.g., a teologia da libertação, cuja ferramenta "pós-
milenarista" era a dialética marxista, que entrou em colapso mundial no final da
década de 1980).
9.11. A Recente Ascensão do Amilenarismo
O amilenarismo tem experimentado grande aumento de popularidade nas últimas
décadas, em boa parte graças ao colapso da posição pósmilenarista, à qual a maioria dos
teólogos seguia. Já que o amilenarismo depende do mesmo princípio de interpretação
espiritualista do pós-milenarismo e vê o milênio como uma era entre os adventos,
antecedendo a segunda vinda, como ocorre no pós-milenarismo, era relativamente
simples para um pós-milenarista voltar-se para a opinião amilenarista.
O amilenarismo hoje é dividido em dois campos.
1. O primeiro, do qual Allis e Berkhof fazem parte, apega-se essencialmente ao
amilenarismo agostiniano, apesar de admitir a necessidade de aprimoramentos.
Essa também é, claramente, a opinião da igreja romana. Ele encontra todos os
cumprimentos das promessas veterotestamentárias concernentes ao reino e suas
bênçãos no governo de Cristo no trono do Pai sobre a igreja, que está na terra.
2. O segundo é o ponto de vista defendido por Duesterdieck e Kliefoth e promovido
nos Estados Unidos por Warfield, que ataca a posição agostiniana de que o reino
Instituto de Teologia Logos – “Preparandocristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
80
seja terrestre, mas vê o reino como o governo de Deus sobre os santos que estão
no céu, fazendo dele um reinado celestial. Walvoord resume esse ponto de vista
da seguinte forma:
3. Um novo tipo de amilenarismo surgiu, contudo, do qual Warfield pode ser
tomado como exemplo. Esse é um tipo totalmente novo de amilenarismo. Allis
atribui a origem desse ponto de vista a Duesterdieck (1859) e Kliefoth (1874) e o
analisa como uma inversão da teoria agostiniana básica de que Apocalipse 20 era
a recapitulação da era da igreja. Essa nova questão, ao contrário, segue a linha de
ensinamento de que o milênio é distinto da era da igreja, apesar de anteceder a
segunda vinda.
Para resolver o problema da correlação dessa interpretação com os duros fatos de
um mundo incrédulo e pecador, eles interpretaram o milênio não como o retrato de um
período, mas como um estado de bênção dos santos no céu. Warfield, com a ajuda de
Kliefoth, define o milênio com estas palavras: "A visão, em uma palavra, é uma visão da
paz daqueles que morreram no Senhor; e essa mensagem nos é transmitida nas palavras
de 14.13: 'Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor' — passagem
da qual aquela que analisamos é certamente apenas uma expansão. O quadro que nos é
apresentado aqui é o do 'estado intermediário' — dos santos de Deus reunidos no céu
longe do ruído confuso e das vestes cobertas de sangue que caracterizam a guerra na
terra, a fim de que eles possam aguardar seu fim seguramente".
Entre os amilenaristas classificados como conservadores, há dois pontos de vista
principais:
1. O que encontra cumprimento na presente era na terra com a igreja;
2. O que encontra cumprimento no céu com os santos.
O segundo, mais que o primeiro, requer espiritualização não apenas de Apocalipse
20, mas de todos os muitos trechos do Antigo Testamento que falam da era áurea do reino
de justiça na terra.
Uma série de motivos pode ser arrolada para a atual popularidade do sistema
amilenarista.
1. E um sistema abrangente, que inclui todas as camadas do pensamento teológico:
protestantismo liberal, protestantismo conservador e católico romano.
2. Com exceção do pré-milenarismo, é a teoria quiliástica mais antiga e,
conseqüentemente, possui a marca da antigüidade.
3. Tem o selo da ortodoxia, uma vez que foi o sistema adotado pelos reformadores e
se tornou a base de muitas profissões de fé.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
81
4. Conforma-se ao eclesiasticismo moderno, com grande ênfase na igreja visível,
que, para o amilenarista, é o centro de todo o plano de Deus.
5. Apresenta um sistema escatológico simples, com apenas uma ressurreição, um
julgamento e muito pouco num plano profético para o futuro.
6. Ajusta-se prontamente às pressuposições teológicas da chamada "teologia
pactuai".
7. Atrai a muitos como uma interpretação "espiritual" das Escrituras em vez de uma
interpretação literal, esta tratada como "conceito carnal" do milênio.
Podemos destacar sete perigos do método amilenarista de interpretação.
1. [...] Ao usar o método de espiritualização das Escrituras, eles as estão
interpretando por um método que seria extremamente destrutivo para a doutrina
cristã, se não fosse limitado à escatologia.
2. Eles não seguem o método de espiritualização em relação à profecia em geral,
mas apenas quando necessário para negar o pré-milenarismo.
3. Justificam o método de espiritualização como um meio de eliminar problemas de
cumprimento profético —o método nasce de uma suposta necessidade, e não
como um produto natural da exegese.
4. Não hesitam em usar a espiritualização em outras áreas além da profecia, caso
isso seja necessário para manter o sistema e a doutrina.
5. Como ilustrado no modernismo atual, quase totalmente amilenarista, a história
prova que o princípio da espiritualização se espalha facilmente para todas as áreas
básicas da verdade teológica [...]
6. O método amilenarista não fornece uma base sólida para um sistema coerente de
teologia. O método hermenêutico do amilenarismo tem justificado igualmente o
Calvinismo conservador, o modernismo liberal e a teologia romana [...]
7. O amilenarismo não surgiu historicamente do estudo das Escrituras, mas pela
negligência em relação a elas.
O efeito do sistema de interpretação amilenarista é agudamente sentido em três
grandes áreas da doutrina.
1. Na área da Soteriologia o amilenarismo é culpado do erro de redução comum à
teologia pactuai, em que um ponto menor é transformado no ponto principal de
um plano, e assim vê todo o plano de Deus como um plano de redenção, de modo
de que todas as eras são variações na revelação progressiva da aliança de
redenção.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
82
2. Na área da Eclesiologia eles vêem todos os santos de todos os tempos como
membros da igreja. Isso deixa escapar as distinções entre os planos de Deus para
Israel e para a igreja, e exige a negação do ensinamento bíblico de que a igreja é
um mistério, não revelado até a presente era. Eles vêem o cumprimento de todo
o plano do reino na igreja, no período entre os adventos, ou então nos santos que
agora estão no céu. Eles não têm um conceito distinto da igreja como o corpo de
Cristo, mas a vêem apenas como uma organização. Essa é uma das diferenças
básicas entre o pré-milenarismo e o amilenarismo.
3. Na área da Escatologia, embora se rejeitem universalmente as interpretações
prémilenaristas, há pouco acordo entre os ramos do amilenarismo. O
amilenarismo liberal nega doutrinas como a ressurreição, o juízo, a segunda vinda,
o castigo eterno e outros assuntos afins. O amilenarismo romano desenvolveu o
esquema do purgatório, do limbo e de outras doutrinas nãobíblicas como parte de
seu sistema. O amilenarismo conservador ainda mantém as doutrinas literais de
ressurreição, juízo, castigo eterno e temas relacionados. E difícil, portanto,
sistematizar a escatologia amilenarista. É nesse campo, todavia, que se percebem
as maiores divergências em relação ao pré-milenarismo e a uma posição bíblica.
9.12. O Ressurgimento do Pré-milenarismo.
Embora os reformadores não tenham adotado a interpretação pré-milenarista das
Escrituras, sem exceção retornaram ao método literal, que é a base sobre a qual repousa o
pré-milenarismo. A aplicação lógica desse método de interpretação logo levou muito dos
escritores do pós-reforma a essa posição. Peters diz:
“... estamos endividados para com umas poucas mentes destacadas por terem
causado o retorno da fé patrística em todas as suas formas essenciais. Entre eles, os
seguintes se destacam: o profundo estudioso bíblico Joseph Mede (1586-1638), na sua
ainda celebrada obra Clavis apocalyptica (traduzida para o inglês) e Exposition on Peter;
Theodore Brightman (1644), Exposition of Daniel and Apocalypse.; J. A. Bengel (teólogo de
vasto saber, 1687-1752), Exposition of the Apocalypse e Addresses; também os escritos de
Theodore Goodwin (1679); Charles Daubuz (1730); Piscator (1646); M. F. Roos (1770);
Alstedius (1643); Cressener (1689); Farmer (1660); Fleming (1708); Hartley (1764); J. J.
Hess (1774); Homes (1654); Jurieu (1686); Maton (1642); Peterson (1692); Sherwin (1665)
e outros (como Conrade, Gallus, Brahe, Kett, Broughton, Marten, sir Isaac Newton,
Whiston etc.)”.
Da influência desses homens surgiu uma corrente de exegetas e expositores que
recuperaram a notoriedade do pré-milenarismo nainterpretação bíblica. Peters alista
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
83
cerca de 360 adeptos dessa posição dentre líderes de onze denominações nos Estados
Unidos, e mais 470 escritores e pastores da Europa que esposaram a causa pré-
milenarista) Dentre eles serão encontrados grandes exegetas e expositores que a igreja
conheceu, como Bengel, Steir, Alford, Lange, Meyer, Fausset, Keach, Bonar, Ryle, Lillie,
Macintosh, Newton, Tregelles, Ellicott, Lightfoot, Westcott, Darby, apenas para mencionar
alguns.
A declaração de Alford, a respeito dos intérpretes do Apocalipse desde a Revolução
Francesa, é pertinente: "A maioria, tanto em número, quanto em perícia e pesquisa, adota
o advento pré-milenarista, seguindo o sentido simples e inegável do texto sagrado".(Henry
ALFORD, Greek Testament, n, p. 350)
Sem dúvida Allis está correto quando diz: “O ensino dispensacionalista de hoje, como
é representado, por exemplo, pela Bíblia de Scofield, pode ser remetido diretamente ao
Movimento dos Irmãos, que surgiu na Inglaterra e na Irlanda em 1830. Seus adeptos são
conhecidos como os Irmãos de Plymouth, porque Plymouth foi o mais forte dos antigos
centros de assembléias dos Irmãos. Também é chamado darbyismo, graças a John Nelson
Darby (1800-82), seu representante mais notável.”
Os estudos bíblicos promovidos por Darby e seus seguidores popularizaram a
interpretação pré-milenarista das Escrituras. Essa tem sido disseminada no crescente
movimento de conferências bíblicas, na propagação de institutos bíblicos, nos muitos
periódicos dedicados ao estudo da Bíblia, e está intimamente associada a todo o
movimento teológico conservador nos Estados Unidos hoje.
Desse modo, a pesquisa histórica revela que a interpretação pré-milenarista,
unanimemente defendida pela igreja primitiva, foi suplantada mediante a influência do
método de alegorização de Orígenes pelo amilenarismo agostiniano, que se tornou o
ponto de vista da igreja romana e continuou a dominar até a Reforma protestante, por
ocasião da qual o retorno ao método literal de interpretação restaurou a interpretação
pré-milenarista. Essa interpretação foi desafiada pelo surgimento do pós-milenarismo, que
começou a tomar forma depois da época de Whitby e continuou presente até seu declínio
após a Primeira Guerra Mundial. Esse declínio promoveu a ascensão do amilenarismo, que
agora compete com o pré-milenarismo como método de interpretação da questão
quiliástica.
9.13. Observações Importantes
Não se pode considerar demasiada a importância atribuída à doutrina do segundo
advento do Senhor Jesus Cristo. Chafer diz:
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
84
O tema geral concernente ao retorno de Cristo tem a rara distinção de ser a primeira
profecia pronunciada pelo homem (Jd 14,15) e a última mensagem do Cristo exaltado, bem
como a última palavra da Bíblia (Ap 22.20,21). Da mesma forma, o tema da segunda vinda
de Cristo é singular pelo fato de ocupar grande parte do texto das Escrituras, mais que
qualquer outro tópico, e ser um tema distinto da profecia no Antigo e no Novo
Testamento. Na verdade, todas as outras profecias contribuem para o grande final do
cenário completo desse acontecimento — a segunda vinda de Cristo. (CHAFER, op. cit., IV,
p. 306)
No que diz respeito à segunda vinda, certos fatos podem ser ressaltados.
A segunda vinda é pré-milenar. O método literal de interpretar as Escrituras,
conforme proposto anteriormente, torna inegável a vinda pré-milenar do Senhor.
A segunda vinda é literal. A fim de cumprir as promessas feitas na Palavra a respeito
de Sua volta (At 1.11), a vinda de Jesus deve ser literal. Isso requer um retorno corporal de
Cristo à terra.
A segunda vinda é inevitável. O grande grupo de profecias que ainda não foram
cumpridas torna a segunda vinda absolutamente inevitável.(Cf. W. E. BLACKSTONE, Jesus ís
coming, p. 24-5) Foi prometido que Ele mesmo virá (At 1.11); os mortos ouvirão sua voz (Jo
5.28); Ele ministrará aos Seus servos vigilantes (Lc 12.37); Ele voltará a este mundo (At
1.11), ao mesmo monte das Oliveiras, de onde ascendeu (Zc 14.4); virá em chama de fogo
(2 Ts 1.8), nas nuvens do céu com grande poder e glória (Mt 24.30; l Pe 1.7; 4.13); Ele se
levantará sobre a terra (Jó 19.25); Seus santos (a igreja) virão com Ele (l Ts 3.13; Jd 14);
todo o olho O verá (Ap 1.7); Ele destruirá o anticristo (2 Ts 2.8); Ele se assentará no Seu
trono (Mt 25.31; Ap 5.13); todas as nações serão reunidas perante Ele para serem julgadas
(Mt 25.32); Ele terá o trono de Davi (Is 9.6,7; Lc 1.32; Ez 21.25-27); esse trono será sobre a
terra (Jr 23.5,6); Ele terá um reino (Dn 7.13,14) e reinará sobre todos os seus santos (Dn
7.18-27; Ap 5.10); todos os reis e nações O servirão (Sl 72.11; Is 49.6,7; Ap 15.4); os reinos
deste mundo se tornarão o Seu reino (Zc 9.10; Ap 11.15); a Ele acorrerão os povos (Gn
49.10); todo o joelho se dobrará diante Dele (Is 45.23); as nações subirão para adorar o Rei
(Zc 14.16; Sl 86.9); Ele edificará Sião (Sl 102.16); Seu trono será em Jerusalém (Jr 3.17; Is
33.20,21); os apóstolos se assentarão em doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel
(Mt 19.28; Lc 22.28-30); Ele governará todas as nações (Sl 2.8,9; Ap 2.27); Ele reinará em
juízo e justiça (Sl 9.7); o templo em Jerusalém será reconstruído (Ez 40-48) e a glória do
Senhor entrará Nele (Ez 43.2-5; 44.4); a glória do Senhor será revelada (Is 40.5); o deserto
se transformará em pomar (Is 32.15); o deserto florescerá como a rosa (Is 35.1,2) e a glória
Lhe será morada (Is 11.10). Todo o plano de aliança com Israel, ainda não cumprido, torna
obrigatória a segunda vinda do Messias à terra. O princípio do cumprimento literal torna o
retorno de Cristo essencial.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
85
A segunda vinda será visível. Várias referências bíblicas reforçam o fato de que a
segunda vinda será uma manifestação do Filho de Deus à terra (At 1.11; Ap 1.7; Mt 24.30).
Assim como o Filho foi publicamente repudiado e rejeitado, Ele será publicamente
apresentado por Deus na segunda vinda. Essa vinda estará associada à visível manifestação
da glória (Mt 16.27; 25.31), pois, no término do juízo e na manifestação da soberania, Deus
será glorificado (Ap 14.7; 18.1; 19.1).
9.14. Exortações Práticas Decorrentes da Segunda Vinda
As Escrituras fazem amplo uso da doutrina da segunda vinda de Cristo como princípio
de exortação. Ela é usada como exortação à vigilância (Mt 24.42-44; 25.13; Mc 13.32-37; Lc
12.35-38; Ap 16.15); à sobriedade (lTs 5.2-6; lPe 1.13; 4.7; 5.8); ao arrependimento (At
3.19-21; Ap 3.3); à fidelidade (Mt 25.19-21; Lc 12.42-44; 19.12,13); a não nos
envergonharmos de Cristo (Mc 8.38); contra o mundanismo (Mt 16.26,27); à moderação
(Fp 4.5); à paciência (Hb 10.36,37; Tg 5.7,8); à mortificação da carne (Cl 3.3-5); à
sinceridade (Fp 1.9,10); à santificação prática (lTs 5.23); à fé ministerial (2Tm 4.1,2); à
obediência às ordens apostólicas (lTm 6.13,14); à diligência e pureza pastoral (lPe 5.2-4); à
pureza (lJo 3.2,3); a permanecermos em Cristo (lJo 2.28); a resistirmos às tentações e às
provações mais severas da fé (lPe 1.7); a suportarmos a perseguição pelo Senhor (lPe
4.13); à santidade e à piedade (2Pe 3.1113); ao amor fraternal (lTs 3.12,13); a
conservarmos em mente nossa cidadania celestial (Fp 3.20,21); a amarmos a segunda
vinda (2Tm 4.7,8); a aguardarmos por Ele (Hb 9.27,28); a confiarmos que Cristo terminará
Suaobra (Fp 1.6); a mantermos a esperança firme até o final (Ap 2.25; 3.11); a renegarmos
a impiedade e as paixões mundanas e a vivermos piedosamente (Tt 2.11-13); a estarmos
alertas por causa da natureza repentina de Sua volta (Lc 17.24-30); a não julgarmos nada
antes do tempo (1 Co 4.5); à esperança de recompensa (Mt 19.27,28). Ela garante aos
discípulos um período de alegria (2 Co 1.14; Fp 2.16; lTs 2.19); conforta os apóstolos na
partida de Cristo (Jo 14.3; At 1.11); é o principal acontecimento aguardado pelo crente (lTs
1.9,10); é uma coroação de graça e uma segurança de estarmos irrepreensíveis no dia do
Senhor (1 Co 1.4-8); é a hora de acertar contas com os servos (Mt 25.19); é a hora de juízo
para os gentios vivos (Mt 25.31-46); é a hora de cumprir o plano de ressurreição dos salvos
(1 Co 15.23); é a hora da manifestação dos santos (2 Co 5.10; Cl 3.4); é uma fonte de
consolação (lTs 4.14-18); está associada à tribulação e ao julgamento dos incrédulos (2 Ts
1.7-9); é proclamada na mesa do Senhor (1 Co 11.26).
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
86
AULA
10
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
87
10 - A IGREJA APÓS O ARREBATAMENTO
No capítulo anterior observamos os principais pontos referentes ao arrebatamento,
neste veremos o que acontecerá com os crentes que agora estão no céu com Jesus.
Dois eventos aguardam a igreja arrebatada ao céu, o Tribunal de Cristo e as Bodas do
Cordeiro. Enquanto na terra acontece a grande tribulação a igreja tem um período de
núpcias com seu noivo.
10.1. O Tribunal de Cristo
Porque ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é
Jesus Cristo. E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata,
pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará; na verdade, o
Dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de
cada um. Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão.
Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como
pelo fogo. I Co 3:11-15
Também chamado de Tribunal de Deus em Rm 14:10 (ARA), o tribunal de Cristo será
o próximo acontecimento para a igreja após o arrebatamento. O texto acima detalha
como será o Tribunal, porém com este titulo é somente encontrado em Romanos 14:10
(RC) e II Co 5:10.
Existem dois termos gregos usados no Novo Testamento para se referir a um tribunal:
A. kriterion (krithrion): O primeiro nome para tribunal encontrado no novo
testamento é kriterion (krithrion), que significa: instrumento ou meios usados para julgar
algo; critério ou regra pela qual alguém julga; 2) lugar onde acontece o julgamento;
tribunal de um juiz; assento dos juízes; 3) assunto julgado, coisa a ser decidida, processo,
caso. (Strong).
Kritérion é usado em I Co 6:2, 4 e Tg 2:6, para se referir julgamento, avaliação para
possível condenação ou absolvição, este termo, como também o traduzido por Juiz, krites
(krithv), têm como raiz a palavra krino (krinw) que significa:
separar, colocar separadamente, selecionar, escolher;
aprovar, estimar, preferir;
ser de opinião, julgar, pensar;
determinar, resolver, decretar;
julgar.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
88
A conclusão a que chegamos é que nas referências em que são usados estes termos
acima citados, não podem descrever ou ser utilizados para se referir ao Tribunal de Cristo.
B. Bema (bhma): este termo é usado em Rm 14:10 e II Co 5:10 para designar o
tribunal de Cristo, Strong define assim:
“um degrau, um passo, o espaço que um pé cobre; 2) um lugar elevado no qual se
sobe por meio de degraus, plataforma, tribuna; assento oficial de um juiz; o lugar de
julgamento de Cristo; Herodes construiu uma estrutura semelhante a um trono na
Cesaréia, do qual ele via os jogos e fazia discursos para o povo.”
Diferente do primeiro, Bema fala do tribunal em si, ou seja, do lugar onde o
julgamento é feito e não do julgamento propriamente dito, também retrata um lugar de
honra, uma tribuna de honra. Sale-Harrison ao comentar sobre o bema, diz:
“Nos Jogos gregos de Atenas, a velha arena tinha uma plataforma elevada na qual na
qual se assentava o presidente ou juiz da arena. Dela ele recompensava todos os
competidores; e lá ele recompensava todos os vencedores. Era chamado bema ou
assento de recompensa. Nunca foi usado em referencia a um assento judicial”.
Concluímos que o tribunal de Cristo não se trata de um julgamento onde os réus
correm o risco de serem condenados, mas sim um “grande evento” onde os crentes em
Jesus receberão suas recompensas.
Não podemos cair no mesmo erro que os Católicos Romanos, usaram esta passagem
para criar o ensino sobre purgatório crendo, então, que este é um tribunal de juízo. Ao
lerem o que Paulo fala a respeito de “salvos como pelo fogo”, dizem que os que não
fizeram o bem necessário para serem salvos, nem o mal necessário para serem
condenados, irão para o purgatório esperar um julgamento posterior que poderá lhes dar
uma segunda chance. Para amenizar sua pena no purgatório e ir mais rápido para o céu, o
réu pode contar com ajuda dos vivos através de velas, missas, orações, indulgências etc.
10.2. Como Será o Tribunal de Cristo
Quando em II Co 5:10 Paulo diz que “todos devemos comparecer” diante deste
tribunal, e este “comparecer” no grego é phaneroo (fanerow), que significa :tornar
manifesto ou visível ou conhecido o que estava escondido ou era desconhecido,
manifestar, seja por palavras, ou ações, ou de qualquer outro modo. (Strong) Isto
quer dizer muito mais que comparecer, nós seremos manifestos. Cristo revelará
publicamente a essência de nossas obras, “a obra de cada um se manifestará” (I Co 3:13),
e isto de maneira individual, um por um.
De um modo geral divide-se as obras em dois grupos, de acordo com os materiais
usados por Paulo em I Co 3:12-13:
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
89
“Se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras
preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará: na verdade o dia a
declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada
um”.
