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Artigo Científico - Centro para Crianças Autistas

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CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNISOCIESC/ CAMPUS JOINVILLE (CENTRO DE APOIO E DESENVOLVIMENTO PARA CRIANÇAS AUTISTAS)
SILVA, Máyra1
ZANUZO, Dalila2
RESUMO
Este artigo tem como tema base o autismo, caracterizado como uma deficiência no desenvolvimento que pode causar desafios sociais, de comunicação e comportamentais significativos. O objetivo principal é desenvolver as diretrizes para um anteprojeto de um centro de apoio e desenvolvimento para crianças autistas com o intuito de oferecer um espaço arquitetônico adequado para o desenvolvimento de atividades escolar e terapêuticas, servindo assim como um apoio ao estudo regular em contraturno. Na cidade de Joinville, Santa Catarina, não há dados quantitativos sobre número de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), mas de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 01 a cada 160 crianças é diagnosticada com TEA. De acordo com esse cenário, foi identificada apenas uma associação na cidade de Joinville que oferece esse tipo de serviço específico para autistas, portanto, é justificada a necessidade e relevância do desenvolvimento deste projeto. A metodologia utilizada teve como base os três pilares: pessoas, lugar e construção, a fim de compreender as necessidades dos autistas, verificar os conceitos urbanos para que contribuam para uma melhor implantação do projeto e por fim, analisar como os aspectos construtivos podem contribuir para uma melhor espacialização do mesmo. Por fim, compreendem-se as principais diretrizes para o seu desenvolvimento, levando em consideração as necessidades do usuário em relação à metodologia educacional, layout, conforto e segurança, para que o ambiente auxilie positivamente no aprendizado e desenvolvimento das crianças com TEA, e portanto proporcione uma melhor qualidade de ensino e terapias.
Palavras-chave: Autismo; Criança; Educação; Metodologias; Diretrizes.
1Máyra Letícia da Silva: Graduanda do Curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário UNISOCIESC, arqmayraleticia@gmail.com; 2Professora Orientadora do Curso Superior de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Sociedade Educacional de Santa Catarina UNISOCIESC, Mestre em Engenharia Civil pela Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC, Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela UNISOCIESC, Joinville, Santa Catarina, Brasil. dalila.zanuzo@unisociesc.com.br. 
1. INTRODUÇÃO
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma deficiência no desenvolvimento que pode causar desafios sociais, de comunicação e comportamentais significativos. Geralmente, o transtorno é caracterizado pela diferença no modo de se comunicar, interagir, se comportar e aprender de maneiras diferentes da maioria das outras pessoas. As habilidades de aprendizado, pensamento e resolução de problemas podem variar de superdotados a severamente desafiados. (RUTTER; SCHOLPER, 1992).
Este artigo tem como objetivo traçar diretrizes para a elaboração de centro de apoio e desenvolvimento, faz-se necessário abordar as características principais que envolvem o desenvolvimento de um espaço propício ao aprendizado em conjunto com a interação social, emocional e de comunicação para crianças com TEA. Atualmente, um diagnóstico de TEA inclui várias condições que costumavam ser diagnosticadas separadamente: transtorno autista, transtorno invasivo do desenvolvimento não especificado de outra forma e síndrome de Asperger. Essas condições agora são chamadas de desordem do espectro autista, onde o termo “espectro” é empregado ao transtorno pelo fato de haver graus de autismo, variando entre leve ao elevado, trazendo um singularidade a cada indivíduo que o possuí. (KAJIHARA, 2014).
A partir do levantamento de dados e análises na cidade de Joinville, Santa Catarina houve a constatação da necessidade de espaços arquitetônicos que atendam efetivamente crianças que possuem o TEA. Atualmente, há apenas um espaço que é destinado a este tipo de serviço, a Associação de Amigos do Autista (AMA), que não possui uma estrutura arquitetônica totalmente preparada para atender as necessidades dos usuário, além de não conseguir atender a demanda já existente e crescente na cidade. Leva-se em consideração também que a mesma atende crianças das regiões vizinhas, tal fato agrava a situação em relação a uma fila de espera já existente para o atendimento e tratamento dessas crianças. 
No Brasil não há dados oficiais que dê um panorama sobre os casos de autismo, as informações quantitativas obtidas advém da Organização Mundial da Saúde (OMS), onde 01 em 160 crianças é diagnosticada com TEA. Segundo o Centers For Disease Control and Prevention (CDC, 2014), cerca de 01 em 59 crianças foi identificada com transtorno do espectro autista (TEA), a partir das estimativas da “The Autism and Developmental Disabilities Monitoring” (ADDM)³. De acordo com o estudo “Retratos do Autismo no Brasil” de 2013, há uma estimativa de que na região Sul do Brasil é o número de autistas seja de 170.000 mil. Em 2017, 77.102 crianças e adolescentes com autismo estudavam na mesma sala que pessoas sem deficiência. Esse índice subiu para 105.842 alunos em 2018, ou seja, o número de alunos com transtorno do espectro autista (TEA) que estão matriculados em classes comuns no Brasil aumentou 37,27% em um ano. Os dados foram extraídos do Censo Escolar, divulgado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP, 2018).
O objetivo geral deste trabalho é definir as diretrizes arquitetônicas para o desenvolvimento de um anteprojeto de um centro de apoio e desenvolvimento para crianças que possuem o Transtorno do Espectro Autista (TEA). De modo que este espaço atenda igualitariamente todos os aspectos voltados ao desenvolvimento educacional, cognitivo e social das mesmas fazendo com que o espaço interaja com os sentidos e assimilações individuais e coletivas. 
O intuito no desenvolvimento do mesmo é que ele atenda em contraturno das atividades escolares regulares como um auxílio no melhor desenvolvimento escolar e social possível para as crianças autistas, possibilitando uma rotina educacional e servindo também como um apoio social às famílias. A urgência de um espaço que ofereça tais atividades educacionais se dá pelo fato de que quanto mais cedo a criança autista recebe o tratamento e é estimulada, maiores são as chances de resultados positivos não somente no quesito educacional e social mas especialmente no sentido médico. Desta forma se torna possível estabelecer os fundamentos e quadros clínicos claros a fim de oferecer um prognóstico assertivo e abordagens terapêuticas eficientes. (JUNIOR; PIMENTEL, 2000). 
3Rede de monitoramento do autismo e deficiências, criada em 2000, em 11 localizações diferentes (Arizona, Arkansas, Colorado, Georgia, Maryland, Minnesota, Missouri, New Jersey, Tenesse, Wisconsin e Carolina do Norte). Esse estudo foi realizado de 2014 a 2016 e levou em consideração apenas crianças nascidas em 2006 e alerta para a variação desses números dentro do próprio país.
Para atingir o objetivo geral, os seguintes objetivos específicos foram desenvolvidos: 1) Estudar o público alvo e as necessidades que envolvem os espaços para atender pessoas que apresentam o Transtorno do Espectro Autista (TEA); 2) Projetar espaços com base em metodologias educacionais que atendam melhor às necessidades de quem possui o Transtorno do Espectro Autista (TEA); 3) Verificar espacialmente em Joinville a partir 
de análises um local adequado e que atenda aos requisitos necessários à implantação do projeto; 4) Explanar a respeitos das concepções de sensações, sentidos, formas e percepções que envolve os aspectos da construção como espaço físico. Para desenvolver os objetivos específicos foi desenvolvido a partir de métodos de pesquisa, presentes no Quadro 01:
Quadro 01: Matriz Metodológica 
	Objetivos Específicos
	Dados para Coleta
	Método da Coleta
	Definir o público alvo e as necessidades que envolvem os espaços para

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