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12-Escatologia

Apostila sobre escatologia cristã que aborda hermenêutica, dispensacionalismo e alianças (abrahâmica, davídica, nova), definições de arrebatamento e vinda, escolas escatológicas, sinais do fim, teorias do arrebatamento (pré/meso/pós-tribulação) e história da segunda vinda.

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Mario Cruz

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Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” 
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br 
 
 
 
ESCATOLOGIA 
 
 
 
2 
SUMÁRIO 
 
1 - A HERMENÊUTICA E A ESCATOLOGIA ................................................................................... 6 
1.1. O ALEGORISMO ........................................................................................................................ 6 
1.2. O LITERALISMO ......................................................................................................................... 7 
2 - O DISPENSACIONALISMO E SUAS ALIANÇAS ....................................................................... 14 
2.1. AS ALIANÇAS E A ESCATOLOGIA .................................................................................................. 14 
2.2. ALIANÇA ABRAÂMICA ............................................................................................................... 14 
2.3. A ALIANÇA PALESTÍNICA ........................................................................................................... 16 
2.4. ALIANÇA DAVÍDICA .................................................................................................................. 18 
2.5. NOVA ALIANÇA ....................................................................................................................... 19 
2.6. O FIM DA ATUAL DISPENSAÇÃO ................................................................................................. 21 
3 - DEFINIÇÃO DOS TERMOS ARREBATAMENTO E VINDA ........................................................ 24 
3.1. ARREBATAMENTO ................................................................................................................... 24 
3.2. VINDA ................................................................................................................................... 25 
4 - ESCOLAS ESCATOLÓGICAS .................................................................................................. 29 
4.1. ESCOLA IDEALISTA ................................................................................................................... 29 
4.2. ESCOLA PRETERISTA ................................................................................................................. 30 
4.3. A ESCOLA FUTURISTA ............................................................................................................... 31 
4.4. A ESCOLA HISTÓRICA ............................................................................................................... 32 
4.5. AS MELHORES FERRAMENTAS DE INTERPRETAÇÃO ......................................................................... 35 
5 - O TEMPO DO FIM ............................................................................................................... 38 
5.1. MATEUS 24 ........................................................................................................................... 38 
5.2. OS SINAIS DO TEMPO DO FIM .................................................................................................... 41 
6 - TEORIAS SOBRE O ARREBATAMENTO ................................................................................. 46 
6.1. TEORIA DO ARREBATAMENTO PARCIAL ........................................................................................ 46 
6.2. TEORIA DO ARREBATAMENTO MESO OU MIDI TRIBULACIONISMO .................................................... 47 
6.3. TEORIA DO ARREBATAMENTO PÓS-TRIBULACIONISTA ..................................................................... 49 
7 - TEORIA DO ARREBATAMENTO PRÉ-TRIBULACIONISTA ....................................................... 54 
7.1. O PRÉ-TRIBULACIONISMO E A HISTÓRIA ...................................................................................... 54 
7.2. A DOUTRINA DA IMINÊNCIA ...................................................................................................... 55 
7.3. PORQUE O ARREBATAMENTO DEVE SER PRÉ-TRIBULACIONISTA? ...................................................... 56 
8 - SOBRE O ARREBATAMENTO ............................................................................................... 61 
8.1. PROPÓSITOS DO ARREBATAMENTO ............................................................................................. 61 
8.2. QUEM SERÁ ARREBATADO? ...................................................................................................... 62 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
3 
8.3. O MOMENTO DO ARREBATAMENTO ........................................................................................... 63 
9 - HISTÓRIA DA DOUTRINA DA SEGUNDA VINDA ................................................................... 65 
9.1. AS CONCEPÇÕES SOBRE O SECUNDO ADVENTO ............................................................................. 65 
9.2. A DOUTRINA DO SEGUNDO ADVENTO NA IGREJA PRIMITIVA ............................................................ 67 
9.3. DEFENSORES DO PRÉ-MILENARISMO NO PRIMEIRO SÉCULO ............................................................. 68 
9.4. DEFENSORES DO PRÉ-MILENARISMO NO SEGUNDO SÉCULO ............................................................. 69 
9.5. DEFENSORES DO PRÉ-MILENARISMO NO TERCEIRO SÉCULO ............................................................. 69 
9.6. OPONENTES DA POSIÇÃO PRÉ-MILENARISTA ................................................................................. 71 
9.7. A ASCENSÃO DO AMILENARISMO ............................................................................................... 74 
9.8. O ECLIPSE DO PRÉ-MILENARISMO ............................................................................................... 75 
9.9. O QUILIASMO DESDE A REFORMA ............................................................................................... 76 
9.10. A ASCENSÃO DO PÓS-MILENARISMO ........................................................................................... 77 
9.11. A RECENTE ASCENSÃO DO AMILENARISMO................................................................................... 79 
9.12. O RESSURGIMENTO DO PRÉ-MILENARISMO. ................................................................................. 82 
9.13. OBSERVAÇÕES IMPORTANTES .................................................................................................... 83 
9.14. EXORTAÇÕES PRÁTICAS DECORRENTES DA SEGUNDA VINDA ............................................................ 85 
10 - A IGREJA APÓS O ARREBATAMENTO .............................................................................. 87 
10.1. O TRIBUNAL DE CRISTO ............................................................................................................ 87 
10.2. COMO SERÁ O TRIBUNAL DE CRISTO ........................................................................................... 88 
10.3. BODAS DO CORDEIRO ............................................................................................................... 89 
11 - A GRANDE TRIBULAÇÃO ................................................................................................. 92 
11.1. TERMOS UTILIZADOS PARA TRIBULAÇÃO ...................................................................................... 92 
11.2. O DIA DO SENHOR .................................................................................................................. 93 
11.3. AS SETENTA SEMANAS DE DANIEL .............................................................................................. 95 
11.4. O PROPÓSITO DA GRANDE TRIBULAÇÃO .................................................................................... 101 
11.5. A ESTRUTURA DA GRANDE TRIBULAÇÃO.................................................................................... 102 
12 - A BESTA ........................................................................................................................ 105 
12.1. SEU REINO E SUA CHEGADA AO PODER ..................................................................................... 105 
12.2. O DETENTOR ........................................................................................................................ 110 
12.3. O FIM DO ACORDO DE PAZ ..................................................................................................... 111 
12.4. A BERTA QUE SURGIU DA TERRA .............................................................................................. 112 
13 - A INVASÃO NA PALESTINA ........................................................................................... 114 
13.1. OS INIMIGOS DO NORTE ......................................................................................................... 114 
14 - O PERÍODO MILENIAL ................................................................................................... 120 
14.1. O GOVERNO NO MILÊNIO ....................................................................................................... 120 
14.2. DAVI É O REGENTE NO MILÊNIO ............................................................................................... 122 
14.3. A NATUREZA DO REINO MILENIAL ............................................................................................ 125 
14.4. OS SÚDITOS NO MILÊNIO ....................................................................................................... 126 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
4 
14.5. ISRAEL NO MILÊNIO ............................................................................................................... 127 
14.6. A REGENERAÇÃO DE ISRAEL ..................................................................................................... 128 
14.7. ISRAEL COMO SÚDITO DO MESSIAS O MILÊNIO ........................................................................... 129 
14.8. OS GENTIOS NO MILÊNIO ....................................................................................................... 130 
14.9. JERUSALÉM E A PALESTINA NO MILÊNIO ..................................................................................... 130 
14.10. A REDENÇÃO DA TERRA NO MILÊNIO .................................................................................... 131 
14.11. O TEMPLO NO MILÊNIO ..................................................................................................... 133 
14.12. HAVERÁ SACRIFÍCIO LITERAL NO MILÊNIO? ............................................................................ 137 
15 - O ESTADO ETERNO ....................................................................................................... 142 
15.1. A PURIFICAÇÃO PARA O REINO ETERNO ..................................................................................... 142 
15.2. A LIBERTAÇÃO DE SATANÁS E A SUA REBELIÃO ............................................................................ 142 
15.3. A PURIFICAÇÃO DA CRIAÇÃO. .................................................................................................. 143 
15.4. O JULGAMENTO DOS PECADORES ............................................................................................. 144 
15.5. O DESTINO DOS PERDIDOS ...................................................................................................... 146 
15.6. O LUGAR DOS MORTOS .......................................................................................................... 147 
15.7. A CRIAÇÃO DO NOVO CÉU E DA NOVA TERRA ............................................................................. 150 
15.8. A CURA DAS NAÇÕES ............................................................................................................. 151 
15.9. A EXISTÊNCIA DAS NAÇÕES ..................................................................................................... 152 
15.10. O MINISTÉRIO DOS ANJOS .................................................................................................. 153 
15.11. A POSIÇÃO DA CIDADE EM APOCALIPSE 21.10 ....................................................................... 153 
15.12. A DURAÇÃO DO REINADO ................................................................................................... 154 
15.13. A VIDA NA CIDADE ETERNA ................................................................................................. 156 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AULA 
01 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
6 
1 - A HERMENÊUTICA E A ESCATOLOGIA 
Sendo a hermenêutica a responsável pelo estudo das regras de interpretação bíblica 
não seria possível deixa-la de fora de um trabalho como este, já que a escatologia 
trabalha em meio a muitas profecias e passagens de difícil compreensão, por isso 
precisaremos conhecer os dois principais métodos de interpretação para que tomemos 
um caminho coerente nas Escrituras, e acima de tudo não a deturpemos para provar 
teorias infundadas. 
O alegorismo e o literalismo são hoje, os métodos mais utilizados sendo que o 
primeiro vem ganhando mais espaço entre os teólogos, espaço este antes dominado, 
quase em totalidade, pelo método literal. 
1.1. O Alegorismo 
O alegorismo tem suas raízes no platonismo e no alegorismo judaico, dois de seus 
defensores são Orígenes (185-254) escritor, teólogo e professor e Clemente de Alexandria 
que faziam parte da escola de Alexandria. Orígenes defendia que a interpretação era 
dividida em três aspectos o literal, ao nível do corpo, o moral, ao nível da alma, e o 
alegórico, ao nível do espírito. Clemente por outro lado defendia cinco pontos a serem 
usados para interpretação de um texto: o histórico, o doutrinário, o profético, o filosófico 
e o místico. Agostinho de Hipona reformulou os sentidos do alegorismo e os transformou 
em quatro: o sentido literal, o que o texto realmente quer dizer; o sentido moral, uma 
visão do texto que retratasse um ensinamento sobre conduta; sentido alegórico, como 
crer e em quem crer e de que maneira; o sentido anagógico, o que o texto promete ou 
representa para o futuro. Assim vemos que agostinho ao ler um texto tinha consciência 
de seu sentido literal, mas empregava outros mecanismos para que o texto dissesse mais 
que o que estava escrito. 
Para definirmos o alegorismo podemos dizer que este método é aquele que 
em lugar de reconhecer o texto como naturalmente se apresenta, perverte-o dando 
um sentido secundário anulando a intenção primária do escritor, um exemplo deste tipo 
de interpretação está em Apocalipse 20 quando João fala a respeito de um período de mil 
anos em que a teocracia seria instituída e o próprio Jesus reinaria sobre a terra, os 
alegoristas ou espiritualizadores de textos dizem que este período está sendo 
cumprido agora pela igreja, e os mil anos não são literais, mas sim espirituais. 
Grandes perigos rondam a alegorização já que esta não interpreta as Escrituras, mas dá 
um novo sentido a ela baseados na imaginação do intérprete, sendo que, como diz a regra 
fundamental da hermenêutica, a Bíblia deveexplicar-se por si mesma. 
Por muitos motivos a interpretação das Escrituras por alegorização deve ser 
rejeitada, no entanto é importante que fique claro que num sermão usa-se de alegorias 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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para trazer um ensino à igreja dentro de um texto que às vezes foge do seu sentido literal, 
porém isso é permitido, pois se trata apenas da aplicação de conceitos contidos no texto 
em uso, o que não se permite é estabelecer doutrinas baseadas em textos alegorizados 
como o exemplo acima citado que perverte um ensino bíblico com uma interpretação 
mística de um texto que não poder ser compreendido de outra maneira senão 
literalmente. É importante ressaltar que o método alegórico trata-se de um sistema 
usado para interpretar a Bíblia e nada tem a ver com alegorias existentes nas Escrituras. 
1.2. O Literalismo 
Também conhecido como método histórico-gramatical o literalismo difere do 
alegorismo por interpretar as palavras e frases de uma maneira natural como elas se 
apresentam; o Dr J.D. Pentecost define o método literal da seguinte maneira: 
“O método literal de interpretação é o que dá a cada palavra o mesmo sentido básico 
e exato que teria no uso costumeiro, normal, cotidiano empregada de modo escrito oral 
ou conceitual”. 
Com certeza este é o único método que satisfaz as exigências bíblicas no sentido de 
trazer uma interpretação equilibrada e dentro de um contexto correto, ou seja, ele não 
modifica a idéia inicial que o autor procurou transmitir, mas a explica de maneira coerente. 
A Bíblia foi elaborada por Deus para que o homem conhecesse seus propósitos e 
mandamentos e, portanto não permitiria que este mesmo homem interpretasse seus 
ensinos literais dando a eles um novo sentido, portanto Deus espera que suas 
palavras sejam entendidas da maneira como ele as disse, é certo que temos 
linguagens figuradas, simbólicas e alegorias nos textos bíblicos, no entanto o fato deles 
existirem não obriga ao interprete usar outros métodos, pois por trás das parábolas, tipos, 
figuras e símbolos estão verdades literais, sabemos também que, não podem ser 
interpretados ao pé da letra, mas deve-se sempre buscar dentro do contexto, em 
passagens paralelas, tipos paralelos que tenham a explicação contida na Bíblia, a 
compreensão correta do texto. 
Um exemplo de alegoria se vê em João 15:5 quando Jesus diz que Ele é uma videira e 
seus discípulos os ramos, ou em João 6:51-58 onde diz: 
“Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente;... 
Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não 
beberdes o seu sangue, não tendes vida em vós mesmos. Quem comer a minha carne e 
beber o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha 
carne é verdadeira comida, e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem comer a minha 
carne e beber o meu sangue permanece em mim, e eu, nele”. 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
8 
É obvio que Jesus não é uma videira ou um pão, nem também ele gostaria 
que literalmente sua carne fosse comida, no entanto o que os textos expressam é o 
fato da comunhão, a ligação que o homem precisa ter com Cristo. Mesmo sendo uma 
alegoria o texto traz uma verdade literal e absoluta que não aceita outra interpretação 
senão a que o texto sugere. 
Vejamos um exemplo de um texto que tem uma linguagem figurada que não pode 
ser levada ao pé da letra, mas que traz uma verdade literal. Lucas 19:40: “Mas ele lhes 
respondeu: Asseguro-vos que, se eles se calarem, as próprias pedras clamarão”. Nos é 
claro que as pedras não falariam, porém usa esta expressão para advertir aos que se 
incomodavam com o clamor do povo. 
A. Os judeus e o Literalismo. Os muitos mandamentos e advertências de Deus para 
seu povo necessitavam de que fossem passados a eles seja pelo profeta, juiz ou sacerdote 
e isto fazia com que este interpretasse as palavras de Deus para então serem 
transmitidas, quando estas mensagens eram escritas pelos receptores também 
careciam de interprete para que o ensino fosse totalmente entendido, mas qual 
método era usado para esta interpretação? Quando Deus falava, suas palavras eram 
entendidas literalmente? A resposta é sim. O método usado pelos Judeus para interpretar 
todos os oráculos do Senhor era o literal. Quando Deus disse para Adão e Eva que se 
comessem o fruto da arvore do conhecimento morreriam ele queria que assim como falou 
fosse entendido, e comendo o fruto o casal provou do castigo da literal advertência de 
Deus. 
Quanto às profecias, os judeus aguardavam delas um cumprimento literal, as que 
falavam da vinda do Messias (Gn 3:15; Nm 24:17; Gn 49:10; Is 9; Mq 5:2 etc) alimentavam 
a esperança da nação que aguardava um cumprimento literal de todas elas. 
B. O Literalismo e o Novo Testamento. Não só Jesus, mas também os discípulos 
sempre interpretaram os livros do antigo testamento de maneira literal. Jesus em Mt 12:17 
ao mencionar a si mesmo, disse que nele se cumpriria a profecia de Isaias que está em Is 
42:1-4, ou seja, o que disse o profeta, Jesus interpretou como literal não alegorizando seu 
sentido; outro versículo interessante que mostra a interpretação literal está em Lc 18:31. 
Tomando consigo os doze, disse-lhes Jesus: Eis que subimos para Jerusalém, e vai 
cumprir-se ali tudo quanto está escrito por intermédio dos profetas, no tocante ao 
Filho do Homem; 
Os apóstolos procediam da mesma maneira, João 19:24, 28, 36 demonstram que o 
apóstolo via na crucificação e morte de cristo, o cumprimento literal de profecias do 
antigo testamento. 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
9 
C. O Literalismo na História da Igreja. Por toda a história da igreja, mesmo com o 
surgimento de outros métodos de interpretação os grandes nomes do cristianismo 
verdadeiro sempre interpretaram as Escrituras da mesma forma que Jesus ensinou e 
os apóstolos praticaram, o que segue são breves comentários referentes ao uso do 
literalismo no decorrer da história da igreja de Cristo. 
Na igreja primitiva. Grandes nomes da igreja primitiva criam nas Escrituras assim 
como elas ensinavam, como exemplo, temos Papias que viveu entre 70 e 140 d.C que ao 
escrever sobre a profecia de Apocalipse que menciona a existência do reino milenial ele 
diz: 
"Haverá dias em que nascerão vinhas que terão, cada uma, dez mil videiras; cada 
videira terá dez mil ramos; cada ramo terá mil galhos; cada galho terá dez mil cachos e 
cada cacho terá dez mil uvas e cada uva espremida renderá vinte e cinco metretes de 
vinho. E quando um dos santos pegar um dos cachos, o outro cacho gritará: 'pega-
me porque sou o melhor e, por meu intermédio, bendize o Senhor'. Da mesma 
forma, um grão de trigo produzirá dez mil espigas e cada espiga dará dez mil 
grãos; cada grão dará dez libras de farinha branca e limpa. 
Também os outros frutos, sementes e ervas produzirão nessa mesma proporção. E 
todos os animais que se alimentam dos alimentos dessa terra se tornarão pacíficos e 
viverão em harmonia entre si, submetendo-se aos homens sem qualquer relutância". 
Isso quer dizer que enquanto hoje, muitos teólogos ensinam que o milênio nunca 
existirá literalmente, os cristãos primitivos acreditavampiamente em sua existência. 
Outro texto antigo que nos informa como os cristãos antigos viam as 
promessas de Jesus, é uma frase extraída da “Apologia de Aristides” que foi escrita 
por volta do século II, onde o autor fala da vinda de Cristo, “A glória de sua vinda 
poderás ó Rei conhecê-la, se lerdes o que entre eles (os cristão) se chama 
Escritura Evangélica”. Aqui Aristides não só defende o ensino da volta de Cristo como fala 
de sua referência nas Escrituras. 
Atanásio, teólogo do século quatro, em sua carta a Marcelino, a respeito da 
interpretação dos Salmos, faz ligação entre os acontecimentos verídicos do Pentatêuco e 
Juizes com os Salmos interpretando-os de maneira literal, como sendo narrativas dos 
eventos passados e não trazendo novos sentidos a eles como fazem os alegoristas. 
Os fatos concernentes a Josué e aos Juízes como o referem brevemente o Salmo 106 
com as palavras: "Fundaram cidades para habitar nelas, semearam campos e 
plantaram vinhas" (Sal 106, 36-37). Pois foi sob Josué que se lhes entregou a 
terra prometida. Ao repetir reiteradamente no mesmo Salmo: "Então gritaram ao 
Senhor em sua atribulação, e Ele os livrou de todas suas angústias" (Sal 106,6), está 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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indicando o livro dos Juizes. Já que quando eles gritavam os suscitavam juízes a seu 
devido tempo para livrar a seu povo daqueles que o afligiam. O referente aos reis se 
canta no Salmo 19 ao dizer: "Alguns se vangloriam em carros, outros em cavalos, 
porém, nós, no nome do Senhor nosso Deus. Eles foram detidos e caíram; porem 
nós nos levantamos e mantivemo-nos em pé. Senhor, salva ao Rei e escuta-nos 
quando te invocamos!" (Sal 19,8-10). E o que se refere a Esdras, o canta no Salmo 125 
(um dos salmos graduais): "Quando o Senhor trocou o cativeiro de Sião, ficamos 
consolados" (Sal 125,1); e novamente no 121: "Me alegrei quando me disseram: 
'Vamos à casa do Senhor'. Nossos pés percorreram teus palácios, Jerusalém; 
Jerusalém está edificada qual cidade completamente povoada. Pois ali sobem 
as tribos, as tribos do Senhor, como testemunho para Israel" (Sal 121,1-4). (A 
numeração dos Salmos é referente ao texto original Católico Romano) 
Teodoro de Mopsuéstia, grande teólogo e pensador cristão do século IV e V 
perseguiu de maneira voraz o método alegórico de interpretação, e ao comentar disse: 
“Há pessoas que se empenham em distorcer os sentidos das Escrituras divinas e 
fazem tudo quando está escrito servir a seus próprios fins... Eles arquitetam algumas 
fábulas tolas em sua própria mente e dão à sua tolice o nome de alegoria. Usam mal o 
termo do apóstolo como uma autorização em branco para suprimir todos os sentidos da 
Escritura divina”. 
Mesmo com o início da ascensão do alegorismo o método literal foi defendido pelos 
mais ilustres teólogos e mestres da história, um exemplo destes é 
Tertuliano, tido por muitos, como o maior depois do apóstolo Paulo. 
Entre os Reformadores. Durante quase toda a idade média a igreja Católica 
Romana teve o domínio da interpretação bíblica atribuindo a si mesma, como a única 
capaz de fazê- lo corretamente: 
“Pois tudo o que concerne à maneira de interpretar a Escritura, está sujeito 
em última estância ao juízo da igreja, que exerce o mandato e ministério divino de 
guardar e interpretar a palavra de Deus”. (Bíblia Ave Maria, Constituição dogmática Dei 
Verbum sobre a revelação divina). 
Com a reforma protestante, o método literal volta com grande força por ser este o 
método usado por seus líderes. Weldon E. Viertel em seu artigo sobre os “Princípios 
Hermenêuticos de João Calvino”, escreve: 
“Calvino doutrinava que a primeira responsabilidade de um intérprete é deixar que o 
autor diga aquilo que de fato diz, em vez de atribuir a ele o que nós pensamos que ele 
deveria dizer. É tarefa do intérprete mostrar a mente do escritor. Considerou como 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
11 
sacrilégio o uso da Escritura à mercê do prazer de cada um. Ele recusou apresentar 
seus pontos de vista teológicos em conjunto com sua interpretação da Escritura. Os 
princípios de Calvino sobre a interpretação incluíam o sentido literal (princípio gramático-
histórico) (...)”. 
Sabemos que parece um pouco contraditório o fato de Calvino ser literalista e 
espiritualizar vários textos, principalmente escatológicos, para que seus ensinos sejam 
fundamentados, porém o que nos importa é seu reconhecimento quanto ao uso 
indispensável do método literal. 
Todo o movimento reformista aderiu ao método literal, a declaração de fé de 
Westminster tem o seguinte parágrafo: 
“A regra infalível de interpretação da Escritura é a mesma Escritura; portanto, 
quando houver questão sobre o verdadeiro e pleno sentido de qualquer texto da 
Escritura (sentido que não é múltiplo, mas único), esse texto pode ser estudado e 
compreendido por outros textos que falem mais claramente”. 
Este foi incluído também, na declaração de fé Batista de 1689. 
Paulo R. B. Anglaba em seu artigo faz comentário sobre o rompimento com o 
alegorismo medieval: 
John Colet (1467-1519) foi um dos primeiros reformadores a romper com o método 
alegórico medieval, ao expor em 1496, em Oxford, as cartas do apóstolo Paulo em seu 
sentido literal e no seu contexto histórico. Três anos depois, em 1499, ele já sustentava o 
princípio de que as Escrituras não podem ter senão um único significado: o mais simples. 
Lutero também rejeitou a interpretação alegórica. Defendeu que ‘‘nós devemos nos 
ater ao sentido simples, puro e natural das palavras, como requerido pela gramática e 
pelo uso do idioma criado por Deus entre os homens.’’ 
Quanto a Calvino, sua aversão à interpretação alegórica era de tal ordem que ele 
chegou a afirmar ser satânica, por desviar o homem da verdade das Escrituras. ‘‘É uma 
audácia próxima do sacrilégio’’, escreveu ele, ‘‘usar as Escrituras ao nosso bel-prazer e 
brincar com elas como com uma bola de tênis, como muitos antes de nós o fizeram’’. 
Muitos outros nomes poderiam ser citados, porém os destacados falam por todo o 
grupo, que mesmo divergindo em questões doutrinárias tinham comum parecer quanto 
ao método de interpretação. 
A conclusão que chegamos, tendo em vista que a igreja moderna e a contemporânea 
seguiram os passos da reformada quanto à hermenêutica, é que não há outro método de 
interpretar a palavra de Deus, que não seja o de respeitar e não deturpar o seu sentido 
original, ou seja, levar em consideração aquilo que o escritor realmente queria dizer. O 
fato é que na escatologia lidamos com textos de difícil elucidação, no entanto não temos o 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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direito de dar-lhe outro sentido apenas baseando-se em nossos pensamentos e raciocínios 
e é justamente o que tem acontecido em nossos dias. Sobre os que brincam com o sentido 
das Escrituras, Teodoro de Mopsuéstia disse “agem como se toda a narrativa histórica 
da Escritura divina de nenhum modo diferisse de sonhos à noite”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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AULA 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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2 - O DISPENSACIONALISMO E SUAS ALIANÇAS 
É de suma importância nos determos, por breve momento, no estudo das 
dispensações já que esta está ligada fortemente a escatologia. Os pactos realizados por 
Deus durante determinado tempo da história permanecem até hoje e as promessas 
inclusas nestes pactos esperam cumprimento total. 
Dispensações são períodos de tempo em que Deus estabelece diferentes maneiras de 
tratar com seu povo, sendo que em cada uma delas há a pactos estabelecidos por Deus 
em que são feitas promessas que foram ou serão cumpridas e também exigências como 
condições para que as alianças ou parte delas sejam concluídas. É interessante ressaltar 
que as alianças ou pactos tinhas características diferentes relativas ao seu cumprimento, 
algumas eram totalmente condicionais, onde, aquela pessoa ou nação com quem foi feita 
a aliança, deveria cumprir alguns pormenores para sua realização. As incondicionais ao 
contrário, não estavam dependentes da pessoa ou grupo com que a aliança era feita, Deus 
prometia e independente de qualquer coisa ele se comprometia a fazer. 
O dispensacionalismo apresenta todo o plano de Deus através dos séculos por 
períodos, como se fossem capítulos de um livro, embora sejam distintos têm o mesmo 
contexto, ou seja, mesmo as dispensações sendo diferentes estão interligadas e elas 
tratam do mesmo contexto, que é a revelação de Deus ao homem e também o 
desenvolvimento deste relacionamento. 
2.1. As Alianças e a Escatologia 
Encontramos nas alianças: Abraâmica, Mosaica, Palestínica e Davídica, implicações 
escatológicas que resolvem e explicam grandes discussões em várias áreas da doutrina. O 
que estudaremos a seguir serão estas implicações e o que cada uma delas representa para 
a igreja, para os gentios e para Israel. 
A aliança com Abraão é a raiz das demais, Deus prometeu ao patriarca a posse da 
terra e isto foi confirmado pela aliança palestina. A promessa também inclui a formação 
de uma numerosa nação e o estabelecimento de um reinado eterno confirmado na aliança 
Davídica. Através de sua descendência todas as nações seriam abençoadas o que é 
confirmado na Nova Aliança. 
2.2. Aliança Abraâmica 
A cronologia bíblica mais aceitável apresenta o nascimento de Abraão no ano 2166 
a.C., na era do baixo bronze IV. Filho de Terá morava na cidade Sumeriana, Ur dos 
Caldeus que ficava às margens do rio Eufrates, neste tempo a cidade havia sido 
conquistada por povos bárbaros ocasionando a saída de seu pai juntamente com filhos e 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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noras para a cidade de Harã, onde Deus se revela a ele. Seu chamado está registrado em 
Gênesis 12:1-3: 
“Ora, disse o SENHOR a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai 
e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te 
engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os que te abençoarem e 
amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra”. 
Em outros textos encontramos complementos desta aliança: 
 Gênesis 12:6-7 Atravessou Abrão a terra até Siquém, até ao carvalho de Moré. 
Nesse tempo os cananeus habitavam essa terra. Apareceu o SENHOR a Abrão e 
lhe disse: Darei à tua descendência esta terra. Ali edificou Abrão um altar ao 
SENHOR, que lhe aparecera. 
 Gênesis 13:14-17 Disse o SENHOR a Abrão, depois que Ló se separou dele: Ergue 
os olhos e olha desde onde estás para o norte, para o sul, para o oriente e para o 
ocidente; porque toda essa terra que vês, eu ta darei, a ti e à tua 
descendência, para sempre. Farei a tua descendência como o pó da terra; de 
maneira que, se alguém puder contar o pó da terra, então se contará também a 
tua descendência. Levanta-te, percorre essa terra no seu comprimento e na sua 
largura; porque eu ta darei. (leia também 15:1-21; 17:1-14) 
Podemos numerar as promessas da seguinte forma: 
 De Abraão sairia uma grande nação. 
 Ele seria abençoado; 
 Seu nome seria engrandecido; 
 Ele mesmo seria uma grande bênção; 
 Deus promete abençoar os que o abençoassem e amaldiçoar os que o 
amaldiçoassem; 
 Através dele e de sua descendência todas as nações seriam abençoadas; 
 Canaã seria de sua descendência; 
 A possessão da terra seria eterna; 
 Seria o patriarca de vários reis; 
 A aliança permaneceria perpetuamente em sua descendência. 
Qualquer aliança feita por Deus com os homens pode ter ou não uma condição, ou 
seja, se a pessoa ou o povo tiver que fazer algo para que o pacto venha a ser cumprido é 
uma aliança condicional, se for ao contrário é uma aliança incondicional. 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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A aliança de Deus com Abraão tem uma condição inicial que é “Sai da tua terra, da 
tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei”. 
Ao cumprir esta parte todo o restante era de caráter incondicional, Deus iria cumprir. 
Eugene H. Merril ao comentar sobre o caráter da aliança diz: 
A divina promessa da terra e as outras bênçãos (Gn 12:1-3; 15:18-21; 17:1-8) estão 
registradas numa forma de aliança tecnicamente conhecida nos estudos do antigo oriente 
Médio como sendo um “concerto da graça”. É uma iniciativa que parte daquele que 
concede o favor, e quase sempre sem que para isso exista quaisquer pré-requisito ou 
qualificação. 
No Novo Testamento vemos claramente a imutabilidade da aliança Abraâmica em 
Hebreus 6:13-17 
Pois, quando Deus fez a promessa a Abraão, visto que não tinha ninguém superior 
por quem jurar, jurou por si mesmo, dizendo: Certamente, te abençoarei e te 
multiplicarei. E assim, depois de esperar com paciência, obteve Abraão a promessa. Pois os 
homens juram pelo que lhes é superior, e o juramento, servindo de garantia, para eles, é 
o fim de toda contenda. Por isso, Deus, quando quis mostrar mais firmemente aos 
herdeiros da promessa a imutabilidade do seu propósito, se interpôs com 
juramento,(...) 
As promessas a Abraão eram definitivas, pois dele surgiria uma grande nação, e para 
sua posteridade seria dada a terra de Canaã como posse eterna; seu nome seria grande e 
quem ele abençoasse seria abençoado, se amaldiçoasse seria amaldiçoado; através dele 
todas as nações seriam abençoadas e a aliança que Deus estabelecia com ele seria eterna. 
As promessas da aliança têm caráter literal e não figurado, se Deus o prometeu iria 
cumprir cabalmente todas elas. É notório que as promessas não foram, ainda, realizadas 
em sua totalidade já que Israel nunca possuiu a terra de maneira definitiva, o reinado 
literal ainda não existe, porém, como veremos adiante, estas promessas encontrarão 
cumprimento no milênio. 
2.3. A Aliança Palestínica 
Após a aliança Mosaica ser decididamente desobedecida, e chegar o momento de 
transição de liderança, Deus fala a Moisés e renova a aliança estabelecida com o pai 
Abraão, o caso é que devido à desobediência não se tinha mais esperança de entrar na 
terra prometida e esta revitalização da promessa trazia consigo uma nova esperança ao 
povo de Israel. Esta aliança é encontrada em Deuteronômio 30:1-10: 
“Quando, pois, todas estas coisas vierem sobre ti, a bênção e a maldição que pus 
diante de ti, se te recordares delas entre todas as nações para onde te lançar o SENHOR, 
teuDeus; e tornares ao SENHOR, teu Deus, tu e teus filhos, de todo o teu coração e de 
 
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toda a tua alma, e deres ouvidos à sua voz, segundo tudo o que hoje te ordeno, então, o 
SENHOR, teu Deus, mudará a tua sorte, (...) O SENHOR, teu Deus, te introduzirá na terra 
que teus pais possuíram, e a possuirás; e te fará bem e te multiplicará mais do que a teus 
pais. O SENHOR, teu Deus, circuncidará o teu coração e o coração de tua descendência, 
para amares o SENHOR, teu Deus, de todo o coração e de toda a tua alma, (...) pois, darás 
ouvidos à voz do SENHOR;(...) O SENHOR, teu Deus, te dará abundância em toda obra das 
tuas mãos, no fruto do teu ventre, no fruto dos teus animais e no fruto da tua terra(...) se 
deres ouvidos à voz do SENHOR, teu Deus(...)”. 
O ponto central desta aliança é a possessão da terra que havia sido prometida à 
descendência de Abraão, e perdida devido a desobediência de Israel (Dt 28:63-68), no 
entanto o novo pacto traria não só o restabelecimento da promessa mais sua reafirmação. 
Vejamos os pontos desta aliança: 
 Deus tirará Israel do cativeiro (v.3-4) 
 Seria-lhes restituída a terra por posse eterna; (v.5) 
 Teriam grande prosperidade (v.5,9) 
 Deus converterá toda a nação para si (v.6) 
 É-lhes garantida proteção contra os inimigos (v.7) 
A promessa de Deus para Israel permanece firme e inabalável. Claramente se vê uma 
repetição do que foi prometido a Abraão de maneira também incondicional, o fato de a 
conversão de Israel ser aparentemente a condição para que Deus cumpra sua promessa 
não torna a aliança condicional, pois o Senhor disse que converteria seu povo, veja bem, 
ele seria o autor da conversão: 
SENHOR, teu Deus, (ele) circuncidará o teu coração e o coração de tua descendência, 
para amares o SENHOR, teu Deus, de todo o coração e de toda a tua alma, para que vivas. 
De novo, pois, darás ouvidos à voz do SENHOR; cumprirás todos os seus mandamentos que 
hoje te ordeno. 
O único fator que adiaria ou atrasaria o cumprimento da promessa seria, quando; ou 
seja, o tempo em que Israel desse ouvido ao Senhor (Dt 28:2), isto não condiciona a 
promessa porque o tempo desta conversão será determinado por Deus “porém o 
SENHOR não vos deu coração para entender, nem olhos para ver, nem ouvidos para 
ouvir, até ao dia de hoje” (Dt 29:4). E esta “abertura de ouvidos” ocorrerá no fim da grande 
Tribulação. 
E sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém derramarei o espírito da 
graça e de súplicas; olharão para aquele a quem traspassaram; pranteá-lo-ão como quem 
pranteia por um unigênito e chorarão por ele como se chora amargamente pelo 
 
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primogênito. Naquele dia, será grande o pranto em Jerusalém, como o pranto de Hadade-
Rimom, no vale de Megido.(Zc 12:10-11) 
2.4. Aliança Davídica 
A aliança com Davi também está ligada diretamente a Abraâmica, porém com 
pormenores que se referiam a Davi e seus descendentes. Sua apresentação por parte de 
Deus através do profeta Natã se encontra em 2Sm 7:12-16: 
“Quando teus dias se cumprirem e descansares com teus pais, então, farei levantar 
depois de ti o teu descendente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino. Este 
edificará uma casa ao meu nome, e eu estabelecerei para sempre o trono do seu 
reino. Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; se vier a transgredir, castigá-lo-ei com 
varas de homens e com açoites de filhos de homens. Mas a minha misericórdia se não 
apartará dele, como a retirei de Saul, a quem tirei de diante de ti. Porém a tua casa e o 
teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será estabelecido para 
sempre.” 
Davi havia colocado em seu coração o desejo de construir um templo ao Senhor (2Sm 
7:2), Deus não permitiu, porém fez com ele esta aliança onde podemos observar que: 
 Deus lhe daria um filho (Salomão); 
 Após sua morte o reino seria entregue a este filho; 
 Seu filho edificaria o templo do Senhor; 
 Deus amaria esse filho; 
 Deus promete ter misericórdia de seu filho mesmo diante de suas transgressões; 
 Sua casa (descendência), seu reino (nação) e seu trono seriam estabelecidos para 
sempre. 
Deus deixa claro para Davi que ninguém, a não ser de sua descendência, sentaria no 
trono (Sl 89:3-4) e esta promessa como todas as outras é de caráter incondicional, Deus 
se compromete a fazer. Só nos resta saber quem será este descendente que sentará no 
trono, uma vez que Israel está novamente em sua terra e formando novamente uma 
nação, sobre isto o apóstolo Pedro em Atos 2:30-31: 
“Sendo, pois, profeta e sabendo que Deus lhe havia jurado que um dos seus 
descendentes se assentaria no seu trono, prevendo isto, referiu-se à ressurreição de 
Cristo, que nem foi deixado na morte, nem o seu corpo experimentou corrupção.” 
Lucas 1:31-33 esclarece: 
“Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus. 
Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de 
 
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Davi, seu pai ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá 
fim.” 
Aos amilenistas (os que não crêem na existência de um milênio literal) tem lutado 
para provar que este reino é espiritual e que a igreja cumpre esta promessa, onde Jesus, o 
descendente de Davi, reina soberano, no entanto para tal interpretação é necessário 
espiritualizar demasiadamente o texto e seu cumprimento, não observando que desde o 
início os eventos prometidos como: o nascimento de Salomão, a construção do templo, 
seu reinado, seus pecados e castigo divino, como também a permanência da misericórdia 
do Senhor em sua vida, que foram cumpridos literalmente. Estes acontecimentos literais, 
indicam o caráter da promessa, o fato é que os amilenistas argumentam que estes 
cumprem apenas a parte literal da aliança, permanecendo a parte espiritual cumprida por 
Cristo ao longo de seu reinado sobre a igreja. 
O reino prometido a Davi era totalmente literal, o próprio Jesus pregou o reino dessa 
forma em Mt 25:31-33. 
“Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então, 
se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas em sua presença, 
e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas; e porá as 
ovelhas à sua direita, mas os cabritos, à esquerda.” 
Não há a menor base para um reino espiritual cumprir este aspecto da aliança, o fato 
de em apocalipse Jesus ser apresentado num trono não permite ligação ao trono de Davi, 
apenas indica a majestade de Cristo. O profeta Ezequiel também fala da permanência 
literalmente perpétua do trono de Davi em 37:24: 
O meu servo Davi reinará sobre eles; todos eles terão um só pastor, andarão nos 
meus juízos, guardarão os meus estatutos e os observarão. 
Jesus é o grande rei “que veio para os seus, mas os seus não o receberam”, porém 
retornará e estabelecerá seu trono. Deus tem providenciado a preservação da casa de 
Davi, isto é, a nação de Israel, a qual irá, no final da grande tribulação, ter seu trono 
ocupado através de seu “descendente”, Jesus que virá para instituir seu reino eterno. 
2.5. Nova Aliança 
Esta com certeza é das quatro a que traz mais dúvidas e questionamentos, no 
entanto quando averiguamos as Escrituras todos desencontros se dissipam. Deus haviaestabelecido uma aliança com Moisés (Ex. 19:1-25), nela foram prometidos benefícios 
exclusivos à nação de Israel, entretanto esta aliança era temporária, e assim é chamada 
em Hebreus 8:13, por isso em Jeremias 31:31-33, Deus promete uma nova e definitiva 
aliança, chamada de eterna em Is 61:8, na qual eram prometidas bênçãos materiais e 
espirituais definitivas para Israel. O texto de Jeremias 31:31-40 diz o seguinte: 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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“Eis que dias vêm, diz o SENHOR, em que farei um concerto novo com a casa de Israel 
e com a casa de Judá. Não conforme o concerto que fiz com seus pais, no dia em que os 
tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito, porquanto eles invalidaram o meu 
concerto, apesar de eu os haver desposado, diz o SENHOR. Mas este é o concerto que 
farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o SENHOR: porei a minha lei no seu 
interior e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. E 
não ensinará alguém mais a seu próximo, nem alguém, a seu irmão, dizendo: Conhecei ao 
SENHOR; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até ao maior, diz o SENHOR; 
porque perdoarei a sua maldade e nunca mais me lembrarei dos seus pecados. Assim diz o 
SENHOR, (...) esta cidade será reedificada para o SENHOR, desde a Torre de Hananel até à 
Porta da Esquina.(...) Esta Jerusalém jamais será desarraigada ou destruída.” 
 O resumo desta promessa de aliança é: 
 A promessa de uma nova e futura aliança; 
 Esta promessa é exclusiva a Israel e a casa de Judá; 
 Uma conversão real e definitiva; 
 Comunhão eterna entre Deus e Israel; 
 Perdão dos pecados e esquecimento dos mesmos por parte de Deus; 
 Jerusalém será reedificada e eternizada. 
Encontramos uma repetição desta aliança em Ezequiel 37:21-28, os termos são os 
mesmos, porém destacamos os versos 26 e 27 que dizem: 
“Farei com eles aliança de paz; será aliança perpétua. Estabelecê-los-ei, e os 
multiplicarei, e porei o meu santuário no meio deles, para sempre. O meu tabernáculo 
estará com eles; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.” 
O escritor de Hebreus defende o sacerdócio de Cristo como sendo o mediador da 
nova aliança (Hb 8:6) e diz que a primeira aliança era ineficaz, falando da mosaica, que, 
portanto, deveria ser substituída por uma eficaz e eterna (Hb 8:7,13). O escritor continua 
no capítulo 9 a discorrer o assunto dizendo que Moisés ao receber a lei (aliança) aspergiu 
sangue sobre o povo, sobre o tabernáculo e os vasos do ministério (v.19-21) “dizendo: 
Este é o sangue da aliança, a qual Deus prescreveu para vós outros”. E complementa 
dizendo que “quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e, sem 
derramamento de sangue, não há remissão”. O fato é que ano após ano haveria de 
fazer novos sacrifícios para se alcançar o “perdão” dos pecados, tornando esta aliança 
incompleta, ou, como diz o escritor, ”uma sobra de bens futuros”. Jesus sendo o próprio 
sacrifício aceitável diante de Deus, (Hb 9: 11-17) tornou-se o mediador desta aliança, 
tornado-a perfeita e completa. 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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Um problema surge quando observamos que esta, como todas as outras, foram feitas 
com Israel e a Casa de Judá e não com a igreja, isso quer dizer que esta não pode cumprir a 
aliança pois apenas Israel e Judá o poderiam fazer. Vemos na proclamação da aliança Deus 
dizer “Eis que dias vêm, diz o SENHOR, em que farei um concerto novo com a casa de 
Israel e com a casa de Judá”. O caso é que os amilenistas dizem que a igreja hoje cumpre 
esta aliança tornando desnecessário um milênio literal, no entanto é impossível, pois, 
aqueles que crêem no sacrifício de Jesus pela fé, são, como diz o apóstolo Paulo, 
enxertados (Rm 11:24), não são ramos naturais, a relação que existe entre a igreja e a 
nova aliança, é apenas de beneficiamento por parte da igreja, esta participa de suas 
bênçãos, porém, não pode cumpri-la. Nos pontos da aliança vistos anteriormente fica claro 
que na nova aliança, Deus estabeleceria um novo relacionamento com Israel, devolvendo-
lhe Jerusalém, permitindo sua reedificação definitiva e prometendo estar no meio deles. 
Todos os pontos desta aliança são também definitivos e eternos, e isto, até hoje nunca se 
viu acontecer na nação de Israel, o porque tem resposta simples, a aliança é futura para 
eles. 
João em seu Evangelho fala da oportunidade que a nação teve em estabelecer a nova 
aliança e com ela o reino messiânico, dizendo que Jesus “Veio para o que era seu, e os 
seus não o receberam”, a questão é que Deus tinha um propósito específico que era o de 
incluir os gentios em seu plano de salvação. “Eu, o SENHOR, te chamei em justiça, 
tomar-te-ei pela mão, e te guardarei, e te farei mediador da aliança com o povo 
(Israel) e luz para os gentios (igreja) (Is 42:6). Estes gentios se tornaram a igreja, sendo 
então, participantes das bênçãos espirituais da aliança através da fé no mediador dela, 
Jesus Cristo”. 
Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, 
a saber, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade 
da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.(Jo 1:12) 
A conclusão é que o milênio é literal, ao contrario do que dizem os amilenistas, e 
necessário, pois nele a nova aliança será estabelecida em Israel e Deus cumprirá todos os 
desígnios desta aliança, como também das outras. Os pormenores referentes ao milênio 
serão abordados mais adiante. 
2.6. O Fim da Atual Dispensação 
Das sete dispensações, cinco já foram concluídas: inocência consciência, governo 
humano, patriarcal e lei, e estamos vivendo a dispensação da graça que dará lugar a 
milenial. O que é necessário percebermos é que Deus tendo dividido a história da 
humanidade em dispensações deu para cada uma delas um propósito ou missão e todas 
elas deveriam ter um inicio e um fim, portanto esta era atual, ou este período de tempo 
 
