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Apostila de Direito de Família - Parte II - 54 páginas

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de um ano do 
término da vida em comum devidamente comprovado. 
b) Ruptura da sociedade conjugal por culpa e por conduta desonrosa 
Tradicionalmente, se um cônjuge imputa ao outro a culpa pela dissolução do 
matrimônio, diante de grave violação de um dos deveres conjugais ou por uma conduta 
desonrosa, ao cônjuge inocente é permitido postular em juízo a dissolução da sociedade 
conjugal. 
 
Os fundamentos legais para o pedido de separação formulado por um dos cônjuges 
são os seguintes: 
 
a) fato desonroso; 
b) o descumprimento dos deveres de assistência material ou imaterial; 
c) a ruptura da sociedade conjugal; e 
d) a enfermidade física ou mental grave. 
 
Fato desonroso é aquele que expõe o nome do cônjuge ou da família ao ridículo, 
ofendendo a sua honra, o respeito ou a privacidade. Podemos, ainda, citar: a torpeza, a 
corrupção, a criminalidade, a embriaguez contumaz, o uso de entorpecentes e as práticas 
sexuais anormais. 
 
Profª Maria Cremilda Silva Fernandes 
Especialista em Direito Privado 
 
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Descumprimento dos deveres de assistência material ou imaterial – exemplos: o 
adultério, a injúria grave, os maus-tratos e o abandono de lar. 
 
Enfermidade física ou mental grave é aquela que possui cura improvável, o cônjuge 
enfermo deverá estar nesta condição, no mínimo,por 2 anos (no CC/16 era no mínimo por 5 
anos). 
 
5.1 Separação remédio 
Diante do reconhecimento da insuportabilidade da vida em comum ou da impossibilidade 
de reconstituição da sociedade conjugal. 
 
5.2 Causas de insuportabilidade da vida em comum: 
 
 
a) o adultério, que importa em violação da vida em comum; 
b) a tentativa de morte contra o outro cônjuge; 
c) a sevícia, ou seja, o castigo físico (tapa, espancamento etc.), ou a prática de 
injúria grave contra o outro cônjuge. 
 
Os mais recentes julgados, apontam, ainda: 
 
d) a embriaguez habitual; 
e) uso abusivo de morfina; 
f) ciúme despropositado; 
g) o pedido de interdição por insanidade inexistente; 
h) o descumprimento do débito conjugal; 
i) trocar a fechadura do domicílio, impedindo a entrada do outro cônjuge; 
j) o abandono voluntário do domicílio conjugal por um ano contínuo; 
k) a condenação por crime infamante; 
l) a conduta desonrosa; 
m) e por outros motivos reconhecidos pelo juiz de direito. 
 
Em qualquer hipótese de separação judicial, são inerentes à sentença que extingue o 
vínculo matrimonial: 
• a separação de corpos; 
• o fim dos deveres de coabitação; 
• a fidelidade mútua; 
• a partilha dos bens. 
 
A partilha dos bens, no entanto, não precisa ser prévia, podendo ser postergada para 
depois do divórcio. 
 
Profª Maria Cremilda Silva Fernandes 
Especialista em Direito Privado 
 
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6. Reconstituição do casamento 
 
Art. 1.577. Seja qual for a causa da separação judicial e o modo como esta se faça, é lícito aos 
cônjuges restabelecer, a todo tempo, a sociedade conjugal, por ato regular em juízo. 
Parágrafo único. A reconciliação em nada prejudicará o direito de terceiros, adquirido antes e 
durante o estado de separado, seja qual for o regime de bens. 
 
Reconstituição do casamento é a desistência da pretensão de divórcio. 
 
 
 
O assunto em comento prevê o restabelecimento da sociedade conjugal; essa 
possibilidade é o que marca a separação judicial como medida que tanto pode conduzir ao 
divórcio, quanto permitir a reconciliação. 
 
Não se trata de mero fato; requer a lei ato regular em juízo, vale dizer, intervenção do 
Estado-Juiz chancelando o restabelecimento. Demais disso, com o fim de proteger a boa-fé de 
terceiros, em face da eficácia jurídica da separação, são colocados a salvo tais direitos. 
 