A. O Grupo das Obras Destrutíveis: Madeira, Feno e Palha. Todos este materiais
apresentados por Paulo são totalmente destruídos quando lançados ao fogo, e o paralelo
que ele faz é justamente esse, pois ele mesmo nos diz que “o fogo provará qual seja a
obra de cada um”.Obras feitas sem a devida sinceridade, praticadas para a própria glória,
nunca passarão pelo fogo revelador, porém é importante ressaltar que a avaliação do
tribunal não julgará as obras como sendo boas e más, mas sim como sendo úteis e inúteis,
também é bom lembrarmos que o propósito central do bema de Cristo não é humilhar ou
envergonhar os salvos, e sim galardoa-los.
B. O Grupo das Obras Indestrutíveis: Ouro, Prata e Pedras Preciosas. O fundamento
do edifício é o próprio Jesus Cristo, e por isso mesmo se deve usar materiais, que condigam
com este fundamento. Este grupo fala das obras produzidas pela direção do Espírito de
Deus, feitas com sinceridade e sem nenhuma pretensãode vanglória, o fogo trará a tona o
que realmente é verdadeiro em nossas obras, e é sobre o que restar, e se restar algo, que
seremos galardoados.
Quanto à recompensa, parece-nos sensato pensar que ela será uma coroa, devido a
representação da igreja pelos 24 anciãos em Ap 4, estes usavam coroas que no grego é
stephanos, este termo era usado para se referir as coroas ou guirlandas que os vitoriosos
em jogos olímpicos recebiam como prêmio (I Co 9;24-25).
10.3. Bodas do Cordeiro
“Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória, porque vindas são as
bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou. (...) disse-me: Escreve: Bem-
aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E disse-me: Estas
são as verdadeiras palavras de Deus.” (Ap 19:7, 9).
Uma das mais importantes metáforas a respeito da igreja com certeza é a de
apresenta-la como “noiva”. Existem outras muito usadas e importantes que apresentam
como “corpo de Cristo” e “rebanho”, porém a metáfora de noiva nos parece ser a mais
atraente e define melhor o relacionamento entre Cristo e sua igreja. João batista
apresentou Jesus como o noivo e ele sendo apenas o amigo que se alegrava em ver a sua
alegria (João 3:29). Paulo também usa a metáfora para falar a respeito da vida conjugal,
fortalecendo seu ensino com o exemplo de Jesus, que amou sua igreja (noiva) e deu a vida
por ela (Ef 5:21-29). Nos versículos acima vemos o João, o apóstolo, usando para falar do
momento da celebração da união de Cristo com sua amada igreja.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
90
“As bodas do Cordeiro” serão realizadas no céu, já que é lá que a igreja se encontra
após o arrebatamento, será também após o tribunal de Cristo, e isto pode ser visto pelas
vestes que a “igreja usa” quando é apresentada ao noivo (Jesus) representando a justiça
confirmada pela avaliação do tribunal (Ap 19:8).
Vemos que esta união no céu revela a importância deste evento, pois, para
um judeu, existem três acontecimentos significativos na vida, que são: o
nascimento, o casamento e o dia da morte, sendo que dentre todos o casamento é o mais
importante, já que para um judeu um homem só realmente é considerado como tal,
quando se casa e forma uma família. Por isso vemos o casamento ser usado com
abundância no Velho Testamento, falando do relacionamento entre Deus e Israel (Jr
3:20; Ez 16:32, 45; Os 2:2, 16); no Novo Testamento, Jesus usa para falar sobre a rejeição
dos judeus ao evangelho (Mt 22:1-14), para alertar quanto à vigilância devido sua futura
vinda (Mt 25:1-13) entre outros, porque era algo que os Judeus entendiam muito bem e
sabiam a responsabilidade que era ser noiva, seja esta noiva Israel ou a igreja.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
91
AULA
11
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
92
11 - A GRANDE TRIBULAÇÃO
A grande tribulação com certeza é o assunto mais discutido na doutrina da
escatologia bíblica, é também o que apresenta maiores dificuldades de interpretação com
respeito a acontecimentos e profecias que devem ser cumpridas no período tribulacional;
portanto devemos ter grande atenção, devido sua importância dentro das Escrituras,
tanto no Velho quanto no Novo Testamento.
Como já vimos, a igreja estará isenta de passar por este período de sofrimento nunca
visto na Terra; enquanto no céu a igreja se regozija com o tribunal de Cristo e com as
Bodas do Cordeiro, na terra acontece a grande tribulação.
Devemos saber distinguir os vários tipos de tribulações existentes na Bíblia,
pois nem todos falam a respeito do período tribulacional. Segundo o Dr.Duffiede e
Van Cleave, existem nas Escrituras três tipos de tribulação diferentes:
Aplicada às provações e perseguições que os cristãos sofrerão através de toda a
era da igreja como resultado de sua identificação com Cristo (João 16:33)
Aplicada a um período especial de tribulação para Israel, profetizado por Daniel
(Dn 9:24-27)
Aplicada à ira final de Deus sobre o anticristo e as nações gentias que o seguem,
(Ap 6:12-17), chamada de “grande dia da ira deles”.
11.1. Termos Utilizados Para Tribulação
Diante dos três aspectos de tribulação apresentados, se faz necessário definirmos os
termos utilizados nas Escrituras para se referir à tribulação.
Encontramos quatro substantivos que podem ser traduzidos por tribulação e aflição
entre outros.
A. kakopatheia (kakopayeia): sofrimento que procede do mal, aborrecimento,
angústia, aflição (Strong). Este substantivo é formado de kakos “mau”, e paschõ “sofrer”
(Vine), foi traduzido por “aflição” em Tg 5:10: “Meus irmãos, tomai por exemplo de
aflição e paciência os profetas que falaram em nome do Senhor”. Neste caso o
sentido é de aflições sofridas, sejam angústias, perseguições, aborrecimentos, etc.
Somente é usado neste versículo, e nunca para se referir à grande tribulação.
B. kakosis (kakwsiv): opressão, aflição, maltrato. Somente utilizado em Atos 7:34
“Tenho visto atentamente a aflição do meu povo que está no Egito, e ouvi os seus
gemidos, e desci a livrá-los. Agora, pois, vem, e enviar-te-ei ao Egito”.Aqui indica os
maltrates sofrido por Israel enquanto estava cativo no Egito, também nunca é usado para
indicar a grande tribulação.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
93
C. pathema (payema): aquilo que alguém sofre ou sofreu externamente; sofrimento,
infortúnio, calamidade, mal. Aflição dos sofrimentos de Cristo, também as aflições que
cristãos devem suportar pela mesma causa que Cristo pacientemente sofreu. Este
substantivo geralmente é usado para descrever sentimentos causados por infortúnios
externos, seja a perseguição ou qualquer outra circunstância. É utilizado em Rm 7:5; 8:18;
2 Co 1:5-7; Cl 1:24; 2 Tm 3:11; Hb 2:9-10; 10:32; I Pe 1:11;4:13; 5:1; 5:9.
Todos os termos descritos falam de sofrimentos diversos, sejam externos ou internos,
e retratam apenas as aflições numa esfera meramente humana e cotidiana num sentido
geral, diferente do termo a seguir que é o utilizado para se referir à grande tribulação.
D. thlipsis (yliqiv): literalmente, ato de prensar, imprensar, pressão;
metaforicamente: opressão, aflição, tribulação, angústia, dilemas (Strong). Vine define
como sendo “qualquer coisa que sobrecarrega o espírito”. Thlipsis é derivado de thlibo
(ylibw) que significa: prensar (como uvas), espremer, pressionar com firmeza; caminho
comprimido.
Este é o termo utilizado em Ap 7:14 para se referir à grande tribulação. “E eu disse-
lhe: Senhor, tu sabes. E ele disse-me: Estes são os que vieram de grande tribulação,
lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro”.Também é usado
por Jesus em Mt 24:21, numa referência ao período tribulacional: “porque nesse tempo
haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem
havido e nem haverá jamais”.
11.2. O Dia do Senhor
A doutrina da grande tribulação tem sido discutida em vários ramos da
escatologia bíblica, seja por milenistas ou amilenistas. Nas Escrituras encontramosnão poucas passagens falando de um período de tempo em que Deus traria juízo sobre
Israel e os gentios; este período é chamado de grande tribulação.
Para entendermos melhor este ensino é necessário identificar este período não só no
Novo Testamento, mas também, e principalmente, no Velho Testamento, já que um dos
propósitos é trazer os judeus a uma conversão definitiva.
São fartas a passagens que mencionam o dia do Senhor como também outros nomes
dados ao mesmo acontecimento, onde a principal idéia é de juízo contra o Israel
impenitente. Vejamos alguns nomes dados à grande tribulação no Velho Testamento:
Isaías 13:9 Eis que o dia do SENHOR vem, horrendo, com furor e ira ardente, para
pôr a terra em assolação e destruir os pecadores dela.
Ezequiel 13:5 Não subistes às brechas, nem reparastes a fenda da casa de Israel,
para estardes na peleja no dia do SENHOR.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
94
Joel 2:1 Tocai a buzina em Sião e clamai em alta voz no monte da minha santidade;
perturbem-se todos os moradores da terra, porque o dia do SENHOR vem, ele
está perto.
Isaías 10:3 Mas que fareis vós outros no dia da visitação e da assolação que há
de vir de longe? A quem recorrereis para obter socorro e onde deixareis a vossa
glória,(...)?
Jeremias 46:10 Porque este dia é o dia do Senhor JEOVÁ dos Exércitos, dia de
vingança para se vingar dos seus adversários; e a espada devorará, e fartar-se-á,
e embriagar-se-á com o sangue deles; porque o Senhor JEOVÁ dos Exércitos tem
um sacrifício na terra do Norte, junto ao rio Eufrates.
Isaías 13:13 Pelo que farei estremecer os céus; e a terra se moverá do seu lugar,
por causa do furor do SENHOR dos Exércitos e por causa do dia da sua ardente
ira.
Isaías 17:11 No dia em que as plantares, as cercarás e, pela manhã, farás que a tua
semente brote; mas a colheita voará no dia da tribulação e das dores
insofríveis.
Ezequiel 7:7 vem a tua sentença, ó habitante da terra. Vem o tempo; chegado é o
dia da turbação, e não da alegria, sobre os montes.
O dia do Senhor não se trata literalmente do espaço de vinte e quatro horas, mas sim
de um período, como em Gn 2:4; Is 22:5 e Hb 3:8. Este período será entre as vindas de
Jesus, ou seja, o arrebatamento e seu retorno em glória.
“Dia” no hebraico, yôm, significa: luz do dia, dia, tempo momento, ano. Como vemos
seu significado é abrangente, pode significar “luz do dia” como em Gn 8:22: “Enquanto
durar a terra, não deixará de haver sementeira e ceifa, frio e calor, verão e inverno,
dia e noite.”; período de vinte quatro horas como em Gn 39:10: “Falando ela a José
todos os dias, e não lhe dando ele ouvidos, para se deitar com ela e estar com ela,”;
em Gn 2:17 yôm refere-se a um momento: “mas da árvore do conhecimento do bem e
do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.”;
sua forma plural, yãmîm, aparece em Ex13:10, significando ano: “Portanto, guardarás
esta ordenança no determinado tempo, de ano em ano.” Finalmente yôm com
referencia a espaço de tempo, encontramos em Gn 2:3 “E abençoou Deus o dia sétimo e
o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera.” É
acordo entre a maioria dos teólogos que este sétimo dia não trata de um dia
literal, mas de um período que vai desde a criação até a vinda de Cristo.
(Adaptação do dic.Vine).
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
95
No novo Testamento também temos referências ao “dia do Senhor”:
1 Ts 5:2 Pois vós mesmos estais inteirados com precisão de que o Dia do Senhor
vem como ladrão de noite.
2 Ts 2:2 A que não vos demovais da vossa mente, com facilidade, nem vos
perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como se
procedesse de nós, supondo tenha chegado o Dia do Senhor.
2 Pedro 3:10 Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor, no qual os céus
passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados;
também a terra e as obras que nela existem serão atingidas.
Não devemos confundir com o “dia de Cristo”, como está expresso em Filipenses 1:6;
1:10; 2:16, com o dia do Senhor, este dia refere-se não ao tempo de juízo, e nunca
está ligado a isso, mas sim, a recompensa que os crentes em Jesus receberão, e isto é
claramente declarado por Paulo em Filipenses 2:16, onde lemos: “preservando a
palavra da vida, para que, no Dia de Cristo, eu me glorie de que não corri em vão,
nem me esforcei inutilmente”.
Tanto o Velho como o Novo Testamento apresenta o dia do Senhor como tempo de
juízo, dia cruel, com ira e ardente furor (Is 13:9); dia da vingança (Is 34:8); dia nublado (Ez
30:3) grande é o Dia (...) e mui terrível! (Jl 2:11); dia de trevas e não de luz (Am 5:18); dia
da ira (Sf 2:2). No Novo testamento as referencias ao dia do Senhor têm uma ligação
mais próxima ao advento de Cristo, ou seja, os escritores neotestamentários usavam
este termo como referencia à volta de Jesus e não diretamente à grande tribulação,
ainda que um estivesse ligado ao outro.
A certeza deste “dia” ser de juízo derruba de uma vez por todos os
argumentos pós-tribulacionistas, que acreditam que a igreja passará por este
período, como também os amilenistas que não aceitam a existência do “dia do Senhor”
como um período de extrema tribulação sobre os judeus e gentios. Este período é real e
futuro.
A conclusão em que chegamos é que a grande tribulação será um período de
juízo e sofrimento nunca experimentado pela humanidade. Numa passagem de dupla
referencia em Mateus, Jesus nos revela a severidade deste tempo “porque nesse tempo
haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem
havido e nem haverá jamais” (Mt 24:21).
11.3. As Setenta Semanas de Daniel
A duração do período tribulacional tem suas bases em Daniel 9:24-27:
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
96
“Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade,
para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a iniqüidade, para
trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia e para ungir o Santo dos Santos. Sabe
e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao
Ungido, ao Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas; as praças e as
circunvalações se reedificarão, mas em tempos angustiosos. Depois das sessenta e duas
semanas, será morto o Ungido e já não estará; e o povo de um príncipe que há de vir
destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será num dilúvio, e até ao fim haverá guerra;
desolações são determinadas. Ele fará firme aliança com muitos, por uma semana; na
metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; sobre a asa das
abominações virá o assolador, até que a destruição, que está determinada, se derrame
sobre ele.”
Nesta passagem encontramos um esboço de todo o plano messiânico de Deus
para Israel, como também seu juízo e dos gentios, no entanto dificuldades surgem
quando os pontos de vista escatológicos se chocam, ou seja, pré-milenistas
dispensacionalistas encaram e interpretam esta profecia de maneira que os amilenistas
ou os contra o dispensacionalismo, chamam de fantasiosa. Antes de observarmos a
interpretação dispensacionalista,daremos a oportunidade de defesa a uma teoria
defendida por grande parte de teólogos e professores. A interpretação defendida por
Edward J. Young, entre outros, diz que toda a profecia já foi cumprida, e isto pode ser
comprovado por suas próprias palavras.
Esta notável seção (Dn 9:24-27) declara que um período definido de tempo havia sido
decretado por Deus para a realização da restauração de Seu povo da escravidão (...)
Pode-se assim ver que os seis objetivos que seriam realizados são todos
messiânicos, e pode-se notar que, quando nosso Senhor ascendeu ao céu, cada um
desses propósitos tinha sido cumprido.
Young luta bravamente para provar algo impossível. Ao dizer que toda a
profecia estaria cumprida na ascensão de Cristo parece se esquecer que aspectos
apresentados no texto, nunca encontraram cumprimento na história de Israel, e isso
se prova facilmente. Veremos na posição em que nos baseamos e defendemos
neste livro, a interpretação correta que, além de responder a questões complicadas
a respeito da escatologia, nos dá a defesa diante de teorias infundadas e o
entendimento necessário quanto ao texto referido.
Para se tornar clara a profecia precisamos desmembrá-la de maneira que se veja a
vontade de Deus revelada ao profeta.
A. “Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa
cidade” (v.24). Deus determinou o espaço de setenta semanas sobre o teu povo
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
97
(Judeus) e sobre a tua santa cidade (Jerusalém), para que seis objetivos fossem
alcançados. A primeira questão que surge é quanto a estas setenta semanas que de
forma alguma podem ser de dias, mas de anos. A palavra hebraica traduzida por
“semana” é shãbûa, que literalmente significa “sete”, este substantivo aparece cerca de
vinte vezes por todo o Velho Testamento. Este “sete” se refere a um período que pode
ser de dias ou de anos como em Gn 29:27: “Decorrida a semana (sete) desta, dar-te-
emos também a outra, pelo trabalho de mais sete anos que ainda me
servirás”.(também Lv 25:8 Ez 4:4,5), neste versículo a palavra semana,ou “sete”, refere-se
a um período de sete anos, como o próprio verso explica. Encontramos na septuaginta,
(versão grega do Velho Testamento), tendo o mesmo sentido que o apresentado no
hebraico, ebdomekonta ebdomades, “setenta setes”, devido ser um período de sete dias
ou anos foi usado “semana” na tradução para melhor compreensão.
Para chegarmos ao total de anos que Deus determinara multiplicamos as setenta
semanas por sete que são a quantidade de dias/anos que cada uma tem (70x7), chegando
ao numero de 490 anos.
Os seis objetivos mencionados no v. 24, que deveriam ser concluídos nestes 490 anos
são:
cessar a transgressão;
dar fim aos pecados;
expiar a iniqüidade;
trazer a justiça eterna;
para selar a visão e a profecia e
ungir o Santo dos Santos.
O próprio Deus nos deu todas as diretrizes necessárias para compreendermos
seu plano, e isto se vê claramente através da divisão feita em três períodos
distintos: 1) sete semanas, 2) sessenta e duas semanas e 3) uma semana. Em cada destes
períodos estão determinados acontecimentos, como o próprio texto explica.
B. “desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Ungido,
ao Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas”. Para uma melhor compreensão
podemos colocar o texto da seguinte forma: “desde a saída da ordem para restaurar e para
edificar Jerusalém, sete semanas; até ao Ungido, ao Príncipe, sessenta e duas semanas”,
isto quer dizer que desde a saída pra a reconstrução de Jerusalém foram 49 anos,
concluídos os 49 anos; conta-se mais 434 anos para então chegarmos ao messias, ao
príncipe. “Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido”, com isso
sabemos que as primeiras 69 semanas têm seu fim com a morte do messias; resta-nos
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
98
saber quando foi seu início, pois é fundamental para que Jesus Cristo seja confirmado
como aquele que cumpriria esta profecia. O texto nos diz “desde a saída da ordem para
restaurar e para edificar Jerusalém”, temos nas Escrituras três editos que tratam da
restauração judaica após anos de cativeiro na Babilônia. O primeiro é encontrado em 2Cr
36:22-23, quando Ciro, rei da Pérsia, decretou a reconstrução do templo em Jerusalém,
conforme Deus lhe havia ordenado, e agora era confirmado por suas próprias palavras: “O
SENHOR, Deus dos céus, me deu todos os reinos da terra e me encarregou de lhe
edificar uma casa em Jerusalém”, a repetição deste mesmo decreto vemos em Ed 1:1-
3. Outro decreto encontra-se em Ed 6:3-8, onde o rei Dário reafirma o decreto de Ciro. Em
Ed 7:7 Artaxerxes em seu sétimo ano de reinado, decretou auxílio a Esdras e Neemias
dando-lhes autoridade, mantimentos, ouro e prata para o Templo.
É necessário observarmos um detalhe vital em todos estes decretos; eles dizem
respeito à reconstrução do templo, e não da cidade de Jerusalém, condição esta que
torna estes decretos incapazes de serem tomados como datas iniciais para se contar o
período de 69 semanas, pois o v. 25 nos diz que o que marcaria o seu inicio seria uma
ordem, um decreto para a reconstrução da cidade: “desde a saída da ordem para
restaurar e para edificar Jerusalém”, e isto nos leva ao decreto de Artaxerxes em Ne
2:1-8, onde finalmente encontramos a ordem para edificar Jerusalém
No mês de nisã, no ano vigésimo do rei Artaxerxes,(...) O rei me disse: Por que está
triste o teu rosto, se não estás doente? (...) Como não me estaria triste o rosto se a
cidade, onde estão os sepulcros de meus pais, está assolada e tem as portas consumidas
pelo fogo? (...) Disse-me o rei: Que me pedes agora? (...) peço-te que me envies a Judá, à
cidade dos sepulcros de meus pais, para que eu a reedifique.(...) Aprouve ao rei enviar-me.
A data deste decreto torna-se o ponto inicial das 69 semanas. Todas as cronologias
sérias apontam o ano de 445 a.c. como sendo o vigésimo ano de reinado de Artaxerxes , o
texto nos revela que este decreto se deu no mês de nisã (também chamado Abib), mês da
páscoa judaica (em nosso calendário está localizado entre o mês de março e abril). Como
a profecia diz que a partir desta data seriam contadas as 69 semanas, devemos atentar
para a data em que Jesus morreu para então confirmarmos se sua morte cumpriu a
profecia.
Jesus morreu durante a comemoração da páscoa que se iniciava com a lua nova, que
no ano 32, de acordo com o calendário gregoriano, teve início dia 11 de março as 19:08h
(calendário de eventos astronômicos na história), e este horário marca 1:08h do dia
seguinte no calendário judaico; 12 de março em nosso calendário.
A tradição demonstra que aquele que estivesse fora da cidade deveria ir comemorar
a páscoa, chegando pelo menos seis dias antes, sendo assim Jesus chegou dia 6 de março
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
99
do ano 32 em Jerusalém, provavelmente numa sexta feira. (Outras datas são utilizadas
para a páscoa do ano 32 d.C. Porém, esta foi utilizada neste trabalho devido ser fruto de
pesquisa do autor e não uma simples cópia de estudos já escritos. É importante ressaltar
que a diferença entre as dataspropostas é mínima). Concluindo assim, podemos calcular
da seguinte maneira: 69 semanas multiplicados por 7 anos de 360 dias (quantidade de dias
dos anos bíblicos), chegamos a 173 880 dias. Isto nos revela um intervalo de 476 anos e
alguns dias, multiplicando esses anos por 365 dias de acordo com o calendário
gregoriano, somando a isso 119 dias dos anos bissextos chegamos a 173 859, apenas
faltando 21 dias para que a soma seja redonda. Se levarmos em conta que não sabemos o
dia correto do mês em que foi feito o decreto em 445 Ac., e que pode haver falha de
alguns dias nos cálculos, chegamos a um resultado muito satisfatório que prova que a
morte de Jesus ocorreu após o fim das 69 (7+62) semanas como predito por Daniel
“Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido e já não estará”. Para se
provar o contrário é necessário negar não só a narrativa Bíblica como também a história
secular.
C. “para a fazer cessar transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a
iniqüidade, para trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia e para ungir o
Santo dos Santos”. Já foi dito que Deus designou seis acontecimentos, e estes
deveriam ser concluídos durante as setenta semanas. Com a morte de Jesus, os três
primeiros cessar transgressão, dar fim aos pecados e expiar a iniqüidade, foram cumpridos
por Cristo através de sua morte vicária, um problema aparece quando percebemos que os
Judeus, como nação, não se beneficiaram disto, necessitando então do período
tribulacional para que Deus venha a tratar com Israel de maneira que se apropriem de um
bem já oferecido por Deus, ou seja o sacrifício necessário para perdão de seus pecados. Os
três últimos tratam do reinado do messias, que obviamente será no milênio, e isto pode
ser visto claramente quando lemos “para trazer a justiça eterna”, o reinado messiânico
daria fim à validade das Escrituras, pois o próprio Deus habitará com os seus, e para
concluir quando o lugar santíssimo no templo milenial for ungido, a glória de Deus
habitará em meio a seu povo, tendo Jesus assentado em seu trono.