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chamado graça em que vivemos terá um fim, o que marcará este fim? Dois grandes 
eventos marcarão o fim, o arrebatamento da igreja e a volta visível de Jesus para inaugurar 
o milênio. Nos capítulos seguintes estudaremos detalhes dos eventos como também tudo 
o que os envolve. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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3 - DEFINIÇÃO DOS TERMOS ARREBATAMENTO 
E VINDA 
Neste capítulo buscaremos uma definição esclarecedora quanto à idéia principal que 
cada termo usado no original quer dizer, pois temos muitos escritores nomeando o 
arrebatamento e a vinda em glória usando palavras gregas que, como veremos não 
permitem tal nomeação de modo definitivo. 
Os dois eventos, principalmente o primeiro, são esperados ansiosamente pela igreja, 
pois trarão consigo a consumação de uma expectativa viva e que deve ser alimentada 
com as palavras de Jesus que disse em João 14:2-3. 
“Na casa demeu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois 
vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei 
para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também.” 
No entanto existem teorias que negam sua existência ou que mesmo 
reconhecendo a realidade do arrebatamento o colocam em posição errada quanto 
ao tempo de seu acontecimento, é preciso então definir o evento de uma forma decisiva 
para romper com as dúvidas. 
3.1. Arrebatamento 
O termo arrebatamento é encontrado em seu sentido escatológico em I Ts 4:17, 
quando o apóstolo Paulo explica acerca da situação dos mortos em Cristo na sua vinda e 
ao dizer com relação ao momento da retirada da igreja diz que os mortos ressurgirão 
primeiro e: 
“... Depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, 
entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com 
o Senhor.” 
A. Harpádzo (é o termo que é traduzido para arrebatamento), este tem um 
significado abrangente, em Mateus 11:12 é traduzido como “apoderaram-se” no sentido 
de tomar para si; já em Mateus 13:19 a idéia é de “roubo” como também em João 10:28; 
uma tradução menos comum nos encontramos em João 10:12, “atacar” no sentido de 
investida. É derivado de haireomai (que significa tomar para ii, preferir, escolher, escolher 
pelo voto, eleger para governar um cargo público). De qualquer forma arrebatamento 
significa tomar para si, roubar, raptar, capturar; qualquer uma é valida desde que esteja de 
acordo com o contexto, por isso “harpadzo” em I Ts 4:17 ficaria melhor como: 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
25 
...depois, nós os que estivermos vivos, juntamente com eles (os mortos 
ressurretos) seremos levados por Jesus até as nuvens para nos encontrarmos com 
ele nos ares, e assim, estaremos para sempre com o Senhor. 
Alguns comentaristas sugerem roubo ou rapto da igreja como possível tradução, no 
entanto, a igreja não vai ser tomada indevidamente, pois Jesus a comprou com seu 
sangue (At 20:28) a obtenção da igreja é legitima. Portanto arrebatamento é o evento em 
que Jesus vem até as nuvens buscar para si a sua igreja, Paulo adverte a igreja a esperar 
em santidade e vigilância. 
1 Ts 5:23 O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e 
corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. 
3.2. Vinda 
Três palavras são usadas para referir-se à vinda de Cristo e estas são utilizadas 
nos textos originais de várias maneiras, no entanto precisaremos conhece-las para 
que tenhamos uma compreensão melhor sobre seus significados e se podemos utilizá-las 
ou não para nomear a vinda gloriosa de Cristo. 
A. Parousia (Sua tradução segundo o dicionário grego de Willian Carey é: presença, 
vinda, chegada, volta; “visita real, chegada de um rei”) (Souter); “a futura visível volta 
de Jesus, o messias, do céu para ressuscitar os mortos, realizar o juízo final, e 
estabelecer formal e gloriosamente o reino de Deus” (Thayer) 
Parusia é derivado de pareimi (que significa estar perto, estar a mão, ter chegado, 
estar presente estar pronto, em estoque, às ordens (Strong). 
Seu sentido é abrangente, tanto pode se referir ao arrebatamento quanto à 
volta gloriosa de Jesus. Em 2Co 10:10 e Fp 2:12 parusia refere-se a presença 
pessoal de qualquer pessoa; em 1Co 16:17 trata da vinda pessoal de alguém, que no caso é 
Estéfanas, Fortunato e Acaico, como em Fp 2:12 onde Paulo fala de sua parusia 
(presença) entre os filipenses em contraste com sua apousia (usência); em 2Ts 2:9 trata do 
aparecimento do anticristo; em 1Co 15:23, 1Ts 2:19, 4:15 e 5:23 entre outros referem-se 
ao arrebatamento; e em Mt 24:3, 27, 37, 39, 1Ts 3:13, 2Pe 1:16 entre outros, tratam da 
vinda gloriosa de Jesus a terra. Concluímos então que parusia não tem condições de 
ser usada para definir decisivamente e exclusivamente como sendo a vinda no 
arrebatamento, já que pode significar qualquer vinda. Parusia expressa na língua 
portuguesa o sentido da palavra “presença”, e esta presença pode ser de qualquer coisa 
ou pessoa. 
O fato é que este termo tem sido usado por vários escritores como sendo a palavra 
que define o arrebatamento como a “parusia de Cristo”, e isto é um erro, pois o termo , 
como vimos, pode significar vários tipos de vinda. 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
26 
B. Epifhanéia. Manifestação, aparecimento, “vinda”; literalmente significa “brilho 
à frente” (Vine). É usada por vários escritores para designar a volta gloriosa de 
Jesus após a grande tribulação. 
Sua raiz epifa sempre está ligada a aparição e manifestação, outra forma é epifhaino 
(que significa: aparecer, fazer uma aparição, mostrar-se, como em Lc 1:79, At 27:20 e Tt 
2:11; e ainda epifhaísco: aparecer, surgir, como em Ef 5:14). 
Epifhanéia é usado para de referir a volta gloriosa de Jesus em 2Tm 4:1 “Conjuro-te, 
perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação 
e pelo seu reino”, e Tt 2:13 “aguardando a bendita esperança e a manifestação da 
glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” neste versículo encontramos 
os dois eventos aguardados pela igreja de Cristo, a expressão “bendita esperança” 
refere-se ao arrebatamento, enquanto “manifestação da glória” trata da vinda 
gloriosa de Jesus. Em 1Tm 6:14 e 2Tm 4:8 o contexto indica que se trata do arrebatamento 
e em 2Tm 1:10 o contexto indica claramente se tratar da encarnação de Jesus Cristo; em 
Mt 24:27 revela o brilho da glória do Senhor Jesus. A conclusão é simples: devido o fato se 
tratar de vários tipos de vinda e “aparições”, e não definir claramente qual, não pode ser 
estabelecido que quando se fala da vinda gloriosa e visível de Cristo use-se o termo “a 
epifhanéia de Cristo”. 
C. Apokalupsis. Revelação, exposição, manifestação. Mesma raiz de apokalupto 
(revelo, descubro). 
Seu uso é freqüente para designar a revelação de Jesus Cristo, ou seja, a sua vinda, no 
entanto, também não consegue por si só definir qual das vindas está se referindo. Em Lc 
17:30, 2Ts 1:7, 1Pe 4:13 nitidamente indica a vinda visível de Cristo; em 1Co 1:7, Cl 3:4 e 
1Pe 1:7, 13 refere-se ao arrebatamento. Devido seu significado e uso abrangente também 
é usado nas Escrituras para referir-se a descobrimento e revelação da palavra de Deus na 
alma entre outros usos. Em Lc 12:32 fala da revelação da palavra aos gentios; Rm 16:25 e 
Ef 3:3 falam da revelação do “mistério” que é o plano de Deus para esta era; Ef 1:17 o 
termo retrata a questão da revelação do conhecimento de Deus à alma do homem e etc... 
Portanto, fica difícil provar que este termo indique claramente que evento ele se refere 
já que alem, de ser utilizado para relatar os dois, tem outros usos. 
D. Phanerósis. Existe ainda uma palavra usada por alguns escritores para designar a 
volta gloriosa de Cristo, que é Phanerósis, no entanto, esta não é usada nos textos que 
falam da vinda de Cristo, este termo aparece em 1Co 12:7 “A manifestação (phanerósis) 
do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso”, não indicando a 
manifestação de Cristo na sua vinda, mas uma manifestação do Espírito Santo, no sentido 
simples de demonstração. O verbo que está relacionado ao termo em questão é phaneró 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
27 
(revelar, mostrar, fazer conhecido, como em Mc 4:22; Jo 7:4; 17:6; 21:14; Rm 1:19; 3:21; 
2Co 2:14; Ef 5:13; 1Tm 3:16; Tt 1:3; Hb 9:8; 9:26; 1Jo 1:2 e 2:28). Nunca e em nenhuma de 
suas formas (phanerós-adjetivo, phanerôs-advérbio ou phaneró-verbo) o termo se refere 
à manifestação de Cristo. 
A conclusão final a que chegamos é que cada palavra dessas não foi introduzida no 
texto com a intenção de classificar qual das vindas o escritor se referia, mas sim para 
deixar claro o ensino sobre o retorno do Senhor, cada uma delas revela características 
marcantes sobre sua volta; Parusia expressa que a vinda manifestará sua presença; 
epiphanéia trata da volta como algo glorioso devido seu aparecimento e apokalupsis fala 
da manifestação completa no sentido de se revelar, tornar-se conhecida sem qualquer 
obscuridade, perante o mundo, como Rei dos reis. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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AULA 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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4 - ESCOLAS ESCATOLÓGICAS 
A maioria das diferentes escolas de interpretação pode ser entendida na forma em 
que seu método explica o tempo. Os preteristas afirmam que a maior parte do Apocalipse 
tem sua principal referência no passado. Os futuristas declaram que a maior parte do livro 
ainda deverá ter cumprimento futuro. Os historicistas estão seguros de que o livro foi 
cumprido parcialmente no passado, está ainda tendo cumprimento no presente, e 
somente se cumprirá plenamente no futuro. 
A escola Idealista rejeita todas essas três escolas. O idealista diz que essas três 
escolas são por demais específicas ao interpretar os símbolos proféticos. O idealista busca 
um método de interpretação mais espiritual, filosófico ou poético. 
4.1. Escola Idealista 
A escola idealista de interpretação julga que o livro de Apocalipse é um desdobrar de 
princípios em figuras. O propósito do livro de Apocalipse não é falar de eventos específicos 
a virem. É somente para ensinar verdades espirituais que podem ser aplicadas a todas as 
situações (ou serem delas derivadas). 
Contudo, é difícil ver um propósito no livro de Apocalipse se for somente um retrato 
detalhado de princípios encontrados noutras partes. Se tais princípios já foram ensinados 
claramente alhures, por que agora se apresentam em forma tão misteriosa? 
Erdman indaga: 
“os princípios não se tornam até mais impressionantes quando incorporados em 
eventos que o autor viu, e em eventos ainda mais momentosos que nas visões proféticas 
ele contemplou no horizonte de uma era mais luminosa que deveria ainda raiar?” (Chrles 
R. Erdman, Revelation, p. 25) 
Incoerências do Idealismo 
Absoluta coerência é impossível para o Idealismo, tanto quanto para todas as outras 
escolas. O Apocalipse descreve a segunda vinda de Cristo. Se esse for um evento histórico 
real, por que alguns dos retratos dos eventos do Apocalipse antes disso também são 
históricos? 
É impossível divorciar qualquer livro de sua ambientação histórica. Isso é duplamente 
verdadeiro com respeito ao livro do Apocalipse porque é o exemplo máximo de literatura 
apocalíptica. Todo esse gênero literário trata com história. Não está interessado em 
abstrações. 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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4.2. Escola Preterista 
O preterismo é a metodologia mais popular para o exame do Apocalipse entre os 
eruditos críticos. Essa escola é também conhecida como a contemporânea- histórica. Essa 
escola inclui exegetas tão brilhantes quanto Beckwith, Swete, Ramsay, Simcox, Moses 
Stuart, e F. F. Bruce. 
Esses escritores entendem que as principais profecias do livro do Apocalipse 
cumpriram-se na destruição de Jerusalém (em 70 AD) e na queda do Império Romano. 
A força do Preterismo é que se baseia em considerável montante de verdade. O livro 
de Apocalipse de João deve ter feito sentido para os seus primeiros leitores, seus 
contemporâneos. Que pastor escreveria uma carta para o seu rebanho que não tivesse 
imediato significado para essas ovelhas? 
Protesto Contra o Preterismo 
O principal defeito do Preterismo é que parece deixar a igreja ao longo das era sem 
direção específica. Milligan declara: 
“o livro [de Apocalipse] apresenta distintamente em sua aparência o fato de que não 
está confinado ao que o Vidente contemplou imediatamente ao seu redor. Trata de muito 
do que devia acontecer até o pleno cumprimento da luta da Igreja, a completa conquista 
de sua vitória, e o integral alcance de seu descanso. A Vinda do Senhor tão 
freqüentemente referida certamente não se esgotou naquela destruição da política judaica 
que agora sabemos que devia preceder por muitos séculos o encerramento da 
Dispensação presente; e os inimigos de Deus descritos continuam a sua oposição à 
verdade não meramente num ponto determinado e próximo, quando são contidos, mas 
ao final, quando são derrotados derradeiramente e para sempre. Há uma progressão no 
livro que é somente detida com o advento final do Juiz de toda a Terra; e nenhum sistema 
justo de interpretação nos permitirá considerar as diferentes pragas dos Selos, 
Trombetas, e Taças como simbólicos somente de guerras que o Vidente havia 
contemplado em seus princípios, e que sabia que terminariam com a destruição de 
Jerusalém e Roma. Contra a idéia de que São João estava limitado aos acontecimentos de 
seu próprio tempo o tom e espírito do livro são um contínuo protesto. Nem se pode 
alegar que ele combine isso com o que se daria por fim, deixando, por razões inexplicadas 
da parte dele, um longo intervalo de tempo sem notícia. Não há evidência de um 
intervalo. Os relâmpagos e trovões se desencadeiam em sucessão próxima desde o 
princípio até o fim do livro. Julgado mesmo por seu caráter geral, o Apocalipse não pode 
ser interpretado segundo esse sistema moderno.” (W. Milligan, Lectures, págs. 141, 142). 
O Preterismo Ignora o Futuro 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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Deixamos o Preterismo com as palavras do profeta João ecoando em nossos 
pensamentos: "Sobre para aqui, e te mostrarei o que deve acontecer depois destas 
coisas". Apocalipse 4:1. Tenney escreveu: 
A fraqueza desse ponto de vista [o Preterismo] é sua limitação terminal. Obviamente 
os juízos preditos não se cumpriram, e conquanto figurativamente se possa interpretar a 
conquista do mundo por Cristo e o retrato de um juízo final, nada disso ainda apareceu. O 
preterista tem uma interpetação que possui um firme pedestal, mas que não dispõe de 
uma escultura acabada para nela ser firmada. (M. C. Tenney, Revelation, pág. 144). 
4.3. A Escola Futurista 
O futurismo situa-se no outro extremo da interpretação, com relação ao preterismo. 
O futurismo acredita que o livro de Apocalipse, com a possível exceção dos três primeiros 
capítulos, aplica-se totalmente ao futuro. O Futurismo aponta à tribulação final da igreja e 
é, portanto especialmente dirigido aos crentes nos primeiros últimos anos da história. 
Digo "especialmente" porque nenhum futurista nega o valor presente das promessas e 
princípios achados na profecia.Diz Todd sobre o Apocalipse: 
“Não devemos, destarte, procurar o cumprimento de suas predições nem nas 
primeiras perseguições e heresias da igreja nem na longa série de séculos desde a 
primeira pregação do Evangelho até agora, mas nos eventos que devem imediatamente 
preceder, acompanhar e seguir-se ao Segundo Advento de nosso Senhor e Salvador.” (J. 
H. Todd, Six Discourses on the Apocalypse, quoted by W. Milligan, Lectures, p. 135). 
Futurismo e Literalismo 
Os futuristas tendem a ser literalistas. Seguem a regra de que "todas as declarações 
proféticas devem ser interpretadas literalmente a menos que evidência contextual, ou o 
bom senso, tornem esse procedimento impossível". A maioria dos expositores (outros que 
não os futuristas) dizem que essa regra devia ser revertida quando interpretando-se o 
Apocalipse. 
As objeções ao Futurismo são semelhantes àquelas contra o Preterismo. O Futurismo 
torna o livro de Apocalipse de pouco valor para a maioria dos cristãos no que se refere ao 
desenrolar da maior parte da história. A maioria dos cristãos são ignorados ao longo da 
história. Dirige-se somente aos que vivem nos últimos momentos da história. O Futurismo 
estreita demasiadamente a perspectiva da Revelação. 
A Igreja Sobre a Terra 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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Uma posição básica assumida por futuristas dispensacionalistas é de que após 
Apocalipse 4:1 a igreja nunca é vista sobre a Terra. Alegam que os capítulos 6 ao 19 
somente retratam um remanescente judaico. 
A resposta a isto é que o livro de Apocalipse representa a igreja no céu misticamente. 
Isto se dá por causa da união da igreja com o Seu assunto Senhor. 
Outros versos do Novo Testamento encaram a igreja nessa forma mística (Efés. 2:6; 
Fil. 3:20, Col. 3:1). Os membros da igreja que originalmente leram esses versos de que a 
igreja estava no céu o fizeram enquanto fisicamente sobre a Terra! 
Apocalipse 7, 11 e 12 retratam a igreja cristã sobre a Terra. Certamente esses 
capítulos o fazem sob o simbolismo do antigo povo do concerto de Deus. Contudo, 
qualquer método de interpretação que admite o simbolismo judaico da revelação 
literalmente torna o livro sem sentido. O próprio estofo da literatura apocalíptica é 
pictórico e emblemático, não o literal. 
O livro de Apocalipse inteiro é dirigido aos servos de Cristo, ou seja, às igrejas cristãs. 
Aqueles que foram mortos por confessarem o evangelho de Cristo são mencionados sob o 
quinto selo. Apocalipse 8 fala das orações de todos os santos ("santos", no Novo 
Testamento significa somente cristãos ou anjos). 
4.4. A Escola Histórica 
O historicismo é o método de interpretação da profecia que declara que o livro do 
Apocalipse é um histórico profético da igreja e do mundo, desde o tempo de João até o 
segundo advento. 
As predições dadas no livro do Apocalipse não são somente movimentos gerais na 
história, declara o Historicismo. Mesmo eventos específicos são preditos. 
Isso inclui a identificação de datas reais do calendário. 
Historicistas destacados incluem Begel, Mede, Newton, Elliott, e Guinness. O livro 
Prophetic Faith of Our Fathers [A fé profética de nossos pais], de L. E. Froom, é um 
esplêndido compêndio do Historicismo e sua apologia. Alista os nomes e posições 
expositórias de centenas de intérpretes. 
Hoje, somente um pequeno número de eruditos protestantes são conhecidos como 
historicistas. Esses eruditos se acham somente em grupos isolados. Os mais conhecidos 
dentre tais grupos são os membros da denominação adventista do sétimo dia. 
Três Problemas do Historicismo 
M.C. Tenney fez sua crítica ao historicismo: 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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Há várias objeções a uma interpretação do Apocalipse segundo um ponto de 
vista completamente historicista. Primeiramente, a exata identificação dos eventos 
da história com sucessivos símbolos nunca foi finalmente empreendida, mesmo após 
os acontecimentos terem-se dado. É razoável supor que durante o lapso de 1.900 
anos pelo menos uma porção das predições teriam tido cumprimento. Se tivessem de ter 
algum valor para o leitor do Apocalipse como uma indicação de seu lugar dentro do 
processo histórico, deviam ser identificáveis com certeza. Tal, contudo, parece não ser o 
caso. Os pontos de interpretação sobre o qual a maioria dos intérpretes doutrinários 
concorda que podem ser interpretados como tendências tanto quanto eventos. Uma vez 
que as tendências podem ser evidentes em qualquer período da história, tais profecias não 
apontam a nenhuma época. 
Em segundo lugar, os intérpretes históricos não têm explicado satisfatoriamente 
porque uma profecia geral deva confinar-se às fortunas do Império Romano ocidental. A 
interpretação histórica destaca principalmente o desenvolvimento da igreja na Europa 
ocidental; pouca atenção dá ao Oriente. Contudo, nos primeiros séculos da era cristã a 
igreja aumentou tremendamente no Oriente, e difundiu-se até alcançar a Índia e China, 
embora não tenha conseguido uma base permanente em todas as regiões desses países. 
Se um método contínuo-histórico deva ser seguido, deve ter um escopo mais amplo. 
Em terceiro lugar, se o método contínuo-histórico for válido, suas predições teriam 
sido suficientemente claras desde o princípio para dar ao leitor alguma pista do que 
significavam. Se o fogo e a saraiva da primeira trombeta (8:7) realmente se referiam às 
invasões dos godos, é difícil ver como qualquer cristão do primeiro século poderia ter 
entendido a predição de tal modo a ter qualquer valor de sua parte para sua reflexão. (M. 
C. Tenney, Revelation, pp. 138, 139). 
O Historicismo Não Tem Aplicação aos Primitivos Cristãos 
Notem também a queixa de Hendriksen contra um livro historicista de orientação de 
esquerda: 
“Sobre minha mesa jaz um comentário recentemente publicado sobre o Apocalipse. É 
um livro muito "interessante". Considera o Apocalipse como um tipo de história escrita 
em antecipação. Descobre nesse último livro da Bíblia copiosas e detalhadas referências a 
Napoleão, às guerras balcânicas, à grande guerra européia de 1914-1918, ao ex-
imperador germânico Guilherme, Hitler, e Mussolini, N.R.A., etc. nosso veredito? Essas 
explicações e coisas desse tipo devem ser descartadas imediatamente. . . . Diga-me, caro 
leitor, que benefício os cristãos severamente perseguidos e sofredores do tempo de João 
obteriam de predições específicas e detalhadas concernentes às condições européias 
que prevaleceriam cerca de dois mil anos depois?” (W., Hendriksen, More Than 
Conquerors, p. 14). 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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O Historicismo Ignora os Ciclos da História 
Os filósofos da escola historicista percebem que a história é cíclica. (O cristão 
entende que esses ciclos têm lugar dentro da linha reta da história que se estende da 
Criação à Segunda Vinda). 
Em todas as eras, Deus e Satanás seguem princípios apropriados ao caráter que 
possuem. É por tal razão que a história se "repete", conquanto em diferentes graus de 
desenvolvimento. A luta entre o bem e o mal produz situações semelhantes durante 
diferentes épocas da história. Se o historicista estrito devesse reconhecer essa natureza 
obviamente cíclica da história, deixaria de ser um historicista estrito. 
O Historicismo é Demasiado Extra-Bíblico 
Outra objeção ao historicismo éque requer muito conhecimento extrabíblico. O 
estudante da Bíblia deve depender de historiados, como Gibbon, D'Aubigné ou Wylie. 
Moisés, os profetas, os evangelhos e as epístolas não seriam suficientes? 
O Historicismo Ignora a Iminência 
Nossa última crítica é a mais forte. Os historicistas criam cuidadosos esquemas ou 
gráficos de cálculos de longo prazo. Mas esses esquemas negam a clara evidência do Novo 
Testamento de que nunca foi ideal de Deus que muitos séculos dividissem os dois 
adventos de Cristo. 
De uma forma ou de outra, o pensamento de que os vários eventos preditos 
no livro de Apocalipse devessem ter lugar num futuro não distante é 
especificamente declarado sete vezes-"coisas que em breve devem acontecer" (caps. 1:1; 
22:6), "o tempo está próximo" (cap. 1:3), e "Venho sem demora" (cap. 3:11; 22:7; 12, 29). 
Referências indiretas à mesma idéia aparecem nos caps. 6:11; 12:2; 17:10. A resposta 
pessoal de João a essas declarações do breve cumprimento dos propósitos divinos foi, 
"Vem, Senhor Jesus!" (cap. 22:20). 
Em qualquer um dos vários pontos críticos da história deste mundo, a justiça divina 
poderia ter proclamado, "Está feito!" e Cristo poderia ter vindo para inaugurar o Seu 
reino de justiça. Há muito tempo atrás poderia ter posto em execução os Seus planos para 
a redenção deste mundo. Assim como Deus ofereceu a Israel a oportunidade de preparar 
o caminho para o Seu reino eterno sobre a Terra, quando se estabeleceram na Terra 
Prometida e novamente quando retornaram de seu cativeiro babilônico, assim Ele deu à 
igreja dos tempos apostólicos o privilégio de completar a comissão evangélica. 
Embora o fato de que a segunda vinda de Cristo não se baseie em quaisquer 
condições, a repetida asserção das Escrituras de que a vinda está iminente era 
condicionada à resposta da igreja ao desafio de concluir a obra do evangelho em sua 
geração. A Palavra de Deus, que séculos atrás declarou que o dia de Cristo "vem 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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chegando" (Rom. 13:12), não falhou. Jesus teria vindo muito rapidamente se a igreja 
tivesse realizado sua obra designada. . . . 
Assim, a declaração do anjo do Apocalipse a João com respeito à iminência do 
retorno de Cristo para terminar o reino de pecado deve ser entendida como uma 
expressão da vontade e propósito divinos. Deus nunca teve o propósito de delongar a 
consumação do plano da salvação, mas sempre expressou Sua vontade de que o retorno 
de nosso Senhor não se retardasse demasiado. 
Essas declarações não devem ser entendidas em termos da presciência de Deus de 
que ocorreria um atraso tão grande, nem mesmo à luz da perspectiva histórica do que 
realmente teve lugar na história do mundo desde aquele tempo (SDA Bible Commentary 
[Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia], vol. IV, pp. 728-729). 
Eu concordo. Não que Deus Se tenha frustrado. Não, por momento algum. 
Deus sempre oferece um ideal que é capaz de ser alcançado por completa 
dependência nEle. Lamentavelmente, isso é raramente reconhecido. 
Que concluiremos a respeito das várias escolas de interpretação? Somos gratos a 
Deus por elas todas! Mas nós mesmos praticamos o ecletismo. Todas as escolas têm a 
verdade, bem como problemas. Obtemos a verdade de cada uma dessas escolas. 
Devemos ver essas várias escolas e metodologias como reflexões fragmentadas da 
verdade integral. Vejamos novamente a necessidade de "afirmar o que é afirmado, mas 
negar as negações". 
4.5. As Melhores Ferramentas de Interpretação 
Devemos sempre começar nossa exegese (ou interpretação) da Escritura 
considerando as pessoas e tempos a que sua mensagem se dirigia. Para entender o que 
lhes foi escrito devemos entender o que para eles significava. 
Juntamente com isso, reconheçamos a sabedoria de Deus, cujos anos não têm fim e 
que prometeu nunca esquecer a igreja. Este é Aquele que declarou através de Amós: 
"Certamente, o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar o seu segredo 
aos seus servos, os profetas". (Amós 3:7). 
Certamente Este pode ser digno de confiança quanto a que manterá a sua 
promessa. 
Em vista de que Deus nunca muda os Seus justos caminhos, Ele será o mesmo 
em todas as épocas. As obras de Deus sempre refletirão o mesmo selo, conquanto 
estejam em diferentes estágios de desenvolvimento. 
O princípio apotelesmático vê sucessivos cumprimentos da profecia. Esses 
cumprimentos atingem o clímax nos últimos dias. É provavelmente a melhor 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
36 
ferramenta interpretativa de todas quando a ligamos com os princípios contextuais 
gramaticais, históricos e hermenêuticos. 
Ferramenta Espiritual de Interpretação 
Finalmente, é verdade que somente os puros de coração verão a Deus (Mat. 5:8). É 
verdade que os perversos prosseguirão agindo impiamente e nenhum desses perversos 
entenderá (Daniel 12:10). 
Portanto, todo exegeta, todo estudante da Bíblia deve dizer: "Como vai a minha 
alma"? 
Devemos perguntar: "Já compreendi o evangelho eterno que mudou nosso mundo 
no primeiro século? Que novamente o mudou no século dezesseis? Que é o único fator 
que pode transformar o nosso triste e lamentável tempo? Esse evangelho já me 
transformou?" 
Quando está bem a minha alma, aceitarei com equanimidade seja o que os tempos 
(na providência divina) me reservem. Continuamente ajustarei o meu pensamento 
segundo a luz progressiva. 
Mesmo nossas deficiências como intérpretes das profecias cooperarão para o bem! 
Elas nos situarão em humildade perante Deus, que somente é a Verdade. 
Deus somente pode fortalecer-nos a caminhar nessa verdade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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5 - O TEMPO DO FIM 
Muitos estudiosos têm buscado nas Escrituras sinais evidentes que marquem 
efetivamente o tempo da volta de Cristo, o fato é que muitos destes argumentos são 
apenas especulações infundadas. Grande é a diversidade de pensamentos quanto aos 
sinais da vinda de Cristo ou mesmo do arrebatamento da igreja, o que procuraremos 
tratar neste capítulo serão pontos chave que marcam e denunciam o tempo do fim, ou 
seja, fatos e características que indicam, biblicamente, como estaria a sociedade, a igreja 
e até o meio político no tempo próximo à vinda do Senhor. 
5.1. Mateus 24 
Um dos grandes problemas teológicos a respeito dos sinais da vinda de Cristo, se 
encontra em Mateus 24 e suas passagens paralelas, Marcos 13 e Lucas 21, neste texto os 
discípulos fazem uma pergunta a Jesus: “Dize-nos quando sucederão estas coisas e que 
sinal haverá da tua vinda e da consumação do século”. (Mt 24:3), a mesma pergunta 
é feita em Lucas e Marcos, porém, de maneira diferente: “Mestre, quando sucederá 
isto? E que sinal haverá de quando estas coisas estiverem para se cumprir?” (Mc 
13:4 e Lc 21:7). A diferença na pergunta se dá devido o interesse do autor do evangelho, 
no caso de Mateus, seu evangelho foi escrito para judeus que conheciam as promessas 
messiânicas e aguardavam ansiosamente seu cumprimento, sendo necessário incluira 
parte originalmente feita pelos discípulos a Jesus onde era perguntado quando seria sua 
volta para inaugurar o reino messiânico, isto também demonstra que os discípulos viam 
Jesus como o messias esperado. No caso de Marcos e Lucas, seus evangelhos foram 
escritos para gentios, estes não conheciam as profecias referentes a um reino messiânico, 
portanto era desnecessário incluir esta parte evitando dúvidas por parte dos futuros 
leitores, é importante ressaltar que nunca o Espírito Santo deixou de estar no controle da 
inspiração de todos os textos sagrados, se estas aparentes diferenças existem o Espírito 
Santo as permitiu. 
Os discípulos fizeram uma pergunta dupla: 1) quando sucederão estas coisas 2) e 
que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século. Alguns escritores 
entendem que a pergunta foi tripla, dizendo que quando perguntaram que sinal haveria da 
consumação do século, desvinculavam esta consumação de sua volta, no entanto, a frase 
não permite isso, pois eles perguntaram de uma forma que demonstra claramente que os 
discípulos associavam seu retorno ao fim desta era. Existe, também um grande problema 
em várias traduções com relação “consumação do século”, o caso é que em algumas 
bíblias encontramos uma tradução mal aplicada de (sinteléias tú aiônos) que é traduzido 
por “fim do mundo”, sinteléias segundo o dicionário grego de Carey, significa 
consumação, fim, acabamento, completamento e aiõn (os), significa: ciclo, era, época, 
 
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eternidade; também pode ser traduzido por mundo, porém, apenas na questão temporal, 
espaço de tempo. O mundo físico, o planeta, no original grego é(kosmos). Sobre a tradução 
do termo Strong faz a seguinte o seguinte comentário: 
“Freqüentemente traduzem aion (por mundo, dessa forma obscurecendo a distinção 
entre esta e kosmos). Aion é geralmente melhor traduzida como geração, é o mundo 
num dado momento, um período particular na história mundial”. 
A tradução de fim do mundo não tem apoio do texto original nem do contexto, já que 
os discípulos aguardavam Jesus para governar a terra como rei, portanto ao perguntarem 
não se referiam ao término da humanidade, ou a destruição do planeta, mas sim o fim de 
um tempo, para dar-se início a outro, que no caso era o reino messiânico. 
Devido o que Jesus havia dito referente à destruição do templo, veio dúvida, quando 
isto acontecerá? Diante também de outros ensinos sobre um futuro retorno para reinar e 
julgar a terra eles perguntaram, que sinal haveria para identificar a destruição do templo 
como também o seu retorno. 
O Problema dos Sinais 
Existe uma grande dificuldade para qualquer que se deter a estudar Mateus 24, pois 
este capítulo trata de assuntos de acontecimentos breves, mas também de 
acontecimentos mais distantes, Jesus faz comentário de sua volta a terra e também de 
juízos vindouros, todos os assuntos se misturam no decorrer do discurso trazendo 
dificuldade de interpretação. O que nos cabe é buscar a melhor harmonização possível dos 
textos sem ferir o contexto, numa busca das verdades escatológicas. Existem basicamente 
três teorias a respeito dos sinais de Mateus 24 1:15, que são: 
A. Os sinais apontam apenas para a destruição de Jerusalém. Esta é defendida pelos 
amilenistas que dizem ser os sinais, a resposta de Jesus a respeito da destruição do templo 
e da cidade, a qual se cumpriu no ano 70d.C. 
Os fato de Jesus iniciar sua resposta aos discípulos dando-lhes sinais, isso não indica 
que estes se referiam a destruição do templo, já que a pergunta também era com 
respeito a sua volta. Também podemos destacar que predições feitas por Jesus não se 
cumpriram naquele tempo, como, por exemplo, terremotos em grande escala, guerras 
mundiais (v.7), e muito menos a pregação do evangelho em todo o mundo vindo após isso 
o fim (v.14). Portanto é impossível afirmar que os sinais indicam a destruição de 
Jerusalém. 
B. Os sinais apontam para o arrebatamento da igreja, estes vem se cumprindo 
ao longo dos anos, porém tendo se intensificado nos últimos tempos. 
Esta teoria é defendida por uma parte dos pré-milenistas, estes acreditam que os 
sinais estão ligados diretamente ao arrebatamento. 
 
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Esta possibilidade é grande, porém, tem alguns problemas já que: 1) Segundo Jesus 
não haveria sinais diretos e específicos que marcariam o arrebatamento da igreja (Mt 
24:36-44); 2) O texto de Mt 24:3-15 não é especifico e trata de um longo período de 
tempo, temos ainda o versículo 14 e 15 que se referem diretamente ao período 
tribulacional, seguido pela volta visível de Cristo. 
C. Não existem sinais diretos para marcar o arrebatamento, estes sinais 
descritos em Mateus acontecerão após o arrebatamento marcando o retorno 
glorioso de Cristo e o fim da grande tribulação. 
Uma parcela dos pré-milenistas pré- tribulacionistas, pensam desta forma. O Dr 
Ryrie, comentarista da Bíblia Anotada, é um dos grandes defensores da teoria. 
De todas, esta parece ser a mais lógica, o que não quer dizer que seja a correta. Ryrie 
faz um paralelo entre os sinais de Mateus e os quatro primeiros selos de apocalipse no 
qual encontramos certa harmonia entre os eventos descritos em Mateus com os descritos 
em Apocalipse. A teoria apresenta os sinais como ligados ao retorno visível de Cristo, não 
permitindo que haja sinais diretos ao arrebatamento, e isto tem fundamento bíblico. 
Os selos de Ap 6: 1-7 Os sinais de Mateus 24 
V.4) E saiu outro cavalo, vermelho; e ao 
seu cavaleiro, foi-lhe dado tirar a paz 
da terra para que os homens se 
matassem uns aos outros; também lhe 
foi dada uma grande espada. 
V.6) E, certamente, ouvireis falar de 
guerras e rumores de guerras; 
 
V.5) Então, vi, e eis um cavalo preto e o 
seu cavaleiro com uma balança na 
mão.(...) Uma medida de trigo por um 
denário; três medidas de cevada por um 
denário; 
 
V.7) Porquanto se levantará nação 
contra nação, reino contra reino, e 
haverá fomes e terremotos em vários 
lugares; 
 
V.8) E olhei, e eis um cavalo amarelo e o 
seu cavaleiro, sendo este chamado 
Morte; 
V.9) Então, sereis atribulados, e vos 
matarão. Sereis odiados de todas as 
nações, por causa do meu nome. 
A fim de completar este raciocínio podemos utilizar o quinto selo que fala dos 
mártires do período tribulacional, em especial o v.9, comparando-o a predição de Cristo 
onde se refere a morte de seus discípulos por causa de seu nome (Mt 24:9-10). Também se 
pode utilizar o sexto selo onde são vistos sinais no céu (v.12-14) e compará-los a Lucas 
21:25. O Sétimo selo, que marca o inicio da segunda metade da grande tribulação onde se 
inicia o período de maior terror sobre Israel, como também a investida da Besta sobre a 
 
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nação, entra em harmonia com o cerco de Jerusalém profetizado na passagem de dupla 
referencia de Mt 24:15-21, que também se refere ao inicio desta segunda fase. 
É importante ressaltar que independente destes sinais não estarem ligados 
diretamente ao arrebatamento sua preparação pode servir de indicador para demonstrar 
a sua proximidade, é como Jesus disse em Mt 24: 31-32. 
“Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam e as 
folhas brotam, sabeis que está próximo o verão. Assim também vós:quando virdes todas 
estas coisas, sabei que está próximo, às portas.” 
5.2. Os Sinais do Tempo do Fim 
Independente dos sinais de Mateus serem ou não indicadores do arrebatamento 
temos outros sinais nas Escrituras que apontam para o tempo do fim, muito mais que 
identificar a proximidade da volta de Jesus, revelam aspectos sociais, morais e religiosos 
que aconteceriam justamente no tempo em que o Senhor voltaria. Buscaremos nas 
epístolas referencias de como estaria a igreja e mundo no tempo de sua manifestação. É 
certo que estes sinais não estão apenas no tempo do fim, mas sim por todo o decorrer da 
história da igreja, o que os escritores queriam deixar claro é que no fim dos tempos estes 
sinais se tornariam evidentes e corriqueiros. 
A. Apostasia. “Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, 
alguns apostatarão da fé” (ITm 4:1). 
O apóstolo Paulo é enfático ao dizer isto, o fato é que o inicio do cristianismo foi 
marcado por alguns movimentos locais que traziam variações ao cristianismo recém 
inaugurado. As comunidades cristãs que se formavam eram lideradas muitas vezes por 
pessoas que tinham um conhecimento muito limitado a respeito de Cristo, não havia a 
palavra escrita, portanto muito do que se dizia não era bem verdade. No entanto o que 
Paulo quer dizer a Timóteo é referente aos últimos tempos, é claro que Timóteo não 
necessitava desta advertência, isto porque ela era para o tempo do fim, ou melhor, para a 
igreja que viveria esta época. 
A tradução de apostasia no grego é, revolta, rebelião, afastamento doutrinário e 
religioso. Podemos dizer que no sentido de fé significa o desvio ou afastamento de um 
propósito definido, que é o de servir a Deus, podemos encarar o apóstata com desertor da 
fé. A palavra traduzida por divórcio no grego é uma palavra derivada de apostasia, daí 
então, da para nos termos uma idéia mais clara do que é apostatar da fé, é divorciar-se de 
Deus. 
Esse grande mal que assola o meio cristão tem se desenvolvido rapidamente. A igreja 
de Laodicéia (Ap 3:14-22) que é uma representação da igreja atual traz consigo a evidente 
 
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marca da apostasia espiritual, “Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. 
Quem dera fosses frio ou quente!”. 
B. A Generalização de Desvios Doutrinários. “Por obedecerem a espíritos 
enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que 
tem cauterizada a própria consciência” 
Paulo dá o motivo da apostasia: os desvios doutrinários. Hoje o estado de frieza e 
indiferentismo toma conta das igrejas que se tornam a cada dia mais politizadas e menos 
espirituais, mais humanistas e menos cristocêntricas. O uso de filosofias e práticas 
espíritas, a criação de doutrinas que giram em torno da prosperidade plena, ensinos 
sobre a obrigatoriedade de Deus abençoar seus servos etc, formam o novo quadro 
teológico de muitas igrejas, a verdade é que virou um bom negócio. Todo esse desvio 
doutrinário vem criando uma geração de cristãos puramente místicos, avessos à sã 
doutrina. Nunca a igreja de Jesus Cristo esteve numa situação como a atual, onde se 
perdeu o padrão bíblico para o cristão, isto se torna uma evidencia marcante, pois o 
apostolo diz que nos últimos tempos a igreja estaria como está hoje. 
C. Degradação Moral Generalizada. Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão 
tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, 
blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, 
implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, 
atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus (IITm 3:1-4) 
Este texto da epístola a Timóteo tem uma relação muito estreita com Rm 1:28-32 
onde o contexto fala da condição pecaminosa em que se encontra a humanidade, também 
no texto acima a questão é: como estará a condição moral no fim dos tempos? Paulo 
responde a pergunta de maneira completa e dura, referindo-se a este tempo como 
“tempos difíceis”. Não é preciso entrar em detalhes para termos a certeza de estarmos 
vivendo um tempo final, como o descrito por Paulo. O discurso do apóstolo quando 
analisado no texto original parece trazer uma seqüência de atitudes que vão causando 
uma progressão negativa na moral da humanidade, ou seja, uma atitude que desencadeia 
outras. 
Paulo começa com a base de toda a degradação moral, o amor a si mesmo e o amor 
ao dinheiro. Em muitas Bíblias nos encontramos a tradução; egoístas e avarentos ou 
egoístas e gananciosos, porém Paulo é mais claro que as traduções parecem apresentar, 
pois o que ele quer dizer é que os homens serão amantes do ego e amantes de dinheiro 
como encontrado apenas na versão em inglês. O que segue são conseqüências do egoísmo 
e da ganância. 
Traduzindo o texto de uma maneira mais clara, ficaria assim: 
 
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“Saiba disto, nos últimos tempos virão tempos difíceis, pois os homens amarão a si 
próprio e amarão ao dinheiro, terão um coração vaidoso, arrogantes, falarão mentiras 
contra Deus, desobedientes a pais e mães, ingratos, não cumpridores da religião, terão um 
coração duro e frio, serão difíceis de entrar em acordo pois não honrarão sua palavra, 
falarão mentiras contra os outros, sem domínio de seus sentimentos e ações, selvagens, 
sem amor para com os bons, traidores, agirão sem pensar, orgulhosos, amarão os 
prazeres da carne mais do que a Deus”. 
D. Desenvolvimento da Ciência e Transportes. Temos também, em Daniel um 
indicador muito importante sobre o tempo do fim. “Tu, porém, Daniel, encerra as 
palavras, e sela o livro, até o tempo do fim; muitos correrão duma para outra parte, 
e a ciência se multiplicará”.(Dn 12:4) 
O tempo do fim também seria marcado por um avanço tecnológico sem precedentes, 
este seria também estendido aos meios de transporte. Deus revela a Daniel que as 
pessoas esquadrinhariam a terra, ou seja, iriam de uma parte à outra, também lhe é dito 
sobre uma multiplicação da ciência, tudo isto temos visto desde o inicio do século XX, 
pois antes disso não havia muita diferença do meio de transporte no século primeiro ao 
utilizado no século XIV; as pessoas andavam em carros de boi, as engrenagens dos 
maquinários eram extremamente rudimentares, não havia equipamentos eletrônicos e 
etc. 
Em nossos dias a ciência já procura criar clones de humanos, e há aqueles que dizem 
que já conseguiram fazê-los nascer. O fato é que tudo vem indicando que o tempo do fim 
mencionado por Deus a Daniel tem todas as características de nosso tempo. Quanto à 
profecia em Apocalipse sobre o uso de um numero (666) para uma identificação mundial 
já é totalmente possível, temos meios que possibilitam hoje sua existência, como por 
exemplo, o sistema de código de barras, aliás, este já está sendo descartado, pois já está 
sendo produzido o biochip, que pode conter quantas informações forem necessárias 
sobre seus usuários. 
E. Restauração de Israel. No texto de Ezequiel 37:1-14, vemos a profecia referente a 
restauração nacional, moral e espiritual de Israel , também em Lucas 21:20-24 Jesus 
profetiza sobre a dispersão de Israel, o qual seria dominado pelos gentios. 
Quando, porém, virdes Jerusalém sitiada de exércitos, sabei que está próxima a sua 
devastação. Então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes; os que se 
encontrarem dentro da cidade, retirem-se; e os que estiverem nos campos, não entrem 
nela. Porque estes dias são de vingança, para secumprir tudo o que está escrito. Ai das 
que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias! Porque haverá grande 
aflição na terra e ira contra este povo. Cairão a fio de espada e serão levados cativos para 
 
