Apostila de Racionalização
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Apostila de Racionalização


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Racionalização do Trabalho 
João Paulo do Carmo 
 
 
 
 
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Fases da Racionalização 
 
Nos EUA, o engenheiro Frederick W. Taylor (1856-1915) iniciou os estudos para 
aplicar nas fábricas uma organização do trabalho baseada em princípios que 
resultam de uma investigação com carácter científico. Este modelo conhecido por 
taylorismo foi exposto na sua obra Princípios de Direção Científica da Empresa, 
publicada em 1911. 
O taylorismo consiste na divisão do trabalho em tarefas simples executadas com 
precisão por gestos simples e repetitivos. Pretendia deste modo, eliminar os tempos 
mortos e os gestos desnecessários, alcançar a especialização do operário mediante 
um automatismo rigoroso, a fim de aumentar a produtividade. 
Henry Ford, em 1913, aplicou o taylorismo à indústria automóvel (produção do 
Modelo T), introduzindo nas suas fábricas a linha de montagem para, segundo o 
próprio, \u201clevar o trabalho ao operário, em vez de levar o operário ao trabalho\u201d. 
Tapetes rolantes faziam chegar às peças aos operários que, sem se deslocarem, 
trabalhavam como uma autêntica máquina humana, segundo a cadência imposta 
pelas engrenagens. Deste modo, poupavam-se todos os gestos inúteis ou lentos, o 
que resultou num extraordinário aumento da produtividade. Obtinha-se assim a 
produção em massa que caminhou no sentido da uniformização e da padronização 
de certos artigos ou peças, produzidas em série e em grande quantidade. A este 
processo deu-se o nome de estandardização (uniformização dos artigos produzidos 
através do fábrico em série). Embora eficazes do ponto de vista do patronato, os 
métodos taylorizados foram muito contestados pelas federações de trabalhadores e 
também por numerosos intelectuais, tanto nos EUA como na Europa, onde se 
difundiram rapidamente. Criticavam-lhes a racionalização excessiva, que retirava 
toda a dignidade ao trabalho, transformando-o operário num mero autómato, escravo 
de uma cadeia de máquinas. 
 
 
 
 
 
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Evolução histórica - teorias racionais 
 
Em uma perspectiva histórica, as ciências humanas são marcadas por três 
concepções de mundo e de homem que apresentam características distintas: a 
cosmocêntrica, a teocêntrica e a antropocêntrica (FREITAS, 2000). Na primeira 
concepção, a cosmocêntrica, os homens eram meros expectadores assujeitados aos 
imperativos do Cosmo que tudo regia. Trata-se de uma visão de homem abstrato, a-
histórico e subjugado a uma moral de caráter metafísico. Na segunda concepção, a 
teocêntrica, os fundamentos que explicam todas as coisas, incluindo a produção do 
conhecimento, permaneciam situados externamente ao homem, entretanto, 
deslocando-se dos imperativos do Cosmo foram incorporados pelos desígnios de 
uma ordem divina, de um Deus criador, que a tudo regia. 
A terceira concepção, a antropocêntrica, emerge no Renascimento, época em que 
se verificam transformações radicais no mundo europeu decorrentes do 
mercantilismo, movimento que levou à descoberta de novas terras e à acumulação 
de riquezas pelas nações em formação (França, Itália, Espanha e Inglaterra), 
caracterizando uma transição para o capitalismo e para a formação de uma nova 
organização econômica e social. A burguesia que emergia como uma nova classe 
social, visando a alcançar a sua própria emancipação, reivindica a libertação do 
homem da sua condição de assujeitado à imutabilidade das leis do universo e 
defende a possibilidade de desvendar a Natureza. 
A administração científica é um modelo de administração criado pelo americano 
Frederick Winslow Taylor no fim do século XIX e início do século XX e que se baseia 
na aplicação do método científico na administração com o intuito de garantir o 
melhor custo/benefício aos sistemas produtivos. 
Taylor procurava uma forma de elevar o nível de produtividade conseguindo que o 
trabalhador produzisse mais em menos tempo sem elevar os custos de produção. 
Assim, ele observou que os sistemas administrativos da época eram falhos. A falta 
de padronização dos métodos de trabalho, o desconhecimento por parte dos 
administradores do trabalho dos operários e a forma de remuneração utilizada foram 
as principais falhas estudadas por Taylor. 
 