D. “Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido e já não estará; e o
povo de um príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário, (...) Ele fará firme
aliança com muitos, por uma semana”. Passadas as 69 semanas, resta-nos uma. Os
versículos 26 e 27, falam desta última semana. O que estaremos focalizando agora
será apenas concernente ao período destes sete anos e não o que, em detalhes
acontecerá nele, isto veremos quando for oportuno.
Uma questão bastante debatida é a que se refere ao suposto espaço que existe entre
as 69 e a ultima semana, e é suma importância analisarmos este ponto, pois só assim
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
100
poderemos ir adiante no estudo da grande tribulação. Uma conclusão que se tem
defendido, conforme já foi dito, é que todo o período das setenta semanas já foi
concluído, no entanto percebemos que isto não é possível.
Este espaço entre as 69 semanas e a ultima, torna o assunto discutível, pois os
defensores de que todo o período das setenta semanas já foi cumprido não aceitam este
intervalo nem como suposição. Veremos que este espaço não é algo novo, mas as
Escrituras estão repletas de profecias que dentro de seu cumprimento existem intervalos,
também, alguns pontos que exigem um intervalo entre os períodos.
Intervalo em Is 61:2 “... a apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da vingança
do nosso Deus...”. Entre o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança, temos um
intervalo de quase dois mil anos, que é a dispensação da igreja.
Os apóstolos demonstram que existe um intervalo entre a inclusão dos gentios no
plano da salvação e o cumprimento das profecias referentes a Israel. “Cumpridas
estas coisas, voltarei e reedificarei o tabernáculo caído de Davi; e, levantando-o de
suas ruínas, restaurá-lo-ei”. (At 15:13-21)
Se não houvesse um intervalo entre a sexagésima nona e a septuagésima semana,
Jesus já deveria ter retornado já que todo o período de setenta semanas foi
concluído sete anos após sua morte.
No próprio texto, se observarmos cuidadosamente perceberemos um intervalo
entre o v.26 e o 27, pois o primeiro diz: E, depois das sessenta e duas semanas,
será tirado o Messias e não será mais; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá
a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá
guerra; estão determinadas assolações. Vemos que o texto apresenta duas
seqüências de fatos, 1) após a morte do messias “o povo do príncipe” destruirá
Jerusalém e o templo e o fim deste será como uma inundação, 2) “e até ao fim”
haveria guerras, e terrores estariam determinados.A primeira seqüência está
ligada a morte do Messias, porém a segunda funciona como um parêntese,
um intervalo entre a destruição de Jerusalém e do templo e a septuagésima
semana, isto se pode ver por se tratar de um espaço de tempo que se iniciou após
os primeiros fatos, resumindo, após a destruição determinada, seria iniciado um
período de guerras e desolações sobre Israel, e este tempo perduraria até que
fosse firmado um acordo de (falsa) paz entre Israel e as nações, que
supostamente duraria uma semana, mas... “na metade da semana, fará cessar o
sacrifício e a oferta de manjares; e sobre a asa das abominações virá o assolador”
Com certeza os motivos apresentados são suficientes para deixar claro que realmente
existe este intervalo, e mais, ele é necessário para que a profecia tenha coerência com o
plano de Deus estabelecido no v.24.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
101
E. “E ele firmará um concerto com muitos por uma semana; e, na metade da semana,
fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; e sobre a asa das abominações virá o
assolador”. Uma segunda questão a ser observada, é quanto ao início da septuagésima
semana, e isto pode ser claramente visto no próprio texto, pois este fala de um “príncipe
que há de vir” e este quando firmar este acordo de paz com Israel estará inaugurada a
grande tribulação. Temos, na verdade, um sinal gritante que marcará seu inicio, que é o
arrebatamento da igreja.
Fica concluído, então que a septuagésima semana de Daniel é futura, tendo
como base este intervalo entre a sexagésima nona semana e a septuagésima, e os
fatos concernentes à profecia que aguardam seu cumprimento. Outro aspecto que fica
claro é que a grande tribulação terá um período literal e definido, de sete anos.
11.4. O Propósito da Grande Tribulação
Já foi discutido anteriormente o caráter da grande tribulação e observamos que Deus
estabeleceu um tempo de aflição nunca vista pela humanidade, porém isto tem
propósitos específicos, e é o que veremos agora.
A. Purificar os Judeus para receberem a Jesus como Messias. Deus havia prometido a
Israel, através de alianças, que daria bênçãos eternas, o fato é que este tempo dependeria
de um outro tempo. Ezequiel 20:33- 38 encontramos o resumo do plano de Deus para
Israel:
“Vivo eu, diz o Senhor JEOVÁ, que, com mão forte, e com braço estendido, e com
indignação derramada, hei de reinar sobre vós; e vos tirarei dentre os povos e vos
congregarei das terras nas quais andais espalhados, com mão forte, e com braço
estendido, e com indignação derramada. E vos levarei ao deserto dos povos e ali entrarei
em juízo convosco face a face. Como entrei em juízo com vossos pais, no deserto da terra
doEgito, assim entrarei em juízo convosco, diz o Senhor JEOVÁ. E vos farei passar debaixo
da vara e vos farei entrar no vínculo do concerto; e separarei dentre vós os rebeldes e os
que prevaricaram contra mim; da terra das suas peregrinações os tirarei, mas à terra de
Israel não voltarão; e sabereis que eu sou o SENHOR.”
Após séculos de exílio profetizados antecipadamente neste texto, Israel retornou a
sua terra e aguarda agora, justamente este tempo, o tempo em que Deus diz: “entrarei
em juízo convosco face a face”, e mais, “farei entrar no vínculo do concerto; e separarei
dentre vós os rebeldes e os que prevaricaram contra mim;”. Aqui vemos a natureza do
“dia do Senhor” discutido anteriormente. Neste tempo haverá a preparação necessária
para que a nação de Israel se converta ao Senhor.
B. Julgar a nações gentílicas. Toda infidelidade e descrença serão julgadas na grande
tribulação, os judeus receberão o tratamento devido, como também os infiéis e suas
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
102
nações. Jesus relata em Ap 3:10 um tempo de “provação que há de vir sobre os
moradores da terra”, entendemos aqui que um juízo sobre a humanidade está
previsto, Paulo aos tessalonicenses diz que “por isso, Deus lhes enviará a operação do
erro, para que creiam a mentira, para que sejam julgados todos os que não creram
a verdade; antes, tiveram prazer na iniqüidade.” (2Ts 2:11-12). Durante o governo do
anticristo as nações o apoiarão e serão influenciadas por ele. Os gentios afrontaram a
Deus “pisarão a Cidade Santa por quarenta e dois meses”.(Ap 11:2); ao serem mortas a
duas testemunhas enviadas por Deus “povos, e tribos, e línguas, e nações verão
seu corpo morto (...) não permitirão que o seu corpo morto seja posto em
sepulcros”.(Ap 11:9); as nações se deliciaram com o pecado, “as nações beberam do
vinho da ira da sua prostituição”, como também seus governantes, “Os reis da terra se
prostituíram” (Ap 18:3); rebelaram-se contra Deus praticando tudo o que ele
abomina “porque todas as nações foram enganadas pelas tuas feitiçarias.”(Ap
18:23); sendo merecedores da fúria do rei dos reis, “da sua boca saía uma aguda
espada, para ferir com ela as nações”(Ap 19:15).
11.5. A Estrutura da Grande Tribulação
Já sabemos que a grande tribulação é a septuagésima semana de Daniel, e que este
período é de sete anos. O que veremos agora é quanto à sua estrutura, ou seja, como
será seu desenrolar quanto ao tempo. Observe o gráfico abaixo, e em seguida serão dadas
a s devidas explicações.
Com o estabelecimento do acordo de paz entre o anticristo e Israel, inicia-se a grande
tribulação. A igreja já foi arrebatada, restando na terra os gentios e os Judeus. No meio da
semana, segundo Daniel, o anticristo “fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; e
sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação”, este fato
fará com que, a partir da metade da semana, ou seja, após os primeiros três anos e meio,
se dê inicio ao período descrito em Daniel 7:25 “E proferirá palavras contra o
Altíssimo, e destruirá os santos do Altíssimo, e cuidará em mudar os tempos e a lei; e
eles serão entregues nas suas mãos por um tempo, e tempos, e metade de um
tempo”. Este mesmo período é mencionado em Ap 11:2 e 13:5 como 42 meses; também
aparece como 1260 dias em Ap 11:3 e 12:6, todos tratam do mesmo espaço de tempo
como também do mesmo período. Em Daniel observamos que ele apresenta os três anos
e meio finais da grande tribulação como: um tempo (um ano), e tempos (dois anos), e
metade de um tempo (meio ano).1260 dias, correspondem a 42 meses de 30 dias cada.
Após os sete anos de grande tribulação, Jesus retornará novamente para julgar os
inimigos de Israel, inclusive satanás, o anticristo e o falso profeta.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
103
Concluímos então, que o período tribulacional durará sete anos, porém tendo duas
fazes, a primeira está em torno de uma falsa paz determinada através de um acordo
entre o anticristo e Israel; com o rompimento deste, desencadeia-se um ataque violento
contra Israel e todos moradores da terra, que termina com a volta gloriosa de Jesus
Cristo. O fato de o período tribulacional ter duas fazes, não dá margem para que se ensine
que somente os últimos três anos meio sejam a grande tribulação, se assim fosse, não
existiria a septuagésima semana, mas sim, meia semana de Daniel.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
104
AULA
12
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
105
12 - A BESTA
O anticristo, depois de Jesus, é a figura mais marcante do período tribulacional. O seu
título denuncia seu caráter e suas intenções.
Anticristo vem do grego antichristos, e seu sentido é óbvio, adversário de Cristo ou
contra Cristo. Alguns escritores apresentam este título como sendo de alguém que quer
se passar pelo Cristo e não necessariamente contra ele, talvez esteja em mente o uso
paralelo de “antipapa”, que se refere a alguém que se intitula papa mesmo não sendo
reconhecido pela igreja romana e na história são vários os exemplos a esse respeito. A
questão é que neste caso isto não pode ser admitido, pois todos os textos que o
apresentam falando de sua postura, atitudes e intenções, sempre estão voltadas à
destruição de Cristo e seus propósitos, se assim fosse Jesus ou outro escritor
neotestamentário o intitularia de pseudocristo, como em Mateus 24:24.
O termo anticristo é emprestado de 1ª João 2:18, 22; 4:3 e 2ª João 7 à primeira besta
de Apocalipse 13, porque este termo define muito bem seu caráter e propósito, e esta é a
única relação que existe entre os dois. No livro de Apocalipse a besta nunca é chamada de
anticristo, porém nada impede que a chamemos desta maneira, já que de uma maneira
ou outra ele é um anticristo.
12.1. Seu Reino e Sua Chegada ao Poder
“E eu pus-me sobre a areia do mar e vi subir do mar uma besta que tinha sete
cabeças e dez chifres, e, sobre os chifres, dez diademas, e, sobre as cabeças, um
nome de blasfêmia”.(Ap 13:1).
A Bíblia traz com abundancia textos que se referem à pessoa do anticristo. Ap
13:1 relata seu surgimento, e o fato de ser do mar pode ser forte indicação que
será um gentio (Ap 17:15). Um governo mundial será criado, e é através deste sistema
político que ele vai governar o mundo. Veremos em alguns pontos como será esta
escalada do anticristo ao poder.
A. A Estátua de Nabucodonosor. Em Daniel capítulo 2, vemos a interpretação dada
por Deus a Daniel, do sonho que o rei havia tido, neste era apresentada uma estátua, “A
cabeça era de fino ouro, o peito e os braços, de prata, o ventre e os quadris, de
bronze; as pernas, de ferro, os pés, em parte, de ferro, em parte, de barro”. (Dn 2:32-
33).
Cada uma destas partes representa um império, como segue:
Cabeça de ouro: império Babilônico
Peito e braços de prata: império Medo-Persa
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.brESCATOLOGIA
106
Ventre e quadris de bronze: império grego
Pernas de ferro, e pés parte ferro, parte barro: império Romano.
Cada império representado teve seu fim, sendo seguido pela ordem apresentada na
estátua.
Daniel nos versos 41-44, faz uma observação referente ao ultimo império, o
Romano, segundo Daniel, o fato de serem duas pernas com dois pés indicam que
seria um reino divido, o que realmente aconteceu em 395 d.C. Ainda é mencionada a
questão mais importante a respeito deste último, o fato de ter pés que eram parte ferro e
parte barro, e é o próprio profeta que nos dá a explicação referente a esta mistura “Como
os artelhos dos pés eram, em parte, de ferro e, em parte, de barro, assim, por uma
parte, o reino será forte e, por outra, será frágil”.
Procuremos agora entender que relação tem este texto com o anticristo. A
interpretação dada por Deus a Daniel revela que o império Romano seria dividido, e que
este mesmo império surgiria numa forma diferente, representada pelos dez dedos,
estes representam dez reis que formariam uma confederação. Daniel fala desta junção
dizendo que “misturar-se-ão mediante casamento, mas não se ligarão um ao outro,
assim como o ferro não se mistura com o barro.” Isto representa um governo unido
por um acordo, permanecendo porém a individualidade de cada um, e isto só é possível
com um líder para fazer com que a confederação não se dissolva por falta de um
mediador. Um fato muito importante acerca destes dez reis e deste líder nos o
encontramos em Ap 17:12-13 “Os dez chifres que viste são dez reis (...) Têm estes um
só pensamento e oferecem à besta o poder e a autoridade que possuem”, Aqui vemos
que estes dez reis entregarão a liderança desta confederação a um homem, a besta. Esta é
a forma de governo que será estabelecido no fim dos tempos, um império saído do
antigo, não um outro, mas o mesmo sob um novo aspecto.
O fim deste império também é declarado por Deus, “Mas, nos dias destes reis, o
Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído; (...) como viste que
do monte foi cortada uma pedra, sem auxílio de mãos, e ela esmiuçou o ferro, o
bronze, o barro, a prata e o ouro.” (vs. 44-45).Quando esta confederação estiver em
pleno poder, o próprio Deus vai intervir. A pedra cortada e lançada contra as forças hostis
é o próprio Jesus Cristo que vem destruí- los e inaugurar o “reino que jamais será
destruído”. O milênio.
B. A visão dos quatro animais. Esta surpreendente visão no capítulo 7, revela o
mesmo simbolismo já representado na estátua, porém é ainda mais clara quanto aos
acontecimentos relacionados a esta ultima forma do império Romano.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
107
Daniel vê quatro animais (v. 3), e assim como cada parte da estátua simbolizava um
império, também cada animal representa os mesmos impérios, vejamos a apresentação
feita por Daniel:
“O primeiro era como leão e tinha asas de águia; enquanto eu olhava, foram-lhe
arrancadas as asas, foi levantado da terra e posto em dois pés, como homem; e
lhe foi dada mente de homem.”: Império Babilônico
“o segundo animal, semelhante a um urso, o qual se levantou sobre um dos seus
lados; na boca, entre os dentes, trazia três costelas”: Império Medo-Persa
“e eis aqui outro, semelhante a um leopardo, e tinha nas costas quatro asas de
ave; tinha também este animal quatro cabeças”: Império Grego
“o quarto animal, terrível, espantoso e sobremodo forte, o qual tinha grandes
dentes de ferro; (...) e tinha dez chifres.”: Império romano
Os atributos de cada animal têm total relação com as características de cada
império, porém o que nos interessa neste estudo é o quarto animal, símbolo do
império Romano. Daniel se interessa em particular por este último (v.19), e vê algumas
características neste animal que distingue ele dos outros e o torna terrível, era um
animal:
muito forte;
tinha grandes dentes de ferro;
unhas de metal;
devorava e destruía tudo que estava em seu caminho;
tinha dez chifres;
do meio destes dez chifres surge um menor com olhos;
este surgimento causa a queda de outros três.
Aqui temos uma simbologia diferente para o mesmo assunto retratado na estátua do
capítulo 2. Este quarto animal, com seus atributos, ele representa o império Romano (v.
23), e segundo a revelação dada ao profeta, estes dez chifres representam os mesmos reis
simbolizados pelos dez dedos da estátua (v. 24), a diferença é que nesta visão, lhe é
mostrado o surgimento de um “chifre menor”, este representando o líder da confederação
de dez reinos, que em sua ascensão derrubará três reis (v. 20).
O caráter maligno do anticristo é mencionado no texto “tinha olhos e uma boca
que falava com insolência (...) e eis que este chifre fazia guerra contra os santos” (v.
20-21), como também suas atitudes profanas, “Proferirá palavras contra o Altíssimo” (v.
25). Todo o período de ataque do anticristo durará três anos e meio (um tempo, dois
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
108
tempos e metade de um tempo), que serão a segunda parte da grande tribulação. Após o
tempo ser cumprido, virá o “Ancião de dias”, que é a mesma pedra que destrói a estátua;
Jesus Cristo. Destruirá este império e instituirá seu reino (v. 22).
C. A besta que emergiu do mar. Outro texto magnífico das Escrituras que vem
confirmar as revelações dadas a Daniel sobre a besta e seu governo se encontra em Ap
13:1-10. Faremos um breve estudo do texto para entender esta revelação que vem num
processo de desenvolvimento dentro das Escrituras, ou seja, na estátua foram dadas
algumas informações, a visão dos quatro animais soma alguns dados não encontrados na
estátua, como também este texto de Apocalipse que, mesmo tendo menos versículos,
contém mais informações sobre a besta que todos os outros, ainda assim precisaremos
recorrer a Ap. 17 onde são revelados os símbolos mencionados no cap. 13. Vejamos as
informações que contém neste texto.
“Vi emergir do mar uma besta que tinha dez chifres e sete cabeças e, sobre os
chifres, dez diademas e, sobre as cabeças, nomes de blasfêmia”. (Ap. 13:1)
“Vi emergir do mar uma besta”. Muitos estudiosos do assunto afirmam, por esta
informação, que o anticristo será um gentio, já que o mar freqüentemente simboliza as
nações (Ap 17:15)
“Tinha dez chifres (...) e, sobre os chifres, dez diademas”. Ap 17:12-13
esclarece: “Os dez chifres que viste são dez reis, os quais ainda não receberam reino”.
Assim como os dedos da estátua e como os chifres do animal terrível. Estes reis
receberão sua autoridade no tempo designado por Deus para que todo seu plano seja
estabelecido. O fato de terem diademas sobre os chifres demonstra essa futura
autoridade, pois diadema significa, de um modo geral, ornamento real para a cabeça,
coroa.
Uma característica importante aqui revelada, se refere a duração deste governo:
“recebem autoridade como reis, com a besta, durante uma hora”; este período de
domínio será muito curto. O v. 13 nos informa que devido serem uma confederação “Têm
estes um só pensamento”, e isto faz com que elejam um líder “e oferecem à besta o
poder e a autoridade que possuem”... Esta escolha obviamente está ligada à permissão
de Deus já que seu propósito é completar seu plano com Israel e os gentios.
“E sete cabeças (...) e, sobre as cabeças, nomes de blasfêmia”. O fato de o
anticristo ter sete cabeças é porque ele está relacionado a sete governos“As sete cabeças
são sete montes, (...). E são também sete reis: cinco já caíram, e um existe; outro
ainda não é vindo; e, quando vier, convém que dure um pouco de tempo”.(Ap 17:9-
10). Os sete montes se referem a Roma; chamada “a cidade das sete colinas” . Os
sete reis e seus respectivos reinos são representados pelas sete cabeças, são
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
109
objetos de controvérsia entre os especialistas em escatologia; alguns entendem como
sendo fazes do império Romano, no entanto a visão dispensacionalista crê que os cinco
reis que “já caíram” representam os impérios que dominaram o mundo, que são: 1)
Egípcio, 2) Assírio, 3) Babilônico, 4) Medo-Persa e o 5) Grego. O que “existe” no tempo de
João é o Romano, e o que é futuro é justamente sob o qual o anticristo reinará. Uma
observação interessante é quanto à descrição feita por João, onde são demonstradas
características de suas atitudes enquanto governo “A besta que vi era semelhante a
leopardo, com pés como de urso e boca como de leão” (comparar com Dn. 7:3-6) com
isso o anticristo parece representar uma confluência dos impérios já existentes que, com
seu poder, assolaram o mundo.
“E deu-lhe o dragão o seu poder, o seu trono e grande autoridade”. O dragão é
Satanás (Ap 12:9) e este dará poder e autoridade á besta. Paulo diz que seu aparecimento
é segundo a “energeia”, ou seja, seu trabalhar, sua força sobrenatural, isto demonstra
que o anticristo tem sua origem em satanás, sua habilidade política vem das trevas (Dn
8:25), sua prosperidade é de procedência maligna (Dn 11:36), e toda esta relação com
satanás o constituirá inimigo de Deus, “abriu a boca em blasfêmias contra Deus, para
lhe difamar o nome e difamar o tabernáculo, a saber, os que habitam no céu” (Ap
13:6). Mais uma vez é indicado o período em que a besta governará, que é de quarenta e
dois meses (Ap 13:5), ou 1260 dias (Ap 12:6). Dominará o mundo e perseguirá todo aquele
que se recusar a adorá-lo uma vez que são servos de Deus (Ap 13:7-8), perseguirá Israel e
este será preservado pelo próprio Deus (Ap 12:6).
Nunca o mundo teve um governo desta maneira como também um líder desta
conjuntura, por mais que se tente associar estas profecias a qualquer fase da história será
um esforço sem êxito, agora, quando olhamos para o quadro Europeu atual vemos todo o
sistema governamental sendo preparado para o surgimento de um líder. Esta União
Européia é:
Organização supranacional européia dedicada a incrementar a integração econômica
e a reforçar a cooperação entre seus estados-membros. A União Européia (UE) nasceu
no dia 1º de novembro de 1993, quando os doze membros da Comunidade
Européia (CE) — Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Grã-Bretanha, Grécia, Irlanda,
Itália, Luxemburgo, Holanda, Portugal e Espanha — ratificaram o tratado da União
Européia (Enciclopédia Microsoft® Encarta®).
Algo relevante é o fato destes paises fazerem parte do mesmo território que o antigo
império Romano, e isto demonstra que a possibilidade da união Européia ser a
confederação que dará ao anticristo o poder de governar é muito grande, quase impossível
de ser de outra maneira. Características como uma só língua, uma só moeda, livre
comércio, conselho unificado etc... são idênticos ao sistema Romano antigo.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
110
12.2. O Detentor
E, agora, sabeis o que o detém, para que ele seja revelado somente em ocasião
própria. Com efeito, o mistério da iniqüidade já opera e aguarda somente que seja
afastado aquele que agora o detém; (2 Ts 2:6-7)
Eis aqui uma questão muito importante, que é referente à identidade deste “que
detém” a manifestação do anticristo, é certo que existem alguns problemas a respeito
desta identidade, mas buscaremos soluciona-los.