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todas as nações; e, até que os tempos dos gentios se completem, Jerusalém será pisada 
por eles. 
Este tempo em que os gentios dominariam sobre Israel é representado pela estátua 
vista em sonho por Nabucodonozor no capítulo 2 de Daniel, esta sucessão de governos 
gentios tinham um tempo para dominar sobre todo o Israel e é durante este tempo que os 
israelitas deveriam ser exilados de sua terra, entretanto Deus prometia que seriam 
restabelecidos à sua pátria em tempo oportuno. 
Porque não quero, irmãos, que ignoreis este mistério (para que não sejais 
presumidos em vós mesmos): que veio endurecimento em parte a Israel, até que haja 
entrado a plenitude dos gentios. E, assim, todo o Israel será salvo, como está escrito: Virá 
de Sião o Libertador e ele apartará de Jacó as impiedades. Esta é a minha aliança com 
eles, quando eu tirar os seus pecados. Rm 11:25-27 
No ano 70 d.C. o general Tito filho do imperador Vespaziano invadiu Jerusalém, 
destruindo o templo e exilando toda a nação. No entanto a profecia começa a tomar sua 
forma de cumprimento no ano de 1897 quando Teodoro Herzl inicia o movimento sionista, 
ou seja, um movimento para a criação de um estado autônomo em Israel, fazendo com 
que houvesse um grande retorno de Judeus a sua terra natal. Em 14 de Maio de 1948, Sir 
Alain Cunningham, assina o fim da intervenção britânica na terra santa. Neste mesmo dia 
o pai do Israel restaurado, David Ben Gurion, lê a declaração de independência do mais 
novo país do mundo. ÉRETZ-ISRAEL (Terra de Israel). 
Hoje Israel está restaurado como estado e terra independente, restando apenas sua 
restauração espiritual que ocorrerá no final da grande tribulação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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6 - TEORIAS SOBRE O ARREBATAMENTO 
Este é o evento mais esperado pela igreja, no entanto esta não é unânime em sua 
crença, ou seja, não vê da mesma maneira como e quando será o arrebatamento. Neste 
capitulo serão apresentadas três das quatro teorias a seu respeito, é importante 
mencionar que esta discussão só existe em meio aos pré-milenistas já que os amilenistas 
e pós-milenistas não crêem que existirá arrebatamento. 
6.1. Teoria do Arrebatamento Parcial 
Das quatro teorias a serem apresentadas apenas a do arrebatamento parcial não 
discute quando será o evento referente a grande tribulação, ou seja, se antes, no meio ou 
depois, o que ela traz a discussão é que participará dele. Para o parcialista não são todos 
os crentes, mesmo sendo autênticos, que serão arrebatados, mas somente um grupo 
formado por aqueles que estão ansiosamente aguardando seu retorno e são dignos de 
participar. 
Quanto ao tempo os parcialistas são pré-tribulacionistas, crêem que o arrebatamento 
será antes da grande tribulação, fazendo com que os salvos que não esperavam com 
ansiedade a volta do senhor passem por ela a fim de aguardarem o retorno visível de 
Cristo. 
Toda a estrutura desta teoria está baseada nas seguintes referências bíblicas: 
Mateus 25:1-13; Lucas 21:36 “Vigiai, pois, em todo o tempo, orando, para que sejais 
havidos por dignos de evitar todas essas coisas que hão de acontecer e de estar em pé 
diante do Filho do Homem”; Tito 2:13 “aguardando a bem-aventurada esperança e o 
aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo”; Hebreus 9:28 “assim 
também Cristo, oferecendo-se uma vez, para tirar os pecados de muitos, aparecerá 
segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para a salvação.” e I João 2:28 “E agora, 
filhinhos, permanecei nele, para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança e 
não sejamos confundidos por ele na sua vinda.” Em todas estas referências há uma 
exortação a vigilância, no entanto não há o menor indicio de que só serão salvos os 
“havidos por dignos” até porque este grupo não existe; ninguém é digno. 
Para uma sustentação viável desta teoria o parcialista precisa negar pontos 
fundamentais da doutrina cristã como: 
 A eficácia do sacrifício de Cristo (Hb 10:11-12) 
 A adoção divina através de Jesus (Rm 8:15-16) 
 A unidade da verdadeira igreja de Cristo sob a qual ele é a cabeça (Ef 4: 4-6) 
 A eficácia da graça de Deus (Rm 3:24) 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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 O fato de que nenhuma parte da verdadeira igreja de Jesus irá passar pela grande 
tribulação (Ap 3:10) 
O apóstolo Paulo nos dá a resolução final em I Coríntios 15:51-52: 
Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos 
seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última 
trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós 
seremos transformados. 
Paulo nos informa que “todos” os que estiverem em Cristo serão transformados, isto 
se baseia na Justiça divina e não na humana, seguidos por aqueles que morreram em 
Cristo que também foram justificados e isto sim nos torna dignos. 
Por tudo isso fica totalmente descartada a possibilidade de um arrebatamento 
parcial. 
6.2. Teoria do Arrebatamento Meso ou Midi Tribulacionismo 
Diferente do parcialista este grupo entende que todos os que estiverem em Cristo 
serão arrebatados, sua discussão é referente ao tempo do arrebatamento, isto é, quando 
ele acontecerá. Para o meso-tribulacionista ocorrerá em meio a grande tribulação. Veja no 
gráfico o pensamento meso- tribulacionista: 
O Meso-tribulacionismo tem suas bases firmadas em interpretações figuradas ou 
alegorizadas de passagens que deveriam ser interpretadas literalmente. Vejamos quais são 
seus argumentos. 
A. A Grande Tribulação é Dividida em Duas Fases Distintas. Quanto à duração do 
período tribulacional surge o primeiro problema, que é referente a uma suposta divisão 
em duas fases distintas, no entanto ao olharmos para Daniel 9:27 não encontramos 
nenhuma divisão na septuagésima semana, é certo que Jesus disse em Mateus 24:21 que 
na segunda metade do período as coisas iriam se agravar, porém isto não permite dizer 
que existirão duas partes independentes a ponto de caracterizarmos apenas a segunda 
metade como sendo a verdadeira grande tribulação. Segundo Daniel o pacto com Israel 
dará inicio a semana profética, sendo que no meio desta o anticristo rompera’ este pacto 
(Dn 9:27) trazendo dura perseguição aos israelenses (Ap 12:6). Este agravamento da 
situação é devido o fim da falsa paz instituída pelo anticristo (Ap 6:2) que agora revela sua 
verdadeira face e não devido o inicio de um outro período distinto. 
B. O Capitulo 11 de Apocalipse Revela a Ocasião do Arrebatamento. Para sustentar 
um arrebatamento em meio a grande tribulação utilizam o capitulo 11 de apocalipse com 
sendo um fato incontestável da ocasião em que este ocorrerá, porém isto também só é 
possível se desprezamos uma interpretação cuidadosa de todo o livro quanto à sua 
 
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cronologia. Os defensores da teoria afirmam que do capitulo 4 ao 11 temos a primeira 
parte de grande tribulação seguindo o raciocínio, afirma que do capitulo 12 ao 19 temos a 
segunda parte. Tendo capitulo 11 bem no meio da semana profética usam o seguinte 
versículo para afirmarem o momento do arrebatamento: “E ouviram uma grande voz 
do céu, que lhes dizia: Subi cá. E subiram ao céu em uma nuvem; e os seus inimigos 
os viram.” (Ap 11:12). Se usarmos de analogias com certeza chegaremos á mesma 
conclusão, no entanto se interpretarmos o texto de maneira coerente e de acordo com 
uma exegese perfeita veremos que tudo não passa de um mal entendido. Vejamos alguns 
pontos que não se encaixam quando interpretamos corretamente: 
 Deduzem por analogia que as duas testemunhas apresentadas no capitulo 11 são 
figuras, sendo assim representam os dois grupos a serem arrebatados, os vivos e 
os mortos. O texto, mesmo lido sem muita atenção deixa claro que as duas 
testemunhas não são tipos ou símbolos, mas pessoas literais. 
 Essas duas testemunhas não poderiam representar a igreja já que são enviados 
para o povo de Israel, isto é claramente visto através dos vs. 3 e 4 onde o texto 
fala de oliveira e candeeiro. Também o ministério das testemunhas demonstra 
similaridade com o ministério profético do velho testamento. 
 Alegam que a nuvem em que as testemunhas subiram ao céu (v.12) representa o 
arrebatamento. Como vimos as duas testemunhas são representantes de Israel e 
não da igreja, sendo assim nuvem para o Judeu simboliza a presença de Deus, até 
por que não existe promessa de arrebatamento para a nação de Israel. 
C. A Trombeta de ICo 15:52 e I Ts 4:16 é a Mesma de Ap 11:15. Outro ponto 
complicado para ser sustentado pelos meso-tribulacionistas é o fato de afirmarem que as 
trombetas de I Co 15:52, onde diz: “num momento, num abrir e fechar de olhos, ante 
a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão 
incorruptíveis, e nós seremos transformados”; I Ts 4:16 ”Porque haverá o grito de 
comando, e a voz do arcanjo, e o som da trombeta de Deus, e então o próprio 
Senhor descerá do céu” e Ap 11:15 “E tocou o sétimo anjo a trombeta, e houve no 
céu grandes vozes,” são a mesma coisa. Em I Coríntios Paulo fala de uma trombeta de 
vitória, um chamado à presença de Deus, algo ansiosamente esperado pela igreja, o 
mesmo vemos em I Ts 4:16; enquanto que, em apocalipse a trombeta é de apresentação à 
chegada do Rei dos Reis que vem para julgar. 
E iraram-se as nações, e veio a tua ira, e o tempo dos mortos, para que sejam 
julgados, e o tempo de dares o galardão aos profetas, teus servos, e aos santos, e aos que 
temem o teu nome, a pequenos e a grandes, e o tempo de destruíres os que destroem a 
terra. 
 
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Um outro detalhe que não pode passar desapercebido é que em I Ts 4:16 a trombeta 
é de Deus ao passo que em apocalipse a trombeta é de um anjo. 
Existe ainda um ponto a ser mencionado que é o fato de acreditarem que “a grande 
voz do céu” de Ap 11:12 é uma referencia ao chamado de Deus, como em I Ts 4:16 
”Porque haverá o grito de comando”. Isto, devido às questões de diferença entre Israel e 
igreja, se torna impossível. 
Estes são os pontos principais da teoria, no entanto não são os únicos, os meso-
tribulacionistas ainda têm que negar pontos doutrinários muito sérios para alicerçar sua 
teoria. Como segue: 
 A eminência do arrebatamento. Já que uma vez conhecido o inicio da 
primeira metade do período tribulacional, saberemos com certeza o 
momento do arrebatamento em meio à mesma. 
 Para tornar coerente a teoria é preciso ferir a cronologia do livro de apocalipse e 
tirar capítulos inteiros do contexto. 
 É preciso sobrepor dois planos distintos. O da igreja, já que esta estaria na terra 
durante o inicio da grande tribulação, e o plano de Israel, que também estaria em 
plena execução durante o mesmo período. É bom lembrar que Deus nunca 
administrou dois planos de uma só vez. 
6.3. Teoria do Arrebatamento Pós-Tribulacionista 
A terceira teoria a ser discutida é a do arrebatamento após a grande tribulação, 
ensinam que o arrebatamento será seguido imediatamente pela volta gloriosa de Jesus; 
Jesus vem, arrebata a igreja e rapidamente vai ao céu retornado imediatamente à terra 
com a igreja arrebatada para instituir o milênio. Esta é a que mais cresce em nossos dias e 
que se torna mais resistente, no entanto ao estudá-la veremos que biblicamente, não há 
como sustentá-la. Veja no gráfico o pensamento pós-tribulacionista. O pós-
tribulacionismo desenvolveu argumentos para defenderem sua teoria, que são no mínimo 
improváveis, já que se baseiam em uma interpretação alegórica e espiritualizada das 
Escrituras não observando os contextos das passagens bíblicas, ainda que insistam em 
dizer que são literalistas, o negam na prática. Vejamos os principais argumentos pós-
tribulacionistas: 
A. Daniel 9:24-27 Já Teve Seu Cumprimento Histórico Concluído. O primeiro grande 
argumento a respeito do assunto é referente ao cumprimento da profecia de Daniel, dizem 
todo o plano ali determinado já teve seu cumprimento concluído no ano 70 a.C. com a 
destruição de Jerusalém. No entanto vamos observar algumas questões que provam que a 
profecia ainda aguarda seu cumprimento, baseados numa interpretação literal e 
cuidadosa do texto. 
 
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 Todo o plano das setenta semanas (v.24) inclui seis bênçãos: 1) extinguir a 
transgressão, 2) dar fim aos pecados, 3) expiar a iniqüidade, 4) trazer a justiça 
eterna, 5) selar a visão e a profecia, 6) ungir o Santo dos santos. Entendemos que 
estas bênçãos em sua totalidade ainda não foram cumpridas, até porque as três 
últimas só serão estabelecidas com a instituição do milênio. 
 O texto fala de uma aliança por parte “do príncipe que há de vir” que seria 
estabelecida com o Israel apóstata, a qual seria desfeita na metade da semana 
(v.27). Nunca na história houve qualquer tipo de aliança que restabelecesse o culto 
judeu, até por que isto só será possível quando Deus iniciar seu plano de 
restauração espiritual com Israel, e isto será no período tribulacional. 
 Erram ao dizer que Jesus morreu na ultima semana restante, dizendo que sua 
morte vicária é esta “aliança com muitos” a qual seria quebrada. Julgam que o 
“Ele” do v.27 é Jesus, porém se olharmos no verso anterior, veremos que se trata 
do “Príncipe que há de vir”, o qual é o anticristo. Dessa maneira a septuagésima 
semana não pode ter ocorrido pois só quando o anticristo estivesse em ação 
poderíamos dizer que este período seria a ultima semana de Daniel. 
B. A Igreja Tem Promessa de Tribulação. Um dos principais argumentos pós-
tribulacionista com certeza é o de que a igreja deverá cumprir as profecias com respeito a 
passar pela tribulação para isso usam Lucas 23:27-21. 
“E seguia-o grande multidão de povo e de mulheres, as quais batiam nos peitos e o 
lamentavam. Porém Jesus, voltando-se para elas, disse: Filhas de Jerusalém, não choreis 
por mim; chorai, antes, por vós mesmas e por vossos filhos. Porque eis que hão de vir dias 
em que dirão: Bem-aventuradas as estéreis, e os ventres que não geraram, e os peitos 
que não amamentaram! Então, começarão a dizer aos montes: Caí sobre nós! E aos 
outeiros: Cobri- nos! Porque, se ao madeiro verde fazem isso, que se faráao seco?” 
Também Mateus 24:9-11; Marcos 13:9-13, além de passagens como João 15:18-19; 
16:1-2,33. 
Para provar biblicamente que a igreja deve passar pela tribulação é necessário: 
 Esquecer-se que existem vários tipos de tribulação, e que esta pode ser referente 
às lutas e dificuldades em se viver uma vida cristã frente a um mundo dominado 
pelo pecado. João 15:18-19; 16:1-2,33. 
 Esquecer-se que existem passagens que falam a respeito do sofrimento que o 
povo Judeu passará durante a grande tribulação. Lucas 23:27-21; Mateus 24:9-11; 
Marcos 13:9-13. 
 Esquecer-se que um dos propósitos da grande tribulação é a purificação do povo 
de Israel, e sendo já a igreja purificada pelo sangue de Jesus não existe a menor 
 
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razão para ela ser purificada novamente, se assim fosse o sacrifício de Cristo seria 
insuficiente. 
 Interpretar por analogia e não de maneira coerente o capitulo 4 de 
apocalipse onde vemos a referência aos 24 anciãos, que para alguns 
simboliza 12 representantes do velho testamento com 12 representantes da nova 
aliança, o fato é que não cabe outra interpretação que não seja de que os 24 
anciãos são representantes da igreja arrebatada, os motivo são claros: 
o O capitulo 4 refere-se a uma visão do céu enquanto na terra se inicia a 
grande tribulação, portanto não pode haver representantes de Israel no céu 
já que Deus está os purificando na terra. 
o Estão usando uma coroa (que no grego de uma forma geral traz a idéia de 
recompensa (2Tm 4:8) ninguém a essa altura do plano escatológico de 
Deus, a não ser a igreja arrebatada poderia usar uma coroa de vitória (Ap 
2:10). 
o As promessas para igreja vitoriosa, expressas nas sete cartas as igrejas da 
Ásia menor encaixam-se com a aparência, posição local e de honra em que os 
24 anciãos estão. 
C. A Ressurreição em Ap 20:4 Revela o Momento do Arrebatamento. Um argumento 
que os pós-tribulacionistas tem por forte é o da ressurreição, porém não é necessário 
muito para provar o contrário. O texto usado para sua afirmação é Ap 20:4-5 onde lemos: 
“E vi tronos; e assentaram-se sobre eles aqueles a quem foi dado o poder de julgar. E 
vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus e pela palavra de 
Deus, e que não adoraram a besta nem a sua imagem, e não receberam o sinal na testa 
nem na mão; e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos. Mas os outros mortos 
não reviveram, até que os mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição.” 
Somente desconhecendo ou ignorando a doutrina da ressurreição para se afirmar 
essa interpretação pois o fato do versículo conter “primeira ressurreição” não confirma a 
suposição de esta ser literalmente “primeira”, querendo indicar que anteriormente não 
houve outra. Os motivos são claros: 
 A primeira ressurreição não se trata de primeira em numero, mas em gênero, já 
que dois tipos de ressurreições são mencionados por Jesus, uma para a vida e 
outra para condenação (Jo 5:29), as quais não podem ser colocadas em mesmo 
espaço de tempo, porque a ressurreição da vida é seguida pelas bodas do 
cordeiro e o tribunal de Cristo, como também a ressurreição para condenação é 
imediatamente seguida pelo juízo. 
 
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 O galardão dos arrebatados (Ap 4;19:1-10) é antes da vinda em glória de 
Cristo (Ap11:15-19;19:11-21), e isto pode ser confirmado pela cronologia do 
livro de apocalipse, provando assim que não existe relação entre a ressurreição no 
momento do arrebatamento da igreja e a ressurreição de Ap 20:4-6. 
 Outro fato pode ser visto em Ap 20:4 é que o texto fala da ressurreição 
“daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus e pela palavra de 
Deus”, ou seja, o texto narra a ressurreição dos mártires da grande tribulação que 
é o ultimo grupo dos que “são de Cristo” (ICo 15:22-23). Fechado o grupo, Ap 
20:5-6 encerra o assunto sobre primeira ressurreição. 
Por tudo o que foi apresentado podemos concluir que o pós-tribulacionismo, ainda 
que tenha argumentos favoráveis, estes são insuficientes para que sua teoria seja aceita, 
e no que se refere aos seus argumentos acima citados e discutidos nenhum dele é capaz 
de servir como base para um arrebatamento após a grande tribulação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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7 - TEORIA DO ARREBATAMENTO PRÉ-
TRIBULACIONISTA 
Não foi por acaso que esta teoria foi separada das demais. Por ser a mais aceita e 
mais coerente, é a que de um modo geral, é ensinada nas igrejas pentecostais, 
neopentecostais como também em muitas igreja históricas. Por isso merece uma atenção 
melhor para que aprendamos de uma maneira mais profunda e esclarecedora, já que 
muitos conhecem a escatologia superficialmente estando inabilitados a defender o ponto 
de vista pré-tribulacionista. 
Para o pré-tribulacionista o arrebatamento será antes da grande tribulação, trazendo 
aos crentes em Jesus o livramento dos sofrimentos vindouros (Ap 3:10). Veja no quadro 
gráfico abaixo o pensamento pré-tribulacionista: 
7.1. O Pré-Tribulacionismo e a História 
Os pós-tribulacionistas usam o argumento de que o pré-tribulacionismo é uma 
doutrina nova e estranha para a igreja primitiva como também para a igreja no decorrer 
de toda a história. O fato é que isso não pode ser dito sem uma averiguação em 
documentos da igreja primitiva como também no contexto bíblico. O pré-tribulacionista 
repousa em argumentos sadios e coerentes com a interpretação correta das Escrituras, e 
também está baseado na chamada “doutrina da iminência”, ou seja, a palavra de Deus 
sempre nos exorta a estarmos vigilantes pelo fato de não sabermos a que horas, dia, ano 
ou século Jesus virá “Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o 
vosso Senhor”.(Mt 24:42), e isto demonstra que sua vinda é algo inesperado. Veja 
o que diz Clemente, bispo de Roma (séc I) aos Coríntios: 
Que nunca se aplique a nós a passagem da Escritura que diz: "Infelizes os que hesitam 
no coração e desconfiam na alma; aqueles que dizem: 'Tais promessas já escutamos na 
época de nossos pais e eis que envelhecemos e nada disso aconteceu”. 
“Ó insensatos, comparai-vos à uma árvore; reparai na videira que, primeiro perde as 
folhas e então brota, a seguir vêm a folha, então a flor e, depois disso, a uva verde é 
seguida da uva madura". Considerai como, em pouco tempo, o fruto da árvore se torna 
maduro. É bem assim que a vontade de Deus se cumpre, em ritmo veloz e inesperado, 
como a própria Escritura nos atesta: "Virá logo e não tardará. Subitamente o Senhor 
entrará no seu santuário, o Santo a quem esperais". Malaquias 3:1 
Podemos perceber que desde a igreja primitiva, se esperava uma vinda a qualquer 
momento, o que é contrário ao pós-tribulacionismo já que, segundo eles, o 
arrebatamento vem após a grande tribulação; sendo assim, saberemos exatamente 
 
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quando este ocorrerá. Desta forma todo o processo de espera dos crentes é alterado, 
pois terão como identificar claramente não só a proximidade, mas também o exato 
momento, descartando as advertências referentes a vigilância contidas em todo o 
novo testamento. Isto demonstra que a igreja desde os primórdios era pré-
tribulacionista, ou seja, esperava que o arrebatamento fosse antes da grande 
tribulação, pois acreditava que não passaria por ela. 
Quanto a dizerem que é uma doutrina nova, é uma grande irresponsabilidade, pois o 
fato de não ser bem explicada por todo decorrer da história da igreja não quer dizer que 
não esteja correta, também é exigirmos demais que desde aqueles tempos já tivesse este 
nome, que, aliás, tornou-se necessário para identificar a “teoria” diante das outras. Se 
seguirmos este raciocínio, a doutrina da salvação só tem quinhentos anos, pois esta 
foi discutida e definitivamente estabelecida no período da reforma, a verdade é que algo 
não pode ser considerado novo por apenas não ter sido detalhado no passado. 
7.2. A Doutrina da Iminência 
O pré-tribulacionismo se destaca das outras teorias por ser a única baseada numa 
interpretação literal, que, como já vimos, é o método usado pela própria escritura para se 
explicar. Outro ponto importante é o fato de respeitar a doutrina da iminência como 
também reafirma-la. 
Esta doutrina trata da condição em que está a igreja quanto à volta de Jesus para 
arrebata-la, ou seja, Jesus disse que seria a qualquer momento. A promessa de buscar sua 
igreja foi feita por ele mesmo: “Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não 
fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos 
preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, 
estejais vós também”. ( Jo 14:2-3). Porém, quanto ao tempo em que isto ocorrerá, Jesus 
disse que: “daquele Dia e hora ninguém sabe” (Mt 24:36a), logo, sua vinda é repentina. 
Mesmo não havendo sinais específicos que indiquem o arrebatamento, o prenuncio 
da grande tribulação já nos serve como “sombra de sinal”, contudo não devemos atentar 
cegamente para estes aparentes sinais e nos esquecermos que sua vinda é iminente. A 
igreja é constantemente exortada a vigiar “aguardando a bem-aventurada esperança 
e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo” (Tt 2:13); 
“Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que vigília da noite havia de vir 
o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa”. (Mt 24:43); “Mas vós, irmãos, já 
não estais em trevas, para que aquele dia vos surpreenda como um ladrão” (I Ts 
5:4). 
O pós-tribulacionismo como também o meso-tribulacionismo, negam este fato, que é 
o da vinda a qualquer momento. Seus argumentos, em suma, são: 
 
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 Jesus disse que para que ele pudesse retornar o evangelho deveria ser pregado em 
todo o mundo (Mt 24:14), sendo assim sua vinda dependia de um longo espaço 
de tempo sinalizando seu retorno e descartando a doutrina da iminência. 
o O equivoco está na interpretação, pois “este evangelho do reino”, acima 
citado não são as boas novas, ou seja, o evangelho que Jesus pregava e que 
hoje a igreja prega. O contexto é claro, trata-se das boas novas pregada aos 
Judeus durante a grande tribulação, possivelmente pelo remanescente (Ap 
7), pelas duas testemunhas (Ap 11:3-13). 
 Devido o desdobramento de acontecimentos da história, sofrimento dos apóstolos 
e declinio da vida espiritual dos cristãos no fim dos tempos, indicam que antes de 
tudo isso acontecer, Jesus não poderia retornar, sendo assim não existe um 
retorno iminente, pois, supostos sinais que o antecedem devem ser cumpridos 
cabalmente. 
o Isto pode ser verdadeiro se não levarmos em consideração que o curso da 
história pode ser interrompido a qualquer momento, ao se comparar com 
um ladrão disse: “se o pai de família soubesse a que vigília da noite havia de 
vir o ladrão, vigiaria”, um ladrão não se limita a roubar apenas de noite, 
mas a qualquer momento. Existem sinais que de maneira secundária 
indicam o arrebatamento, e é importante perceber que estes, 
primariamente indicam a preparação para grande tribulação, sendo assim 
Jesus não está preso a cumprimento de supostos sinais ou ocorrências na 
historia para arrebatar sua igreja. 
Por todas as referências bíblicas, (e isto fala mais alto que qualquer argumentação), e 
pelos pontos acima discutidos, fica, sem qualquer sombra de dúvida, confirmada a 
doutrina da iminência. 
7.3. Porque o Arrebatamento Deve ser Pré-Tribulacionista? 
Alguns pontos devem, necessariamente ser observados para que tenhamos uma 
compreensão clara e sustentável referente ao pré-tribulacionismo, e para isto 
estudaremos alguns pontos que afirmam e sustentam um arrebatamento antes da grande 
tribulação. 
 A. A Igreja Não Necessita de Mais Uma Purificação, Pois Esta já Foi Consumada na 
Cruz. “Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da 
hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam 
sobre a terra” (Ap 3:10) 
Numa promessa à igreja de Filadélfia, Jesus diz que não permitiria que a igreja fiel, ou 
salva passasse pela “provação” que haveria de vir sobre o mundo. No original grego o 
 
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termo usado neste versículo é peirasmos, de um modo geral significa: experimento, 
tentativa, teste, prova; tentação da fidelidade do homem, integridade, virtude, 
constância; de acordo com o contexto, significa: adversidade, aflição, aborrecimento: 
enviado por Deus e servindo para testar ou provar o caráter, a fé, ou a santidade de 
alguém. (Strong). 
O caráter da grande tribulação é de purificação como também de juízo, quanto a isso 
aqueles que realmente são servos de Cristo e verdadeiramente “lavaram suas vestiduras 
no sangue do cordeiro” estão isentos. Perceba bem, purificação aqui, não se refere a 
santificação. Como já visto anteriormente a igreja foi justificada (Rm 3:19-26); 
regenerada (IICo 5:17); adotada (Rm 8:15-16) e aguarda apenas sua completa redenção 
(Rm 8:23; Ef 4:30). 
B. A Igreja Precisa Ser Retirada da Terra Para Que se Inicie a Grande Tribulação. 
“Agora, vós sabeis o que o detém, para que a seu próprio tempo seja manifestado. Porque 
já o mistério da injustiça opera; somente há um que, agora, resiste até que do meio 
seja tirado; e, então, será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro 
da sua boca e aniquilará pelo esplendor da sua vinda;” 
Nesta referência o iníquo ou profano que é o anticristo, não poderá iniciar seu 
governo sem que aquele que o impede de agir seja retirado da terra, e sobre a identidade 
deste, existe muita especulação, no entanto podemos concluir que não se trata de outro a 
não ser o Espírito Santo, e sendo a igreja templo do Espírito Santo (ICo 3:16), quando 
esta partir ele irá também. Podemos declarar então que, para que o anticristo 
possa iniciar sua atuação é necessário que o Espírito Santo juntamente com sua 
habitação sejam retirados da terra, o que em termos de tempo só pode ser antes de iniciar 
a grande tribulação, deixando então o “caminho livre” para a besta. É preciso não 
confundir; a igreja não é a detentora pelo fato de ser a habitação do Espírito Santo, ela 
apenas age por meio dele, no entanto o agente do poder espiritual que impedea 
manifestação da besta é o Espírito Santo, a igreja será beneficiada com o arrebatamento 
porque o Espírito não pode estar desvinculado dela. 
Este fato torna impossível que a igreja passe pela grande tribulação deixando claro 
que o arrebatamento é pré-tribulacionista. 
C. É Necessário que Hajam Salvos no Fim da Grande Tribulação Para Ingressarem no 
Milênio. Com o retorno vivível de Cristo a terra, o milênio será instituído; se o 
arrebatamento acontecesse neste momento, como pensam os pós- tribulacionistas, 
não restaria nenhum santo para reinar com Cristo no milênio, sendo que a Bíblia nos 
ensina que neste tempo as pessoas terão uma vida humana, ou seja, vão gerar filhos, se 
alimentar, trabalhar, terão prosperidade, paz etc... Como está registrado em Is 65:20-25; 
se assim fosse, isto não seria possível. 
 
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Outra questão muito importante é o fato de que Jesus disse em Mateus 24:14 que o 
“evangelho do reino” seria pregado, evangelho este que não pode ser anunciado pela 
igreja, pois esta anuncia o evangelho da graça (At 20:24), chamado por Paulo de evangelho 
de Deus (Rm 1:1), evangelho de Cristo (ICo 9:12). Com exceção de Mateus, nenhum dos 
escritores do Novo Testamento o identificou como evangelho do reino, o que é explicado 
pelo fato de Mateus ter sido escrito para os Judeus que devido o sofrimento causado pelo 
império romano, aguardam a vinda do messias para instituir seu reino. 
Este evangelho do reino anunciará, durante a grande tribulação, a vinda do 
messias para inaugurar este reino literal, e através dele muitos se converterão (Ap 
7:13-17). 
D. Os Tipos no Velho Testamento Indicam um Arrebatamento Pré-tribulacional. 
Quanto aos tipos é importante ressaltar que eles serão introduzidos neste trabalho 
apenas por serem largamente usados como símbolos do arrebatamento, no entanto 
eles são apenas uma suposta alusão ao arrebatamento, teologicamente não pode 
ser provada devida não haver menção da igreja, especificamente, no velho 
testamento, contudo os tipos são: 
 Enoque, bisavô de Noé, é o primeiro suposto tipo da igreja arrebatada, teve 
um relacionamento de obediência com Deus, e por isso foi arrebatado para 
não morrer no dilúvio (Gn 5:24; Hb 11:5). 
 Bisneto de Enoque, Noé foi salvo pela arca, do terrível dilúvio que se aproximava 
(Gn 7:1,7). O tipo tem grande semelhança com o fato de que Deus os livrava do 
dilúvio para posteriormente os colocar na terra novamente; da mesma forma com 
o arrebatamento, a igreja será poupada da grande tribulação, retornando 
novamente a terra na manifestação de Cristo, para juntos entrarem na terra 
milenial. É interessante ressaltar que a expectativa do arrebatamento, como 
também seu repentino acontecimento, foi comparada por Jesus aos dias de Noé 
(Mt 24:37-39). 
 O juízo sobre Sodoma veio após a saída de Ló, desta maneira ele representa a 
igreja que após ser retirada virá o Juízo na terra com a grande tribulação 
(Lc17:28-30). 
Os tipos por mais parecidos com a realidade que sejam não servem para se 
estabelecer doutrina, porém revelam o cuidado de Deus com aqueles que lhe servem 
fielmente, por isso podemos crer que por seu amor incondicional a igreja ele não a deixará 
perecer na grande tribulação. 
Por todos os motivos citados fica claro que o arrebatamento não pode ser 
localizado em outro tempo, senão antes da grande tribulação, sabemos, no entanto 
 
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que os argumentos pós-tribulacionistas tem certa lógica e base bíblica, mas isso não é o 
suficiente para que consigam provar suas teorias, o que não acontece com o pré-
tribulacionismo que mesmo não resolvendo todos os problemas que existem devido 
passagens de difícil interpretação, consegue harmonizar os textos de maneira correta e 
dentro do contexto, trazendo-nos o ensino sobre o arrebatamento mais completo e 
coerente do todas as teorias existentes, não é à toa que os maiores mestres, doutores e 
escolas teológicas no mundo inteiro, são pré-tribulacionistas; porém nunca devemos crer 
em algo apenas porque uma maioria crê, mas o testemunho das Escrituras deve sempre 
prevalecer. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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8 - SOBRE O ARREBATAMENTO 
O arrebatamento possui alguns pormenores que não podem ser deixados para 
trás. Afim de que tenhamos a melhor visão possível referente ao evento, 
estudaremos alguns detalhes importantes como: o propósito do arrebatamento; quem 
será arrebatado e o momento do arrebatamento. 
8.1. Propósitos do Arrebatamento 
A. Glorificar a Igreja. No capítulo anterior pudemos observar que a igreja deve ser 
arrebatada antes da grande tribulação, e este é o propósito do arrebatamento. A Bíblia 
apresenta a igreja como sendo a noiva de Cristo: 
“Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si 
mesmo se entregou por ela, Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela 
palavra, Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa 
semelhante, mas santa e irrepreensível.” (Ef 5:25-27) 
No casamento judeu, após os pais do noivo terem pago o dote pela noiva (Gn 
24:53; 34:12), era marcado o dia do casamento e esta não sabia o momento da 
chegada deste, que era anunciado por um grito; ao encontrar a noiva, o noivo e os 
parentes da noiva a elogiavam, seguindo-se o banquete de comemoração, e este deveria 
ser na casa do noivo. Neste mesmo esquema de ritual, Jesus fará com sua noiva, a igreja; 
ele a buscará para estar com ele; no céu será galardoada através do tribunal de Cristo 
(Rm 14:10; II Co 5:10), seguido pelo banquete das bodas do cordeiro (Ap 19:7, 9). 
Para que todo o propósito espiritual que existe entre Cristo e Sua igreja possam se 
cumprir, é necessário que haja um arrebatamento, ou seja, que o noivo venha buscar sua 
noiva para consumar esta união, de outro modo outros ensinos como os mencionados 
acima perderiam todo o valor. Portanto o arrebatamento é necessário para que a igreja 
seja glorificada 
B. Galardoar os Crentes em Jesus que já Morreram. Uma característica importante do 
arrebatamento é o fato de nele estarem incluídos os crentes que já morreram “porque a 
trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis” (I Co 15:52). Com certeza 
estes poderiam ser ressuscitados com os demais na grande tribulação (Ap 20:4), porém 
receberão um galardão diferenciado juntamente com toda a igreja viva. 
C. Livrar a Igreja do Sofrimento da Grande Tribulação. No capítulo anterior 
observamos alguns pontos que demonstram que o arrebatamento será antes da grande 
tribulação, isto porque não é aceito pelas Escrituras que a igreja passe por este juízo. 
Existem três juízos a que o cristão é submetido: 
 
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 Seu juízo mediante a morte de Jesus na cruz do calvário (João 12:31-32). Ao crer 
na morte vicária de Cristo, a pessoa é submetida a juízo, e porque agora tem a 
Cristo como seu advogado (I João 2:1) é absolvido de todos os pecados, sendo 
perdoado todo seu passado de incredulidade. 
 O juízo diário em que o Espírito Santo opera através do processo da santificação. A 
este processo podemos chamá-lo de auto-julgamento, ou seja, sendo uma 
habitação do Espírito Santo o crente em Jesus não consegue ter uma vida dissoluta 
sem que se sinta culpado; sobre isto Paulo diz que: “Porque, se nós nos 
julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, quando somos julgados, 
somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo”. (I 
Co 11:31-32). 
 Este não é propriamente um juízo, no sentido de ser salvo ou não, representa um 
juízo onde os crentes serão submetidos para serem galardoados, cada um 
conforme as suas obras. (II Co 5:10). 
Se tivermos esta visão percebemos claramente que não resta outro juízo para a 
igreja, vemos em Ap 3:10, justamente este aspecto, de que a igreja será poupada de 
qualquer juízo que será estabelecido com a vinda da grande tribulação, como vimos 
anteriormente a igreja aguarda seu noivo para que ela não sofra as aflições vindouras. 
8.2. Quem Será Arrebatado? 
 “Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão 
vivificados em Cristo. Mas cada um por sua ordem: Cristo, as primícias; 
depois, os que são de Cristo, na sua vinda” (I Co 15:22-23). 
Através da afirmação de Paulo temos a certeza de que somente os “os que são de 
Cristo” serão arrebatados, ou seja, sua igreja. Ao tratar do assunto I 
Tessalonicenses 4:16-17 ele diz: 
“Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, 
e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; 
depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, 
a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.” 
Apenas dois grupos, na igreja, que podem ser detectados como sendo participantes 
do arrebatamento estes são “os que morreram em cristo” e “os que ficarmos vivos”. 
Existem muitas especulações quanto a este fato, pois muitos pensam que pelo 
fato de pertencerem a uma igreja isto faz dele um participante do arrebatamento 
seja vivo ou morto, o fato é que nos coloca em posição de futuros arrebatados, é a nossa 
 
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condição “estar em Cristo”, ter uma vida de Cristão autêntico, cultivando seu 
relacionamento com Jesus. Sobre isto Paulo nos diz: 
Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da terra; porque já estais 
mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a nossa 
vida, se manifestar, então, também vós vos manifestareis com ele em glória. (Cl 3:2-4) 
Outro fato importante a ser mencionado é quanto à ressurreição ou não dos salvos 
do Antigo Testamento, no entanto devemos separar as coisas, o arrebatamento é para 
“os que são de Cristo” e os Judeus não se encontram nessa condição, mesmo estando 
salvos os que viveram antes de Jesus só serão ressuscitados na ressurreição que está 
expressa em Ap 20:4 entendemos que o arrebatamento é um tratar de Deus para com a 
igreja e difere do plano que Deus tem para Israel. Voltaremos a tratar do assunto com 
mais detalhes em momento oportuno. 
8.3. O Momento do Arrebatamento 
Jesus em sua primeira encarnação esteve por volta de trinta e três anos na terra, 
sendo que apenas três, realizando a sua obra, após sua morte e ressurreição a igreja inicia 
uma nova expectativa, a do aparecimento do Senhor para arrebatar a igreja da terra. Uma 
pergunta nos vem, como será este momento? Paulo nos explica que seremos chamados 
por ele “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e 
com a trombeta de Deus” (I Ts 4:16), neste momento os mortos em Cristo 
ressurgirão “e os mortos ressuscitarão incorruptíveis” (I Co 15:52), seguindo os 
mortos que ressuscitaram, nós “os que ficarmos vivos, seremos arrebatados 
juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos 
sempre com o Senhor” (I Ts 4:17). 
Quanto à duração deste evento, em I Co 15:52 Paulo diz que “será num momento, 
num abrir e fechar de olhos” no original grego é: én atomo én ripe oftalmou, o termo 
átomo significa algo que não pode ser dividido, muito bem traduzido por “um momento”, 
ripe significa pulsação, batida, uma batida de olho ou um piscar de olho. Aqui vemos que 
o tempo necessário para que tudo o que envolve o arrebatamento aconteça é mínimo, não 
há como medir senão comparando a um piscar de olhos. Daí o motivo de devermos estar 
sempre em comunhão com o Senhor. Paulo nos informa que o arrebatamento em si é o 
grito de vitória da igreja, que agora não sofrerá mais o dano da morte nem da dor, pois o 
noivo veio consumar a vitória da igreja sobre a morte e o inferno. (I Co 15:53-54). 
 
 
 
 
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AULA 
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9 - HISTÓRIA DA DOUTRINA DA SEGUNDA 
VINDA 
Aquilo que toda a Escritura almeja e para o que toda a história aponta é a segunda 
vinda do Senhor Jesus Cristo a este mundo. Nesse momento serão cumpridos os 
propósitos de Deus pelos quais Seu Filho veio ao mundo. A redenção terá sido realizada e a 
soberania terá sido manifesta na terra. Grande quantidade de profecias está relacionada a 
essa vinda e aos acontecimentos a ela associados. 
 Os intérpretes bíblicos dividem-se em várias escolas diferentes quanto à questão das 
doutrinas do quiliasmo. A questão do quiliasmo, por muito tempo considerada sem 
importância no campo dos estudos bíblicos e da interpretação das Escrituras, passou a ser 
encarada como uma das principais doutrinas dado o seu efeito determinante em todo o 
domínio da teologia. 
 Quiliasmo, assim chamado a partir do termo grego [...] [chilioi] — com o significado 
de "mil"— refere-se em sentido gerai à doutrina da era milenar ou do reino que ainda há 
de ser e, como citado na Enciclopédia britânica (14.a ed., s.v.), é "a crença de que Cristo 
retornará para reinar por mil anos...". A característica dessa doutrina é que Ele retornará 
antes dos mil anos e conseqüentemente caracterizará esses anos por Sua presença e pelo 
exercício de Sua justa autoridade, assegurando e sustentando na terra todas as bênçãos 
destinadas para esse período. 
 O termo quiliasmo tem sido substituído pela designação pré-milenarismo; e [...] há 
mais implícito no termo do que mera referência a mil anos. São mil anos interpostos entre 
a primeira e a segunda ressurreição da humanidade [...] Nesses mil anos [...] todas as 
alianças com Israel serão cumpridas [...] Toda a expectativa do Antigo Testamento está em 
jogo, com seu reino terreno, a glória de Israel e a promessa do Messias sentado no trono 
de Davi em Jerusalém. (Lewis Sperry CHAFER, Systematic theology, iv, p. 264-5). 
9.1. As Concepções sobre o Secundo Advento 
Ao longo da história verificam-se quatro opiniões principais sobre o segundo advento 
de Cristo. 
A. A Posição Não-literal ou Espiritualizada. A opinião não-literal nega que haverá um 
retornoliteral, corporal e pessoal de Cristo à terra. Walvoord resume essa posição: 
 Uma opinião moderna comum sobre o retorno do Senhor é a chamada posição 
espiritual que identifica o retorno de Cristo como um perpétuo progresso de Cristo na 
igreja, incluindo muitos acontecimentos específicos. William Newton Clarke, por exemplo, 
 
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defendia que as promessas da segunda vinda são cumpridas pela "Sua presença espiritual 
com o Seu povo", o que é introduzido pela vinda do Espírito Santo no Pentecostes, 
acompanhado pela destruição de Jerusalém e, finalmente, cumprido pelo contínuo avanço 
espiritual na igreja. Em outras palavras, não se trata de um acontecimento, mas de todos 
os acontecimentos da era cristã que constituem a obra de Cristo. [Esse aspecto] [...] é 
defendido por muitos liberais de nossos dias. (John F. WALVOORD, The millennial issue in 
modern theology, Bibliotheca Sacra, 106 Aí, Jan. 1948) 
Essa opinião vê o segundo advento cumprido na destruição de Jerusalém, ou no dia 
de Pentecostes, ou na morte do crente, ou na conversão do indivíduo, ou em qualquer 
transição na história ou experiência individual. Sua controvérsia é se haverá um segundo 
advento literal. Não é necessário dizer que essa visão se baseia na descrença da Palavra de 
Deus ou no método espiritualizante de interpretação. 
B. A posição Pós-milenarista. A posição pós-milenarista, popular entre os teólogos 
aliancistas do período pós-Reforma, defende, segundo Walvoord: “...que, através da 
pregação do evangelho, todo o mundo será cristianizado e submetido ao evangelho antes 
do retorno de Cristo. O nome deriva do fato de que nessa teoria Cristo retorna depois do 
milênio (logo, pós-milênio)”. 
Os partidários dessa visão defendem um segundo advento literal e acreditam num 
milênio literal, geralmente seguindo o ensino do Antigo Testamento quanto à natureza 
desse reino. Sua controvérsia é a respeito de questões como quem instituirá o milênio, a 
relação de Cristo com o milênio e a hora da vinda de Cristo em relação a esse milênio. 
C. A Posição Amilenarista. A opinião amilenarista defende que não haverá um milênio 
literal na terra após o segundo advento. Todas as profecias a respeito do reino estão sendo 
cumpridas espiritualmente pela igreja no período entre os dois adventos. Com respeito a 
essa opinião foi declarado: 
Seu caráter mais geral é a negação do reinado literal de Cristo na terra. Imagina-se 
que Satanás tenha sido preso na primeira vinda de Cristo. A presente era, entre o primeiro 
e segundo advento, é o cumprimento do milênio. Seus seguidores diferem entre o 
cumprimento do milênio na terra (Agostinho) ou o cumprimento pelos santos no céu 
(Warfield). Pode-se resumir isso na idéia de que não haverá mais milênio do que há agora, 
e que o estado eterno se segue imediatamente à segunda vinda de Cristo. Essa teoria 
assemelha-se ao pós-milenarismo quando afirma que Cristo virá depois do que eles 
consideram ser o milênio. 
Sua controvérsia é quanto à questão de um milênio literal para Israel ou quanto ao 
fato de promessas sobre o milênio estarem ou não sendo cumpridas agora na igreja, seja 
na terra, seja no céu. 
 
