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Leptospirose

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.................. Leptospirose .................. 
A leptospirose é uma doença infecciosa transmitida ao homem pela urina de roedores, 
principalmente por ocasião das enchentes. É a zoonose mais conhecida do mundo. 
A doença é causada por uma bactéria chamada Leptospira, (uma espiroqueta, 
bactéria gram-negativa), presente na urina de ratos e outros animais (bois, 
porcos, cavalos, cabras, ovelhas e cães também podem adoecer e, 
eventualmente e raramente, transmitir a leptospirose ao homem). São 
bactérias pouco resistentes à luz solar direta, aos desinfetantes comuns e aos 
antissépticos. 
- LEPTOSPIRA INTERROGANS: 
A Leptospira interrogans (cepa patogênica) é o agente da leptospirose e divide-se em sorogrupos 
encontrados em diferentes animais e localizações geográficas. As espiroquetas são 
intensamente espiraladas e seu movimento em espiral faz com que sua infecção ocorra mais 
rapidamente e assim atravessa a mucosa e chega a corrente sanguínea. 
Há uma íntima relação entre sorotipos e hospedeiros: 
 L. pomona – adaptada do porco; 
 L. canicola – adaptada do cachorro (mais comum em canil). O cão serve como sentinela e 
avisa como está o ambiente. Ou seja, se ele se infecta ele indica que podemos em algum 
momento nos infectar também e é necessário medidas de prevenção; 
 L. hardjo – adaptado da vaca; 
 L. icterohaemorrhagie – adaptado do rato (é o mais comum). Também são adaptadas as 
capivaras e, apesar da capivara ser portadora da L. icterohaemorrhagie, é difícil a 
transmissão por elas. 
Apesar de ser gram-negativa não se cora pelo através da coloração de Gram, por ser muito 
pequena. Porém, são visualizadas por microscopia de campo escuro e crescem em meios 
bacteriológicos contendo soro. 
- EPIDEMIOLOGIA: 
A leptospirose é uma zoonose de distribuição mundial e endêmica em países de clima tropical 
devido as suas condições climáticas, geológicas e sociais, que favorecem sua transmissão e 
contribuem para sua maior ocorrência. 
Pau da Lima é um bairro localizado em Salvador, na Bahia, que é extremamente endêmico e, 
por isso, estuda-se muito a leptospirose nessa comunidade. Diferente das favelas do Rio de 
Janeiro, essa comunidade começa de cima para baixo e podemos dizer que é uma banheira a 
céu aberto. Isso favorece o aumento dos casos nessa comunidade. 
Podemos dizer que é comum em moradia sem saneamento básico, com inundações – de perfil 
epidemiológico urbano. 
- TRANSMISSÃO: 
Roedores são portadores assintomáticos. Esses animais vão contaminar o ambiente e a 
transmissão será indireta ou essa transmissão pode ser direta quando um ferimento (mesmo 
que pequeno é grande para uma bactéria) entra em contato com a urina do rato. 
No modelo urbano, que é importante para a medicina, a transmissão ocorre pelo contato direto 
com a urina, pela inundação. Também pode ocorrer pelo acúmulo de lixo e gambás, por exemplo. 
No ambiente rural é comum ocorrer surtos dentre os participantes de triatlo e competições de 
aventura envolvendo natação em águas contaminadas. 
Mineiros, fazendeiros e indivíduos que trabalham em redes de esgoto exibem risco elevado. 
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Observação: a leptospirose precisa de água e umidade, quando o ambiente se encontra seco a 
bactéria morre. Sendo assim, não é transmitida por latas de refrigerante ou cerveja. 
- PATOGÊNESE: 
Os animais excretam leptospiras na urina, a qual contamina a água e o solo. A infecção humana 
ocorre quando leptospiras são ingeridas ou atravessam as membranas mucosas ou pele. 
As bactérias circulam pelo sangue e multiplicam-se em vários órgãos, produzindo febre e 
disfunção hepática (icterícia), renal (uremia), pulmonar (hemorragia), e do sistema nervoso 
central (meningite asséptica). A enfermidade é tipicamente bifásica – após melhora inicial, 
desenvolve-se a segunda fase, que é quando os títulos de anticorpos IgM aumentam: 
 1ª fase – após entrar em contato com a pessoa, a bactéria atravessa a mucosa e chega até a 
corrente sanguínea, causando febre, calafrios, cefaleia intensa. Como tem uma disseminação 
hematogênica muito rápida, logo os sintomas somem, à medida que as bactérias vão 
deixando a corrente sanguínea. Ela sai do sangue para que não possam ser detectadas por 
IgM. As que estavam no sangue morrem e as que saem sobrevivem. 