Uma das teorias bastante aceita é a de que o império Romano era o que impedia o
surgimento do anticristo, para F.F. Bruce, não poderia ser de outra maneira quando
escreve:
O apóstolo é intencionalmente vago quando escreve sobre o assunto, (...) Isto apóia a
interpretação de o Império Romano ser o agente retentor, (...) Paulo tinha razão em
mostrar-se constantemente grato pela proteção das autoridades imperiais, que reprimiam
as forças mais hostis ao evangelho. Quando essa proteção fosse retirada, as forças do
anticristo poderiam exercer, livremente, a sua própria vontade.
Para isto se baseiam na questão de Paulo se preocupar em ser discreto, não
mencionado a identidade do detentor, o que parece ser uma grande contradição,
pois, já que ele se sentia grato ao império, porque não menciona-los como sendo seus
“amigos”, tornando o relacionamento entre igreja e Roma mais próximo ainda? A questão
é que este relacionamento nunca existiu.
Outra teoria aponta a igreja como sendo “aquele que detém”, o que também não
pode ser possível devido à natureza da igreja, pois esta é apenas habitação do Espírito de
Deus, embora seja o meio que Deus usa para deter as forças espirituais malignas, não pode
ser a detentora já que é passível de acusação.
Neste caso é necessário um detentor que seja um ser espiritual, tenha poder
infinito, seja inculpável e possua autoridade suprema, e tudo isto só encontramos
na trindade, e devido ser algo que impede a manifestação terrena do anticristo concluímos
que o Espírito Santo é o único que pode atender a estes requisitos, já que Ele foi enviado
para habitar no crente em Jesus, sendo a força vital da igreja, ou seja, é o próprio Deus na
terra, morando conosco e em nós e impedindo que o anticristo venha a se manifestar
antes da hora definida por Deus. E isto só não parece razoável como é a única possibilidade
que consegue explicar de maneira coerente à questão “deste que detém”.
Sendo o Espírito Santo o detentor fica ainda mais confirmado o arrebatamento antes
da grande tribulação, é onde está a explicação de tudo, pois sendo a igreja seu templo
será retirada juntamente com “aquele que detém”, deixando o caminho livre para que se
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
111
manifeste o “iníquo”, e não permitindo que a igreja redimida sofra com o terror de sua
ira.
12.3. O Fim do Acordo de Paz
Nos primeiros três anos meio de governo do anticristo, sabemos que haverá um
acordo que introduzirá no mundo uma paz aparente, porém Daniel diz que “na metade
da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; sobre a asa das
abominações virá o assolador, até que a destruição, que está determinada, se
derrame sobre ele” (Dn 9:27). O versículo nos diz que devido este rompimento, a besta
cessará todos os sacrifícios judaicos que haviam retornado com o acordo de paz, agora
tendo sido desfeito, ele se revela como o terrível assolador, que com toda a fúria busca
destruir Israel.
Em Apocalipse 12 temos um retrato da fúria de satanás contra Israel na segunda
metade da grande tribulação, por isso se faz necessário observarmos alguns pontos do
texto.
O texto fala de uma mulher (v. 1) e esta não pode ser outra coisa a não ser um
símbolo que representa Israel, alguns interpretam como sendo Maria mãe de Jesus,
outros como sendo a igreja, porém nenhuma das duas merece atenção pois estão
totalmente fora de cogitação, e para que houvesse algum paralelo, teríamos que
espiritualizar o textodemasiadamente. A interpretação de que a mulher é símbolo de
Israel torna-se clara, pois vemos que: 1) ela está vestida sol, símbolo sempre ligado a
Israel (Ml 4:2); 2) tem uma coroa de doze estrelas na cabeça, numero que além de
simbolizar as doze tribos, simboliza governo. Estas estrelas não poderiam ser ligadas aos
apóstolos, pois estes foram mais que doze. 3) A mulher grávida (v. 2) não poderia ser a
igreja, já que não foi a igreja quem concebeu a Jesus, mas Jesus concebeu a igreja,
também não pode ser Maria, porque os fatos descritos no v. 6 e 14 nunca aconteceram a
ela. 4) o v. 17 indica fortemente se tratar de Israel, pois vendo que não conseguiu destruir
a Jesus se voltou contra a nação. Tanto Maria quanto à igreja não se enquadram neste
versículo, a não ser que o texto fosse violentamente alegorizado. Por tudo isto fica claro
que neste caso João está falando de Israel e a luta de satanás para destruir aquele que
nasceria para governar o mundo (v. 5).
Do v. 7 ao 9 vemos o motivo da fúria de satanás. Alguns interpretam estes
versículos com sendo uma tentativa de Satanás em subir ao céu para contender
com Deus, os midi tribulacionistas acham que se trata de uma luta para impedir o
arrebatamento da igreja, há quem diga que se trata de uma tentativa em subir ao céu
para impedir o nascimento de Jesus. Ao que parece nenhuma das conjecturas serve
para explicar o texto. Existe ainda uma interpretação que coloca o texto como sendo a
queda de Lúcifer o motivo do ódio pela nação que Deus escolheu para revelar o messias ao
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
112
mundo; torna-los sacerdotes messiânicos e fundar seu reino teocrático; fúria esta que
acontece de maneira terrível a partir da segunda metade do período tribulacional (esta
parece ser a menos improvável). Todo o capítulo 12 tem a intenção de mostrar a crescente
perseguição de satanás a Israel tendo o seu momento máximo na segunda metade da
grande tribulação (v. 10-18). E para isto faz surgir um instrumento, um messias (Ap
13:1-10) pelo qual derramará sua ira após o rompimento do acordo instituído com
Israel.
12.4. A Berta Que Surgiu da Terra
“E vi subir da terra outra besta, e tinha dois chifres semelhantes aos de um
cordeiro; e falava como o dragão” (Ap 13:11)
A primeira besta tem um aliado, este é conhecido como o falso profeta, (Ap 19:20 e
20:10) este caráter religioso pode ser visto pelos seus “dois chifres semelhantes aos de
um cordeiro”, cordeiro sempre está ligado a algo religioso, neste caso, poder religioso.
Outro ponto interessante é que ele surge da terra, e assim como o mar simboliza as
nações, a “terra” simboliza Israel, portanto o falso profeta será um judeu.
A segunda besta tornará obrigatório o culto ao anticristo “e faz que a terra e os que
nela habitam adorem a primeira besta” (v. 12), e fará uma imagem de escultura deste,
para que todos adorem (v. 14), com seu poder satânico dará vida à estátua e todo aquele
que não prestar culto á besta será morto (v. 15). Será instituído um sinal, “E faz que a
todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na
mão direita ou na testa”, (v. 16), sem este sinal ninguém poderá comprar, vender
etc...(v. 17), o número é 666. Este número parece personificar o anticristo, ou seja, satanás
em sua tentativa de ser deus enviará seu messias, e assim como o número 7 indica
perfeição o 6 indica imperfeição, digamos que se Deus tivesse um numero seria
777, qualquer tentativa de sê-lo seria imperfeita, 666.
Se pensássemos nesta marca a pouco mais de cinqüenta anos, não admitiríamos
outra possibilidade a não ser que ela seria feita com um ferro em brasa, e assim como um
animal é marcado seriamos também. Logo depois veio a possibilidade de se tratar do
código de barras, mas esta já foi substituída pelo biochip, que pode ser até menor que um
grão de arroz e conter todas as informações que forem necessárias. De qualquer forma, o
falso profeta instituirá este sistema como sendo obrigatório a todos não por força, mas
por persuasão. Seu fim será o mesmo que o do anticristo (Ap 19:20).
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
113
AULA
13
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
114
13 - A INVASÃO NA PALESTINA
Já sabemos que a grande tribulação será um período de juízo contra Israel, e que o
propósito de Deus para esta nação é que se convertam ao Senhor e o sirvam com
sinceridade. Para isto meios serão utilizados, e um deles é uma invasão de confederações a
Terra Santa.
O que iremos estudar neste capítulo está relacionado à confederação que invadirá
Israel durante o período tribulacional, é bom deixar claro que estes conflitos não são
especificamente a guerra do Armagedom, esta acontecerá no fim da grande tribulação,
marcando o momento da vinda gloriosa de Jesus para inaugurar seu reino messiânico.
13.1. Os Inimigos do Norte
Para sabermos quem são estes inimigos buscaremos no livro do profeta Ezequiel, que
nos capítulos 38 e 39, falam a respeito de uma confederação de vários reinos que se
juntarão sob uma liderança para invadir o território de Israel, afim de destruí-lo.
No cap 38:1-6, são mencionadas as nações que se juntarão para formarem
esta confederação. Todas estas estarão sob o comando de um líder, chamado
Gogue. Vejamos o texto.
Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Filho do homem, volve o rosto contra
Gogue, da terra de Magogue, príncipe de Rôs, de Meseque e Tubal; profetiza contra ele
e dize: Assim diz o SENHOR Deus: Eis que eu sou contra ti, ó Gogue, príncipe de Rôs, de
Meseque e Tubal. Far-te-ei que te volvas, porei anzóis no teu queixo e te levarei a ti e
todo o teu exército, cavalos e cavaleiros, todos vestidos de armamento completo, grande
multidão, com pavês e escudo, empunhando todos a espada; persas e etíopes e Pute
com eles, todos com escudo e capacete; Gômer e todas as suas tropas; a casa de
Togarma, do lado do Norte, e todas as suas tropas, muitos povos contigo. (Em itálico
estão os nomes das nações que se unirão.)
Para conhecermos os detalhes sobre a invasão, precisaremos, anteriormente,
identificar que são atualmente estes paises, a começar pelo líder desta confederação.
A. Gogue príncipe de Magogue. Gogue será o líder das forças do norte, este não se
trata de Gogue filho de Semaías, mas um nome simbólico. O que realmente nos importa é
quanto a sua terra, e esta é chamada Magogue, formada por Rôs, Meseque e Tubal.
Magogue é o segundo filho de Jafé, neto de Noé (Gn 10:2), com a distribuição das
terras, cada um dos filhos de Noé juntamente com suas famílias, povoaram cada região
da terra. Magogue, foi para a região da Caucásia, esta que é uma:
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
115
Região que se localiza no extremo sudeste da Europa, entre o mar Negro e o mar
Cáspio, divide-se em duas regiões pela cordilheira do Cáucaso. A zona norte,
situada no interior da Federação Russa e conhecida como Cáucaso,(...) A parte
mais meridional e extensa, Transcaucásia,(...). Essa região compreende a Geórgia,Armênia e o Azerbaijão.
A Caucásia é conhecida como o “berço da raça branca”, portanto, Magogue é a raiz
dos Caucasóides, que é uma classificação, em termos de raças humanas, aos povos de
pele, olhos e cabelos claros.
Desde a antiguidade estes povos eram chamados de citas. Flávio Josefo,
historiador do século I, identifica os descendentes de Jafé como sendo a origem dos
Citas, Gregos e Romanos (é claro que estes povos se dividiram e hoje compreendem até
certo ponto, os latinos). Josefo indica Magogue como o pai da raça Cita “Magogue
fundou a (colônia) dos Magogianos a que eles (os gregos) chamam de citas” (Primeiro
livro Cap 6:18). A Enciclopédia Encarta define assim os Citas:
Cita, nome dado pelos escritores gregos clássicos a um grupo de tribos nômades
que ocuparam a Europa central e a Ásia durante o século VIII a.C.
Esta denominação abrange os habitantes da zona de Cítia, ao norte do mar Negro,
entre os Cárpatos e o rio Don, no que são atualmente a Moldávia, a Ucrânia, o
leste da Rússia, e todas as tribos nômades que habitaram as estepes entre a
Hungria e as montanhas do Turquestão.
Gogue é o príncipe desta região, que é formada a, principio, por três territórios, Rôs,
Meseque e Tubal.
Ao iniciarmos o reconhecimento de cada um deles nos deparamos com um problema
que é o fato de muitas versões omitirem o território de “Rôs”, traduzindo este termo por
“chefe”, portanto se faz necessário averiguarmos essa tradução antes de continuarmos.
Rôs vem da palavra hebraica ro’sh (var), e significa: cabeça, topo, cume, parte
superior, chefe, total, soma, altura, fronte, começo (Strong). De um modo geral é
traduzido por cabeça em seu sentido literal (Gn 3:15; 40:16), outra vezes é traduzido por
cume ou topo de um monte, torre ou escada (Nm 14:40; Gn 11:4; gn 28:12), também é
traduzida por capitão no sentido de chefe (Nm 14:4; Ex 6:14). Seu sentido é
abrangente. No texto de Ezequiel 38:2, várias traduções empregam a Ro’sh, o sentido
de chefe “Gogue, terra de Magogue, príncipe e chefe de Meseque e de Tubal,” (RC), a
tradução na linguagem de Hoje diz “Gogue, o principal governador das nações de
Meseque e Tubal, na terra de Magogue.”.
Estas traduções estariam corretas se, neste caso, “ro’sh” fosse um substantivo,
assim como é apresentado em outras referências, no entanto o contexto do
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
116
versículo como também a oração em hebraico não permitem que seja dessa forma,
obrigando “ro’sh” a ser um nome próprio. Isso pode ser visto através de seu precedente,
nasiy’ que significa: pessoa elevada, chefe, príncipe, capitão, líder; ou seja, Ro’sh quando
usado no sentido de chefe, príncipe ou capitão, torna-se sinônimo de nasiy’, o que
torna ro’sh, enquanto substantivo, totalmente desnecessário, até porque príncipe no
hebraico tem sentido completo e suficiente para qualificar Gogue como príncipe,
chefe, líder etc. O fato de ro’sh ser seguido Meseque e Tubal, torna mais
convincente sua tradução como nome próprio que como algumas Bíblias apresentam. A
Septuaginta (versão grega do Velho Testamento Séc.III a.C.) traduz ro’sh como nome
próprio, pois a oração em grego não permite ser de outra maneira, já que príncipe no
grego archon, tem o mesmo significado que no hebraico.
Algo que marca ro’sh como sendo a “cidade cabeça ou chefe”, pode ser o fato dela
ser um tipo de capital ou metrópole da terra de Magogue. De qualquer maneira este
nome pode ser, inicialmente um adjetivo que veio a ser definitivamente um nome próprio
da “cidade”.
Resolvido este problema, nos resta saber quem são, atualmente estas cidades. O que
sabemos a respeito da terra de Magogue é que fica na região da Rússia e adjacências.
Desde o século XVI , os intérpretes da palavra de Deus ligam Rôs à Rússia, e esta
interpretação tem permanecido firme e sustentável até hoje.
Meseque é a segunda “cidade” que faz parte do território magogiano. Este
nome veio de Meshek (Kvm), (transliterado para o português como Meseque) sexto
filho de Jafé.
A descendência de Jafé, como já visto, foi a que deu origem aos citas, como
também outros povos daquela região, dessa forma, Meseque é considerado como o
que deu origem aos russos.
A descendência de Meseque se dirigiu à região que fica entre o mar Negro e
o Cáspio, e ali foram chamados de “Moschi”. Mais tarde, durante o período de
domínio Babilônico e Persa na Ásia ocidental, boa parte deles cruzaram o Cáucaso,
espalhando-se pela região mais ao Norte, onde foram conhecidos como “Muscovs”,
uma forma primitiva de Moscou, atual capital Russa. Em inscrições assírias são
mencionados como “Muski”.
Tubal, irmão de Meseque, quinto filho de Jafé. Tubal sempre é visto, nas
Escrituras, juntamente com Meseque (Gn 10:2; 1 Cr 1:5;), ambos eram mercadores
de escravos; sua fama era de serem um povo cruel que traziam destruição onde passavam
(Ez 27:13; 32:26), o que vem confirmar o motivo da ira de Deus contra eles.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
117
Tubal é mencionado em documentos assírios como sendo os “Tibareni”, o historiador
grego, Heródoto (484?-425 a.C.), também dá o mesmo nome aos descendentes de Tubal.
Este povo vivia também na região do Cáucaso, e hoje seu nome é Tobolsk, cidade
Siberiana, que é a parte oriental da região asiática Russa.
Concluímos que a terra de Magogue trata-se do território, hoje conhecido como
Federação Russa. Meseque é Moscou e Tubal é Tobolsk.
B. Os Aliados de Gogue. Por mais breve que pretendamos ser neste estudo, é
necessário um esforço em identificar quem são estes aliados que juntamente com a
Rússia invadirão Israel na grande tribulação, portanto conheceremos quem são para
podermos iniciar nossa pesquisa.
Ez 38:5-6 relaciona os aliados dessa forma: Persas, etíopes, Pute, Gômer e a casa de
Togarma.
A região Pérsia foi resumida ao território do atual Irã, e isto pode ser observado
facilmente em qualquer livro de história.
Os etíopes são os descendentes de Cuxe, primeiro filho de Cam e neto de Noé. Alguns
historiadores não vêem os etíopes mencionados por Ezequiel como sendo os mesmos da
atual África, isto não se deve ao fato de ser uma região impossibilitada de ter um exército
com condições de guerra de grande proporção, mas sim a uma questão de evidência
histórica. Foram descobertas inscrições assírias que apresentam um povo com
características semelhantes aos descendentes de Cuxe que habitaram mais ao norte da
Arábia (a Etiópia da África fica ao sul da Arábia), chamados Cassitas, estes parecem
representar melhor, devido a posição geográfica, os etíopes mencionados por Ezequiel.
O terceiro aliado é apresentado como Pute, esta nação leva o nome do terceiro filho
de Cam , também de fácil identificação, é a atual Líbia. Josefo no século primeiro
escreveu “Pute (...) povoou a Líbia e chamou a estes povos Puteenses”. Alguns
historiadores colocam Pute como sendo outro povo que habitava nas cercanias da
Pérsia (atual Irã).
Gômer, quarto do grupo, primeiro filho de Jafé, irmão de Magogue, Tubal e
Meseque. É indicado categoricamente como o que originou os Cimerios e os Celtas.
Ambos eram povos arianos que viviam em sistema nômade; no século VIIa.C. foram para a
região da Ásia Menor, de onde foram expulsos. A maior parterumou para o norte,
mais precisamente para a região da atual Alemanha, o que confirma a indicação
encontrada no Tamulde judeu, onde os descendentes de Gomer são chamados de
“Germanis”. Alguns historiadores reconhecem Gomer como sendo a Capadócia, atual
Turquia; isto parece difícil devido não haver ligação étnica entre os povos Celtas e os
atuais turcos.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
118
O quinto poder confederado é chamado de “casa de Togarma”. Togarma era o filho
mais velho de Gômer; é reconhecido, por um consenso majoritário que se trata da atual
Armênia.
A Bíblia ainda nos revela que estes terão consigo “muitos povos”; não podemos
identifica-los, mas sabemos que muitas nações têm interesse na região da Palestina e por
isso se unirão na intenção de conquista-la. Um ponto relevante está em que todos este
paises já combateram de forma direta ou indireta contra Israel.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
119
AULA
14
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
120
14 - O PERÍODO MILENIAL
14.1. O Governo no Milênio
As Escrituras têm muitas informações a respeito do governo teocrático, visto que o
governo administrado pelo Rei é a própria manifestação da autoridade que Deus busca
restabelecer.
O governo será uma teocracia. Depois de tudo o que foi apresentado anteriormente,
é desnecessário reafirmar o fato de que o governo será uma teocracia. Peters, escrevendo
sobre essa forma de governo, comenta: “... muitos autores [...] esforçam-se por fazer da
teocracia uma república, mas a teocracia, por natureza, não é uma república. Embora não
seja uma monarquia no sentido aludido por Samuel, ou seja, de origem puramente
humana, é uma monarquia em sentido mais amplo. Não se trata de república, pois os
poderes legislativo, executivo e judiciário não são potencialmente confiados ao povo, mas
a Deus, o Rei; ela ainda contém os elementos de uma monarquia e de uma república —
monarquia porque a soberania absoluta é confiada a um grande Rei, ao qual todo o resto
se subordina, mas república porque contém o elemento republicano de preservar os
direitos de todos os indivíduos, do mais humilde ao mais elevado... Em outras palavras, por
meio de uma feliz combinação, uma monarquia sob divina direção, conseqüentemente
infalível, traz as bênçãos que resultariam de um governo republicano ideal bem dirigido, o
qual nunca poderia existir em virtude da perversão e do desvio do homem.” (G. N. H.
PETERS, Theocratic kingdom, i, p. 221.)
Essa teocracia deve ser vista não como um luxo, mas como uma necessidade
absoluta. Isso Peters demonstra de modo conclusivo: “relação que o homem e esta terra
mantêm com o Deus Altíssimo requer que a honra e a majestade de Deus demandem o
estabelecimento de uma teocracia na terra, na qual a raça se submeta a um governo
honrável tanto para com Deus quanto para com o homem.”
Na criação Deus determinou essa forma de governo pela desobediência o homem
perdeu o domínio que Deus exerceria sobre a terra.
Deus resolveu restaurar o domínio na Pessoa de Jesus, o Segundo Adão.
Deus — para indicar que forma de governo esse domínio assumiria quando
restaurado, para testar a presente capacidade do homem para ela, e para fazer certas
provisões indispensáveis para o futuro — estabeleceu a teocracia. O homem, dada a sua
pecaminosidade, foi desqualificado para a ordem teocrática, logo, foi retirado.
Deus prometeu que no futuro a restauraria. Essa teocracia é a forma preferida de
Deus para o governo e, se não for restaurada, sua proposta de governo torna-se um
fracasso. Deus enviou Seu Filho para prover a salvação. Essa salvação, em sua consecução
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
121
definitiva, está ligada à futura vinda do reino para assegurar o estabelecimento
permanente da teocracia no futuro, Deus prepara um grupo de governantes para se
associarem com "o Cristo", até que a teocracia seja estabelecida, a raça humana não é
levada à sujeição a Deus, por mais gloriosa que seja essa dispensação em seu desígnio, a
redenção permanece incompleta e assim continuará até que o Messias restaure a
teocracia quando a teocracia for restabelecida, sob a liderança de Cristo e dos Seus santos,
a própria raça será sujeitada a Deus — uma província revoltada será trazida de volta à sua
lealdade e bênção original a teocracia é a forma de governo mais admiravelmente
adaptada para assegurar esse resultado uma teocracia, por natureza um governo visível,
deve demonstrar visivelmente a soberania e a redenção completa perante os olhos do
mundo, a fim de que — como convém a Deus e como acontece no próprio céu — seja
reconhecida publicamente o relacionamento pessoal de Deus com Adão no paraíso, com a
teocracia estabelecida no passado, com o homem em Jesus e por meio dele na primeira
vinda, assegura um relacionamento pessoal especial e contínuo num trono e reino
restaurado... que exibe Sua supremacia da maneira mais tangível e satisfatória, e a
recuperação de um povo e raça rebelde, bem como a manifestação do cumprimento da
vontade de Deus tanto na terra quanto no céu, incluindo um relacionamento pessoal
mediante Aquele que é "o Filho do Homem...".
