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sobre o gradiente eletroquímico e sobre o fluxo 
tubular permitem que a excreção urinária de potásio seja mantida constante, apesar das grandes 
flutuações na excreção de água. 
 
Diuréticos 
 
Muitos diuréticos usados rotineiramente na clínica de pequenos animais (furosemida, 
tiazidas e manitol, por exemplo) causam elevação na excreção urinária de potássio e podem 
resultar em depleção do seu conteúdo corporal. Esses diuréticos aumentam o aporte de sódio aos 
túbulos distais e a taxa de fluxo tubular distal, tendo como resultado a alta excreção de potássio 
de forma similar à que ocorre em dietas ricas em sódio. 
A espironolactona, o triamtereno e a amilorida geralmente tem efeitos diuréticos leves, mas 
são utilizados como coadjuvantes no tratamento da insuficiência cardíaca. Eles reduzem a perda 
renal de potássio ocasionada pela furosemida e outros diuréticos. 
 
 
Calemia em outras espécies 
 
Pequenos mamíferos e répteis apresentam concentrações séricas de potássio semelhantes e 
mecanismos similares de homeostase. Em aves o potássio também é o principal cátion 
intracelular, inclusive os eritrócitos. Hipercalemia pode ocorrer devido à insuficiência renal com 
diminuição na secreção de potássio, acidose, e necrose tecidual severa. A hipocalemia pode 
estar associada com diarreias crônicas, anorexia prolongada, e alcalose. Desequilíbrios da 
calemia nesses animais podem resultar em fraqueza muscular, distúrbios cardíacos graves ou 
ambos. 
Em pombos, a concentração de potássio começa a decair imediatamente após a coleta da 
amostra de sangue. Para que não sejam obtidos valores falsamente diminuídos de potássio no 
soro destes animais, este deve ser separado o mais rapidamente possível após a coleta do 
sangue. 
Em peixes marinhos mais de 95% do potássio ingerido é absorvido nos intestinos, e o 
excesso é excretado de maneira extra-renal como parte da substância viscosa de revestimento 
cutâneo. A hipocalemia nesses animais pode estar associada com alcalose, perda de potássio 
gastrintestinal ou cutânea, ou toxicidade por nitritos. A hipercalemia pode estar associada com 
acidose e diminuição da secreção renal de potássio em teleósteos. 
 
 
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Considerações finais 
 
O potássio, sendo o cátion intracelular mais abundante no organismo, tem importância 
significativa na manutenção das funções vitais do organismo. Sua distribuição através das 
membranas celulares, entre os compartimentos intra e extracelulares, é o principal determinante 
do potencial de membrana de repouso. O influxo rápido de sódio nas células caracteriza as 
alterações no potencial elétrico necessárias para a realização da sinalização celular, mas a 
distribuição do potássio determina a facilidade com que ela ocorre. Além disso, a redistribuição 
do potássio repolariza a membrana após a ocorrência de um potencial de ação. O potássio é 
especialmente importante na manutenção do ritmo e frequência cardíacos normais, equilíbrio 
renal do sódio, metabolismo ácido-básico, e muitos outros processos do metabolismo 
intermediário. 
Por esses motivos torna-se importante o conhecimento de como as concentrações de potássio 
sérico são mantidas no organismo e os diversos pontos em que a calemia pode sofrer alterações. 
É imprescindível que um clínico de pequenos animais saiba detectar sinais clínicos de distúrbios 
na calemia, assim como um zootecnista deve compreender a importância desse mineral na dieta 
de animais de produção. Sua relação íntima com o funcionamento normal do organismo dita a 
maneira como diversas funções corporais atuam, desde a contração cardíaca, até a síntese de 
proteínas por enzimas especializadas. 
Além disso, por haver diferenças entre as concentrações intraeritrocitárias de potássio em 
diferentes espécies e até mesmo raças de animais, o estudo e conhecimento das possíveis 
alterações in vitro que podem ocorrer durante mensurações de potássio em laboratório são 
essenciais na interpretação dos dados obtidos nesses testes. 
 
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