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D. A Posição Pré-milenarista. A posição pré-milenarista defende que Cristo retornará 
ao mundo, literal e corporalmente, antes de começar a era milenar; e, por Sua presença, 
será instituído um reino sobre o qual Ele reinará. Nesse reino todas as alianças de Israel 
serão literalmente cumpridas. O reino continuará por mil anos e, depois disso, o Filho dará 
o reino ao Pai e se fundirá com Seu reino eterno. A questão principal sobre essa posição é 
se as Escrituras estão sendo cumpridas de forma literal ou simbólica. 
Na verdade essa é a parte essencial de toda a questão. Allis, zeloso amilenarista, 
admite: "... As profecias do Antigo Testamento, se interpretadas literalmente, não podem 
ser consideradas cumpridas ou possíveis de ser cumpridas na presente era". (Oswald T. 
ALLIS, Prophecy and the church, p. 238) Não é exagero dizer que as questões que dividem 
essas quatro posições só podem ser resolvidas se definirmos o problema do método de 
interpretação a ser empregado. 
9.2. A Doutrina do Segundo Advento na Igreja Primitiva 
Concorda-se, em geral, que a igreja dos séculos que imediatamente se seguiram ao 
período apostólico tinha uma opinião pré-milenarista a respeito do retorno de Cristo. Allis, 
amilenarista, diz: 
Cria-se amplamente [no pré-milenarismo] na igreja primitiva, embora não se possa 
dizer com certeza com que amplitude. Mas o realce que muitos de seus defensores davam 
às recompensas terrenas e aos prazeres carnais provocou grande oposição; e ele foi quase 
completamente substituído pela posição "espiritual" de Agostinho. Reapareceu sob formas 
extravagantes por ocasião da Reforma, notadamente entre os anabatistas. 
Bengel e Mede estiveram entre os primeiros estudiosos de distinção da atualidade a 
defendê-lo. Mas não foi senão no início do século passado que ele passou a influenciar na 
atualidade. Desde então, tornou-se cada vez mais popular, e muitas vezes se ouve a 
declaração de que a maioria dos líderes evangélicos na igreja de hoje é pré-milenarista. 
Whitby, geralmente considerado o fundador do pós-milenarismo, escreve: 
“A doutrina do milênio, ou reino dos santos na terra por mil anos, é agora rejeitada 
por todos os católicos romanos e pela maioria dos protestantes; mesmo assim, foi 
considerada pelos melhores cristãos, por 250 anos, uma tradição apostólica; e, como tal, é 
apresentada por muitos pais do segundo e do terceiro século, que falam dela como a 
tradição do nosso Senhor e Seus apóstolos e de todos os antigos que viveram antes deles, 
que nos contam as próprias palavras nas quais ela lhes foi entregue, as Escrituras que eram 
assim interpretadas então, e dizem que ela foi mantida por todos os cristãos que eram 
exatamente ortodoxos. Ela foi recebida não apenas nas partes orientais da igreja, por 
Papias (na Frígia), Justino (na Palestina), mas por Ireneu (na Gália), Nepo (no Egito), 
 
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Apolinário, Metódio (no Oeste e no Sul), Cipriano, Vitorino (na Alemanha), Tertuliano (na 
África), Lactâncio (na Itália) e Severo, e pelo Conselho de Nicéia (c. 323 d.C.).” (Ap. G. N. H. 
PETERS, Theocratic kingdom, i, p. 482-3). 
O fato de tais concessões serem feitas por oponentes do pré-milenarismo deve-se 
apenas ao fato de que a história relata que essa foi a crença universal da igreja por 250 
anos após a morte de Cristo. Schaff escreve: O ponto mais marcante da escatologia da era 
pré-nicena é a proeminência do quiliasmo, ou milenarismo, que é a crença num reinado 
visível de Cristo em glória na terra com os santos ressurrectos por mil anos, antes da 
ressurreição geral e do juízo. Essa certamente não foi a doutrina da igreja incorporada a 
algum credo ou forma de devoção, sendo antes uma posição amplamente aceita por 
mestres ilustres. (Philip SCHAFF, History of the Christían church, II, p. 614) 
Harnack diz: “A doutrina do segundo advento de Cristo e do reino aparece tão cedo, 
que cabe perguntar se não deveria ser considerada parte essencial da religião cristã.” 
9.3. Defensores do Pré-milenarismo no Primeiro Século 
André, Pedro, Filipe, Tomé, Tiago, João, Mateus, Aristio, João, o Presbítero — todos 
esses são citados por Papias, que, segundo Ireneu, ouviu João pessoalmente e foi amigo de 
Policarpo[...] Essa referência aos apóstolos concorda com os fatos que temos provado: a) 
os discípulos de Jesus tinham uma visão judaica sobre o reino messiânico na primeira parte 
desse século, e b) em vez de descartá-lo, eles o ligavam ao segundo advento. 
Em seguida, 
 Clemente de Roma (Fp 4.3), que viveu de 40 a 100 d.C. aproximadamente; 
 Barnabé, cerca de 40-100 d.C.; 
 Hermas, de 40 a 140 d.C.; 
 Inácio, bispo de Antioquia, que morreu na perseguição ordenada por Trajano, 
cerca de 50 a 115 d.C.; 
 Policarpo, bispo de Esmírna, discípulo de João, que viveu entre cerca de 70 e 167 
d.C.; 
 Papias, bispo de Hierápolis, viveu de 80 a 163 d.C.; 
Por outro lado, não podemos apresentar nenhum nome que 1) possa ser citado como 
categoricamente contrário à nossa posição, ou 2) possa ser citado como alguém que 
ensinou, sob qualquer forma ou sentido, a doutrina de nossos oponentes. 
 
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9.4. Defensores do Pré-milenarismo no Segundo Século 
 Potino, um mártir, 87-177 d.C.; 
 Justino Mártir, cerca de 100-168 d.C.; 
 Melito, bispo de Sardes, cerca de 100-170; 
 Hegísipo, entre 130-190 d.C.; 
 Taciano, entre 130-190; 
 Ireneu, um mártir,cerca de 140-202; 
 As igrejas de Viena e Lion; 
 Tertuliano, cerca de 150-220 d.C.; 
 Hipólito, entre 160-240 d.C. 
Novamente, nenhum escritor sequer pode ser apresentado, nem mesmo um nome 
pode ser mencionado dentre os citados que se tenha oposto ao quiliasmo nesse século [...] 
Que o estudioso reflita sobre isso: aqui estão dois séculos [...] nos quais nenhuma oposição 
direta surge contra a doutrina, mas ela é mantida pelos mesmos homens, líderes os mais 
eminentes, por meio dos quais acompanhamos a história da igreja. O que devemos 
concluir? 1) Que a fé comum da igreja era quiliástica, e 2) que tal generalidade e unidade 
de crença só poderia ter sido introduzida [...] pelos fundadores da igreja e pelos 
presbíteros nomeados por eles. 
9.5. Defensores do Pré-milenarismo no Terceiro Século 
 Cipriano, cerca de 200-258 d.C.; 
 Cômodo, de 200-270 d.C.; 
 Nepo, bispo de Arsinoe, cerca de 230-280 d.C.; 
 Corácio, cerca de 230-280 d.C.; 
 Vitorino, cerca de 240-303 d.C.; 
 Metódio, bispo de Olimpo, cerca de 250-311 d.C.; 
 Lactâncio [...] de 240-330 d.C. 
Embora o testemunho de todos os homens citados acima não seja sempre 
igualmente claro, alguns deles falaram inequivocamente da posição pré-milenarista. 
Clemente de Roma escreveu: “Verdadeiramente, logo Sua vontade será cumprida 
como as Escrituras também testemunham, dizendo "Certamente venho sem demora" e 
 
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"De repente virá ao seu templo o Senhor, a quem vós desejais, o Santo". (Ap. Charles C. 
RYRIE, The basis of the premilennial faith, p. 20.). 
Justino Mártir, em seu Diálogo com Trifo, escreveu: “Mas eu e qualquer um que 
somos em todos os aspectos cristãos decididos sabemos que haverá a ressurreição dos 
mortos e mil anos em Jerusalém, que será então construída, adornada e aumentada, como 
declararam os profetas Ezequiel e Isaías.” 
E, ainda mais, certo homem chamado João, um dos apóstolos de Cristo, previu por 
uma revelação que foi feita a ele que os que cressem em nosso Cristo passariam mil anos 
em Jerusalém e, depois disso, a ressurreição geral, ou, para ser breve, a eterna 
ressurreição e julgamento de todos os homens também ocorrerá. 
Ireneu, bispo de Lion, apresenta uma escatologia bem desenvolvida quando escreve: 
“Mas quando esse anticristo tiver devastado todas as coisas neste mundo, ele reinará por 
três anos e seis meses e sentará no templo em Jerusalém; então o Senhor virá do céu 
entre as nuvens, na glória do Pai, mandando esse homem e os que o seguiram para o lago 
de fogo; mas trazendo para os justos o tempo do reino, quer dizer, o descanso, o sagrado 
sétimo dia; e restaurando a herança prometida de Abraão, na qual o Senhor declarou que 
"muitos vindos do leste e oeste sentarão com Abraão, Isaque e Jacó...". A bênção prevista, 
então, pertence sem dúvida à época do reino, quando os justos reinarão depois de sua 
ressurreição.” 
Tertuliano soma o seu testemunho quando diz: “Mas nós confessamos que um reino 
sobre a terra nos é prometido, apesar de antes do céu, apenas em outro estado de 
existência; visto que ele acontecerá depois da ressurreição, por mil anos na divinamente 
construída cidade de Jerusalém.” 
De acordo com Justino e Ireneu, existiam “...três classes de homens: 1) Os hereges, 
que negavam a ressurreição da carne e o milênio. 2) Os verdadeiramente ortodoxos, que 
afirmavam a ressurreição e o reino de Cristo na terra. 3) Os crentes, que concordavam com 
os justos e mesmo assim esforçavamse para alegorizar e transformar em metáfora todas 
as passagens que apontam para o próprio reinado de Cristo, e que tinham opiniões em 
concordância com aqueles hereges que negavam, não com os ortodoxos, que afirmavam, 
esse reinado de Cristo na terra.” (Daniel WHITBY, Treatise on the millennium, ap. Peters, 
op. cit., I, p. 483). 
Justino evidentemente reconhecia o pré-milenarismo como "o critério de uma 
perfeita ortodoxia". Em seu Diálogo com Trifo, em que escreve: "Alguns que são chamados 
cristãos mas são ímpios, hereges, ensinando doutrinas que são totalmente blasfemas, 
ateístas e tolas", ele mostra que incluiria qualquer um que negasse o pré-milenarismo 
nessa categoria, visto que incluiu nela os que negaram a ressurreição, um ensinamento 
associado. 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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Seria seguro concluir com Peters: “Quando examinamos o quadro histórico [...] 
somos forçados a concluir que os escritores [...] que insistem na grande extensão do 
quiliasmo na igreja apostólica e primitiva estão certamente corretos. Nós, 
conseqüentemente, apoiamos os que se expressam como Muncher (Church history, v. 2, p. 
415) que "[o quiliasmo] foi recebido universalmente por quase todos os mestres", e (p. 
450, 452) o associam, junto com Justino, ao "todo da comunidade ortodoxa... ". (PETERS, 
op. cit., i, p. 498). 
9.6. Oponentes da Posição Pré-milenarista 
O terceiro século dá origem ao primeiro antagonismo declarado quanto à posição 
pré-milenarista. Peters resume: 
“Nesse século vemos pela primeira vez [...] adversários da nossa doutrina. Qualquer 
escritor, desde o período mais antigo até o presente, que apresentou tais listas contra nós, 
foi capaz de apenas encontrar esses antagonistas, e nós os apresentamos na sua ordem 
cronológica, quando eles se revelaram como adversários. Eles são quatro, mas três deles 
eram muito persuasivos para o erro e rapidamente ganharam seguidores [...] O primeiro 
nessa ordem foi 
Caio (ou Gaio), no início do terceiro século; 
Clemente de Alexandria, professor na Escola Catequética de Alexandria, que teve 
forte influência (sobre Orígenes e outros) como mestre de 193-220 d.C.; 
Orígenes, cerca de 185-254 d.C.; 
Dionísio, cerca de 190-265 d.C. Estes são os defensores mencionados como 
diretamente hostis ao quiliasmo.” 
 De acordo com Allis, essa oposição surgiu por causa do "realce que muitos de seus 
defensores depositavam sobre as recompensas terrenas e os prazeres carnais [que] [...] 
suscitaram ampla oposição contra ele". (ALLIS, loc. cit) Parece mais correto afirmar que 
essa oposição surgiu, primeiramente, por causa de dogmas básicos da Escola de 
Alexandria, na qual Orígenes se tornou o principal defensor, com enorme influência no 
mundo teológico. O método de interpretação por espiritualização propagadopor Orígenes 
desencadeou o fim do método literal de interpretação sobre o qual repousava o pré-
milenarismo. Mosheim foi citado para comprovar essa influência de Orígenes. 
Mosheim, após declarar "que muitos criam no século anterior, sem ofensa a 
ninguém, que o Salvador reinaria mil anos dentre os homens, antes do fim do mundo", 
adiciona: "neste século a doutrina milenar tornou-se infame, graças à influência especial 
de Orígenes, que a negou veementemente porque ela contradizia suas opiniões" [...] "até a 
época de Orígenes, todos os mestres que eram a ela predispostos, a professavam e a 
 
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ensinavam abertamente [...] Orígenes, porém, a atacou ferozmente, pois ela contrariava a 
sua filosofia; e, pelo sistema de interpretação bíblica que descobriu, ele deu um sentido 
diferente aos textos bíblicos dos quais os defensores dessa doutrina dependiam" [...] 
No terceiro século a reputação dessa doutrina declinou; primeiro no Egito, pela 
influência de Orígenes [...] e mesmo assim ela não pôde ser exterminada definitivamente: 
ainda tinha defensores respeitáveis. Mosheim prossegue em vários lugares mostrando 
como, por um sistema de interpretação filosofizante e extremamente agressivo, o qual 
começou "desprezivelmente a perverter e torcer todas as partes dos oráculos divinos que 
se opunham ao seu dogma ou noção filosófica", a interpretação literal foi definitivamente 
esmagada. Ele então contrasta a interpretação adotada pelos dois sistemas: "Ele 
(Orígenes) desejava desprezar o sentido literal e visível das palavras, e queria que se 
buscasse um sentido secreto, que repousava, escondido, num envoltório de palavras. Os 
defensores de um reino terrestre de Cristo, por sua vez, firmavam sua causa unicamente 
no sentido natural e próprio de certas expressões bíblicas".(PETERS, op. cit., i, p. 500) 
A oposição veio pelo surgimento de falsas doutrinas que mudaram o pensamento 
teológico. 
O gnosticismo [...] bem cedo começou a prevalecer e, embora todas as doutrinas do 
cristianismo tivessem sofrido em maior ou menor medida essa influência deteriorante, a 
doutrina do reino tornou-se, sob suas manipulações maleáveis, muito diferente da 
doutrina bíblica da igreja primitiva [...] ela atacou violentamente o parentesco prometido 
do Filho do Homem como Filho de Davi [...] Ascetismo, a crença na corrupção inerente da 
matéria [...] era antagônica a ele [...] Docetismo [...] que negava a realidade do corpo 
humano de Jesus, o Cristo, fechou efetivamente todo acesso a um entendimento do reino, 
espiritualizando não apenas o corpo, mas tudo mais que se relacionasse a Ele como 
Messias [...] Para conciliar as tendências opostas, surgiu outro próspero grupo, que 
presumia que a razão ocupava a posição de juiz, e pelas deduções da razão instituiu uma 
via media entre as duas, retendo algo do gnosticismo e do quiliasmo, no que diz respeito à 
interpretação, mas também espiritualizando o reino, numa aplicação à igreja. 
A continuidade do judaísmo, religião que começara no período apostólico e se 
fortalecera, fomentou crescente inimizade entre judeus e gentios cristãos. Tal 
antagonismo levou, por fim, à rejeição do milênio por ser ele "judaico". 
“...os gentios cristãos, na sua hostilidade para com o judaísmo, que buscava impor 
seu legalismo e ritualismo, finalmente foram levados a tal extremo que [...] tudo que em 
sua opinião tinha sabor de judaísmo foi jogado fora, incluindo, é claro, a crença judaica, há 
muito esposada, de um reino.” 
 
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A união da igreja com o estado sob Constantino provocou a morte da esperança 
milenar. Smith, depois de declarar que "o intervalo entre a era apostólica e a de 
Constantino tem sido chamado período quiliástico da interpretação apocalíptica", diz: 
“Imediatamente após o triunfo de Constantino, os cristãos, que se livraram da 
opressão e da perseguição e se tornaram autoritários e prósperos, começaram a perder 
sua expectativa ativa da rápida vinda do Senhor e o conceito espiritual do Seu reino, e 
passaram a contemplar a supremacia temporária do cristianismo como cumprimento do 
reino prometido de Cristo na terra. O Império Romano, transformado num império cristão, 
deixou de ser considerado objeto de denúncia profética, mas o cenário de um 
desenvolvimento milenar. Essa opinião, todavia, foi logo confrontada pela interpretação 
figurada do milênio como o reino de Cristo no coração de todos os crentes verdadeiros.” 
(Ap. PETERS, op. cit., i, p. 505). 
 A supressão dos escritos dos pais da igreja pelos que se opunham à sua posição, 
visando a minimizar sua contínua influência, reduziu o realce desse ensinamento central e 
começou a obliterar a importância que a esperança iminente tinha na vida e nos escritos 
deles. 
“A influência de Agostinho, que contribuiu mais para o pensamento teológico que 
qualquer outro indivíduo entre Paulo e a Reforma, e por meio de quem o amilenarismo foi 
sistematizado e o sistema romanista obteve sua eclesiologia, foi fator fundamental na 
cessação do pré-milenarismo. O aumento do poder da Igreja Romana, que ensinava ser ela 
o reino de Deus na terra e ser seu líder o vigário de Deus na terra, foi fator de significativa 
importância. É de extremo interesse ressaltar os métodos usados pelos oponentes da 
opinião prémilenarista para contrariar esse ensinamento. Gaio e Dionísio foram os 
primeiros a duvidar da genuína inspiração do livro de Apocalipse, pois evidentemente se 
supunha que o recurso ao livro [...] não poderia ser abandonado. A rejeição do sentido 
literal e sua substituição por figuras ou alegorias, que efetivamente modificaram a aliança 
e a profecia. Trechos do Antigo Testamento que ensinavam literalmente a doutrina 
tiveram sua inspiração profética desacreditada [...] A aceitação de todos os trechos 
proféticos, e o que não podia ser alegorizado e aplicado à igreja tinha o seu cumprimento 
relegado ao céu [...] Fazer com que promessas dadas diretamente aos judeus como nação 
fossem consideradas condicionais na sua natureza ou meramente típicas das bênçãos 
desfrutadas pelos gentios.” 
 Devemos observar que a oposição ao pré-milenarismo surgiu daqueles que eram 
marcados pela descrença, cujas doutrinas, em geral, tinham sido condenadas pelos crentes 
através da história da igreja; assim, opunham-se ao pré-milenarismo não porque não fosse 
bíblico, mas porque contradizia suas próprias filosofias e métodos de interpretação. 
 
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9.7. A Ascensão do Amilenarismo 
Com a contribuição de Agostinho ao pensamento teológico, o amilenarismo ganhou 
destaque. Embora Orígenes tenha estabelecido os fundamentos ao fixar o método não-
literal de interpretação, foi Agostinho quem sistematizou a visão não-literal do milênio no 
que agora conhecemos como amilenarismo. 
A importância de Agostinho. O relacionamento entre Agostinho e toda a doutrina 
amilenarista foi apresentado por Walvoord: 
Seu pensamento não apenas cristalizou a teologia que o precedera, mas estabeleceu 
a base de ambas as doutrinas, católica e protestante. B. B. Warfield, citando Harnack, 
refere-se a Agostinho como "incomparavelmente o maior homem que a igreja possuiu, 
'entre o apóstolo Paulo e Lutero, o reformador'". Embora a contribuição de Agostinho 
tenha sido principalmente reconhecida nas áreas da doutrina da igreja, da hamartiologia, 
da doutrina da graça e da predestinação, também é um marco significativona história 
antiga do amilenarismo. 
A importância de Agostinho para a história do amilenarismo deriva de duas razões. 
1. Primeiro, não existiram expoentes aceitáveis do amilenarismo antes de Agostinho 
[...] Antes dele, o amilenarismo associava-se às heresias produzidas pela escola 
teológica alegorista e espiritualista de Alexandria, que não apenas se opunha ao 
pré-milenarismo, mas subvertia qualquer exegese literal das Escrituras [...] 
2. O segundo motivo da importância do amilenarismo agostiniano é que seu ponto 
de vista se tornou a doutrina dominante na igreja romana e foi adotado com 
variações pela maioria dos reformadores protestantes, juntamente com muitos 
outros de seus ensinamentos. Os escritos de Agostinho, na verdade, causaram o 
abandono do prémilenarismo pela maior parte da igreja organizada. (WALVOORD, 
op. cit., 206:420-1). 
A opinião de Agostinho sobre a questão quiliástica. Em sua famosa obra, A cidade de 
Deus, Agostinho lançou a idéia de que a igreja visível era o reino de Deus na terra. Peters 
comenta a respeito da importância dessa obra: 
Talvez não tenha surgido nenhuma obra que tivesse tão forte e avassaladora 
influência contra a antiga doutrina como A cidade de Deus, de Agostinho. Esse livro foi 
escrito especificamente para ensinar a existência do reino de Deus na igreja simultânea ou 
paralela ao reino terrestre ou humano.(PETERS, op. cit., i, p. 508) 
Dessa eclesiologia básica, que interpreta a igreja como o reino, Agostinho 
desenvolveu sua doutrina do milênio, resumida por Allis como se segue: 
 
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Ele ensinou que o milênio deve ser interpretado espiritualmente como cumprido pela 
igreja. Defendia que o aprisionamento de Satanás ocorreu durante o ministério terreno do 
nosso Senhor (Lc 10.18), a primeira ressurreição é o novo nascimento do cristão (Jo 5.25) e 
o milênio deve corresponder, conseqüentemente, ao período entre os adventos ou era da 
igreja. Isso implicava a interpretação de Apocalipse 20.1-6 como uma "repetição" dos 
capítulos anteriores e não uma referência à nova era que seguiria cronologicamente os 
acontecimentos demonstrados no capítulo 19. Vivendo na primeira metade do primeiro 
milênio da história da igreja, Agostinho naturalmente entendeu de modo literal os mil anos 
de Apocalipse 20 e esperava que a segunda vinda ocorresse no final daquele período. Mas, 
por ter identificado o milênio de maneira incoerente com o que restava do sexto quiliasmo 
da história humana, ele acreditava que esse período deveria terminar por volta de 650 d.C. 
com uma grande explosão de maldade, a revolta de Gogue, seguida da vinda de Cristo em 
juízo. (ALLIS, op. cit., p. 3) 
Desse modo Agostinho fez várias afirmações que moldaram o pensamento 
escatológico: 
 Negou que o milênio seguiria a segunda vinda, 
 Defendeu que o milênio ocorreria no período entre os adventos e 
 Ensinou que a igreja é o reino e não haveria cumprimento literal das promessas 
feitas a Israel. 
 Essas interpretações formaram o núcleo central do sistema escatológico que 
dominou o pensamento teológico por séculos. O fato de a história ter provado que Satanás 
não foi aprisionado, que não estamos no milênio, experimentando tudo o que foi 
prometido aos que nele entrassem, e que Cristo não retornou em 650 d.C. foi insuficiente 
para dissuadir os defensores desse sistema. A despeito de seu óbvio fracasso, ele ainda é 
amplamente defendido. 
9.8. O Eclipse do Pré-milenarismo 
Com a ascensão do romanismo, comprometido com a idéia de que a instituição deste 
era o reino de Deus, o pré-milenarismo caiu rapidamente. Auberlen diz: 
O quiliasmo desapareceu proporcionalmente à medida que o catolicismo papal 
romano avançava. O papado tomou para si, como um roubo, a glória que é objeto de 
esperança e só pode ser alcançada pela obediência e humildade da cruz. Quando a igreja 
tornou-se meretriz, deixou de ser a noiva que sai para encontrar seu noivo; e assim o 
quiliasmo desapareceu. Essa é a profunda verdade que jaz no âmago da interpretação 
protestante antipapal do Apocalipse. 
 
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Peters observa: “Podemos então citar brevemente como fato evidente que todo o 
espírito e alvo do papado é antagônico à perspectiva da igreja primitiva, baseando-se no 
cobiçado poder eclesiástico e secular, na ampla jurisdição depositada nas mãos de um 
primaz [...] quando se fundou um sistema que decidira que o reinado dos santos já havia 
começado — que o bispo de Roma reinava na terra no lugar de Cristo; que a libertação da 
maldição só seria cumprida no terceiro céu; que na igreja, como um reino, havia uma 
"aristocracia" à qual se devia obedecer sem hesitação; que os anúncios proféticos a 
respeito do reino do Messias se cumpriam na predominância, esplendor e riqueza de 
Roma; que a recompensa e elevação dos santos não dependia da segunda vinda, mas do 
poder depositado no reino presente etc.— foi então que o quiliasmo, tão desagradável e 
obnóxio para essas declarações e doutrinas, caiu sob a influência poderosa e penetrante 
exercida contra ele.” 
Apesar da ascensão do amilenarismo romano, um pequeno remanescente manteve a 
posição pré-milenarista. Ryrie cita os valdenses e os paulicianos, junto com os Cátaros, que 
mantinham a crença apostólica. (RYRIE, op. cit., p. 27-8) Peters acrescenta os albigenses, 
os lollardos, os seguidores de Wiclif e os protestantes boêmios que esposaram a causa 
prémilenarista. (PETERS, op. cit., i, p. 521) 
9.9. O Quiliasmo desde a Reforma 
No próprio período da Reforma, o interesse dos reformadores estava centralizado 
nas grandes doutrinas da soteriologia e muito pouca atenção foi dedicada às doutrinas da 
escatologia. Os reformadores permaneceram, em sua maioria, na posição de Agostinho, 
principalmente porque essa área de doutrina não estava em discussão. Todavia, lançaram-
se alguns fundamentos que abriram o caminho para a ascensão do pré-milenarismo. 
Peters escreve: 
“... cada um [dos reformadores] registrou sua crença no fato de todo crente dever 
estar constantemente ansiando pela segunda vinda, uma vinda rápida, dada a ausência da 
futura glória milenar antes da vinda de Jesus, na permanência da igreja num estado 
mesclado até o fim, no desígnio divino para a presente dispensação, no princípio de 
interpretação adotado, na expansão e na ampliação da incredulidade antes da segunda 
vinda, na renovação desta terra etc. — doutrinas em concordância com o quiliasmo. A 
simples verdade em referência a eles era esta: que eles não eram quiliásticos, apesar de 
ensinarem vários tópicos que materialmente ajudavam a sustentar o quiliasmo.” 
 O retorno ao método literal de interpretação, no qual se baseou o movimento da 
Reforma, lançou novamente a base para o ressurgimento da fé pré-milenarista. 
 
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9.10. A Ascensão do Pós-milenarismo 
No período pós-Reforma surgiu a interpretação conhecida como pós-milenarismo, 
que veio a suplantar, em grande parte, o amilenarismo agostiniano na igreja protestante. A 
incapacidade do amilenarismo, como interpretado por Agostinho, de satisfazer os fatos da 
história levaram a um novo exame da sua doutrina. O primeiro defensor da posição de que 
Cristo retornaria depois do milênio e traria o estado final com o grande julgamento e 
ressurreição, segundo Kromminga, (KROMMINGA, op. cit., p. 20) foi Joaquim de Flora, 
escritor católico romano do século XII. Walvoord comentaa respeito dele: 
 Seu ponto de vista é que o milênio começa e continua como o reinado do Espírito 
Santo. Ele tinha em vista três dispensações: a primeira de Adão até João Batista, a segunda 
começando com João e a terceira com Benedito (480-543), fundador do mosteiro ao qual 
pertencia. As três repartições eram respectivamente do Pai, do Filho e do Espírito. Joaquim 
previu que em cerca de 1260 o desenvolvimento final ocorreria e a justiça triunfaria. 
Durante os séculos XVI e XVII muitos na Holanda defenderam a opinião de que o 
milênio era futuro. Coccejus, Alting, os dois Kitringas, d'Outrein, Witsius, Hoornbeek, 
Koelman e Brakel são citados por Berkhof como pós-milenaristas.(Louis BERKHOF, Teologia 
sistemática, p. 722) Todavia, o pós-milenarismo como sistema é normalmente atribuído a 
Daniel Whitby (1638-1726). (A. H. STRONG, Systematic theology, p. 1013) Walvoord 
escreve a respeito de Whitby: 
O próprio Whitby era um unitário. Seus escritos, particularmente os que tratavam da 
divindade, foram queimados em público e ele foi declarado herege. Ele era liberal e livre-
pensador, não confinado pelas tradições ou conceitos passados da igreja. Sua opiniões 
sobre o milênio provavelmente nunca teriam sido perpetuadas se não se tivessem 
encaixado tão bem no pensamento da época. 
A crescente maré de liberdade intelectual, da ciência e da filosofia, juntamente com o 
humanismo, tinham aumentado o conceito do progresso humano e retratado um belo 
quadro do futuro. A opinião de Whitby da era áurea da igreja era justamente a que o povo 
queria ouvir. Ela se ajustava aos pensamentos da época. Não é estranho que teólogos, 
buscando reajustar-se a um mundo em transformação, encontrassem em Whitby a chave 
para suas necessidades. 
Sua doutrina era atraente para todos os tipos de teologia. Fornecia para os 
conservadores um princípio aparentemente bem mais operacional de interpretação das 
Escrituras. Afinal, os profetas do Antigo Testamento sabiam do que estavam falando 
quando previram uma época de paz e de justiça. O conhecimento crescente do homem 
sobre o mundo e as melhorias científicas que estavam vindo poderiam encaixar-se nesse 
cenário. Por outro lado, o conceito agradou os liberais e céticos. Se eles não acreditavam 
 
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nos profetas, pelo menos acreditavam que o homem era agora capaz de melhorar a si 
mesmo e a seu ambiente. Eles também acreditavam que uma era áurea estava por vir. 
Esses dois grupos para os quais o pós-milenarismo era atraente — os liberais e os 
conservadores— logo desenvolveram dois ensinos diversos. 
Um tipo bíblico de pós-milenarismo, que encontrava seu material nas Escrituras e seu 
poder em Deus; o tipo de teologia evolucionista ou liberal, que baseava suas evidências na 
confiança de que o homem atingiria o progresso por meios naturais. Esses dois sistemas de 
crença amplamente distintos têm uma coisa em comum a idéia do progresso e da solução 
definitiva para as presentes dificuldades. 
 O pós-milenarismo tornou-se a posição escatológica dos teólogos que dominaram o 
pensamento teológico pelos últimos séculos. As características gerais do sistema podem 
ser resumidas desta maneira: 
 O pós-milenarismo baseia-se na interpretação figurada da profecia, que permite 
grande liberdade em encontrar o significado de trechos difíceis — uma amplitude 
hermenêutica refletida na falta de uniformidade da exegese pós-milenarista. As profecias 
do Antigo Testamento relacionadas ao reino de justiça na terra serão cumpridas no reino 
de Deus no período entre os adventos. O reino é espiritual e invisível em vez de material e 
político. O poder divino do reino é o Espírito Santo. O trono no qual Cristo sentará é o 
trono do Pai no céu. O reino de Deus no mundo crescerá rapidamente, mas com ocasiões 
de crise. Todos os meios são usados para apressar o reino de Deus — é o centro da ação 
providencial de Deus. A pregação do evangelho e a divulgação dos princípios cristãos 
particularmente sinalizam o seu progresso. 
 A vinda do Senhor é considerada uma série de acontecimentos. Qualquer 
intervenção providencial de Deus na situação humana é uma vinda do Senhor. A vinda final 
do Senhor é o auge e reside num futuro muito remoto. Não há esperança do retorno do 
Senhor no futuro previsível, certamente não nesta geração. O pós-milenarismo, assim 
como o amilenarismo, acredita que todos os julgamentos finais de homens e anjos são 
essencialmente um único acontecimento que se dará após a ressurreição de todos os 
homens antes do estado eterno. 
 O pós-milenarismo se distingue do pré-milenarismo no que diz respeito ao milênio 
como futuro e posterior à segunda vinda. O pós-milenarismo diferencia-se do 
amilenarismo pelo seu otimismo, por sua confiança em um triunfo máximo do reino de 
Deus no mundo e por seu cumprimento relativo da idéia milenar na terra. Teólogos como 
Hodge encontram cumprimento bastante literal para várias profecias, incluindo a 
conversão e a restauração de Israel como nação. Outros como Snowden acreditam que o 
milênio de Apocalipse 20 se refere ao céu. 
 
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 O pós-milenarismo não é mais um assunto relevante na teologia. A Segunda Guerra 
Mundial levou ao colapso do sistema. Sua queda pode ser atribuída: 
 à própria fraqueza do pós-milenarismo que, baseado no princípio de 
interpretação espiritualista, não era coerente; 
 à tendência ao liberalismo, que o pós-milenarismo não podia enfrentar por 
causa do princípio de interpretação espiritualista; 
 à incapacidade de acomodar os fatos da história; 
 à nova tendência para o realismo na teologia e na filosofia, vista, por exemplo, 
na neoortodoxia, que admite que o homem é pecador e não pode trazer a nova 
era prevista pelo pósmilenarismo e 
 à nova tendência ao amilenarismo, que nasceu do retorno à teologia reformada 
como base da doutrina. O pós-milenarismo não encontra defensores nas 
presentes discussões quiliásticas do mundo teológico. * (* Desde a publicação 
desta obra em inglês, há 40 anos, novas formas de pósmilenarismo têm surgido, 
tanto entre teólogos conservadores quanto entre teólogos liberais. Como 
observou Pentecost, no entanto, elas continuam incapazes de explicar a história 
e de sobreviver a ela (e.g., a teologia da libertação, cuja ferramenta "pós-
milenarista" era a dialética marxista, que entrou em colapso mundial no final da 
década de 1980). 
9.11. A Recente Ascensão do Amilenarismo 
O amilenarismo tem experimentado grande aumento de popularidade nas últimas 
décadas, em boa parte graças ao colapso da posição pósmilenarista, à qual a maioria dos 
teólogos seguia. Já que o amilenarismo depende do mesmo princípio de interpretação 
espiritualista do pós-milenarismo e vê o milênio como uma era entre os adventos, 
antecedendo a segunda vinda, como ocorre no pós-milenarismo, era relativamente 
simples para um pós-milenarista voltar-se para a opinião amilenarista. 
O amilenarismo hoje é dividido em dois campos. 
1. O primeiro, do qual Allis e Berkhof fazem parte, apega-se essencialmente ao 
amilenarismo agostiniano, apesar de admitir a necessidade de aprimoramentos. 
Essa também é, claramente, a opinião da igreja romana. Ele encontra todos os 
cumprimentos das promessas veterotestamentárias concernentes ao reino e suas 
bênçãos no governo de Cristo no trono do Pai sobre a igreja, que está na terra. 
2. O segundo é o ponto de vista defendido por Duesterdieck e Kliefoth e promovido 
nos Estados Unidos por Warfield, que ataca a posição agostiniana de que o reino 
 
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seja terrestre, mas vê o reino como o governo de Deus sobre os santos que estão 
no céu, fazendo dele um reinado celestial. Walvoord resume esse ponto de vista 
da seguinte forma: 
3. Um novo tipo de amilenarismo surgiu, contudo, do qual Warfield pode ser 
tomado como exemplo. Esse é um tipo totalmente novo de amilenarismo. Allis 
atribui a origem desse ponto de vista a Duesterdieck (1859) e Kliefoth (1874) e o 
analisa como uma inversão da teoria agostiniana básica de que Apocalipse 20 era 
a recapitulação da era da igreja. Essa nova questão, ao contrário, segue a linha de 
ensinamento de que o milênio é distinto da era da igreja, apesar de anteceder a 
segunda vinda. 
Para resolver o problema da correlação dessa interpretação com os duros fatos de 
um mundo incrédulo e pecador, eles interpretaram o milênio não como o retrato de um 
período, mas como um estado de bênção dos santos no céu. Warfield, com a ajuda de 
Kliefoth, define o milênio com estas palavras: "A visão, em uma palavra, é uma visão da 
paz daqueles que morreram no Senhor; e essa mensagem nos é transmitida nas palavras 
de 14.13: 'Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor' — passagem 
da qual aquela que analisamos é certamente apenas uma expansão. O quadro que nos é 
apresentado aqui é o do 'estado intermediário' — dos santos de Deus reunidos no céu 
longe do ruído confuso e das vestes cobertas de sangue que caracterizam a guerra na 
terra, a fim de que eles possam aguardar seu fim seguramente". 
Entre os amilenaristas classificados como conservadores, há dois pontos de vista 
principais: 
1. O que encontra cumprimento na presente era na terra com a igreja; 
2. O que encontra cumprimento no céu com os santos. 
O segundo, mais que o primeiro, requer espiritualização não apenas de Apocalipse 
20, mas de todos os muitos trechos do Antigo Testamento que falam da era áurea do reino 
de justiça na terra. 
Uma série de motivos pode ser arrolada para a atual popularidade do sistema 
amilenarista. 
1. E um sistema abrangente, que inclui todas as camadas do pensamento teológico: 
protestantismo liberal, protestantismo conservador e católico romano. 
2. Com exceção do pré-milenarismo, é a teoria quiliástica mais antiga e, 
conseqüentemente, possui a marca da antigüidade. 
3. Tem o selo da ortodoxia, uma vez que foi o sistema adotado pelos reformadores e 
se tornou a base de muitas profissões de fé. 
 
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4. Conforma-se ao eclesiasticismo moderno, com grande ênfase na igreja visível, 
que, para o amilenarista, é o centro de todo o plano de Deus. 
5. Apresenta um sistema escatológico simples, com apenas uma ressurreição, um 
julgamento e muito pouco num plano profético para o futuro. 
6. Ajusta-se prontamente às pressuposições teológicas da chamada "teologia 
pactuai". 
7. Atrai a muitos como uma interpretação "espiritual" das Escrituras em vez de uma 
interpretação literal, esta tratada como "conceito carnal" do milênio. 
Podemos destacar sete perigos do método amilenarista de interpretação. 
1. [...] Ao usar o método de espiritualização das Escrituras, eles as estão 
interpretando por um método que seria extremamente destrutivo para a doutrina 
cristã, se não fosse limitado à escatologia. 
2. Eles não seguem o método de espiritualização em relação à profecia em geral, 
mas apenas quando necessário para negar o pré-milenarismo. 
3. Justificam o método de espiritualização como um meio de eliminar problemas de 
cumprimento profético —o método nasce de uma suposta necessidade, e não 
como um produto natural da exegese. 
4. Não hesitam em usar a espiritualização em outras áreas além da profecia, caso 
isso seja necessário para manter o sistema e a doutrina. 
5. Como ilustrado no modernismo atual, quase totalmente amilenarista, a história 
prova que o princípio da espiritualização se espalha facilmente para todas as áreas 
básicas da verdade teológica [...] 
6. O método amilenarista não fornece uma base sólida para um sistema coerente de 
teologia. O método hermenêutico do amilenarismo tem justificado igualmente o 
Calvinismo conservador, o modernismo liberal e a teologia romana [...] 
7. O amilenarismo não surgiu historicamente do estudo das Escrituras, mas pela 
negligência em relação a elas. 
O efeito do sistema de interpretação amilenarista é agudamente sentido em três 
grandes áreas da doutrina. 
1. Na área da Soteriologia o amilenarismo é culpado do erro de redução comum à 
teologia pactuai, em que um ponto menor é transformado no ponto principal de 
um plano, e assim vê todo o plano de Deus como um plano de redenção, de modo 
de que todas as eras são variações na revelação progressiva da aliança de 
redenção. 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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2. Na área da Eclesiologia eles vêem todos os santos de todos os tempos como 
membros da igreja. Isso deixa escapar as distinções entre os planos de Deus para 
Israel e para a igreja, e exige a negação do ensinamento bíblico de que a igreja é 
um mistério, não revelado até a presente era. Eles vêem o cumprimento de todo 
o plano do reino na igreja, no período entre os adventos, ou então nos santos que 
agora estão no céu. Eles não têm um conceito distinto da igreja como o corpo de 
Cristo, mas a vêem apenas como uma organização. Essa é uma das diferenças 
básicas entre o pré-milenarismo e o amilenarismo. 
3. Na área da Escatologia, embora se rejeitem universalmente as interpretações 
prémilenaristas, há pouco acordo entre os ramos do amilenarismo. O 
amilenarismo liberal nega doutrinas como a ressurreição, o juízo, a segunda vinda, 
o castigo eterno e outros assuntos afins. O amilenarismo romano desenvolveu o 
esquema do purgatório, do limbo e de outras doutrinas nãobíblicas como parte de 
seu sistema. O amilenarismo conservador ainda mantém as doutrinas literais de 
ressurreição, juízo, castigo eterno e temas relacionados. E difícil, portanto, 
sistematizar a escatologia amilenarista. É nesse campo, todavia, que se percebem 
as maiores divergências em relação ao pré-milenarismo e a uma posição bíblica. 
 