O Messias é Rei no milênio. As Escrituras deixam claro que o governo do milênio está
sob o Messias, o Senhor Jesus Cristo (Is 2.2-4; 9.3-7; 11.1-10; 16.5; 24.21-23; 31.4-32.2;
42.17,13; 49.1-7; 51.4,5; 60.12; Dn 2.44; 7.15-28; Ob 17-21; Mq 4.1-8; 5.2-5,15; Sf 3.9-
10,18,19; Zc 9.10-15; 14.16,17). Sua autoridade real é universal. Essa posição é dada por
nomeação divina. O salmista registra a palavra de Jeová: "Eu, porém, constituí o meu Rei
sobre o meu santo monte Sião" (Sl 2.6).
Essa entrega do reino ao Filho do Homem pelo Pai é clara e explicitamente ensinada
nessa aliança. Portanto, em consonância, temos a linguagem de Daniel 7.13,14; Isaías 49;
Lucas 22.29 e 1.32 etc. A soberania divina assegura o reino a Ele.
Daniel (7.14) diz que "foi-lhe [o Filho do Homem] dado domínio, e glória, e o reino"
etc. Lucas (1.32) "Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi" etc. [...] O próprio Salvador
parece referir-se a esse acontecimento na parábola das dez minas (Lc 19.15): "Quando ele
voltou, depois de haver tomado posse do reino", entrega do reino pelo Pai ao Filho do
Homem mostra [...] que esse reino é algo muito diferente da soberania divina exercida
universalmente por Deus. O reino é um desenvolvimento dessa soberania divina, que será
exibida por meio do reino, sendo constituída sob forma teocrática, em cuja forma inicial foi
separada no governo de duas pessoas (i.e., Deus e Davi), mas é agora auspiciosamente
unida — tornando-se então eficaz, irresistível e eterna — em um, i.e., "o Cristo".
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
122
O registro do Novo Testamento comprova firmemente o direito de Cristo assumir o
reino de Davi. Girdlestone escreve:
“As genealogias contidas em Mateus 1 e em Lucas 3 demonstram de modo suficiente,
e em bases independentes, que José era da linhagem de Davi; e tornam provável,se não
certo, que, se o trono de Davi fosse restabelecido, José seria a pessoa cuja cabeça seria
coroada. Assim ele é chamado Filho de Davi em Mateus 1.20 e em Lucas 1.27. Também fica
claro em Mateus 1 e em Lucas 1 que José não era literalmente o pai de Jesus, apesar de
Maria ser literalmente sua mãe. José, contudo, atuou como seu pai. A criança nasceu sob a
proteção de José e cresceu sob a sua guarda [...] José adotou Jesus como filho. Ele é
chamado em Lucas 3.23 pai reconhecido [...] Não se sabe com certeza a que tribo Maria
pertencia; mas seu parentesco com Isabel não a impede de ser da tribo de Judá, já que
casamentos entre as tribos de Judá e de Levi são registrados desde o tempo de Arão. As
palavras em Lucas 1.32, "Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai", são
incoerentes com qualquer outra opinião a não ser a de que Maria era da linhagem de Davi,
e nenhuma dificuldade nesse assunto parece ter ocorrido à mente dela [...] Os
evangelistas, contudo, nunca discutem a genealogia de Maria. Eles consideram o suficiente
estabelecer a linhagem de José (cf. At 2.30; 13.22,23,33; Hb 7.14; Rm 1.3; Ap 5.5; 22.16).
Somos levados à conclusão de que a posição do nosso Senhor como Filho de Davi foi
estabelecida, humanamente falando, pela ação de José em adotá-lo, e não pela
possibilidade de Maria ser descendente de Davi. A sucessão da linhagem real não se devia
de fato ao nascimento, mas a uma designação.(R. B. GIRDLESTONE, The grammar of
prophecy, p. 73-5)
14.2. Davi é o Regente no Milênio
Existem várias referências que estabelecem a regência de Davi no milênio (Is 55.3,4;
Jr 30.9; 33.15,17,20,21; Ez 34.23,24; 37.24,25; Os 3.5; Am 9.11). Não há dúvida de que o
Senhor Jesus Cristo reinará no reino teocrático terreno em virtude de ter nascido na
linhagem de Davi e de possuir os direitos reais e legais ao trono (Mt 1.1; Lc 1.32,33). A
questão em jogo nos trechos citados é se o Senhor Jesus Cristo exercerá governo sobre a
Palestina direta ou indiretamente por meio de um regente. Existem várias respostas a essa
questão, a qual é fundamental no tratamento do governo milenar.
A. A primeira resposta é que o termo Davi é usado tipologicamente, em referência a
Cristo. Ironside apresenta essa opinião quando diz: “Não entendo que isso signifique que o
próprio Davi será ressuscitado e habitará na terra como rei [...] a implicação é que Aquele
que foi o Filho de Davi, o próprio Senhor Jesus Cristo, será o Rei e, dessa maneira, o trono
de Davi será restabelecido.” (Harry A. IRONSIDE, Ezekiel the prophet, p. 262.).
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
123
Essa opinião baseia-se no fato de que muitas passagens proféticas prevêem que
Cristo sentará no trono de Davi e por isso se presume que qualquer referência ao governo
se aplica a Cristo, e o nome de Cristo está intimamente associado ao de Davi na Palavra, de
modo que Ele é chamado Filho de Davi e se afirma que Ele se assentará no trono de Davi.
As objeções a essa opinião surgem do fato de que Cristo nunca é chamado de Davi
nas Escrituras. Ele é chamado Renovo de Davi (Jr 23.5), Filho de Davi (15 vezes),
Descendência de Davi (Jo 7.42; Rm 1.3; 2Tm 2.8), Raiz de Davi (Ap 5.5) e Raiz e Geração de
Davi (Ap 22.16), mas nunca Davi.
O título "meu servo, Davi" é usado repetitivamente para o Davi histórico.
Em Oséias 3.5; Ezequiel 37.21-25; 34.24; Jeremias 30.9 e Isaías 55.4, Jeová é
claramente diferenciado de Davi. Se Davi fosse uma referência tipológica a Cristo nessas
passagens, nenhuma distinção poderia ser feita, nem precisaria ser tão cuidadosamente
estabelecida.
Existem declarações concernentes a esse príncipe que impedem a aplicação do título
a Cristo. Em Ezequiel 45.22, diz-se que o príncipe oferece a si mesmo uma oferta de
pecado.
Mesmo se esses forem sacrifícios memoriais, como será mostrado, Cristo não poderia
oferecer um sacrifício por Seus próprios pecados, visto que Ele não tinha pecado. Em
Ezequiel 46.2 o príncipe está comprometido com atos de adoração. Cristo recebe adoração
no milênio, mas não se envolve com atos de adoração. Em Ezequiel 46.16 o príncipe tem
filhos e divide a herança com eles. Isso não poderia acontecer com Cristo. Por esses
motivos parece que o príncipe referido como Davi não poderia ser Cristo.
B. A segunda resposta é que Davi se refere a um filho literal de Davi que se assentará
no trono de Davi. Essa opinião reconhece que Cristo não poderia fazer tudo o que é
declarado a respeito do príncipe e defende que isso será cumprido por um descendente
físico de Davi. Parece, também, por uma comparação cuidadosa dessa passagem com a
última parte da profecia de Ezequiel, que um descendente físico de Davi (chamado "o
príncipe") exercerá a regência na terra sobre a nação restaurada, sob a autoridade dAquele
cuja cidade-sede será a nova e celestial Jerusalém. (Harry A. IRONSIDE, Notes on the minor
prophets, p. 33)
As referências em Jeremias 33.15,17,20,21 indicariam que se espera a vinda de um
filho para assumir o cargo.
Existem várias objeções a essa opinião. Nenhum judeu é capaz de remontar sua
linhagem familiar depois da destruição de Jerusalém. Ottman escreve:
Qualquer que seja a crença tradicional de um judeu sobre sua família e sua tribo,
nenhum homem pode levantar provas documentais legítimas de que pertence à tribo de
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
124
Judá e à linhagem de Davi, sendo o herdeiro legal do trono de Davi. Logo, o único homem
vivo que hoje pode apresentar uma genealogia intacta é Jesus de Nazaré, nascido Rei dos
Judeus, crucificado Rei dos Judeus, que voltará como Rei dos Judeus. (Ford C. OTIMAN,
God's oath, p. 74)
Se outro deve vir depois de Cristo, deve-se dizer que Cristo não seria o cumprimento
completo das promessas de Davi. 3) A interpretação literal demandaria que o nome Davi
significasse o que a palavra implica em seu uso normal.
C. A terceira interpretação defende que Davi significa o Davi histórico, que vem reger
após sua ressurreição na segunda vinda de Cristo. Newell defende esse ponto de vista
quando diz: “Não devemos permitir que nossa mente se confunda quanto a essa situação.
Devemos acreditar nas simples palavras de Deus. Davi não é o Filho de Davi. Cristo, como
Filho de Davi, será Rei; e Davi, seu pai segundo a carne, será o príncipe, durante o milênio.”
(William R. NEWELL, The revelation, p. 323)
Existem várias considerações que apóiam essa interpretação.
Ela é a mais coerente com o princípio literal de interpretação.
Somente Davi poderia ser regente no milênio sem violar as profecias
concernentes ao reinado de Davi.
Os santos ressurrectos terão posições de responsabilidade no milênio como
recompensa (Mt 19.28; Lc 19.12-27). Davi pode ser designado para assumir tal
responsabilidade já que ele era "homem segundo o coração de Deus".
Concluir-se-ia que, no governo do milênio, Davi será nomeado regente sobre a
Palestina e governará sobre a terra como príncipe, ministrando sob a autoridade
de Jesus Cristo, o Rei. O príncipe poderá então conduzir a adoração, oferecer
sacrifícios, dividir entre sua descendência fiel a terra a ele designada, sem violar
sua posição obtida pela ressurreição.
D. Nobres e governadores reinarão sob Davi. Na era milenar, Jesus Cristo será o "Rei
dos Reis e Senhor dos Senhores" (Ap 19.16). Como tal, Ele é soberano sobre um grande
número de governantes subordinados. Sob Davi, a Palestina será governada por esses
indivíduos.
O seu príncipe procederá deles, do meio deles sairá o que há de reinar... (Jr 30.21).
Eis aí está que reinará um rei com justiça,e em retidão governarão príncipes [Is 32.1].
“... os meus príncipes nunca mais oprimirão o meu povo; antes, distribuirão a terra à
casa de Israel, segundo as suas tribos. Assim diz o SENHOR Deus: Basta, ó príncipes de
Israel; afastai a violência e a opressão e praticai juízo e justiça: tirai as vossas
desapropriações do meu povo, diz o SENHOR Deus.” (Ez 45.8,9).
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
125
O Novo Testamento revela que a autoridade sobre as doze tribos de Israel será
confiada às mãos dos doze discípulos.
“... vós, os que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do homem se assentar
no trono da sua glória, também vos assentareis em doze tronos para julgar as doze tribos
de Israel.” (Mt 19.28).
Isso indicaria que, sob Davi, haverá muitos governadores subordinados, os quais
exercerão o poder teocrático e administrarão o governo do milênio.
Muitas autoridades menores governarão. Haverá ainda uma subdivisão menor de
autoridade na administração do governo. A parábola em Lucas 19.12-28 mostra que essa
autoridade será atribuída a indivíduos sobre dez cidades e cinco cidades no reino. Eles
evidentemente prestarão contas ao líder da tribo, que, por sua vez, subordina-se a Davi,
que se subordina ao próprio Rei. Tais posições de autoridade são concedidas como
recompensa pela fidelidade. O Antigo Testamento previu isso:
“Eis que o SENHOR Deus virá com poder, e o seu braço dominará; eis que o seu
galardão está com ele, e diante dele, a sua recompensa.” (Is 40.10). “Assim diz o SENHOR
dos Exércitos: Se andares nos meus caminhos, e observares os meus preceitos, também tu
julgarás a minha casa e guardarás os meus átrios, e te darei livre acesso entre estes que
aqui se encontram.” (Zc 3.7).
Os que forem levados para o milênio "reinarão com ele por mil anos". Prevê-se que
esses ofícios de autoridade serão dados como recompensa.
Serão levantados juizes. Como os juizes do Antigo Testamento eram apontados
divinamente e eram representantes por meio dos quais se administrava o reino teocrático,
também os que governarão no milênio terão a mesma caracterização dos juizes, a fim de
que se evidencie que sua autoridade é uma demonstração do poder teocrático. (Zc 3.7; Is
1.26).
14.3. A Natureza do Reino Milenial
Várias características do reino são mencionadas nas Escrituras.
Será um reinado universal. A autoridade delegada de Cristo, passando por Davi e daí
aos doze até os governadores das cidades, como esboçado acima, diz respeito à Palestina.
Já que Cristo será "Rei dos Reis e Senhor dos Senhores", esta mesma delegação de
autoridade também ocorrerá em outras porções da terra. Não haverá parte da terra que
não experimente a autoridade do Rei (Dn 2.35; 7.14,27; Mq 4.1,2; Zc 9.10).
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
126
Foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de
todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu
reino jamais será destruído.
O reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao
povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será reino eterno, e todos os domínios o servirão
e lhe obedecerão (Dn 7.14,27).
O reinado terá justiça e eqüidade inflexível (Is 11.3-5; 25.2-5; 29.17-21; 30.29-32;
42.13; 49.25,26; 66.14; Dn 2.44; Mq 5.5,6,10-15; Zc 9.3-8).
O reinado será exercido na plenitude do Espírito. “Repousará sobre ele o Espírito do
Senhor, o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e c e fortaleza, o
Espírito de conhecimento e de temor do SENHOR. Deleitar-se-á no temor do SENHOR” (Is
11.2,3).
O governo será um governo unificado. Israel e Judá não mais estarão divididos, nem
as nações serão divididas uma contra a outra. O "governo mundial" cobiçado pelos
homens em resposta à disputa internacional será realizado (Ez 37.13-28; Os 1.11).
O governo tratará sumariamente qualquer manifestação de pecado (Sl 2.9; 72.1-4; Is
29.20,21; 65.20; 66.24; Zc 14.16-21; Jr 31.29,30). "Ferirá a terra com a vara da sua boca, e
com o sopro dos seus lábios matará o perverso" (Is 11.4). Qualquer ato aberto contra a
autoridade do Rei será punido com morte física. Parece que capacidade suficiente é dada
aos santos por meio da plenitude do Espírito, do conhecimento universal do Senhor, da
eliminação de Satanás e da manifestação da presença do Rei para impedi-los de pecar.
O reinado será eterno (Dn 7.14,27).
14.4. Os Súditos no Milênio
O reino teocrático terreno, instituído pelo Senhor Jesus Cristo na segunda vinda,
incluirá todos os salvos de Israel e também os gentios salvos, que estiverem vivos por
ocasião de Seu retorno. As Escrituras deixam bem claro que todos os pecadores serão
eliminados antes da instituição do reino (Is 1.19-31; 65.11-16; 66.15-18; Jr 25.27-33;
30.23,24; Ez 11.21; 20.33-44; Mq 5.9-15; Zc 13.9; Ml 3.2-6; 3.18; 4.3). O registro do
julgamento das nações (Mt 25.35) revela que apenas os salvos entrarão no reino. A
parábola do trigo e do joio (Mt 13.30,31) e a parábola da rede (Mt 13.49,50) mostram que
apenas os salvos entrarão no reino. Daniel deixa claro que o reino é dado aos santos:
“Mas os santos do Altíssimo receberão o reino e o possuirão para todo o sempre, de
eternidade em eternidade. [...] e fez justiça aos santos do Altíssimo; e veio o tempo em
que os santos possuíram o reino. O reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
127
de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será reino eterno,
e todos os domínios o servirão e lhe obedecerão” (Dn 7.18,22,27).
14.5. Israel no Milênio
1.A restauração de Israel. Grande parte das profecias do Antigo Testamento trata da
reintegração da nação na terra, já que as alianças não poderiam ser cumpridas à parte
desse reagrupamento. O reagrupamento associado à segunda vinda é observado nas
palavras do Senhor: Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; todos os povos
da terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu, com
poder e muita glória. E ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os
quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos
céus (Mt 24.30,31).
Esse reagrupamento é o principal assunto da mensagem profética, como mostrarão
os seguintes trechos:
... e vós [...] sereis colhidos um a um (Is 27.12).
... trarei a tua descendência desde o oriente e a ajuntarei desde o ocidente. Direi ao
norte: Entrega; e ao sul: Não retenhas; trazei meus filhos de longe e minhas filhas, das
extremidades da terra, a todos os que são chamados pelo meu nome, e os que criei para
minha glória, e que formei, e fiz (Is 43.5-7).
E será que, depois de os haver arrancado, tornarei a compadecer-me deles e os farei
voltar, cada um à sua herança, cada um à sua terra (Jr 12.15).
... e os farei voltar para esta terra (Jr 24.6).
Sabereis que eu sou o SENHOR, quando eu vos der entrada na terra de Israel, na terra
que, levantando a mão, jurei dar a vossos pais (Ez 20.42).
Assim diz o SENHOR Deus: Quando eu congregar a casa de Israel dentre os povos
entre os quais estão espalhados e eu me santificar entre eles, perante as nações, então,
habitarão na terra que dei a meu servo, a Jacó. Habitarão nela seguros... (Ez 28.25,26).
Mas eu sou o SENHOR, teu Deus, desde a terra do Egito; eu ainda te farei habitar em
tendas, como nos dias da festa (Os12.9).
Eis que, naqueles dias e naquele tempo, em que mudarei a sorte de Judá e de
Jerusalém (Jl 3.1).
Mudarei a sorte do meu povo Israel, reedificarão as cidades assoladas, e nelas
habitarão, plantarão vinhas e beberão o seu vinho, farão pomares e lhes comerão o fruto.
Plantá-los-ei na sua terra, e, dessa terra que lhes dei, já não serão arrancados, diz o
SENHOR, teu Deus (Am 9.14,15).
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
128
Naquele dia, diz o SENHOR, congregarei os que coxeiam e recolherei os que foram
expulsos e os que eu afligira (Mq 4.6).
Naquele tempo, eu vos farei voltar e vos recolherei; certamente, farei de vós um
nome e um louvor entre todos os povos da terra, quando eu vos mudar a sorte diante dos
vossos olhos, diz o SENHOR (Sf 3.20).
Porque eu os farei voltar da terra do Egito e os congregarei da Assíria; trá-los-ei à
terra de Gileade e do Líbano, e não se achará lugar para eles (Zc 10.10).
Assim, essa esperança, tema principal de todas as passagens proféticas, será
cumprida na segunda vinda de Cristo.
14.6. A Regeneração de Israel
A nação de Israel experimentará uma conversão, que preparará o povo para
encontrar o Messias e habitar no Seu reino milenar. Paulo demonstra que essa conversão é
realizada na segunda vinda, pois escreve:
E, assim, todo o Israel será salvo, como está escrito: Virá de Sião o Libertador e ele
apartará de Jacó as impiedades. Esta é a minha aliança com eles, quando eu tirar os seus
pecados (Rm 11.26,27).
Mais uma vez descobrimos ser esse o tema principal das passagens proféticas.
Algumas referências serão suficientes.
Sião será redimida pelo direito, e os que se arrependem, pela justiça (Is 1.27).
... os que ficarem em Jerusalém serão chamados santos... quando o SENHOR lavar a
imundícia das filhas de Sião e limpar Jerusalém da culpa do sangue do meio dela... (Is
4.3,4).
Nos seus dias, Judá será salvo, e Israel habitará seguro; será este o seu nome, com
que será chamado: SENHOR, Justiça Nossa (Jr 23.6).
Dar-lhes-ei coração para que me conheçam que eu sou o SENHOR; eles serão o meu
povo, e eu serei o seu Deus; porque se voltarão para mim de todo o seu coração (Jr 24.7).
Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o
SENHOR. Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu
serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Não ensinará jamais cada um ao seu próximo,
nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao SENHOR, porque todos me conhecerão,
desde o menor até ao maior deles, diz o SENHOR. Pois perdoarei as suas iniqüidades e dos
seus pecados jamais me lembrarei (Jr 31.33,34).
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
129
Dar-lhes-ei um só coração, espírito novo porei dentro deles; tirarei da sua carne o
coração de pedra e lhes darei coração de carne (Ez 11.19).
Então, aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas
imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. Dar-vos-ei coração novo e porei
dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne
(Ez 36.25,26).
E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo; porque, no
monte Sião e em Jerusalém, estarão os que forem salvos... (JI 2.32).
Quem, ó Deus, é semelhante a ti, que perdoas a iniqüidade e te esqueces da
transgressão do restante da tua herança? O SENHOR não retém a sua ira para sempre,
porque tem prazer na misericórdia. Tornará a ter compaixão de nós; pisará aos pés as
nossas iniqüidades e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar (Mq
7.18,19).
Mas deixarei, no meio de ti, um povo modesto e humilde, que confia em o nome do
SENHOR. OS restantes de Israel não cometerão iniqüidade, nem proferirão mentira, e na
sua boca não se achará língua enganosa, porque serão apascentados, deitar-se-ão, e não
haverá quem os espante (Sf 3.12,13).
Naquele dia, haverá uma fonte aberta para a casa de Davi e para os habitantes de
Jerusalém, para remover o pecado e a impureza (Zc 13.1).
Farei passar a terceira parte pelo fogo, e a purificarei como se purifica a prata, e a
provarei como se prova o ouro; ela invocará o meu nome, e eu a ouvirei; direi: É meu
povo, e ela dirá: O SENHOR é meu Deus (Zc 13.9).
Já que nenhum incrédulo entrará no milênio, o que aguarda a Israel é uma conversão
que o preparará para o reino prometido. A segunda vinda testemunhará a conversão da
nação, isto é, de toda a nação de Israel, a fim de que as alianças feitas sejam cumpridas na
era do reinado do Messias.
14.7. Israel Como Súdito do Messias o Milênio
Israel se tornará súdito do governo do Rei (Is 9.6,7; 33.17,22; 44.6; Jr 23.5; Mq 2.13;
4.7; Dn 4.3; 7.14,22,27).
Para ser súdito, Israel se converterá e será reintegrado à terra, como já foi visto; e,
será reunido como nação (Jr 3.18; 33.14; Ez 20.40; 37.15-22; 39.25; Os 1.11).
A nação se unirá mais uma vez a Jeová por meio do casamento (Is 54.1-17; 62.25; Os
2.14-23).
Israel será exaltado acima dos gentios (Is 14.1,2; 49.22,23; 60.14-17; 61.6,7).
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
130
Israel será justificado (Is 1.25; 2.4; 44.22-24; 45.17-25; 48.17; 55.7; 57.18,19; 63.16; Jr
31.11; 33.8; 50.20,34; Ez 36.25,26; Os 14.4; Jl 3.21; Mq 7.18,19; Zc 13.9; Ml 3.2,3).
A nação será testemunha de Deus durante o milênio (Is 44.8,21; 61.6; 66.21; Jr 16.19-
21; Mq 5.7; Sf 3.20; Zc 4.1-7; 4.11-14; 8.23).
Israel será embelezado para glorificar Jeová (Is 62.3; Jr 32.41; Os 14.5,6; Sf 3.16,17; Zc
9.16,17).
14.8. Os Gentios no Milênio
Os aspectos universais da aliança abraâmica, que prometia bênção universal, serão
cumpridos naquela era. Os gentios terão um relacionamento com o Rei.
