A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
5 pág.
Reparo tecidual

Pré-visualização | Página 2 de 2

são responsáveis pela contração da cicatriz que pode ser uma retração 
funcional (quando exuberante prejudica a função do órgão) ou fisiológica 
 Deposição de MEC 
 Remodelação e organização da matriz extracelular 
Observação: as duas primeiras etapas podem vir juntas. 
Resumo: ocorre formação do tecido de granulação, que é uma reação inflamatória e necessária 
para a chegada de células, macrófagos e fibroblastos e os fibroblastos vão sintetizar MEC. 
Observação: a inflamação é diferente de infecção, inflamação tem que ter, é obrigatório. Já uma 
infecção prejudica a cicatrização. 
- REMODELAÇÃO E ORGANIZAÇÃO DA MEC: 
Observação: a formação do colágeno só ocorre na presença de vitamina C. Logo, a carência de 
vitamina C interfere no processo de cicatrização, contudo o excesso não acelera o processo. 
No caso do colágeno, a síntese de MEC ocorre pela presença de PGDF ou fatores de crescimento 
que estimulam os receptores que, então, sinalizam para o núcleo e do núcleo para o retículo 
endoplasmático, até a formação da proteína (transcrição). A massa de colágeno, então, vai sendo 
formada até o determinado momento em que ela precisa parar sua síntese para ser esculpida, 
até chegar a forma da matriz extracelular desejável. Esta caracteriza a quarta fase do reparo 
cicatricial – chamada de remodelação e organização da matriz. Ou seja, ela vai ser esculpida, 
modelada e organizada. 
Mas como nosso organismo faz isso? Através de um grupo de enzimas chamadas de 
metaloproteinases e que, dentro desse grupo temos a colagenases. As colagenases destroem o 
colágeno e forma, então, uma balança de substâncias que estimulam as colagenases até que 
haja um equilíbrio. Contudo, da mesma forma que temos substâncias que estimulam as 
colagenases, também temos substâncias que inibem as colagenases e favorecem a deposição de 
colágeno. 
B i a n c a L o u v a i n P a t o l o g i a G e r a l | 4 
 
Exemplo: uma ferida ou corte em uma pessoa com hiperexpressão do TGF-b (que inibe as 
colagenases) resulta em produção exagerada do mesmo e, como ele só faz inibição e só favorece 
a deposição, temos o queloide, que é uma anormalidade característica da quarta fase da 
cicatrização (importante). Podemos dizer, então, que o queloide é um tecido rosa, compacto 
composto por fibrose associado à um exagero na formação de colágeno. 
Observação: TGF-alfa, nos esteroides, inibe as colagenases; a prória plasmina presente no 
plasma estimula as colagenases. 
[ CICATRIZAÇÃO DE PRIMEIRA E SEGUNDA INTENÇÃO ] 
Há dois termos cirúrgicos muito conhecidos e comuns: cicatriz de primeira e segunda intenção. 
 Primeira intenção – feridas de margens próximas e podem ser unidas. Exemplo: sutura 
 Segunda intenção – feridas que o organismo se encarrega da cicatrização. 
É importante conhecer as características da ferida para que saibamos que tipo de cicatrização 
ocorrerá, se precisa primeiro limpar e depois suturar, deixar aberta e etc. 
PRIMEIRA INTENÇÃO SEGUNDA INTENÇÃO 
Bordas e vertentes regulares Bordas e vertentes irregulares 
Margens próximas (característica mais 
importante para definir qual tipo de intenção) 
e geralmente ferida limpa 
Margens afastadas (dificulta a repitelização e o 
processo de contração será muito exuberante para 
tentativa de união das bordas) e geralmente suja, 
infectada 
Normalmente é uma ferida cirúrgica, mas 
também pode ser produzida por arma branca, 
gilete, navalha 
Queimadura, úlcera gástrica 
 1° dia: infiltrado de granulócitos (inflamação aguda) e coágulo 
 3° dia: inflamação crônica, substituição do coágulo por tecido de granulação, acúmulo de 
fibras colágenas aleatórias (deposição de colágeno) 
 5° dia: neovascularização, redução do infiltrado inflamatório, acúmulo de colágeno com 
fibras alinhadas e epitelização da ferida (regeneração) 
 7° dia: redução dos vasos, acúmulo maior de colágeno e infiltrado inflamatório mínimo ou 
ausente 
 30° dia: presença de uma área cicatricial (cicatriz) com poucas células e vasos, além da perda 
progressiva de água pela cicatriz 
Resumo: já nos primeiros dias ocorre evidência de reparo 
tecidual (repitelização). Do terceiro ao sétimo dia há formação do 
tecido de granulação, proliferação fibroblástica e começamos a 
ter mais fibroblasto na lesão. Na segunda semana há maior 
concentração de colágeno, 10 a 20% a mais da força de resistência 
da cicatriz e que aumenta com o tempo. Os vasos vão sumindo 
gradativamente e, no final do primeiro mês, há fibrose e tecido 
normal. Contudo, isso depende de fatores relacionados ao local 
da ferida e fatores sistêmicos. 
Importante saber o tem de acordo com o tempo. 
Observação: a patocronia estuda o tempo da evolução de uma 
doença, trauma, lesões. Com isso, é importante para determinar 
o tempo de uma lesão com o que foi dito ou em uma autopsia, por 
exemplo. Exemplo: paciente relata lesão com tecido de granulação 
presente e diz que tem há um ano. Um ano não tem tecido de 
granulação. Da mesma forma, não tem como ter fibrose com um 
dia de lesão. 
 
