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Neoplasia

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B i a n c a L o u v a i n P a t o l o g i a G e r a l | 1 
 
......... neoplasias ......... 
Uma neoplasia é uma massa anormal de tecido, cujo crescimento é excessivo e não coordenado 
com aquele dos tecidos normais, e persiste da mesma maneira excessiva mesmo após a 
interrupção do estímulo que originou as alterações. Sendo assim, ela pode ser definida como um 
distúrbio do crescimento celular que é desencadeado por uma série de mutações adquiridas que 
fornecem para as células neoplásicas uma vantagem de sobrevivência e de crescimento, 
resultando em proliferação excessiva que é independente de sinais fisiológicos de crescimento 
(autônoma) e com diferentes graus de proliferação celular que determina sua malignidade ou 
não. Quanto mais diferenciada uma célula neoplásica for, mais semelhante estrutural e 
funcional da célula de origem ela será e melhor será o prognóstico. 
O termo tumor se refere a uma lesão com efeito de massa, já a neoplasia tem o aspecto de 
células indiferenciadas. Com isso podemos dizer que toda lesão tumoral é neoplásica? Não. 
- DE ONDE SURGEM OS TUMORES? 
Surgem de descontrole da proliferação celular causados por mutações genéticas que acontecem 
em três principais categorias: 
 Genes que regulam o crescimento; 
 Genes que regulam a apoptose; 
 Genes que fazem reparo de DNA. 
Além disso, toda neoplasia tem dois componentes: 
 Parênquima – se refere as células neoplásicas que estão se proliferando. É 
importante, pois dependendo da célula em proliferação e suas características, é possível 
conhecer o comportamento da neoplasia e as consequências clínicas; 
 Estroma – tecido conjuntivo de suporte para a neoplasia. Através dele as células 
recebem suprimento sanguíneo para continuar proliferando, gerando massa neoplásica, 
metástase. Dependendo da quantidade de estroma presente na célula neoplásica, esse tumor 
pode ter uma consistência mais firme ou amolecida, brilhosa ou fosca, etc. 
- PRINCIPAIS LINHAGENS NEOPLÁSICAS: 
São os tipos celulares que podem dar origem à um tumor. 
A principal e mais comum origem de uma linhagem neoplásica é o epitélio. 
Exemplo: adenocarcinoma com linhagem epitelial glandular (adeno  epitélio 
glandular/carcinoma  maligno) ou osteossarcoma com linhagem mesenquimal(osteo  
osteoblastos/sarcoma  origem mesequimal). 
[ BENIGNO x MALIGNO ] 
 Neoplasia benigna – são muito semelhantes estruturalmente e funcionalmente às células de 
origem; 
 Neoplasia maligna – podem ter pouca semelhança e a função nunca é igual. Neoplasia 
maligna é sinônimo de câncer. 
A diferença entre uma neoplasia maligna e benigna está na presença de metástase, 
comportamento clínico, conduta clínica. 
[ TUMOR BENIGNO ] 
Diz-se que um tumor é benigno quando seus aspectos micro e macroscópicos são considerados 
relativamente inocentes, significando que ele permanece localizado, não se disseminará para 
outras áreas e geralmente pode ser removido por cirurgia local. No geral ele é encapsulado, não 
infiltrativo, bem delimitado e, principalmente, não metastático. 
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Em geral, os tumores benignos são designados ligando o sufixo -oma ao nome do tipo de 
célula a partir do qual se origina o tumor. 
- NEOPLASIAS BENIGNAS MESENQUIMAIS: 
Prefixo da célula de origem + sufixo oma 
Osteoma – tumor benigno originado dos 
osteoblastos. Comum em seio nasal, ossos 
longos e crânio. Dependendo da 
localização pode provocar manifestação 
clínica. 
Condroma – tumor benigno originado dos 
condrócitos. Na microscopia observa-se 
proliferação de tecido cartilaginoso 
maduro e bem diferenciado. 
Lipoma – tumor mesenquimal que se 
origina dos adipócitos. Pode aparecer em qualquer lugar, mas mais comum em locais 
superficiais. É uma lesão bem delimitada com aspecto de gordura que reflete o grau de 
diferenciação do tumor. 
Observação: um lipoma no retroperitônio pode comprimir o rim e gerar manifestações clínicas 
relacionadas a compressão. Na pele o seu efeito é mais estético. 