9.12. O Ressurgimento do Pré-milenarismo. 
Embora os reformadores não tenham adotado a interpretação pré-milenarista das 
Escrituras, sem exceção retornaram ao método literal, que é a base sobre a qual repousa o 
pré-milenarismo. A aplicação lógica desse método de interpretação logo levou muito dos 
escritores do pós-reforma a essa posição. Peters diz: 
“... estamos endividados para com umas poucas mentes destacadas por terem 
causado o retorno da fé patrística em todas as suas formas essenciais. Entre eles, os 
seguintes se destacam: o profundo estudioso bíblico Joseph Mede (1586-1638), na sua 
ainda celebrada obra Clavis apocalyptica (traduzida para o inglês) e Exposition on Peter; 
Theodore Brightman (1644), Exposition of Daniel and Apocalypse.; J. A. Bengel (teólogo de 
vasto saber, 1687-1752), Exposition of the Apocalypse e Addresses; também os escritos de 
Theodore Goodwin (1679); Charles Daubuz (1730); Piscator (1646); M. F. Roos (1770); 
Alstedius (1643); Cressener (1689); Farmer (1660); Fleming (1708); Hartley (1764); J. J. 
Hess (1774); Homes (1654); Jurieu (1686); Maton (1642); Peterson (1692); Sherwin (1665) 
e outros (como Conrade, Gallus, Brahe, Kett, Broughton, Marten, sir Isaac Newton, 
Whiston etc.)”. 
Da influência desses homens surgiu uma corrente de exegetas e expositores que 
recuperaram a notoriedade do pré-milenarismo nainterpretação bíblica. Peters alista 
 
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cerca de 360 adeptos dessa posição dentre líderes de onze denominações nos Estados 
Unidos, e mais 470 escritores e pastores da Europa que esposaram a causa pré-
milenarista) Dentre eles serão encontrados grandes exegetas e expositores que a igreja 
conheceu, como Bengel, Steir, Alford, Lange, Meyer, Fausset, Keach, Bonar, Ryle, Lillie, 
Macintosh, Newton, Tregelles, Ellicott, Lightfoot, Westcott, Darby, apenas para mencionar 
alguns. 
 A declaração de Alford, a respeito dos intérpretes do Apocalipse desde a Revolução 
Francesa, é pertinente: "A maioria, tanto em número, quanto em perícia e pesquisa, adota 
o advento pré-milenarista, seguindo o sentido simples e inegável do texto sagrado".(Henry 
ALFORD, Greek Testament, n, p. 350) 
Sem dúvida Allis está correto quando diz: “O ensino dispensacionalista de hoje, como 
é representado, por exemplo, pela Bíblia de Scofield, pode ser remetido diretamente ao 
Movimento dos Irmãos, que surgiu na Inglaterra e na Irlanda em 1830. Seus adeptos são 
conhecidos como os Irmãos de Plymouth, porque Plymouth foi o mais forte dos antigos 
centros de assembléias dos Irmãos. Também é chamado darbyismo, graças a John Nelson 
Darby (1800-82), seu representante mais notável.” 
 Os estudos bíblicos promovidos por Darby e seus seguidores popularizaram a 
interpretação pré-milenarista das Escrituras. Essa tem sido disseminada no crescente 
movimento de conferências bíblicas, na propagação de institutos bíblicos, nos muitos 
periódicos dedicados ao estudo da Bíblia, e está intimamente associada a todo o 
movimento teológico conservador nos Estados Unidos hoje. 
Desse modo, a pesquisa histórica revela que a interpretação pré-milenarista, 
unanimemente defendida pela igreja primitiva, foi suplantada mediante a influência do 
método de alegorização de Orígenes pelo amilenarismo agostiniano, que se tornou o 
ponto de vista da igreja romana e continuou a dominar até a Reforma protestante, por 
ocasião da qual o retorno ao método literal de interpretação restaurou a interpretação 
pré-milenarista. Essa interpretação foi desafiada pelo surgimento do pós-milenarismo, que 
começou a tomar forma depois da época de Whitby e continuou presente até seu declínio 
após a Primeira Guerra Mundial. Esse declínio promoveu a ascensão do amilenarismo, que 
agora compete com o pré-milenarismo como método de interpretação da questão 
quiliástica. 
9.13. Observações Importantes 
Não se pode considerar demasiada a importância atribuída à doutrina do segundo 
advento do Senhor Jesus Cristo. Chafer diz: 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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O tema geral concernente ao retorno de Cristo tem a rara distinção de ser a primeira 
profecia pronunciada pelo homem (Jd 14,15) e a última mensagem do Cristo exaltado, bem 
como a última palavra da Bíblia (Ap 22.20,21). Da mesma forma, o tema da segunda vinda 
de Cristo é singular pelo fato de ocupar grande parte do texto das Escrituras, mais que 
qualquer outro tópico, e ser um tema distinto da profecia no Antigo e no Novo 
Testamento. Na verdade, todas as outras profecias contribuem para o grande final do 
cenário completo desse acontecimento — a segunda vinda de Cristo. (CHAFER, op. cit., IV, 
p. 306) 
No que diz respeito à segunda vinda, certos fatos podem ser ressaltados. 
A segunda vinda é pré-milenar. O método literal de interpretar as Escrituras, 
conforme proposto anteriormente, torna inegável a vinda pré-milenar do Senhor. 
A segunda vinda é literal. A fim de cumprir as promessas feitas na Palavra a respeito 
de Sua volta (At 1.11), a vinda de Jesus deve ser literal. Isso requer um retorno corporal de 
Cristo à terra. 
A segunda vinda é inevitável. O grande grupo de profecias que ainda não foram 
cumpridas torna a segunda vinda absolutamente inevitável.(Cf. W. E. BLACKSTONE, Jesus ís 
coming, p. 24-5) Foi prometido que Ele mesmo virá (At 1.11); os mortos ouvirão sua voz (Jo 
5.28); Ele ministrará aos Seus servos vigilantes (Lc 12.37); Ele voltará a este mundo (At 
1.11), ao mesmo monte das Oliveiras, de onde ascendeu (Zc 14.4); virá em chama de fogo 
(2 Ts 1.8), nas nuvens do céu com grande poder e glória (Mt 24.30; l Pe 1.7; 4.13); Ele se 
levantará sobre a terra (Jó 19.25); Seus santos (a igreja) virão com Ele (l Ts 3.13; Jd 14); 
todo o olho O verá (Ap 1.7); Ele destruirá o anticristo (2 Ts 2.8); Ele se assentará no Seu 
trono (Mt 25.31; Ap 5.13); todas as nações serão reunidas perante Ele para serem julgadas 
(Mt 25.32); Ele terá o trono de Davi (Is 9.6,7; Lc 1.32; Ez 21.25-27); esse trono será sobre a 
terra (Jr 23.5,6); Ele terá um reino (Dn 7.13,14) e reinará sobre todos os seus santos (Dn 
7.18-27; Ap 5.10); todos os reis e nações O servirão (Sl 72.11; Is 49.6,7; Ap 15.4); os reinos 
deste mundo se tornarão o Seu reino (Zc 9.10; Ap 11.15); a Ele acorrerão os povos (Gn 
49.10); todo o joelho se dobrará diante Dele (Is 45.23); as nações subirão para adorar o Rei 
(Zc 14.16; Sl 86.9); Ele edificará Sião (Sl 102.16); Seu trono será em Jerusalém (Jr 3.17; Is 
33.20,21); os apóstolos se assentarão em doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel 
(Mt 19.28; Lc 22.28-30); Ele governará todas as nações (Sl 2.8,9; Ap 2.27); Ele reinará em 
juízo e justiça (Sl 9.7); o templo em Jerusalém será reconstruído (Ez 40-48) e a glória do 
Senhor entrará Nele (Ez 43.2-5; 44.4); a glória do Senhor será revelada (Is 40.5); o deserto 
se transformará em pomar (Is 32.15); o deserto florescerá como a rosa (Is 35.1,2) e a glória 
Lhe será morada (Is 11.10). Todo o plano de aliança com Israel, ainda não cumprido, torna 
obrigatória a segunda vinda do Messias à terra. O princípio do cumprimento literal torna o 
retorno de Cristo essencial. 
 
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A segunda vinda será visível. Várias referências bíblicas reforçam o fato de que a 
segunda vinda será uma manifestação do Filho de Deus à terra (At 1.11; Ap 1.7; Mt 24.30). 
Assim como o Filho foi publicamente repudiado e rejeitado, Ele será publicamente 
apresentado por Deus na segunda vinda. Essa vinda estará associada à visível manifestação 
da glória (Mt 16.27; 25.31), pois, no término do juízo e na manifestação da soberania, Deus 
será glorificado (Ap 14.7; 18.1; 19.1). 
9.14. Exortações Práticas Decorrentes da Segunda Vinda 
As Escrituras fazem amplo uso da doutrina da segunda vinda de Cristo como princípio 
de exortação. Ela é usada como exortação à vigilância (Mt 24.42-44; 25.13; Mc 13.32-37; Lc 
12.35-38; Ap 16.15); à sobriedade (lTs 5.2-6; lPe 1.13; 4.7; 5.8); ao arrependimento (At 
3.19-21; Ap 3.3); à fidelidade (Mt 25.19-21; Lc 12.42-44; 19.12,13); a não nos 
envergonharmos de Cristo (Mc 8.38); contra o mundanismo (Mt 16.26,27); à moderação 
(Fp 4.5); à paciência (Hb 10.36,37; Tg 5.7,8); à mortificação da carne (Cl 3.3-5); à 
sinceridade (Fp 1.9,10); à santificação prática (lTs 5.23); à fé ministerial (2Tm 4.1,2); à 
obediência às ordens apostólicas (lTm 6.13,14); à diligência e pureza pastoral (lPe 5.2-4); à 
pureza (lJo 3.2,3); a permanecermos em Cristo (lJo 2.28); a resistirmos às tentações e às 
provações mais severas da fé (lPe 1.7); a suportarmos a perseguição pelo Senhor (lPe 
4.13); à santidade e à piedade (2Pe 3.1113); ao amor fraternal (lTs 3.12,13); a 
conservarmos em mente nossa cidadania celestial (Fp 3.20,21); a amarmos a segunda 
vinda (2Tm 4.7,8); a aguardarmos por Ele (Hb 9.27,28); a confiarmos que Cristo terminará 
Suaobra (Fp 1.6); a mantermos a esperança firme até o final (Ap 2.25; 3.11); a renegarmos 
a impiedade e as paixões mundanas e a vivermos piedosamente (Tt 2.11-13); a estarmos 
alertas por causa da natureza repentina de Sua volta (Lc 17.24-30); a não julgarmos nada 
antes do tempo (1 Co 4.5); à esperança de recompensa (Mt 19.27,28). Ela garante aos 
discípulos um período de alegria (2 Co 1.14; Fp 2.16; lTs 2.19); conforta os apóstolos na 
partida de Cristo (Jo 14.3; At 1.11); é o principal acontecimento aguardado pelo crente (lTs 
1.9,10); é uma coroação de graça e uma segurança de estarmos irrepreensíveis no dia do 
Senhor (1 Co 1.4-8); é a hora de acertar contas com os servos (Mt 25.19); é a hora de juízo 
para os gentios vivos (Mt 25.31-46); é a hora de cumprir o plano de ressurreição dos salvos 
(1 Co 15.23); é a hora da manifestação dos santos (2 Co 5.10; Cl 3.4); é uma fonte de 
consolação (lTs 4.14-18); está associada à tribulação e ao julgamento dos incrédulos (2 Ts 
1.7-9); é proclamada na mesa do Senhor (1 Co 11.26). 
 
 
 
 
 
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10 - A IGREJA APÓS O ARREBATAMENTO 
No capítulo anterior observamos os principais pontos referentes ao arrebatamento, 
neste veremos o que acontecerá com os crentes que agora estão no céu com Jesus. 
Dois eventos aguardam a igreja arrebatada ao céu, o Tribunal de Cristo e as Bodas do 
Cordeiro. Enquanto na terra acontece a grande tribulação a igreja tem um período de 
núpcias com seu noivo. 
10.1. O Tribunal de Cristo 
Porque ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é 
Jesus Cristo. E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, 
pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará; na verdade, o 
Dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de 
cada um. Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão. 
Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como 
pelo fogo. I Co 3:11-15 
Também chamado de Tribunal de Deus em Rm 14:10 (ARA), o tribunal de Cristo será 
o próximo acontecimento para a igreja após o arrebatamento. O texto acima detalha 
como será o Tribunal, porém com este titulo é somente encontrado em Romanos 14:10 
(RC) e II Co 5:10. 
Existem dois termos gregos usados no Novo Testamento para se referir a um tribunal: 
A. kriterion (krithrion): O primeiro nome para tribunal encontrado no novo 
testamento é kriterion (krithrion), que significa: instrumento ou meios usados para julgar 
algo; critério ou regra pela qual alguém julga; 2) lugar onde acontece o julgamento; 
tribunal de um juiz; assento dos juízes; 3) assunto julgado, coisa a ser decidida, processo, 
caso. (Strong). 
Kritérion é usado em I Co 6:2, 4 e Tg 2:6, para se referir julgamento, avaliação para 
possível condenação ou absolvição, este termo, como também o traduzido por Juiz, krites 
(krithv), têm como raiz a palavra krino (krinw) que significa: 
 separar, colocar separadamente, selecionar, escolher; 
 aprovar, estimar, preferir; 
 ser de opinião, julgar, pensar; 
 determinar, resolver, decretar; 
 julgar. 
 
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A conclusão a que chegamos é que nas referências em que são usados estes termos 
acima citados, não podem descrever ou ser utilizados para se referir ao Tribunal de Cristo. 
B. Bema (bhma): este termo é usado em Rm 14:10 e II Co 5:10 para designar o 
tribunal de Cristo, Strong define assim: 
“um degrau, um passo, o espaço que um pé cobre; 2) um lugar elevado no qual se 
sobe por meio de degraus, plataforma, tribuna; assento oficial de um juiz; o lugar de 
julgamento de Cristo; Herodes construiu uma estrutura semelhante a um trono na 
Cesaréia, do qual ele via os jogos e fazia discursos para o povo.” 
Diferente do primeiro, Bema fala do tribunal em si, ou seja, do lugar onde o 
julgamento é feito e não do julgamento propriamente dito, também retrata um lugar de 
honra, uma tribuna de honra. Sale-Harrison ao comentar sobre o bema, diz: 
“Nos Jogos gregos de Atenas, a velha arena tinha uma plataforma elevada na qual na 
qual se assentava o presidente ou juiz da arena. Dela ele recompensava todos os 
competidores; e lá ele recompensava todos os vencedores. Era chamado bema ou 
assento de recompensa. Nunca foi usado em referencia a um assento judicial”. 
Concluímos que o tribunal de Cristo não se trata de um julgamento onde os réus 
correm o risco de serem condenados, mas sim um “grande evento” onde os crentes em 
Jesus receberão suas recompensas. 
Não podemos cair no mesmo erro que os Católicos Romanos, usaram esta passagem 
para criar o ensino sobre purgatório crendo, então, que este é um tribunal de juízo. Ao 
lerem o que Paulo fala a respeito de “salvos como pelo fogo”, dizem que os que não 
fizeram o bem necessário para serem salvos, nem o mal necessário para serem 
condenados, irão para o purgatório esperar um julgamento posterior que poderá lhes dar 
uma segunda chance. Para amenizar sua pena no purgatório e ir mais rápido para o céu, o 
réu pode contar com ajuda dos vivos através de velas, missas, orações, indulgências etc. 
10.2. Como Será o Tribunal de Cristo 
Quando em II Co 5:10 Paulo diz que “todos devemos comparecer” diante deste 
tribunal, e este “comparecer” no grego é phaneroo (fanerow), que significa :tornar 
manifesto ou visível ou conhecido o que estava escondido ou era desconhecido, 
manifestar, seja por palavras, ou ações, ou de qualquer outro modo. (Strong) Isto 
quer dizer muito mais que comparecer, nós seremos manifestos. Cristo revelará 
publicamente a essência de nossas obras, “a obra de cada um se manifestará” (I Co 3:13), 
e isto de maneira individual, um por um. 
De um modo geral divide-se as obras em dois grupos, de acordo com os materiais 
usados por Paulo em I Co 3:12-13: 
 
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 “Se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras 
preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará: na verdade o dia a 
declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada 
um”. 
A. O Grupo das Obras Destrutíveis: Madeira, Feno e Palha. Todos este materiais 
apresentados por Paulo são totalmente destruídos quando lançados ao fogo, e o paralelo 
que ele faz é justamente esse, pois ele mesmo nos diz que “o fogo provará qual seja a 
obra de cada um”.Obras feitas sem a devida sinceridade, praticadas para a própria glória, 
nunca passarão pelo fogo revelador, porém é importante ressaltar que a avaliação do 
tribunal não julgará as obras como sendo boas e más, mas sim como sendo úteis e inúteis, 
também é bom lembrarmos que o propósito central do bema de Cristo não é humilhar ou 
envergonhar os salvos, e sim galardoa-los. 
B. O Grupo das Obras Indestrutíveis: Ouro, Prata e Pedras Preciosas. O fundamento 
do edifício é o próprio Jesus Cristo, e por isso mesmo se deve usar materiais, que condigam 
com este fundamento. Este grupo fala das obras produzidas pela direção do Espírito de 
Deus, feitas com sinceridade e sem nenhuma pretensãode vanglória, o fogo trará a tona o 
que realmente é verdadeiro em nossas obras, e é sobre o que restar, e se restar algo, que 
seremos galardoados. 
Quanto à recompensa, parece-nos sensato pensar que ela será uma coroa, devido a 
representação da igreja pelos 24 anciãos em Ap 4, estes usavam coroas que no grego é 
stephanos, este termo era usado para se referir as coroas ou guirlandas que os vitoriosos 
em jogos olímpicos recebiam como prêmio (I Co 9;24-25). 
10.3. Bodas do Cordeiro 
“Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória, porque vindas são as 
bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou. (...) disse-me: Escreve: Bem-
aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E disse-me: Estas 
são as verdadeiras palavras de Deus.” (Ap 19:7, 9). 
Uma das mais importantes metáforas a respeito da igreja com certeza é a de 
apresenta-la como “noiva”. Existem outras muito usadas e importantes que apresentam 
como “corpo de Cristo” e “rebanho”, porém a metáfora de noiva nos parece ser a mais 
atraente e define melhor o relacionamento entre Cristo e sua igreja. João batista 
apresentou Jesus como o noivo e ele sendo apenas o amigo que se alegrava em ver a sua 
alegria (João 3:29). Paulo também usa a metáfora para falar a respeito da vida conjugal, 
fortalecendo seu ensino com o exemplo de Jesus, que amou sua igreja (noiva) e deu a vida 
por ela (Ef 5:21-29). Nos versículos acima vemos o João, o apóstolo, usando para falar do 
momento da celebração da união de Cristo com sua amada igreja. 
 
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“As bodas do Cordeiro” serão realizadas no céu, já que é lá que a igreja se encontra 
após o arrebatamento, será também após o tribunal de Cristo, e isto pode ser visto pelas 
vestes que a “igreja usa” quando é apresentada ao noivo (Jesus) representando a justiça 
confirmada pela avaliação do tribunal (Ap 19:8). 
Vemos que esta união no céu revela a importância deste evento, pois, para 
um judeu, existem três acontecimentos significativos na vida, que são: o 
nascimento, o casamento e o dia da morte, sendo que dentre todos o casamento é o mais 
importante, já que para um judeu um homem só realmente é considerado como tal, 
quando se casa e forma uma família. Por isso vemos o casamento ser usado com 
abundância no Velho Testamento, falando do relacionamento entre Deus e Israel (Jr 
3:20; Ez 16:32, 45; Os 2:2, 16); no Novo Testamento, Jesus usa para falar sobre a rejeição 
dos judeus ao evangelho (Mt 22:1-14), para alertar quanto à vigilância devido sua futura 
vinda (Mt 25:1-13) entre outros, porque era algo que os Judeus entendiam muito bem e 
sabiam a responsabilidade que era ser noiva, seja esta noiva Israel ou a igreja. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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11 - A GRANDE TRIBULAÇÃO 
A grande tribulação com certeza é o assunto mais discutido na doutrina da 
escatologia bíblica, é também o que apresenta maiores dificuldades de interpretação com 
respeito a acontecimentos e profecias que devem ser cumpridas no período tribulacional; 
portanto devemos ter grande atenção, devido sua importância dentro das Escrituras, 
tanto no Velho quanto no Novo Testamento. 
Como já vimos, a igreja estará isenta de passar por este período de sofrimento nunca 
visto na Terra; enquanto no céu a igreja se regozija com o tribunal de Cristo e com as 
Bodas do Cordeiro, na terra acontece a grande tribulação. 
Devemos saber distinguir os vários tipos de tribulações existentes na Bíblia, 
pois nem todos falam a respeito do período tribulacional. Segundo o Dr.Duffiede e 
Van Cleave, existem nas Escrituras três tipos de tribulação diferentes: 
 Aplicada às provações e perseguições que os cristãos sofrerão através de toda a 
era da igreja como resultado de sua identificação com Cristo (João 16:33) 
 Aplicada a um período especial de tribulação para Israel, profetizado por Daniel 
(Dn 9:24-27) 
 Aplicada à ira final de Deus sobre o anticristo e as nações gentias que o seguem, 
(Ap 6:12-17), chamada de “grande dia da ira deles”. 
11.1. Termos Utilizados Para Tribulação 
Diante dos três aspectos de tribulação apresentados, se faz necessário definirmos os 
termos utilizados nas Escrituras para se referir à tribulação. 
Encontramos quatro substantivos que podem ser traduzidos por tribulação e aflição 
entre outros. 
A. kakopatheia (kakopayeia): sofrimento que procede do mal, aborrecimento, 
angústia, aflição (Strong). Este substantivo é formado de kakos “mau”, e paschõ “sofrer” 
(Vine), foi traduzido por “aflição” em Tg 5:10: “Meus irmãos, tomai por exemplo de 
aflição e paciência os profetas que falaram em nome do Senhor”. Neste caso o 
sentido é de aflições sofridas, sejam angústias, perseguições, aborrecimentos, etc. 
Somente é usado neste versículo, e nunca para se referir à grande tribulação. 
B. kakosis (kakwsiv): opressão, aflição, maltrato. Somente utilizado em Atos 7:34 
“Tenho visto atentamente a aflição do meu povo que está no Egito, e ouvi os seus 
gemidos, e desci a livrá-los. Agora, pois, vem, e enviar-te-ei ao Egito”.Aqui indica os 
maltrates sofrido por Israel enquanto estava cativo no Egito, também nunca é usado para 
indicar a grande tribulação. 
 
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C. pathema (payema): aquilo que alguém sofre ou sofreu externamente; sofrimento, 
infortúnio, calamidade, mal. Aflição dos sofrimentos de Cristo, também as aflições que 
cristãos devem suportar pela mesma causa que Cristo pacientemente sofreu. Este 
substantivo geralmente é usado para descrever sentimentos causados por infortúnios 
externos, seja a perseguição ou qualquer outra circunstância. É utilizado em Rm 7:5; 8:18; 
2 Co 1:5-7; Cl 1:24; 2 Tm 3:11; Hb 2:9-10; 10:32; I Pe 1:11;4:13; 5:1; 5:9. 
Todos os termos descritos falam de sofrimentos diversos, sejam externos ou internos, 
e retratam apenas as aflições numa esfera meramente humana e cotidiana num sentido 
geral, diferente do termo a seguir que é o utilizado para se referir à grande tribulação. 
D. thlipsis (yliqiv): literalmente, ato de prensar, imprensar, pressão; 
metaforicamente: opressão, aflição, tribulação, angústia, dilemas (Strong). Vine define 
como sendo “qualquer coisa que sobrecarrega o espírito”. Thlipsis é derivado de thlibo 
(ylibw) que significa: prensar (como uvas), espremer, pressionar com firmeza; caminho 
comprimido. 
Este é o termo utilizado em Ap 7:14 para se referir à grande tribulação. “E eu disse-
lhe: Senhor, tu sabes. E ele disse-me: Estes são os que vieram de grande tribulação, 
lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro”.Também é usado 
por Jesus em Mt 24:21, numa referência ao período tribulacional: “porque nesse tempo 
haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem 
havido e nem haverá jamais”. 
11.2. O Dia do Senhor 
A doutrina da grande tribulação tem sido discutida em vários ramos da 
escatologia bíblica, seja por milenistas ou amilenistas. Nas Escrituras encontramosnão poucas passagens falando de um período de tempo em que Deus traria juízo sobre 
Israel e os gentios; este período é chamado de grande tribulação. 
Para entendermos melhor este ensino é necessário identificar este período não só no 
Novo Testamento, mas também, e principalmente, no Velho Testamento, já que um dos 
propósitos é trazer os judeus a uma conversão definitiva. 
São fartas a passagens que mencionam o dia do Senhor como também outros nomes 
dados ao mesmo acontecimento, onde a principal idéia é de juízo contra o Israel 
impenitente. Vejamos alguns nomes dados à grande tribulação no Velho Testamento: 
 Isaías 13:9 Eis que o dia do SENHOR vem, horrendo, com furor e ira ardente, para 
pôr a terra em assolação e destruir os pecadores dela. 
 Ezequiel 13:5 Não subistes às brechas, nem reparastes a fenda da casa de Israel, 
para estardes na peleja no dia do SENHOR. 
 
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 Joel 2:1 Tocai a buzina em Sião e clamai em alta voz no monte da minha santidade; 
perturbem-se todos os moradores da terra, porque o dia do SENHOR vem, ele 
está perto. 
 Isaías 10:3 Mas que fareis vós outros no dia da visitação e da assolação que há 
de vir de longe? A quem recorrereis para obter socorro e onde deixareis a vossa 
glória,(...)? 
 Jeremias 46:10 Porque este dia é o dia do Senhor JEOVÁ dos Exércitos, dia de 
vingança para se vingar dos seus adversários; e a espada devorará, e fartar-se-á, 
e embriagar-se-á com o sangue deles; porque o Senhor JEOVÁ dos Exércitos tem 
um sacrifício na terra do Norte, junto ao rio Eufrates. 
 Isaías 13:13 Pelo que farei estremecer os céus; e a terra se moverá do seu lugar, 
por causa do furor do SENHOR dos Exércitos e por causa do dia da sua ardente 
ira. 
 Isaías 17:11 No dia em que as plantares, as cercarás e, pela manhã, farás que a tua 
semente brote; mas a colheita voará no dia da tribulação e das dores 
insofríveis. 
 Ezequiel 7:7 vem a tua sentença, ó habitante da terra. Vem o tempo; chegado é o 
dia da turbação, e não da alegria, sobre os montes. 
O dia do Senhor não se trata literalmente do espaço de vinte e quatro horas, mas sim 
de um período, como em Gn 2:4; Is 22:5 e Hb 3:8. Este período será entre as vindas de 
Jesus, ou seja, o arrebatamento e seu retorno em glória. 
 “Dia” no hebraico, yôm, significa: luz do dia, dia, tempo momento, ano. Como vemos 
seu significado é abrangente, pode significar “luz do dia” como em Gn 8:22: “Enquanto 
durar a terra, não deixará de haver sementeira e ceifa, frio e calor, verão e inverno, 
dia e noite.”; período de vinte quatro horas como em Gn 39:10: “Falando ela a José 
todos os dias, e não lhe dando ele ouvidos, para se deitar com ela e estar com ela,”; 
em Gn 2:17 yôm refere-se a um momento: “mas da árvore do conhecimento do bem e 
do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.”; 
sua forma plural, yãmîm, aparece em Ex13:10, significando ano: “Portanto, guardarás 
esta ordenança no determinado tempo, de ano em ano.” Finalmente yôm com 
referencia a espaço de tempo, encontramos em Gn 2:3 “E abençoou Deus o dia sétimo e 
o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera.” É 
acordo entre a maioria dos teólogos que este sétimo dia não trata de um dia 
literal, mas de um período que vai desde a criação até a vinda de Cristo. 
(Adaptação do dic.Vine). 
 
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No novo Testamento também temos referências ao “dia do Senhor”: 
 1 Ts 5:2 Pois vós mesmos estais inteirados com precisão de que o Dia do Senhor 
vem como ladrão de noite. 
 2 Ts 2:2 A que não vos demovais da vossa mente, com facilidade, nem vos 
perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como se 
procedesse de nós, supondo tenha chegado o Dia do Senhor. 
 2 Pedro 3:10 Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor, no qual os céus 
passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados; 
também a terra e as obras que nela existem serão atingidas. 
Não devemos confundir com o “dia de Cristo”, como está expresso em Filipenses 1:6; 
1:10; 2:16, com o dia do Senhor, este dia refere-se não ao tempo de juízo, e nunca 
está ligado a isso, mas sim, a recompensa que os crentes em Jesus receberão, e isto é 
claramente declarado por Paulo em Filipenses 2:16, onde lemos: “preservando a 
palavra da vida, para que, no Dia de Cristo, eu me glorie de que não corri em vão, 
nem me esforcei inutilmente”. 
Tanto o Velho como o Novo Testamento apresenta o dia do Senhor como tempo de 
juízo, dia cruel, com ira e ardente furor (Is 13:9); dia da vingança (Is 34:8); dia nublado (Ez 
30:3) grande é o Dia (...) e mui terrível! (Jl 2:11); dia de trevas e não de luz (Am 5:18); dia 
da ira (Sf 2:2). No Novo testamento as referencias ao dia do Senhor têm uma ligação 
mais próxima ao advento de Cristo, ou seja, os escritores neotestamentários usavam 
este termo como referencia à volta de Jesus e não diretamente à grande tribulação, 
ainda que um estivesse ligado ao outro. 
A certeza deste “dia” ser de juízo derruba de uma vez por todos os 
argumentos pós-tribulacionistas, que acreditam que a igreja passará por este 
período, como também os amilenistas que não aceitam a existência do “dia do Senhor” 
como um período de extrema tribulação sobre os judeus e gentios. Este período é real e 
futuro. 
A conclusão em que chegamos é que a grande tribulação será um período de 
juízo e sofrimento nunca experimentado pela humanidade. Numa passagem de dupla 
referencia em Mateus, Jesus nos revela a severidade deste tempo “porque nesse tempo 
haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem 
havido e nem haverá jamais” (Mt 24:21). 
11.3. As Setenta Semanas de Daniel 
A duração do período tribulacional tem suas bases em Daniel 9:24-27: 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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“Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade, 
para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a iniqüidade, para 
trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia e para ungir o Santo dos Santos. Sabe 
e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao 
Ungido, ao Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas; as praças e as 
circunvalações se reedificarão, mas em tempos angustiosos. Depois das sessenta e duas 
semanas, será morto o Ungido e já não estará; e o povo de um príncipe que há de vir 
destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será num dilúvio, e até ao fim haverá guerra; 
desolações são determinadas. Ele fará firme aliança com muitos, por uma semana; na 
metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; sobre a asa das 
abominações virá o assolador, até que a destruição, que está determinada, se derrame 
sobre ele.” 
Nesta passagem encontramos um esboço de todo o plano messiânico de Deus 
para Israel, como também seu juízo e dos gentios, no entanto dificuldades surgem 
quando os pontos de vista escatológicos se chocam, ou seja, pré-milenistas 
dispensacionalistas encaram e interpretam esta profecia de maneira que os amilenistas 
ou os contra o dispensacionalismo, chamam de fantasiosa. Antes de observarmos a 
interpretação dispensacionalista,daremos a oportunidade de defesa a uma teoria 
defendida por grande parte de teólogos e professores. A interpretação defendida por 
Edward J. Young, entre outros, diz que toda a profecia já foi cumprida, e isto pode ser 
comprovado por suas próprias palavras. 
Esta notável seção (Dn 9:24-27) declara que um período definido de tempo havia sido 
decretado por Deus para a realização da restauração de Seu povo da escravidão (...) 
Pode-se assim ver que os seis objetivos que seriam realizados são todos 
messiânicos, e pode-se notar que, quando nosso Senhor ascendeu ao céu, cada um 
desses propósitos tinha sido cumprido. 
Young luta bravamente para provar algo impossível. Ao dizer que toda a 
profecia estaria cumprida na ascensão de Cristo parece se esquecer que aspectos 
apresentados no texto, nunca encontraram cumprimento na história de Israel, e isso 
se prova facilmente. Veremos na posição em que nos baseamos e defendemos 
neste livro, a interpretação correta que, além de responder a questões complicadas 
a respeito da escatologia, nos dá a defesa diante de teorias infundadas e o 
entendimento necessário quanto ao texto referido. 
Para se tornar clara a profecia precisamos desmembrá-la de maneira que se veja a 
vontade de Deus revelada ao profeta. 
A. “Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa 
cidade” (v.24). Deus determinou o espaço de setenta semanas sobre o teu povo 
 
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(Judeus) e sobre a tua santa cidade (Jerusalém), para que seis objetivos fossem 
alcançados. A primeira questão que surge é quanto a estas setenta semanas que de 
forma alguma podem ser de dias, mas de anos. A palavra hebraica traduzida por 
“semana” é shãbûa, que literalmente significa “sete”, este substantivo aparece cerca de 
vinte vezes por todo o Velho Testamento. Este “sete” se refere a um período que pode 
ser de dias ou de anos como em Gn 29:27: “Decorrida a semana (sete) desta, dar-te-
emos também a outra, pelo trabalho de mais sete anos que ainda me 
servirás”.(também Lv 25:8 Ez 4:4,5), neste versículo a palavra semana,ou “sete”, refere-se 
a um período de sete anos, como o próprio verso explica. Encontramos na septuaginta, 
(versão grega do Velho Testamento), tendo o mesmo sentido que o apresentado no 
hebraico, ebdomekonta ebdomades, “setenta setes”, devido ser um período de sete dias 
ou anos foi usado “semana” na tradução para melhor compreensão. 
Para chegarmos ao total de anos que Deus determinara multiplicamos as setenta 
semanas por sete que são a quantidade de dias/anos que cada uma tem (70x7), chegando 
ao numero de 490 anos. 
Os seis objetivos mencionados no v. 24, que deveriam ser concluídos nestes 490 anos 
são: 
 cessar a transgressão; 
 dar fim aos pecados; 
 expiar a iniqüidade; 
 trazer a justiça eterna; 
 para selar a visão e a profecia e 
 ungir o Santo dos Santos. 
O próprio Deus nos deu todas as diretrizes necessárias para compreendermos 
seu plano, e isto se vê claramente através da divisão feita em três períodos 
distintos: 1) sete semanas, 2) sessenta e duas semanas e 3) uma semana. Em cada destes 
períodos estão determinados acontecimentos, como o próprio texto explica. 
B. “desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Ungido, 
ao Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas”. Para uma melhor compreensão 
podemos colocar o texto da seguinte forma: “desde a saída da ordem para restaurar e para 
edificar Jerusalém, sete semanas; até ao Ungido, ao Príncipe, sessenta e duas semanas”, 
isto quer dizer que desde a saída pra a reconstrução de Jerusalém foram 49 anos, 
concluídos os 49 anos; conta-se mais 434 anos para então chegarmos ao messias, ao 
príncipe. “Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido”, com isso 
sabemos que as primeiras 69 semanas têm seu fim com a morte do messias; resta-nos 
 
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saber quando foi seu início, pois é fundamental para que Jesus Cristo seja confirmado 
como aquele que cumpriria esta profecia. O texto nos diz “desde a saída da ordem para 
restaurar e para edificar Jerusalém”, temos nas Escrituras três editos que tratam da 
restauração judaica após anos de cativeiro na Babilônia. O primeiro é encontrado em 2Cr 
36:22-23, quando Ciro, rei da Pérsia, decretou a reconstrução do templo em Jerusalém, 
conforme Deus lhe havia ordenado, e agora era confirmado por suas próprias palavras: “O 
SENHOR, Deus dos céus, me deu todos os reinos da terra e me encarregou de lhe 
edificar uma casa em Jerusalém”, a repetição deste mesmo decreto vemos em Ed 1:1- 
3. Outro decreto encontra-se em Ed 6:3-8, onde o rei Dário reafirma o decreto de Ciro. Em 
Ed 7:7 Artaxerxes em seu sétimo ano de reinado, decretou auxílio a Esdras e Neemias 
dando-lhes autoridade, mantimentos, ouro e prata para o Templo. 
É necessário observarmos um detalhe vital em todos estes decretos; eles dizem 
respeito à reconstrução do templo, e não da cidade de Jerusalém, condição esta que 
torna estes decretos incapazes de serem tomados como datas iniciais para se contar o 
período de 69 semanas, pois o v. 25 nos diz que o que marcaria o seu inicio seria uma 
ordem, um decreto para a reconstrução da cidade: “desde a saída da ordem para 
restaurar e para edificar Jerusalém”, e isto nos leva ao decreto de Artaxerxes em Ne 
2:1-8, onde finalmente encontramos a ordem para edificar Jerusalém 
No mês de nisã, no ano vigésimo do rei Artaxerxes,(...) O rei me disse: Por que está 
triste o teu rosto, se não estás doente? (...) Como não me estaria triste o rosto se a 
cidade, onde estão os sepulcros de meus pais, está assolada e tem as portas consumidas 
pelo fogo? (...) Disse-me o rei: Que me pedes agora? (...) peço-te que me envies a Judá, à 
cidade dos sepulcros de meus pais, para que eu a reedifique.(...) Aprouve ao rei enviar-me. 
A data deste decreto torna-se o ponto inicial das 69 semanas. Todas as cronologias 
sérias apontam o ano de 445 a.c. como sendo o vigésimo ano de reinado de Artaxerxes , o 
texto nos revela que este decreto se deu no mês de nisã (também chamado Abib), mês da 
páscoa judaica (em nosso calendário está localizado entre o mês de março e abril). Como 
a profecia diz que a partir desta data seriam contadas as 69 semanas, devemos atentar 
para a data em que Jesus morreu para então confirmarmos se sua morte cumpriu a 
profecia. 
Jesus morreu durante a comemoração da páscoa que se iniciava com a lua nova, que 
no ano 32, de acordo com o calendário gregoriano, teve início dia 11 de março as 19:08h 
(calendário de eventos astronômicos na história), e este horário marca 1:08h do dia 
seguinte no calendário judaico; 12 de março em nosso calendário. 
A tradição demonstra que aquele que estivesse fora da cidade deveria ir comemorar 
a páscoa, chegando pelo menos seis dias antes, sendo assim Jesus chegou dia 6 de março 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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do ano 32 em Jerusalém, provavelmente numa sexta feira. (Outras datas são utilizadas 
para a páscoa do ano 32 d.C. Porém, esta foi utilizada neste trabalho devido ser fruto de 
pesquisa do autor e não uma simples cópia de estudos já escritos. É importante ressaltar 
que a diferença entre as dataspropostas é mínima). Concluindo assim, podemos calcular 
da seguinte maneira: 69 semanas multiplicados por 7 anos de 360 dias (quantidade de dias 
dos anos bíblicos), chegamos a 173 880 dias. Isto nos revela um intervalo de 476 anos e 
alguns dias, multiplicando esses anos por 365 dias de acordo com o calendário 
gregoriano, somando a isso 119 dias dos anos bissextos chegamos a 173 859, apenas 
faltando 21 dias para que a soma seja redonda. Se levarmos em conta que não sabemos o 
dia correto do mês em que foi feito o decreto em 445 Ac., e que pode haver falha de 
alguns dias nos cálculos, chegamos a um resultado muito satisfatório que prova que a 
morte de Jesus ocorreu após o fim das 69 (7+62) semanas como predito por Daniel 
“Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido e já não estará”. Para se 
provar o contrário é necessário negar não só a narrativa Bíblica como também a história 
secular. 
C. “para a fazer cessar transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a 
iniqüidade, para trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia e para ungir o 
Santo dos Santos”. Já foi dito que Deus designou seis acontecimentos, e estes 
deveriam ser concluídos durante as setenta semanas. Com a morte de Jesus, os três 
primeiros cessar transgressão, dar fim aos pecados e expiar a iniqüidade, foram cumpridos 
por Cristo através de sua morte vicária, um problema aparece quando percebemos que os 
Judeus, como nação, não se beneficiaram disto, necessitando então do período 
tribulacional para que Deus venha a tratar com Israel de maneira que se apropriem de um 
bem já oferecido por Deus, ou seja o sacrifício necessário para perdão de seus pecados. Os 
três últimos tratam do reinado do messias, que obviamente será no milênio, e isto pode 
ser visto claramente quando lemos “para trazer a justiça eterna”, o reinado messiânico 
daria fim à validade das Escrituras, pois o próprio Deus habitará com os seus, e para 
concluir quando o lugar santíssimo no templo milenial for ungido, a glória de Deus 
habitará em meio a seu povo, tendo Jesus assentado em seu trono. 
D. “Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido e já não estará; e o 
povo de um príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário, (...) Ele fará firme 
aliança com muitos, por uma semana”. Passadas as 69 semanas, resta-nos uma. Os 
versículos 26 e 27, falam desta última semana. O que estaremos focalizando agora 
será apenas concernente ao período destes sete anos e não o que, em detalhes 
acontecerá nele, isto veremos quando for oportuno. 
Uma questão bastante debatida é a que se refere ao suposto espaço que existe entre 
as 69 e a ultima semana, e é suma importância analisarmos este ponto, pois só assim 
 
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poderemos ir adiante no estudo da grande tribulação. Uma conclusão que se tem 
defendido, conforme já foi dito, é que todo o período das setenta semanas já foi 
concluído, no entanto percebemos que isto não é possível. 
Este espaço entre as 69 semanas e a ultima, torna o assunto discutível, pois os 
defensores de que todo o período das setenta semanas já foi cumprido não aceitam este 
intervalo nem como suposição. Veremos que este espaço não é algo novo, mas as 
Escrituras estão repletas de profecias que dentro de seu cumprimento existem intervalos, 
também, alguns pontos que exigem um intervalo entre os períodos. 
 Intervalo em Is 61:2 “... a apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da vingança 
do nosso Deus...”. Entre o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança, temos um 
intervalo de quase dois mil anos, que é a dispensação da igreja. 
 Os apóstolos demonstram que existe um intervalo entre a inclusão dos gentios no 
plano da salvação e o cumprimento das profecias referentes a Israel. “Cumpridas 
estas coisas, voltarei e reedificarei o tabernáculo caído de Davi; e, levantando-o de 
suas ruínas, restaurá-lo-ei”. (At 15:13-21) 
 Se não houvesse um intervalo entre a sexagésima nona e a septuagésima semana, 
Jesus já deveria ter retornado já que todo o período de setenta semanas foi 
concluído sete anos após sua morte. 
 No próprio texto, se observarmos cuidadosamente perceberemos um intervalo 
entre o v.26 e o 27, pois o primeiro diz: E, depois das sessenta e duas semanas, 
será tirado o Messias e não será mais; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá 
a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá 
guerra; estão determinadas assolações. Vemos que o texto apresenta duas 
seqüências de fatos, 1) após a morte do messias “o povo do príncipe” destruirá 
Jerusalém e o templo e o fim deste será como uma inundação, 2) “e até ao fim” 
haveria guerras, e terrores estariam determinados.A primeira seqüência está 
ligada a morte do Messias, porém a segunda funciona como um parêntese, 
um intervalo entre a destruição de Jerusalém e do templo e a septuagésima 
semana, isto se pode ver por se tratar de um espaço de tempo que se iniciou após 
os primeiros fatos, resumindo, após a destruição determinada, seria iniciado um 
período de guerras e desolações sobre Israel, e este tempo perduraria até que 
fosse firmado um acordo de (falsa) paz entre Israel e as nações, que 
supostamente duraria uma semana, mas... “na metade da semana, fará cessar o 
sacrifício e a oferta de manjares; e sobre a asa das abominações virá o assolador” 
Com certeza os motivos apresentados são suficientes para deixar claro que realmente 
existe este intervalo, e mais, ele é necessário para que a profecia tenha coerência com o 
plano de Deus estabelecido no v.24. 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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E. “E ele firmará um concerto com muitos por uma semana; e, na metade da semana, 
fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; e sobre a asa das abominações virá o 
assolador”. Uma segunda questão a ser observada, é quanto ao início da septuagésima 
semana, e isto pode ser claramente visto no próprio texto, pois este fala de um “príncipe 
que há de vir” e este quando firmar este acordo de paz com Israel estará inaugurada a 
grande tribulação. Temos, na verdade, um sinal gritante que marcará seu inicio, que é o 
arrebatamento da igreja. 
Fica concluído, então que a septuagésima semana de Daniel é futura, tendo 
como base este intervalo entre a sexagésima nona semana e a septuagésima, e os 
fatos concernentes à profecia que aguardam seu cumprimento. Outro aspecto que fica 
claro é que a grande tribulação terá um período literal e definido, de sete anos. 
11.4. O Propósito da Grande Tribulação 
Já foi discutido anteriormente o caráter da grande tribulação e observamos que Deus 
estabeleceu um tempo de aflição nunca vista pela humanidade, porém isto tem 
propósitos específicos, e é o que veremos agora. 
A. Purificar os Judeus para receberem a Jesus como Messias. Deus havia prometido a 
Israel, através de alianças, que daria bênçãos eternas, o fato é que este tempo dependeria 
de um outro tempo. Ezequiel 20:33- 38 encontramos o resumo do plano de Deus para 
Israel: 
“Vivo eu, diz o Senhor JEOVÁ, que, com mão forte, e com braço estendido, e com 
indignação derramada, hei de reinar sobre vós; e vos tirarei dentre os povos e vos 
congregarei das terras nas quais andais espalhados, com mão forte, e com braço 
estendido, e com indignação derramada. E vos levarei ao deserto dos povos e ali entrarei 
em juízo convosco face a face. Como entrei em juízo com vossos pais, no deserto da terra 
doEgito, assim entrarei em juízo convosco, diz o Senhor JEOVÁ. E vos farei passar debaixo 
da vara e vos farei entrar no vínculo do concerto; e separarei dentre vós os rebeldes e os 
que prevaricaram contra mim; da terra das suas peregrinações os tirarei, mas à terra de 
Israel não voltarão; e sabereis que eu sou o SENHOR.” 
Após séculos de exílio profetizados antecipadamente neste texto, Israel retornou a 
sua terra e aguarda agora, justamente este tempo, o tempo em que Deus diz: “entrarei 
em juízo convosco face a face”, e mais, “farei entrar no vínculo do concerto; e separarei 
dentre vós os rebeldes e os que prevaricaram contra mim;”. Aqui vemos a natureza do 
“dia do Senhor” discutido anteriormente. Neste tempo haverá a preparação necessária 
para que a nação de Israel se converta ao Senhor. 
B. Julgar a nações gentílicas. Toda infidelidade e descrença serão julgadas na grande 
tribulação, os judeus receberão o tratamento devido, como também os infiéis e suas 
 
