A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
45 pág.
Administração Financeira e Orçamentária - AULA 3 AVALIAÇÃO E PLANEJAMENTO FINANCEIRO DE CURTO PRAZO

Pré-visualização | Página 7 de 10

em termos de 
volume, é a conhecida curva ABC. [...] A importância dos estoques é 
medida em relação ao volume físico demandado e a sua participação 
no total dos investimentos efetuados. 
O Quadro 19 relaciona os investimentos feitos no estoque no ano. 
Quadro 19 – Curva ABC dos investimentos em estoque 
Número 
do 
item 
 
(%) 
Código 
do 
item 
Valor do 
investimento 
em ordem 
decrescente 
(R$) 
Valor do 
investimento 
acumulado 
(R$) 
Porcentagem 
do valor 
acumulado 
1 10% A 55.000,00 55.000,00 39% 
2 20% B 45.000,00 100.000,00 71% 
3 30% C 15.000,00 115.000,00 82% 
4 40% D 5.500,00 120.500,00 86% 
5 50% E 4.500,00 125.000,00 89% 
6 60% F 4.000,00 129.000,00 92% 
7 70% G 3.500,00 132.500,00 95% 
8 80% H 3.000,00 135.500,00 97% 
9 90% I 2.500,00 138.000,00 99% 
10 100% J 2.000,00 140.000,00 100% 
Fonte: Adaptado de Gitman, 2014, p. 699. 
 
 
28 
A segunda coluna corresponde à porcentagem (%) de cada item em 
relação ao total de todo o estoque. O valor do investimento de cada item deve 
ser colocado em ordem decrescente de valor. 
Para Assaf (2014, p. 699), “o valor do investimento apurado representa a 
média anual de cada item estocado multiplicado por seu respectivo valor unitário. 
Em ambientes inflacionários, é recomendado trabalhar-se com valores 
corrigidos”. 
A análise do Quadro 19 nos mostra que os dois primeiros itens (A e B) 
correspondem a 71% do valor total dos investimentos em estoque. Portanto, 
esses dois itens (A e B) devem ter a atenção especial da administração para que 
o volume de seu estoque não fique demasiadamente elevado, o que poderia 
consumir recursos desnecessários da empresa e provocar reflexos no caixa. 
O Gráfico 2 mostra que 20% dos itens (formados por A e B) correspondem 
a 71% do total dos investimentos em estoque. 
Gráfico 2 – Curva ABC 
 
Fonte: Adaptado de Gitman, 2014, p. 699. 
4.2 Custo dos estoques 
O termo custo, utilizado neste estudo, não se refere ao custo propriamente 
dito dos estoques (custos de aquisição com o fornecedor), mas, sim, ao custo 
de manutenção dos estoques e ao custo de compra (ou custo do pedido ou 
preparação). 
0%
20%
40%
60%
80%
100%
120%
0% 20% 40% 60% 80% 100% 120%
P
a
rt
ic
ip
a
ç
ã
o
 n
o
 i
n
v
e
s
ti
m
e
n
to
 e
m
 
e
s
to
q
u
e
 (
%
)
Itens (%)
Curva ABC
 
 
29 
O custo de compra representa todos os gastos resultantes das 
necessidades de adquirir materiais ou de autorizar uma ordem de 
produção, sendo excluído o valor de compra (ou de produção) efetivo 
do bem. Dessa maneira, no custo de compra são considerados os 
gastos adicionais oriundos da emissão de pedidos (ou de ordens de 
produção), tais como despesas oriundas do departamento de compra, 
despesas de transporte, despesas associadas ao recebimento e 
inspeção dos materiais, despesas com manutenção e ajustes de 
máquinas de produção, etc. (Assaf, 2014, p. 701, grifo do autor). 
O custo de compra (ou custo do pedido ou preparação) apresenta 
algumas características, a saber: 
 Possui um valor fixo por pedido feito; esse valor não se altera em razão 
da variação na quantidade de estoque requisitada. Assim, dois pedidos 
com quantidades de estoque distintas terão o mesmo custo. 
 Em determinado período, pode ser reduzido se o volume físico dos 
pedidos ‒ ou tamanho do pedido ‒ aumentar. Isso porque o custo de 
compra do período é medido pelo número de pedidos feitos. Ora, um 
volume físico maior de pedidos (tamanho) reduz a frequência de pedidos 
e, portanto, o custo de compra do período. 
 Os estoques médios no período mantêm relação direta com o volume 
físico (tamanho) dos pedidos no período. 
Assim: 
Volume físico (tamanho) maior dos pedidos no período 
 
