A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
6 pág.
Anticorpos monoclonais

Pré-visualização | Página 1 de 2

B i a n c a L o u v a i n I m u n o l o g i a C l í n i c a | 1 
 
......... anticorpos monoclonais ......... 
- RELEMBRANDO A ESTRUTURA DOS ANTICORPOS: 
Os anticorpos tem um formato semelhante ao 
"Y", com dois braços e uma perna. Há três 
importantes regiões a ser comentada: cadeia 
pesada, cadeia leve e região da dobradiça. 
É possível observar a cadeia pesada ou região 
constante da cadeia pesada, que é uma região de 
pouca variabilidade (porção inferior). A cadeia 
pesada também tem a região variável, que é a 
região que irá variar entre os diferentes tipos de 
anticorpo. Associado à cadeia pesada, temos a 
cadeia leve, que também tem a região constante e variável. 
Há um ponto de união entre a região variável da cadeia pesada e a região variável da cadeia 
leve chamada de dobradiça. Essa é a região que funciona como um sítio para o antígeno e é 
justamente essa região variável que muda entre os anticorpos, sendo específico para 
determinada situação. Por exemplo, a região variável do anticorpo é diferente para uma 
bactéria e um vírus. 
As dobradiças funcionam dando certa flexibilidade 
para esses braços do anticorpo. Exemplo: ao imaginar 
uma bactéria e dois antígenos bacterianos, o 
anticorpo irá se ligar nesses dois antígenos. Ao supor 
que uma bactéria com antígenos mais espaçados, esse 
anticorpo continuará a se ligar aos dois antígenos já 
que as dobradiças permitem a flexibilidade de ligação 
dos anticorpos. 
Se cortássemos a região do anticorpo com a dobradiça, teríamos: 
 A porção chamada de fragmento Fab – seriam os braços do Y, composta pela cadeia leve e 
cadeia pesada. Elas guardam a informação do reconhecimento 
 Uma porção chamada de Fc – que existe uma série de fenômenos imunológicos associados 
a essa porção 
- ISOTIPOS E FUNÇÕES DOS ANTICORPOS: 
Os anticorpos têm diferentes classes/isotipos, que nada mais são que 
pequenas alterações que existem na região constante dos anticorpos. 
As alterações nessa região irão resultar em IgG, IgM, IgE, IgA e IgD. 
Então os anticorpos podem ter as mesmas regiões variáveis, mas ter 
diferentes classes (já que elas nada têm a ver com a região variável e 
sim alterações da região constante da cadeia pesada). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
B i a n c a L o u v a i n I m u n o l o g i a C l í n i c a | 2 
 
Algumas funções importantes dos anticorpos: 
 Neutralização de patógenos e toxinas através do IgM, IgG e IgA – ele se liga a 
determinados receptores na célula e impede a infecção ao neutralizar não somente 
partículas, mas também antígenos solúveis, como é o caso das toxinas bacterianas. 
 
 Opsonização (ligação a fagócitos) pelo IgG – diversas funções do anticorpo vão 
depender da sua porção Fc (até a porção neutralizante). Um quadro clássico é no processo 
de opsonização por anticorpos, onde os microorganismos serão revestidos por anticorpos 
específicos contra ele e o fato dos fagócitos terem regiões com receptores para porção Fc dos 
anticorpos torna o processo de fagocitose mais fácil. Mais especificamente sobre os 
receptores para Fc de IgG, quando temos a 
ligação desses receptores nas células temos 
a transdução de sinais que ativam o 
fagócito. É um sinal ativatório para 
eliminação intracelular. Entretanto, temos 
uma única porção nesse Fc que é inibitória 
e transmite um sinal que desliga a célula. 
Elas só existem em linfócitos B e são 
chamados de FcγRI 
 Ativação da via clássica do sistema complemento pela IgM e IgG – a ativação desse 
sistema gera alteração das membranas por lise bacteriana ou opsonização, inflamação por 
degranulação de mastócitos e quimiotaxia de neutrófilos ou pode ter outras funções como 
regulação do sistema imune e coagulação sanguínea 
 Citotoxicidade celular dependente de anticorpo (ADCC) pela IgG (NK) – existe um 
fenômeno mediado pelos anticorpos chamado de ADCC. Em uma célula tumoral com 
produção de anticorpos contra essa célula, os anticorpos vão opsonizar e o fato dele se ligar 
faz com que as NK, que tem uma porção com 
receptores para Fc das IgG, sejam ativadas. Então, 
quando esse receptor ativatório reconhecer o 
anticorpo, ele vai ativar NK e liberar Fcγ. As 
células NK secretam perforinas e granzimas, que 
são enzimas que induzem a morte celular 
(apoptose). Então esse tumor que foi opsonizado 
pode ser morto pelo processo de ADCC 
 Ligação a mastócitos e basófilos para defesa contra helmintos pela IgE – a defesa 
contra helmintos é mediada por IgE. Isso acontece 
porque a IgE se liga nos helmintos e os eosinófilos 
(que é um granulocito rico em enzimas que 
destroem a parede celular de helmintos) possuem o 
mesmo receptor para IgE que os mastócitos 
possuem (receptor de alta afinidade) 
 