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Assim, em 1903, ele publica o livro \u201cAdministração de Oficinas\u201d onde expõe pela 
primeira vez suas teorias. Taylor propõe a racionalização do trabalho por meio do 
estudo dos tempos e movimentos. O trabalho deveria ser decomposto, analisado e 
testado cientificamente e deveria ser definida uma metodologia a ser seguida por 
todos os operários com a padronização do método e das ferramentas. 
Os operários deveriam ser escolhidos com base em suas aptidões para a realização 
de determinadas tarefas (divisão do trabalho) e então treinados para que executem 
da melhor forma possível em menos tempo. Taylor, também, defende que a 
remuneração do trabalhador deveria ser feita com base na produção alcançada, pois 
desta forma, ele teria um incentivo para produzir mais. 
 
Teoria da Administração Científica 
 
A Teoria da Administração Científica surgiu no final do século XIX, com Taylor, em 
decorrência do desenvolvimento industrial, e a partir da visão dos administradores 
da necessidade de intensificar e melhorar a produção. 
Esta teoria tem como objetivo o aumento da eficiência, através da eliminação de 
todo desperdício do esforço humano; adaptação dos trabalhadores à própria tarefa; 
treinamento para que respondam às exigências de seus respectivos trabalhos; 
melhor especialização de atividades e estabelecimento de normas bem detalhadas 
de atuação no trabalho, isto é, predominava a atenção para o método de trabalho, 
para os movimentos necessários à execução de uma tarefa, para o tempo padrão 
determinado de sua execução, que constituem a chamada Organização Racional do 
Trabalho (CHIAVENATO, 1983; FLEURY & VARGAS, 1983). 
A principal característica da Administração Científica é a "ênfase nas tarefas e 
técnicas de racionalização do trabalho através do estudo de tempos e movimentos", 
que se preocupava em racionalizar a produção, numa visão extremamente 
mecanicista e microscópica do homem (CHIAVENATO, 1983; FLEURY & VARGAS, 
1983; TEIGER, 1985). 
 
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Princípios da Administração Científica 
Em seu segundo livro \u201cPrinciples of Scientific Management\u201d (Princípios de 
Administração Científica), publicado em 1911, Taylor apresenta seus estudos, porém 
com maior ênfase em sua filosofia, e introduz os quatro princípios fundamentais da 
administração científica: 
\u2022 Princípio de planejamento \u2013 substituição de métodos empíricos por procedimentos 
científicos \u2013 sai de cena o improviso e o julgamento individual, o trabalho deve ser 
planejado e testado, seus movimentos decompostos a fim de reduzir e racionalizar 
sua execução. 
\u2022 Princípio de preparo dos trabalhadores \u2013 selecionar os operários de acordo com as 
suas aptidões e então prepará-los e treiná-los para produzirem mais e melhor, de 
acordo com o método planejado para que atinjam a meta estabelecida. 
\u2022 Princípio de controle \u2013 controlar o desenvolvimento do trabalho para se certificar 
de que está sendo realizado de acordo com a metodologia estabelecida e dentro da 
meta. 
\u2022 Princípio da execução \u2013 distribuir as atribuições e responsabilidades para que o 
trabalho seja o mais disciplinado possível. 
A teoria proposta por Taylor e que causou uma verdadeira revolução no sistema 
produtivo seguiu sendo aperfeiçoada ao longo dos anos apesar das críticas e é sem 
dúvida alguma a precursora da Teoria Administrativa. Contribuíram para o 
desenvolvimento da administração científica: Frank e Lilian Gilbreth que se 
aprofundaram nos estudos dos tempos e movimentos e no estudo da fadiga 
propondo princípios relativos à economia de movimentos; Henry Grant que trabalhou 
o sistema de pagamento por incentivo; Harrington Emerson que definiu os doze 
princípios da eficiência; Morris Cooke que estendeu a aplicação da