B i a n c a L o u v a i n P a t o l o g i a G e r a l | 5 
 
- FATORES LOCAIS E SISTÊMICOS: 
 Fatores locais: tipo e tamanho da ferida (primeira ou segunda intenção – de segunda 
intenção é mais arrastada), local da lesão (uma ferida no lábio, por ser mais vascularizado, 
cicatriza mais rápido que uma ferida no dedo, por exemplo), circulação (um ponto cirúrgico 
não pode ser muito apertado para não interferir na vascularização e retardar a cicatrização), 
não se sutura ferida com necrose/infeccionada (favorece a proliferação bacteriana, primeiro 
é necessário tratar), movimentação (traumatismo contínuo interfere e retarda o processo de 
reparo), trauma (escara como resultado da falta de circulação e faz necrose, dificultando a 
cicatrização) e radiação solar (interfere na formação do tecido de granulação) 
 Fatores sistêmicos: diabetes (microangiopatia diabética), desnutrição (especificamente a 
carência de vitamina C – importante), corticóide (potente imunossupresor e anti-
inflamatório que interfere no processo por parar toda cadeira inflamatória. Importante para 
colírio com corticoide na conjuntivite). 
[ COMPLICAÇÕES ] 
- Cicatriz hipertrófica e queloide: 
A cicatriz hipertrófica respeita os limites da ferida, são 
estímulos continuados no mesmo local. Diferente do 
queloide que vai além dos limites da ferida. O queloide é 
um problema genético, sendo mais comum em pessoas 
negras. 
Observação: o queloide não regride espontaneamente e 
ocorre apenas na pele, a cicatriz hipertrófica regride 
(normalmente em 6 meses). 
- Granulação exuberante: 
O tecido de granulação em exagero no local resulta em bolas de coloração rosa e consistência 
mole. Muito comum no canto das unhas por trauma e é mais conhecido como "bife" ou carne 
esponjosa. 
- Contração exuberante: 
Muitas vezes pode ser funcional, podendo produzir alterações funcionais e deiscência da cicatriz. 
- Abertura da cicatriz: 
Geralmente são cicatrizes mal-formadas ou fracas. Muito comum na lapaptoscopia exploradora 
que, ao aumentar a pressão abdominal ao tossir ou ir ao banheiro, por exemplo, a cicatriz pode 
abrir.

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.