peca Pratica simulada III peça 4 Leonardo
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peca Pratica simulada III peça 4 Leonardo


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Egrégio Tribunal de Justiça de Minas Gerais, Câmara e
 Procuradoria do Estado de Minas Gerais
APELANTE: LEONARDO
APELADO: JUSTIÇA PÚBLICA
Leonardo, 19 anos, já devidamente qualificado nos autos do processo em epígrafe, vem, por intermédio de seu advogado por procuração, com fundamento no artigo 593, I do Código de Processo Penal, apresentar:
Recurso de Apelação
Pelos fatos e fundamentos jurídicos que seguem: 
I) Fatos
Leonardo decidiu praticar um crime de roubo em um estabelecimento comercial, supostamente com a intenção de subtrair dinheiro do caixa. Dirigiu-se, então, ao estabelecimento comercial - supostamente com a presença de uma arma de fogo.
Ao chegar ao estabelecimento comercial e, quando restava apenas um cliente, simulou portar arma de fogo e o ameaçou de morte para que saísse do local. Leonardo, em seguida, consegue acesso ao caixa onde fica guardado o dinheiro, mas, antes de subtrair qualquer quantia, verifica que o único funcionário que estava trabalhando no horário era um senhor que utilizava cadeiras de rodas. Arrependido, antes mesmo de ser notada sua 
presença pelo funcionário, deixa o local sem nada subtrair, mas, já do lado de fora da loja, é surpreendido por policiais. Estes realizam a abordagem, verificam que não havia qualquer arma com Leonardo e esclarecem que Roberto narrara o plano criminoso do vizinho para a Polícia. Ressaltando que a intenção de Leonardo era somente subtrair dinheiro do caixa.
II) Direito
A) Nulidade
O advogado de Leonardo, renunciou ao processo em sede de Alegações Finais. Nesse sentido, Leonardo, ora réu, deveria ter sido intimado pessoalmente para tomar ciência da situação processual. E decidir se gostaria de nomear outro advogado para a causa ou obter a defesa da Defensoria Pública, nos moldes dos artigos c/c 360 e 370, ambos códigos de Processo Penal.
Assim, deveria ter sido intimado pessoalmente para analisar a questão em pauta, já que se encontrava preso provisoriamente.
Diante disso, cabível será a nulidade do processo desde o momento da apresentação de Alegações Finais - e, por conseguinte, da Sentença prolatada pelo Juízo de primeira instância -, por omissão de formalidade que constitui elemento essencial do ato artigo 564, III,IV, Código processo Penal, por falta de intimação nas condições estabelecidas pela lei.
 Mérito
 Leonardo se arrependeu de sua conduta antes mesmo de ameaçar e subtrair qualquer quantia do caixa do estabelecimento. Assim, o réu deverá ser absolvido pela desistência voluntária, artigo 15 código penal. Na desistência voluntária o agente só responde pelos atos já praticados. Ocorre que no caso Leonardo não ameaçou o dono do estabelecimento nem subtraiu quaisquer quantias do caixa, razão pela qual deve ser absolvido pela inexistência da infração penal artigo 386, III Código processo Penal. O cliente ameaçado na loja nunca foi ouvido em Juízo, motivo pelo qual a absolvição também se fundamenta no artigo 386, VII código processo penal, não há provas suficientes para a condenação do réu.
 Desclassificação do crime 
Restou comprovado que Leonardo ameaçou o cliente no interior da loja para que esse de lá se retirasse.
Dessa maneira, haja vista a ausência da ocorrência de roubo, já que não houve subtração de quantia alguma do caixa do estabelecimento, cabível seria a desclassificação do crime para o crime de Ameaça, nos moldes do artigo 147 do código penal.
Ocorre que a vítima da ameaça não teve interesse no prosseguimento da ação penal pública condicionada à representação no tocante ao fato, razão pela qual a denúncia não poderá ser ajuizada pelo Ministério Público, com fundamento no artigo 147 código penal parágrafo único. Será cabível a desclassificação para o crime de Ameaça caso a vítima assim concordasse em proceder com a ação.
