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Administração Financeira e Orçamentária - AULA 3 AVALIAÇÃO E PLANEJAMENTO FINANCEIRO DE CURTO PRAZO

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ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA 
E ORÇAMENTÁRIA 
AULA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Francisco Luiz Elache 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Olá! Nesta terceira aula, abordaremos temas que dizem respeito à gestão 
do capital de giro das empresas. Como sabemos, a necessidade recorrente de 
fazer empréstimos de curto prazo para cobertura do caixa é sinal de que a gestão 
do capital de giro não vai bem. 
A boa administração do capital de giro é resultado de políticas adequadas 
‒ tanto de curto quanto de longo prazo ‒, as quais se refletem na situação 
financeira do caixa. Assim, embora o foco de nosso estudo seja a gestão do 
capital de giro, perceberemos que isso tem a ver também com outras decisões, 
como aquelas que envolvem políticas de financiamento do imobilizado e de 
distribuição de dividendos. 
Esperamos que o conteúdo desta aula desperte o seu interesse com 
relação a esse assunto. 
CONTEXTUALIZANDO 
As principais obras escritas sobre a área de administração financeira 
referenciadas ao final desta aula tratam, separadamente, do estudo sobre: 
 decisões de finanças de curto prazo; 
 decisões de finanças de longo prazo. 
Mas como distinguir as decisões de finanças de curto prazo daquelas de 
longo prazo? Sobre essa questão, Ross et al. (2015) nos auxiliam a elencar 
alguns exemplos: 
Quadro 1 ‒ Diferenças entre decisões de finanças de curto prazo e decisões de 
finanças de longo prazo 
Decisões de finanças de curto prazo: Decisões de finanças de longo prazo: 
I. Estoques mínimos de segurança. I. Estrutura de capital adequada. 
II. Valores a manter no caixa para 
pagamento das obrigações de curto prazo. 
II. Política de distribuição de dividendos aos 
acionistas. 
III. Prazos médios de recebimento das 
vendas (PMRV) e prazos médios de 
pagamento das compras (PMPC). 
III. Investimentos no ativo imobilizado com 
foco na redução dos custos operacionais para 
o próximo quinquênio. 
IV. Valores a tomar nos bancos para 
cumprir obrigações de curto prazo. 
IV. Ativação ou desativação de projetos de 
produção. 
V. Pagamentos à vista para a obtenção de 
ganhos financeiros. 
V. Aumento do capital social; recompra de 
ações da empresa. 
Fonte: Ross et al., 2015, p. 929-930. 
 
 
3 
Não é o nosso propósito nesta aula tratar das decisões de finanças de 
longo prazo, pois veremos esse assunto na próxima aula. 
Assim, neste momento, daremos ênfase ao estudo das decisões de 
finanças de curto prazo com foco no estudo da necessidade de capital de giro 
(NCG), capital de giro (CDG) e saldo de tesouraria (ST). Veremos também o 
conceito de capital circulante líquido (CCL). 
TEMA 1 – GESTÃO DE CAPITAL DE GIRO E DE CAIXA 
1.1 Capital circulante líquido (CCL) e capital de giro (CDG) 
Ross et al. (2015, p. 929, grifo do original) definem capital circulante 
líquido (CCL) e capital de giro (CDG) da seguinte maneira: 
Com frequência, o termo capital circulante líquido está associado à 
tomada de decisões financeiras de curto prazo. [...] o capital circulante 
líquido é a diferença entre os ativos e os passivos circulantes. Também 
é comum a gestão financeira de curto prazo ser chamada de 
administração do capital de giro ou administração do circulante; esses 
termos são sinônimos, entretanto capital circulante líquido e capital de 
giro são conceitos distintos [...]. 
Observe no Quadro 2 um representativo do balanço patrimonial (BP) de 
uma determinada empresa para entender os significados de capital circulante 
líquido (CCL) e capital de giro (CDG). 
Quadro 2 ‒ Balanço patrimonial (BP) (em milhões ‒ R$) 
Ativo circulante (AC) 
Caixa 
Bancos conta movimento 
Títulos e valores mobiliários 
Contas a receber de clientes 
Estoques 
Impostos a recuperar 
 
Ativo não circulante (ANC) 
Realizável de longo prazo 
Debêntures 
Imobilizado 
Máquinas e equipamentos 
Móveis e utensílios 
Veículos 
Imóveis 
 
Ativo total 
200 
10 
20 
20 
70 
60 
20 
 
100 
20 
20 
80 
30 
15 
5 
30 
 
300 
Passivo Circulante (PC) 
Empréstimos e financiamentos 
Fornecedores 
Salários e contribuições 
Impostos a pagar 
 
Passivo Não Circulante (PNC) 
Empréstimos e financiamentos 
 
Patrimônio Líquido (PL) 
Capital Social 
Lucros acumulados 
Reserva legal 
Reservas de contingências 
Reservas estatutárias 
 
 
Passivo e PL 
130 
20 
55 
30 
25 
 
90 
90 
 
80 
50 
10 
8 
2 
10 
 
 
300 
Fonte: Adaptado de Ross et al., 2015, p. 933. 
 
 
4 
Lembre-se do significado de empréstimos e financiamentos (do 
passivo) concedidos pelos bancos: o primeiro é de uso livre pela empresa; o 
segundo está condicionado à comprovação do objeto (bem) do financiamento. 
Com base nos dados contábeis do Quadro 2, temos que: 
Quadro 3 ‒ Capital circulante líquido (CCL) 
𝑭ó𝒓𝒎𝒖𝒍𝒂: 
 
