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Alergias

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B i a n c a L o u v a i n I m u n o l o g i a C l í n i c a | 1 
 
............... alergias ............... 
Uma variedade de doenças humanas é causada por respostas imunológicas a antígenos 
ambientais não microbianos que envolvem as células Th (produtoras de IL-4, IL-5 e IL-13), a 
imunoglobulina E (IgE), mastócitos e eosinófilos. 
A marca de doenças alérgicas é a produção do anticorpo IgE, que é dependente da 
ativação doas células T auxiliares produtoras de IL-4. 
[ EPIDEMIOLOGIA ] 
A população da África não é mais suscetível a nenhuma doença autoimune. Em compensação, 
a mesma população, mas que foi tirada da África e levada para América do Norte, tem uma 
incidência muito alta de doenças autoimunes, principalmente o Lúpus. Para as alergias está 
ocorrendo a mesma coisa, mas com mais intensidade. 
As principais alergias e mais comuns no Brasil vão caracterizar a “marcha alérgica”: rinite 
alérgica, dermatite atópica, asma brônquica e alergia atópica enteral (alergia alimentar). 
Há 10 anos atrás tínhamos aproximadamente 16 milhões de alérgicos em uma população de 
180 milhões de pessoas e, dentre eles, tínhamos 30% de rinite alérgica, 15% de asma 
brônquica e 6% de dermatite atópica. Isso certamente aumentou nos últimos 10 anos. 
Quanto maior o IDH, maior a incidência de doenças autoimunes e alérgicas. Em um ambiente 
muito limpo, com água encanada, esgoto canalizado e com medidas preventivas para não 
haver infecções, embora aumentem a expectativa de vida, aumenta a promoção de doenças 
autoimunes. 
Países desenvolvidos: Não/subdesenvolvidos: 
 As famílias têm baixo número de pessoas 
 Moram em apartamento com animais 
domésticos (gato e cachorro) 
 Microflora intestinal altamente estável, 
monótona 
 Uso de antibiótico altamente 
administrado, mesmo sem necessidade. 
Observação: uma criança de até 5 anos de 
idade que já fez 3 ciclos de amoxicilina 
tem 50% de chance a mais de desenvolver 
qualquer tipo de alergia 
 Sem parasitoses e ainda toma anti-
helmíntico 
 Saneamento básico essencial 
 As famílias têm um grande número de 
pessoas. Quanto maior o número de 
crianças, maior a exposição aos agentes 
ambientes e os levando para casa 
 Tem casas em regiões rural, em contato 
com diferentes animais (rato, coelho, 
vaca) 
 Microflora intestinal transitória, variável 
por mudança na dieta 
 Baixo uso de antibiótico por não ter 
médicos e por não dinheiro para compra 
do fármaco, na maioria dos casos 
 Tem parasitoses, eosinofilia 
 Sanitarização reduzida 
 
- HIPÓTESE DA HIGIENE: 
Sugere que infecções na primeira infância diminuem a tendência para desenvolver doenças 
alérgicas. Sendo assim, o ambiente determina se vamos ou não ter mais suscetibilidade. Ao 
colocar um indivíduo com alta suscetibilidade em um ambiente "limpo" é quase certo dizer que 
ele irá desenvolver algum tipo de atopia. 
A poluição certamente influencia e explica alergias, contudo, a hipótese da higiene explica 
melhor o quadro e suas consequências. 
 