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nações. Jesus relata em Ap 3:10 um tempo de “provação que há de vir sobre os 
moradores da terra”, entendemos aqui que um juízo sobre a humanidade está 
previsto, Paulo aos tessalonicenses diz que “por isso, Deus lhes enviará a operação do 
erro, para que creiam a mentira, para que sejam julgados todos os que não creram 
a verdade; antes, tiveram prazer na iniqüidade.” (2Ts 2:11-12). Durante o governo do 
anticristo as nações o apoiarão e serão influenciadas por ele. Os gentios afrontaram a 
Deus “pisarão a Cidade Santa por quarenta e dois meses”.(Ap 11:2); ao serem mortas a 
duas testemunhas enviadas por Deus “povos, e tribos, e línguas, e nações verão 
seu corpo morto (...) não permitirão que o seu corpo morto seja posto em 
sepulcros”.(Ap 11:9); as nações se deliciaram com o pecado, “as nações beberam do 
vinho da ira da sua prostituição”, como também seus governantes, “Os reis da terra se 
prostituíram” (Ap 18:3); rebelaram-se contra Deus praticando tudo o que ele 
abomina “porque todas as nações foram enganadas pelas tuas feitiçarias.”(Ap 
18:23); sendo merecedores da fúria do rei dos reis, “da sua boca saía uma aguda 
espada, para ferir com ela as nações”(Ap 19:15). 
11.5. A Estrutura da Grande Tribulação 
Já sabemos que a grande tribulação é a septuagésima semana de Daniel, e que este 
período é de sete anos. O que veremos agora é quanto à sua estrutura, ou seja, como 
será seu desenrolar quanto ao tempo. Observe o gráfico abaixo, e em seguida serão dadas 
a s devidas explicações. 
Com o estabelecimento do acordo de paz entre o anticristo e Israel, inicia-se a grande 
tribulação. A igreja já foi arrebatada, restando na terra os gentios e os Judeus. No meio da 
semana, segundo Daniel, o anticristo “fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; e 
sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação”, este fato 
fará com que, a partir da metade da semana, ou seja, após os primeiros três anos e meio, 
se dê inicio ao período descrito em Daniel 7:25 “E proferirá palavras contra o 
Altíssimo, e destruirá os santos do Altíssimo, e cuidará em mudar os tempos e a lei; e 
eles serão entregues nas suas mãos por um tempo, e tempos, e metade de um 
tempo”. Este mesmo período é mencionado em Ap 11:2 e 13:5 como 42 meses; também 
aparece como 1260 dias em Ap 11:3 e 12:6, todos tratam do mesmo espaço de tempo 
como também do mesmo período. Em Daniel observamos que ele apresenta os três anos 
e meio finais da grande tribulação como: um tempo (um ano), e tempos (dois anos), e 
metade de um tempo (meio ano).1260 dias, correspondem a 42 meses de 30 dias cada. 
Após os sete anos de grande tribulação, Jesus retornará novamente para julgar os 
inimigos de Israel, inclusive satanás, o anticristo e o falso profeta. 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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Concluímos então, que o período tribulacional durará sete anos, porém tendo duas 
fazes, a primeira está em torno de uma falsa paz determinada através de um acordo 
entre o anticristo e Israel; com o rompimento deste, desencadeia-se um ataque violento 
contra Israel e todos moradores da terra, que termina com a volta gloriosa de Jesus 
Cristo. O fato de o período tribulacional ter duas fazes, não dá margem para que se ensine 
que somente os últimos três anos meio sejam a grande tribulação, se assim fosse, não 
existiria a septuagésima semana, mas sim, meia semana de Daniel. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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12 - A BESTA 
O anticristo, depois de Jesus, é a figura mais marcante do período tribulacional. O seu 
título denuncia seu caráter e suas intenções. 
Anticristo vem do grego antichristos, e seu sentido é óbvio, adversário de Cristo ou 
contra Cristo. Alguns escritores apresentam este título como sendo de alguém que quer 
se passar pelo Cristo e não necessariamente contra ele, talvez esteja em mente o uso 
paralelo de “antipapa”, que se refere a alguém que se intitula papa mesmo não sendo 
reconhecido pela igreja romana e na história são vários os exemplos a esse respeito. A 
questão é que neste caso isto não pode ser admitido, pois todos os textos que o 
apresentam falando de sua postura, atitudes e intenções, sempre estão voltadas à 
destruição de Cristo e seus propósitos, se assim fosse Jesus ou outro escritor 
neotestamentário o intitularia de pseudocristo, como em Mateus 24:24. 
O termo anticristo é emprestado de 1ª João 2:18, 22; 4:3 e 2ª João 7 à primeira besta 
de Apocalipse 13, porque este termo define muito bem seu caráter e propósito, e esta é a 
única relação que existe entre os dois. No livro de Apocalipse a besta nunca é chamada de 
anticristo, porém nada impede que a chamemos desta maneira, já que de uma maneira 
ou outra ele é um anticristo. 
12.1. Seu Reino e Sua Chegada ao Poder 
 “E eu pus-me sobre a areia do mar e vi subir do mar uma besta que tinha sete 
cabeças e dez chifres, e, sobre os chifres, dez diademas, e, sobre as cabeças, um 
nome de blasfêmia”.(Ap 13:1). 
A Bíblia traz com abundancia textos que se referem à pessoa do anticristo. Ap 
13:1 relata seu surgimento, e o fato de ser do mar pode ser forte indicação que 
será um gentio (Ap 17:15). Um governo mundial será criado, e é através deste sistema 
político que ele vai governar o mundo. Veremos em alguns pontos como será esta 
escalada do anticristo ao poder. 
A. A Estátua de Nabucodonosor. Em Daniel capítulo 2, vemos a interpretação dada 
por Deus a Daniel, do sonho que o rei havia tido, neste era apresentada uma estátua, “A 
cabeça era de fino ouro, o peito e os braços, de prata, o ventre e os quadris, de 
bronze; as pernas, de ferro, os pés, em parte, de ferro, em parte, de barro”. (Dn 2:32-
33). 
 Cada uma destas partes representa um império, como segue: 
 Cabeça de ouro: império Babilônico 
 Peito e braços de prata: império Medo-Persa 
 
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 Ventre e quadris de bronze: império grego 
 Pernas de ferro, e pés parte ferro, parte barro: império Romano. 
Cada império representado teve seu fim, sendo seguido pela ordem apresentada na 
estátua. 
Daniel nos versos 41-44, faz uma observação referente ao ultimo império, o 
Romano, segundo Daniel, o fato de serem duas pernas com dois pés indicam que 
seria um reino divido, o que realmente aconteceu em 395 d.C. Ainda é mencionada a 
questão mais importante a respeito deste último, o fato de ter pés que eram parte ferro e 
parte barro, e é o próprio profeta que nos dá a explicação referente a esta mistura “Como 
os artelhos dos pés eram, em parte, de ferro e, em parte, de barro, assim, por uma 
parte, o reino será forte e, por outra, será frágil”. 
Procuremos agora entender que relação tem este texto com o anticristo. A 
interpretação dada por Deus a Daniel revela que o império Romano seria dividido, e que 
este mesmo império surgiria numa forma diferente, representada pelos dez dedos, 
estes representam dez reis que formariam uma confederação. Daniel fala desta junção 
dizendo que “misturar-se-ão mediante casamento, mas não se ligarão um ao outro, 
assim como o ferro não se mistura com o barro.” Isto representa um governo unido 
por um acordo, permanecendo porém a individualidade de cada um, e isto só é possível 
com um líder para fazer com que a confederação não se dissolva por falta de um 
mediador. Um fato muito importante acerca destes dez reis e deste líder nos o 
encontramos em Ap 17:12-13 “Os dez chifres que viste são dez reis (...) Têm estes um 
só pensamento e oferecem à besta o poder e a autoridade que possuem”, Aqui vemos 
que estes dez reis entregarão a liderança desta confederação a um homem, a besta. Esta é 
a forma de governo que será estabelecido no fim dos tempos, um império saído do 
antigo, não um outro, mas o mesmo sob um novo aspecto. 
O fim deste império também é declarado por Deus, “Mas, nos dias destes reis, o 
Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído; (...) como viste que 
do monte foi cortada uma pedra, sem auxílio de mãos, e ela esmiuçou o ferro, o 
bronze, o barro, a prata e o ouro.” (vs. 44-45).Quando esta confederação estiver em 
pleno poder, o próprio Deus vai intervir. A pedra cortada e lançada contra as forças hostis 
é o próprio Jesus Cristo que vem destruí- los e inaugurar o “reino que jamais será 
destruído”. O milênio. 
B. A visão dos quatro animais. Esta surpreendente visão no capítulo 7, revela o 
mesmo simbolismo já representado na estátua, porém é ainda mais clara quanto aos 
acontecimentos relacionados a esta ultima forma do império Romano. 
 
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Daniel vê quatro animais (v. 3), e assim como cada parte da estátua simbolizava um 
império, também cada animal representa os mesmos impérios, vejamos a apresentação 
feita por Daniel: 
 “O primeiro era como leão e tinha asas de águia; enquanto eu olhava, foram-lhe 
arrancadas as asas, foi levantado da terra e posto em dois pés, como homem; e 
lhe foi dada mente de homem.”: Império Babilônico 
 “o segundo animal, semelhante a um urso, o qual se levantou sobre um dos seus 
lados; na boca, entre os dentes, trazia três costelas”: Império Medo-Persa 
 “e eis aqui outro, semelhante a um leopardo, e tinha nas costas quatro asas de 
ave; tinha também este animal quatro cabeças”: Império Grego 
 “o quarto animal, terrível, espantoso e sobremodo forte, o qual tinha grandes 
dentes de ferro; (...) e tinha dez chifres.”: Império romano 
Os atributos de cada animal têm total relação com as características de cada 
império, porém o que nos interessa neste estudo é o quarto animal, símbolo do 
império Romano. Daniel se interessa em particular por este último (v.19), e vê algumas 
características neste animal que distingue ele dos outros e o torna terrível, era um 
animal: 
 muito forte; 
 tinha grandes dentes de ferro; 
 unhas de metal; 
 devorava e destruía tudo que estava em seu caminho; 
 tinha dez chifres; 
 do meio destes dez chifres surge um menor com olhos; 
 este surgimento causa a queda de outros três. 
Aqui temos uma simbologia diferente para o mesmo assunto retratado na estátua do 
capítulo 2. Este quarto animal, com seus atributos, ele representa o império Romano (v. 
23), e segundo a revelação dada ao profeta, estes dez chifres representam os mesmos reis 
simbolizados pelos dez dedos da estátua (v. 24), a diferença é que nesta visão, lhe é 
mostrado o surgimento de um “chifre menor”, este representando o líder da confederação 
de dez reinos, que em sua ascensão derrubará três reis (v. 20). 
O caráter maligno do anticristo é mencionado no texto “tinha olhos e uma boca 
que falava com insolência (...) e eis que este chifre fazia guerra contra os santos” (v. 
20-21), como também suas atitudes profanas, “Proferirá palavras contra o Altíssimo” (v. 
25). Todo o período de ataque do anticristo durará três anos e meio (um tempo, dois 
 
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tempos e metade de um tempo), que serão a segunda parte da grande tribulação. Após o 
tempo ser cumprido, virá o “Ancião de dias”, que é a mesma pedra que destrói a estátua; 
Jesus Cristo. Destruirá este império e instituirá seu reino (v. 22). 
C. A besta que emergiu do mar. Outro texto magnífico das Escrituras que vem 
confirmar as revelações dadas a Daniel sobre a besta e seu governo se encontra em Ap 
13:1-10. Faremos um breve estudo do texto para entender esta revelação que vem num 
processo de desenvolvimento dentro das Escrituras, ou seja, na estátua foram dadas 
algumas informações, a visão dos quatro animais soma alguns dados não encontrados na 
estátua, como também este texto de Apocalipse que, mesmo tendo menos versículos, 
contém mais informações sobre a besta que todos os outros, ainda assim precisaremos 
recorrer a Ap. 17 onde são revelados os símbolos mencionados no cap. 13. Vejamos as 
informações que contém neste texto. 
“Vi emergir do mar uma besta que tinha dez chifres e sete cabeças e, sobre os 
chifres, dez diademas e, sobre as cabeças, nomes de blasfêmia”. (Ap. 13:1) 
“Vi emergir do mar uma besta”. Muitos estudiosos do assunto afirmam, por esta 
informação, que o anticristo será um gentio, já que o mar freqüentemente simboliza as 
nações (Ap 17:15) 
“Tinha dez chifres (...) e, sobre os chifres, dez diademas”. Ap 17:12-13 
esclarece: “Os dez chifres que viste são dez reis, os quais ainda não receberam reino”. 
Assim como os dedos da estátua e como os chifres do animal terrível. Estes reis 
receberão sua autoridade no tempo designado por Deus para que todo seu plano seja 
estabelecido. O fato de terem diademas sobre os chifres demonstra essa futura 
autoridade, pois diadema significa, de um modo geral, ornamento real para a cabeça, 
coroa. 
Uma característica importante aqui revelada, se refere a duração deste governo: 
“recebem autoridade como reis, com a besta, durante uma hora”; este período de 
domínio será muito curto. O v. 13 nos informa que devido serem uma confederação “Têm 
estes um só pensamento”, e isto faz com que elejam um líder “e oferecem à besta o 
poder e a autoridade que possuem”... Esta escolha obviamente está ligada à permissão 
de Deus já que seu propósito é completar seu plano com Israel e os gentios. 
“E sete cabeças (...) e, sobre as cabeças, nomes de blasfêmia”. O fato de o 
anticristo ter sete cabeças é porque ele está relacionado a sete governos“As sete cabeças 
são sete montes, (...). E são também sete reis: cinco já caíram, e um existe; outro 
ainda não é vindo; e, quando vier, convém que dure um pouco de tempo”.(Ap 17:9-
10). Os sete montes se referem a Roma; chamada “a cidade das sete colinas” . Os 
sete reis e seus respectivos reinos são representados pelas sete cabeças, são 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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objetos de controvérsia entre os especialistas em escatologia; alguns entendem como 
sendo fazes do império Romano, no entanto a visão dispensacionalista crê que os cinco 
reis que “já caíram” representam os impérios que dominaram o mundo, que são: 1) 
Egípcio, 2) Assírio, 3) Babilônico, 4) Medo-Persa e o 5) Grego. O que “existe” no tempo de 
João é o Romano, e o que é futuro é justamente sob o qual o anticristo reinará. Uma 
observação interessante é quanto à descrição feita por João, onde são demonstradas 
características de suas atitudes enquanto governo “A besta que vi era semelhante a 
leopardo, com pés como de urso e boca como de leão” (comparar com Dn. 7:3-6) com 
isso o anticristo parece representar uma confluência dos impérios já existentes que, com 
seu poder, assolaram o mundo. 
“E deu-lhe o dragão o seu poder, o seu trono e grande autoridade”. O dragão é 
Satanás (Ap 12:9) e este dará poder e autoridade á besta. Paulo diz que seu aparecimento 
é segundo a “energeia”, ou seja, seu trabalhar, sua força sobrenatural, isto demonstra 
que o anticristo tem sua origem em satanás, sua habilidade política vem das trevas (Dn 
8:25), sua prosperidade é de procedência maligna (Dn 11:36), e toda esta relação com 
satanás o constituirá inimigo de Deus, “abriu a boca em blasfêmias contra Deus, para 
lhe difamar o nome e difamar o tabernáculo, a saber, os que habitam no céu” (Ap 
13:6). Mais uma vez é indicado o período em que a besta governará, que é de quarenta e 
dois meses (Ap 13:5), ou 1260 dias (Ap 12:6). Dominará o mundo e perseguirá todo aquele 
que se recusar a adorá-lo uma vez que são servos de Deus (Ap 13:7-8), perseguirá Israel e 
este será preservado pelo próprio Deus (Ap 12:6). 
Nunca o mundo teve um governo desta maneira como também um líder desta 
conjuntura, por mais que se tente associar estas profecias a qualquer fase da história será 
um esforço sem êxito, agora, quando olhamos para o quadro Europeu atual vemos todo o 
sistema governamental sendo preparado para o surgimento de um líder. Esta União 
Européia é: 
Organização supranacional européia dedicada a incrementar a integração econômica 
e a reforçar a cooperação entre seus estados-membros. A União Européia (UE) nasceu 
no dia 1º de novembro de 1993, quando os doze membros da Comunidade 
Européia (CE) — Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Grã-Bretanha, Grécia, Irlanda, 
Itália, Luxemburgo, Holanda, Portugal e Espanha — ratificaram o tratado da União 
Européia (Enciclopédia Microsoft® Encarta®). 
Algo relevante é o fato destes paises fazerem parte do mesmo território que o antigo 
império Romano, e isto demonstra que a possibilidade da união Européia ser a 
confederação que dará ao anticristo o poder de governar é muito grande, quase impossível 
de ser de outra maneira. Características como uma só língua, uma só moeda, livre 
comércio, conselho unificado etc... são idênticos ao sistema Romano antigo. 
 
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12.2. O Detentor 
E, agora, sabeis o que o detém, para que ele seja revelado somente em ocasião 
própria. Com efeito, o mistério da iniqüidade já opera e aguarda somente que seja 
afastado aquele que agora o detém; (2 Ts 2:6-7) 
Eis aqui uma questão muito importante, que é referente à identidade deste “que 
detém” a manifestação do anticristo, é certo que existem alguns problemas a respeito 
desta identidade, mas buscaremos soluciona-los. 
Uma das teorias bastante aceita é a de que o império Romano era o que impedia o 
surgimento do anticristo, para F.F. Bruce, não poderia ser de outra maneira quando 
escreve: 
O apóstolo é intencionalmente vago quando escreve sobre o assunto, (...) Isto apóia a 
interpretação de o Império Romano ser o agente retentor, (...) Paulo tinha razão em 
mostrar-se constantemente grato pela proteção das autoridades imperiais, que reprimiam 
as forças mais hostis ao evangelho. Quando essa proteção fosse retirada, as forças do 
anticristo poderiam exercer, livremente, a sua própria vontade. 
Para isto se baseiam na questão de Paulo se preocupar em ser discreto, não 
mencionado a identidade do detentor, o que parece ser uma grande contradição, 
pois, já que ele se sentia grato ao império, porque não menciona-los como sendo seus 
“amigos”, tornando o relacionamento entre igreja e Roma mais próximo ainda? A questão 
é que este relacionamento nunca existiu. 
Outra teoria aponta a igreja como sendo “aquele que detém”, o que também não 
pode ser possível devido à natureza da igreja, pois esta é apenas habitação do Espírito de 
Deus, embora seja o meio que Deus usa para deter as forças espirituais malignas, não pode 
ser a detentora já que é passível de acusação. 
Neste caso é necessário um detentor que seja um ser espiritual, tenha poder 
infinito, seja inculpável e possua autoridade suprema, e tudo isto só encontramos 
na trindade, e devido ser algo que impede a manifestação terrena do anticristo concluímos 
que o Espírito Santo é o único que pode atender a estes requisitos, já que Ele foi enviado 
para habitar no crente em Jesus, sendo a força vital da igreja, ou seja, é o próprio Deus na 
terra, morando conosco e em nós e impedindo que o anticristo venha a se manifestar 
antes da hora definida por Deus. E isto só não parece razoável como é a única possibilidade 
que consegue explicar de maneira coerente à questão “deste que detém”. 
Sendo o Espírito Santo o detentor fica ainda mais confirmado o arrebatamento antes 
da grande tribulação, é onde está a explicação de tudo, pois sendo a igreja seu templo 
será retirada juntamente com “aquele que detém”, deixando o caminho livre para que se 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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manifeste o “iníquo”, e não permitindo que a igreja redimida sofra com o terror de sua 
ira. 
12.3. O Fim do Acordo de Paz 
Nos primeiros três anos meio de governo do anticristo, sabemos que haverá um 
acordo que introduzirá no mundo uma paz aparente, porém Daniel diz que “na metade 
da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; sobre a asa das 
abominações virá o assolador, até que a destruição, que está determinada, se 
derrame sobre ele” (Dn 9:27). O versículo nos diz que devido este rompimento, a besta 
cessará todos os sacrifícios judaicos que haviam retornado com o acordo de paz, agora 
tendo sido desfeito, ele se revela como o terrível assolador, que com toda a fúria busca 
destruir Israel. 
Em Apocalipse 12 temos um retrato da fúria de satanás contra Israel na segunda 
metade da grande tribulação, por isso se faz necessário observarmos alguns pontos do 
texto. 
O texto fala de uma mulher (v. 1) e esta não pode ser outra coisa a não ser um 
símbolo que representa Israel, alguns interpretam como sendo Maria mãe de Jesus, 
outros como sendo a igreja, porém nenhuma das duas merece atenção pois estão 
totalmente fora de cogitação, e para que houvesse algum paralelo, teríamos que 
espiritualizar o textodemasiadamente. A interpretação de que a mulher é símbolo de 
Israel torna-se clara, pois vemos que: 1) ela está vestida sol, símbolo sempre ligado a 
Israel (Ml 4:2); 2) tem uma coroa de doze estrelas na cabeça, numero que além de 
simbolizar as doze tribos, simboliza governo. Estas estrelas não poderiam ser ligadas aos 
apóstolos, pois estes foram mais que doze. 3) A mulher grávida (v. 2) não poderia ser a 
igreja, já que não foi a igreja quem concebeu a Jesus, mas Jesus concebeu a igreja, 
também não pode ser Maria, porque os fatos descritos no v. 6 e 14 nunca aconteceram a 
ela. 4) o v. 17 indica fortemente se tratar de Israel, pois vendo que não conseguiu destruir 
a Jesus se voltou contra a nação. Tanto Maria quanto à igreja não se enquadram neste 
versículo, a não ser que o texto fosse violentamente alegorizado. Por tudo isto fica claro 
que neste caso João está falando de Israel e a luta de satanás para destruir aquele que 
nasceria para governar o mundo (v. 5). 
Do v. 7 ao 9 vemos o motivo da fúria de satanás. Alguns interpretam estes 
versículos com sendo uma tentativa de Satanás em subir ao céu para contender 
com Deus, os midi tribulacionistas acham que se trata de uma luta para impedir o 
arrebatamento da igreja, há quem diga que se trata de uma tentativa em subir ao céu 
para impedir o nascimento de Jesus. Ao que parece nenhuma das conjecturas serve 
para explicar o texto. Existe ainda uma interpretação que coloca o texto como sendo a 
queda de Lúcifer o motivo do ódio pela nação que Deus escolheu para revelar o messias ao 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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mundo; torna-los sacerdotes messiânicos e fundar seu reino teocrático; fúria esta que 
acontece de maneira terrível a partir da segunda metade do período tribulacional (esta 
parece ser a menos improvável). Todo o capítulo 12 tem a intenção de mostrar a crescente 
perseguição de satanás a Israel tendo o seu momento máximo na segunda metade da 
grande tribulação (v. 10-18). E para isto faz surgir um instrumento, um messias (Ap 
13:1-10) pelo qual derramará sua ira após o rompimento do acordo instituído com 
Israel. 
12.4. A Berta Que Surgiu da Terra 
“E vi subir da terra outra besta, e tinha dois chifres semelhantes aos de um 
cordeiro; e falava como o dragão” (Ap 13:11) 
A primeira besta tem um aliado, este é conhecido como o falso profeta, (Ap 19:20 e 
20:10) este caráter religioso pode ser visto pelos seus “dois chifres semelhantes aos de 
um cordeiro”, cordeiro sempre está ligado a algo religioso, neste caso, poder religioso. 
Outro ponto interessante é que ele surge da terra, e assim como o mar simboliza as 
nações, a “terra” simboliza Israel, portanto o falso profeta será um judeu. 
A segunda besta tornará obrigatório o culto ao anticristo “e faz que a terra e os que 
nela habitam adorem a primeira besta” (v. 12), e fará uma imagem de escultura deste, 
para que todos adorem (v. 14), com seu poder satânico dará vida à estátua e todo aquele 
que não prestar culto á besta será morto (v. 15). Será instituído um sinal, “E faz que a 
todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na 
mão direita ou na testa”, (v. 16), sem este sinal ninguém poderá comprar, vender 
etc...(v. 17), o número é 666. Este número parece personificar o anticristo, ou seja, satanás 
em sua tentativa de ser deus enviará seu messias, e assim como o número 7 indica 
perfeição o 6 indica imperfeição, digamos que se Deus tivesse um numero seria 
777, qualquer tentativa de sê-lo seria imperfeita, 666. 
Se pensássemos nesta marca a pouco mais de cinqüenta anos, não admitiríamos 
outra possibilidade a não ser que ela seria feita com um ferro em brasa, e assim como um 
animal é marcado seriamos também. Logo depois veio a possibilidade de se tratar do 
código de barras, mas esta já foi substituída pelo biochip, que pode ser até menor que um 
grão de arroz e conter todas as informações que forem necessárias. De qualquer forma, o 
falso profeta instituirá este sistema como sendo obrigatório a todos não por força, mas 
por persuasão. Seu fim será o mesmo que o do anticristo (Ap 19:20). 
 
 
 
 
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13 - A INVASÃO NA PALESTINA 
Já sabemos que a grande tribulação será um período de juízo contra Israel, e que o 
propósito de Deus para esta nação é que se convertam ao Senhor e o sirvam com 
sinceridade. Para isto meios serão utilizados, e um deles é uma invasão de confederações a 
Terra Santa. 
O que iremos estudar neste capítulo está relacionado à confederação que invadirá 
Israel durante o período tribulacional, é bom deixar claro que estes conflitos não são 
especificamente a guerra do Armagedom, esta acontecerá no fim da grande tribulação, 
marcando o momento da vinda gloriosa de Jesus para inaugurar seu reino messiânico. 
13.1. Os Inimigos do Norte 
Para sabermos quem são estes inimigos buscaremos no livro do profeta Ezequiel, que 
nos capítulos 38 e 39, falam a respeito de uma confederação de vários reinos que se 
juntarão sob uma liderança para invadir o território de Israel, afim de destruí-lo. 
No cap 38:1-6, são mencionadas as nações que se juntarão para formarem 
esta confederação. Todas estas estarão sob o comando de um líder, chamado 
Gogue. Vejamos o texto. 
Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Filho do homem, volve o rosto contra 
Gogue, da terra de Magogue, príncipe de Rôs, de Meseque e Tubal; profetiza contra ele 
e dize: Assim diz o SENHOR Deus: Eis que eu sou contra ti, ó Gogue, príncipe de Rôs, de 
Meseque e Tubal. Far-te-ei que te volvas, porei anzóis no teu queixo e te levarei a ti e 
todo o teu exército, cavalos e cavaleiros, todos vestidos de armamento completo, grande 
multidão, com pavês e escudo, empunhando todos a espada; persas e etíopes e Pute 
com eles, todos com escudo e capacete; Gômer e todas as suas tropas; a casa de 
Togarma, do lado do Norte, e todas as suas tropas, muitos povos contigo. (Em itálico 
estão os nomes das nações que se unirão.) 
Para conhecermos os detalhes sobre a invasão, precisaremos, anteriormente, 
identificar que são atualmente estes paises, a começar pelo líder desta confederação. 
A. Gogue príncipe de Magogue. Gogue será o líder das forças do norte, este não se 
trata de Gogue filho de Semaías, mas um nome simbólico. O que realmente nos importa é 
quanto a sua terra, e esta é chamada Magogue, formada por Rôs, Meseque e Tubal. 
Magogue é o segundo filho de Jafé, neto de Noé (Gn 10:2), com a distribuição das 
terras, cada um dos filhos de Noé juntamente com suas famílias, povoaram cada região 
da terra. Magogue, foi para a região da Caucásia, esta que é uma: 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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 Região que se localiza no extremo sudeste da Europa, entre o mar Negro e o mar 
Cáspio, divide-se em duas regiões pela cordilheira do Cáucaso. A zona norte, 
situada no interior da Federação Russa e conhecida como Cáucaso,(...) A parte 
mais meridional e extensa, Transcaucásia,(...). Essa região compreende a Geórgia,Armênia e o Azerbaijão. 
A Caucásia é conhecida como o “berço da raça branca”, portanto, Magogue é a raiz 
dos Caucasóides, que é uma classificação, em termos de raças humanas, aos povos de 
pele, olhos e cabelos claros. 
Desde a antiguidade estes povos eram chamados de citas. Flávio Josefo, 
historiador do século I, identifica os descendentes de Jafé como sendo a origem dos 
Citas, Gregos e Romanos (é claro que estes povos se dividiram e hoje compreendem até 
certo ponto, os latinos). Josefo indica Magogue como o pai da raça Cita “Magogue 
fundou a (colônia) dos Magogianos a que eles (os gregos) chamam de citas” (Primeiro 
livro Cap 6:18). A Enciclopédia Encarta define assim os Citas: 
 Cita, nome dado pelos escritores gregos clássicos a um grupo de tribos nômades 
que ocuparam a Europa central e a Ásia durante o século VIII a.C. 
 Esta denominação abrange os habitantes da zona de Cítia, ao norte do mar Negro, 
entre os Cárpatos e o rio Don, no que são atualmente a Moldávia, a Ucrânia, o 
leste da Rússia, e todas as tribos nômades que habitaram as estepes entre a 
Hungria e as montanhas do Turquestão. 
Gogue é o príncipe desta região, que é formada a, principio, por três territórios, Rôs, 
Meseque e Tubal. 
Ao iniciarmos o reconhecimento de cada um deles nos deparamos com um problema 
que é o fato de muitas versões omitirem o território de “Rôs”, traduzindo este termo por 
“chefe”, portanto se faz necessário averiguarmos essa tradução antes de continuarmos. 
Rôs vem da palavra hebraica ro’sh (var), e significa: cabeça, topo, cume, parte 
superior, chefe, total, soma, altura, fronte, começo (Strong). De um modo geral é 
traduzido por cabeça em seu sentido literal (Gn 3:15; 40:16), outra vezes é traduzido por 
cume ou topo de um monte, torre ou escada (Nm 14:40; Gn 11:4; gn 28:12), também é 
traduzida por capitão no sentido de chefe (Nm 14:4; Ex 6:14). Seu sentido é 
abrangente. No texto de Ezequiel 38:2, várias traduções empregam a Ro’sh, o sentido 
de chefe “Gogue, terra de Magogue, príncipe e chefe de Meseque e de Tubal,” (RC), a 
tradução na linguagem de Hoje diz “Gogue, o principal governador das nações de 
Meseque e Tubal, na terra de Magogue.”. 
Estas traduções estariam corretas se, neste caso, “ro’sh” fosse um substantivo, 
assim como é apresentado em outras referências, no entanto o contexto do 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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versículo como também a oração em hebraico não permitem que seja dessa forma, 
obrigando “ro’sh” a ser um nome próprio. Isso pode ser visto através de seu precedente, 
nasiy’ que significa: pessoa elevada, chefe, príncipe, capitão, líder; ou seja, Ro’sh quando 
usado no sentido de chefe, príncipe ou capitão, torna-se sinônimo de nasiy’, o que 
torna ro’sh, enquanto substantivo, totalmente desnecessário, até porque príncipe no 
hebraico tem sentido completo e suficiente para qualificar Gogue como príncipe, 
chefe, líder etc. O fato de ro’sh ser seguido Meseque e Tubal, torna mais 
convincente sua tradução como nome próprio que como algumas Bíblias apresentam. A 
Septuaginta (versão grega do Velho Testamento Séc.III a.C.) traduz ro’sh como nome 
próprio, pois a oração em grego não permite ser de outra maneira, já que príncipe no 
grego archon, tem o mesmo significado que no hebraico. 
Algo que marca ro’sh como sendo a “cidade cabeça ou chefe”, pode ser o fato dela 
ser um tipo de capital ou metrópole da terra de Magogue. De qualquer maneira este 
nome pode ser, inicialmente um adjetivo que veio a ser definitivamente um nome próprio 
da “cidade”. 
Resolvido este problema, nos resta saber quem são, atualmente estas cidades. O que 
sabemos a respeito da terra de Magogue é que fica na região da Rússia e adjacências. 
Desde o século XVI , os intérpretes da palavra de Deus ligam Rôs à Rússia, e esta 
interpretação tem permanecido firme e sustentável até hoje. 
Meseque é a segunda “cidade” que faz parte do território magogiano. Este 
nome veio de Meshek (Kvm), (transliterado para o português como Meseque) sexto 
filho de Jafé. 
A descendência de Jafé, como já visto, foi a que deu origem aos citas, como 
também outros povos daquela região, dessa forma, Meseque é considerado como o 
que deu origem aos russos. 
A descendência de Meseque se dirigiu à região que fica entre o mar Negro e 
o Cáspio, e ali foram chamados de “Moschi”. Mais tarde, durante o período de 
domínio Babilônico e Persa na Ásia ocidental, boa parte deles cruzaram o Cáucaso, 
espalhando-se pela região mais ao Norte, onde foram conhecidos como “Muscovs”, 
uma forma primitiva de Moscou, atual capital Russa. Em inscrições assírias são 
mencionados como “Muski”. 
Tubal, irmão de Meseque, quinto filho de Jafé. Tubal sempre é visto, nas 
Escrituras, juntamente com Meseque (Gn 10:2; 1 Cr 1:5;), ambos eram mercadores 
de escravos; sua fama era de serem um povo cruel que traziam destruição onde passavam 
(Ez 27:13; 32:26), o que vem confirmar o motivo da ira de Deus contra eles. 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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Tubal é mencionado em documentos assírios como sendo os “Tibareni”, o historiador 
grego, Heródoto (484?-425 a.C.), também dá o mesmo nome aos descendentes de Tubal. 
Este povo vivia também na região do Cáucaso, e hoje seu nome é Tobolsk, cidade 
Siberiana, que é a parte oriental da região asiática Russa. 
Concluímos que a terra de Magogue trata-se do território, hoje conhecido como 
Federação Russa. Meseque é Moscou e Tubal é Tobolsk. 
B. Os Aliados de Gogue. Por mais breve que pretendamos ser neste estudo, é 
necessário um esforço em identificar quem são estes aliados que juntamente com a 
Rússia invadirão Israel na grande tribulação, portanto conheceremos quem são para 
podermos iniciar nossa pesquisa. 
Ez 38:5-6 relaciona os aliados dessa forma: Persas, etíopes, Pute, Gômer e a casa de 
Togarma. 
A região Pérsia foi resumida ao território do atual Irã, e isto pode ser observado 
facilmente em qualquer livro de história. 
Os etíopes são os descendentes de Cuxe, primeiro filho de Cam e neto de Noé. Alguns 
historiadores não vêem os etíopes mencionados por Ezequiel como sendo os mesmos da 
atual África, isto não se deve ao fato de ser uma região impossibilitada de ter um exército 
com condições de guerra de grande proporção, mas sim a uma questão de evidência 
histórica. Foram descobertas inscrições assírias que apresentam um povo com 
características semelhantes aos descendentes de Cuxe que habitaram mais ao norte da 
Arábia (a Etiópia da África fica ao sul da Arábia), chamados Cassitas, estes parecem 
representar melhor, devido a posição geográfica, os etíopes mencionados por Ezequiel. 
O terceiro aliado é apresentado como Pute, esta nação leva o nome do terceiro filho 
de Cam , também de fácil identificação, é a atual Líbia. Josefo no século primeiro 
escreveu “Pute (...) povoou a Líbia e chamou a estes povos Puteenses”. Alguns 
historiadores colocam Pute como sendo outro povo que habitava nas cercanias da 
Pérsia (atual Irã). 
Gômer, quarto do grupo, primeiro filho de Jafé, irmão de Magogue, Tubal e 
Meseque. É indicado categoricamente como o que originou os Cimerios e os Celtas. 
Ambos eram povos arianos que viviam em sistema nômade; no século VIIa.C. foram para a 
região da Ásia Menor, de onde foram expulsos. A maior parterumou para o norte, 
mais precisamente para a região da atual Alemanha, o que confirma a indicação 
encontrada no Tamulde judeu, onde os descendentes de Gomer são chamados de 
“Germanis”. Alguns historiadores reconhecem Gomer como sendo a Capadócia, atual 
Turquia; isto parece difícil devido não haver ligação étnica entre os povos Celtas e os 
atuais turcos. 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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O quinto poder confederado é chamado de “casa de Togarma”. Togarma era o filho 
mais velho de Gômer; é reconhecido, por um consenso majoritário que se trata da atual 
Armênia. 
A Bíblia ainda nos revela que estes terão consigo “muitos povos”; não podemos 
identifica-los, mas sabemos que muitas nações têm interesse na região da Palestina e por 
isso se unirão na intenção de conquista-la. Um ponto relevante está em que todos este 
paises já combateram de forma direta ou indireta contra Israel. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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AULA 
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14 - O PERÍODO MILENIAL 
14.1. O Governo no Milênio 
 As Escrituras têm muitas informações a respeito do governo teocrático, visto que o 
governo administrado pelo Rei é a própria manifestação da autoridade que Deus busca 
restabelecer. 
O governo será uma teocracia. Depois de tudo o que foi apresentado anteriormente, 
é desnecessário reafirmar o fato de que o governo será uma teocracia. Peters, escrevendo 
sobre essa forma de governo, comenta: “... muitos autores [...] esforçam-se por fazer da 
teocracia uma república, mas a teocracia, por natureza, não é uma república. Embora não 
seja uma monarquia no sentido aludido por Samuel, ou seja, de origem puramente 
humana, é uma monarquia em sentido mais amplo. Não se trata de república, pois os 
poderes legislativo, executivo e judiciário não são potencialmente confiados ao povo, mas 
a Deus, o Rei; ela ainda contém os elementos de uma monarquia e de uma república — 
monarquia porque a soberania absoluta é confiada a um grande Rei, ao qual todo o resto 
se subordina, mas república porque contém o elemento republicano de preservar os 
direitos de todos os indivíduos, do mais humilde ao mais elevado... Em outras palavras, por 
meio de uma feliz combinação, uma monarquia sob divina direção, conseqüentemente 
infalível, traz as bênçãos que resultariam de um governo republicano ideal bem dirigido, o 
qual nunca poderia existir em virtude da perversão e do desvio do homem.” (G. N. H. 
PETERS, Theocratic kingdom, i, p. 221.) 
 Essa teocracia deve ser vista não como um luxo, mas como uma necessidade 
absoluta. Isso Peters demonstra de modo conclusivo: “relação que o homem e esta terra 
mantêm com o Deus Altíssimo requer que a honra e a majestade de Deus demandem o 
estabelecimento de uma teocracia na terra, na qual a raça se submeta a um governo 
honrável tanto para com Deus quanto para com o homem.” 
Na criação Deus determinou essa forma de governo pela desobediência o homem 
perdeu o domínio que Deus exerceria sobre a terra. 
Deus resolveu restaurar o domínio na Pessoa de Jesus, o Segundo Adão. 
Deus — para indicar que forma de governo esse domínio assumiria quando 
restaurado, para testar a presente capacidade do homem para ela, e para fazer certas 
provisões indispensáveis para o futuro — estabeleceu a teocracia. O homem, dada a sua 
pecaminosidade, foi desqualificado para a ordem teocrática, logo, foi retirado. 
Deus prometeu que no futuro a restauraria. Essa teocracia é a forma preferida de 
Deus para o governo e, se não for restaurada, sua proposta de governo torna-se um 
fracasso. Deus enviou Seu Filho para prover a salvação. Essa salvação, em sua consecução 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
121 
definitiva, está ligada à futura vinda do reino para assegurar o estabelecimento 
permanente da teocracia no futuro, Deus prepara um grupo de governantes para se 
associarem com "o Cristo", até que a teocracia seja estabelecida, a raça humana não é 
levada à sujeição a Deus, por mais gloriosa que seja essa dispensação em seu desígnio, a 
redenção permanece incompleta e assim continuará até que o Messias restaure a 
teocracia quando a teocracia for restabelecida, sob a liderança de Cristo e dos Seus santos, 
a própria raça será sujeitada a Deus — uma província revoltada será trazida de volta à sua 
lealdade e bênção original a teocracia é a forma de governo mais admiravelmente 
adaptada para assegurar esse resultado uma teocracia, por natureza um governo visível, 
deve demonstrar visivelmente a soberania e a redenção completa perante os olhos do 
mundo, a fim de que — como convém a Deus e como acontece no próprio céu — seja 
reconhecida publicamente o relacionamento pessoal de Deus com Adão no paraíso, com a 
teocracia estabelecida no passado, com o homem em Jesus e por meio dele na primeira 
vinda, assegura um relacionamento pessoal especial e contínuo num trono e reino 
restaurado... que exibe Sua supremacia da maneira mais tangível e satisfatória, e a 
recuperação de um povo e raça rebelde, bem como a manifestação do cumprimento da 
vontade de Deus tanto na terra quanto no céu, incluindo um relacionamento pessoal 
mediante Aquele que é "o Filho do Homem...". 
O Messias é Rei no milênio. As Escrituras deixam claro que o governo do milênio está 
sob o Messias, o Senhor Jesus Cristo (Is 2.2-4; 9.3-7; 11.1-10; 16.5; 24.21-23; 31.4-32.2; 
42.17,13; 49.1-7; 51.4,5; 60.12; Dn 2.44; 7.15-28; Ob 17-21; Mq 4.1-8; 5.2-5,15; Sf 3.9-
10,18,19; Zc 9.10-15; 14.16,17). Sua autoridade real é universal. Essa posição é dada por 
nomeação divina. O salmista registra a palavra de Jeová: "Eu, porém, constituí o meu Rei 
sobre o meu santo monte Sião" (Sl 2.6). 
Essa entrega do reino ao Filho do Homem pelo Pai é clara e explicitamente ensinada 
nessa aliança. Portanto, em consonância, temos a linguagem de Daniel 7.13,14; Isaías 49; 
Lucas 22.29 e 1.32 etc. A soberania divina assegura o reino a Ele. 
Daniel (7.14) diz que "foi-lhe [o Filho do Homem] dado domínio, e glória, e o reino" 
etc. Lucas (1.32) "Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi" etc. [...] O próprio Salvador 
parece referir-se a esse acontecimento na parábola das dez minas (Lc 19.15): "Quando ele 
voltou, depois de haver tomado posse do reino", entrega do reino pelo Pai ao Filho do 
Homem mostra [...] que esse reino é algo muito diferente da soberania divina exercida 
universalmente por Deus. O reino é um desenvolvimento dessa soberania divina, que será 
exibida por meio do reino, sendo constituída sob forma teocrática, em cuja forma inicial foi 
separada no governo de duas pessoas (i.e., Deus e Davi), mas é agora auspiciosamente 
unida — tornando-se então eficaz, irresistível e eterna — em um, i.e., "o Cristo". 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
122 
O registro do Novo Testamento comprova firmemente o direito de Cristo assumir o 
reino de Davi. Girdlestone escreve: 
“As genealogias contidas em Mateus 1 e em Lucas 3 demonstram de modo suficiente, 
e em bases independentes, que José era da linhagem de Davi; e tornam provável,se não 
certo, que, se o trono de Davi fosse restabelecido, José seria a pessoa cuja cabeça seria 
coroada. Assim ele é chamado Filho de Davi em Mateus 1.20 e em Lucas 1.27. Também fica 
claro em Mateus 1 e em Lucas 1 que José não era literalmente o pai de Jesus, apesar de 
Maria ser literalmente sua mãe. José, contudo, atuou como seu pai. A criança nasceu sob a 
proteção de José e cresceu sob a sua guarda [...] José adotou Jesus como filho. Ele é 
chamado em Lucas 3.23 pai reconhecido [...] Não se sabe com certeza a que tribo Maria 
pertencia; mas seu parentesco com Isabel não a impede de ser da tribo de Judá, já que 
casamentos entre as tribos de Judá e de Levi são registrados desde o tempo de Arão. As 
palavras em Lucas 1.32, "Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai", são 
incoerentes com qualquer outra opinião a não ser a de que Maria era da linhagem de Davi, 
e nenhuma dificuldade nesse assunto parece ter ocorrido à mente dela [...] Os 
evangelistas, contudo, nunca discutem a genealogia de Maria. Eles consideram o suficiente 
estabelecer a linhagem de José (cf. At 2.30; 13.22,23,33; Hb 7.14; Rm 1.3; Ap 5.5; 22.16). 
Somos levados à conclusão de que a posição do nosso Senhor como Filho de Davi foi 
estabelecida, humanamente falando, pela ação de José em adotá-lo, e não pela 
possibilidade de Maria ser descendente de Davi. A sucessão da linhagem real não se devia 
de fato ao nascimento, mas a uma designação.(R. B. GIRDLESTONE, The grammar of 
prophecy, p. 73-5) 
14.2. Davi é o Regente no Milênio 
Existem várias referências que estabelecem a regência de Davi no milênio (Is 55.3,4; 
Jr 30.9; 33.15,17,20,21; Ez 34.23,24; 37.24,25; Os 3.5; Am 9.11). Não há dúvida de que o 
Senhor Jesus Cristo reinará no reino teocrático terreno em virtude de ter nascido na 
linhagem de Davi e de possuir os direitos reais e legais ao trono (Mt 1.1; Lc 1.32,33). A 
questão em jogo nos trechos citados é se o Senhor Jesus Cristo exercerá governo sobre a 
Palestina direta ou indiretamente por meio de um regente. Existem várias respostas a essa 
questão, a qual é fundamental no tratamento do governo milenar. 
A. A primeira resposta é que o termo Davi é usado tipologicamente, em referência a 
Cristo. Ironside apresenta essa opinião quando diz: “Não entendo que isso signifique que o 
próprio Davi será ressuscitado e habitará na terra como rei [...] a implicação é que Aquele 
que foi o Filho de Davi, o próprio Senhor Jesus Cristo, será o Rei e, dessa maneira, o trono 
de Davi será restabelecido.” (Harry A. IRONSIDE, Ezekiel the prophet, p. 262.). 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
123 
Essa opinião baseia-se no fato de que muitas passagens proféticas prevêem que 
Cristo sentará no trono de Davi e por isso se presume que qualquer referência ao governo 
se aplica a Cristo, e o nome de Cristo está intimamente associado ao de Davi na Palavra, de 
modo que Ele é chamado Filho de Davi e se afirma que Ele se assentará no trono de Davi. 
As objeções a essa opinião surgem do fato de que Cristo nunca é chamado de Davi 
nas Escrituras. Ele é chamado Renovo de Davi (Jr 23.5), Filho de Davi (15 vezes), 
Descendência de Davi (Jo 7.42; Rm 1.3; 2Tm 2.8), Raiz de Davi (Ap 5.5) e Raiz e Geração de 
Davi (Ap 22.16), mas nunca Davi. 
O título "meu servo, Davi" é usado repetitivamente para o Davi histórico. 
Em Oséias 3.5; Ezequiel 37.21-25; 34.24; Jeremias 30.9 e Isaías 55.4, Jeová é 
claramente diferenciado de Davi. Se Davi fosse uma referência tipológica a Cristo nessas 
passagens, nenhuma distinção poderia ser feita, nem precisaria ser tão cuidadosamente 
estabelecida. 
Existem declarações concernentes a esse príncipe que impedem a aplicação do título 
a Cristo. Em Ezequiel 45.22, diz-se que o príncipe oferece a si mesmo uma oferta de 
pecado. 
Mesmo se esses forem sacrifícios memoriais, como será mostrado, Cristo não poderia 
oferecer um sacrifício por Seus próprios pecados, visto que Ele não tinha pecado. Em 
Ezequiel 46.2 o príncipe está comprometido com atos de adoração. Cristo recebe adoração 
no milênio, mas não se envolve com atos de adoração. Em Ezequiel 46.16 o príncipe tem 
filhos e divide a herança com eles. Isso não poderia acontecer com Cristo. Por esses 
motivos parece que o príncipe referido como Davi não poderia ser Cristo. 
B. A segunda resposta é que Davi se refere a um filho literal de Davi que se assentará 
no trono de Davi. Essa opinião reconhece que Cristo não poderia fazer tudo o que é 
declarado a respeito do príncipe e defende que isso será cumprido por um descendente 
físico de Davi. Parece, também, por uma comparação cuidadosa dessa passagem com a 
última parte da profecia de Ezequiel, que um descendente físico de Davi (chamado "o 
príncipe") exercerá a regência na terra sobre a nação restaurada, sob a autoridade dAquele 
cuja cidade-sede será a nova e celestial Jerusalém. (Harry A. IRONSIDE, Notes on the minor 
prophets, p. 33) 
 As referências em Jeremias 33.15,17,20,21 indicariam que se espera a vinda de um 
filho para assumir o cargo. 
Existem várias objeções a essa opinião. Nenhum judeu é capaz de remontar sua 
linhagem familiar depois da destruição de Jerusalém. Ottman escreve: 
Qualquer que seja a crença tradicional de um judeu sobre sua família e sua tribo, 
nenhum homem pode levantar provas documentais legítimas de que pertence à tribo de 
 
