A1 consumidor FINALIZADO.docx
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UNIVERSIDADE SÃO JUDAS TADEU
FACULDADE DE DIREITO
ANA CAROLINA PENTEADO - 81912905
JENNIFER ANDRADE RIBEIRO - 819158037
MARINA GIMENES TREZ - 819125709
DIREITO DO CONSUMIDOR
ATIVIDADE AVALIATIVA 1
SÃO PAULO
2020
1) Ciclane Solange era locatária de um cofre do Banco Itamambu, serviço contratado há cinco anos no intuito de manter em segurança as joias herdadas de sua mãe, cujo valor era correspondente a R$600.000,00. Entretanto, para além do valor monetário, tais joias possuíam também valor sentimental, uma vez que estes bens estavam em sua família há gerações.
Ao ter notícia de que o banco havia sido assaltado e que o roubo incluia o cofre locado por ela, Ciclene foi surpreendida duas vezes: em primeiro lugar, Ciclene havia confiado ao banco a segurança de sua herança. Posteriormente, descobriu no contrato uma cláusula limitativa, redigida em letras minúsculas, em que o contratante se comprometeria a não guardar bens que superassem o valor de R$20.000,00.
No que diz respeito às cláusulas limitativas, esclarece o Código de Defesa do Consumidor em seu artigo 54, §4º, que tais cláusulas devem ser redigidas em destaque, de modo a promover imediata e fácil compreensão. Deste modo, a cláusula limitativa do contrato de locação do cofre revelou ser, em realidade, uma cláusula abusiva, como previsto no artigo 51:
  Art. 51. São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que:
  I - impossibilitem, exonerem ou atenuem a responsabilidade do fornecedor por vícios de qualquer natureza dos produtos e serviços 
 IV - estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou sejam incompatíveis com a boa-fé ou a eqüidade;
XV - estejam em desacordo com o sistema de proteção ao consumidor;
O fato de a cláusula limitativa ter sido redigida em letras miúdas, em desconformidade ao que é estabelecido dentro do próprio Código de Defesa do Consumidor, revela um vício de informação (Art. 14, caput c/c Art. 54, §3) ao dificultar o entendimento de Ciclene acerca do contrato que estava sendo firmado. 	Além disso, ao adotar esse procedimento, o Banco Itamambu vai contra o princípio da boa-fé (art. 4°, III), da igualdade (art. 6°, II), da informação (art. 31, caput) e o princípio da transparência, previsto nos artigos 4°, caput e 46.
Ainda em se tratando do artigo 46 do CDC, fica evidenciado a necessidade do dever de informar, por parte do fornecedor de serviços, uma vez que em se tratando do contrato de adesão, nao há manifestação de vontade por parte do consumidor e tampouco é lhe dada a oportunidade de rever quaisquer cláusulas.  
Assim, as informações pré-contratuais devem conter todas os aspectos relevantes para uma tomada de decisão. Neste sentido, se no momento da celebração do contrato entre o Banco Itamambu e sua cliente a cláusula limitativa de valor estivesse destacada em conformidade com o 54, §4º, Ciclene possivelmente não teria prosseguido com a contratação do serviço, uma vez que esta se revela excessivamente onersosa à consumidora.
Em relação ao assalto aos cofres do Banco Itamambu, ainda que tenha sido decorrente de um caso fortuito interno, não exime o dever de indenizar, uma vez que a responsabilidade civil da instituição financeira é objetiva, respondendo pelo fato e pelo serviço, como previsto no artigo 14 do CDC:
 Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.
        § 1° O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que o consumidor dele pode esperar
Acerca disso, é possível citar jurisprudência do Tribunal de Justiça de São Paulo:
Responsabilidade Civil - Roubo nas dependências do Banco - Responsabilidade objetiva do prestador de serviços - Estacionamento terceirizado - Irrelevância - Falha na contratação de terceiros - Culpa in iligendo - O estabelecimento bancário tem o dever de guarda e vigilância - Sentença reformada - Recurso PROVIDO.
