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Hepatite Viral

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......................... hepatites virais ......................... 
A hepatite é resultado de um processo inflamatório no parênquima hepático que pode ser devido a diversos 
motivos, dentre eles, os vírus causadores de hepatite. 
Diversos vírus causam hepatite. Entre eles, cinco vírus de importância médica são comumente descritos como 
“vírus da hepatite”, uma vez que seu principal sítio de infecção é o fígado: 
 Vírus da hepatite A (HAV); 
 Vírus da hepatite B (HBV); 
 Vírus da hepatite C (HCV); 
 Vírus da hepatite D (HDV); 
 Vírus da hepatite E (HEV). 
Outros vírus, como vírus Epstein-Barr (o agente da mononucleose infecciosa), citomegalovírus e vírus da febre 
amarela, infectam o fígado, mas também infectam outros sítios corporais e, portanto, não são exclusivamente 
vírus da hepatite. 
 
............. VÍRUS DA HEPATITE A (HAV) .............
O HAV é um enterovírus típico que tem o genoma de RNA de fita simples e não envelopado e replica-se no 
citoplasma da célula. 
O HAV é transmitido pela via fecal-oral. Os humanos são o reservatório de HAV e o vírus é encontrado nas 
fezes aproximadamente 2 semanas antes da manifestação dos sintomas. Tem período de incubação de 15 a 
50 dias. 
Os surtos por fonte comum surgem a partir da contaminação fecal da água ou dos alimentos, como ostras 
criadas em águas poluídas e consumidas cruas. 
O vírus provavelmente replica-se no trato gastrintestinal e dissemina-se para o fígado via corrente sanguínea. 
É provável que o ataque por células T citotóxicas seja responsável pelos danos aos hepatócitos. A infecção, 
então, regride (2-4 semanas), o dano é reparado e não ocorre infecção crônica. Como é raramente é transmitido 
pelo sangue, uma vez que o nível de viremia é baixo, não ocorre infecção crônica. Produz apenas a doença 
aguda, mas pode evoluir para a forma fulminante. 
Sua patogênese irá variar de acordo com a idade do infectado, onde há maior gravidade do quadro clínico com 
a maior idade. 
SINTOMAS CLÍNICOS: 
 Febre;  Náuseas; 
 Vômitos;  Dor abdominal e cansaço; 
 Icterícia;  Fezes claras (acolia fecal); 
 Urina escura (colúria). 
 
 
 
 
 
 
 
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DIAGNÓSTICO LABORATORIAL: 
A resposta imune consiste inicialmente em anticorpos IgM, detectáveis no momento da manifestação de 
icterícia. A presença desses anticorpos, portanto, é importante para o diagnóstico laboratorial de hepatite A. 
O surgimento de IgM é seguido, após 1-3 semanas, pela produção de anticorpos IgG, que conferem proteção 
permanente. 
 Solorológico – detecção de IgM anti-HAV e de soroconversão sorológica da IgG, ou dos anticorpos totais; 
 Direto – detecção da partícula viral através da microscopia e biologia molecular. 
FLUXOGRAMA DE DIAGNÓSTICO DA HAV: 
 
 
 
 
 