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Judá e à linhagem de Davi, sendo o herdeiro legal do trono de Davi. Logo, o único homem 
vivo que hoje pode apresentar uma genealogia intacta é Jesus de Nazaré, nascido Rei dos 
Judeus, crucificado Rei dos Judeus, que voltará como Rei dos Judeus. (Ford C. OTIMAN, 
God's oath, p. 74) 
Se outro deve vir depois de Cristo, deve-se dizer que Cristo não seria o cumprimento 
completo das promessas de Davi. 3) A interpretação literal demandaria que o nome Davi 
significasse o que a palavra implica em seu uso normal. 
C. A terceira interpretação defende que Davi significa o Davi histórico, que vem reger 
após sua ressurreição na segunda vinda de Cristo. Newell defende esse ponto de vista 
quando diz: “Não devemos permitir que nossa mente se confunda quanto a essa situação. 
Devemos acreditar nas simples palavras de Deus. Davi não é o Filho de Davi. Cristo, como 
Filho de Davi, será Rei; e Davi, seu pai segundo a carne, será o príncipe, durante o milênio.” 
(William R. NEWELL, The revelation, p. 323) 
Existem várias considerações que apóiam essa interpretação. 
 Ela é a mais coerente com o princípio literal de interpretação. 
 Somente Davi poderia ser regente no milênio sem violar as profecias 
concernentes ao reinado de Davi. 
 Os santos ressurrectos terão posições de responsabilidade no milênio como 
recompensa (Mt 19.28; Lc 19.12-27). Davi pode ser designado para assumir tal 
responsabilidade já que ele era "homem segundo o coração de Deus". 
 Concluir-se-ia que, no governo do milênio, Davi será nomeado regente sobre a 
Palestina e governará sobre a terra como príncipe, ministrando sob a autoridade 
de Jesus Cristo, o Rei. O príncipe poderá então conduzir a adoração, oferecer 
sacrifícios, dividir entre sua descendência fiel a terra a ele designada, sem violar 
sua posição obtida pela ressurreição. 
D. Nobres e governadores reinarão sob Davi. Na era milenar, Jesus Cristo será o "Rei 
dos Reis e Senhor dos Senhores" (Ap 19.16). Como tal, Ele é soberano sobre um grande 
número de governantes subordinados. Sob Davi, a Palestina será governada por esses 
indivíduos. 
O seu príncipe procederá deles, do meio deles sairá o que há de reinar... (Jr 30.21). 
Eis aí está que reinará um rei com justiça,e em retidão governarão príncipes [Is 32.1]. 
“... os meus príncipes nunca mais oprimirão o meu povo; antes, distribuirão a terra à 
casa de Israel, segundo as suas tribos. Assim diz o SENHOR Deus: Basta, ó príncipes de 
Israel; afastai a violência e a opressão e praticai juízo e justiça: tirai as vossas 
desapropriações do meu povo, diz o SENHOR Deus.” (Ez 45.8,9). 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
125 
O Novo Testamento revela que a autoridade sobre as doze tribos de Israel será 
confiada às mãos dos doze discípulos. 
“... vós, os que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do homem se assentar 
no trono da sua glória, também vos assentareis em doze tronos para julgar as doze tribos 
de Israel.” (Mt 19.28). 
Isso indicaria que, sob Davi, haverá muitos governadores subordinados, os quais 
exercerão o poder teocrático e administrarão o governo do milênio. 
Muitas autoridades menores governarão. Haverá ainda uma subdivisão menor de 
autoridade na administração do governo. A parábola em Lucas 19.12-28 mostra que essa 
autoridade será atribuída a indivíduos sobre dez cidades e cinco cidades no reino. Eles 
evidentemente prestarão contas ao líder da tribo, que, por sua vez, subordina-se a Davi, 
que se subordina ao próprio Rei. Tais posições de autoridade são concedidas como 
recompensa pela fidelidade. O Antigo Testamento previu isso: 
“Eis que o SENHOR Deus virá com poder, e o seu braço dominará; eis que o seu 
galardão está com ele, e diante dele, a sua recompensa.” (Is 40.10). “Assim diz o SENHOR 
dos Exércitos: Se andares nos meus caminhos, e observares os meus preceitos, também tu 
julgarás a minha casa e guardarás os meus átrios, e te darei livre acesso entre estes que 
aqui se encontram.” (Zc 3.7). 
Os que forem levados para o milênio "reinarão com ele por mil anos". Prevê-se que 
esses ofícios de autoridade serão dados como recompensa. 
 Serão levantados juizes. Como os juizes do Antigo Testamento eram apontados 
divinamente e eram representantes por meio dos quais se administrava o reino teocrático, 
também os que governarão no milênio terão a mesma caracterização dos juizes, a fim de 
que se evidencie que sua autoridade é uma demonstração do poder teocrático. (Zc 3.7; Is 
1.26). 
14.3. A Natureza do Reino Milenial 
Várias características do reino são mencionadas nas Escrituras. 
Será um reinado universal. A autoridade delegada de Cristo, passando por Davi e daí 
aos doze até os governadores das cidades, como esboçado acima, diz respeito à Palestina. 
Já que Cristo será "Rei dos Reis e Senhor dos Senhores", esta mesma delegação de 
autoridade também ocorrerá em outras porções da terra. Não haverá parte da terra que 
não experimente a autoridade do Rei (Dn 2.35; 7.14,27; Mq 4.1,2; Zc 9.10). 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
126 
 Foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de 
todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu 
reino jamais será destruído. 
O reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao 
povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será reino eterno, e todos os domínios o servirão 
e lhe obedecerão (Dn 7.14,27). 
O reinado terá justiça e eqüidade inflexível (Is 11.3-5; 25.2-5; 29.17-21; 30.29-32; 
42.13; 49.25,26; 66.14; Dn 2.44; Mq 5.5,6,10-15; Zc 9.3-8). 
O reinado será exercido na plenitude do Espírito. “Repousará sobre ele o Espírito do 
Senhor, o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e c e fortaleza, o 
Espírito de conhecimento e de temor do SENHOR. Deleitar-se-á no temor do SENHOR” (Is 
11.2,3). 
O governo será um governo unificado. Israel e Judá não mais estarão divididos, nem 
as nações serão divididas uma contra a outra. O "governo mundial" cobiçado pelos 
homens em resposta à disputa internacional será realizado (Ez 37.13-28; Os 1.11). 
O governo tratará sumariamente qualquer manifestação de pecado (Sl 2.9; 72.1-4; Is 
29.20,21; 65.20; 66.24; Zc 14.16-21; Jr 31.29,30). "Ferirá a terra com a vara da sua boca, e 
com o sopro dos seus lábios matará o perverso" (Is 11.4). Qualquer ato aberto contra a 
autoridade do Rei será punido com morte física. Parece que capacidade suficiente é dada 
aos santos por meio da plenitude do Espírito, do conhecimento universal do Senhor, da 
eliminação de Satanás e da manifestação da presença do Rei para impedi-los de pecar. 
O reinado será eterno (Dn 7.14,27). 
14.4. Os Súditos no Milênio 
O reino teocrático terreno, instituído pelo Senhor Jesus Cristo na segunda vinda, 
incluirá todos os salvos de Israel e também os gentios salvos, que estiverem vivos por 
ocasião de Seu retorno. As Escrituras deixam bem claro que todos os pecadores serão 
eliminados antes da instituição do reino (Is 1.19-31; 65.11-16; 66.15-18; Jr 25.27-33; 
30.23,24; Ez 11.21; 20.33-44; Mq 5.9-15; Zc 13.9; Ml 3.2-6; 3.18; 4.3). O registro do 
julgamento das nações (Mt 25.35) revela que apenas os salvos entrarão no reino. A 
parábola do trigo e do joio (Mt 13.30,31) e a parábola da rede (Mt 13.49,50) mostram que 
apenas os salvos entrarão no reino. Daniel deixa claro que o reino é dado aos santos: 
 “Mas os santos do Altíssimo receberão o reino e o possuirão para todo o sempre, de 
eternidade em eternidade. [...] e fez justiça aos santos do Altíssimo; e veio o tempo em 
que os santos possuíram o reino. O reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
127 
de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será reino eterno, 
e todos os domínios o servirão e lhe obedecerão” (Dn 7.18,22,27). 
14.5. Israel no Milênio 
 1.A restauração de Israel. Grande parte das profecias do Antigo Testamento trata da 
reintegração da nação na terra, já que as alianças não poderiam ser cumpridas à parte 
desse reagrupamento. O reagrupamento associado à segunda vinda é observado nas 
palavras do Senhor: Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; todos os povos 
da terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu, com 
poder e muita glória. E ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os 
quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos 
céus (Mt 24.30,31). 
Esse reagrupamento é o principal assunto da mensagem profética, como mostrarão 
os seguintes trechos: 
... e vós [...] sereis colhidos um a um (Is 27.12). 
... trarei a tua descendência desde o oriente e a ajuntarei desde o ocidente. Direi ao 
norte: Entrega; e ao sul: Não retenhas; trazei meus filhos de longe e minhas filhas, das 
extremidades da terra, a todos os que são chamados pelo meu nome, e os que criei para 
minha glória, e que formei, e fiz (Is 43.5-7). 
E será que, depois de os haver arrancado, tornarei a compadecer-me deles e os farei 
voltar, cada um à sua herança, cada um à sua terra (Jr 12.15). 
... e os farei voltar para esta terra (Jr 24.6). 
Sabereis que eu sou o SENHOR, quando eu vos der entrada na terra de Israel, na terra 
que, levantando a mão, jurei dar a vossos pais (Ez 20.42). 
Assim diz o SENHOR Deus: Quando eu congregar a casa de Israel dentre os povos 
entre os quais estão espalhados e eu me santificar entre eles, perante as nações, então, 
habitarão na terra que dei a meu servo, a Jacó. Habitarão nela seguros... (Ez 28.25,26). 
Mas eu sou o SENHOR, teu Deus, desde a terra do Egito; eu ainda te farei habitar em 
tendas, como nos dias da festa (Os12.9). 
Eis que, naqueles dias e naquele tempo, em que mudarei a sorte de Judá e de 
Jerusalém (Jl 3.1). 
Mudarei a sorte do meu povo Israel, reedificarão as cidades assoladas, e nelas 
habitarão, plantarão vinhas e beberão o seu vinho, farão pomares e lhes comerão o fruto. 
Plantá-los-ei na sua terra, e, dessa terra que lhes dei, já não serão arrancados, diz o 
SENHOR, teu Deus (Am 9.14,15). 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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Naquele dia, diz o SENHOR, congregarei os que coxeiam e recolherei os que foram 
expulsos e os que eu afligira (Mq 4.6). 
Naquele tempo, eu vos farei voltar e vos recolherei; certamente, farei de vós um 
nome e um louvor entre todos os povos da terra, quando eu vos mudar a sorte diante dos 
vossos olhos, diz o SENHOR (Sf 3.20). 
Porque eu os farei voltar da terra do Egito e os congregarei da Assíria; trá-los-ei à 
terra de Gileade e do Líbano, e não se achará lugar para eles (Zc 10.10). 
Assim, essa esperança, tema principal de todas as passagens proféticas, será 
cumprida na segunda vinda de Cristo. 
14.6. A Regeneração de Israel 
A nação de Israel experimentará uma conversão, que preparará o povo para 
encontrar o Messias e habitar no Seu reino milenar. Paulo demonstra que essa conversão é 
realizada na segunda vinda, pois escreve: 
E, assim, todo o Israel será salvo, como está escrito: Virá de Sião o Libertador e ele 
apartará de Jacó as impiedades. Esta é a minha aliança com eles, quando eu tirar os seus 
pecados (Rm 11.26,27). 
 
Mais uma vez descobrimos ser esse o tema principal das passagens proféticas. 
Algumas referências serão suficientes. 
Sião será redimida pelo direito, e os que se arrependem, pela justiça (Is 1.27). 
... os que ficarem em Jerusalém serão chamados santos... quando o SENHOR lavar a 
imundícia das filhas de Sião e limpar Jerusalém da culpa do sangue do meio dela... (Is 
4.3,4). 
Nos seus dias, Judá será salvo, e Israel habitará seguro; será este o seu nome, com 
que será chamado: SENHOR, Justiça Nossa (Jr 23.6). 
Dar-lhes-ei coração para que me conheçam que eu sou o SENHOR; eles serão o meu 
povo, e eu serei o seu Deus; porque se voltarão para mim de todo o seu coração (Jr 24.7). 
Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o 
SENHOR. Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu 
serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Não ensinará jamais cada um ao seu próximo, 
nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao SENHOR, porque todos me conhecerão, 
desde o menor até ao maior deles, diz o SENHOR. Pois perdoarei as suas iniqüidades e dos 
seus pecados jamais me lembrarei (Jr 31.33,34). 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
129 
Dar-lhes-ei um só coração, espírito novo porei dentro deles; tirarei da sua carne o 
coração de pedra e lhes darei coração de carne (Ez 11.19). 
Então, aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas 
imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. Dar-vos-ei coração novo e porei 
dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne 
(Ez 36.25,26). 
E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo; porque, no 
monte Sião e em Jerusalém, estarão os que forem salvos... (JI 2.32). 
Quem, ó Deus, é semelhante a ti, que perdoas a iniqüidade e te esqueces da 
transgressão do restante da tua herança? O SENHOR não retém a sua ira para sempre, 
porque tem prazer na misericórdia. Tornará a ter compaixão de nós; pisará aos pés as 
nossas iniqüidades e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar (Mq 
7.18,19). 
Mas deixarei, no meio de ti, um povo modesto e humilde, que confia em o nome do 
SENHOR. OS restantes de Israel não cometerão iniqüidade, nem proferirão mentira, e na 
sua boca não se achará língua enganosa, porque serão apascentados, deitar-se-ão, e não 
haverá quem os espante (Sf 3.12,13). 
Naquele dia, haverá uma fonte aberta para a casa de Davi e para os habitantes de 
Jerusalém, para remover o pecado e a impureza (Zc 13.1). 
Farei passar a terceira parte pelo fogo, e a purificarei como se purifica a prata, e a 
provarei como se prova o ouro; ela invocará o meu nome, e eu a ouvirei; direi: É meu 
povo, e ela dirá: O SENHOR é meu Deus (Zc 13.9). 
Já que nenhum incrédulo entrará no milênio, o que aguarda a Israel é uma conversão 
que o preparará para o reino prometido. A segunda vinda testemunhará a conversão da 
nação, isto é, de toda a nação de Israel, a fim de que as alianças feitas sejam cumpridas na 
era do reinado do Messias. 
14.7. Israel Como Súdito do Messias o Milênio 
Israel se tornará súdito do governo do Rei (Is 9.6,7; 33.17,22; 44.6; Jr 23.5; Mq 2.13; 
4.7; Dn 4.3; 7.14,22,27). 
Para ser súdito, Israel se converterá e será reintegrado à terra, como já foi visto; e, 
será reunido como nação (Jr 3.18; 33.14; Ez 20.40; 37.15-22; 39.25; Os 1.11). 
A nação se unirá mais uma vez a Jeová por meio do casamento (Is 54.1-17; 62.25; Os 
2.14-23). 
Israel será exaltado acima dos gentios (Is 14.1,2; 49.22,23; 60.14-17; 61.6,7). 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
130 
Israel será justificado (Is 1.25; 2.4; 44.22-24; 45.17-25; 48.17; 55.7; 57.18,19; 63.16; Jr 
31.11; 33.8; 50.20,34; Ez 36.25,26; Os 14.4; Jl 3.21; Mq 7.18,19; Zc 13.9; Ml 3.2,3). 
A nação será testemunha de Deus durante o milênio (Is 44.8,21; 61.6; 66.21; Jr 16.19-
21; Mq 5.7; Sf 3.20; Zc 4.1-7; 4.11-14; 8.23). 
Israel será embelezado para glorificar Jeová (Is 62.3; Jr 32.41; Os 14.5,6; Sf 3.16,17; Zc 
9.16,17). 
14.8. Os Gentios no Milênio 
 Os aspectos universais da aliança abraâmica, que prometia bênção universal, serão 
cumpridos naquela era. Os gentios terão um relacionamento com o Rei. 
A participação dos gentios no milênio é prometida nas passagens proféticas (Is 2.4; 
11.12; 16.1-5; 18.1-7; 19.16-25; 23.18; 42.1; 45.14; 49.6;22; 59.16-18; 60.1-14; 61.8,9; 
62.2; 66.18,19; Jr 3.17; 16.19-21; 49.6; 49.39; Ez 38.23; Am 9.12; Mq 7.16,17; Sf 2.11; 3.9; 
Zc 8.20-22; 9.10; 10.11,12; 14.16-19). Tal admissão é essencial para que o domínio do 
Messias seja universal. 
Os gentios serão servos de Israel durante essa era (Is 14.1,2; 49.22,23; 60.14; 61.5; Zc 
8.22,23). As nações que usurparam a autoridade de Israel em épocas passadas 
testemunharão aquele povo oprimido ser exaltado e se verão sujeitas a ele no seu reino. 
Os gentios que estiverem no milênio experimentarão a conversão antes de sua 
admissão (Is 16.5; 18.7; 19.19-21,25; 23.18; 55.5,6; 56.6-8; 60.3-5; 61.8-9; Jr 3.17; 16.1921; 
Am 9.12; Ob 17.21). 
Eles se submeterão ao Messias (Is 42.1; 49.6; 60.3-5; Ob 21; Zc 8.22,23). A esses 
gentios é feito o convite: "Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos 
está preparado desde a fundação do mundo" (Mt 25.34). 
14.9. Jerusalém e a Palestina no Milênio 
Como as alianças feitas com Israel garantem a posse da terra, algo plenamente 
cumprido no milênio, a Palestina e Jerusalém aparecem constantemente nos escritos 
proféticos. 
A. Jerusalém no milênio. Podemos esclarecer uma série de fatos pelo estudo das 
profecias concernentes ao papel de Jerusalém naquela era. 
 Jerusalém se tornará o centro do mundo milenar (Is 2.2-4; Jr 31.6; Mq 4.1; Zc 
2.10,11). Pelo fato de o mundo estar sob o domínio do Rei de Israel, o centro da 
Palestina se tornará o centro de todo o mundo. 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
131 
 Jerusalém será o centro do governo do reino (Jr 3.17; 30.16,17; 31.6,23, Ez 
43.5,6; Jl 3.17; Mq 4.7; Zc 8.2,3). A cidade que era o centro do governo de Davi 
se tornará o centro do governo do grande Filho de Davi. 
 A cidade será gloriosa, glorificando Jeová (Is 52.1-12; 60.14-21; 61.3; 62.1-12; 
66.1014; Jr 30.18; 33.16; Jl 3.17; Zc 2.1-13). O Rei estará tão associado a 
Jerusalém, que a cidade partilhará a Sua glória. 
 A cidade será protegida pelo poder do Rei (Is 14.32; 25.4; 26.1-4; 33.20-24), a fim 
de jamais precisar temer por sua segurança. 
 A antiga área da cidade será ampliada (Jr 31.38-40; Ez 48.30-35; Zc 14.10). 
 Ela será acessível a todos naqueles dias (Is 35.8,9), de modo que todos os que 
buscam o Rei encontrarão acolhida dentro de suas muralhas. 
 Jerusalém será o centro de adoração da era milenar (Jr 30.16-21; 31.6,23; Jl 3.17; 
Zc 8.8,20-23). 8) A cidade durará para sempre (Is 9.7; 33.20,21; 60.15; Jl 3.19-21; 
Zc 8.4). 
B. A Palestina no milênio. Um conjunto de fatos essenciais a respeito da terra é 
apresentado nas profecias. 
A Palestina se tornará a herança de Israel (Ez 36.8,12; 47.22,23; Zc 8.12). Isso é crucial 
para o cumprimento das alianças de Israel. 
A terra será ampliada em comparação com a área anterior (Is 26.15; 33.17; Ob 17-21; 
Mq 7.14). Pela primeira vez Israel tomará posse de toda a terra prometida a Abraão (Gn 
15.18-21). 
14.10. A Redenção da Terra no Milênio 
A topografia da terra será alterada (Is 33.10,11; Ez 47.1-12; Jl 3.18; Zc 4.7; 14.4,8,10). 
Em vez do terreno montanhoso que hoje caracteriza a Palestina, existirá uma grande e 
fértil planície na segunda vinda do Messias (Zc 14.4), de modo que a Palestina realmente 
será "bela e sobranceira" (Sl 48.2). Essa nova topografia permite ao rio fluir da cidade de 
Jerusalém para os dois mares e regar a terra (Ez 47.1-12). 
Haverá fertilidade e produtividade renovada na terra (Is 29.17; 32.15; 35.1-7; 51.3; 
55.13; 62.8,9; Jr 31.27,28; Ez 34.27; 36.29-35; Jl 3.18; Am 9.13). Assim, o que arar o campo 
alcançará o ceifeiro por causa da produtividade da terra. 
Haverá chuva abundante (Is 30.23-25; 35.6,7; 41.17,18; 49.10; Ez 34.26; Zc 10.1; Jl 
2.23,24). Ao longo de todo o Antigo Testamento a chuva era sinal da bênção e da 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
132 
aprovação de Deus, e a falta de chuva era um sinal do julgamento de Deus. A abundância 
de chuva na terra será um sinal da bênção de Deus naquele dia. 
A terra será reconstruída depois de ter sido devastada durante o período da 
tribulação (Is 32.16-18; 49.19; 61.4,5; Ez 36.33-38; 39.9; Am 9.14,15). As sobras da 
destruição serão eliminadas, para que a terra esteja novamente limpa. 
A Palestina será redistribuída dentre as doze tribos de Israel. Em Ezequiel 48.1-29 
essa distribuição é esboçada. Nesse capítulo a terra encontra-se dividida em três partes. 
Na parte norte, a terra é repartida entre as tribos de Dã, Aser, Naftali, Manassés, 
Efraim, Rúben e Judá (Ez 48.1-7). A terra parece ser dividida por uma linha de leste a oeste 
por toda a dimensão ampliada da Palestina. 
Da mesma forma, a porção meridional será distribuída entre Benjamim, Simeão, 
Issacar, Zebulom e Gade (Ez 48.23-27). Entre as divisões norte e sul, existe uma área 
conhecida como "região sagrada" (Ez 48.8-20), ou seja, a porção da terra separada para o 
Senhor. 
Essa área terá 25 mil canas* (* A ARA traz "côvados", uma tradução duvidosa, já que 
o texto hebraico não tem a palavra específica para côvado nesta passagem. (N. do T.)) de 
comprimento e largura (Ez 48.8,20) será dividida em uma área de 25 por 10 mil canas para 
os levitas (Ez 45.5; 48.13,14), e a mesma área para o templo e sacerdotes (Ez 45.4; 48.10-
12) e 25 por 5 mil canas para a cidade (Ez 45.6; 48.15-19). Unger escreve: 
“Qual é o comprimento de uma cana em Ezequiel? Essa medida é apresentada como 
"seis côvados", "um côvado e um palmo* cada" (40.5). [* Uma palma, a medida da largura 
da mão de um homem. (N do T.)] "Um côvado é um côvado e um palmo" (43.13). Então o 
verdadeiro problema é: Qual o comprimento de um côvado especificado em Ezequiel? 
Pesquisas arqueológicas demonstraram que três tipos de côvado eram empregados na 
Babilônia antiga [...] O menor, de 28 cm ou três palmos, era utilizado em ourivesaria. O 
segundo, de quatro palmos ou 36 cm, era aplicado em construções, e o terceiro, de cinco 
palmos ou 45 cm, era usado para medidas de agrimensura. O côvado mais curto de três 
palmos (um palmo tem cerca de 9 cm), equivalente a 28 cm, é a unidade fundamental 
básica [...] Como o profeta é bastante específico em relatar a unidade de medida da sua 
visão em "um côvado e um palmo" (40.5; 43.13), ele, sem dúvida, quer indicar o menor 
côvado de três palmos como uma medida básica, mais um palmo ou o que é equivalente 
ao côvado do meio, de 36 cm de comprimento. Com esse cálculo uma cana teria 2,5 m. A 
região sagrada seria um quadrado espaçoso, de 55 cm de lado, abrangendo cerca de 3025 
km2. Essa área seria o centro de todos os interesses do governo e da adoração divina 
estabelecidos na terra milenar. (Merrill E UNGER, The temple vision of Ezekiel, Bibliotheca 
Sacra, 105:427-8, Oct. 1948). 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
133 
Se o côvado maior fosse empregado, isso aumentaria a região sagrada em cerca de 
80 km de lado. Isso só poderia ser possível à luz da área mais ampla contida nas fronteiras 
palestinas no milênio. (Cf. Arno C. GAEBELEIN, The prophet Ezekiel, p. 339) 
14.11. O Templo no Milênio 
Grande parte da profecia de Ezequiel (40.1-46.24) dedica-se ao templo; sua estrutura, 
seu sacerdócio, seu ritual e seu ministério. Várias opiniões têm sido apresentadas a 
respeito dessa importante profecia. Gray esboça as seguintes opiniões: 
Existem cinco interpretações desses capítulos: 
1. Alguns acham que essas passagens se referem ao templo de Jerusalém antes do 
cativeiro babilônico, e o propósito é preservar a sua memória. Mas a objeção é 
que tal memória é desnecessária em razão dos relatos de Reis e de Crônicas; além 
disso, a menção não é verdadeira porque não está de acordo com o registro dos 
livros citados. 
2. Alguns pensam que os capítulos dizem respeito ao templo em Jerusalém depois 
do retorno dos setenta anos na Babilônia, mas isso não pode ser verdade, porque 
existem mais contrastes do que semelhanças entre o templo aqui mencionado e 
aquele. 
3. Alguns acreditam que os capítulos se referem ao templo ideal que os judeus 
deveriam ter construído depois dos setenta anos de cativeiro, mas que nunca 
realizaram. Mas isso rebaixa o caráter da Palavra divina. Por que essa profecia de 
Ezequiel seria dada se ela nunca viria a ser cumprida? 
4. Alguns consideram que o templo de Ezequiel simboliza as bênçãos espirituais da 
igreja no presente. Mas isso é improvável, porque mesmo os que defendem essa 
teoria não conseguem explicar o simbolismo do qual estão falando. Além do mais, 
mesmo como simbolismo, ficam de lado vários aspectos importantes do 
cristianismo, como a expiação e a intercessão do sumo sacerdote. 
5. A última opinião é que temos aqui uma previsão do templo construído na era 
milenar. Essa parece ser uma seqüência adequada e inteligente às profecias 
precedentes. 
Embora as opiniões de Gray declaradas anteriormente já venham seguidas de 
contestação, Gaebelein responde às opiniões antiliterais mais completamente. Sobre a 
perspectiva que vê esses capítulos da profecia de Ezequiel cumpridos no retorno dos 
judeus da Babilônia, ele escreve: 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
134 
O templo que o remanescente construiu não corresponde de maneira nenhuma à 
magnífica estrutura que Ezequiel observou em sua visão. O fato é que, se esse templo for 
uma construção literal (como é assegurado), ele nunca foi erguido. Além disso, é 
expressamente declarado que a glória do Senhor retornou ao templo e Ele ali habitou; a 
mesma glória que Ezequiel tinha visto partindo do templo e de Jerusalém. 
Mas a glória não retornou ao segundo templo. Nenhuma nuvem de glória encheu 
aquela casa. Além disso, não se menciona nenhum sumo sacerdote na adoração do templo 
descrito por Ezequiel, mas depois do retorno da Babilônia os judeus tiveram sumos 
sacerdotes novamente. O rio de águas curativas que flui do templo conforme visto por 
Ezequiel não pode de forma alguma ser aplicado à restauração do cativeiro babilônico. 
O mesmo autor rejeita por ser indigna a explicação de que a visão é fruto da 
imaginação do profeta e contesta a idéia de que o trecho deva ser aplicado 
simbolicamente à igreja: “Esse é a mais fraca e, contudo, a mais aceita das explicações. 
Mas sua teoria não fornece uma exposição do texto; é vaga e rica em aplicações 
extravagantes, enquanto a maior parte dessa visão não é explicada mesmo no seu 
significado alegórico, pois ela evidentemente não tem tal significado.” 
Sua conclusão sobre qual é o método de interpretação dessas palavras é a seguinte: 
“A verdadeira interpretação é a literal, que encara os capítulos como uma profecia ainda 
não realizada, por cumprir-se quando Israel for restaurado pelo Pastor e Sua glória for mais 
uma vez manifesta em meio ao povo. A grande construção revelada nessa visão profética 
passará a existir, e tudo será cumprido.” 
Unger também conclui: "O templo de Ezequiel é um santuário literal e futuro a ser 
construído na Palestina como esboçado durante o milênio". (Merrill F. UNGER, The temple 
vision of Ezekiel, Bibliotheca Sacra, 105:423. Oct. 1948) 
O local do templo na terra é claramente apresentado nas Escrituras. 
O templo em si será localizado no meio desse quadrado [a região sagrada] (e não na 
cidade de Jerusalém), sobre uma montanha alta, que será miraculosamente preparada 
para esse propósito quando o templo for erguido. Esse será o "monte da casa de Jeová", 
estabelecido no "topo dos montes" e "exaltado acima dos montes", ao qual afluirão todas 
as nações (Is 2.4; Mq 4.1-4; Ez 37.26). Ezequiel retrata isso no capítulo 37, versículo 27: "O 
meu tabernáculo estará com ["acima" ou "sobre"] eles...". O profeta vê a magnífica 
estrutura numa grande elevação que contém majestosa visão de toda a nação ao seu 
redor. (Ibid., 205:428-9) 
A. Os detalhes do templo. O profeta Ezequiel nos dá inúmeros detalhes a respeito 
desse templo que se tornará o centro da terra milenar. (Cf. Ibid., 206:48-57.) Os portões e 
os pátios que cercam o templo são os primeiros a ser descritos (Ez 40.5-47). Toda a área é 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
135 
cercada por um muro (40.5) que o isola daquilo que o profanaria. O pátio exterior é 
descrito (40.6-27) como o local em que o povo se reúne. Há três portões de acesso ao 
pátio, um dos quais, construído como todos os outros, é o portão do oriente (40.6-16), 
uma estrutura de 25 por 50 côvados (40.21), por meio do qual a glória shekinah entra no 
templo (43.1-6), que se mantém fechado (44.2-3). 
Existe um portão ao norte (40.20,23) e outro ao sul (40.24-27); a entrada de cada um 
possui sete degraus (40.26), mas o do ocidente não possui degraus (40.24). Anexadas a 
cada portão existem seis câmaras pequenas, três de cada lado (40.7-10). Ao redor do pátio 
externo existem trinta câmaras, cinco de cada lado dos portões, organizadas em torno dos 
muros norte, leste e sul (40.17-19). Antes dessas câmaras há um pavimento (40.17-18) que 
se estende em torno dos três lados da área. 
O profeta em seguida descreve o pátio interior (40.28-47), área de cem côvados de 
cada lado (40.47), onde ministram os sacerdotes. Existem três portões, cada um 
diretamente oposto aos portões do muro exterior e cem côvados para dentro da muralha 
externa, por meio dos quais se tem acesso ao pátio interior; um portão fica ao sul (40.28-
31), outro a leste e outro ao norte (40.32-37). Chega-se a essa área do pátio interno por 
oito degraus (40.37), de modo que ele fica elevado em relação ao pátio exterior. Adjacente 
ao portão norte existem oito mesas para preparação do sacrifício (40.40-43). E, dentro do 
pátio externo, mas fora do pátio interno, existem câmaras para os sacerdotes ministrantes 
(40.44-46). O centro dessa área é ocupado por um altar (40.47; 43.13-17) em que os 
sacrifícios são oferecidos. 
Ezequiel descreve então o próprio templo (40.48-41.4). Descreve primeiramente o 
alpendre ou vestíbulo do templo (40.48,49), que mede 20 por 11 côvados. O vestíbulo tem 
dois grandes pilares (40.49), e o acesso a ele é feito por uma escada (40.49), de modo que 
essa área é elevada em relação às outras. Esse vestíbulo conduz para dentro do "templo", 
onde fica o Lugar Santo, uma área de 40 por 20 côvados (41.2), na qual há uma mesa de 
madeira (41.22). Além disso, existe a parte interior do templo, o Santo dos Santos, uma 
câmara de 20 por 20 côvados (41.3-4). 
Cercando a parede externa do edifício há câmaras, com três andares de altura (41.5-
11), trinta câmaras por andar. O uso de tais câmaras não é descrito pelo profeta. O templo 
é cercado por uma área de 20 a 100 côvados, denominada área separada (41.12-14), que 
circunda o templo por todos os lados, exceto na parte leste, onde se localiza o vestíbulo. A 
seguir é descrito o templo propriamente dito (41.15-26). Ele é apainelado com madeira 
(41.16) e ornamentado com palmeiras e querubins (41.18). Existem duas portas dentro do 
santuário (41.23-26). É importante notar que em toda a descrição não se faz menção à 
arca, nem ao propiciatório, ao véu, aos querubins acima do propiciatório ou às tábuas de 
pedra. 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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O único móvel descrito é a mesa ou altar de madeira (41.22) que corresponde à mesa 
dos pães da proposição que está perante o Senhor. Uma construção separada também 
está incluída na área do templo, localizada no lado oeste do claustro (41.12), áreas onde 
eram preparados os sacrifícios (46.19,20) e áreas nos quatro cantos onde havia um pátio 
em que se preparavam os sacrifícios para o povo (46.21-24). 
A profecia oferece uma extensa descrição do trono (43.7-12), que parece ser o 
próprio centro de autoridade. A descrição do altar é detalhada (43.12-18), seguida de um 
relato das ofertas que serão feitas (43.19-27). O ministério dos sacerdotes é esboçado 
(44.9-31), e todo o ritual de adoração é descrito (45.13-46.18). A visão chega ao clímax 
com a descrição do rio que flui do santuário (47.1-12; cf. Is 33.20,21; Jl 3.18; Zc 14.8). Esse 
rio flui do sul do templo através da cidade de Jerusalém e depois se divide, correndo em 
direção ao mar Morto e ao mar Mediterrâneo, fornecendo vida ao longo das margens. 
B. O propósito do templo. Unger arrola cinco propósitos que serão realizados no 
templo. 
1. Para demonstrar a santidade de Deus. [...] [a] infinita santidade da natureza e do 
governo de Jeová [...] tinha sido ultrajada e questionada pela idolatria e rebelião 
do povo [...] Isso provocou a completa exposição, acusação e julgamento da 
pecaminosa nação de Israel [...] juntamente com os pronunciamentos de juízo 
sobre as perversas nações vizinhas [...]Isso foi seguido pela demonstração da 
graça de Deus em restaurar a Si mesmo a nação pródiga. 
2. Para prover uma habitação para a glória divina. [...] "Este é o lugar do meu trono, 
e o lugar das plantas dos meus pés, onde habitarei no meio dos filhos de Israel 
para sempre" (43.7). 
3. Para perpetuar o memorial do sacrifício. Não é o sacrifício, é claro, com o 
propósito de obter salvação, mas o sacrifício comemorativo de uma salvação já 
plenamente realizada, oferecido na presença da glória revelada de Jeová. 
4. Para prover o centro do governo divino. Quando a glória divina passa a habitar no 
templo, a proclamação não se resume ao fato de que o templo é a habitação de 
Deus e a sede da adoração, mas que é o centro radiante do governo divino. "Este 
é o lugar do meu trono..." (43.7). 
5. Para prover a vitória sobre a maldição (47.1-12). Por baixo do limiar do templo, o 
profeta vê um rio maravilhoso que flui na direção leste, aumentando seu volume 
de água refrescante até desaguar em sua plenitude no mar Morto, cujas águas 
venenosas são curadas [...] Atravessando a corrente dessas águas maravilhosas, o 
profeta encontra ambas as margens cobertas com enorme quantidade de árvores 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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exuberantes, cujas folhas e frutos são perenes, fornecendo ao mesmo tempo 
remédio e alimento. 
14.12. Haverá Sacrifício Literal no Milênio? 
Um dos problemas que acompanham a interpretação literal da apresentação do 
milênio no Antigo Testamento é o problema da interpretação de trechos como Ezequiel 
43.18-46.24; Zacarias 14.16; Isaías 56.6-8; 66.21; Jeremias 33.15-18 e Ezequiel 20.40-41, 
que ensinam todos a restauração do sacerdócio e a reinstituição do sistema de sacrifícios 
com sangue durante essa era. A alegada incoerência entre essa interpretação e o 
ensinamento do Novo Testamento a respeito da obra completa de Cristo, que aboliu o 
sistema de sacrifício do Antigo Testamento, tem sido usada pelos amilenaristas para 
reduzir o sistema pré-milenarista a um absurdo e confirmar a falácia do método literal de 
interpretação. Allis crê ter apresentado um obstáculo insuperável aos pré-milenaristas, 
(Oswald T. ALLIS, Prophecy and the church, p. 245) dizendo: 
“... Sua ênfase no sentido literal e no Antigo Testamento leva quase inevitavelmente 
a uma doutrina do milênio que o torna definitivamente judeu e representa o retorno da 
glória do evangelho aos rituais e cerimônias típicos que prepararam o caminho para ele, e, 
tendo servido àquele propósito necessário, perderam para sempre sua validade e 
adequação.” 
O que confronta, então, os pré-milenaristas é a necessidade de conciliar os 
ensinamentos do Antigo Testamento de que sacrifícios com sangue serão oferecidos no 
milênio com a doutrina do Novo Testamento da abolição dos sacrifícios do Antigo 
Testamento por causa do sacrifício de Cristo. Se um literalismo coerente conduz à adoção 
dos sacrifícios de fato durante o milênio, torna-se necessário explicar por que o sistema 
deveria ser reinstituído. 
Observam-se vários fatores a respeito dos sacrifícios milenares que os tornam 
totalmente legítimos. 
Devemos observar, em primeiro lugar, que os sacrifícios milenares não estarão 
relacionados com a questão da expiação. Eles não serão expiatórios, pois em nenhum lugar 
se declara que serão oferecidos visando à salvação dos pecados. Allis escreve: 
Eles devem ser expiatórios no mesmo sentido que os sacrifícios descritos em Levítico. 
Oferecer qualquer outra opinião a respeito significa abrir mão do princípio de 
interpretação literal da profecia que é fundamental para o dispensacionalismo, e é 
também admitir que as profecias sobre o reino do Antigo Testamento não entram no Novo 
Testamento "absolutamente imutáveis". 
 
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É verdade que eles são apenas "elementos fracos e pobres" quando vistos à luz da 
cruz, da qual extraem toda a sua eficácia. Mas foram eficazes nos dias de Moisés e de Davi, 
e não meros memoriais; e no milênio devem ser igualmente eficazes se o sistema de 
interpretação dispensacionalista for verdadeiro. E isso eles não podem ser, salvo se o 
ensinamento da epístola aos Hebreus for completamente desprezado. (ALLIS, op. cit., p. 
247) 
Existem erros em vários aspectos desse argumento de que esses sacrifícios, 
logicamente, precisam ser interpretados como expiatórios pelos dispensacionalistas. 
A insistência do cumprimento literal da aliança davídica não tem como conseqüência 
necessária o restabelecimento da ordem mosaica, pois elas não estavam relacionadas uma 
à outra. A aliança davídica era eterna e incondicional, governando o futuro trato de Deus 
com a nação, enquanto a aliança mosaica era temporal e condicional, governando a 
relação do homem com Deus. O cumprimento de uma não torna obrigatório o 
cumprimento da outra, já que a aliança mosaica era vista como temporária. 
E um erro da doutrina soteriológica ensinar que os sacrifícios pudessem de alguma 
forma retirar o pecado ou que efetivamente o tenham feito. Isso contradiz o claro 
ensinamento de Hebreus 10.4, citado pelo próprio Allis: "Porque é impossível que o sangue 
de touros e de bodes remova pecados". A única maneira de sustentar a opinião de que os 
sacrifícios serão eficazes no milênio é dizer que eles o foram no Antigo Testamento, e isso 
é uma clara contradição com todo o Novo Testamento. Que insensatez argumentar que 
um ritual poderia realizar no futuro o que nunca pôde realizar, ou realizou, ou foi 
projetado para realizar no passado. 
Em segundo lugar, os sacrifícios serão memoriais quanto ao caráter. Existe um 
consenso geral entre os pré-milenaristas quanto ao propósito do sistema sacrificial 
inaugurado na era milenar. Interpretados à luz do Novo Testamento, com ensinamentos 
baseados na morte de Cristo, eles devem ser memoriais dessa morte. Grant enuncia tal 
posição claramente: 
[Esse é] o memorial permanente do sacrifício, mantido na presença da glória 
revelada. Não é um sacrifício oferecido com o intuito de obter salvação, mas tendo em 
vista uma salvação já conquistada. 
Gaebelein tem a mesma opinião sobre o caráter memorial dos sacrifícios quando 
escreve: 
“Embora os sacrifícios que Israel fazia tivessem significado em perspectiva, os 
sacrifícios feitos no templo milenar têm um significado em retrospectiva. Quando 
atualmente o povo de Deus adora da maneira indicada à sua mesa, com pão e vinho como 
lembrança de Seu amor, há uma retrospectiva. Olhamos para o passado em direção à cruz. 
 