A leptospiremia da resposta imunológica ocorre de 7 a 10. 
 2ª fase – apesar de ir para órgãos altamente vascularizados, elas ficam longe dos vasos (na 
trabécula hepática, parênquima). A fase “imune”, é frequentemente caracterizada pelos 
achados de meningite asséptica e, em casos severos, dano hepático (icterícia) e insuficiência 
renal. A segunda fase prejudica a administração do antibiótico, já que acaba não fazendo 
efeito. O antibiótico faz efeito apenas na primeira fase em que ela se encontra no sangue. 
Nessa fase, tem 50% ou mais de chance de a pessoa morrer, independente do que é feito, pois 
trata-se de uma descompensação imune, antibiótico não serve. 
São fases bastante pontuais. 
PRIMEIRA FASE SEGUNDA FASE 
 Entrada: pele lesionada e mucosas 
 Disseminação hematogênica rápida 
 Leptospiremia seguida de resposta imune: 7 a 
10 dias 
 Órgãos alvo: rins, pulmões, fígado, aparelho 
reprodutor 
 Musculatura esquelética 
 Lesão endotelial: vasculite e isquemia 
A leptospirose deve ser diferenciada das arboviroses para que seja tratada o quanto antes e, se 
possível, na primeira fase – saber perfil epidemiológico, história clínica e exame laboratorial, 
perfil socioeconômico, presença de roedores, qual ocupação. 
- MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS: 
O ser humano é sempre o hospedeiro final e acidental. 
O período de incubação varia de acordo com a quantidade de bactéria que foi exposta, podendo 
variar de 1-30 dias. 
A maioria são infecções são assintomáticas ou subclínicas (90%). Ainda assim é importante, pois 
há uma grande chance de reinfecção e que aumenta a chance de uma infecção mais grave. 
Podemos dizer que há duas formas: anictérica e ictérica. 
A forma anictérica será responsável por 70-90% dos casos. É uma Influenza-like, ou seja, seus 
sintomas se assemelham a uma infecção pelo vírus Influenza: 
 Forma branda ou subclínica; 
 Não procura a atenção médica; 
 Resolução – aparecimento dos anticorpos (7-10 dias); 
 Diagnóstico diferencial: dengue, febre amarela, Influenza; 
 Mortalidade muito baixa. 
Tríade clássica: febre + cefaleia + dores pelo corpo (principalmente na panturrilha, 
indicando uma suspeita importante). 
A forma ictérica pode evoluir para a forma grave em 15% dos casos e para mortalidade em 
10% dos casos. Além disso, pode ocorrer complicações como a Síndrome de Weil – forma clássica 
– com 60% de letalidade. 
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- DIAGNÓSTICO: 
O diagnóstico clínico é difícil e se assemelha a diversas doenças. 
 Fase precoce: dengue, influenza (síndrome gripal), malária, riquetsioses, febre tifoide, 
toxoplasmose e outras doenças; 
 Fase tardia: hepatites virais agudas, febre amarela, malária grave, dengue hemorrágica, 
febre tifoide, endocardite, doença de Chagas aguda, pneumonias, pielonefrite aguda, 
apendicite aguda, sepse, meningites, colecistite aguda e outras doenças. 
Então, o método laboratorial de escolha depende da fase evolutiva em que se encontra o 
paciente. 
 Método direto – PCR e cultura. Na fase precoce, as leptospiras podem ser visualizadas no 
sangue por meio de exame direto, de cultura em meios apropriados ou detecção do DNA do 
microrganismo, pela técnica da reação em cadeia da polimerase (PCR). A cultura somente 
se finaliza (positiva ou negativa) após algumas semanas, o que garante apenas um 
diagnóstico retrospectivo. Na fase tardia, as leptospiras podem ser encontradas na urina, 
cultivadas ou inoculadas; 
 Métodos indiretos – sorologia. Pelas

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