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Malária

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............. malaria ............. 
[ CASO CLÍNICO ] 
Paciente do sexo masculino, 40 anos, ensino médio incompleto, casado, agricultor, natural e 
procedente de Petrópolis-RJ. 
Possui como hobbie a realização de circuitos de bicicleta em matas. O paciente procurou 
atendimento na UPA pela primeira vez dia 20/02/2016. Foi relatado que ele estava há duas 
semanas com mal-estar, náuseas, tonturas, cansaço, mialgia, febre contínua (diária) e sudorese. 
O médico que o atendeu deu diagnóstico clínico de dengue, prescrevendo hidratação oral e um 
analgésico/antipirético. Foi solicitado exame sorológico (IgM), e o resultado foi negativo para 
dengue. O paciente retornou após nove dias do primeiro atendimento relatando pouca melhora 
com a medicação e uma febre com calafrios que acontecia em um dia, passava dois dias sem 
febre e no dia seguinte a febre retornava (febre a cada 48 horas). Quando tinha febre havia 
início abrupto de intenso calafrio seguido de período de intenso calor e por fim, sudorese intensa. 
Relata ainda aumento do volume abdominal, seguido de episódios de náuseas e, por vezes, 
vômitos. 
 Antecedentes médicos/patológicos: nega doenças pregressas, hemotransfusões, alergias e 
cirurgias. 
 Antecedentes epidemiológicos: positivo para esquistossomose (banho de rios na infância em 
região endêmica). Nega contato com pessoas com mesmo quadro clínico. 
 Hábitos de vida: tabagista há 5 anos (1 maço/semana). Etilista há 10 anos, 10 cervejas/final 
de semana. Sedentário. 
 Ao exame físico: paciente em regular estado geral, abatido, anictérico e acianótico, mucosas 
descoradas. – PA: 130×85 mmHg; FC: 90 bpm; FR: 18 inc/min; Temp: 39 °C; Sat O2: 96% em 
ar ambiente. 
 Exames solicitados – hemograma completo e hematoscopia. 
 Resultado dos exames – hemograma: anemia normocitica normocrômica; leucopenia com 
desvio para esquerda. Hematoscopia: esfregaço do sangue periférico com visualização das 
hemácias parasitadas 
Por que inicialmente o médico suspeitou de dengue? Pois os sintomas iniciais de malária são 
inespecíficos, podendo ser semelhantes aos sintomas de síndromes febris agudas. E como estava 
em janeiro, época do ano com alto número de casos de dengue, e no RJ, área não endêmica para 
Malária, não se pensou nesta possibilidade. 
[ MALÁRIA ] 
É uma doença endêmica causada por um protozoário e veiculada por vetor artrópode, 
caracterizada clinicamente pelo “paroxismo palúdico” (calafrios, febre e sudorese) a intervalos 
regulares. Pode apresentar evolução variável dependendo do tipo do parasito e do estado imune 
do hospedeiro. 
Causada pelas espécies de Plasmodium (P. vivax (82%), P. ovale (extremamente raro), P. 
malariae (pequena porcentagem) e P. falciparum (16.5%). 
Plasmódios que causam infecção em símios, e que em condições especiais também podem ser 
capazes de infectar o homem, como: P. cynomolgi, P. simium, P. brasilianum, P. eylesi, P. 
knowlesi, P. schwetzi e P.inui. 
 
 
 