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Mostramos a sua morte, "até que Ele venha". Quando a volta acontecer, essa festa 
memorial terminará para sempre. Nunca mais a ceia do Senhor será celebrada depois que 
os santos de Deus deixarem a terra com o Senhor na Sua glória. Os sacrifícios reiniciados 
serão o memorial da cruz e de toda a maravilhosa história da redenção de Israel e das 
nações da terra, durante o reinado de Cristo. E que memorial há de ser! Quão significativos 
serão esses sacrifícios! Eles trarão uma lembrança viva de tudo o que aconteceu no 
passado. A retrospectiva produzirá um grande cenário de adoração, louvor e reverência 
como esta terra jamais viu. Tudo o que a cruz significou e realizou será lembrado, e um 
grande "Hino de Aleluia" encherá a terra e o céu. Os sacrifícios lembrarão constantemente 
ao povo Aquele que morreu por Israel, pagou o preço da redenção por toda a criação, cuja 
glória agora cobre a terra comoas águas cobrem o mar.” 
Adolph Saphir nos deu uma palavra a respeito do paralelo existente entre a ceia do 
Senhor em sua relação com a morte de Cristo e os sacrifícios memoriais em relação a essa 
morte: 
“... não poderíamos supor que o que era típico antes da primeira vinda de Cristo, 
apontando para a grande salvação que estava por vir, possa, durante o reino, comemorar a 
redenção já realizada? Na ceia do Senhor comemoramos a morte de Cristo; repudiamos 
totalmente a doutrina papal da repetição da oferta de Cristo; não acreditamos em tal 
renovação do sacrifício, mas obedecemos, agradecidos, ao mandamento que Cristo nos 
deu de celebrar Sua morte de tal maneira que um memorial externo seja apresentado ao 
mundo, e um sinal e um selo aparentes e visíveis sejam dados ao participante que crê. Não 
poderá semelhante plano suceder à ceia do Senhor, que, sabemos, terminará com o Seu 
retorno? Também é possível que tanto os santos glorificados no céu quanto as nações na 
terra contemplarão durante o milênio a harmonia completa entre o tipo e a realidade. 
Mesmo a igreja tem apenas conhecimento superficial dos tesouros da sabedoria nas 
instituições levíticas e em seus símbolos.” (Adolph SAPHIR, Christ and Israel, p. 182.). 
Wale declarou sucintamente a proposição: 
“... o pão e o vinho da ceia do Senhor são, para o crente, símbolos e memoriais físicos 
e materiais da redenção já adquirida. E esse será o caso com os sacrifícios reinstituídos em 
Jerusalém; eles serão comemorativos, como os sacrifícios antigos se davam em 
perspectiva. E por que não? Existia alguma virtude nos sacrifícios legais que prenunciavam 
o sacrifício de Cristo? Nenhuma sequer. Seu único valor e significado derivava do fato de 
que eles apontavam para Ele. E tal será o valor e significado dos futuros sacrifícios que, 
conforme Deus declarou, serão oferecidos no futuro templo. Qualquer que seja a 
dificuldade imaginada pelo leitor quanto à maneira como essa previsão será realizada, é 
suficiente para nós que DEUS ASSIM O DISSE.” (Burlington B. WALE, The closing days of 
christendom, p. 485) 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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Conclui-se então que esses sacrifícios não são expiatórios, pois nenhum sacrifício 
jamais executou a completa eliminação dos pecados, mas relembram o perfeito sacrifício 
d’Aquele que todos os sacrifícios simbolizavam, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do 
mundo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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AULA 
15 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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15 - O ESTADO ETERNO 
Embora a Palavra de Deus não ofereça grande quantidade de detalhes a respeito do 
reino eterno, oferece o suficiente para dar ao filho de Deus plena certeza da esperança 
gloriosa que o aguarda em sua relação eterna com o Pai e com o Filho. Entre o fim do reino 
teocrático terreno e a união desse reino com o reino eterno de Deus, ocorrem certos 
acontecimentos importantes, para que todo vestígio de rebeldia seja exterminado e Deus 
reine supremo. Neste estudo não são analisadas as áreas amplas das doutrinas do estado 
eterno, mas a discussão se restringe às questões relacionadas às profecias daquele tempo. 
15.1. A Purificação Para o Reino Eterno 
 Há três acontecimentos previstos nas Escrituras que podem ser vistos como atos 
purificadores do universo no que diz respeito ao que restou de maldição, para que o reino 
eterno possa ser plenamente manifesto: 
1. a libertação de Satanás e a rebelião satanicamente liderada, 
2. a purificação da terra pelo fogo e 
3. o julgamento dos pecadores no grande trono branco. 
15.2. A Libertação de Satanás e a sua Rebelião 
João retrata um cenário na terra no fim do milênio que abala a imaginação. 
Ele segurou o dragão, a antiga serpente, que é o diabo, Satanás, e o prendeu por mil 
anos; lançou-o no abismo, fechou-o e pôs selo sobre ele, para que não mais enganasse as 
nações até se completarem os mil anos. Depois disto, é necessário que ele seja solto pouco 
tempo. 
“Quando, porém, se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão, e 
sairá a seduzir as nações que há nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, a fim de 
reuni-los para a peleja. O número dessas é como a areia do mar. Marcharam, então, pela 
superfície da terra e sitiaram o acampamento dos santos e a cidade querida; desceu, 
porém, fogo do céu e os consumiu.” (Ap 20.2-3,7-9). 
A respeito disso Chafer escreve: 
“É difícil entender como tal operação será possível com Cristo no trono e em 
autoridade direta, como descrito em Isaías 11.3-5... Não há solução para esse problema 
além de uma permissão divina para a consumação do mal no universo. Para o mesmo fim 
pode-se perguntar por que, sobre o trono do universo, Ele permitiu o mal que Ele mesmo 
 
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odeia. Quando, à luz do entendimento celestial, um problema for resolvido, o outro 
também o será. (Lewis Sperry CHAFER, Systematic theology, v, p. 361). 
Com exceção de certo entendimento sobre a profundidade da corrupção humana, é 
impossível compreender como uma multidão, "o número dessas é como a areia do mar" 
(Ap 20.8), poderia revoltar-se contra o Senhor Jesus Cristo, quando viveu sob Sua 
benevolência durante toda a vida. Mas nessa rebelião demonstra-se mais uma vez que 
Deus é justo quando julga o pecado. E o julgamento se faz na forma de morte física, por 
meio do derramamento do fogo sobre todos os rebeldes liderados por Satanás (Ap 20.9). 
Dessa maneira, Deus retira toda a incredulidade do reino teocrático e faz prever sua união 
com o reino eterno de Deus. 
15.3. A Purificação da Criação. 
Por causa do pecado de Adão no Éden, Deus colocou uma maldição sobre a terra, 
quando Ele disse: "Maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento 
durante os dias de tua vida. Ela produzirá também cardos e abrolhos" (Gn 3.17,18). Torna-
se necessário retirar o último vestígio dessa maldição da terra antes da manifestação do 
reino eterno. Esse acontecimento é descrito por Pedro: 
“Virá, entretanto, como ladrão, o dia do Senhor, no qual os céus passarão com 
estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras 
que nela existem serão atingidas. Visto que todas essas cousas hão de ser assim desfeitas, 
deveis ser tais como os que vivem em santo procedimento e piedade, esperando e 
apressando a vinda do Dia de Deus, por causa do qual os céus, incendiados, serão 
desfeitos, e os elementos abrasados se derreterão. Nós, porém, segundo a sua promessa, 
esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça.” (2Pe 3.10-13). 
Tal passamento da terra atual é previsto em várias passagens (Mt 24.35; Hb 1.10-12; 
Ap 20.11). 
Alguns acreditam que a purificação da terra antecede o milênio. De acordo com essa 
teoria, a purificação acontecerá no início do milênio e eliminará a maldição, de modo que a 
produtividade será restaurada à terra durante esse período. Há vários fundamentos nos 
quais se apóia essa teoria. 
Acredita-se que o "dia do Senhor" (2Pe 3.10), no qual se dá esse acontecimento, é um 
tempo de juízo e inclui apenas o período que vai do arrebatamento até a instituição do 
milênio, com os julgamentos que o acompanham.Pelo fato de o fogo ser descrito como um meio de execução da ira divina na segunda 
vinda (Is 66.15,17; Ez 39.6; Jl 2.1-11; 2Ts 1.7-10), e já que essa purificação é por fogo, 
sustentase que deve tratar-se do mesmo acontecimento. 
 
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Isaías 65.17 promete uma nova terra, e isso em relação ao milênio, e logo a 
purificação acontece após a segunda vinda, mas antes do milênio. 
Em resposta, pode-se destacar, como demonstrado anteriormente, que o dia do 
Senhor inclui todo o plano desde o começo do período da tribulação até o novo céu e a 
nova terra após o milênio. 
Além disso, o fogo pode ser um meio de visitação divina sem necessariamente ser 
usado de maneira total num mesmo acontecimento. O fogo é empregado ao longo das 
Escrituras como um símbolo de julgamento, e, já que esse acontecimento é um juízo 
contra uma terra amaldiçoada, é cabível considerar que a purificação pelo fogo ocorra 
quando a terra tiver afastado de si todo vestígio da maldição. 
E, mais uma vez, já que a terra milenar se funde com o novo céu e a nova terra no fim 
da era milenar, Isaías pode estar descrevendo a cena milenar à luz da sua habitação 
eterna, os novos céus e a nova terra, sem afirmar que os novos céus e a nova terra serão 
cumpridos no começo do milênio, apesar de prelibados a partir desse ponto. 
Devemos observar que Pedro não declara que o dia do Senhor começa com a 
dissolução da terra atual, mas no dia do Senhor essa dissolução acontecerá. Sua afirmação 
é: "Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor; no qual [grifo do autor] os céus 
passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados..." (2Pe 3.10). 
Além disso, Pedro assevera: "Ora, os céus que agora existem e a terra, pela mesma 
palavra, têm sido entesourados para fogo, estando reservados para o Dia do Juízo e 
destruição dos homens ímpios" (2Pe 3.7). 
Nessa afirmação ele parece relacionar a dissolução dos presentes céus e da presente 
terra à ocasião do juízo e da perdição dos homens ímpios, que, sabemos, com base em 
Apocalipse 20.1115, acontecerá no julgamento do grande trono branco após o milênio. Se 
alguém alegar que isso não pode referir-se à mesma ocasião, já que João diz, "de cuja 
presença fugiram a terra e o céu" (Ap 20.11) e Pedro diz, "entesourados para fogo, estando 
reservados para o Dia do Juízo" (2Pe 3.7), é suficiente retorquir dizendo que a afirmação 
de João ressalta o fato de que o antigo céu e a antiga terra passaram sem indicar o meio 
pelo qual isso se realiza, enquanto Pedro aponta o meio pelo qual a dissolução acontece. 
Não há contradição aqui. Conclui-se, assim, que a purificação é o ato de Deus no fim 
do milênio após a rebelião final contra Sua autoridade, em que a terra, palco da rebelião, é 
julgada por causa de sua maldição. 
15.4. O Julgamento dos Pecadores 
Diante do grande trono branco aparecem todos "os mortos" (Ap 20.12). Os que 
foram ressuscitados para a vida foram retirados do túmulo mil anos antes (Ap 20.3-6). Os 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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ressuscitados aqui serão julgados para receber a "segunda morte" (Ap 20.14), isto é, a 
separação eterna do reino de Deus. Esse é o ato final no plano realizado "para que Deus 
seja tudo em todos" (1 Co 15.28). Já que esse plano foi desenvolvido anteriormente, não é 
necessário repeti-lo aqui. O resumo de Kelly é suficiente: 
Os mortos serão julgados, mas não com base no livro da vida, que não tem nada que 
ver com julgamento. "E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que 
se achava escrito nos livros." Então por que o livro da vida é mencionado? Não porque 
alguns dos nomes estejam nele escritos, mas para provar que eles não estão. O livro da 
vida confirmará o que se conclui dos livros. Se os livros proclamam as más obras dos 
mortos que se apresentam diante do trono, o livro da vida não oferece nenhuma defesa no 
registro da graça de Deus. 
As Escrituras não registram nenhum nome sequer entre os julgados. Havia o triste 
registro dos pecados inegáveis de um lado; e não havia o registro do nome do outro lado. 
Logo, se os livros ou apenas um livro forem examinados, tudo conspira para declarar a 
justiça, a justiça solene, mas muito eficaz, da sentença definitiva e irrevogável de Deus. "E, 
se alguém não foi achado inscrito no livro da vida, esse foi lançado para dentro do lago do 
fogo." Então o único uso que parece ser feito do livro é negativo e exclusivo. Não que 
alguns dos julgados (e a cena descrita é somente uma ressurreição para julgamento) 
estejam inscritos ali: é-nos demonstrado, pelo contrário, que eles não se encontram no 
livro. 
 Nem o mar nem o mundo invisível poderiam mais esconder seus prisioneiros. "Deu o 
mar os mortos que nele estavam. A morte e o além entregaram os mortos que neles havia. 
E foram julgados, um por um, segundo as suas obras." 
Novamente, João nos diz que a morte e o além chegam ao fim, personificados como 
inimigos. "Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago do fogo. Esta é a 
segunda morte, o lago de fogo." Assim, concluiu-se tudo o que diz respeito ao trato do 
Senhor com corpo e alma, e tudo o que está relacionado a ambos. A raça estará então no 
estado ressurrecto, tanto para o bem quanto para o mal; e assim deve permanecer para 
sempre. A morte e o além, que por tanto tempo foram carrascos num mundo em que 
reinava o pecado, eles mesmos desaparecem onde todos os vestígios de pecado são 
enviados para sempre. Deus será "tudo em todos". (William KELLY, The revelation 
expounded, p. 243-4) 
O propósito de Deus nos julgamentos anteriores ao milênio era ajuntar "do seu reino 
[terreno] todos os escândalos e os que praticam a iniqüidade" e lançá-los "na fornalha 
acesa; ali haverá choro e ranger de dentes" (Mt 13.41,42). O propósito de Deus nos 
julgamentos do fim do milênio é afastar do reino eterno "todos os escândalos e os que 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
146 
praticam a iniqüidade". Por meio desse julgamento, a soberania absoluta de Deus terá sido 
então manifesta. 
15.5. O Destino dos Perdidos 
O destino dos perdidos é um lugar no lago do fogo (Ap 19.20; 20.10,14,15; 21.8). Esse 
lago de fogo é descrito como fogo eterno (Mt 25.41; 18.8) e como fogo que não se apaga 
(Mc 9.43,44,46,48), sublinhando o caráter eterno da retribuição dos perdidos. A esse 
respeito Chafer observa: 
Ao tentar escrever uma declaração abrangente da doutrina mais solene da Bíblia, o 
termo retribuição é escolhido para substituir a palavra mais familiar punição, já que esta 
implica disciplina e correção, idéia totalmente ausente da verdade que sela o trato divino 
final com os que estão eternamente perdidos. Reconhece-se que, no seu significado 
primitivo e amplo, o termo retribuir era usado para alguma recompensa, boa ou má. A 
palavra é usada [...] sobre a doutrina do inferno apenas quando se faz referência à 
perdição eterna dos perdidos. (CHAFER, op. cit., iv, p. 429.) 
Com respeito à retribuição dos perdidos, é importante observar que o lago de fogo é 
um lugar, não um estado, apesar de o conceito envolver um estado. 
Como o céu é um lugar e não um mero estado mental, da mesma forma os réprobos 
vão para um lugar. Essa verdade é indicada pelas palavras hades (Mt 11.23; 16.18; Lc 
10.15; 16.23;Ap 1.18; 20.13,14) egehenna (Mt 5.22,29,30; 10.28; Tg 3.6) — lugar de 
"tormento" (Lc 16.28). O fato de essa ser uma condição de miséria indescritível é indicado 
pelostermos figurados usados para relatar seus sofrimentos —"fogo eterno" (Mt 25.41); 
"onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga" (Mc 9.44); "lago que arde com fogo e 
enxofre" (Ap 21.8); "o poço do abismo" (Ap 9.2); "fora, nas trevas", um lugar de "choro e 
ranger de dentes" (Mt 8.12); "fogo inextinguível" (Lc 3.17); "fornalha acesa" (Mt 13.42); 
"negridão das trevas" (Jd 13) e "a fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos, 
e não têm descanso algum, nem de dia nem de noite" (Ap 14.11). 
Nesses casos uma metáfora não é desculpa para modificar o pensamento que ela 
expressa; devemos, sim, reconhecer que uma metáfora, nessas passagens, é uma frágil 
tentativa de declarar em linguagem o que está além do poder de descrição das palavras 
[...] E bom observar também que quase todas essas expressões saem dos lábios de Cristo. 
Ele sozinho revelou quase tudo o que se sabe sobre esse lugar de retribuição. É como se 
nenhum autor humano fosse confiável para pronunciar tudo sobre essa terrível verdade. 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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15.6. O Lugar dos Mortos 
Quatro diferentes palavras são usadas nas Escrituras em referência ao lugar dos 
mortos até o tempo da ressurreição. Em nenhum caso elas descrevem o estado eterno, 
mas sim o lugar temporário no qual os mortos aguardam a ressurreição. 
Sheol 
A primeira é Sheol, usada 65 vezes no Antigo Testamento e traduzida por "inferno" 
31 vezes (cf. Dt 32.22; Sl 9.17; 18.5; Is 14.9), por "sepultura" 31 (cf. ISm 2.6; Jó 7.9; 14.13) e 
"abismo" três vezes (cf. Nm 16.30,33; Jó 17.16). Essa era a palavra do Antigo Testamento 
usada em referência à morada dos mortos. Era apresentada não só como um estado de 
existência, mas como um lugar de existência consciente (Dt 18.11; ISm 28.11-15; Is 14.9). 
Deus era soberano sobre esse lugar (Dt 32.22; Jó 26.6). Ele era visto como temporário, e os 
justos antecipavam a ressurreição saindo dele para o reino milenar (Jó 14.13,14; 19.25,27; 
Sl 16.9-11; 17.15; 49.15; 73.24). 
Sobre a palavra Sheol, alguns fatos se destacam claramente, 
Observamos que na maioria dos casos Sheol é traduzido por "a sepultura". A 
sepultura, então, se destaca como a tradução melhor e mais comum. 
Com relação à palavra "abismo", observamos que, em cada um dos três casos em que 
ela ocorre (Nm 16.30,33 e Jó 17.16), também sugere a sepultura tão claramente, que 
podemos usar essa palavra e descartar "abismo" da nossa consideração como tradução de 
Sheol. 
Quanto à tradução "inferno", ela não representa Sheol, porque, tanto pela definição 
do dicionário quanto pelo uso coloquial, "inferno" significa o lugar de punição maior. Sheol 
não tem esse significado, mas denota o estado presente de morte. "A sepultura" é, 
portanto, uma tradução muito mais apropriada, porque visivelmente nos sugere o que é 
invisível à mente, ou seja, o estado de morte. Com certeza seria difícil para o leitor do 
português perceber este último sentido no termo "inferno". 
O estudioso descobrirá que "a sepultura", entendida tanto literal quanto 
figuradamente, cumprirá todas as exigências do termo hebraico Sheol: não que Sheol 
signifique tão especificamente UMA sepultura, quanto genericamente A sepultura. A 
Escritura Sagrada é plenamente suficiente para nos explicar a palavra Sheol. 
 Quanto à direção, é para baixo, 
 Quanto ao lugar, é na terra, 
 Quanto à natureza, descreve o estado da morte. Não o ato de morrer, para o 
qual não temos palavra em português, mas o estado ou duração da morte. 
 
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 Quanto à relação, ela contrasta com o estado dos vivos. 
 Quanto à associação, é usada em vínculo com lamentação (Gn 37.34,35), 
angústia (Gn 42.38; 2Sm 22.6; Sl 18.5; 116.3), medo e terror (Nm 16.27-34); 
choro (Is 38.3,10,15,20), silêncio (Sl 31.17; 6.5; Ec 9.10), nenhum conhecimento 
(Ec 9.5,6,10), punição (Nm 16.27-34; lRs 2.6,9; Jó 24.19). 
 Quanto à duração, o reino do Sheol ou a sepultura continuará até a ressurreição 
e terminará somente com ela, que é o seu único escape (v. Os 13.14 etc; cf. Sl 
16.10 com At 2.27,31; 13.35). 
Hades 
A segunda palavra para descrever o lugar dos mortos é Hades. No Novo Testamento 
essa palavra praticamente eqüivale a Sheol, traduzida por "inferno" em todos os casos, 
exceto um (1 Co 15.55, em que é traduzida por "morte"). Geralmente essa palavra tem em 
vista os mortos incrédulos, que estão em agonia, esperando a ressurreição para o grande 
trono branco. Sobre Hades observa-se: 
 Se agora as onze ocorrências de Hades no Novo Testamento forem cuidadosamente 
examinadas, serão alcançadas as seguintes conclusões: 
Hades está permanentemente ligado à morte, mas nunca à vida; sempre com 
pessoas mortas, mas nunca com os vivos. Todos no Hades "NÃO VIVERÃO NOVAMENTE", 
até serem vivificados dentre os mortos (Ap 20.5). Se eles não "vivem de novo" até depois 
de serem vivificados, é perfeitamente claro que não podem estar vivos agora. Doutra 
forma, elimina-se a doutrina da ressurreição. 
A palavra do português "inferno" de maneira alguma representa o termo grego 
Hades, como vimos que também não dá uma idéia correta do seu equivalente hebraico, 
Sheol. 
Que Hades pode significar só e exatamente o que Sheol significa, isto é, o lugar em 
que se experimenta a "corrupção" (At 2.31; cf. 13.34-37), e do qual a ressurreição é o único 
escape.(Ibid., p. 369) 
Scofield representa muitos que diferenciam a morada dos indivíduos salvos e mortos 
antes e depois da ressurreição de Cristo. Ele diz: 
Hades antes da ascensão de Cristo. A passagem em que a palavra ocorre deixa claro 
que o Hades estava antigamente dividido em dois, as moradas dos salvos e a dos 
incrédulos, respectivamente. A primeira era chamada "paraíso" e "seio de Abraão". Ambas 
designações eram talmúdicas, mas foram adotadas por Cristo em Lucas 16.22; 23.43. Os 
mortos abençoados estavam com Abraão, eram conscientes e estavam "confortados" (Lc 
16.25). O ladrão que acreditou estaria, naquele dia, com Cristo no "paraíso". Os incrédulos 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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estavam separados dos salvos por um "grande abismo" fixo (Lc 16.26). O representante 
dos incrédulos que agora estão no Hades é o homem rico de Lucas 16.19-31. Ele estava 
vivo, consciente, exercendo todas as suas funções, memória etc, e em agonia. 
Hades desde a ascensão de Cristo. Quanto aos mortos incrédulos, nenhuma mudança 
de lugar ou condição é revelada nas Escrituras. No julgamento do grande trono branco, o 
Hades os entregará, eles serão julgados e passarão para o lago do fogo (Ap 20.13,14). Mas 
houve uma mudança que afetou o paraíso. Paulo foi "arrebatado ao paraíso" (2 Co 12.1-4). 
O paraíso, então, agora está na presença imediata de Deus. Acredita-se que Efésios 4.8-10 
indique o tempo da mudança. "Quando ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro." 
Acrescenta-se imediatamente que antes Ele havia "descido até às regiões inferiores da 
terra", i.e., a parte do Hades chamada paraíso. Durante a atual era da igreja, os salvos que 
morrem estão "ausentes do corpo e presentes com o Senhor". Os mortos incrédulos no 
Hades e os mortos salvos "com o Senhor" esperam a ressurreição (Jó 19.25; I Co 15.52). (C. 
I. SCOFIELD, Reference Bible, p. 1098-9). 
Tartaros 
A terceira palavra é Tartaros, e é usada apenas em 2Pedro 2.4 em relação ao 
julgamento dos anjos caídos. Ela parece referir-se especificamente à morada eterna dos 
anjos caídos. Tartaros [...] não é Sheol nem Hades [...] aondetodos os homens vão quando 
morrem. Nem é onde os ímpios são consumidos e destruídos, que é Geena [...] Não é a 
morada dos homens em nenhuma condição. E usada apenas aqui em relação aos "anjos, os 
que não guardaram o seu estado original" (v. Jd 6). Ela denota o limite ou a margem desse 
mundo material. 
 A extremidade desse "ar" inferior — do qual Satanás é "o príncipe" (Ef 2.2) e que as 
Escrituras descrevem como o habitat dos "principados das trevas desse mundo" e 
"espíritos malignos nas regiões celestiais". "Tartaros não é apenas o limite dessa criação 
material, mas é chamado assim por sua frieza." (BULLINGER, Op. cit., p. 370.) 
Geena 
A quarta palavra empregada para a morada dos mortos é Geena, usada doze vezes 
no Novo Testamento (Mt 5.22,29,30; 10.28; 18.9; 23.15,33; Mc 9.43,45,47; Lc 12.5; Tg 3.6). 
Em cada caso, ela é usada como termo geográfico e tem em vista o estado final dos 
incrédulos. O julgamento é sugerido e esse é o lugar e o estado resultante. Vos escreve: 
 No Novo Testamento [...] ela designa o lugar de punição eterna dos incrédulos, 
geralmente ligada ao julgamento final. É associada ao fogo como a fonte da tormenta. 
Corpo e alma são lançados ali. Isso não deve ser explicado com base no princípio de que o 
Novo Testamento fala metaforicamente do estado após a morte em termos corporais; ela 
sugere a ressurreição. 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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 Em várias versões Geena é traduzida por "inferno" [...] O fato de "o vale de Hinom" 
ter-se tornado a designação técnica para o lugar da punição final ocorreu por dois motivos. 
Em primeiro lugar, o vale foi o local da adoração idólatra a Moloque, a quem crianças eram 
imoladas pelo fogo (2Cr 28.3; 33.6). Em segundo lugar, por causa dessas práticas, o local 
foi profanado pelo rei Josias (2Rs 23.10), e por isso ficou associado na profecia ao 
julgamento que viria sobre o povo (Jr 7.32). Também o fato de que o lixo da cidade era 
deixado ali pode ter ajudado a criar o nome que era sinônimo da máxima impureza. 
(Geerhardus Vos, Gehenna, International standard Bible encyclopedia, n, p. 1183) 
Assim, Geena teria em vista a retribuição no lago do fogo como destino dos 
incrédulos. 
 Em Mateus 25.41 o Senhor disse aos incrédulos: "Apartai-vos de mim, malditos, para 
o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos". A palavra "preparado" literalmente é 
"tendo sido preparado", sugerindo que o lago de fogo já existia e espera seus residentes. 
Essa é a tese de C. T. Schwarze, então da Universidade de Nova Iorque, de que um lugar tal 
como um lago de fogo é conhecido pela ciência hoje. Ele escreve: “A palavra lago deve 
conotar certa quantidade de matéria em forma líquida. Logo, se a Escritura é verdadeira, 
esse fogo eterno está no estado líquido.” 
O corpo ressurrecto dos incrédulos, evidentemente, será de tal caráter que se 
revelará indestrutível mesmo em meio a tal lago de fogo. 
15.7. A Criação do Novo Céu e da Nova Terra 
Após a dissolução do céu e da terra atuais no fim do milênio, Deus criará um novo 
céu e uma nova terra (Is 65.17; 66.22; 2Pe 3.13; Ap 21.1). Por meio de um ato definido de 
criação, Deus faz surgir um novo céu e uma nova terra. Como Deus criou os céus e a terra 
atuais para serem o cenário da sua demonstração teocrática, assim também criará o novo 
céu e a nova terra para serem o cenário do reino teocrático eterno. 
As alianças de Israel garantem ao povo uma terra, uma existência nacional, um reino, 
um Rei e bênçãos espirituais eternas. Logo, deve haver uma terra eterna, na qual as 
bênçãos possam ser cumpridas. Transladado da antiga terra, Israel será levado à nova, 
para ali desfrutar para sempre o que Deus lhes prometeu. Então será eternamente 
verdadeiro: "Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão 
povos de Deus e Deus mesmo estará com eles" (Ap 21.3). A criação do novo céu e da nova 
terra é o ato preparatório final que antecipa o reino eterno de Deus. Agora é verdade que 
Deus tem um reino no qual "habita justiça" (2Pe 3.13). Com relação ao destino eterno dos 
santos da igreja, devemos observar que está relacionado principalmente a uma Pessoa e 
não a um lugar. Embora o lugar apareça com importância (Jo 14.3), é encoberto pela 
Pessoa a cuja presença o crente é transportado. 
 
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“E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, 
para que, onde eu estou, estejais vós também” (Jo 14.3). 
“Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis 
manifestados com ele, em glória” (Cl 3.4). 
“Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, 
e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão 
primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com 
eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre 
com o Senhor.” (lTs 4.16,17). 
“Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos 
de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque 
haveremos de vê-lo como ele é” (l Jo 3.2). 
 O que se realça em todas as passagens que tratam da esperança gloriosa da igreja é 
a Pessoa, não o lugar, a que ela é levada. 
Já se demonstrou a partir de passagens como Apocalipse 21.3 que o Senhor Jesus 
Cristo habitará com os homens na nova terra no reino eterno. Já que as Escrituras revelam 
que a igreja estará com Cristo, conclui-se que a morada eterna da igreja também será na 
nova terra, na cidade celestial, Nova Jerusalém, preparada especialmente por Deus para os 
santos. Tal relacionamento seria a resposta da oração do Senhor aos que Deus Lhe 
concedeu: "Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me 
deste, para que vejam a minha glória que me conferiste" (Jo 17.24). Já que a glória eterna 
de Cristo será manifestada no reino eterno, no Seu governo eterno, é natural que a igreja 
esteja presente para contemplar a glorificação de Cristo para sempre. 
15.8. A Cura das Nações 
Argumenta-se que a necessidade da cura, como ensinado em Apocalipse 22.2, requer 
que essa passagem seja vista como milenar. 
Jennings diz: "A cura é aplicável às conseqüências inevitáveis daquele princípio 
maligno, o pecado, ainda existente entre nós, tal como existirá, naquela época, entre as 
nações; compaixão e graça podem suprir essas conseqüências com cura". (F. C. JENNINGS, 
Studies in Revelation, p. 588). 
E Kelly acrescenta: "... na eternidade as nações não existem dessa maneira; e 
nenhuma delas terá necessidade de cura nessa época".(KELLY, op. cit., p. 488). 
Scott observa o paralelismo entre essa passagem e Ezequiel 47.12: “As nações 
milenares dependem da cidade acima para luz, governo e cura. Tudo isso tem seu 
 
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equivalente no notável capítulo de Ezequiel 47. "O seu fruto servirá de alimento, e a sua 
folha, de remédio" (v. 12). Tanto a cena acima (Ap 22) quanto a cena abaixo (Ez 47) são 
milenares, e ambas existem ao mesmo tempo, mas a bênção da primeira transcende 
infinitamente a da segunda. A árvore da vida sustenta; o rio da vida alegra.” (Walter 
SCOTT, Expositíon of the revelation of Jesus Christ, p. 440-1). 
Em resposta a esse raciocínio, Ottman comenta: “Mas as duas visões não são a 
mesma. A amplitude da profecia de Ezequiel não se estende além do milênio, enquanto o 
alcanceda de João é a eternidade. A de Ezequiel, no entanto, é um tipo da de Apocalipse 
[...] Devemos lembrar que o milênio representa o céu apenas tipicamente e, apesar de 
seus termos descritivos parecerem harmoniosos aqui, não podemos confundir os dois. A 
cura das nações aqui mencionada não envolve necessariamente um retorno às condições 
milenares. As nações que existirem no fim dos mil anos do reinado de Cristo precisam de 
cura para a bênção total e final que será introduzida depois.” 
 Podemos observar ainda que muitas vezes nos profetas a cura é usada em sentido 
espiritual e não no sentido literal. Logo, a referência a algum pecado específico ou a 
alguma enfermidade específica que necessita de interpretação milenar não precisa ser 
inferida. 
 Ainda podemos observar que havia uma árvore da vida no jardim do Éden para 
sustentar Adão no seu estado pré-queda. Ali ela não tinha referência ao pecado ou à 
doença e aqui também não precisa ter. 
15.9. A Existência das Nações 
Kelly argumenta extensamente que a menção às nações nessa passagem exige sua 
referência ao milênio. No estado eterno Deus lidará com os homens como indivíduos. 
Diferenças históricas chegam ao fim. Então não haverá nada como reis e nações [...] se 
analisarmos a última parte do capítulo, temos de lidar novamente com nações e reis 
terrenos [...] Quando a eternidade começar, Deus terá acabado de lidar com coisas 
pertinentes à ordem do mundo — reis e nações, e provisões semelhantes de natureza 
temporária. Tudo isso implica governo, pois o governo sugere que existe um mal a ser 
suprimido. Conseqüentemente, o que temos na última parte de nosso capítulo não é a 
condição eterna, mas um estado prévio. 
Em resposta a essa objeção, Ottman escreve: 
“Embora a terra seja dissolvida pelo fogo, Israel não deixa de ser o objeto do amor de 
Deus, mas, como nação, sobrevive a esse julgamento. Isso é perfeitamente evidente a 
partir da passagem em Isaías que vai além do reino milenar e declara a continuação de 
Israel em relação ao novo céu e à nova terra (Is 66.22). A idéia de que nenhuma outra 
 
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ESCATOLOGIA 
 
 
 
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nação milenar sobrevive à dissolução da terra é da mesma forma quase inconcebível [...] 
Logo, elas também terão sua conexão com a nova terra, mas distintamente da igreja e de 
Israel.” 
Grande parte do argumento parece basear-se na interpretação da preposição eis em 
Apocalipse 21.26. Kelly, diligente estudioso de grego, afirma: "Não para dentro dela, mas 
até ela, para as quais só há uma palavra grega, eis". Com essa tradução, ele prova sua 
teoria de que o cenário de Apocalipse 21.26 é milenar e as nações chegarão até a cidade. 
Ottman insiste na tradução para dentro dela e diz: “Tanto no fim quanto durante o 
milênio, haverá nações. Não há dificuldade nesse conceito, como também não há 
problema no fato de elas terem acesso à santa cidade, à qual trarão glória e honra.” 
Alford diz: “Se os reis da terra e as nações trazem sua glória e seus tesouros para 
dentro da cidade, e se ninguém jamais entrará nela que não esteja inscrito no livro da vida, 
segue-se que esses reis e essas nações estão inscritos no livro da vida [...] Pode haver [...] 
os que foram salvos por Cristo sem jamais fazer parte da Sua igreja organizada visível". 
15.10. O Ministério dos Anjos 
Scott argumenta que isso deve ser milenar porque "Não há ministrações angelicais no 
cenário da eternidade, e aqui elas são proeminentes". Tal ministério, ele acredita, exige 
uma interpretação milenar. 
Contra isso podemos afirmar que a descrição do estado eterno oferecida em 
Apocalipse 21.1-8 é muito breve. É usar o argumento de silêncio concluir que não haverá 
ministério angelical na eternidade. Em Hebreus 12.22 os anjos são descritos como 
habitantes da Jerusalém celestial, a cidade do Deus vivo. Não é necessário excluí-los da 
eternidade por causa do silêncio em Apocalipse 21.1-8. 
Tais são os argumentos dos defensores dessa posição e as refutações dadas por seus 
antagonistas. E interessante notar a observação de Kelly, que, apesar de defender 
fortemente a posição milenar, afirma: "Mas há certas características nessa passagem que 
são eternamente verdadeiras". ( KELLY, op. cit., p. 489.) 
15.11. A Posição da Cidade em Apocalipse 21.10 
Os intérpretes de ambas as posições geralmente concordam em que a cidade vista 
em Apocalipse 21.10 está suspensa acima da terra. Com base nisso argumenta-se que não 
poderia tratar-se de um cenário milenar, pois no milênio o Senhor retornará à terra e Seus 
pés estarão sobre o monte das Oliveiras (Zc 14.4). O Senhor, afirma-se, reinará da 
Jerusalém terrena, não da Jerusalém celestial. Como essa cidade não está na terra, não 
pode ser milenar, pois obviamente é o centro da habitação do Cordeiro. 
 
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Em resposta, pode-se dizer que Cristo retornará à terra na segunda vinda e reinará no 
trono de Davi. O centro dessa autoridade é reconhecido como a Jerusalém terrena. Isso 
não exige a presença constante de Cristo no trono. Cristo poderá reinar ainda no trono de 
Davi sobre o reino de Davi, mas fazer da Jerusalém celestial Seu lugar de residência com a 
Noiva. 
As características da cidade são eternas, não milenares. Defensores da idéia de que 
essa passagem se refere ao estado eterno indicam várias descrições que atribuem a ela 
caráter eterno. A cidade contém a "glória de Deus". Os incrédulos não poderiam suportar 
essa glória, mas seriam derrubados, como aconteceu com Paulo (At 9.3). Ela não possui 
templo (v. 22), e é claramente previsto em Ezequiel 40-48 que haverá um templo na terra 
milenar. Não há noite ali (v. 25), e haverá dia e noite no milênio (Is 30.26; 60.19,20). O 
trono de Deus está ali (22.3). Lá não existe maldição (22.3), o que significa que os efeitos 
da queda terão sido eliminados. Todos os que estão ali são salvos (21.27) e então devem 
estar na eternidade, já que nascerão incrédulos durante o milênio. Não há mais morte 
(21.4) e, já que indivíduos morrerão durante o milênio (Is 65.20), ela deve referir-se ao 
estado eterno. 
A essas observações pode-se responder que Mateus 25.31 indica que Cristo assumirá 
o "trono de Sua glória" na segunda vinda e certamente ocupará esse trono durante todo o 
milênio. A ausência do templo não é um argumento decisivo, uma vez que o templo de 
Ezequiel está na Jerusalém terrena e não haveria necessidade de um templo na Jerusalém 
celestial, onde está o próprio Cordeiro. Da mesma forma, a ausência de noite não é clara, 
pois haverá noite na terra milenar, mas não precisa haver na cidade celestial, já que o 
Cordeiro está lá para dar luz. A maldição poderia referir-se à retirada da maldição sobre a 
terra por causa do pecado, de modo que a produtividade retornasse ao nível original e o 
veneno da criação animal e a inimizade entre o homem e os animais pudessem ser 
removidos (Is 11) e isso não precisa referir-se à remoção final da maldição pela destruição 
descrita em 2Pedro 3.10. Apenas os salvos poderiam entrar e habitar nessa cidade, mas os 
incrédulos podem habitar na terra durante o milênio, na sua luz. Tal linha de raciocínio 
poderia ser usada para demonstrar que essas referências não estão necessariamente 
restritas à eternidade. 
15.12. A Duração do Reinado 
Apocalipse 22.5 declara que os santos reinarão "pelos séculos dos séculos". Quando 
Apocalipse 20.4 menciona o reinado dos santos que estão no milênio, eles são 
apresentados reinando "com Cristo durante mil anos". Mil anos não é para sempre. E, já 
que esses santos reinam para sempre, a passagem deve referir-se à eternidade e não ao 
milênio.Em resposta a esse argumento pode-se indicar que o reino de Cristo não está 
 
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limitado a mil anos. Ele reinará para sempre. O reino milenar se funde com o reino eterno, 
e então os santos são descritos reinando por mil anos apesar de continuarem a reinar pela 
eternidade. 
A existência das nações na eternidade. Ao defender a posição de que toda essa 
passagem descreve a eternidade, Newell escreve amplamente sobre a interpretação das 
"nações" em Apocalipse 21.24-26. Ele afirma: 
No capítulo 21.3, em que lemos que o tabernáculo de Deus finalmente está entre os 
homens, também lemos que "eles serão povos de Deus" (grego laoi). É incrível ver homens 
esclarecidos traduzindo o plural laoi, quase deliberadamente, como se fosse laos [...] A 
Versão Revista [em inglês] [...] traduz verdadeira e claramente "Eles serão povos de Deus", 
e assim nos prepara para evitar a suposição impossível de que 21.9 a 22.5 seja uma 
passagem que reverte a cenários milenares. 
Sabemos com certeza que pelo menos uma nação e uma descendência, ISRAEL, terá 
o direito de estar na terra [...] Isaías 66.22 [...] Deus diz que "a descendência e o nome" de 
Israel permanecerão nos céus e na terra, isto é, nessa nova ordem que começa em 
Apocalipse 21.1 [...] 
Israel é a nação eleita de Deus — eleita não para o passado, nem mesmo por todo o 
milênio, mas para sempre. Porém, se Israel é a nação eleita, pressupõe-se a existência de 
outras nações!... 
Mas o fato de que essa existência nacional não cessará é demonstrado claramente 
pelo versículo 20 [de Sofonias 3]: "Naquele tempo, eu vos farei voltar e vos recolherei; 
certamente, farei de vós um nome e um louvor entre todos os povos (plural!) da terra". 
Finalmente, a linguagem dos cinco primeiros versículos do capítulo 22 de Apocalipse, 
e especialmente dos versículos 4 e 5, é tão eterna em seu caráter quanto qualquer outra 
coisa no início do capítulo 21. "Nela, estará o trono de Deus e do Cordeiro. Os seus servos 
o servirão, contemplarão a sua face, e na sua fronte está o nome dele [...] e reinarão pelos 
séculos dos séculos." Por que tais afirmações estariam ligadas a uma passagem que 
deveria simplesmente retomar e descrever as condições milenares? Isso seria 
incongruente. Além disso, não é correto, cremos, que as Escrituras voltem depois de o 
último julgamento ser realizado, e de a nova criação ser introduzida, aos tempos antes 
desse último julgamento e da nova criação. (William R. NEWELL, The book of the 
Revelation, p. 343-5.) 
Sobre esse argumento da existência eterna de Israel como nação e a continuidade de 
outras nações, Kelly escreve: 
“... Em Isaías 65 um novo céu e uma nova terra foram anunciados: mas de maneira 
muito diferente! Ali a linguagem deve ser considerada num sentido muito restrito [...] é 
 
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dito sobre o Senhor: "Ele reinará sobre a casa de Jacó para sempre, e o reino não terá fim". 
Essa é uma esperança do Antigo Testamento, apesar de mencionada no Novo Testamento, 
e significa, logicamente, que Ele reinará sobre a casa de Jacó enquanto ela existir como tal 
na terra. Quando a terra desaparecer e Israel não for mais visto como nação, os israelitas 
serão abençoados, sem dúvida, de maneira diferente e melhor; mas não haverá reinado de 
Cristo sobre eles como um povo terreno; e então esse reino, ao mesmo tempo que não 
tem fim enquanto a terra subsiste, deve necessariamente estar limitado à continuidade da 
terra [...] O Novo Testamento usa a frase total e absolutamente, como um estado sem fim; 
mas no Antigo Testamento ela está ligada às relações terrenas sobre as quais o Espírito 
Santo falava naquele momento.” 
Maior apoio à posição de Newell seria encontrado em Mateus 25.34, em que gentios 
salvos herdarão um reino preparado para eles desde a fundação do mundo. Já que eles 
herdam a vida (Mt 25.46), deve ser a vida eterna. Isso indicaria que os indivíduos serão 
salvos, terão vida eterna e ainda serão distintos de Israel. 
Tais são os principais argumentos usados por aqueles que procuram apoiar a opinião 
de que essa passagem representa eras eternas, e não a era milenar. Observamos que 
homens de respeito apresentaram fortes argumentos que, por sua vez, foram contestados 
por homens igualmente respeitáveis de diferente opinião. A luz desses argumentos e 
contraposições, existe solução para o problema? O exame de algumas das afirmações 
relativas à nova Jerusalém nos ajudará a chegar a uma conclusão. 
15.13. A Vida na Cidade Eterna 
Em nenhum lugar as Escrituras apresentam detalhes da vida no reino eterno de Deus. 
Às vezes o véu é levantado para mostrar rapidamente essa vida, da qual a nossa 
experiência atual com Ele é apenas "uma prévia da glória divina". 
Uma vida de comunhão com Ele. Porque, agora, vemos como em espelho, 
obscuramente; então, veremos face a face (1 Co 13.12). Amados, agora, somos filhos de 
Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se 
manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é (lJo 3.2). 
Voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também 
(Jo 14.3). Contemplarão a sua face (Ap 22.4). 
Uma vida de descanso. Então, ouvi uma voz do céu, dizendo: Escreve: Bem-
aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que 
descansem das suas fadigas, pois as suas obras os acompanham (Ap 14.13). 
Uma vida de total entendimento. ... agora, conheço em parte; então, conhecerei 
como também sou conhecido (1 Co 13.12). 
 
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Uma vida de santidade. Nela, nunca jamais penetrará cousa alguma contaminada, 
nem o que pratica abominação e mentira, mas somente os inscritos no livro da vida do 
Cordeiro (Ap 21.27). 
Uma vida de alegria. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não 
existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras cousas passaram 
(Ap 21.4). 
Uma vida de serviço. Nunca mais haverá qualquer maldição. Nela, estará o trono de 
Deus e do Cordeiro. Os seus servos o servirão (Ap 22.3). 
Uma vida de abundância. Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água da 
vida (Ap 21.6). 
Uma vida de glória. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós 
eterno peso de glória, acima de toda comparação (2 Co 4.17). Quando Cristo, que é a nossa 
vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com ele, em glória (Cl 3.4). 
Uma vida de adoração. Depois destas cousas, ouvi no céu uma como grande voz de 
numerosa multidão, dizendo: Aleluia! A salvação, e a glória, e o poder são do nosso Deus 
(Ap 19.1). Depois destas cousas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de 
todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, 
vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos; e clamavam em grande voz, 
dizendo: Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro [...] O louvor, e a glória, e a 
sabedoria, e as ações de graça, e a honra, e o poder, e a força sejam ao nosso Deus, pelos 
séculos dos séculos. Amém (Ap 7.9-12). 
 
 
BIBLIOGRAFIA BÁSICA 
STRONG, Augustus Hopkins. Teologia Sistemática de Strong. São Paulo: 
HAGNOS, 2003. 
HOEKEMA, Anthony A. A Bíblia e o Futuro. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 
1989. 
 
 
 
 
 
 
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