 Pois não há que prosperar o entendimento concernente ao roubo, porquanto não houve subtração de bens materiais e nem violência.
 A ameaça aqui listada não foi na intenção da subtração de bens materiais, mas sim para que o cliente tão somente saísse da loja.
Portanto, requer-se a desclassificação do crime para Ameaça caso a vítima assim proceda com a representação.
 Dosimetria da Pena
A decisão definitiva na procedência da ação socioeducativa não pode ser considerada como maus antecedentes, pois essa se deu antes da maioridade penal de Leonardo.									 Nesse sentido, a pena base deve ser fixada no mínimo legal, haja vista que Leonardo é primário e arrependeu-se de consumar o delito em desfavor do estabelecimento comercial. Quanto à segunda fase, dever-se-á reconhecer a atenuante da menoridade relativa artigo 65, I, III ambos do Código Penal.
Não deverá ser próspero o aumento colocado na terceira fase com a gravidade em abstrato do crime. Primeiro porque não há prova da existência do uso de arma, ante a ausência de laudo pericial - requisito imprescindível na apuração do fato, nos moldes do artigo 158 do Código de Processo Penal. 
Outrossim, a opinião do Juiz acerca da gravidade em abstrato do crime não é condição suficiente para a imposição de regime mais severo do que a pena permitir, à luz da Súmula 718 do STF.
Nesse contexto, a imposição de regime mais severo do que a pena permitir exige motivação idônea, nos moldes da Súmula 719 do STF.
Por fim, caberá a aplicação de regime menos severo do que a pena listar, com fundamento previsto na Súmula 716 do STF. Requer-se a aplicação do regime aberto ou semiaberto - subsidiariamente - à pessoa de Leonardo, nos moldes do artigo 33, parágrafo segundo alínea c ou b, respectivamente.
III) Pedidos
Ante o exposto, requer-se perante Vossas Excelências a admissibilidade do presente recurso, bem como a reforma da Sentença para:
A) Nulidade da Sentença proferida em primeira instância, nos moldes do artigo 564, III e IV ambos do Código do processo Penal.
B) ) Reconhecimento da Desistência Voluntária, nos moldes do artigo 15 do código penal.
C) Absolvição de Leonardo, nos moldes do artigo 386, II, VII, código de processo Penal.
D) Desclassificação para o crime de Ameaça, nos moldes do artigo147 do código penal, caso haja representação por parte do cliente ofendido no estabelecimento;
E) Fixação da pena-base no mínimo legal, haja vista a primariedade do réu;
 
 F) Reconhecimento das atenuantes da menoridade relativa artigo 65, I e confissão espontânea artigo 65, III, d, ambos do código penal.
 G) Aplicação do Regime aberto ou semiaberto - subsidiariamente -, nos moldes do artigo 33, parágrafo segundo alíneas c e b, respectivamente. Nesse tópico, que seja reconhecido os entendimentos previstos nas Súmulas 718, 719 e 716, todas do Supremo Tribunal Federal
 H) Expedição do Alvará de Soltura.
Nesses termos, pede deferimento.
Local, 15 de maio de 2017.
Advogado
OAB
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 1ª VARA CRIMINAL DA CIDADE DE BELO HORIZONTE \u2013 MG
LEONARDO, já qualificado nos autos da ação penal nº ... que lhe move a JUSTIÇA PÚBLICA, por seu advogado por procuração, não se conformando com a respeitável senten\ufffd\ufffda do meritíssimo juízo a quo que o condenou a pena de 4 anos pelo crime de roubo, vem, perante Vossa Excelência interpor RECURSO DE APELAÇÃO com fundamento no art. 593, I do código processo penal.
Requer seja o presente recurso recebido e processado remetendo-o com as inclusas razões ao Egrégio Tribunal do Estado de Minas Gerais.
Termos em que, pede deferimento.
Belo Horizonte MG, 15 de maio de 2017.
Advogado \u2013
 OAB