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diversos produtos (OLIVEIRA, 2002).
Isso na civilização babilônica aproximadamente 2.000 a. C., onde um dos 
primeiros reis babilônicos, Hamurábi (1728-1686 a. C.), cria o primeiro Código de 
Leis – o Código de Hamurábi; na Índia, o Código de Manu estabelecia normas 
morais para regular a conduta e prestar proteção aos necessitados; bem como a 
Lei das XII Tábuas que instituiu a legislação na origem do Direito Romano e na 
constituição da República Romana. 
Na Antiguidade, os primeiros registros na história da proteção social 
surgiram no Oriente Médio com o Código de Hamurábi, na Babilônia, 
século XVIII a. C., e com o Código de Manu, na Índia, século II a. C., que 
continham preceitos de proteção aos trabalhadores e carentes. 
Porém, apesar de se afirmar a existência de direitos aos indivíduos, 
não existiam garantias contra o poder dos governantes. Assim, cabia 
ao cidadão apenas observar as leis (DEZOTTI; MARTA, 2011, p. 433).
Nesse sentido, também existem muitos relatos bíblicos enfatizando no 
Antigo Testamento, em especial no Egito, situações diversas de miséria, pobreza, 
doenças, pestes, entre outras situações de escravidão dos povos, inclusive do povo 
hebreu. Os Dez Mandamentos da Lei de Deus, bem como diversos livros e textos 
sagrados para os povos, tais com a Lei Torá do Judaísmo, a Bíblia do Cristianismo, 
o Alcorão ou Corão do Islamismo, o Dhammapada do Budismo, entre outros, 
UNI
No Oriente Médio, sabe-se que em função de se tentar garantir a ordem e instituir 
regras e normas para serem seguidas por todos, pois não eram mais alguns e tampouco 
pequenos grupos, mas sim, populações numerosas, tem-se registros de códigos em forma de 
leis sociais, que foram criados e instituídos em algumas regiões.
UNIDADE 1 | A GÊNESE DA ASSISTÊNCIA E DA QUESTÃO SOCIAL
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também foram criados e tinham como propósito instituir leis, códigos, regras de 
conduta, proteção, libertação, salvação, cura, perdão, caridade, sendo que até os 
dias atuais se fazem valer sob o ponto de vista religioso ou como filosofia de vida 
(GAARDER, 2000).
No Egito, Grécia e Roma, no período da Antiguidade já havia registros de 
ações assistenciais de ajuda e auxílio, com distribuição de alimentos, em especial 
trigo, aos necessitados. 
3 A CONTRIBUIÇÃO DA FILOSOFIA E A INFLUÊNCIA DA 
RELIGIÃO
Sabe-se também que, para o mundo ocidental, as primeiras tentativas 
de estudo, questionamento, análise e compreensão a respeito da sociedade, das 
relações sociais, das formas de interação humana (ser, pensar e fazer a sociedade) 
foram influenciadas na antiguidade pela filosofia grega. 
A base das ciências do mundo ocidental emergiu a partir do mundo greco-
romano com a observação dos primeiros filósofos sociais – Sócrates, Platão e 
Aristóteles –, que começaram a questionar e refletir temas primordiais, tais como 
conceitos de ética, moral, verdade, direito, governo, justiça, política, democracia, 
felicidade, melancolia, entre outros diversos assuntos de interesse da polis, das 
cidades-estados.
Sócrates (470-399 a.C) de Atenas foi considerado o homem mais sábio e o 
filósofo mais importante da sua época. Para ele, o saber fundamental é o saber a 
respeito do homem, por isso até hoje conhecemos sua frase máxima: Conhece-te 
a ti mesmo. Assim, a maior virtude que o homem pode ter é o conhecimento (é 
necessário conhecer para agir retamente) e o maior vício é a ignorância. Sócrates 
dedicou-se à reflexão e discussão da Filosofia Humanista.
IMPORTANT
E
Interessante saber é que, desde a Antiguidade, os filósofos se preocupavam 
também com temas, tópicos de estudo, análise e discussões referente à sociedade em que 
viviam. Temas eram discutidos, tais como democracia, política, justiça, verdade, pois existiam 
na polis daquela época situações antidemocráticas, de corrupção, de injustiças, de mentiras, 
ou seja, manifestações ruins ou erradas que estavam merecendo ser discutidas na sociedade, 
no sentido de propiciar mudanças, transformações.