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[ EPIDEMIOLOGIA ] 
Importância em saúde pública por causar uma doença Febril, potencialmente letal, causando a 
morte de aproximadamente um milhão de pessoas/ano no mundo. Em áreas hiperendêmicas (de 
alta transmissibilidade) ocasiona doença principalmente em gestantes e crianças abaixo de dois 
anos. Amazônia legal com 300.000 casos novos/ano. 
A Malária pode agravar quadros crônicos de hipertensão, diabetes. 
 [ CICLO BIOLÓGICO ] 
A transmissão para seres humanos ocorre por meio da picada do mosquito fêmea hematófaga 
de Anopheles, através do qual os esporozoítos presentes na saliva são injetados na corrente 
sanguínea. Os esporozoítos são transportados até as células parenquimatosas do fígado, onde 
ocorre a reprodução assexuada (esquizogonia). Esta fase do crescimento é denominada ciclo 
exoeritrocítico e tem duração de 8 a 25 dias. Os hepatócitos eventualmente se rompem, 
liberando plasmódios (chamados de merozoítos 
neste estágio), que por sua vez se fixam a receptores 
específicos na superfície dos eritrócitos e entram nas 
células, iniciando, assim, o ciclo eritrocítico. A 
replicação assexuada progride através de uma série 
de estágios (trofozoíto jovem, trofozoíto maduro, 
esquizonte) que culminam na ruptura do eritrócito 
com liberação de até 24 merozoítos, que iniciam 
outro ciclo de replicação ao infectarem outros 
eritrócitos. Alguns merozoítos também se 
desenvolvem nos eritrócitos em gametócitos 
masculinos e femininos. Se um mosquito ingere 
gametócitos masculinos e femininos maduros 
quando realiza a hematofagia, o ciclo reprodutivo 
sexuado da malária pode ser iniciado, com eventual 
produção de esporozoítos infecciosos para o homem. 
Este estágio de reprodução sexuada no mosquito é 
necessário para a manutenção da malária em uma 
população. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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[ TRANSMISSÃO ] 
 Vetorial pelo Anopheles (mosquito prego); 
 Durante a gestação – transmissão vertical; 
 Compartilhamento de seringas; 
 Transfusão de sangue; 
 Transplante de órgãos. 
Como ocorre casos de malária no Rio de Janeiro? Através de viajantes, mas, principalmente, 
através da malária de primatas que é capaz de infectar humanos. 
[ QUADRO CLÍNICO ] 
O período de incubação pode ocorrer de 9 a 40 dias, dependendo da espécie. 
A principal manifestação clínica da malária em sua fase inicial é a febre, que pode estar 
associada ou não a outros sintomas. A febre é resultado da ruptura das hemácias. 
Acessos palúdicos ou paroxismo é caracterizado por calafrio, mal-estar, cefaleia, 
dores musculares e articulares. Depois inicia a febre alta e posteriormente sudorese 
e melhora do estado geral. Paroxismo a cada 48 ou 72 horas. 
Outros sintomas podem estar relacionados: vômitos, diarreia, dor abdominal, falta de apetite, 
tonteira e sensação de cansaço. 
- QUESTÃO NORTEADORA: 
Como é o nome dado a esta febre a cada 48 horas e por que ela ocorre? 
 Na febre terçã, a febre aparece de 48/48 horas e 
acontece normalmente nas infecções por P. vivax; 
 Pode ocorrer febre quartã, pelo P. malariae, a 
cada 72 horas. 
A concentração de TNF-α pelos macrófagos ativados 
e de outros mediadores é induzida por substâncias 
liberadas quando há rompimento das hemácias, por isso está relacionada aos acessos febris. 
- VARIAÇÕES CLÍNICAS DA DOENÇA: 
A malária induz imunidade parcial e de curta duração anos após exposição contínua ao parasito. 
Por isso, em áreas endêmicas, adultos geralmente tem episódios clínicos leves. 
Pode ser grave em crianças, gestantes e adultos procedentes de áreas não endêmicas (viajantes). 
E, caso não seja tratada, pode levar à anemia progressiva, hepatoesplenomegalia, malária 
cerebral, insuficiência renal, convulsões generalizadas 
Deve ser diagnóstico diferencial de dengue, febre amarela, outras arboviroses, 
septicemias, febre tifoide, pielonefrite aguda. 
[ DIAGNÓSTICO ] 
 Coleta de sangue da ponta do dedo ou coleta venosa – para isso deve-se preparar uma lâmina 
com gota espessa e outra com gota estirada ou esfregaço. A lâmina vai ser corada pelo método 
de Giemsa, Leishman ou Wright e examinado em microscopia óptica; 
 Testes rápidos para a detecção de componentes antigênicos de plasmódio através de métodos 
de diagnóstico rápido e imunocromatográficos. 
 
 
 
 
 
 
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Por que o diagnóstico precoce é importante? Para aumentar a chance do paciente não ter 
a malária grave e vir a óbito, pois quanto mais rápido o diagnóstico, mais rápido é feito o 
tratamento. 
“A letalidade da malária na região extra-amazônica é cerca de 80 vezes maior do que na 
Amazônia, que concentra 99,8% dos casos do país. Em áreas de transmissão de dengue, como o 
Rio de Janeiro, o atraso no diagnóstico e tratamento