A participação dos gentios no milênio é prometida nas passagens proféticas (Is 2.4;
11.12; 16.1-5; 18.1-7; 19.16-25; 23.18; 42.1; 45.14; 49.6;22; 59.16-18; 60.1-14; 61.8,9;
62.2; 66.18,19; Jr 3.17; 16.19-21; 49.6; 49.39; Ez 38.23; Am 9.12; Mq 7.16,17; Sf 2.11; 3.9;
Zc 8.20-22; 9.10; 10.11,12; 14.16-19). Tal admissão é essencial para que o domínio do
Messias seja universal.
Os gentios serão servos de Israel durante essa era (Is 14.1,2; 49.22,23; 60.14; 61.5; Zc
8.22,23). As nações que usurparam a autoridade de Israel em épocas passadas
testemunharão aquele povo oprimido ser exaltado e se verão sujeitas a ele no seu reino.
Os gentios que estiverem no milênio experimentarão a conversão antes de sua
admissão (Is 16.5; 18.7; 19.19-21,25; 23.18; 55.5,6; 56.6-8; 60.3-5; 61.8-9; Jr 3.17; 16.1921;
Am 9.12; Ob 17.21).
Eles se submeterão ao Messias (Is 42.1; 49.6; 60.3-5; Ob 21; Zc 8.22,23). A esses
gentios é feito o convite: "Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos
está preparado desde a fundação do mundo" (Mt 25.34).
14.9. Jerusalém e a Palestina no Milênio
Como as alianças feitas com Israel garantem a posse da terra, algo plenamente
cumprido no milênio, a Palestina e Jerusalém aparecem constantemente nos escritos
proféticos.
A. Jerusalém no milênio. Podemos esclarecer uma série de fatos pelo estudo das
profecias concernentes ao papel de Jerusalém naquela era.
Jerusalém se tornará o centro do mundo milenar (Is 2.2-4; Jr 31.6; Mq 4.1; Zc
2.10,11). Pelo fato de o mundo estar sob o domínio do Rei de Israel, o centro da
Palestina se tornará o centro de todo o mundo.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br| contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
131
Jerusalém será o centro do governo do reino (Jr 3.17; 30.16,17; 31.6,23, Ez
43.5,6; Jl 3.17; Mq 4.7; Zc 8.2,3). A cidade que era o centro do governo de Davi
se tornará o centro do governo do grande Filho de Davi.
A cidade será gloriosa, glorificando Jeová (Is 52.1-12; 60.14-21; 61.3; 62.1-12;
66.1014; Jr 30.18; 33.16; Jl 3.17; Zc 2.1-13). O Rei estará tão associado a
Jerusalém, que a cidade partilhará a Sua glória.
A cidade será protegida pelo poder do Rei (Is 14.32; 25.4; 26.1-4; 33.20-24), a fim
de jamais precisar temer por sua segurança.
A antiga área da cidade será ampliada (Jr 31.38-40; Ez 48.30-35; Zc 14.10).
Ela será acessível a todos naqueles dias (Is 35.8,9), de modo que todos os que
buscam o Rei encontrarão acolhida dentro de suas muralhas.
Jerusalém será o centro de adoração da era milenar (Jr 30.16-21; 31.6,23; Jl 3.17;
Zc 8.8,20-23). 8) A cidade durará para sempre (Is 9.7; 33.20,21; 60.15; Jl 3.19-21;
Zc 8.4).
B. A Palestina no milênio. Um conjunto de fatos essenciais a respeito da terra é
apresentado nas profecias.
A Palestina se tornará a herança de Israel (Ez 36.8,12; 47.22,23; Zc 8.12). Isso é crucial
para o cumprimento das alianças de Israel.
A terra será ampliada em comparação com a área anterior (Is 26.15; 33.17; Ob 17-21;
Mq 7.14). Pela primeira vez Israel tomará posse de toda a terra prometida a Abraão (Gn
15.18-21).
14.10. A Redenção da Terra no Milênio
A topografia da terra será alterada (Is 33.10,11; Ez 47.1-12; Jl 3.18; Zc 4.7; 14.4,8,10).
Em vez do terreno montanhoso que hoje caracteriza a Palestina, existirá uma grande e
fértil planície na segunda vinda do Messias (Zc 14.4), de modo que a Palestina realmente
será "bela e sobranceira" (Sl 48.2). Essa nova topografia permite ao rio fluir da cidade de
Jerusalém para os dois mares e regar a terra (Ez 47.1-12).
Haverá fertilidade e produtividade renovada na terra (Is 29.17; 32.15; 35.1-7; 51.3;
55.13; 62.8,9; Jr 31.27,28; Ez 34.27; 36.29-35; Jl 3.18; Am 9.13). Assim, o que arar o campo
alcançará o ceifeiro por causa da produtividade da terra.
Haverá chuva abundante (Is 30.23-25; 35.6,7; 41.17,18; 49.10; Ez 34.26; Zc 10.1; Jl
2.23,24). Ao longo de todo o Antigo Testamento a chuva era sinal da bênção e da
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
132
aprovação de Deus, e a falta de chuva era um sinal do julgamento de Deus. A abundância
de chuva na terra será um sinal da bênção de Deus naquele dia.
A terra será reconstruída depois de ter sido devastada durante o período da
tribulação (Is 32.16-18; 49.19; 61.4,5; Ez 36.33-38; 39.9; Am 9.14,15). As sobras da
destruição serão eliminadas, para que a terra esteja novamente limpa.
A Palestina será redistribuída dentre as doze tribos de Israel. Em Ezequiel 48.1-29
essa distribuição é esboçada. Nesse capítulo a terra encontra-se dividida em três partes.
Na parte norte, a terra é repartida entre as tribos de Dã, Aser, Naftali, Manassés,
Efraim, Rúben e Judá (Ez 48.1-7). A terra parece ser dividida por uma linha de leste a oeste
por toda a dimensão ampliada da Palestina.
Da mesma forma, a porção meridional será distribuída entre Benjamim, Simeão,
Issacar, Zebulom e Gade (Ez 48.23-27). Entre as divisões norte e sul, existe uma área
conhecida como "região sagrada" (Ez 48.8-20), ou seja, a porção da terra separada para o
Senhor.
Essa área terá 25 mil canas* (* A ARA traz "côvados", uma tradução duvidosa, já que
o texto hebraico não tem a palavra específica para côvado nesta passagem. (N. do T.)) de
comprimento e largura (Ez 48.8,20) será dividida em uma área de 25 por 10 mil canas para
os levitas (Ez 45.5; 48.13,14), e a mesma área para o templo e sacerdotes (Ez 45.4; 48.10-
12) e 25 por 5 mil canas para a cidade (Ez 45.6; 48.15-19). Unger escreve:
“Qual é o comprimento de uma cana em Ezequiel? Essa medida é apresentada como
"seis côvados", "um côvado e um palmo* cada" (40.5). [* Uma palma, a medida da largura
da mão de um homem. (N do T.)] "Um côvado é um côvado e um palmo" (43.13). Então o
verdadeiro problema é: Qual o comprimento de um côvado especificado em Ezequiel?
Pesquisas arqueológicas demonstraram que três tipos de côvado eram empregados na
Babilônia antiga [...] O menor, de 28 cm ou três palmos, era utilizado em ourivesaria. O
segundo, de quatro palmos ou 36 cm, era aplicado em construções, e o terceiro, de cinco
palmos ou 45 cm, era usado para medidas de agrimensura. O côvado mais curto de três
palmos (um palmo tem cerca de 9 cm), equivalente a 28 cm, é a unidade fundamental
básica [...] Como o profeta é bastante específico em relatar a unidade de medida da sua
visão em "um côvado e um palmo" (40.5; 43.13), ele, sem dúvida, quer indicar o menor
côvado de três palmos como uma medida básica, mais um palmo ou o que é equivalente
ao côvado do meio, de 36 cm de comprimento. Com esse cálculo uma cana teria 2,5 m. A
região sagrada seria um quadrado espaçoso, de 55 cm de lado, abrangendo cerca de 3025
km2. Essa área seria o centro de todos os interesses do governo e da adoração divina
estabelecidos na terra milenar. (Merrill E UNGER, The temple vision of Ezekiel, Bibliotheca
Sacra, 105:427-8, Oct. 1948).
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
133
Se o côvado maior fosse empregado, isso aumentaria a região sagrada em cerca de
80 km de lado. Isso só poderia ser possível à luz da área mais ampla contida nas fronteiras
palestinas no milênio. (Cf. Arno C. GAEBELEIN, The prophet Ezekiel, p. 339)
14.11. O Templo no Milênio
Grande parte da profecia de Ezequiel (40.1-46.24) dedica-se ao templo; sua estrutura,
seu sacerdócio, seu ritual e seu ministério. Várias opiniões têm sido apresentadas a
respeito dessa importante profecia. Gray esboça as seguintes opiniões:
Existem cinco interpretações desses capítulos:
1. Alguns acham que essas passagens se referem ao templo de Jerusalém antes do
cativeiro babilônico, e o propósito é preservar a sua memória. Mas a objeção é
que tal memória é desnecessária em razão dos relatos de Reis e de Crônicas; além
disso, a menção não é verdadeira porque não está de acordo com o registro dos
livros citados.
2. Alguns pensam que os capítulos dizem respeito ao templo em Jerusalém depois
do retorno dos setenta anos na Babilônia, mas isso não pode ser verdade, porque
existem mais contrastes do que semelhanças entre o templo aqui mencionado e
aquele.
3. Alguns acreditam que os capítulos se referem ao templo ideal que os judeus
deveriam ter construído depois dos setenta anos de cativeiro, mas que nunca
realizaram. Mas isso rebaixa o caráter da Palavra divina. Por que essa profecia de
Ezequiel seria dada se ela nunca viria a ser cumprida?
4. Alguns consideram que o templo de Ezequiel simboliza as bênçãos espirituais da
igreja no presente. Mas isso é improvável, porque mesmo os que defendem essa
teoria não conseguem explicar o simbolismo do qual estão falando. Além do mais,
mesmo como simbolismo, ficam de lado vários aspectos importantes do
cristianismo, como a expiação e a intercessão do sumo sacerdote.
5. A última opinião é que temos aqui uma previsão do templo construído na era
milenar. Essa parece ser uma seqüência adequada e inteligente às profecias
precedentes.
Embora as opiniões de Gray declaradas anteriormente já venham seguidas de
contestação, Gaebelein responde às opiniões antiliterais mais completamente. Sobre a
perspectiva que vê esses capítulos da profecia de Ezequiel cumpridos no retorno dos
judeus da Babilônia, ele escreve:
Institutode Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
134
O templo que o remanescente construiu não corresponde de maneira nenhuma à
magnífica estrutura que Ezequiel observou em sua visão. O fato é que, se esse templo for
uma construção literal (como é assegurado), ele nunca foi erguido. Além disso, é
expressamente declarado que a glória do Senhor retornou ao templo e Ele ali habitou; a
mesma glória que Ezequiel tinha visto partindo do templo e de Jerusalém.
Mas a glória não retornou ao segundo templo. Nenhuma nuvem de glória encheu
aquela casa. Além disso, não se menciona nenhum sumo sacerdote na adoração do templo
descrito por Ezequiel, mas depois do retorno da Babilônia os judeus tiveram sumos
sacerdotes novamente. O rio de águas curativas que flui do templo conforme visto por
Ezequiel não pode de forma alguma ser aplicado à restauração do cativeiro babilônico.
O mesmo autor rejeita por ser indigna a explicação de que a visão é fruto da
imaginação do profeta e contesta a idéia de que o trecho deva ser aplicado
simbolicamente à igreja: “Esse é a mais fraca e, contudo, a mais aceita das explicações.
Mas sua teoria não fornece uma exposição do texto; é vaga e rica em aplicações
extravagantes, enquanto a maior parte dessa visão não é explicada mesmo no seu
significado alegórico, pois ela evidentemente não tem tal significado.”
Sua conclusão sobre qual é o método de interpretação dessas palavras é a seguinte:
“A verdadeira interpretação é a literal, que encara os capítulos como uma profecia ainda
não realizada, por cumprir-se quando Israel for restaurado pelo Pastor e Sua glória for mais
uma vez manifesta em meio ao povo. A grande construção revelada nessa visão profética
passará a existir, e tudo será cumprido.”
Unger também conclui: "O templo de Ezequiel é um santuário literal e futuro a ser
construído na Palestina como esboçado durante o milênio". (Merrill F. UNGER, The temple
vision of Ezekiel, Bibliotheca Sacra, 105:423. Oct. 1948)
O local do templo na terra é claramente apresentado nas Escrituras.
O templo em si será localizado no meio desse quadrado [a região sagrada] (e não na
cidade de Jerusalém), sobre uma montanha alta, que será miraculosamente preparada
para esse propósito quando o templo for erguido. Esse será o "monte da casa de Jeová",
estabelecido no "topo dos montes" e "exaltado acima dos montes", ao qual afluirão todas
as nações (Is 2.4; Mq 4.1-4; Ez 37.26). Ezequiel retrata isso no capítulo 37, versículo 27: "O
meu tabernáculo estará com ["acima" ou "sobre"] eles...". O profeta vê a magnífica
estrutura numa grande elevação que contém majestosa visão de toda a nação ao seu
redor. (Ibid., 205:428-9)
A. Os detalhes do templo. O profeta Ezequiel nos dá inúmeros detalhes a respeito
desse templo que se tornará o centro da terra milenar. (Cf. Ibid., 206:48-57.) Os portões e
os pátios que cercam o templo são os primeiros a ser descritos (Ez 40.5-47). Toda a área é
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
135
cercada por um muro (40.5) que o isola daquilo que o profanaria. O pátio exterior é
descrito (40.6-27) como o local em que o povo se reúne. Há três portões de acesso ao
pátio, um dos quais, construído como todos os outros, é o portão do oriente (40.6-16),
uma estrutura de 25 por 50 côvados (40.21), por meio do qual a glória shekinah entra no
templo (43.1-6), que se mantém fechado (44.2-3).
Existe um portão ao norte (40.20,23) e outro ao sul (40.24-27); a entrada de cada um
possui sete degraus (40.26), mas o do ocidente não possui degraus (40.24). Anexadas a
cada portão existem seis câmaras pequenas, três de cada lado (40.7-10). Ao redor do pátio
externo existem trinta câmaras, cinco de cada lado dos portões, organizadas em torno dos
muros norte, leste e sul (40.17-19). Antes dessas câmaras há um pavimento (40.17-18) que
se estende em torno dos três lados da área.
O profeta em seguida descreve o pátio interior (40.28-47), área de cem côvados de
cada lado (40.47), onde ministram os sacerdotes. Existem três portões, cada um
diretamente oposto aos portões do muro exterior e cem côvados para dentro da muralha
externa, por meio dos quais se tem acesso ao pátio interior; um portão fica ao sul (40.28-
31), outro a leste e outro ao norte (40.32-37). Chega-se a essa área do pátio interno por
oito degraus (40.37), de modo que ele fica elevado em relação ao pátio exterior. Adjacente
ao portão norte existem oito mesas para preparação do sacrifício (40.40-43). E, dentro do
pátio externo, mas fora do pátio interno, existem câmaras para os sacerdotes ministrantes
(40.44-46). O centro dessa área é ocupado por um altar (40.47; 43.13-17) em que os
sacrifícios são oferecidos.
Ezequiel descreve então o próprio templo (40.48-41.4). Descreve primeiramente o
alpendre ou vestíbulo do templo (40.48,49), que mede 20 por 11 côvados. O vestíbulo tem
dois grandes pilares (40.49), e o acesso a ele é feito por uma escada (40.49), de modo que
essa área é elevada em relação às outras. Esse vestíbulo conduz para dentro do "templo",
onde fica o Lugar Santo, uma área de 40 por 20 côvados (41.2), na qual há uma mesa de
madeira (41.22). Além disso, existe a parte interior do templo, o Santo dos Santos, uma
câmara de 20 por 20 côvados (41.3-4).
Cercando a parede externa do edifício há câmaras, com três andares de altura (41.5-
11), trinta câmaras por andar. O uso de tais câmaras não é descrito pelo profeta. O templo
é cercado por uma área de 20 a 100 côvados, denominada área separada (41.12-14), que
circunda o templo por todos os lados, exceto na parte leste, onde se localiza o vestíbulo. A
seguir é descrito o templo propriamente dito (41.15-26). Ele é apainelado com madeira
(41.16) e ornamentado com palmeiras e querubins (41.18). Existem duas portas dentro do
santuário (41.23-26). É importante notar que em toda a descrição não se faz menção à
arca, nem ao propiciatório, ao véu, aos querubins acima do propiciatório ou às tábuas de
pedra.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
136
O único móvel descrito é a mesa ou altar de madeira (41.22) que corresponde à mesa
dos pães da proposição que está perante o Senhor. Uma construção separada também
está incluída na área do templo, localizada no lado oeste do claustro (41.12), áreas onde
eram preparados os sacrifícios (46.19,20) e áreas nos quatro cantos onde havia um pátio
em que se preparavam os sacrifícios para o povo (46.21-24).
A profecia oferece uma extensa descrição do trono (43.7-12), que parece ser o
próprio centro de autoridade. A descrição do altar é detalhada (43.12-18), seguida de um
relato das ofertas que serão feitas (43.19-27). O ministério dos sacerdotes é esboçado
(44.9-31), e todo o ritual de adoração é descrito (45.13-46.18). A visão chega ao clímax
com a descrição do rio que flui do santuário (47.1-12; cf. Is 33.20,21; Jl 3.18; Zc 14.8). Esse
rio flui do sul do templo através da cidade de Jerusalém e depois se divide, correndo em
direção ao mar Morto e ao mar Mediterrâneo, fornecendo vida ao longo das margens.
B. O propósito do templo. Unger arrola cinco propósitos que serão realizados no
templo.
1. Para demonstrar a santidade de Deus. [...] [a] infinita santidade da natureza e do
governo de Jeová [...] tinha sido ultrajada e questionada pela idolatria e rebelião
do povo [...] Isso provocou a completa exposição, acusação e julgamento da
pecaminosa nação de Israel [...] juntamente com os pronunciamentos de juízo
sobre as perversas nações vizinhas [...]Isso foi seguido pela demonstração da
graça de Deus em restaurar a Si mesmo a nação pródiga.
2. Para prover uma habitação para a glória divina. [...] "Este é o lugar do meu trono,
e o lugar das plantas dos meus pés, onde habitarei no meio dos filhos de Israel
para sempre" (43.7).
3. Para perpetuar o memorial do sacrifício. Não é o sacrifício, é claro, com o
propósito de obter salvação, mas o sacrifício comemorativo de uma salvação já
plenamente realizada, oferecido na presença da glória revelada de Jeová.
4. Para prover o centro do governo divino. Quando a glória divina passa a habitar no
templo, a proclamação não se resume ao fato de que o templo é a habitação de
Deus e a sede da adoração, mas que é o centro radiante do governo divino. "Este
é o lugar do meu trono..." (43.7).
5. Para prover a vitória sobre a maldição (47.1-12). Por baixo do limiar do templo, o
profeta vê um rio maravilhoso que flui na direção leste, aumentando seu volume
de água refrescante até desaguar em sua plenitude no mar Morto, cujas águas
venenosas são curadas [...] Atravessando a corrente dessas águas maravilhosas, o
profeta encontra ambas as margens cobertas com enorme quantidade de árvores
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
137
exuberantes, cujas folhas e frutos são perenes, fornecendo ao mesmo tempo
remédio e alimento.
14.12. Haverá Sacrifício Literal no Milênio?
Um dos problemas que acompanham a interpretação literal da apresentação do
milênio no Antigo Testamento é o problema da interpretação de trechos como Ezequiel
43.18-46.24; Zacarias 14.16; Isaías 56.6-8; 66.21; Jeremias 33.15-18 e Ezequiel 20.40-41,
que ensinam todos a restauração do sacerdócio e a reinstituição do sistema de sacrifícios
com sangue durante essa era. A alegada incoerência entre essa interpretação e o
ensinamento do Novo Testamento a respeito da obra completa de Cristo, que aboliu o
sistema de sacrifício do Antigo Testamento, tem sido usada pelos amilenaristas para
reduzir o sistema pré-milenarista a um absurdo e confirmar a falácia do método literal de
interpretação. Allis crê ter apresentado um obstáculo insuperável aos pré-milenaristas,
(Oswald T. ALLIS, Prophecy and the church, p. 245) dizendo:
“... Sua ênfase no sentido literal e no Antigo Testamento leva quase inevitavelmente
a uma doutrina do milênio que o torna definitivamente judeu e representa o retorno da
glória do evangelho aos rituais e cerimônias típicos que prepararam o caminho para ele, e,
tendo servido àquele propósito necessário, perderam para sempre sua validade e
adequação.”
O que confronta, então, os pré-milenaristas é a necessidade de conciliar os
ensinamentos do Antigo Testamento de que sacrifícios com sangue serão oferecidos no
milênio com a doutrina do Novo Testamento da abolição dos sacrifícios do Antigo
Testamento por causa do sacrifício de Cristo. Se um literalismo coerente conduz à adoção
dos sacrifícios de fato durante o milênio, torna-se necessário explicar por que o sistema
deveria ser reinstituído.
Observam-se vários fatores a respeito dos sacrifícios milenares que os tornam
totalmente legítimos.
Devemos observar, em primeiro lugar, que os sacrifícios milenares não estarão
relacionados com a questão da expiação. Eles não serão expiatórios, pois em nenhum lugar
se declara que serão oferecidos visando à salvação dos pecados. Allis escreve:
Eles devem ser expiatórios no mesmo sentido que os sacrifícios descritos em Levítico.
Oferecer qualquer outra opinião a respeito significa abrir mão do princípio de
interpretação literal da profecia que é fundamental para o dispensacionalismo, e é
também admitir que as profecias sobre o reino do Antigo Testamento não entram no Novo
Testamento "absolutamente imutáveis".
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
138
É verdade que eles são apenas "elementos fracos e pobres" quando vistos à luz da
cruz, da qual extraem toda a sua eficácia. Mas foram eficazes nos dias de Moisés e de Davi,
e não meros memoriais; e no milênio devem ser igualmente eficazes se o sistema de
interpretação dispensacionalista for verdadeiro. E isso eles não podem ser, salvo se o
ensinamento da epístola aos Hebreus for completamente desprezado. (ALLIS, op. cit., p.
247)
Existem erros em vários aspectos desse argumento de que esses sacrifícios,
logicamente, precisam ser interpretados como expiatórios pelos dispensacionalistas.
A insistência do cumprimento literal da aliança davídica não tem como conseqüência
necessária o restabelecimento da ordem mosaica, pois elas não estavam relacionadas uma
à outra. A aliança davídica era eterna e incondicional, governando o futuro trato de Deus
com a nação, enquanto a aliança mosaica era temporal e condicional, governando a
relação do homem com Deus. O cumprimento de uma não torna obrigatório o
cumprimento da outra, já que a aliança mosaica era vista como temporária.