(TJ-SP - APL: 994030233840 SP, Relator: Adilson de Andrade, Data de Julgamento: 25/05/2010, 3ª Câmara de Direito Privado, Data de Publicação: 01/06/2010) (Grifos nossos)
Neste sentido, resulta claro o dever de indenizar, por parte do Banco Itamambu, pelos danos materiais sofridos por Ciclene. Entretanto, devido à cláusula limitativa a qual se configura abusiva, o valor indenizatório revelou-se ínfimo em relação às joias que estavam guardadas no cofre. 
Deste modo, Ciclene sofreu o dano duas vezes: teve as joias que ganhara de herança roubadas durante o assalto, devido a uma falha na segurança do fornecedor de serviços, bem como recebeu do Banco como indenização um valor abaixo do que era imaginado.
 Contudo, o Código de Defesa do Consumidor não deixa dúvidas, em seu artigo 6º que são direitos básicos do consumidor:
IV - a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos comerciais coercitivos ou desleais, bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos e serviços;
        V - a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas;
        VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos (grifos nossos)
No que se refere aos danos morais, entende Maria Helena Diniz que
\u201cO dano moral, no sentido jurídico não é a dor, a angústia, ou qualquer outro sentimento negativo experimentado por uma pessoa, mas sim uma lesão que legitima a vítima e os interessados reclamarem uma indenização pecuniária, no sentido de atenuar, em parte, as conseqüências da lesão jurídica por eles sofrido\u201d (DINIZ, 1998, P. 81-82)
Portanto, o dano moral não seria relativo ao roubo da herança de Ciclene, uma vez que, ao firmar o contrato, caberia à instituição financeira indenizá-la em caso de danos decorrentes de defeito do serviço, como citado no artigo 14 do CDC, mas da lesão jurídica decorrente da abusividade da cláusula, pela qual demonstra-se que não foi preservado o princípio da boa-fé que era esperado do fornecedor de serviços, como pode-se ler na seguinte jurisprudência:
\u201cRESPONSABILIDADE CIVIL. DANOS MORAIS E MATERIAIS. ROUBO EM AGÊNCIA BANCÁRIA. SUBTRAÇÃO DE BENS DOS AUTORES DEPOSITADOS EM COFRE SITUADO NA AGÊNCIA. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS QUE TEM NATUREZA DE DEPÓSITO E NÃO DE LOCAÇÃO. CONDUTA NEGLIGENTE DO BANCO CONFIGURADA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO BANCO NOS TERMOS DO ART. 14, DO CDC. CLÁUSULA EXCLUDENTE DE RESPONSABILIDADE CONSIDERADA NULA EM CONTRATOS DE CONSUMO. DEVER DE INDENIZAR CONFIGURADO. DANOS MATERIAIS E MORAIS QUE DEVEM SER REPARADOS, PORÉM, COM A DIMINUIÇÃO DO VALOR A TÍTULO DE DANOS MORAIS. VALOR QUE NÃO PODE ENSEJAR O ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA DOS AUTORES. RECURSOS PARCIALMENTE PROVIDOS. SENTENÇA PARCIALMENTE REFORMADA RESPONSABILIDADE CIVIL. DANOS MORAIS E MATERIAIS. VALOR DE ATUALIZAÇÃO DE MERCADO DOS DANOS MATERIAIS. CONTAGEM QUE SE DÁ A PARTIR DA DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA TRAZIDA AOS AUTOS. MODIFICAÇÃO IMPOSSIBILITADA PELA AUSÊNCIA DE ELEMENTOS PROBATÓRIOS TEMPESTIVAMENTE OFERTADOS. (TJSP, Apelação n. 7218784-7, Acórdão n. 3437153, Piracicaba, Vigésima Primeira Câmara de Direito Privado, Rel. Des. Ademir de Carvalho Benedito, julgado em 03/12/2008, DJESP 05/02/2009).
Deste modo, a reclamante Ciclene Solange deve ingressar com ação indenizatória por danos materiais e morais contra o Banco Itamambu.
2) Nosso ordenamento jurídico prevê, no Código Civil, as relações contratuais privadas. Entretanto, no que diz respeito às relações de consumo, os contratos devem ser observados à luz da norma especial, possuindo, inclusive, garantia no texto constitucional (Arts. 5º, XXXII e 170, V).
Essa proteção especial surge do reconhecimento de que, dentro da relação de consumo entre consumidor