𝐶𝐶𝐿 = 𝐴𝐶 − 𝑃𝐶 
 
𝐶𝐶𝐿 = 200 − 130 
 
𝐶𝐶𝐿 = 70 
 
𝑵𝒐𝒎𝒆𝒏𝒄𝒍𝒂𝒕𝒖𝒓𝒂: 
 
𝐶𝐶𝐿 = 𝐶𝑎𝑝𝑖𝑡𝑎𝑙 𝑐𝑖𝑟𝑐𝑢𝑙𝑎𝑛𝑡𝑒 𝑙í𝑞𝑢𝑖𝑑𝑜 
 
𝐴𝐶 = 𝐴𝑡𝑖𝑣𝑜 𝑐𝑖𝑟𝑐𝑢𝑙𝑎𝑛𝑡𝑒 
 
𝑃𝐶 = 𝑃𝑎𝑠𝑠𝑖𝑣𝑜 𝑐𝑖𝑟𝑐𝑢𝑙𝑎𝑛𝑡𝑒 
 
Quadro 4 ‒ Capital de giro (CDG) 
𝑭ó𝒓𝒎𝒖𝒍𝒂: 
 
𝐶𝐷𝐺 = (𝑃𝑁𝐶 + 𝑃𝐿) − 𝐴𝑁𝐶 
 
𝐶𝐷𝐺 = (90 + 80) − 100 
 
𝐶𝐷𝐺 = 70 
 
 
𝑵𝒐𝒎𝒆𝒏𝒄𝒍𝒂𝒕𝒖𝒓𝒂: 
 
𝐶𝐷𝐺 = 𝐶𝑎𝑝𝑖𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝑔𝑖𝑟𝑜 
 
𝑃𝑁𝐶 = 𝑃𝑎𝑠𝑠𝑖𝑣𝑜 𝑛ã𝑜 𝑐𝑖𝑟𝑐𝑢𝑙𝑎𝑛𝑡𝑒 
 
𝑃𝐿 = 𝑃𝑎𝑡𝑟𝑖𝑚ô𝑛𝑖𝑜 𝑙í𝑞𝑢𝑖𝑑𝑜 
 
𝐴𝑁𝐶 = 𝐴𝑡𝑖𝑣𝑜 𝑛ã𝑜 𝑐𝑖𝑟𝑐𝑢𝑙𝑎𝑛𝑡𝑒 
 
Percebemos que os resultados tanto do capital circulante líquido (CCL) 
quanto do capital de giro (CDG) é R$ 70,00. 
No entanto, o capital circulante líquido (CCL) corresponde à parcela dos 
usos de recursos circulantes ‒ ou aplicações de recursos no ativo circulante ‒ 
que não é financiada (coberta) pelo passivo circulante. Logo: 
𝐶𝐶𝐿 = 𝐴𝐶 − 𝑃𝐶 
𝐶𝐶𝐿 = 200 − 130 ∴ 𝐶𝐶𝐿 = 70 
Por outro lado, o capital de giro (CDG) corresponde à parcela disponível 
das fontes não circulantes (passivo não circulante e patrimônio líquido) para a 
cobertura do giro das operações. Logo: 
𝐶𝐷𝐺 = (𝑃𝑁𝐶 + 𝑃𝐿) − 𝐴𝑁𝐶 
𝐶𝐷𝐺 = (90 + 80) − 100 ∴ 𝐶𝐷𝐺 = 70 
 
 
5 
Ross et al. (2015, p. 932, grifo nosso) resumem CCL e CDG da seguinte 
maneira: “o capital circulante líquido (CCL) – o uso de recursos não 
financiados pelo passivo circulante – e o capital de giro (CDG) – fonte de 
recursos para o giro das operações”. 
Ainda sobre o capital de giro (CDG), Ross et al. (2015, p. 932) dizem que: 
[...] os recursos aportados pelos sócios (patrimônio líquido) e os 
recursos captados por empréstimos e financiamentos de longo prazo 
(passivo não circulante) – que não estejam comprometidos com o 
financiamento do ativo não circulante – estão disponíveis para financiar 
o giro das operações. São esses recursos que constituem o capital de 
giro. O capital de giro financia os estoques e as contas a receber que 
não têm financiamento suficiente dos fornecedores e de outras contas 
operacionais do passivo circulante. 
Para reforçar essa ideia, consideremos as informações contábeis a 
seguir: 
 Ativo circulante (AC) = R$ 600 mil 
 Ativo não circulante (ANC) = R$ 800 mil 
 Passivo circulante (PC) = R$ 400 mil 
 Passivo não circulante (PNC) = R$ 300 mil 
 Patrimônio líquido (PL) = R$ 700 mil 
Assim, teremos: 
𝐶𝐶𝐿 = 𝐴𝐶 − 𝑃𝐶 → 𝐶𝐶𝐿 = 600 − 400 → 𝐶𝐶𝐿 = 200 𝑀𝐼𝐿 
𝐶𝐷𝐺 = (𝑃𝑁𝐶 + 𝑃𝐿) − 𝐴𝑁𝐶 → 𝐶𝐷𝐺 = (300 + 700) − 800 → 𝐶𝐷𝐺 = 200 𝑚𝑖𝑙 
Podemos notar que o capital circulante líquido (CCL) e o capital de giro 
(CDG) apresentam o mesmo valor (R$ 200 mil), mas a forma com que esses 
valores foram obtidos é contabilmente diferente. 
1.2 Overtrade ou efeito tesoura 
O estudo do capital