 
PREVENÇÃO: 
 Tratamento da água; 
 Hábitos de higiene; 
 Vacinação com o vírus inativo. 
............. VÍRUS DA HEPATITE E (HEV) .............
O vírus da hepatite E faz parte da família Caliciviridae, vírus de RNA fita simples e não envelopado. 
O HEV é a principal causa de hepatite transmitida por via entérica, que é o sítio primário de infecção com 
posterior migração para o tecido hepático. 
Clinicamente, a doença é similar à hepatite A, exceto pela alta taxa de mortalidade em gestantes e por 
apresentar maior gravidade do que a infecção causada pelo HAV. 
Os sintomas costumam aparecer após 30 dias de infecção e não ocorre evolução da doença hepática crônica, 
da mesma forma que não há portador prolongado. 
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL: 
 Detecção de anticorpos anti-HEV de qualquer tipo (sempre ligado a epidemias); 
 Detecção da partícula ou do genoma viral através de técnicas mais apuradas. 
PREVENÇÃO: 
 Tratamento da água; 
 Hábitos de higiene. 
............. VÍRUS DA HEPATITE B (HBV) .............
É um vírus da família Hepdnaviridae, com DNA dupla fita, mas se multiplica na forma de RNA através da 
transcriptase reversa. É uma importante característica porque se torna diferente e o organismo não o 
reconhece, aumentando a chance de cronificar a doença. É um vírus envelopado e a proteína que o envelopa 
é o HBsAg (importante antígeno de superfície). 
Observação: os hepadnavírus são os únicos vírus que produzem DNA genômico por transcrição reversa, 
utilizando mRNA como molde. 
Quanto menor a idade, maior a probabilidade de evolução para a forma crônica. Isso ocorre porque o vírus da 
hepatite B não é um vírus tão agressivo como o da hepatite A e o sistema imune precoce tem uma tendência 
a tolerar (tolerância imunológica). O contato precoce do vírus da hepatite B faz o organismo entender que ele 
precisa tolerar o vírus, como se fizesse parte das células da criança. Ou seja, a maior chance de cronificar 
ocorre por menor resposta imunológica e produção do anti-HBs e, por este motivo, a vacina da hepatite B é a 
única administrada ainda na sala de parto, como se tivesse sido transmitido na forma vertical e quebrando a 
tolerância. 
Os humanos são os únicos reservatórios naturais de HBV. Não há reservatório animal. 
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Há possibilidade de co-infecção com vírus defectivo da hepatite D (HDV). Por este motivo, o HBsAg – antígeno 
existente na vacina para hepatite B – acaba protegendo o indivíduo também para a hepatite D. 
HEPATITE AGUDA x HEPATITE CRÔNICA: 
O vírus da hepatite B faz dois tipos de infecção e pode 
assumir vários caminhos: a forma aguda e a forma 
crônica da doença. 
Se um indivíduo é infectado pelo HBV, esse pode 
desenvolver uma hepatite aguda. A maioria desses 
casos se resolverá espontaneamente à medida que o 
paciente “destrói” o vírus. Cerca de 5% dos casos de 
hepatite B aguda progredirá para hepatite B crônica. 
Muitos casos de hepatite B aguda são subclínicos – a 
pessoa infectada muitas vezes desconhece a presença 
da infecção. Outros exibem sintomas da doença – a 
pessoa não se sente bem e frequentemente manifesta 
febre baixa, náuseas e dor abdominal. Por fim, podem 
ser observados icterícia, urina escura e outras 
evidências de danos hepáticos. Um longo período de 
recuperação gradual, marcado por fadiga e indisposição, se segue à medida que o fígado danificado se 
recupera. 
Se um caso de hepatite persistir por mais de 6 meses, a condição é considerada crônica. 10-15% das infecções 
cronificam e morrem de câncer do fígado ou de cirrose hepática. 
Resumindo: Se não houver produção de HBs, ele está evoluindo para a forma crônica da doença. Já um 
indivíduo portador da hepatite crônica não tem anti-HBs. Por isso a vacina é focada no antígeno da hepatite 
B. 
QUADRO CLÍNICO DA FASES: 
Forma aguda: 
1. Doença subclínica; 
2. Hepatite fulminante (mais grave da forma aguda); 
3. Hepatite aguda. 
Forma crônica: 
1. Portador assintomático; 
2. Hepatite não progressiva crônica – quadro estabelecido sem alteração da função hepática, transaminases 
séricas alteradas e sem progredir; 
3. Doença progressiva com evolução para cirrose ou carcinoma hepatocelular – no caso da cirrose é a fibrose 
do parênquima hepático por células perdidas e não respostas, o dano é maior que o reparo. O carcinoma ocorre 
através da indução de renovação celular, aumentando a chance de erros que carreguem mutações que não 
deveriam carregar. 
Não é recomendado transplante. O vírus da hepatite B não é recomendado transplante, diferente do C. 
Isso é porque o vírus infecta as células progenitoras mielóides e, então, ao retirar o parênquima hepático a 
carga viral não é nem diminuída ou retirada, visto que está guardado da medula. O órgão quando 
transplantado necessita de terapia de imunossupressão e o vírus que está na linhagem mielóide volta com 
força total para o parênquima hepático, se multiplica de forma rápida e o paciente morre mais rápido pelo 
transplante que o processo de cirrose