Fibroma – neoplasia benigna do tecido fibroso. Os fibroblastos são células 
alongadas e sua proliferação leva um aspecto do tumor fasciculado. 
Exemplo: pólipos fibroepiteliais são fibromas cutâneos compostos por uma 
proliferação superficial da epiderme, mas o eixo do tecido conjuntivo é formado. 
- NEOPLASIAS BENIGNAS EPITELIAL: 
Adenoma – tumor benigno do epitélio glandular. 
Observação: apesar de ter linhagem glandular, não podem formar glândulas. 
O adenoma é muito frequente e alguns exemplos podem ser: 
 Adenoma do pâncreas (cistoadenoma pancreático); 
 Adenoma de tireóide – lesão bem delimitada, encapsulada e única; 
 Adenoma de glândula adrenal – lesão bem delimitada, encapsulada, de cor semelhante a 
adrenal por alta semelhança estrutural e funcional. Pode cursar com excesso de hormônio; 
 Adenoma de hipófise – pode gerar alteração visual temporária; 
 Adenoma de intestino – é comum o pólipo. Exclusivamente no intestino os pólipos (adenoma) 
cursam com displasia que são alterações microscópicas que predispõe a alterações 
neoplásicas. Contudo, nem todo pólipo é neoplásico, existe os pseudopólipos. Ainda que 
benigno, há chance de malignizar. 
Conceito pólipo: quando uma neoplasia, benigna ou maligna, produz uma projeção 
macroscopicamente visível acima da superfície mucosa e se projeta, por exemplo, na luz gástrica 
ou colônica, denomina- se pólipo. Se o pólipo possuir tecido glandular, ele é chamado de um 
pólipo adenomatoso. 
Os adenomas com maior chance de malignização são adenomas sesseis, grande. 
Papilomas – é diferente da lesão papilomatosa do HPV. É uma neoplasia benigna do epitélio 
escamoso que forma papila (comumente chamada de verruga) e faz projeções digitiformes. No 
HPV, também há uma infecção com aspecto papilomatoso, mas o vírus infecta a célula e 
estimula uma proliferação celular. 
[ TUMOR MALIGNO – CÂNCER ] 
Os tumores malignos são referidos coletivamente como cânceres, um derivado da palavra latina 
caranguejo, pois costumam se aderir a qualquer região na qual estejam, de maneira infiltrativa. 
Os tumores malignos podem invadir e destruir as estruturas adjacentes e se disseminar para 
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áreas distantes (metastatizar), levando à morte. São caracterizadas como infiltrativa, 
metastática e mal delimitada. 
Durante seu desenvolvimento é possível observar áreas de hemorragia pela maneira infiltrativa 
do tumor e angiogênese para sua nutrição e metástase. Quando o desenvolvimento da 
angiogênese é rápido pode resultar em isquemia da célula adjacente por necrose coagulativa. 
Além disso, por crescer de maneira infiltrativa é difícil sua excisão completa, o que favorece sua 
reicidiva. 
- NEOPLASIA MALIGNA DO MESENQUIMAL: 
Prefixo da célula de origem + sufixo sarcoma 
Osteossarcoma – neoplasia maligna dos osteoblastos. Por ser uma lesão infiltrativa, há 
destruição do osso, não sendo possível delimitar a lesão. 
Na microscopia é possível observar um tecido ósseo não 
bem diferenciado. As células começam a ser pleomórfica 
e ter alterações relacionadas ao tamanho e coloração do 
núcleo, com velocidade de crescimento muito rápido (ou 
seja, fácil de observar figuras de mitose). 
Conceito pleomorfismo – pleo (vários) morfos (formas) 
ou seja, células de várias formas e tamanho, 
hipercromáticas (núcleos escuros) que vem por reflexo de 
uma atividade nuclear muito alta. Comum das 
neoplasias malignas. 
Fibrossarcomas – neoplasia maligna dos fibroblastos. 
Lipossarcoma – tumor maligno que se origina das células adiposas. Pode gerar manifestação 
clínica como hematúria. 
- NEOPLASIAS MALIGNAS DO EPITÉLIO: 
As neoplasias malignas de origem nas células epiteliais, derivadas de qualquer uma das três 
camadas germinativas, são denominadas carcinomas. 
Prefixo da célula de origem + sufixo carcinoma 
Os carcinomas