Menor frequência dos pedidos no período 
 
Menor custo de compra no período 
 
Estoques médios maiores no período 
Outro custo que compõe o custo total dos estoques é o custo de 
manutenção. Assim, ao resultado da soma de custo de compra e custo de 
manutenção dá-se o nome de custo total dos estoques. 
𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑜𝑠 𝑒𝑠𝑡𝑜𝑞𝑢𝑒𝑠 = 𝑐𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑑𝑒 𝑐𝑜𝑚𝑝𝑟𝑎 + 𝑐𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑑𝑒 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜 
O cálculo do custo de manutenção dependerá do tempo (prazo) de 
estocagem dos itens. 
Os custos de manutenção são geralmente os custos variáveis 
associados à decisão de se manterem determinados itens estocados. 
São incluídos nesses custos todos os gastos incorridos pela empresa 
no armazenamento (manutenção) de seus produtos e mercadorias 
durante certo período de tempo. Como exemplos, podem ser citados 
 
 
30 
custo de oportunidade (retorno de uma alternativa não aproveitada pela 
empresa por optar em investir em estoque); custos de armazenagem, 
despesas com seguros, eventuais perdas, deterioração e 
obsolescência, impostos e taxas, etc. (Assaf, 2014, p. 701, grifo do 
autor). 
4.3 Lote econômico 
Para Assaf (2014, p. 703) “o modelo de lote econômico, também 
denominado de EOQ (Economic Ordering Quantity), tem por finalidade básica 
definir o volume de compra de um pedido, de forma que o custo total controlável 
do estoque da empresa seja minimizado”. E o autor ainda complementa, dizendo 
que: 
É sabido que uma quantidade maior de pedido de estoque permite que 
a empresa reduza a sua frequência de solicitações, diminuindo em 
consequência os custos associados aos pedidos. Contudo, essa 
decisão acarreta elevação no volume dos estoques e, 
consequentemente, em seus custos de manutenção (armazenagem). 
Em suma, a técnica do lote econômico envolve determinado equilíbrio 
entre o custo de manter estoques e custo do pedido (Assaf, 2014, p. 
703). 
Assaf (2014, p.703) propõe o seguinte caso: suponha que uma empresa 
preveja utilizar 10.000 unidades de determinada matéria-prima no próximo 
exercício social. Cálculos indicam que o custo de compra (pedido) é de R$ 
400,00 por pedido e o custo de manutenção, de R$ 50,00 por unidade para o 
pedido. Diante dessas informações, é possível descrever o comportamento 
desses custos para diferentes quantidades de compras, conforme é apresentado 
no Quadro 20. 
Quadro 20 – Demonstração do lote econômico 
1 2 3 4 5 
Quantidade do 
pedido (Q) 
(unidade) 
Frequências dos 
pedidos 
Custo de pedido 
(R$) 
Custo de 
manutenção 
(R$) 
Custo total (R$) 
100 100,00 40.000 2.500 42.500 
200 50,00 20.000 5.000 25.000 
300 33,33 13.333 7.500 20.833 
LE = 400 25,00 10.000 10.000 20.000 
500 20,00 8.000 12.500 20.500 
600 16,67 6.667 15.000 21.667 
700 14,28 5.714 17.500 23.214 
Fonte: Adaptado de Assaf, 2014, p. 703. 
 
 
31 
A avaliação do Quadro 20 nos leva a concluir que a minimização dos 
custos totais exige a emissão de 25 pedidos de 400 unidades cada um no ano 
(lote econômico). 
Que tal apresentarmos alguns cálculos sobre os dados do Quadro 20? 
Demonstraremos os cálculos separadamente somente para a primeira 
linha do Quadro 20 ‒ considerando 100 unidades para a quantidade do pedido 
(Q) na coluna 1. A dinâmica dos cálculos será a mesma para as demais 
quantidades do pedido (Q). 
Para isso, utilizaremos as expressões matemáticas sugeridas por Assaf 
(2014, p.705). 
Admitindo-se que: 
 D = demanda 
 Cp (p) = custo de pedido (por pedido) no período 
 Cm (m) = custo de manutenção por unidade no período 
 Cr (r) = custo total dos estoques no período → (Cr = Cp + Cm) 
 Q = quantidade de cada pedido (em unidades) 
 Temos as seguintes expressões básicas de cálculo: 
𝑁ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝑝𝑒𝑑𝑖𝑑𝑜𝑠 𝑛𝑜 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜 = 𝐷 𝑄⁄ 
(𝑜𝑢 𝑓𝑟𝑒𝑞𝑢ê𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑑𝑜𝑠 𝑝𝑒𝑑𝑖𝑑𝑜𝑠) 
𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑑𝑒 𝑝𝑒𝑑𝑖𝑑𝑜

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.