 
B i a n c a L o u v a i n I m u n o l o g i a C l í n i c a | 3 
 
Alguns conceitos importantes: 
 A primeira imunoglobulina a ser produzida durante uma infecção é a IgM 
 A imunoglobulina da imunidade neonatal é a IgG, ou seja, é a única que atravessa a 
barreira transplacentária 
 A imunoglobulina com atividade inibitória da ativação da célula B é a IgG. 
[ RECEPTOR INIBITÓRIO DA CÉLULA B – INIBIÇÃO FCYRIIB POR IgG ] 
Ao retirar o contato com o antígeno, induzimos a proliferação de linfócitos B que são 
específicos contra determinado antígeno. Contudo, no final de uma resposta imune de fase 
aguda, deve haver uma contração, isto para não causar dano tecidual e porque o antígeno está 
sendo eliminado. Então, diversos mecanismos vão garantir que as células retornem a 
sua concentração inicial. 
Um desses mecanismos é passar pelos receptores inibitórios. 
Como ocorre? O linfócito B, quando ativada, vai produzir anticorpos que tem baixa afinidade 
para IgG e precisamos de uma IgG para ligar ao receptor. Só que esse receptor é inibitório e 
induz o desligamento celular. Além disso, ele funciona como no feedback negativo, é 
necessária uma alta concentração de células B para que o estímulo inibitório seja ativado. 
Nos processos de ativação celular, normalmente temos um receptor 
acoplado à uma proteína que recruta um adaptador e isso resulta na 
produção de algo, como a produção de citocina, por exemplo. Contudo, a 
ativação das células, de uma maneira geral, depende da fosforilação 
realizada pelas quinases. Só que esse processo é reversível e podemos 
desfosforilar a proteína e inativá-la. 
O predomínio de quinases resulta em ativação celular. Já o 
predomínio de fosfatases resulta em inativação celular, já que o 
fosfato está sendo eliminado. Podemos afirmar, então, que esse 
receptor inibitório está associado à fosfatases. 
[ IMUNIDADE DA MUCOSA ] 
A IgA é uma imunoglobulina de mucosas transportada até o lúmen do órgão através da 
transcitose, que nada mais é que atravessar a IgA por dentro do citoplasma da célula 
epitelial. 
[ IMUNIDADE NEONATAL ] 
Ancorpos IgA e IgG do colostro e leite promovem a imunidade de mucosa neonatal. 
Há um receptor chamado de FcRn, que está presente em diversos tecidos, assim como no 
endotélio (endossoma), placenta, epitélio intestinal, vaginal e brônquio e que são importante 
na relação mãe e neonato. Ele é um receptor para a porção Fc que tem como função fazer o 
transporte de IgG placentária. 
Funções essenciais do FcRn: 
 Transporte ativo de IgG materno pela placenta e 
pelo epitélio intestinal 
 Transcitose de IgG mediado por receptor Fc 
neonatal (FcRn) – quando a IgG do leite materno 
chega no intestino do neonato, receptores FcRn se liga e 
transporta a IgG até a circulação sanguínea 
 Além disso, o receptor irá proteger a IgG do 
catabolismo intracelular, evitando a degradação 
lisossomal e permitindo o seu retorno à circulação. Ou 
seja, esse receptor também tem a função de aumentar a 
vida das IgGs, mas como? Em uma célula que faça 
B i a n c a L o u v a i n I m u n o l o g i a C l í n i c a | 4 
 
qualquer processo de endocitose, elas captam IgG para serem degradadas