TÓPICO 1 | A PROTEÇÃO E A ASSISTÊNCIA NA HISTÓRIA DA HUMANIDADE
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FIGURA 2 – FILÓSOFO SÓCRATES
FONTE: Disponível em: <https://www.google.com.br/
search?q=imagem+do+filosofo+socrates>. Acesso em: 7 jan. 2015.
O termo democracia era muito discutido na época pelos filósofos. Sócrates, 
crítico da democracia de sua época, questionava de forma aguda como poderia 
numa democracia não existir a participação plena de todos, como poderiam existir 
escravos, por que estrangeiros e mulheres não podiam participar da vida política? 
Assim, era contra a democracia ateniense e não acreditava na mitologia grega. 
Dessa forma, foi condenado à morte por sua racionalidade, criticidade e por 
defender suas ideias. Preferiu a morte do que a recusa pelos seus princípios.
 
Segundo Kim (2011, p.14), 
O tipo de pergunta que Sócrates fez aos cidadãos de Atenas buscou 
chegar ao cerne do que eles realmente acreditavam que eram certos 
conceitos. Sócrates fazia perguntas aparentemente simples – como “O 
que é justiça?” ou “O que é beleza?” [...] Em discussão desse gênero, 
Sócrates desafiou preceitos sobre a maneira como vivemos e sobre as 
coisas que consideramos importantes.
Na filosofia grega existia uma preocupação com a essência das coisas, 
sair da superficialidade era necessário para uma mente autêntica e crítica. Assim, 
vamos perceber a necessidade da filosofia na profissão, pois precisamos ir além 
das aparências e considerar o que realmente é importante.
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Assim, na antiguidade podemos perceber que a escravidão, a exclusão, a 
discriminação, a desvalorização da mulher e estrangeiros eram consideradas 
pelos filósofos consequências da falta de uma autêntica democracia, ou seja, traduzindo: eram 
formas de manifestações da Questão Social = Política da época, o que demonstrava certa 
irracionalidade e incoerência por parte dos legisladores, governantes.
UNIDADE 1 | A GÊNESE DA ASSISTÊNCIA E DA QUESTÃO SOCIAL
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No caso atual, exemplos de manifestações sociais da Questão Social 
Política, ou até mesmo da economia, podem ser visualizados. Assim podemos 
identificar a corrupção, a pobreza. Seguindo a análise de pensamento de Montaño 
(2012), a pobreza é uma expressão da “questão social”, é uma manifestação atual 
no capitalismo, da relação de exploração entre capital e trabalho; o pauperismo é 
atualmente resultado, manifestação, expressão do capitalismo em sua forma de 
exploração e acumulação privada de capital.
 
Aqui a Questão Social discutida está relacionada ao tema ECONOMIA 
ou até conjuntamente ao tópico POLÍTICA, pois ambos contribuem para a 
disseminação e aumento da desigualdade e pobreza. E assim, poderíamos 
prosseguir com inúmeras e outras reflexões que abordam a questão social e suas 
expressivas manifestações. Por analogia e comparações da antiguidade e da 
sociedade contemporânea, poderíamos descrever e citar diversas situações que 
nos serviriam como base de fundamentação e raciocínio.
Retornando ao pensar a filosofia, os filósofos tinham como compromisso 
propor normas para que o ser humano vivesse numa sociedade ideal. As bases 
para as ciências sociais foram dadas através dos séculos, desde a Antiguidade, por 
pensadores que estiveram ligados à máquina administrativa da cidade-estado ou 
que estudaram sua constituição e funcionamento. 
Os séculos V e IV a. C. foram os séculos em que Atenas viveu seu 
apogeu econômico, político e cultural. Nas palavras do historiador 
grego Heródoto, “O Século de Ouro” do governante Péricles, que após 
a vitória nas Guerras Médicas contra os Persas de Dario I e Xerxes, 
investiu todos os recursos adquiridos de outras cidades (com a Liga 
de Delos) na valorização de sua cultura. Aconteceu nesse período 
a exaltação dos valores dos atenienses através de construções de 
palácios e monumentos; no incentivo de produções artísticas, literárias, 
históricas e filosóficas tentando