 
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Quando o bebê nasce por parto normal ele passa minutos a horas no canal vaginal, portanto, 
qualquer bactéria ingerida tem potencial de compor a flora da criança (que não tem suco 
gástrico). Todo esse processo é impedido com o parto por cesárea. Além disso, ele também pode 
ter contato com a bactéria presente no mamilo da mãe durante a amamentação. 
[ PRODUÇÃO DE IgE ] 
Os indivíduos atópicos produzem altos níveis de IgE em resposta a alérgenos ambientais, 
enquanto os indivíduos normais geralmente produzem outros isotipos de Ig, como IgM e IgG, e 
apenas pequenas quantidades de IgE. 
As doenças do sistema autoimune são poligênicas. Mesmo assim, existem alguns genes 
importantes: 
 Genes da IL-4, que é uma citocina fundamental para produção de IgE e a IgE está ligada 
aos processos alérgicos. Os genes da IL-4 estão ligados a uma região chamada de região 
promotora, que controla sua expressão. No caso da IL-4, existem variantes polimórficas 
nessa região promotora que fazem com que o gene IL-4 possa ser altamente expresso ou 
não. Sendo assim, algumas pessoas vão produzir, para um determinado antígeno, muita 
IL-4 e outras que com o mesmo antígeno produzem pouca IL-4, sendo essa diferença 
genética causada pela região promotora. Há ainda outras regiões polimórficas nas cadeias 
do receptor da IL-4, de modo que determinados receptores tenham alta afinidade pela 
molécula de IL-4. Ou seja, mesmo que a pessoa produza pouca IL-4, quando esta se liga aos 
receptores, ela não consegue se desligar com facilidade. Quanto maior a afinidade, mais o 
ligante fica no receptor, mais sinal a célula terá 
 Variações do receptor da molécula de IgE, que está na superfície do mastócito e 
basófilo, gerando alta afinidade pela molécula de IgE e baixa afinidade da região constante 
da IgE. E quanto maior a afinidade, maior a chance de desencadear, com poucas moléculas 
de IgE, a ativação de mastócito e basófilo 
 Variações do MHC II, que são extremamente importantes por determinar uma resposta 
a uma quantidade pequena de um determinado antígeno alérgico. Ou seja, determinadas 
variantes polimórficas do MHC, a depender do alelo expressado, favorece mais a resposta 
contra a proteína presente nas fezes do ácaro, por exemplo, induzindo alergia 
Essas quatro variações são muito importantes pois, ainda que existam outros mecanismos 
alérgicos, estes são determinantes para o favorecimento de um quadro alérgico em 
uma pessoa com background genético que o torna suscetível a alergias. 
A quantidade de IgE sintetizada depende da propensão de um indivíduo a gerar células T 
auxiliares específicas. Os dois grandes tipos de resposta existente: 
 Th1 – produzem IFN-γ, que são responsáveis pela ativação de macrófagos e está associada 
a resposta contra patógenos intracelulares ao ativar mecanismos microbicidas 
 Th2 – produzem IL-4 (fundamental para produção de IgE), IL-5 (para sintetização de 
eosinófilos pela medula óssea), IL-9 (para síntese e ativação de células mastocitárias) e IL-
13 (produção de muco). Também é importante para ectoparasitas, como vermes intestinais, 
e para produção de anticorpo contra microorganismo extracelular. 
Ao nascer, a criança tem predominância de Th2, 
por maior produção de IL-4. Com o decorrer do 
tempo e exposição, ela desenvolve em paralelo 
uma resposta Th1. Logo, um indivíduo normal 
deve ter tanto Th1 como Th2 – resposta mista. 
Um sueco, por exemplo, por ser muito monótono, 
tem predomínio de Th2 e tem maior facilidade de 
desenvolver altos níveis de IgE e consequentes 
atopias. 
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Observação: a produção de IL-4 inibe a produção de Th1, já a produção de INF- γ inibe a 
produção de Th2. O BCG é um agente que induz produção de Th1 e, por isso, causa um 
balanço das células Th2 quando administradas. 
[ MECANISMO DE GERAÇÃO DA ALERGIA ] 
Nas doenças alérgicas, as células Th são necessárias para a diferenciação de células B 
produtoras de IgE e as células Th2 desempenham um papel central na reação inflamatória em 
tecidos. 
Como acontece? Inicialmente ocorre uma fase de sensibilização, o alérgeno é introduzido no 
sistema imune e apresentado por uma APC, que gera células Th2 produtoras de IL-4 e IL-13, 
que modificam o isotipo da célula B, que antes era uma IgM e agora é uma IgE em elevada 
quantidade, sensibilizando os mastócitos. Caso isso se prolongue, em um novo contato com o 
antígeno, ocorre a fase de ativação e uma reação de hipersensibilidade I. Esse alérgeno irá se 
ligar a duas moléculas de IgE, fazendo com que o mastócito degranule e ocorra liberação 
exagerada de diversas aminas vasoativas 
resultando em uma reação alérgica 
anafilática tipo I. O mastócito quando 
degranula secreta prostaglandina, 
leucotrienos, histamina, citocinas. 
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