Interessante anotar que para o restabelecimento não importa a causa da separação, quer 
tenha sido consensual, quer litigiosa. 
O requerimento deve ser formulado por ambos os cônjuges, perante o juízo competente, 
que é o da separação judicial, sendo reduzido a termo assinado pelos cônjuges e homologado 
por sentença, depois da manifestação do MP. Com a reconciliação, os cônjuges voltarão a 
usar o nome que usavam antes da dissolução da sociedade conjugal. 
 
Não haverá alteração no regime de bens, porém, se o casal se divorciou, poderá unir-se 
novamente (novo casamento) com outro regime de bens. É possível, todavia, em caso de 
separação judicial, a alteração do regime de bens por ocasião da reconciliação, mediante 
autorização judicial, se houver “pedido motivado de ambos os cônjuges, apurada a 
procedência das razões invocadas e ressalvados os direitos de terceiros” (CC, art. 1.639, § 2º). 
 
O art. 101 da Lei dos Registros Públicos, aludida no item anterior, que o ato de 
restabelecimento da sociedade conjugal será também averbado no Registro Civil, com as 
mesmas indicações e efeitos. 
 
O artigo 1.579 proclama a inalterabilidade dos direitos e deveres dos pais com relação aos 
filhos, em decorrência do divórcio ou do novo casamento de qualquer um deles. A obrigação 
alimentar, fruto tanto dos laços de parentesco quanto em decorrência do poder familiar, não 
sofre qualquer modificação com a mudança do estado civil do alimentante (quem paga 
alimentos). No entanto, está-se consolidando corrente jurisprudencial que permite a revisão do 
valor dos alimentos quando estabelece o alimentante novo vínculo afetivo ou ocorre o 
nascimento de outros filhos. 
 
7. Conversão da separação em divórcio – art. 1.580 
 
Profª Maria Cremilda Silva Fernandes 
Especialista em Direito Privado 
 
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Apenas o divórcio importa no rompimento do vínculo matrimonial, em caráter definitivo. 
 
O divórcio pode ser obtido por meio indireto ou via conversão, decorrido um ano do 
trânsito em julgado da sentença que houver decretado a separação judicial, ou da decisão 
concessiva da medida cautelar de separação de corpos. 
 
A ruptura do vínculo pode dar diretamente, prevendo-se que o divórcio poderá ser 
requerido, por um ou por ambos os cônjuges, no caso de comprovada a separação de fato por 
mais de 2 anos. 
 
8. Divórcio Indireto 
 
A separação (a judicial ou aquela concessiva tão-só da separação de corpos) como 
estágio intermédio entre o casamento e a ruptura do vínculo, na modalidade do divórcio 
indireto. 
 
9. Divórcio 
 
Divórcio é a completa ruptura da sociedade conjugal e do vínculo matrimonial, que 
torna o divorciado livre para a celebração de novo casamento civil. 
 
O divórcio veio a ser permitido no Brasil a partir da Emenda Constitucional n.º 9, de 
28.6.1977, antes o casamento somente poderia ser extinto por morte ou mediante desquite, o 
que não rompia o liame conjugal e permitia tão-somente a separação do casa; 
impossibilitando-se, pois, novas núpcias. 
O divórcio direto está previsto no segundo parágrafo do artigo 1.580. O artigo 1.581 
dispensa a partilha dos bens para a sua decretação e o art. 1.582 identifica os legitimados para 
propor a demanda. 
 
9.1 Efeitos da separação e do divórcio 
 
A separação e o divórcio acarretam efeitos sobre a pessoa e o patrimônio dos cônjuges, 
assim como sobre os demais membros da família. 
 
9.2 Nome de casado 
 
No regime jurídico anterior, apenas a mulher poderia adotar o patronímico do marido, 
hoje, dado ao princípio da igualdade entre o homem e a mulher, ambos podem. Porém, nosso 
país, não tem essa tradição. 
 
Como exceção à regra à regra, no caso de separação litigiosa, estipulou que a mulher 
não poderia continuar utilizando o nome do marido, se julgada culpada pela separação. 
 
O que tem acontecido: tratando-se de separação ou divórcio litigioso, o evictor perderá 
o direito de usar o nome do outro, se expressamente requerido pelo vencedor e sua alteração 
não ocasionar: 
 
• prejuízo evidente à sua identificação; 
• manifesta diferença entre o seu nome