E um erro da doutrina soteriológica ensinar que os sacrifícios pudessem de alguma
forma retirar o pecado ou que efetivamente o tenham feito. Isso contradiz o claro
ensinamento de Hebreus 10.4, citado pelo próprio Allis: "Porque é impossível que o sangue
de touros e de bodes remova pecados". A única maneira de sustentar a opinião de que os
sacrifícios serão eficazes no milênio é dizer que eles o foram no Antigo Testamento, e isso
é uma clara contradição com todo o Novo Testamento. Que insensatez argumentar que
um ritual poderia realizar no futuro o que nunca pôde realizar, ou realizou, ou foi
projetado para realizar no passado.
Em segundo lugar, os sacrifícios serão memoriais quanto ao caráter. Existe um
consenso geral entre os pré-milenaristas quanto ao propósito do sistema sacrificial
inaugurado na era milenar. Interpretados à luz do Novo Testamento, com ensinamentos
baseados na morte de Cristo, eles devem ser memoriais dessa morte. Grant enuncia tal
posição claramente:
[Esse é] o memorial permanente do sacrifício, mantido na presença da glória
revelada. Não é um sacrifício oferecido com o intuito de obter salvação, mas tendo em
vista uma salvação já conquistada.
Gaebelein tem a mesma opinião sobre o caráter memorial dos sacrifícios quando
escreve:
“Embora os sacrifícios que Israel fazia tivessem significado em perspectiva, os
sacrifícios feitos no templo milenar têm um significado em retrospectiva. Quando
atualmente o povo de Deus adora da maneira indicada à sua mesa, com pão e vinho como
lembrança de Seu amor, há uma retrospectiva. Olhamos para o passado em direção à cruz.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
139
Mostramos a sua morte, "até que Ele venha". Quando a volta acontecer, essa festa
memorial terminará para sempre. Nunca mais a ceia do Senhor será celebrada depois que
os santos de Deus deixarem a terra com o Senhor na Sua glória. Os sacrifícios reiniciados
serão o memorial da cruz e de toda a maravilhosa história da redenção de Israel e das
nações da terra, durante o reinado de Cristo. E que memorial há de ser! Quão significativos
serão esses sacrifícios! Eles trarão uma lembrança viva de tudo o que aconteceu no
passado. A retrospectiva produzirá um grande cenário de adoração, louvor e reverência
como esta terra jamais viu. Tudo o que a cruz significou e realizou será lembrado, e um
grande "Hino de Aleluia" encherá a terra e o céu. Os sacrifícios lembrarão constantemente
ao povo Aquele que morreu por Israel, pagou o preço da redenção por toda a criação, cuja
glória agora cobre a terra comoas águas cobrem o mar.”
Adolph Saphir nos deu uma palavra a respeito do paralelo existente entre a ceia do
Senhor em sua relação com a morte de Cristo e os sacrifícios memoriais em relação a essa
morte:
“... não poderíamos supor que o que era típico antes da primeira vinda de Cristo,
apontando para a grande salvação que estava por vir, possa, durante o reino, comemorar a
redenção já realizada? Na ceia do Senhor comemoramos a morte de Cristo; repudiamos
totalmente a doutrina papal da repetição da oferta de Cristo; não acreditamos em tal
renovação do sacrifício, mas obedecemos, agradecidos, ao mandamento que Cristo nos
deu de celebrar Sua morte de tal maneira que um memorial externo seja apresentado ao
mundo, e um sinal e um selo aparentes e visíveis sejam dados ao participante que crê. Não
poderá semelhante plano suceder à ceia do Senhor, que, sabemos, terminará com o Seu
retorno? Também é possível que tanto os santos glorificados no céu quanto as nações na
terra contemplarão durante o milênio a harmonia completa entre o tipo e a realidade.
Mesmo a igreja tem apenas conhecimento superficial dos tesouros da sabedoria nas
instituições levíticas e em seus símbolos.” (Adolph SAPHIR, Christ and Israel, p. 182.).
Wale declarou sucintamente a proposição:
“... o pão e o vinho da ceia do Senhor são, para o crente, símbolos e memoriais físicos
e materiais da redenção já adquirida. E esse será o caso com os sacrifícios reinstituídos em
Jerusalém; eles serão comemorativos, como os sacrifícios antigos se davam em
perspectiva. E por que não? Existia alguma virtude nos sacrifícios legais que prenunciavam
o sacrifício de Cristo? Nenhuma sequer. Seu único valor e significado derivava do fato de
que eles apontavam para Ele. E tal será o valor e significado dos futuros sacrifícios que,
conforme Deus declarou, serão oferecidos no futuro templo. Qualquer que seja a
dificuldade imaginada pelo leitor quanto à maneira como essa previsão será realizada, é
suficiente para nós que DEUS ASSIM O DISSE.” (Burlington B. WALE, The closing days of
christendom, p. 485)
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
140
Conclui-se então que esses sacrifícios não são expiatórios, pois nenhum sacrifício
jamais executou a completa eliminação dos pecados, mas relembram o perfeito sacrifício
d’Aquele que todos os sacrifícios simbolizavam, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do
mundo.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
141
AULA
15
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
142
15 - O ESTADO ETERNO
Embora a Palavra de Deus não ofereça grande quantidade de detalhes a respeito do
reino eterno, oferece o suficiente para dar ao filho de Deus plena certeza da esperança
gloriosa que o aguarda em sua relação eterna com o Pai e com o Filho. Entre o fim do reino
teocrático terreno e a união desse reino com o reino eterno de Deus, ocorrem certos
acontecimentos importantes, para que todo vestígio de rebeldia seja exterminado e Deus
reine supremo. Neste estudo não são analisadas as áreas amplas das doutrinas do estado
eterno, mas a discussão se restringe às questões relacionadas às profecias daquele tempo.
15.1. A Purificação Para o Reino Eterno
Há três acontecimentos previstos nas Escrituras que podem ser vistos como atos
purificadores do universo no que diz respeito ao que restou de maldição, para que o reino
eterno possa ser plenamente manifesto:
1. a libertação de Satanás e a rebelião satanicamente liderada,
2. a purificação da terra pelo fogo e
3. o julgamento dos pecadores no grande trono branco.
15.2. A Libertação de Satanás e a sua Rebelião
João retrata um cenário na terra no fim do milênio que abala a imaginação.
Ele segurou o dragão, a antiga serpente, que é o diabo, Satanás, e o prendeu por mil
anos; lançou-o no abismo, fechou-o e pôs selo sobre ele, para que não mais enganasse as
nações até se completarem os mil anos. Depois disto, é necessário que ele seja solto pouco
tempo.
“Quando, porém, se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão, e
sairá a seduzir as nações que há nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, a fim de
reuni-los para a peleja. O número dessas é como a areia do mar. Marcharam, então, pela
superfície da terra e sitiaram o acampamento dos santos e a cidade querida; desceu,
porém, fogo do céu e os consumiu.” (Ap 20.2-3,7-9).
A respeito disso Chafer escreve:
“É difícil entender como tal operação será possível com Cristo no trono e em
autoridade direta, como descrito em Isaías 11.3-5... Não há solução para esse problema
além de uma permissão divina para a consumação do mal no universo. Para o mesmo fim
pode-se perguntar por que, sobre o trono do universo, Ele permitiu o mal que Ele mesmo
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
143
odeia. Quando, à luz do entendimento celestial, um problema for resolvido, o outro
também o será. (Lewis Sperry CHAFER, Systematic theology, v, p. 361).
Com exceção de certo entendimento sobre a profundidade da corrupção humana, é
impossível compreender como uma multidão, "o número dessas é como a areia do mar"
(Ap 20.8), poderia revoltar-se contra o Senhor Jesus Cristo, quando viveu sob Sua
benevolência durante toda a vida. Mas nessa rebelião demonstra-se mais uma vez que
Deus é justo quando julga o pecado. E o julgamento se faz na forma de morte física, por
meio do derramamento do fogo sobre todos os rebeldes liderados por Satanás (Ap 20.9).
Dessa maneira, Deus retira toda a incredulidade do reino teocrático e faz prever sua união
com o reino eterno de Deus.
15.3. A Purificação da Criação.
Por causa do pecado de Adão no Éden, Deus colocou uma maldição sobre a terra,
quando Ele disse: "Maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento
durante os dias de tua vida. Ela produzirá também cardos e abrolhos" (Gn 3.17,18). Torna-
se necessário retirar o último vestígio dessa maldição da terra antes da manifestação do
reino eterno. Esse acontecimento é descrito por Pedro:
“Virá, entretanto, como ladrão, o dia do Senhor, no qual os céus passarão com
estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras
que nela existem serão atingidas. Visto que todas essas cousas hão de ser assim desfeitas,
deveis ser tais como os que vivem em santo procedimento e piedade, esperando e
apressando a vinda do Dia de Deus, por causa do qual os céus, incendiados, serão
desfeitos, e os elementos abrasados se derreterão. Nós, porém, segundo a sua promessa,
esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça.” (2Pe 3.10-13).
Tal passamento da terra atual é previsto em várias passagens (Mt 24.35; Hb 1.10-12;
Ap 20.11).
Alguns acreditam que a purificação da terra antecede o milênio. De acordo com essa
teoria, a purificação acontecerá no início do milênio e eliminará a maldição, de modo que a
produtividade será restaurada à terra durante esse período. Há vários fundamentos nos
quais se apóia essa teoria.
Acredita-se que o "dia do Senhor" (2Pe 3.10), no qual se dá esse acontecimento, é um
tempo de juízo e inclui apenas o período que vai do arrebatamento até a instituição do
milênio, com os julgamentos que o acompanham.Pelo fato de o fogo ser descrito como um meio de execução da ira divina na segunda
vinda (Is 66.15,17; Ez 39.6; Jl 2.1-11; 2Ts 1.7-10), e já que essa purificação é por fogo,
sustentase que deve tratar-se do mesmo acontecimento.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
144
Isaías 65.17 promete uma nova terra, e isso em relação ao milênio, e logo a
purificação acontece após a segunda vinda, mas antes do milênio.
Em resposta, pode-se destacar, como demonstrado anteriormente, que o dia do
Senhor inclui todo o plano desde o começo do período da tribulação até o novo céu e a
nova terra após o milênio.
Além disso, o fogo pode ser um meio de visitação divina sem necessariamente ser
usado de maneira total num mesmo acontecimento. O fogo é empregado ao longo das
Escrituras como um símbolo de julgamento, e, já que esse acontecimento é um juízo
contra uma terra amaldiçoada, é cabível considerar que a purificação pelo fogo ocorra
quando a terra tiver afastado de si todo vestígio da maldição.
E, mais uma vez, já que a terra milenar se funde com o novo céu e a nova terra no fim
da era milenar, Isaías pode estar descrevendo a cena milenar à luz da sua habitação
eterna, os novos céus e a nova terra, sem afirmar que os novos céus e a nova terra serão
cumpridos no começo do milênio, apesar de prelibados a partir desse ponto.
Devemos observar que Pedro não declara que o dia do Senhor começa com a
dissolução da terra atual, mas no dia do Senhor essa dissolução acontecerá. Sua afirmação
é: "Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor; no qual [grifo do autor] os céus
passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados..." (2Pe 3.10).
Além disso, Pedro assevera: "Ora, os céus que agora existem e a terra, pela mesma
palavra, têm sido entesourados para fogo, estando reservados para o Dia do Juízo e
destruição dos homens ímpios" (2Pe 3.7).
Nessa afirmação ele parece relacionar a dissolução dos presentes céus e da presente
terra à ocasião do juízo e da perdição dos homens ímpios, que, sabemos, com base em
Apocalipse 20.1115, acontecerá no julgamento do grande trono branco após o milênio. Se
alguém alegar que isso não pode referir-se à mesma ocasião, já que João diz, "de cuja
presença fugiram a terra e o céu" (Ap 20.11) e Pedro diz, "entesourados para fogo, estando
reservados para o Dia do Juízo" (2Pe 3.7), é suficiente retorquir dizendo que a afirmação
de João ressalta o fato de que o antigo céu e a antiga terra passaram sem indicar o meio
pelo qual isso se realiza, enquanto Pedro aponta o meio pelo qual a dissolução acontece.
Não há contradição aqui. Conclui-se, assim, que a purificação é o ato de Deus no fim
do milênio após a rebelião final contra Sua autoridade, em que a terra, palco da rebelião, é
julgada por causa de sua maldição.
15.4. O Julgamento dos Pecadores
Diante do grande trono branco aparecem todos "os mortos" (Ap 20.12). Os que
foram ressuscitados para a vida foram retirados do túmulo mil anos antes (Ap 20.3-6). Os
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
145
ressuscitados aqui serão julgados para receber a "segunda morte" (Ap 20.14), isto é, a
separação eterna do reino de Deus. Esse é o ato final no plano realizado "para que Deus
seja tudo em todos" (1 Co 15.28). Já que esse plano foi desenvolvido anteriormente, não é
necessário repeti-lo aqui. O resumo de Kelly é suficiente:
Os mortos serão julgados, mas não com base no livro da vida, que não tem nada que
ver com julgamento. "E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que
se achava escrito nos livros." Então por que o livro da vida é mencionado? Não porque
alguns dos nomes estejam nele escritos, mas para provar que eles não estão. O livro da
vida confirmará o que se conclui dos livros. Se os livros proclamam as más obras dos
mortos que se apresentam diante do trono, o livro da vida não oferece nenhuma defesa no
registro da graça de Deus.
As Escrituras não registram nenhum nome sequer entre os julgados. Havia o triste
registro dos pecados inegáveis de um lado; e não havia o registro do nome do outro lado.
Logo, se os livros ou apenas um livro forem examinados, tudo conspira para declarar a
justiça, a justiça solene, mas muito eficaz, da sentença definitiva e irrevogável de Deus. "E,
se alguém não foi achado inscrito no livro da vida, esse foi lançado para dentro do lago do
fogo." Então o único uso que parece ser feito do livro é negativo e exclusivo. Não que
alguns dos julgados (e a cena descrita é somente uma ressurreição para julgamento)
estejam inscritos ali: é-nos demonstrado, pelo contrário, que eles não se encontram no
livro.
Nem o mar nem o mundo invisível poderiam mais esconder seus prisioneiros. "Deu o
mar os mortos que nele estavam. A morte e o além entregaram os mortos que neles havia.
E foram julgados, um por um, segundo as suas obras."
Novamente, João nos diz que a morte e o além chegam ao fim, personificados como
inimigos. "Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago do fogo. Esta é a
segunda morte, o lago de fogo." Assim, concluiu-se tudo o que diz respeito ao trato do
Senhor com corpo e alma, e tudo o que está relacionado a ambos. A raça estará então no
estado ressurrecto, tanto para o bem quanto para o mal; e assim deve permanecer para
sempre. A morte e o além, que por tanto tempo foram carrascos num mundo em que
reinava o pecado, eles mesmos desaparecem onde todos os vestígios de pecado são
enviados para sempre. Deus será "tudo em todos". (William KELLY, The revelation
expounded, p. 243-4)
O propósito de Deus nos julgamentos anteriores ao milênio era ajuntar "do seu reino
[terreno] todos os escândalos e os que praticam a iniqüidade" e lançá-los "na fornalha
acesa; ali haverá choro e ranger de dentes" (Mt 13.41,42). O propósito de Deus nos
julgamentos do fim do milênio é afastar do reino eterno "todos os escândalos e os que
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
146
praticam a iniqüidade". Por meio desse julgamento, a soberania absoluta de Deus terá sido
então manifesta.
15.5. O Destino dos Perdidos
O destino dos perdidos é um lugar no lago do fogo (Ap 19.20; 20.10,14,15; 21.8). Esse
lago de fogo é descrito como fogo eterno (Mt 25.41; 18.8) e como fogo que não se apaga
(Mc 9.43,44,46,48), sublinhando o caráter eterno da retribuição dos perdidos. A esse
respeito Chafer observa:
Ao tentar escrever uma declaração abrangente da doutrina mais solene da Bíblia, o
termo retribuição é escolhido para substituir a palavra mais familiar punição, já que esta
implica disciplina e correção, idéia totalmente ausente da verdade que sela o trato divino
final com os que estão eternamente perdidos. Reconhece-se que, no seu significado
primitivo e amplo, o termo retribuir era usado para alguma recompensa, boa ou má. A
palavra é usada [...] sobre a doutrina do inferno apenas quando se faz referência à
perdição eterna dos perdidos. (CHAFER, op. cit., iv, p. 429.)
Com respeito à retribuição dos perdidos, é importante observar que o lago de fogo é
um lugar, não um estado, apesar de o conceito envolver um estado.
Como o céu é um lugar e não um mero estado mental, da mesma forma os réprobos
vão para um lugar. Essa verdade é indicada pelas palavras hades (Mt 11.23; 16.18; Lc
10.15; 16.23;Ap 1.18; 20.13,14) egehenna (Mt 5.22,29,30; 10.28; Tg 3.6) — lugar de
"tormento" (Lc 16.28). O fato de essa ser uma condição de miséria indescritível é indicado
pelostermos figurados usados para relatar seus sofrimentos —"fogo eterno" (Mt 25.41);
"onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga" (Mc 9.44); "lago que arde com fogo e
enxofre" (Ap 21.8); "o poço do abismo" (Ap 9.2); "fora, nas trevas", um lugar de "choro e
ranger de dentes" (Mt 8.12); "fogo inextinguível" (Lc 3.17); "fornalha acesa" (Mt 13.42);
"negridão das trevas" (Jd 13) e "a fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos,
e não têm descanso algum, nem de dia nem de noite" (Ap 14.11).
Nesses casos uma metáfora não é desculpa para modificar o pensamento que ela
expressa; devemos, sim, reconhecer que uma metáfora, nessas passagens, é uma frágil
tentativa de declarar em linguagem o que está além do poder de descrição das palavras
[...] E bom observar também que quase todas essas expressões saem dos lábios de Cristo.
Ele sozinho revelou quase tudo o que se sabe sobre esse lugar de retribuição. É como se
nenhum autor humano fosse confiável para pronunciar tudo sobre essa terrível verdade.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
147
15.6. O Lugar dos Mortos
Quatro diferentes palavras são usadas nas Escrituras em referência ao lugar dos
mortos até o tempo da ressurreição. Em nenhum caso elas descrevem o estado eterno,
mas sim o lugar temporário no qual os mortos aguardam a ressurreição.
Sheol
A primeira é Sheol, usada 65 vezes no Antigo Testamento e traduzida por "inferno"
31 vezes (cf. Dt 32.22; Sl 9.17; 18.5; Is 14.9), por "sepultura" 31 (cf. ISm 2.6; Jó 7.9; 14.13) e
"abismo" três vezes (cf. Nm 16.30,33; Jó 17.16). Essa era a palavra do Antigo Testamento
usada em referência à morada dos mortos. Era apresentada não só como um estado de
existência, mas como um lugar de existência consciente (Dt 18.11; ISm 28.11-15; Is 14.9).
Deus era soberano sobre esse lugar (Dt 32.22; Jó 26.6). Ele era visto como temporário, e os
justos antecipavam a ressurreição saindo dele para o reino milenar (Jó 14.13,14; 19.25,27;
Sl 16.9-11; 17.15; 49.15; 73.24).
Sobre a palavra Sheol, alguns fatos se destacam claramente,
Observamos que na maioria dos casos Sheol é traduzido por "a sepultura". A
sepultura, então, se destaca como a tradução melhor e mais comum.
Com relação à palavra "abismo", observamos que, em cada um dos três casos em que
ela ocorre (Nm 16.30,33 e Jó 17.16), também sugere a sepultura tão claramente, que
podemos usar essa palavra e descartar "abismo" da nossa consideração como tradução de
Sheol.
Quanto à tradução "inferno", ela não representa Sheol, porque, tanto pela definição
do dicionário quanto pelo uso coloquial, "inferno" significa o lugar de punição maior. Sheol
não tem esse significado, mas denota o estado presente de morte. "A sepultura" é,
portanto, uma tradução muito mais apropriada, porque visivelmente nos sugere o que é
invisível à mente, ou seja, o estado de morte. Com certeza seria difícil para o leitor do
português perceber este último sentido no termo "inferno".
O estudioso descobrirá que "a sepultura", entendida tanto literal quanto
figuradamente, cumprirá todas as exigências do termo hebraico Sheol: não que Sheol
signifique tão especificamente UMA sepultura, quanto genericamente A sepultura. A
Escritura Sagrada é plenamente suficiente para nos explicar a palavra Sheol.
Quanto à direção, é para baixo,
Quanto ao lugar, é na terra,
Quanto à natureza, descreve o estado da morte. Não o ato de morrer, para o
qual não temos palavra em português, mas o estado ou duração da morte.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
148
Quanto à relação, ela contrasta com o estado dos vivos.
Quanto à associação, é usada em vínculo com lamentação (Gn 37.34,35),
angústia (Gn 42.38; 2Sm 22.6; Sl 18.5; 116.3), medo e terror (Nm 16.27-34);
choro (Is 38.3,10,15,20), silêncio (Sl 31.17; 6.5; Ec 9.10), nenhum conhecimento
(Ec 9.5,6,10), punição (Nm 16.27-34; lRs 2.6,9; Jó 24.19).
Quanto à duração, o reino do Sheol ou a sepultura continuará até a ressurreição
e terminará somente com ela, que é o seu único escape (v. Os 13.14 etc; cf. Sl
16.10 com At 2.27,31; 13.35).
Hades
A segunda palavra para descrever o lugar dos mortos é Hades. No Novo Testamento
essa palavra praticamente eqüivale a Sheol, traduzida por "inferno" em todos os casos,
exceto um (1 Co 15.55, em que é traduzida por "morte"). Geralmente essa palavra tem em
vista os mortos incrédulos, que estão em agonia, esperando a ressurreição para o grande
trono branco. Sobre Hades observa-se:
Se agora as onze ocorrências de Hades no Novo Testamento forem cuidadosamente
examinadas, serão alcançadas as seguintes conclusões:
Hades está permanentemente ligado à morte, mas nunca à vida; sempre com
pessoas mortas, mas nunca com os vivos. Todos no Hades "NÃO VIVERÃO NOVAMENTE",
até serem vivificados dentre os mortos (Ap 20.5). Se eles não "vivem de novo" até depois
de serem vivificados, é perfeitamente claro que não podem estar vivos agora. Doutra
forma, elimina-se a doutrina da ressurreição.
A palavra do português "inferno" de maneira alguma representa o termo grego
Hades, como vimos que também não dá uma idéia correta do seu equivalente hebraico,
Sheol.
Que Hades pode significar só e exatamente o que Sheol significa, isto é, o lugar em
que se experimenta a "corrupção" (At 2.31; cf. 13.34-37), e do qual a ressurreição é o único
escape.(Ibid., p. 369)
Scofield representa muitos que diferenciam a morada dos indivíduos salvos e mortos
antes e depois da ressurreição de Cristo. Ele diz:
Hades antes da ascensão de Cristo. A passagem em que a palavra ocorre deixa claro
que o Hades estava antigamente dividido em dois, as moradas dos salvos e a dos
incrédulos, respectivamente. A primeira era chamada "paraíso" e "seio de Abraão". Ambas
designações eram talmúdicas, mas foram adotadas por Cristo em Lucas 16.22; 23.43. Os
mortos abençoados estavam com Abraão, eram conscientes e estavam "confortados" (Lc
16.25). O ladrão que acreditou estaria, naquele dia, com Cristo no "paraíso". Os incrédulos
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
149
estavam separados dos salvos por um "grande abismo" fixo (Lc 16.26). O representante
dos incrédulos que agora estão no Hades é o homem rico de Lucas 16.19-31. Ele estava
vivo, consciente, exercendo todas as suas funções, memória etc, e em agonia.
Hades desde a ascensão de Cristo. Quanto aos mortos incrédulos, nenhuma mudança
de lugar ou condição é revelada nas Escrituras. No julgamento do grande trono branco, o
Hades os entregará, eles serão julgados e passarão para o lago do fogo (Ap 20.13,14). Mas
houve uma mudança que afetou o paraíso. Paulo foi "arrebatado ao paraíso" (2 Co 12.1-4).
O paraíso, então, agora está na presença imediata de Deus. Acredita-se que Efésios 4.8-10
indique o tempo da mudança. "Quando ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro."
Acrescenta-se imediatamente que antes Ele havia "descido até às regiões inferiores da
terra", i.e., a parte do Hades chamada paraíso. Durante a atual era da igreja, os salvos que
morrem estão "ausentes do corpo e presentes com o Senhor". Os mortos incrédulos no
Hades e os mortos salvos "com o Senhor" esperam a ressurreição (Jó 19.25; I Co 15.52). (C.
I. SCOFIELD, Reference Bible, p. 1098-9).
Tartaros
A terceira palavra é Tartaros, e é usada apenas em 2Pedro 2.4 em relação ao
julgamento dos anjos caídos. Ela parece referir-se especificamente à morada eterna dos
anjos caídos. Tartaros [...] não é Sheol nem Hades [...] aondetodos os homens vão quando
morrem. Nem é onde os ímpios são consumidos e destruídos, que é Geena [...] Não é a
morada dos homens em nenhuma condição. E usada apenas aqui em relação aos "anjos, os
que não guardaram o seu estado original" (v. Jd 6). Ela denota o limite ou a margem desse
mundo material.
A extremidade desse "ar" inferior — do qual Satanás é "o príncipe" (Ef 2.2) e que as
Escrituras descrevem como o habitat dos "principados das trevas desse mundo" e
"espíritos malignos nas regiões celestiais". "Tartaros não é apenas o limite dessa criação
material, mas é chamado assim por sua frieza." (BULLINGER, Op. cit., p. 370.)
Geena
A quarta palavra empregada para a morada dos mortos é Geena, usada doze vezes
no Novo Testamento (Mt 5.22,29,30; 10.28; 18.9; 23.15,33; Mc 9.43,45,47; Lc 12.5; Tg 3.6).
Em cada caso, ela é usada como termo geográfico e tem em vista o estado final dos
incrédulos. O julgamento é sugerido e esse é o lugar e o estado resultante. Vos escreve:
No Novo Testamento [...] ela designa o lugar de punição eterna dos incrédulos,
geralmente ligada ao julgamento final. É associada ao fogo como a fonte da tormenta.
Corpo e alma são lançados ali. Isso não deve ser explicado com base no princípio de que o
Novo Testamento fala metaforicamente do estado após a morte em termos corporais; ela
sugere a ressurreição.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
150
Em várias versões Geena é traduzida por "inferno" [...] O fato de "o vale de Hinom"
ter-se tornado a designação técnica para o lugar da punição final ocorreu por dois motivos.
Em primeiro lugar, o vale foi o local da adoração idólatra a Moloque, a quem crianças eram
imoladas pelo fogo (2Cr 28.3; 33.6). Em segundo lugar, por causa dessas práticas, o local
foi profanado pelo rei Josias (2Rs 23.10), e por isso ficou associado na profecia ao
julgamento que viria sobre o povo (Jr 7.32). Também o fato de que o lixo da cidade era
deixado ali pode ter ajudado a criar o nome que era sinônimo da máxima impureza.
(Geerhardus Vos, Gehenna, International standard Bible encyclopedia, n, p. 1183)
Assim, Geena teria em vista a retribuição no lago do fogo como destino dos
incrédulos.
Em Mateus 25.41 o Senhor disse aos incrédulos: "Apartai-vos de mim, malditos, para
o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos". A palavra "preparado" literalmente é
"tendo sido preparado", sugerindo que o lago de fogo já existia e espera seus residentes.
Essa é a tese de C. T. Schwarze, então da Universidade de Nova Iorque, de que um lugar tal
como um lago de fogo é conhecido pela ciência hoje. Ele escreve: “A palavra lago deve
conotar certa quantidade de matéria em forma líquida. Logo, se a Escritura é verdadeira,
esse fogo eterno está no estado líquido.”
O corpo ressurrecto dos incrédulos, evidentemente, será de tal caráter que se
revelará indestrutível mesmo em meio a tal lago de fogo.
15.7. A Criação do Novo Céu e da Nova Terra
Após a dissolução do céu e da terra atuais no fim do milênio, Deus criará um novo
céu e uma nova terra (Is 65.17; 66.22; 2Pe 3.13; Ap 21.1). Por meio de um ato definido de
criação, Deus faz surgir um novo céu e uma nova terra. Como Deus criou os céus e a terra
atuais para serem o cenário da sua demonstração teocrática, assim também criará o novo
céu e a nova terra para serem o cenário do reino teocrático eterno.
As alianças de Israel garantem ao povo uma terra, uma existência nacional, um reino,
um Rei e bênçãos espirituais eternas. Logo, deve haver uma terra eterna, na qual as
bênçãos possam ser cumpridas. Transladado da antiga terra, Israel será levado à nova,
para ali desfrutar para sempre o que Deus lhes prometeu. Então será eternamente
verdadeiro: "Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão
povos de Deus e Deus mesmo estará com eles" (Ap 21.3). A criação do novo céu e da nova
terra é o ato preparatório final que antecipa o reino eterno de Deus. Agora é verdade que
Deus tem um reino no qual "habita justiça" (2Pe 3.13). Com relação ao destino eterno dos
santos da igreja, devemos observar que está relacionado principalmente a uma Pessoa e
não a um lugar. Embora o lugar apareça com importância (Jo 14.3), é encoberto pela
Pessoa a cuja presença o crente é transportado.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
151
“E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo,
para que, onde eu estou, estejais vós também” (Jo 14.3).
“Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis
manifestados com ele, em glória” (Cl 3.4).
“Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo,
e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão
primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com
eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre
com o Senhor.” (lTs 4.16,17).
“Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos
de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque
haveremos de vê-lo como ele é” (l Jo 3.2).
O que se realça em todas as passagens que tratam da esperança gloriosa da igreja é
a Pessoa, não o lugar, a que ela é levada.
Já se demonstrou a partir de passagens como Apocalipse 21.3 que o Senhor Jesus
Cristo habitará com os homens na nova terra no reino eterno. Já que as Escrituras revelam
que a igreja estará com Cristo, conclui-se que a morada eterna da igreja também será na
nova terra, na cidade celestial, Nova Jerusalém, preparada especialmente por Deus para os
santos. Tal relacionamento seria a resposta da oração do Senhor aos que Deus Lhe
concedeu: "Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me
deste, para que vejam a minha glória que me conferiste" (Jo 17.24). Já que a glória eterna
de Cristo será manifestada no reino eterno, no Seu governo eterno, é natural que a igreja
esteja presente para contemplar a glorificação de Cristo para sempre.
15.8. A Cura das Nações
Argumenta-se que a necessidade da cura, como ensinado em Apocalipse 22.2, requer
que essa passagem seja vista como milenar.
Jennings diz: "A cura é aplicável às conseqüências inevitáveis daquele princípio
maligno, o pecado, ainda existente entre nós, tal como existirá, naquela época, entre as
nações; compaixão e graça podem suprir essas conseqüências com cura". (F. C. JENNINGS,
Studies in Revelation, p. 588).
E Kelly acrescenta: "... na eternidade as nações não existem dessa maneira; e
nenhuma delas terá necessidade de cura nessa época".(KELLY, op. cit., p. 488).
Scott observa o paralelismo entre essa passagem e Ezequiel 47.12: “As nações
milenares dependem da cidade acima para luz, governo e cura. Tudo isso tem seu
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
152
equivalente no notável capítulo de Ezequiel 47. "O seu fruto servirá de alimento, e a sua
folha, de remédio" (v. 12). Tanto a cena acima (Ap 22) quanto a cena abaixo (Ez 47) são
milenares, e ambas existem ao mesmo tempo, mas a bênção da primeira transcende
infinitamente a da segunda. A árvore da vida sustenta; o rio da vida alegra.” (Walter
SCOTT, Expositíon of the revelation of Jesus Christ, p. 440-1).
Em resposta a esse raciocínio, Ottman comenta: “Mas as duas visões não são a
mesma. A amplitude da profecia de Ezequiel não se estende além do milênio, enquanto o
alcanceda de João é a eternidade. A de Ezequiel, no entanto, é um tipo da de Apocalipse
[...] Devemos lembrar que o milênio representa o céu apenas tipicamente e, apesar de
seus termos descritivos parecerem harmoniosos aqui, não podemos confundir os dois. A
cura das nações aqui mencionada não envolve necessariamente um retorno às condições
milenares. As nações que existirem no fim dos mil anos do reinado de Cristo precisam de
cura para a bênção total e final que será introduzida depois.”
Podemos observar ainda que muitas vezes nos profetas a cura é usada em sentido
espiritual e não no sentido literal. Logo, a referência a algum pecado específico ou a
alguma enfermidade específica que necessita de interpretação milenar não precisa ser
inferida.
Ainda podemos observar que havia uma árvore da vida no jardim do Éden para
sustentar Adão no seu estado pré-queda. Ali ela não tinha referência ao pecado ou à
doença e aqui também não precisa ter.
15.9. A Existência das Nações
Kelly argumenta extensamente que a menção às nações nessa passagem exige sua
referência ao milênio. No estado eterno Deus lidará com os homens como indivíduos.
Diferenças históricas chegam ao fim. Então não haverá nada como reis e nações [...] se
analisarmos a última parte do capítulo, temos de lidar novamente com nações e reis
terrenos [...] Quando a eternidade começar, Deus terá acabado de lidar com coisas
pertinentes à ordem do mundo — reis e nações, e provisões semelhantes de natureza
temporária. Tudo isso implica governo, pois o governo sugere que existe um mal a ser
suprimido. Conseqüentemente, o que temos na última parte de nosso capítulo não é a
condição eterna, mas um estado prévio.
Em resposta a essa objeção, Ottman escreve:
“Embora a terra seja dissolvida pelo fogo, Israel não deixa de ser o objeto do amor de
Deus, mas, como nação, sobrevive a esse julgamento. Isso é perfeitamente evidente a
partir da passagem em Isaías que vai além do reino milenar e declara a continuação de
Israel em relação ao novo céu e à nova terra (Is 66.22). A idéia de que nenhuma outra
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
153
nação milenar sobrevive à dissolução da terra é da mesma forma quase inconcebível [...]
Logo, elas também terão sua conexão com a nova terra, mas distintamente da igreja e de
Israel.”
Grande parte do argumento parece basear-se na interpretação da preposição eis em
Apocalipse 21.26. Kelly, diligente estudioso de grego, afirma: "Não para dentro dela, mas
até ela, para as quais só há uma palavra grega, eis". Com essa tradução, ele prova sua
teoria de que o cenário de Apocalipse 21.26 é milenar e as nações chegarão até a cidade.
Ottman insiste na tradução para dentro dela e diz: “Tanto no fim quanto durante o
milênio, haverá nações. Não há dificuldade nesse conceito, como também não há
problema no fato de elas terem acesso à santa cidade, à qual trarão glória e honra.”
Alford diz: “Se os reis da terra e as nações trazem sua glória e seus tesouros para
dentro da cidade, e se ninguém jamais entrará nela que não esteja inscrito no livro da vida,
segue-se que esses reis e essas nações estão inscritos no livro da vida [...] Pode haver [...]
os que foram salvos por Cristo sem jamais fazer parte da Sua igreja organizada visível".
15.10. O Ministério dos Anjos
Scott argumenta que isso deve ser milenar porque "Não há ministrações angelicais no
cenário da eternidade, e aqui elas são proeminentes". Tal ministério, ele acredita, exige
uma interpretação milenar.
Contra isso podemos afirmar que a descrição do estado eterno oferecida em
Apocalipse 21.1-8 é muito breve. É usar o argumento de silêncio concluir que não haverá
ministério angelical na eternidade. Em Hebreus 12.22 os anjos são descritos como
habitantes da Jerusalém celestial, a cidade do Deus vivo. Não é necessário excluí-los da
eternidade por causa do silêncio em Apocalipse 21.1-8.
Tais são os argumentos dos defensores dessa posição e as refutações dadas por seus
antagonistas. E interessante notar a observação de Kelly, que, apesar de defender
fortemente a posição milenar, afirma: "Mas há certas características nessa passagem que
são eternamente verdadeiras". ( KELLY, op. cit., p. 489.)
15.11. A Posição da Cidade em Apocalipse 21.10
Os intérpretes de ambas as posições geralmente concordam em que a cidade vista
em Apocalipse 21.10 está suspensa acima da terra. Com base nisso argumenta-se que não
poderia tratar-se de um cenário milenar, pois no milênio o Senhor retornará à terra e Seus
pés estarão sobre o monte das Oliveiras (Zc 14.4). O Senhor, afirma-se, reinará da
Jerusalém terrena, não da Jerusalém celestial. Como essa cidade não está na terra, não
pode ser milenar, pois obviamente é o centro da habitação do Cordeiro.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
154
Em resposta, pode-se dizer que Cristo retornará à terra na segunda vinda e reinará no
trono de Davi. O centro dessa autoridade é reconhecido como a Jerusalém terrena. Isso
não exige a presença constante de Cristo no trono. Cristo poderá reinar ainda no trono de
Davi sobre o reino de Davi, mas fazer da Jerusalém celestial Seu lugar de residência com a
Noiva.
As características da cidade são eternas, não milenares. Defensores da idéia de que
essa passagem se refere ao estado eterno indicam várias descrições que atribuem a ela
caráter eterno. A cidade contém a "glória de Deus". Os incrédulos não poderiam suportar
essa glória, mas seriam derrubados, como aconteceu com Paulo (At 9.3). Ela não possui
templo (v. 22), e é claramente previsto em Ezequiel 40-48 que haverá um templo na terra
milenar. Não há noite ali (v. 25), e haverá dia e noite no milênio (Is 30.26; 60.19,20). O
trono de Deus está ali (22.3). Lá não existe maldição (22.3), o que significa que os efeitos
da queda terão sido eliminados. Todos os que estão ali são salvos (21.27) e então devem
estar na eternidade, já que nascerão incrédulos durante o milênio. Não há mais morte
(21.4) e, já que indivíduos morrerão durante o milênio (Is 65.20), ela deve referir-se ao
estado eterno.
A essas observações pode-se responder que Mateus 25.31 indica que Cristo assumirá
o "trono de Sua glória" na segunda vinda e certamente ocupará esse trono durante todo o
milênio. A ausência do templo não é um argumento decisivo, uma vez que o templo de
Ezequiel está na Jerusalém terrena e não haveria necessidade de um templo na Jerusalém
celestial, onde está o próprio Cordeiro. Da mesma forma, a ausência de noite não é clara,
pois haverá noite na terra milenar, mas não precisa haver na cidade celestial, já que o
Cordeiro está lá para dar luz. A maldição poderia referir-se à retirada da maldição sobre a
terra por causa do pecado, de modo que a produtividade retornasse ao nível original e o
veneno da criação animal e a inimizade entre o homem e os animais pudessem ser
removidos (Is 11) e isso não precisa referir-se à remoção final da maldição pela destruição
descrita em 2Pedro 3.10. Apenas os salvos poderiam entrar e habitar nessa cidade, mas os
incrédulos podem habitar na terra durante o milênio, na sua luz. Tal linha de raciocínio
poderia ser usada para demonstrar que essas referências não estão necessariamente
restritas à eternidade.
15.12. A Duração do Reinado
Apocalipse 22.5 declara que os santos reinarão "pelos séculos dos séculos". Quando
Apocalipse 20.4 menciona o reinado dos santos que estão no milênio, eles são
apresentados reinando "com Cristo durante mil anos". Mil anos não é para sempre. E, já
que esses santos reinam para sempre, a passagem deve referir-se à eternidade e não ao
milênio.Em resposta a esse argumento pode-se indicar que o reino de Cristo não está
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
155
limitado a mil anos. Ele reinará para sempre. O reino milenar se funde com o reino eterno,
e então os santos são descritos reinando por mil anos apesar de continuarem a reinar pela
eternidade.
A existência das nações na eternidade. Ao defender a posição de que toda essa
passagem descreve a eternidade, Newell escreve amplamente sobre a interpretação das
"nações" em Apocalipse 21.24-26. Ele afirma:
No capítulo 21.3, em que lemos que o tabernáculo de Deus finalmente está entre os
homens, também lemos que "eles serão povos de Deus" (grego laoi). É incrível ver homens
esclarecidos traduzindo o plural laoi, quase deliberadamente, como se fosse laos [...] A
Versão Revista [em inglês] [...] traduz verdadeira e claramente "Eles serão povos de Deus",
e assim nos prepara para evitar a suposição impossível de que 21.9 a 22.5 seja uma
passagem que reverte a cenários milenares.
Sabemos com certeza que pelo menos uma nação e uma descendência, ISRAEL, terá
o direito de estar na terra [...] Isaías 66.22 [...] Deus diz que "a descendência e o nome" de
Israel permanecerão nos céus e na terra, isto é, nessa nova ordem que começa em
Apocalipse 21.1 [...]
Israel é a nação eleita de Deus — eleita não para o passado, nem mesmo por todo o
milênio, mas para sempre. Porém, se Israel é a nação eleita, pressupõe-se a existência de
outras nações!...
Mas o fato de que essa existência nacional não cessará é demonstrado claramente
pelo versículo 20 [de Sofonias 3]: "Naquele tempo, eu vos farei voltar e vos recolherei;
certamente, farei de vós um nome e um louvor entre todos os povos (plural!) da terra".
Finalmente, a linguagem dos cinco primeiros versículos do capítulo 22 de Apocalipse,
e especialmente dos versículos 4 e 5, é tão eterna em seu caráter quanto qualquer outra
coisa no início do capítulo 21. "Nela, estará o trono de Deus e do Cordeiro. Os seus servos
o servirão, contemplarão a sua face, e na sua fronte está o nome dele [...] e reinarão pelos
séculos dos séculos." Por que tais afirmações estariam ligadas a uma passagem que
deveria simplesmente retomar e descrever as condições milenares? Isso seria
incongruente. Além disso, não é correto, cremos, que as Escrituras voltem depois de o
último julgamento ser realizado, e de a nova criação ser introduzida, aos tempos antes
desse último julgamento e da nova criação. (William R. NEWELL, The book of the
Revelation, p. 343-5.)
Sobre esse argumento da existência eterna de Israel como nação e a continuidade de
outras nações, Kelly escreve:
“... Em Isaías 65 um novo céu e uma nova terra foram anunciados: mas de maneira
muito diferente! Ali a linguagem deve ser considerada num sentido muito restrito [...] é
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
156
dito sobre o Senhor: "Ele reinará sobre a casa de Jacó para sempre, e o reino não terá fim".
Essa é uma esperança do Antigo Testamento, apesar de mencionada no Novo Testamento,
e significa, logicamente, que Ele reinará sobre a casa de Jacó enquanto ela existir como tal
na terra. Quando a terra desaparecer e Israel não for mais visto como nação, os israelitas
serão abençoados, sem dúvida, de maneira diferente e melhor; mas não haverá reinado de
Cristo sobre eles como um povo terreno; e então esse reino, ao mesmo tempo que não
tem fim enquanto a terra subsiste, deve necessariamente estar limitado à continuidade da
terra [...] O Novo Testamento usa a frase total e absolutamente, como um estado sem fim;
mas no Antigo Testamento ela está ligada às relações terrenas sobre as quais o Espírito
Santo falava naquele momento.”
Maior apoio à posição de Newell seria encontrado em Mateus 25.34, em que gentios
salvos herdarão um reino preparado para eles desde a fundação do mundo. Já que eles
herdam a vida (Mt 25.46), deve ser a vida eterna. Isso indicaria que os indivíduos serão
salvos, terão vida eterna e ainda serão distintos de Israel.
Tais são os principais argumentos usados por aqueles que procuram apoiar a opinião
de que essa passagem representa eras eternas, e não a era milenar. Observamos que
homens de respeito apresentaram fortes argumentos que, por sua vez, foram contestados
por homens igualmente respeitáveis de diferente opinião. A luz desses argumentos e
contraposições, existe solução para o problema? O exame de algumas das afirmações
relativas à nova Jerusalém nos ajudará a chegar a uma conclusão.
15.13. A Vida na Cidade Eterna
Em nenhum lugar as Escrituras apresentam detalhes da vida no reino eterno de Deus.
Às vezes o véu é levantado para mostrar rapidamente essa vida, da qual a nossa
experiência atual com Ele é apenas "uma prévia da glória divina".
Uma vida de comunhão com Ele. Porque, agora, vemos como em espelho,
obscuramente; então, veremos face a face (1 Co 13.12). Amados, agora, somos filhos de
Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se
manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é (lJo 3.2).
Voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também
(Jo 14.3). Contemplarão a sua face (Ap 22.4).
Uma vida de descanso. Então, ouvi uma voz do céu, dizendo: Escreve: Bem-
aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que
descansem das suas fadigas, pois as suas obras os acompanham (Ap 14.13).
Uma vida de total entendimento. ... agora, conheço em parte; então, conhecerei
como também sou conhecido (1 Co 13.12).
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
157
Uma vida de santidade. Nela, nunca jamais penetrará cousa alguma contaminada,
nem o que pratica abominação e mentira, mas somente os inscritos no livro da vida do
Cordeiro (Ap 21.27).
Uma vida de alegria. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não
existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras cousas passaram
(Ap 21.4).
Uma vida de serviço. Nunca mais haverá qualquer maldição. Nela, estará o trono de
Deus e do Cordeiro. Os seus servos o servirão (Ap 22.3).
Uma vida de abundância. Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água da
vida (Ap 21.6).
Uma vida de glória. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós
eterno peso de glória, acima de toda comparação (2 Co 4.17). Quando Cristo, que é a nossa
vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com ele, em glória (Cl 3.4).
Uma vida de adoração. Depois destas cousas, ouvi no céu uma como grande voz de
numerosa multidão, dizendo: Aleluia! A salvação, e a glória, e o poder são do nosso Deus
(Ap 19.1). Depois destas cousas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de
todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro,
vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos; e clamavam em grande voz,
dizendo: Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro [...] O louvor, e a glória, e a
sabedoria, e as ações de graça, e a honra, e o poder, e a força sejam ao nosso Deus, pelos
séculos dos séculos. Amém (Ap 7.9-12).
BIBLIOGRAFIA BÁSICA
STRONG, Augustus Hopkins. Teologia Sistemática de Strong. São Paulo:
HAGNOS, 2003.
HOEKEMA, Anthony A. A Bíblia e o Futuro. São Paulo: Editora Cultura Cristã,
1989.
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!”
www.institutodeteologialogos.com.br| contato@institutodeteologialogos.com.br
ESCATOLOGIA
158